familia - chico xavier

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Caro amigo: Se você gostou deste livro e tem condições de comprá-lo, faça-o pois seus direitos autorais foram doados a instituições de caridade. Que Jesus o abençoe. Muita Paz

Author: espiritismo-capixaba

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Amigo leitor, entregamos à tua consideração as anotações e comunicados simples deste livro, a fim de refletirmos juntos sobre as responsabilidades e compromissos, alegria e bênçãos da vida familiar na Terra que segue sempre, no domínio das conseqüências, na direção do reajuste e aperfeiçoamento, da felicidade e da sublimação na Vida Espiritual. Emmanuel Uberaba, 21 de fevereiro de 1981

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  • Caro amigo: Se voc gostou deste livro e tem condies de compr-lo, faa-o pois seus direitos autorais foram doados a instituies de caridade. Que Jesus o abenoe. Muita Paz

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    INDICE PREFCIO..................................................................................................................................... 3 EM FAMLIA................................................................................................................................ 4 JESUS EM CASA......................................................................................................................... 6 DO CU A TERRA........................................................................................................................ 7 PGINA AOS PAIS..................................................................................................................... 8 TEU FILHO................................................................................................................................... 9 ANOTAES DE FAMLIA ....................................................................................................... 10 ANTES DO BERO................................................................................................................... 12 TEU FILHINHO CONTIGO....................................................................................................... 13 INFNCIA ................................................................................................................................... 14 CANTORIA DA CRIANA......................................................................................................... 15 NO ADIANTA BRIGAR ......................................................................................................... 18 DRAMA DE PAI........................................................................................................................ 19 ROGATIVA MATERNAL.......................................................................................................... 22 SE LHE FALTA ......................................................................................................................... 23 TROVAS DO CASAMENTO..................................................................................................... 24 NA ESCOLA DO BEM ............................................................................................................. 26 HOJE CONTIGO......................................................................................................................... 27 AFEIES ESPIRITUAIS .......................................................................................................... 28 ANTES DA LUTA ..................................................................................................................... 29 ANOTAES EM SERVIO .................................................................................................... 30 ANTE A ORFANDADE............................................................................................................. 31 A TERRA NOSSA ESCOLA..................................................................................................... 32 HONRAR PAI E ME .............................................................................................................. 33 LUZ E BENO........................................................................................................................ 34 DESPRENDIMENTO................................................................................................................... 35 CORRIJAMOS AGORA ............................................................................................................. 36 CORTESIA................................................................................................................................... 37 ALAVANCA DA VIDA............................................................................................................. 38 A LIO DO ESQUECIMENTO.............................................................................................. 39 APTIDO E HABILITAO .................................................................................................... 40 C E L..................................................................................................................................... 41 LIBERDADE E EXPIAO...................................................................................................... 42 EMANCIPAO ALM TMULO .......................................................................................... 43

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    PREFCIO Prezado leitor Um livro sobre a famlia terrestre, anotando todas as complexidades que lhe ditam a formao, teria o tamanho de enorme compndio, incompatvel com as finalidades de nossa tarefa de esclarecimento e reconforto. Com respeitoso apreo, deixamos os estudos pormenorizados, em torno do assunto, aos pesquisadores das cincias psicolgicas no Plano Fsico, de vez que, para responder aos companheiros que nos indagam quanto ao reino domstico, apenas respingamos algumas situaes e tpicos, relativamente famlia, do ponto de vista da reencarnao ou, mais propriamente, da lei de causa e efeito. Em vista disso, amigo leitor, entregamos tua considerao as anotaes e comunicados simples deste livro, a fim de refletirmos juntos sobre as responsabilidades e compromissos, alegria e bnos da vida familiar na Terra que segue sempre, no domnio das conseqncias, na direo do reajuste e aperfeioamento, da felicidade e da sublimao na Vida Espiritual.

    Emmanuel Uberaba, 21 de fevereiro de 1981

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    EM FAMLIA A famlia consangnea a lavoura de luz da alma, dentro da qual triunfam somente aqueles que se revestem de pacincia, renncia e boa vontade. De quando a quando, o amor nos congrega, em pleno campo da vida, regenerando-nos a sementeira do destino. Geralmente, no se renem a ns os companheiros que j demandaram esfera superior, dignamente areolados por vencedores, e sim afeioados menos estimveis de outras pocas, para restaurarmos o tecido da fraternidade, indispensvel ao agasalho de nossa alma, na jornada para os cimos da vida. Muitas vezes, na condio de pais e filhos, cnjuges ou parentes, no passamos de devedores em resgate de antigos compromissos. Se s pai, no abandones teus filhos aos processos evolutivos da natureza animal, qual se fora menos digno de ateno que a hortalia da tua casa. A criana um "trato de terra espiritual " que devolver o que aprende, invariavelmente, de acordo com a sementeira recebida. Se s filho, no desprezes teus pais, relegando-os ao esquecimento e subestimando-lhes os coraes, como se estivessem em desacordo com os teus ideais de elevao e nobreza, porque tambm, um dia, precisars da alheia compreenso para que se te aperfeioe na individualidade a regio presentemente menos burilada e menos atendida. A criatura no acaso da existncia o espelho do teu prprio futuro na Terra. Aprende a usar a bondade, em doses intensivas, ajustando-a ao entendimento e vigilncia para que a tua experincia em famlia no desaparea no tempo, sem proveito para o caminho a trilhar. Quem no auxilia a alguns, no se acha habilitado ao socorro de muitos. Quem no tolera o pequeno desgosto domstico, sabendo sacrificar-se com espontaneidade e alegria, a benefcio do companheiro de tarefa ou de lar, debalde se erguer por salvador de criaturas e situaes que ele mesmo desconhece. Cultiva o trabalho constante, o silncio oportuno, a generosidade sadia e conquistars o respeito dos outros, sem o qual ningum consegue ausentar-se do mundo em paz consigo mesmo. Se no praticas no grupo familiar ou no esforo isolado a comunho com Jesus, no te demores a buscar-lhe a vizinhana. a inspirao e a diretriz. No percas o tesouro das horas em reclamaes improfcua ou destrutivas.

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    Procura entender e auxiliar a todos em casa, para que todos em casa te entendam e auxiliem na luta cotidiana, tanto quanto lhe seja possvel. O lar o porto de onde a alma se retira para o mar alto do mundo, e quem no transporta no corao o lastro da experincia dificilmente escapar ao naufrgio parcial ou total. Procura a paz com os outros ou a ss. Recorda que todo dia dia de comear.

    Emmanuel

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    JESUS EM CASA O lar o santurio em que a bondade de Deus te situa. Dentro dele, nos fios da consanginidade, recebes o teu primeiro mandato de servio cristo. a que te avistas com o adversrio de ontem, convertido em parente prximo, e que retomas o contato de afeies queridas que o tempo no apagou... O mundo a grande ribalta dos teus ideais e convices, mas o lar o espelho para os testemunhos de tua f. No olvides a necessidade de Cristo no cenculo de amor em que te refugias. Escolhes alguns minutos por semana e rene-te com os laos domsticos que te possam acompanhar no cultivo da lio de Jesus. Quanto seja possvel, na mesma noite e no mesmo horrio, faze teu crculo ntimo de meditao e de estudo. Depois da prece com que nos cabe agradecer ao Senhor o po da alma , abre as pginas do Evangelho e l, em voz alta, algum dos seus trechos de verdade e consolo para o que recebers a inspirao dos Amigos Espirituais que te assistem. No necessrio a leitura por mais de dez minutos. Em seguida, na intimidade da palavra livre e sincera, todos os companheiros devem expor suas dvidas, seus temores e dificuldades sentimentais. Atravs da conversao edificante, emissrios da Esfera Superior distribuiro idias e foras, em nome do Cristo, para que horizontes novos iluminem o esprito de cada um. Aprenders que semelhante prtica vale por visita de nossos coraes ao Eterno Benfeitor, que nos tomar o esforo por trilho de acesso Sua Divina Luz, transformando-nos o culto da Boa Nova em fonte de bnos, dissolvendo em nosso campo de trabalho todas as sombras da discrdia e da ignorncia, do desequilbrio e da irritao. Dizes-te amigo de Cristo, afirmas-te seguidor de Cristo e clamas, com razo, que Cristo o caminho redentor da Terra, mas no te esqueas de erigir-lhe assento constante a mesa do prprio lar, para que a luz do Evangelho se te faa vida e alegria no corao.

    Emmanuel

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    DO CU A TERRA Junto s Portas Celestiais assomam almas da Terra todos os dias. Sublimadas na abnegao e na dor, assemelham-se a anjos nascituros que o flagelo da retaguarda deixou sem nome... Agora, as cruzes do trabalho destacam-se-lhes dos ombros, feio de asas alvssimas, com que aspiram aos supremos vos no rumo da Eternidade... Enlevadas, auscultam constelaes distantes, lares suspensos da Criao que lhes sugerem, enfim, a ventura perfeita, e ouvem, extticas, a musica das esferas, convidando-as luz da divina ascenso... Todavia, na fronteira de sol, gritos de expiao alcanam-lhes o seio... Partem da Terra escura em que a noite domina. Traduzem desespero, agonia e aflio... Trazem pragas atrozes, notas de tempestade e soluos pungentes... So lgrimas e anseios daqueles que fizeram no abismo da saudade, entre a grade de trevas e o martrio da prova... So filhos que padecem, amigos que pranteiam, companheiros em sombra e amores sob algemas... ento que os redimidos, quase sempre despertam para Cristo Imortal e, ao invs da subida ao fulgor das estrelas, volvem matria obscura, retomam-na, apressados, sofrendo o bero pobre em chagas de amargura, acendendo, de novo, o lume da alegria, onde a angustia corveja, ensinando a bondade em silncio e renncia, indicando o caminho ao resplendor da Altura e morrendo em louvor da Bondade Sublime, aprendendo, com Cristo, que a virtude do amor cessar todo dio e que a graa do Cu converter o inferno de procedncia humana em templo redentor de trabalho e esperana para o Reino de Deus.

    Emmanuel

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    PGINA AOS PAIS Por maiores sejam os compromissos que te prendam a obrigaes dilatadas, na esfera dos negcios ou na vida social, consagrars famlia as atenes necessrias. Lembrar-te-s de que o lar to somente o refgio que o arquiteto te planeou, baseando estudos e clculos nos recursos do solo. Encontrars nele o templo de coraes em que as Leis de Deus te situam transitoriamente o Esprito, a fim de que aprendas as cincias da alma no intervalo domstico. Honrars teu pai e tua me... proclama a Escritura e da se subentende que precisamos tambm dignificar nossos filhos. Ainda mesmo se eles, depois de adultos, no nos puderem compreender, nada impede venhamos a entend-los e auxili-los, tanto quanto nos seja possvel, sem que por isso necessitemos coartar os planos superiores de servio que nos alimentou o corao. Reconhecendo o dbito irresgatvel para com teus pais, os benfeitores que te entreteceram no mundo a felicidade do bero, dars aos teus filhos, com a luz do exemplo no dever cumprido, a devida oportunidade para a troca de impresses e de experincias. Se ainda no consegues ofertar-lhes o culto do Evangelho em casa, asserenando-lhes as perguntas e ansiedades, com os ensinamentos do Cristo, no te esqueas do encontro sistemtico em famlia, pelo menos semanalmente, a fim de atender-lhes as necessidades da alma. Detm-te a registrar-lhes as indagaes infanto-juvenis, louva-lhes os projetos edificantes e estimula-lhes o nimo prtica do bem. No abandones teus filhos onda perigosa das paixes insofreadas, sob o pretexto de garantir-lhes personalidade e emancipao. Ajuda-os e habilita-os espiritualmente para a vida de hoje e de amanh. Sobretudo, no adies o momento de falar-lhes e ouvi-los, pois a hora da tormenta de provaes na viagem da Terra, se abate, mais dia menos dia, sobre a fonte de cada um, por teste de resistncia moral, na obra de melhoria, resgate e aprimoramento que nos achamos empenhados.

    Persevera no aviso e na instruo, no carinho e na advertncia, enquanto o ensejo te favorece, porquanto muito dificilmente conseguimos escutar-nos uns aos outros por ocasio de tumulto ou tempestade, e ainda porque ensinar equilbrio, quando o desequilbrio j se instalou, significa, na maioria das vezes, trabalho fora de tempo ou auxlio tarde demais.

    Emmanuel

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    TEU FILHO Observa a flor tenra que desabrocha no jardim de teu lar... Esprito extasiado, exclamas ante o hspede frgil que te pede refgio ao corao: Meu filho! Meu filho! E sentes o suave mistrio do amor que te renova as foras para o trabalho, enriquecendo a alma, com estmulos santos. Dessa criaturinha leve e doce que ainda no fala, recolhes poemas inarticulados de esperana e ternura... Desse anjo nascituro que ainda no caminha, recebes sugestes silenciosas de coragem para marchar com destemor, dentro da luta em que te refazes para a Vida Maior... Bnos inatingveis do Cu te coroam a fronte, e aprendes a suportar, com herosmo, o clice de fel que o mundo te apresenta e a cultivar a humildade que te faz mais humano e melhor frente dos semelhantes... Contudo, no te esqueas, ao som dessa msica renovadora, que teu filho ser manh teu retrato e que nele estampars teus prprios ideais e teus prprios impulsos, plasmando-lhe o novo modo de ser. Sem dvida, no um estrangeiro em tua casa, nem um desconhecido ao teu afeto... algum que chega de longe, como acontece a ti mesmo. Algum que te comungou as experincias do passado e que se liga ao teu caminho pelos laos luminosos do amor ou pelas duras algemas da averso. Recebe-o, assim, com doura e reconhecimento, mas no olvides o dever de arm-lo com elevao espiritual necessria ao combate que, amanh, lhe cabe ferir... Ajuda-o, equilibra-o com o trabalho digno e com o estudo edificante. Ama-o e educa-o, oferecendo-lhe o melhor de tua alma, porque, cumpridas as tuas obrigaes no lar, ainda mesmo que teu filho no te possa compreender a nobreza do sacrifcio e a excelsitude da abnegao, recebers do Eterno Senhor, Nosso Pai Celestial, a beno da alegria e da paz, de vez que, diante dEle, todos somos filhos e tutelados tambm.

    Emmanuel

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    ANOTAES DE FAMLIA

    Moldada em dor e prazer, Famlia um campo a transpor, No qual se deve aprender as grandes lies do amor

    Mcio Teixeira Achei no Livro da Vida Este conceito profundo: - Famlia que briga unida Consegue vencer no mundo.

    Lulu Parola Muitos dbitos so pagos Onde a vida nos atrela, Em muitas reencarnaes, Ao carro da parentela.

    Quintino Cunha H muita culpa escondida, Cinza que foi dio em chamas Que, s vezes, surge na vida No parente que mais amas

    Lucano Reis Lar me parece a bigorna Ante o malho, em certo jogo, No qual o amor testado Em altas provas de fogo.

    Cornlio Pires Casamento sem amor Pode vir a suceder Nas tramas do obsessor Que tem pressa de nascer.

    Cornlio Pires Posio ditosa e rara, Fortuna, poder, verniz... Nada disso se compara beno do lar feliz.

    Boris Freire

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    Verdade que se propaga, Ante a fora da razo: Em casa, tudo se paga Por lei da reencarnao.

    Jesus Gonalves Prometeram no outro mundo Famlia, trabalho e f, Mas vendo as lutas em casa, Os coitados do no p.

    Lamartine Babo As famlias quando varam Travessias dolorosas Lembram roseiras de espinhos Acobertadas de rosas.

    Luiz de Oliveira Feito de ouro ou sucata, O lar de angstias e esperas o campo onde se resgata As dvidas de outras eras.

    lvaro Martins Famlia, como estiver, Erguida seja onde for uma beno de trabalho Que Deus nos faz por amor.

    Silveira Carvalho

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    ANTES DO BERO Antes do bero, quase sempre, conhece a alma humana, plenamente desperta, grande parte dos dbitos que lhe induzem o corao a remergulhar nas foras do Plano Fsico. Muitas vezes com o auxlio dos benfeitores que endossam as novas experincias, contempla o quadro de provaes em que testemunhar humildade e renuncia. Muitos candidatos ao recomeo da aprendizagem na Terra, em semelhantes vises do limiar, tremem e choram, debatendo-se em clamoroso receio, acovardados ltima hora. ento que o afeto dos pais lhes confere doce refgio. No clima nutriente do lar, aquietam as prprias nsias, refazendo-se luz do entendimento e da prece, para o combate consigo mesmo na estrada redentora. Entretanto, se pais e mes, nessa hora, surgem moralmente inabilitados, entre a indiferena e a discrdia, desajustes e enfermidades podero sobrevir na grande passagem, porquanto o aborto e o desequilbrio aparecero aflitivos, sobrecarregando o nascituro de pesados gravames que, em muitas ocasies, s a morte inesperada conseguir reprimir. Pais amigos, guardai convosco, ante o bero terrestre, a orao e o carinho, a caridade e a paz, porque sois responsveis, na luz da reencarnao, por aquele que volta, em nome do Senhor, a rogar-vos abrigo, a fim de burilar-se e servir, ofertando-vos, ao mesmo tempo, as mais nobres oportunidades de elevao....

    Emmanuel

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    TEU FILHINHO CONTIGO O lar a oficina. Os pais so artfices. A criana a obra. O lar o gabinete de lapidao. Os pais so buriladores. A criana o brilhante potencial. O lar a terra. Os pais so cultivadores. A criana o fruto. O lar a escola. Os pais so instrutores. A criana o livro em branco. Lembra-te de que teu filhinho contigo reclama o orvalho do amor, o esmeril do trabalho, os talentos do estudo e a fora de tua prpria ascenso espiritual, para que possa atender, no futuro, s abenoadas tarefas que a Eterna Bondade lhe assinala. No olvides a tua prpria abnegao, na desincumbncia dos compromissos que assumes no santurio domstico, situando as flores humanas que Deus te confia, nos ensinamentos do Cristo, de vez que conduzindo-as com o teu prprio exemplo ao hlito do Jardineiro Divino, oferecers, mais tarde, ao Supremo Senhor o fruto primoroso de tua mais alta esperana, em plenitude de alegria e vitria, por haveres honrado, na beleza do lar, a beno da criao que consubstancia o prmio mais da vida.

    Emmanuel

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    INFNCIA Muitos psiclogos modernos acreditam que as crianas devem ser entregues inclinao espontnea, cabendo aos adultos o dever de auscultar-lhes a vocao, a fim de auxili-las a exprimir os prprios desejos. Esquecem-se, no entanto, de que o trabalho e a reflexo vibram na base de todas as aes alusivas ao aprimoramento da natureza. Se o cultivador aguarda valioso rendimento da planta, h que propiciar-lhe adubo e carinho. Se o estaturio concebe a formao da obra-prima, no prescinde do amor no trato da pedra. Se o oleiro aspira a plasmar uma idia no corpo da argila, necessita condicion-la em forma conveniente. Se o construtor espera segurana e beleza no edifcio que lhe atende superviso, no pode afastar-se da disciplina, ante o plano traado. Toda obra revela a fisionomia espiritual de quem a executa. Alm disso, treinam-se potros para corridas, instruem-se muares para trao, exercitam-se pombos para correio e amestram-se ces para tarefas salvacionistas. Como relegar a criana vala da indiferena? Do bero humano surgem muitos santos e heris, para tarefas sublimes, no entanto, em maior proporo, a respiram, na moldura de temporria inocncia, almas comuns que suspiram por libertar-se da ignorncia e da delinqncia. Instinto solta na infncia passaporte para o desequilbrio. Menino em desgoverno; - celerado em preparao. Hoje, criana livre; - amanh, problema laborioso. Pequeninos refletem grandes. Filhos imitam os pais. Os hbitos da madureza criam a moda espiritual para a juventude. Esclareamos nossos filhos no livro do exemplo nobre. Nem frio que os mantenha na servido, nem licena que os arremesse ao charco da libertinagem. Em verdade, a criana o futuro. Mais ningum colher futuro melhor, sem frutos da educao.

    Emmanuel

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    CANTORIA DA CRIANA Sobre o mundo da criana Algum me manda escrever: Quando quem pode quem manda Obedincia dever. Gosto muito de meninos, Mas no sei que fazer. Quem nascia antigamente Achava quem protegia, Pai e me formavam dupla Que velava noite e dia; E dessa prova de amor Qualquer criana sabia. Chegasse o recm-nascido, Parecia o viajante, Parente do corao H muito tempo distante, A famlia toda em festa Ficava mais importante Amigos traziam flores De paz e satisfao, A criana ouvia preces De carinho e gratido, Sabendo-se recebida Por dentro do corao. Das razes do nascimento Ningum queria o porque, A criana era beijada De alegria, j se v, A mamezinha no quarto Amamentava o bebe. Hoje em dia, um pequenino J nasce tristonho e s, dado para a enfermeira, No v vov, nem vov, No ganha leite materno; Nasceu tomando leite em p. No h mais festas nem preces...

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    Seja menino ou menina, Que no se arranque do bero, Que se agente no arrozina, Em vez de colos e abraos vacina e mais vacina. Mame vai para o trabalho, A criana chora e chama, Tem sede e fome de amor, Mas ningum lhe nota o drama, Depois das mos da enfermeira Vai para os braos da mam. A ama vive no esquema, O nen quer conversar, Papai, porm, no tem horas Para carinhos no lar, A mame regressa tarde, Precisa repousar. A criana tem de tudo, Brinquedos, roupa enfeitada, Aniversrios em festa, Televiso e mesada, Mas dos pais de quem nasceu J sente rejeitada. A comea o salseiro Do lar a se decompor, Rara a criana que chega Da vida superior, Quase sempre parentela, Pedindo pousada e amor. Sentindo-se em menosprezo, O esprito renascente Sem apoio que o remove, Faz-se rebelde e doente, Frio amargo e revoltado Mesmo forte e inteligente.

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    Hoje, ouvindo professores, Falando de educao, No sei quando o no sim, Nem sei quando o sim no, S peo aos pais que observem A lei da reencarnao. Organizar o futuro Para melhor dever, Mas aqui falo a verdade Que todos devem saber: O que se faz criana o que vai acontecer.

    Leandro Gomes de Barros

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    NO ADIANTA BRIGAR Irmos, jamais nos odiemos uns aos outros. Contar-vos-ei pequena histria para dizer-vos que, atravs do princpio da reencarnao, a bondade de Deus nos impele constantemente observncia da verdadeira fraternidade, segundo a Lei do Amor.

    Nh Juca matou Joo de Nh Rozenda Com dois tiros no Stio da Marmota. Joo era apaixonado de Quinota, A bonita caula da fazenda. O ru fugiu, mas, preso numa grota, Veio a jri e foi livre na contenda... Nisso, a filha casou com Z Merenda, Dono de muita terra, prata e nota. A briga foi bobagem, Deus louvado!... Joo nasceu de Quinota... E, reencarnado, Trouxe um sinal no peito E outro na nuca, Hoje um menino vivo Que nem brasa, E, na mo do vov, de casa em casa, o neto mais dengoso de Nh Juca.

    Cornlio Pires

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    DRAMA DE PAI O pensamento agoniado de Paulo Silva nos buscava de longe...Antes de nossa desencarnao, conhecramos nele um menino terno e amigo. Esperava-nos, na vizinhana, pela manh, para dar-nos abrao enternecedor. Agora, tanto tempo escoado, seria um homem maduro. Sim, ao rev-lo, no limiar dos cinqenta de idade, espantvamo-nos ao identificar-lhe os cabelos brancos, o corpo em terrvel abatimento, o olhar embaciado de lgrimas, os gritos de louco... Que teria ocorrido para motivar-lhe a tragdia? A resposta vinha em grosso dirio paterno, carinhosamente guardado em mesa prxima, do qual respingamos to somente alguns tpicos mais importantes e que alinhamos aqui, a ttulo de estudo: 18/11/1950 Sou pai, como sou feliz!... Recebi meu filho hoje nos braos... Meu filho!... Combinei com minha mulher, concordamos em que ter o meu nome. Ser chamado Paulo Junior. 20/02/1954 Minha me julga que Ceclia e eu devemos encomendar mais filhos. No quero. Conservarei apenas meu Paulinho, meu dolo. Ter ele tudo o que a vida no me deu... 05/03/1957 Que felicidade ver Paulinho na escola! Uma inteligncia!... Comprei hoje, em nome dele, duzentas aes de uma companhia respeitvel, investimento valioso na industria. 18/11/1958 Aniversrio de meu filho. Adquiri para ele uma gleba de vinte mil metros quadrados em Jacarepagu. Terreno de grande futuro. 11/05/1960 Aproveitei a situao de dois amigos que estavam com a corda no pescoo e comprei para meu filho duas casas em timo ponto da Tijuca. Negcio de ocasio. 14/08/1960 Sonhei com meu pai, morto h vinte anos. Coisa esquisita! Pedia-me pensar nas crianas abandonadas, nos filhos sem ningum, nos pequenos ao desamparo. Acrescentava que eu posso e devo amar meu filho, mas sem esquecer que todos somos filhos de Deus e que o mundo est repleto de criaturas necessitadas a suplicarem socorro... Despertei assustado.

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    Isso tudo, porm, bobagem. Os mortos esto mortos. Preciso cuidar de meu filho e de nada mais. 15/04/1961 Viva a boa sorte!... Duas vivas em aperto venderam-me as residncias por ninharia. Verdadeiras manses! Escrituras lavradas em nome de Paulinho. Meu filho ser um grande proprietrio. 17/06/1962 Mais terrenos para meu filho. Duas glebas em Terespolis. 19/07/1962 Adquiri quatrocentas aes, em nome de Paulinho, de industrias txteis do interior de Minas Gerais. 20/01/1963 Freiras de um asilo vieram pedir-me socorro, em favor de meninos rfos. No dei coisa alguma e nem dou. Meu filho no ser prejudicado por desfalques de caridade. 22/02/1964 Os espritas que constroem em abrigo para crianas vadias chegaram em comisso, rogando auxlio. Achei-lhes uma graa! Minha resposta foi no, como sempre. Tudo o que me vier s mos ser de Paulinho. 18/11/1965 Quinze anos. Bolo e feliz aniversrio de meu filho! Adquiri para ele, hoje tarde, boa fazenda no interior fluminense. 20/11/1965 Sonhei novamente com meu pai, dizendo-me para no esquecer do ensinamento evanglico que indica na caridade a fora capaz de cobrir as nossas faltas e renovar o nosso destino. Lembro-me perfeitamente das palavras dele, afirmando que preciso ajudar aos que sofrem na Terra para receber o auxlio dos que moram no Cu. Tolices!... Acredito que a conversa dos espritas, anteontem, me influenciou negativamente. 31/12/1965 Adquiri mais duas casa para meu filho. Pechincha com que eu no contava. 04/03/1967 Paulinho brilhando nos estudos secundrios. Que carreira seguir? Acima de tudo, quero que seja um homem rico. No acredito em poder superior ao poder do dinheiro. 06/04/1967 Comprei dois carros para o meu filho, um para a cidade, outro para a fazenda. Os quatro automveis de que dispomos em famlia j no me pareciam dignos dele. 18/11/1967 Novo aniversrio de Paulinho. Adquiri quatro apartamentos em nome dele. Quero meu filho cada vez mais rico, sempre mais rico. 30/01/1968 A fortuna de meu filho, conforme o balano ltimo, j ultrapassa de um bilho de cruzeiros velhos, segundo as anotaes de meu contabilista. 19/04/1968 Meus tios Arlindo e Antonio pediram-me auxlio, declarando-se em penria. Neguei. Tenho meu filho para cuidar.

  • 21

    22/01/1970 Meu Deus!... Paulinho est no hospital em estado grave!... Aqui terminava as anotaes. O resto era a provao frente de nossos olhos. Paulo Silva que concentrava no filho nico imensa fortuna, e que, por isso mesmo, se negava a atender a quaisquer apelos da beneficncia ou da cooperao fraternal, profundamente desequilibrado assistia, junto de ns sada do filho morto, que desencarnara, em plena juventude, vitimado pela hepatite.

    Irmo X

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    ROGATIVA MATERNAL Meus filhos. No me perguntem por aquilo que mais desejo. Agradeo as flores e as lembranas preciosas, entretanto, se algo posso pedir, rogo a vocs para serem retos e bons. Ouo-lhes, aflita, as palavras de cansao e desiluso! Vocs falam em tdio e angustia, desnimo e desconforto como se o trabalho no mais nos favorecesse! Ah! meus filhos, Deus colocou vocs em meu carinho, como alcocheta as flores na erva, mas pergunto a mim mesma se terei falhado na devoo com que os recebi.... Desculpem-me se no lhes dei ternura bastante a fim de que se desenvolvessem para a alegria do mundo que nos cabe servir... s vezes, suponho que, ao beij-los, como sendo as criaturas melhores da Terra, talvez no lhes tenha feito notar que os filhos das outras mes so tambm tutelados da Providncia Divina! Perdoem-me se no lhes inclinei o sentimento ao dever e fraternidade, mas creiam que as lgrimas me sulcaram o rosto e as aflies me alvejaram os cabelos de tanto pousar no modo certo de faz-los felizes. Perdoem-me se no pude arrancar a minha alma do corpo a fim de doar-lhes coragem e pacincia! Mas se verdade que sou fraca, temos o Cu por ns. Vocs querem que eu tenha o meu dia... Sim, filhos do meu corao, espero por vocs, de braos abertos, a fim de orarmos juntos, rogando a Deus nos rena em seu Infinito, em toda parte, seja o dia da beno.o Amor, para que o dia das mes

    Meimei

  • 23

    SE LHE FALTA Se lhe falta alguma utilidade, pea o amparo dos outros, buscando ser til. Ningum precisa roubar. Se lhe falta sade, proteja as energias de que ainda dispes. O fato remendado uma beno para quem podia estar nu. Se lhe falta afeio, procure a simpatia do prximo com nobreza. H milhares de criaturas, mentalizando o suicdio por que lhes falta a estima de algum. Se lhes falta tranqilidade, tente encontr-la em voc. Entra no fogo quem quer. Se lhe falta fora, descanse e recomece. Muito difcil estabelecer o ponto de interao entre o cansao e a preguia. Se lhe falta instruo, d mais algum tempo no estudo. A Terra est inundada de livros. Se lhe falta trabalho, no fique esperando. H uma enxada disponvel em toda parte. Se lhe falta aprovao alheia ao esforo sincero de servir e de aprimorar-se, continue fazendo o melhor ao seu alcance. Aqueles que perdoam as nossas imperfeies e nos abenoam em nossas dificuldades so superiores a ns, mas aqueles que nos criticam ou complicam so to necessitados quanto ns mesmos.

    Andr Luiz

  • 24

    TROVAS DO CASAMENTO

    No fujas do lar em prova, Nem lastimes em vo, Casamento luz sublime Na Lei da Reencarnao.

    Casimiro Cunha

    Casamento sem amor Por muito enfeite na estrada comparvel noite Que no visse a madrugada.

    Antonio de Castro

    Quem na afeio faz comdia, Em se casando, a contento, Encontrar sem apelo Um drama no casamento.

    Jos Nava

    Divrcio? Separao? Distncia do compromisso? Cime? Desconfiana? Quem ama no sabe disso.

    Vivita Cartier

    Casal que resguarda os votos Sem atir-los ao lu, Constri o claro caminho Do amor que conduz ao Cu.

    Targlia Barreto

  • 25

    O casamento uma planta Que por mais luz arrecade No frondeja, nem produz Sem as fontes da amizade.

    Lobo da Costa

    O lar que nada sofreu E vive somente em festa Lembra a noz quando fechada Que ningum sabe se presta.

    Marcelo Gama

    Um lembrete para os homens Enquanto pobres mortais Se quem casa sofre muito Quem no casa sofre mais.

    Delfina Benigna

    As regras do matrimnio Numa s regra se diz: Quem no perdoa a quem ama No consegue ser feliz.

    Azevedo Cruz

    A criatura que amamos Unida a outros ou no, No nos deixa o pensamento Nem nos sai do corao.

    Lvio Barreto

    Matrimnio vem de Deus E sempre um ajuste assim: Uma paixo que se acaba Em amizade sem fim.

    Jos Albano

  • 26

    NA ESCOLA DO BEM Auxiliemos a outrem como desejamos se nos faa. Ergue-te cada dia, cultivando a divina lio. Recorda quanto te fere o mau humor das criaturas irritadas pela manh, e levanta-te do leito com um sorriso nos lbios, estimulando a alegria dos que te cercam. Medita no contentamento que recolhes no templo domstico toda vez que os familiares te abenoam a presena com as flores invisveis do amor e estende a beno da paz queles coraes que a Divina Bondade te confiou no recinto doce do lar. Pensa em como te reconforta a desculpa incondicional dos que te desfrutam a palavra e o convvio, sempre que a irreflexo te afeia a boca ou envenena o gesto, e perdoa, com esquecimento integral, as ofensas que te sejam, porventura, assacadas no ambiente onde estiveres. Reflete na consolao de que se faz mensageira a frase amiga no crculo a que serves e improvisa, quanto possas, incentivo e louvor no campo de luta em que se te desenvolvem atividades e aspiraes. No olvides a impresso de segurana que te infunde a bondade annima na via pblica e alonga o pensamento de tolerncia e a luz da fraternidade em favor dos que transitam na rua. Seja onde for e com quem for, rememora quanto te agrada a alheia compreenso e busca entender sem restries, auxiliando infinitamente. No esperes calamidades pblicas para revelar a caridade que te possui o sentimento, nem aguardes o assalto da delinqncia para demonstrar a capacidade de perdo que te reponta do ser. A compreenso lembra o rio caudaloso que se forma gota a gota para exprimir-se em soberana grandeza. E se aprendermos hoje a praticar as pequeninas aes da gentileza quais se fossem grandes e nobres, amanh saberemos praticar as grandes e nobres aes do bem, qual se todas elas fossem humildes e pequeninas.

    Emmanuel

  • 27

    HOJE CONTIGO No olvides que permanecem hoje contigo as sombras que trazes de ontem para a regenerao do prprio destino. Evidenciam-se, a cada passo, impondo-te os problemas que te assaltam a marcha, propondo-te aprimoramento e progresso, trabalho e melhoria. So elas, quase sempre: o bero menos feliz em que renasceste; o corpo enfermio que te serve de residncia; o campo atormentado da consanginidade incompreensiva em que experimentas angstias e solido; o posto social apagado e triste, recomendando-te humildade; o carinho recusado e envilecido pela desero de quantos te mereceriam afetividade e confiana; o esposo difcil; a companheira complicada; os filhos que se desvairam nos labirintos da ingratido; os amigos que fogem; o trabalho de sacrifcio em desacordo com as prprias aspiraes; e, sobretudo, a insatisfao na prpria alma, denunciando-te os desajustes da conscincia. frente de semelhantes sinais, unge-te de coragem e escuda-te na pacincia incansvel, oferecendo o bem pelo mal para que a luz vena a treva em teu caminho, porque se a evoluo pede esforo, a redeno exige renncia se quisermos fitar novamente o sol de pensamento tranqilo. Lembra-te de que a dificuldade de agora a enquistao dos nossos erros no antes, rogando entendimento e bondade para que a alegria e a vitria venham felicitar-nos depois.

    Emmanuel

  • 28

    AFEIES ESPIRITUAIS maneira da rvore que se te ergue vista sobre razes ocultas, equilibra-se-te a existncia temporria na Terra sobre afeies invisveis. So quase todas elas tecidas nos laos que deixas-te distncia, antes do bero de que procedes, na luta renovadora em que agora estagias. Lembra-te de que o aprendizado de hoje sagrado tentame para que te desvencilhes de tudo o que foi, em teus passos, iluso e sombra de ontem. No olvides tambm de que se avanas para a frente de luz, ao influxo dos afetos superiores que te estendem braos amigos das regies elevadas, s constrangido igualmente a suportar a influncia da retaguarda de sombras, por todas as afeies subalternas com as quais compartilhaste os infelizes enganos da obsesso e da delinqncia. No te confies a quantos se te ofeream nas trilhas do Mias Alm, para a soluo de interesses inferiores. Muitas vezes, o obsquio gratuito das entidades menos esclarecidas que te induzem preguia ou a vantagens imediatas, em prejuzo do prximo, ser, mais tarde, pesada reparao, quando a liberao do corpo fsico te aclare a fora do entendimento. Recorda que sempre fcil partilhar os sonhos e as aspiraes daqueles que se igualam a ns na senda evolutiva ou palmilham mais baixo degrau que o nosso, luz do conhecimento, e aprende a cincia difcil de conviver com os instrutores que, por amigos sbios e generosos de nosso prprio futuro, nos impem a disciplina do trabalho e do sacrifcio, da humildade e da renncia na construo da felicidade dos outros, porque somente com eles e por eles, desvaladas sentinelas de nosso aperfeioamento, conseguiremos entesourar, com Cristo e dentro de ns mesmos, as riquezas do eterno amor e do excelso merecimento para a divina ascenso.

    Emmanuel

  • 29

    ANTES DA LUTA Da montanha de luz, a alma contempla o vale escuro em que lhe compete trabalhar, na aquisio dos valores imperecveis para o vo aos Cus Mais Altos, e aprecia os aspectos da luta sob o prisma adequado sua justa ascenso... Cabe-lhe tomar a veste fsica, por algum tempo, maneira do aluno que se prepara convenientemente para o ingresso escola em que se habilitar a competncia ante o servio mais nobre. E o esprito reflete em termos de eternidade, disputando o trabalho mais rduo como recurso eficiente vitria que almeja. A opulncia material afigura-se-lhe deplorvel pobreza de elevao. O contentamento de si prprio na gratificao dos sentidos aparece-lhe por recluso no clima entorpecente do egosmo. A beleza fsica surge-lhe ap discernimento por perigoso empecilho ao triunfo, nas qualidades que pretende adquirir e aperfeioar. A evidncia social interpretada ao seu correto juzo por fixador de lamentveis iluses, embora as nobres responsabilidades que essa mesma evidncia portadora. O brilho da intelectualidade vazia sugere-lhe o acesso fcil cristalizao na vaidade e no orgulho. E a casa terrestre sem problemas se lhe destaca observao por tmulo de ameaadora ociosidade em que, provavelmente, se lhe congelaro os melhores impulsos de aprimoramento. Incorporado, porm, ap vale, eis que freqentemente se deixa enganar por miragens e fantasias, fugindo deliberadamente realidade que, mais tarde, somente a dor e a morte lhe impem de novo ao olhar. Ningum menospreza a luta e a provao, o trabalho e a dificuldade que, na Terra, nos favorecem com o burilamento espiritual para a Vida Superior. Faamos de cada dia um captulo de servio e bondade no livro de nossas relaes ante a vida e os nossos semelhantes! Que a alegria e a esperana, o otimismo e a f nos iluminem a estrada, ainda mesmo quando sejamos induzidos a libertar nossas aflies em forma de lgrimas! Sejamos, hoje, coraes fraternos e amigos, irmanando-nos uns aos outros na soluo dos enigmas que nos so prprios experincia comum, porque, amanh, a morte nos ter reunido novamente a todos no templo da vontade, furtando-nos ao engodo da fantasia e restabelecendo-nos a viso.

    Emmanuel

  • 30

    ANOTAES EM SERVIO Corrigir-nos sim, e sempre. Condenar-nos, no. Valorizemos a vida pelo que a ida nos apresente de til e belo, nobre e grande. Mero dever melhora-nos, melhorando o prprio caminho, em regime de urgncia; todavia, abstermo-nos do hbito de remexer inutilmente as prprias feridas, alargando-lhes a extenso. Somos espritos endividados de outras eras e, evidentemente, ainda no nos empenhamos, como preciso, ao resgate de nossos dbitos; no entanto, j reconhecemos as prprias contas com a disposio de extingui-las. Virtudes no possumos; contudo, j no mais descambamos conscientemente para criminalidade e vingana, violncia e crueldade. No damos aos outros toda a felicidade que lhes poderamos propiciar, entretanto, voluntariamente no mais cultivamos o gosto de perseguir ou injuriar a quem seja. Indiscutivelmente, no nos dedicamos, de todo, por enquanto, prtica do bem, como seria de desejar; todavia, j sabemos orar, solicitando da Divina Providncia nos sustente o corao contra a queda no mal. No conseguimos infundir confiana nos irmos carecentes de f; no entanto, j aprendemos a usar algum entendimento no auxilio a eles. Por agora no logramos romper integralmente com as tendncias infelizes que trazemos de existncias passadas, mas j nos identificamos na condio de espritos inferiores, aceitando a obrigao de reeducar-nos. Servos dos servos que se vinculam aos obreiros do Senhor, na Seara do Senhor, busquemos esquecer-nos, a fim de trabalhar e servir. Para isso, recordemos as palavras do Apstolo Paulo, nos versculos 9 e 10, do captulo 15, de sua Primeira Carta aos Corntios: - No sou digno de ser chamado apstolo, mas, pela graa de Deus, j sou o que sou.

    Emmanuel

  • 31

    ANTE A ORFANDADE Cultivars a semente nobre que te supre de po. Protegers a rvore respeitvel que te assegura a beno do reconforto. E plantars na infncia o porvir que te espera. Recolhe, sim, a criana que chora a ausncia do brao paterno ou que se lastima ante a falta do regao materno que a morte lhe suprimiu. A dor dos que vagueiam sem rumo grito de aflio que clama no seio augusto da Eterna Bondade. No abandones orfandade moral os coraes pequeninos que o Cu te confia ao apoio vizinhana. No te julgues exonerado do dever de assistir a todos aqueles que, em plena aurora da vida humana, te defrontam a marcha. Todos eles aguardam-te a palavra de instruo e carinho e a tua demonstrao de solidariedade e de amor. Orientam-se por teus passos, guiam-se por teu verbo e atendem por teu chamado. Agora assimilam-te os gestos e ouvem-te as assertivas e, mais tarde, reconduzir-te-o a mensagem do exemplo s existncias de que se rodeiam. O mundo de hoje o retrato fiel dos homens de ontem que no-lo transmitiram com as qualidades e os defeitos de que se nutriam no campo das prprias almas. A Terra de amanh ser, inelutavelmente, o reflexo de ns mesmos. No te comovas to somente perante o sofrimento que sufoca milhares de pequeninos. Faze algo. Comea diante daqueles que o Senhor te localiza junto aos prprios sonhos, no instituto domstico, para que as tuas esperanas no bem no se resumam fantasia. Recorda que os meninos da atualidade esto endereados posio de senhores do lar que te acolher no grande futuro e neles encontrars a colheita do que houvermos semeado, de vez que alei sempre a lei multiplicando os bens e os males da vida, conforme a plantao que fizemos, no descaso ou na vigilncia, no trabalho ou na preguia, nos princpios da sombra ou nas eminncias da luz.

    Emmanuel

  • 32

    A TERRA NOSSA ESCOLA Contempla a beleza da Terra a nossa escola para que o pessimismo no te obscurea a estrada, anulando-te o tempo na regenerao do destino. No ser fazer lirismo inoperante, mas sim descerrar os olhos no painel das realidades objetivas. pensa no Sol que luz infatigvel; no cu a constelar-se em turbilhes de estrelas, novas ptrias de luz exaltando a esperana; na fonte que se entrega, mitigando-te a sede; na rvore generosa a proteger-te os passos; na semente minscula abrindo-se em flor e po; no lar aconchegante a guardar-te, promissor... Tudo no altar da natureza prazer de auxiliar e privilgio de servir. Entretanto, muitas vezes, trazemos em ns prprios, tristeza e crueldade por txicos do caminho... E renascentes de ontem cujos minutos gastamos na edificao do prprio infortnio, temos o corao qual vaso de fel, aniquilando em ns as bnos da alegria. No podemos negar a condio de espritos prisioneiros, quando se nos desdobra a experincia no corpo fsico, entretanto, nessa segregao oportuna que recapitulamos as nossas lies perdidas. na veste fsica que tornamos ao adversrio do pretrito, afeio mal vivida e ao obstculo que se fez resultado de nossa prpria incria. No h mal na Terra, seno em ns mesmos me de nossa rebeldia multimilenria diante da Eterna Lei, do Amor gerando os males que nos marcam a imprevidncia. Descerremos as portas da alma luz da grande compreenso e, buscando aprender com os recursos do mundo, que nos amparam em nome da Divina Providncia, reajustemo-nos no amor que entende e socorre, abenoa e serve sempre, na certeza de que, refletindo em ns os Propsitos Divinos, encontraremos, desde agora, nas complexidades e nevoeiros do mundo, a preciosa trilha de acesso ao Eterno Bem.

    Emmanuel

  • 33

    HONRAR PAI E ME Declara o mandamento expresso da Lei Antiga: - Honrars pai e me. E Jesus, mais tarde em complementao das verdades celestes, afirmou positivo: - Eu no vim destruir a Lei. Entretanto, no decurso do apostolado divino, o Senhor chega a dizer: - Aquele que no renunciar ao seu pai e sua me no digno de ser meu discpulo. Ao primeiro exame surge aparente desarmonia nos textos da lio. Contudo, preciso encarecer que Jesus no nos endossaria qualquer indiferena para com os benfeitores terrenos que nos ofertam a beno do santurio fsico. O Mestre exortava-nos simplesmente a desistir da exigncia de sermos por eles lisonjeados ou mesmo comprometidos. Prevenia-nos contra o narcisismo pelo qual, muitas vezes, no mundo, pretendemos converter nossos pais em satlites de nossos pontos de vista. Devemos, sim, renunciar ao egosmo de guard-los por escravos de nossos caprichos, no cotidiano, a fim de que lhes possamos dignificar a presena, com a melhor devoo afetiva, perfumada de humildade pura e de carinho incessante. Em tempo algum, pode um filho, por mais generoso, solver para com os pais a dvida de sacrifcio e ternura a que se encontra empenhado. A Terra no dispe de recursos suficientes para resgatar os dbitos do bero no qual retornamos em nome do Criador, para a regenerao ou elevao de nossos prprios destinos. Lembra-te ainda do Mestre Incomparvel confiando a divina guarda de sues dias ao apstolo fiel, diante da cruz, e no te creias, em nome do Evangelho, exonerado da obrigao de honrar teus pais humanos, em todos os passos e caminhos do mundo, porque no devotamento incansvel dos coraes, que nos abrem na Terra as portas da vida, palpita, em verdade, o amor inconcebvel do prprio Deus.

    Emmanuel

  • 34

    LUZ E BENO Nos marcos mais simples da prpria senda, encontrars a caridade por ingrediente insubstituvel em todos os processos da evoluo. Luz da vida, em todos os campos do Universo a essncia da natureza. Beno de Deus em toda parte, invisvel braso celeste enriquecendo a pobreza humana. Sem caridade da Terra que se deixa ferir, ningum recolheria o curso do po. Sem a caridade da fonte que suporta a secura, o solo padeceria incessante deserto. Sem a caridade do lar, a civilizao resultaria impossvel. Sem a caridade da escola, rugiria o mundo em perptua barbrie. Em todos os lugares, vemos a sublime virtude a fulgir no trabalho que assegura o progresso, na cincia que instrui, na solidariedade que garante o equilbrio e na religio que plasma caminhos ao pensamento. Seja onde for e com quem for, entre amigos e adversrios, ou entre justos e injustos, deixa que a caridade se exteriorize do prprio ser, maneira de mensagem permanente de teu amor endereada a todas as criaturas. No acredites que a tua palavra possa auxiliar sem ela, nem admitas que o teu ouro consiga amparar algum sem que o seles na beno de tua luz. Deus, cada dia, acendendo, por Suas leis, o fulcro solar, que nos revigora, a caridade que nunca cessa, e a caridade que possas fazer, elevando e compreendendo, perdoando e mando aos outros, ser hoje e sempre a luz inestancvel que, a nascer de ti mesmo, traar-te-, sem sombra, a ascenso para os Cus.

    Emmanuel

  • 35

    DESPRENDIMENTO Fcil desprender-se algum da moeda que sobra, em favor do vizinho necessitado, mas muito difcil projetar, a benefcio dos outros, o sorriso de estmulo e o abrao da fraternidade que ajuda efetivamente. Fcil dar, de acordo com a nossa vontade e modo de ver ou sentir, mas sempre difcil auxiliar o companheiro de jornada humana, segundo os projetos e aspiraes que ele nos apresenta. Fcil desligar o corao de objetos e bens, no enriquecimento de quantos sejam simpticos aos nossos caprichos individuais, mas muito difcil ceder em favor daqueles que no nos acompanham as opinies. Fcil transmitir o que nos custou esforo algum, entretanto, difcil espalhar o que supomos conquista nossa. Fcil sacrificarmo-nos pela melhoria dos nossos amigos e familiares, no entanto, sempre difcil a renunciao em auxlio dos que no oram pela cartilha de nossas devoes pessoais. Fcil libertar a palavra que ensina, mas muito difcil desenvolver a ao que realiza. Incontestavelmente, grande amor Humanidade demonstra o aprendiz do Evangelho que distribui o po e o remdio, o socorro e o ensinamento, a esmola e o auxlio, nas linhas materiais da vida; contudo, enquanto no aprendermos a dar de nosso suor, do nosso ponto de vista, do nosso concurso individual, do nosso sangue, do nosso tempo e de nosso corao, em favor de todos, no ingressaremos, realmente, no grande Templo da Humanidade, onde receberemos, edificados e felizes, o ttulo de companheiros e discpulos de Jesus.

    Emmanuel

  • 36

    CORRIJAMOS AGORA Em plena vida espiritual, alm do caminho estreito da carne, sempre realizamos o inventrio de nossas aquisies no mundo. Em semelhantes ocasies, invariavelmente nos escandalizamos frente de ns mesmos e rogamos, ento, Divina Providncia a graa do retorno matria mais densa, sem as vantagens terrestres que nos serviram de perda. por isso que renascemos no mundo com singulares inibies congeniais. Aqui um cego que pediu a medicao da sombra para curar antigos desvarios da viso. Ali, um surdo que solicitou o silncio nos ouvidos, como beno de reajuste da prpria alma. Mais alm, somos defrontados pelo leproso que implorou do Cu a vestimenta de feridas e aflies como remdio purificador da personalidade transviada do verdadeiro bem. Mais adiante, encontramos o aleijado de nascena, que suplicou a mutilao natural por servio valioso de autocorrigenda. Doenas e amarguras, dificuldades e dores so meios de que nos valemos para a justa reparao de nossa vida, em ns ou fora de ns. Atendamos ao aviso do Evangelho, no passo em que nos adverte o Senhor: - Caminhai, enquanto tendes luz. Enquanto se vos concede no mundo a felicidade da permanncia no corpo fsico, - templo de formao das nossas asas espirituais para vida eterna - , no procureis o escndalo, a distncia de vosso crculo individual! Escandalizemo-nos conosco, quando a nossa conduta estiver contrria aos princpios superiores que abraamos. Estranhemos nossos pensamentos, nossas palavras e nossos atos, quando no se afinem com o Mestre da Cruz, cujo modelo procuramos, e, assim, amanh no teremos a lamentar maiores faltas, alcanando a vitria sobre ns mesmos, em paz com a nossa prpria conscincia, em plena Vida Imperecvel que nos espera ante o Mestre Senhor.

    Emmanuel

  • 37

    CORTESIA Toda cincia, decerto demanda ensaio e preparao. assim que a arte de amar ao prximo exige comeo adequado. Reportemo-nos cortesia, como sendo a iniciao do amor puro. Nem sempre sers impelido aos grandes testemunhos de sacrifcio pblico, todavia onde estiveres, a cada momento, sers requisitado pela bondade. No lar e fora dele, em todos os instantes, s naturalmente intimado compreenso a ao entendimento, afabilidade e ao auxlio. No te confies s atitudes que te feriram nos outros, nem pronuncies palavras que te espancariam o corao caso fossem articuladas nas bocas que te rodeiam. Lembra tuas prprias necessidades de carinho e no negues ao companheiro o estimulo da frase generosa e do amparo fraternal. Recorda quantas vezes por dia te fazes credor do perdo alheio, em face das prprias leviandades que te fazem o ambiente pesado e difcil, e desculpa, quantas vezes se fizerem necessrias, as pequeninas ofensas que te visitam a estrada. No olvides as exigncias que te cercam os passos, compelindo-te a receber favores de toda sorte, e, atento colaborao que aguardas dos outros, no te furtes ao prazer de ajudar. Desterra a crueldade do pensamento, para que a calnia no te envenene os lbios e, de mos firmes, no arado da gentileza, estende os braos na infatigvel conjugao do verbo servir. A grande sinfonia nasce em algumas notas. A jornada mais extensa comea num passo simples. Mil vezes referir-te-s ao amor, destacando-lhe a existncia ou comentando-lhe a divindade, entretanto, para que, um dia, lhe atinjamos o santurio celeste e lhe irradiemos a luz, no nos esqueamos de que necessrio, sustentar entre ns o culto incessante da amizade e da compreenso.

    Emmanuel

  • 38

    ALAVANCA DA VIDA Atravs do amor, nasce a criatura no bero que o mundo lhe entretece, em fios de esperana e, com ele, desenvolve-se, respirando a existncia. cedo, quase sempre, por amor enceguecido, afeioa-se ao orgulho e, por amor desgovernado, cede s teias da delinqncia. Alm da morte, porm, o amor genuno acorda o discernimento anestesiado, e no amor vigilante, convertido em remorso, volvemos todos ns s justas do trabalho, ressarcindo o gravame que nos onera a vida. E a, nessas atormentadas provncias das sombras, que o amor tange as almas no reajuste preciso... Mes abnegadas que se iludiram, envenenando o mel da ternura, pedem a beno do recomeo, a fim de recolherem, novamente, nos braos os filhos que olvidaram na irreflexo e no vcio; Pais amigos, que fizeram da proteo e da segurana sistema de tirania, voltam de novo Terra, sofredores e penitentes, com a misso de reunirem, a preo de mgoa e fel, o rebanho das almas que dispersaram na rebeldia; Grandes mulheres que, por amor desorientado, intoxicaram a prpria vida, rogam tarefas de sacrifcio em que lavam com as guas do pranto as ndoas aflitivas que lhes marcam a rota, tanto quanto homens notveis, que por amor desvairado se enredaram aos crimes da inteligncia, suplicam as provas da frustrao ou da enfermidade com que arredam de si a chaga da loucura e dor de arrependimento. assim que por amor surge o charco da crueldade, mas tambm por amor brota a fonte das lgrimas que, em tudo, o purifica. Procuremos na renncia a nossa forma de amor, de vez que somente amando a nossa oportunidade de erguer o bem para os outros,sem cogitar do apego a ns, que seremos arrebatados ao sol do amor triunfante, que na Terra e nos Cus, e ser sempre a alavanca da vida.

    Emmanuel

  • 39

    A LIO DO ESQUECIMENTO No fosse o olvido temporrio que assegura o refazimento da alma, na reencarnao, segundo a misericrdia do Senhor que lhe orienta a reta justia, decerto teramos no mundo, ao invs da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se digladiarem indefinidamente. No fosse o dom do esquecimento que envolve o bero terrestre, o dio viveria eternizado transformando a Terra em purgatrio angustioso e terrvel, onde nada mais faramos que chorar e lamentar, acusar e gemer. A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do esprito no campo do mundo, confere-lhe no corpo fsico o arado novo suscetvel de valorizar-lhe a replantao do destino, no rumo do porvir. De existncia a existncia, o Senhor vela-nos caridosamente a memria, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e averses em laos divinos. O Pai, no entanto, com semelhante medida, no somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas anteriores, em favor do nosso xito em novos compromissos. Com essa ddiva, Ele que nos reforma o emprstimo do ensejo de trabalho, de experincia experincia, nos induz verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas recprocas, dia dia. Aprendamos a olvidar as lceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmo de jornada, se nos propomos efetivamente a avanar para diante, em busca de renovadores caminhos. Cada dia como que a reencarnao da oportunidade, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro no mais se obscurea. Nas tarefas de redeno, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurana e eficincia a sublimao pessoal que nos cabe atingir. O Senhor nos avaliza os dbitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso prprio reajustamento frente da Lei. Recordemos o exemplo do Cu, destruindo os resduos de sombra que, em forma de lamentao e de queixas, emergem ainda tona de nossa personalidade, derramando-se em angstia e doena, atravs do pensamento e da palavra, da voz e da atitude. Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores Gestos e em nossas mnimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretrito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanh.

    Emmanuel

  • 40

    APTIDO E HABILITAO Aptido a capacidade do esprito para executar essa ou aquela tarefa no plano evolutivo em que se v6e situado. Por isso mesmo, aptido aplicada acesso do homem a nveis mais altos, de conformidade com a Lei Divina que retribui a cada um, segundo as obras que realiza. A Terra vasto campo de oportunidades ao desenvolvimento de nossos recursos potenciais. Com o fim de aperfeio-los, distribui a Bondade Eterna as habilitaes humanas, de acordo com as nossas peties e desejos. Entretanto, no bastar obt-las para que a alma se honorifique com o triunfo indispensvel nesse ou naquele crculo de ao. Deus concede os ttulos, cabendo ao homem o justo dever de us-los e enobrec-los. Aqui vemos um mdico, dignamente formado para o sacerdcio da cura, no entanto, se o esculpio, com diploma de mrito, no suporta os enfermos, debalde receber beneplcito da escola de medicina. Alm, anotamos um professor devidamente preparado frente do magistrio, mas se lhe falta amor para com os aprendizes, em vo ter recolhido as bnos da cultura. E, em toda parte, vemos operrios convocados ao trabalho, desprezando a oficina que os acolheu; mes que se ausentam do templo domstico, hostilizando a nobre misso que o Cu lhes conferiu, e pais que desertam do lar. Fugindo deliberadamente ao apostolado afetivo que lhes poderia preparar no presente de trabalho e futuro iluminado de amor. Segundo fcil perceber, somos depositrios felizes de preciosas habilitaes na Terra que muitas vezes menosprezamos em prejuzo prprio, esquecendo que todos possumos aptides para concretizar o melhor em nosso prprio caminho. Se j podes compreender a verdade, aproveita os ttulos que te foram emprestados pelo Senhor na pauta das convenes terrestre, na certeza de que, com eles, detns contigo as mais amplas oportunidades de servir aos semelhantes e crescer para Deus. Recorda que a enxada mais rica simples candidata ferrugem quando no atende habilitao a que se destina e, fazendo da prpria vida o teu instrumento de trabalho e de estudo, sem que percebas, o mundo conferir-te- outros talentos e outros valores, armando-te de novos recursos para a conquista de novas e mais belas experincias.

    Emmanuel

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    C E L Cada criatura na Terra permanece na linha de conhecimento e mrito em que se coloca, e, no Alm, cada esprito se encontra no degrau evolutivo que j conquistou. O tmulo mera passagem para renovao, tanto quanto o berrio apenas recurso de volta ao aprendizado. Nascimento e morte se completam por estgios no caminho da vida infinita. Existem homens, partindo para o Mundo Maior, carreando consigo todo um purgatrio de revolta e desencanto, e h quem volte do Plano Espiritual ao campo terrestre, trazendo no prprio ser todo um turbilho de desespero. Em razo disso, vemos no mundo infantil comovedores quadros de angstia que somente a chave da reencarnao consegue compreender. Nas rendas do bero, h minsculos rostos que as lceras consomem e, em plena meninice, corpos tenros sofrem mutilao e enfermidade. Almas que ainda conservam, nas fibras mais ntimas, o brazeiro da rebelio e a cinza da amargura, retomam o veculo fsico, em aflitivas condies, requisitando comiserao e socorro. Outras, nos primeiros dias da existncia terrestre, revelam nos gestos mais simples o ressentimento e o azedume que herdaram do prprio passado delituoso. Entendendo a realidade da vida imperecvel que nos rege os destinos, recebamos, na criana de hoje, em pleno mundo fsico, o companheiro do pretrito que nos bate porta do corao, suplicando reajuste e socorro. Lembremo-nos de que mais tarde, provavelmente, chegar nossa vez de implorar o auxlio daqueles que nos deixaram na retaguarda e faamos pela infncia de agora o melhor que pudermos. Estendamos a luz da educao e do amor, diminuindo as sombras da penria e da ignorncia. possvel que nossos filhos de hoje sejam nossos avs de ontem. Com eles, talvez tenhamos assumido graves compromissos diante da lei. Por esse motivo, irmanados uns aos outros, amparemo-nos reciprocamente, compreendendo que, muito possivelmente, eles prprios ser-nos-o os instrutores e os parentes mais ntimos de amanh.

    Emmanuel

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    LIBERDADE E EXPIAO No descreias da liberdade de caminhar para o domnio da luz, atravs da escravido, aos teus prprios deveres, para que te no despenhes no cativeiro da sombra, atravs da intemperana dos prprios desejos. Diariamente criamos destino, porquanto, em cada hora de luta, possvel renovar as causas a que se nos subordinam as circunstncias da marcha. No te suponhas enleado ao mal de tal forma que no te possas desvencilhar dele. Imaginemos a penitenciria, guardando vasta assemblia de reeducandos, todos eles com sentena lavrada nos tribunais humanos. Embora igualmente determinados pela resoluo da justia, podem revelar, no recinto em que se vejam, procedimento diverso, atenuando o rigor da pena que lhes foi cominada ou dilatando as culpas que lhes vergastam o esprito. A dentro, vemos os rebelados que exigem trato mais complexo e mais austera viglia, os briosos e atentos que se equilibram, ante os imperativos da ordem, e os que, alm da prpria disciplina, procuram cooperar na harmonia do reduto de regenerao em que se congregam, seja afeioando-se ao trabalho, acima daquele que a emenda lhes estipula, demonstrando mais alto padro de reajuste moral ou auxiliando aos companheiros de recluso no difcil labor que lhes devido. Como vemos, ainda mesmo na grade das mais severas obrigaes, pode a criatura melhorar ou agravar a prpria situao, atravs das atitudes mais ntimas em que se caracteriza. vista disso, ainda mesmo enliados nos mais speros empecilhos, aceitemos no bem a rota de cada dia, porque o bem a lei do Universo, que nos alcanar, por fim, o esprito endividado grande libertao.

    Emmanuel

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    EMANCIPAO ALM TMULO Se aspiras a compreender o que seja a emancipao espiritual para os que esperam a morte, de mos no arado das obrigaes fielmente cumpridas, ouve os companheiros encarcerados nas provas supremas da retaguarda. Pergunta aos cegos que passam a existncia buscando debalde fitar o colorido das flores, como se comportariam, obtendo, de improviso o dom inefvel da viso, diante da luz; examina os mais ntimos anelos dos paralticos, que atravessam longo tempo atarraxados no catre da aflio, suspirando por rastejarem; reflete no martrio dos companheiros que amargam no hospital o transitrio desequilbrio da mente, sequiosos de retorno ao prprio domnio; sonda a agonia silenciosa dos mudos que despenderiam alegremente todas as foras de que dispem, a fim de pronunciarem breves palavras; registra os soluos dos rfos pequeninos, suplicando aconchego no corao materno; medita na tortura constante dos que foram expulsos do lar, injustiados e infelizes, sonhando o regresso aos braos que mais amam; relaciona os suplcios dos que jazem nas penitencirias dispostos a darem tudo de si mesmos, pelo perdo das prprias vtimas, de modo a aplacarem as chamas do remorso que lhes revolvem as conscincias; conta as lgrimas das mes desditosas que anseiam acariciar os filhos domiciliados para l do sepulcro e dos quais se separam, muitas vezes, nas horas mais belas da juventude; cbserva o tormento da alma que ficou sozinha no mundo, tateando em desespero a lousa em que viu desaparecer os derradeiros sinais humanos da outra alma, cujo amor lhe resume a razo de ser; inventaria os pesadelos ignorados de quantos se curvam para a terra, suportando os extremos achaques da velhice corprea, feio do viajante dentro da noite, indagando s estrelas da orao pela hora da alma... Emancipao! Todos que estiverem, um dia, encadeados s trevas da provao conhecem a grandeza dessa palavra! Emancipao espiritual a mensagem da morte, no entanto, para que a morte seja alegria e claro, liberdade e reencontro, preciso tenhamos sabido aceitar a escola da experincia terrestre, aprendendo a sofre e servir na veste fsica, a encharcar-se de suor no trabalho digno, a fim de recebermos as chaves de luz do lar eterno, na plenitude da Vida Maior.

    Emmanuel

    PREFCIOEM FAMLIAJESUS EM CASADO CU A TERRAPGINA AOS PAISTEU FILHOANOTAES DE FAMLIAANTES DO BEROTEU FILHINHO CONTIGOINFNCIACANTORIA DA CRIANANO ADIANTA BRIGARDRAMA DE PAIROGATIVA MATERNALSE LHE FALTATROVAS DO CASAMENTONA ESCOLA DO BEMHOJE CONTIGOAFEIES ESPIRITUAISANTES DA LUTAANOTAES EM SERVIOANTE A ORFANDADEA TERRA NOSSA ESCOLAHONRAR PAI E MELUZ E BENODESPRENDIMENTOCORRIJAMOS AGORACORTESIAALAVANCA DA VIDAA LIO DO ESQUECIMENTOAPTIDO E HABILITAOC E LLIBERDADE E EXPIAOEMANCIPAO ALM TMULO