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Biografia de Federico Garcia Lorca

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  • Federico Garca Lorca

    Pequeno Poema Infinito

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  • Federico Garca Lorca

    Pequeno Poema Infinito

    Palavras de

    Federico Garca Lorca

    Roteiro de

    Jos Mauro Brant e Antonio Gilberto

    Traduo de

    Roseana Murray

    So Paulo, 2009

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  • Coleo Aplauso

    Coordenador Geral Rubens Ewald Filho

    Governador Jos Serra

    Imprensa Oficial do Estado de So Paulo

    Diretor-presidente Hubert Alqures

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  • Apresentao

    Segundo o catalo Gaud, No se deve erguer monumentos aos artistas porque eles j o fize-ram com suas obras. De fato, muitos artistas so imortalizados e reverenciados diariamente por meio de suas obras eternas.

    Mas como reconhecer o trabalho de artistas ge niais de outrora, que para exercer seu ofcio muniram-se simplesmente de suas prprias emo-es, de seu prprio corpo? Como manter vivo o nome daqueles que se dedicaram mais voltil das artes, escrevendo, dirigindo e interpretan-do obras-primas, que tm a efmera durao de um ato?

    Mesmo artistas da TV ps-videoteipe seguem esquecidos, quando os registros de seu trabalho ou se perderam ou so muitas vezes inacessveis ao grande pblico.

    A Coleo Aplauso, de iniciativa da Imprensa Oficial, pretende resgatar um pouco da memria de figuras do Teatro, TV e Cinema que tiveram participao na histria recente do Pas, tanto dentro quanto fora de cena.

    Ao contar suas histrias pessoais, esses artistas do-nos a conhecer o meio em que vivia toda uma classe que representa a conscincia crtica da sociedade. Suas histrias tratam do contexto

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  • social no qual estavam inseridos e seu inevit-vel reflexo na arte. Falam do seu engajamento poltico em pocas adversas livre expresso e as conseqncias disso em suas prprias vidas e no destino da nao.

    Paralelamente, as histrias de seus familiares se en tre la am, quase que invariavelmente, saga dos milhares de imigrantes do comeo do sculo pas sado no Brasil, vindos das mais va-riadas origens. En fim, o mosaico formado pelos depoimentos com pe um quadro que reflete a identidade e a imagem nacional, bem como o processo poltico e cultural pelo qual passou o pas nas ltimas dcadas.

    Ao perpetuar a voz daqueles que j foram a pr-pria voz da sociedade, a Coleo Aplauso cumpre um dever de gratido a esses grandes smbo-los da cultura nacional. Publicar suas histrias e personagens, trazendo-os de volta cena, tambm cumpre funo social, pois garante a preservao de parte de uma memria artstica genuinamente brasileira, e constitui mais que justa homenagem queles que merecem ser aplaudidos de p.

    Jos SerraGovernador do Estado de So Paulo

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  • Coleo Aplauso

    O que lembro, tenho.Guimares Rosa

    A Coleo Aplauso, concebida pela Imprensa Ofi cial, visa resgatar a memria da cultura nacio nal, biografando atores, atrizes e diretores que compem a cena brasileira nas reas de cine ma, teatro e televiso. Foram selecionados escritores com largo currculo em jornalismo cultural para esse trabalho em que a histria cnica e audiovisual brasileiras vem sendo reconstituda de ma nei ra singular. Em entrevistas e encontros sucessivos estreita-se o contato en tre bigrafos e bio gra fados. Arquivos de documentos e imagens so pesquisados, e o universo que se recons-titui a partir do cotidiano e do fazer dessas personalidades permite reconstruir sua trajetria.

    A deciso sobre o depoimento de cada um na pri-meira pessoa mantm o aspecto de tradio oral dos relatos, tornando o texto coloquial, como seo biografado falasse diretamente ao leitor .

    Um aspecto importante da Coleo que os resul -ta dos obtidos ultrapassam simples registros bio-gr ficos, revelando ao leitor facetas que tambm caracterizam o artista e seu ofcio. Bi grafo e bio-gra fado se colocaram em reflexes que se esten-de ram sobre a formao intelectual e ideo l gica do artista, contex tua li zada na histria brasileira.

    So inmeros os artistas a apontar o importante papel que tiveram os livros e a leitura em sua

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  • vida, deixando transparecer a firmeza do pen-samento crtico ou denunciando preconceitos seculares que atrasaram e continuam atrasando nosso pas. Muitos mostraram a importncia para a sua formao terem atua do tanto no teatro quanto no cinema e na televiso, adquirindo, linguagens diferenciadas analisando-as com suas particularidades.

    Muitos ttulos exploram o universo ntimo e psicolgico do artista, revelando as circunstncias que o conduziram arte, como se abrigasse em si mesmo desde sempre, a complexidade dos personagens.

    So livros que, alm de atrair o grande pblico, inte ressaro igualmente aos estudiosos das artes cnicas, pois na Coleo Aplauso foi discutido o processo de criao que concerne ao teatro, ao cinema e televiso. Foram abordadas a construo dos personagens, a anlise, a histria, a importncia e a atua lidade de alguns deles. Tambm foram exami nados o relacionamento dos artistas com seus pares e diretores, os processos e as possibilidades de correo de erros no exerccio do teatro e do cinema, a diferena entre esses veculos e a expresso de suas linguagens.

    Se algum fator especfico conduziu ao sucesso da Coleo Aplauso e merece ser destacado , o interesse do leitor brasileiro em conhecer o percurso cultural de seu pas.

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  • Imprensa Oficial e sua equipe coube reunir um bom time de jornalistas, organizar com eficcia a pesquisa documental e iconogrfica e contar com a disposio e o empenho dos artistas, diretores, dramaturgos e roteiristas. Com a Coleo em curso, configurada e com identida-de consolidada, constatamos que os sorti lgios que envolvem palco, cenas, coxias, sets de filma-gem, textos, imagens e palavras conjugados, e todos esses seres especiais que neste universo transi tam, transmutam e vivem tambm nos tomaram e sensibilizaram.

    esse material cultural e de reflexo que pode ser agora compartilhado com os leitores de to do o Brasil.

    Hubert AlquresDiretor-presidente

    Imprensa Oficial do Estado de So Paulo

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    Introduo

    Revelar a alma de Federico Garca Lorca foi o nosso objetivo. Para realizarmos essa difcil misso foi necessrio um mergulho profundo em sua vida e obra. Cada um de ns, viajantes, chegou com sua prpria bagagem de leituras e vivncias em torno do poeta. J estvamos pron-tos para iniciar o mergulho no potico universo lorquiano.

    A primeira escolha nesse caminho foi a de uti-lizar somente palavras do prprio Garca Lorca. Apesar da nossa paixo pela sua obra dramtica e potica descobrimos que no era esse o cami-nho e sim o de seus textos mais pessoais: cartas, entrevistas, conferncias, memrias de infncia e fragmentos esparsos nos quais o autor revela um pouco de sua viso ntima do mundo.

    Durante meses trilhamos pelos caminhos abertos pelas suas obras completas e por todas as outras leituras que nos chegaram ao longo da busca. Um vasto material foi reunido, o suficiente para realizarmos vrios roteiros sobre o poeta. Preci-svamos de uma ideia que fosse o nosso cho, o mapa da nossa viagem. Granada. Nada poderia ser melhor do que a terra natal do nosso per-sonagem como ponto de partida do espetculo que desejvamos construir.

    Descobrimos uma conferncia do autor nos anos 30 chamada Como Canta Uma Cidade de Novem-

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    bro a Novembro em que Granada contada por meio das estaes do ano. Era o que faltava para traarmos o itinerrio de nossa viagem.

    Conclumos que a conferncia seria a situao dramtica perfeita para que a voz do poeta surgisse de uma forma direta sem quarta pare-de. Agora precisvamos construir um discurso que tocasse as diversas faces da alma de nosso personagem. Comeamos a tecer uma colcha composta pelos retalhos de sua vida, fundamen-tais sua obra.

    E assim chegamos a este roteiro, sempre com a preocupao de convidar o pblico a uma via-gem literria pelo imaginrio potico de Lorca. Espectadores se transformando em leitores. E agora, leitores virando espectadores.

    Boa viagem!

    Jos Mauro Brant

    Antonio Gilberto

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    Federico Garca Lorca

    Pequeno Poema Infinito

    Prlogo

    Senhoras e senhores:

    Desde o ano de 1918, quando ingressei na Re-

    sidncia dos Estudantes de Madri, at 1928 ano

    em que a abandonei, terminados meus estudos

    de Filosofia e Letras, ouvi naquele refinado sa-

    lo onde a velha aristocracia espanhola ia para

    corrigir sua frivolidade de praia francesa , cerca

    de mil conferncias.

    Com desejo de ar e de sol, eu me entediei tanto

    que ao sair me senti coberto por uma leve cinza

    quase a ponto de converter-se em pimenta de

    tanta irritao.

    No. No quero que entre nesta sala a terrvel

    mosca do tdio que une todas as cabeas por um

    tnue fio de sono e pe nos olhos dos ouvintes

    uns grupos diminutos de pontas de alfinete.

    De modo simples, com o registro que em minha

    voz potica no tem luzes de madeiras nem n-

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    gulos de cicuta, nem ovelhas que subitamente