entrevistas - chico xavier

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Caro Amigo (a): Se você gostou desta obra e tem condições de comprá-la, faça, pois diversas instituições de caridade recebem seus direitos autorais. Deus a abençoe Muita Paz

Author: espiritismo-capixaba

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Se o leitor conseguir alcançar os resultados positivos que atingimos com o manusear dos originais da presente obra, damo-nos, editores e nós, por satisfeitos com a nossa tarefa, rogando-lhe, porém, desculpas pelo senões que decerto venham a existir ao longo de todo o livro, ao mesmo tempo que auguramos feliz viagem através do território fértil das Entrevistas que ora lhe colocamos nas mãos. ELIAS BARBOSA Uberaba, 5 de Dezembro de 1971.

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  • Caro Amigo (a): Se voc gostou desta obra e tem condies de compr-la, faa, pois diversas instituies de caridade recebem seus direitos autorais. Deus a abenoe Muita Paz

  • INDICE CHICO XAVIER / EMMANUEL...............................................................3 ASSUNTOS HUMANOS ..........................................................................7 PROCURANDO A VERDADE ..............................................................17 REALIDADES DA ALMA .....................................................................29 ENCONTRO FRATERNO ......................................................................31 ENTRE IRMOS ....................................................................................37 PERGUNTAS E RESPOSTAS .............................................................41 PESQUISA AFETUOSA ........................................................................49 TROCA DE IDIAS...............................................................................56 ENTENDIMENTO AMIGO......................................................................59 INDAGAES OPORTUNAS ...............................................................64

  • CHICO XAVIER / EMMANUEL Vai para mais de um lustro, dirigimo-nos ao mdium Francisco Cndido Xavier, observando: Chico, dentro de alguns meses, terei material para formar um volume de Chico Xavier, ele mesmo. E o nosso amigo anotou: O que isso, meu caro? No existe Chico Xavier, ele mesmo. Se que eu tenha que existir, ser Chico Xavier/Emmanuel, porque, de mim mesmo, em matria de edificao espiritual, nada posso subscrever de vez que o nosso benfeitor da Vida Maior que nos supervisiona a organizao medianmica. Seria eu mais do que ousado se lhe subtrasse o nome em qualquer expresso construtiva, que nos sasse dos recursos verbais, seja no transe propriamente medinico, tanto quanto em quaisquer outras circunstncias. Deixamos que o tempo corresse, e nunca mais nos referimos ao assunto com o mdium, at que, h poucas semanas, a direo do ANURIO ESPIRITA, de Araras, Estado de So Paulo, solicitou-lhe permisso para que se organizasse um volume com algumas de suas entrevistas, todas ainda no lanadas em livro, e algumas transmitidas em emissoras do interior mineiro e de S. Paulo, praticamente inditas para o restante do Pas. Houve permisso pare o cometimento, desde que a volume fosse apresentado como tarefa medinica, e eis agora o livro pronto, absolutamente pronto para estudo e contentamento de todos ns, os leitores. O ndice de nomes e assuntos, ao final do volume, guarda a finalidade de orientar os estudiosos da Doutrina Esprita, facilitando consulta rpida, sobre os mais variados assuntos abordoados com rara felicidade. As notas de rodap, sucintas ao mximo, foram co-locadas com vistas documentao das peas que compem o volume, fixando principalmente, as fontes de publicao e os nomes dos entrevistadores. FRANCISCO CNDlDO XAVIER, que desde 1932, aps o lanamento do "Parnaso de Alm-Tmulo", vem sendo manchete de jornais e revistas brasileiros, e de muitas publicaes estrangeiras, nasceu em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, a 2 de Abril de 1916. EMMANUEL, ao tempo de Jesus, se chamou Pblio Lentulus e ao que se sabe, foi a nica autoridade que efetuou perfeita descrio dele, o Cristo, atravs de clebre carta (1), publicada em numerosas lnguas, autntica obra-prima no gnero; pessoalmente encontrou-o, solicitando-lhe auxlio na cura de uma filha enferma (2); desencarnou em Pompia, no ano de 79, vtima das lavas do Vesvio, e anos depois, reencarnou na Judia, desenvolvendo-se-lhe grande parte da vida, em defeso, j no mais sob a toga de orgulhoso senador romano e sim na estremenho

  • do modesto escravo Nestrio, que, na idade madura, participava das reunies secretas dos cristos nas Catacumbas de Roma (3). Estamos informados de que foi ele prprio, EMMANUEL, o mentor espiritual que todos respeitamos, que, em 18 de Outubro de 1517, em Sanfins, Entre-Douro-e-Minho, Portugal, renasceu com o nome de MANOEL DA NBREGA (4), filho do desembargador Baltazar da Nbrega e sobrinho de um Chanceler do Pais, quando reinava D. Manoel I, o "Venturoso, para cumprir a excelsa misso de preparar com outros missionrios religiosos daquele tempo a fundao crist do Brasil. Inteligncia privilegiada, ingressou na Universidade de Salamanca, Espanha, aos dezessete de idade, e com vinte e um, inscreve-se na Faculdade de Cnones da Universidade de Coimbra, freqentando as aulas de direito cannico e de filosofia; a 14 de Junho de 1541, em plena mocidade, recebe a lurea doutoral, sendo, ento considerado "doutssimo Padre Manoel da Nbrega" pelo Doutor Martim Azpilcueta Navarro. E to importante se torna a tarefa do primeiro escritor brasileiro, no dizer de Antonio Soares Amora (5), em plagas brasileiras, que Jos Mariz de Moraes chega a afirmar: "D. Joo III, Tom de Souza e Nbrega so os primeiros fundadores do Brasil : um deu a lei, o outro o brao e o outro a f, Ptria menina e a menina de seus olhos" (6). Com efeito, segundo o Padre Antnio Fernandes, SJ., "o Padre Manoel da Nbrega o principal fundador de So Paulo. Foi ele quem estudou e escolheu o local, quem se entendeu com Joo Ramalho, Tibiri e Caiubi, quem inaugurou ali a catequese e a aldeia nova; quem nomeou o pessoal dirigente e docente do Colgio e lhe designou o dia da abertura". (7) Como sabemos, a fundao da Metrpole Nobreguense se deu a 25 de Janeiro de 1554. A propsito, pergunta o ilustre historiador paulista Tito Lvio Ferreira "Por que teria Padre Manoel da Nbrega escolhido esse dia para fundar a cidade de So Paulo dentro de uma Escola, fato mpar na Histria do Mundo? Porque 25 de janeiro o dia da Converso do Apstolo So Paulo. Nesse casa, um ato deliberado de sua vontade. E a homenagem prestada pelo discpulo ao mestre ao mestre cuja palavra, cujo entusiasmo, cuja ao, servem de modelo, norma e guia ao discpulo. E a homenagem do universitrio Manoel da Nbrega ao universitrio Paulo de Tarso, numa sala de aula, dentro de uma Capela. E por isso mesmo sintetizei, neste final de soneto por in escrito, esse momento glorioso da fundao da Metrpole Nobreguense : E assim Manuel da Nbrega fundaste, Sob o sinal de Cristo e numa Escola, esta SO PAULO DE PIRATININGA." (8) Para concluir nossas observaes em torno do fundador de So Paulo, o grande Estado que hoje mais lhe divulga as pginas enviadas do Alm, pedimos vnia para transcrever as palavras com que o historiador paulista a cuja autoridade recorremos

  • nestes apontamentos, encerra a obra citada : "Padre Manoel da Nbrega fundara o Colgio do Rio de Janeiro. Dirige-o com o entusiasmo de sempre. A 16 de outubro de 1570, visita artigos e principais moradores. Despede-se de todos, porque est, informa, de partida para a sua Ptria. Os amigos estranham-lhe os gestos. Perguntam-lhe para onde vai. Ele aponta para o Cu. No dia seguinte, j no se levanta. Recebe a Extrema Uno. Na manh de 18 de outubro de 1570, no prprio dia de seu aniversrio, quando completava 53 anos, com 21 anos ininterruptos de servios ao Brasil, cujos alicerces construiu, morre o fundador de So Paulo. E as ltimas palavras de Manoel da Nbrega so: "Eu vos dou graas, meu Deus, Fortaleza minha, Refgio meu, que marcastes de antemo este dia para a minha morte, e me destes a perseverana na minha religio at esta hora". E morreu sem saber que havia sido nomeado, pela segunda vez, Provincial da Companhia de Jesus na Brasil, a terra de sua vida, paixo e morte. (9) Sobre Chico Xavier, conquanto j existam vrias obras a respeito de sua vida e obra medinica, queremos apenas acrescentar o seguinte : depois de quarenta e cinco anos de contnua atividade medinica, Chico Xavier o mesmo dos primeiros dias, no que tange fidelidade a Jesus e a Allan Kardec; no obstante venha recebendo mil e uma homenagens (10), principalmente aps o lanamento da centsima obra psicografada, de inmeras comunidades brasileiras, ele permanece o mesmo Chico Xavier dos tempos bicudos de perseguio aberta humilde, dentro de sua autenticidade de que sempre deu mostras, desde a mais tenra idade fsica, no atual perodo reencarnatrio; Chico Xavier, ele mesmo, inconfundvel, profundamente humano, apesar de viver na condio de ponte entre a Terra e a Espiritualidade Superior; entusiasta do progresso tecnolgico e das reivindicaes sadias da juventude, apaixonado pelas realizaes da Cincia, defensor de todas as correntes religiosas e ardoroso batalhador da Doutrina Esprita, constituindo-se em exemplo vivo do Esprita evanglico por excelncia, homem inter-existente, no dizer de J.Herculano Pires (11). Se o leitor conseguir alcanar os resultados positivos que atingimos com o manusear dos originais da presente obra, damo-nos, editores e ns, por satisfeitos com a nossa tarefa, rogando-lhe, porm, desculpas pelo senes que decerto venham a existir ao longo de todo o livro, ao mesmo tempo que auguramos feliz viagem atravs do territrio frtil das Entrevistas que ora lhe colocamos nas mos.

    ELIAS BARBOSA

    Uberaba, 5 de Dezembro de 1971.

  • (1) Cf. Almerinda Rodrigues de Melo, Para Conhecer e Amar Jesus, 2.a edio, 1936, autorizada por D. Duarte Leopoldo e prefaciado por Carolina Ribeiro; e Reynaldo Kunts Busch. Padre Manoel da Nbrega, Missionrio e Educador, So Paulo, 1970, pg. 28 (2) Nota do prprio Emmanuel, em seu livro "H Dois Mil Anos. (3) Cf. Emmanuel, 50 Anos Depois". (4) Informao do prprio Emmanuel, em vrios comunicados atravs do mdium Xavier. (5) Histria da Literatura Brasileira, Edio Saraiva, 1957, pg. 25, Apud Clvis Tavares, Trinta Anos com Chico Xavier, Edio Calvrio, "o Paulo, 1967, pg. 209 (6) Apud Tito Lvio Ferreira, 0brega e Anchieta em So Paulo de Piratininga (Edio comemorativa do IV Centenrio da Morte da Padre Manoel da Nbrega), Conselho Estadual de Cultura, So Paulo, (prefcio datado de maio de 1970), pg. 43. (7) Idem, Ibidem, pg. 47. (8) Tito Lvio Ferreira, Op. cit., pg. 47. (9) Tito Lvio Ferreira, Op. cit., pg. 102. Alm das 49 referncias bibliogrficas citadas por Tito Lvio Ferreira, s pgs. 105-106, ousamos acrescentar as seguintes, para os estudiosos espritas: Clovis Tavares, Amor e Sabedoria de Emmanuel, Edio Calvrio, So Paulo, 1970; Reynaldo Kunts Busch, "Padre Manoel da Nbrega, Missionrio e Educador, So Paulo, 1970. (10) O povo de Pedro Leopoldo, sob o amparo da Cmara Municipal, em deciso de 27 de Outubro de 1971, quer prestar a Chico Xavier excepcionais homenagens em praa pblica, entusiasmado com a repercusso que obteve o "Pinga-Fogo" de 27-7-71, na TV Tupi, Canal 4 de So Paulo, homenagens essas que o mdium, sem alterar o seu trabalho do dia-a-dia, agradeceu sem aceitar. (11) Cf. J. Herculano Pires, "O Ser e a Serenidade" (Ensaio de Ontologia Interexistencial), Edicel, So Paulo, MCMLXVI; e Irmo Saulo, "Dirio de S. Paulo", 21-11-71, seo "Chico Xavier pede licena (Um Aparte do Alm nos Dilogos da Terra)", "Chico Xavier na PUC".

  • ASSUNTOS HUMANOS (Entrevista concedida ao reprter Saulo Gomes da TV Tupi, canal 4, de So Paulo, em 6 de maio de 1968, gravada na Comunho Esprita Crist, em Uberaba (MG). Foi ao ar, pela primeira vez, a 14 de maio, e aps sua apresentao inicial foi reclamada para exibio em quase todas as capitais de Estado. Nessa reportagem, pela primeira vez no vdeo, o mdium psicografou linda pgina de Emmanuel, intitulada "Auxiliars por amor". Transcrita do "Anurio Esprita", 1969.) 1 OS ESPIRITOS E O ESPIRITISMO P Mestre Chico Xavier, como que os espritos consideram o Espiritismo? Como uma Cincia experimental ou uma religio? R De incio queremos agradecer aos nossos amigos da TV Tupi, canal 4, de So Paulo, na pessoa de nosso caro entrevistador, Saulo Gomes, a ateno que nos dispensa, proporcionando-nos, a alegria da presente visita nossa Comunho Esprita Crist, aqui em Uberaba. Desejamos, tambm, com a permisso dos amigos, saudar e agradecer a ateno dos amigos telespectadores. Pedimos licena, ainda, para falarmos do entusiasmo com que nosso entrevistador a ns se referiu. Conhecemos nossa total desvalia e sabemos que as palavras do nosso caro Saulo Gomes nascem da sua generosidade, por mritos que no possumos. Feita essa ressalva, confessamo-nos ante um inqurito afetivo muito srio, que nos chama a grande responsabilidade, pois, entendemos estarmos diante de ouvintes que procuram a verdade. ...Confesso que, antes de me sentar aqui para a entrevista, pedi aos nossos amigos espirituais, especialmente ao nosso Emmanuel, que dirige nossas atividades medinicas desde 1931, que me ajudassem, pois, no tenho o dom da palavra, e me amparassem para que eu errasse o menos possvel, nas respostas. Conto, assim, com o perdo de todos. Os nossos amigos espirituais nos afirmam que apesar do Espiritismo englobar experimentaes cientficas valiosas para a Humanidade, devemos consider-lo como doutrina que revive a Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, interpretado em sua pureza e em sua simplicidade para os nossos dias. De nossa parte consideramos o Espiritismo como religio, em vista das conseqncias morais que a Doutrina Esprita apresenta para a nossa vida e para o nosso trabalho.

  • 2 MEDIUNIDADE E ESPRITOS SOFREDORES P Como que o Esprito de Emmanuel, autor de tantos livros, considera as manifestaes exticas de entidades caracterizadas por evoluo, nitidamente primria? R O nosso diretor espiritual considera a Doutrina Esprita como grande escola, para os nossos espritos encarnados na Terra. Em vista disso, acha que a mediunidade deve ser examinada parte da doutrina como os cursos de um educandrio so separados dos programas da escola em que funcionam. Assim, as manifestaes de nossos irmos que se caracterizam por evoluo ainda primitiva, so como as dos alunos primrios da escola. H, porm, lugar para todos os que desejam estudar e conhecer as necessidades de cada um diante do aprendizado. Diz o nosso Emmanuel que um mestre eminente no despreza o aluno de cursos primrios, antes d-lhe as mos para que progrida. Assim tambm a Doutrina Esprita, devida-mente guardada e iluminada em seus postulados e em suas lies. Quanto s manifestaes dos desencarnados, sejam eles quais forem espritos sofredores, espritos de evoluo primria, espritos em condies dolorosas na mundo espiritual todas encontram agasalho na Doutrina Esprita, da mesma forma que o homem, esteja na meninice ou na madureza encontra apoio na escola quando quer estudar buscando a prpria iluminao. 3 JUVENTUDE E LIBERDADE P Mestre Chico Xavier, como os espritos amigos interpretam o fenmeno da juventude de hoje, com as suas tendncias libertrias? R Vamos agradecer ao nosso querido entrevistador Saulo Gomes a gentileza, entretanto, preciso que me explique acerca do ttulo, porque estou muito longe de ter mestria em qualquer ramo da atividade humana. Sou apenas um companheiro, um servidor de todos, especialmente do nosso grande amigo que nos entrevista neste momento. Os nossos amigos espirituais costumam dizer que devemos acolher no corao a mocidade atual, com as suas caractersticas e seus anseios de liberdade.

  • Esclarecem, mesmo, que a maioria dos jovens atualmente reencarnados conosco na Terra, no se constituem de espritos que procedam de faixas de evoluo diferente da nossa. Em muitos casos, os jovens apresentam idias, talvez caprichosas para ns outros os que j atingimos a madureza mas, estamos nas vsperas do prximo sculo, inicio do terceiro milnio. Atravessamos uma poca de transio em que as idias de liberdade e de renovao chegam at ns com um impacto muito grande. Assim precisamos compreender a jovem-guarda como a nossa famlia necessitada de orientao, de educao, como todos ns. Precisamos estabelecer um acordo para que o jovem encontre apoio nos espritos amadurecidos e os espritos amadurecidos encontrem, tambm, a compreenso da chamada jovem-guarda. O moo pode e o mais velho sabe; convm que a experincia esteja unida possibilidade de realizao para que cheguemos, na Terra, ao verdadeiro progresso. A jovem-guarda merece a nossa considerao, o nosso amor, como se toda ela fosse constituda de filhos nossos, necessitados de amor, de assistncia e de orientao. Todos ns, na juventude, tambm tivemos anseios de liberdade. Hoje, damos graas a Deus por todos aqueles que nos ampararam e nos apontaram o caminho, com pacincia e com respeito, sem ferir, ou aumentar as nossas aflies de alma e nossos propsitos de progresso e evoluo. 4 OS SUICIDAS P Na sua vida medinica, Chico Xavier, conheceu amigos suicidas reencarnados? R Alguns. Tendo comeado a tarefa medinica em 1927, h quase 41 anos, tive tempo suficiente para observar alguns casos e posso dizer que todos aqueles que vi reencarnados, depois do atentado contra eles mesmos, traziam consigo os sinais, os reflexos da leviandade que haviam perpetrado. Contudo, devemos respeitar os suicidas como criaturas extremamente sofredoras que, muitas vezes, perderam o controle das prprias emoes, raiando para o desrespeito a si prprios. Os resultados do suicdio acabam sempre impressos naqueles que o perpetram; desse modo, a dois companheiros que se suicidaram com bala no ouvido e que revi, no espao, depois de 10 anos vi-os reencarnados na condio de crianas retardadas num estado de extrema idiotia.

  • Outro companheiro que se suicidou, com o veneno, renasceu como uma criana que trazia j o cncer na garganta, tendo desencarnado pouco tempo depois. Os espritos me explicaram que muitas vezes, o suicida, em se reencarnando como que destri os tecidos do novo corpo; a desencarnao, ou a morte propriamente considerada, ocorre logo depois do nascimento ou algum tempo depois. Ai; ento, o esprito estar em condies de aprender quanto vale a vida; deseja viver, mas no consegue, conseguindo, enfim, depois de grande esforo. 5 SUICIDIO E SOFRIMENTO P Aproveitando a oportunidade de seu profundo conhecimento da matria, ns perguntamos: os espritos acham que os sofrimentos do suicidas decorrem de um castigo e Deus? R No. No decorrem de um castigo de Deus, porque Deus a Misericrdia Infinita, a Justia Perfeita. Emmanuel sempre me explica e outros amigos espirituais, lecionando sobre o assunto tambm explicam, que, quando atentamos contra o nosso corpo, na Terra, ferimos as estruturas do nosso corpo espiritual. Infringimos a ns mesmos essas punies. Se malbaratamos o crnio com um tiro, estamos destruindo determinados recursos do nosso crebro espiritual; se nos envenenamos, perturbamos determinados centros de nossa alma; se nos projetamos de grande altura, estamos, tambm, perturbando os ligamentos, as estruturas, as conexes de nosso corpo espiritual e permanecemos no alm com os resultados do suicdio para depois, ao reencarnarmos na Terra, trazermos as conseqncias em nosso prprio corpo. 6 OS AVARENTOS E A MISSO DO DINHEIRO P Nosso Chico Xavier, ns variamos muito no estilo das perguntas porque sabemos que necessrio e oportuno levar ao grande pblico uma autntica lio, principalmente, de humanidade. Da, ento, a pergunta que se faz agora: Como que o mundo espiritual encara a situao dos avarentos na Terra? R- Os Avarentos, os sovinas, realmente so espritos doentes. Emmanuel costuma dizer: a criatura que amontoa, amontoa e amontoa os recursos materiais, se nenhum proveito no trabalho, na educao, na beneficncia, no socorro em favor dos semelhantes, est desequilibrada. Quem assim procede est doente e, de certa, na prxima reencarnao enfrentar o resultado desse desvio da realidade.

  • Os espritos amigos consideram o dinheiro como sendo o sangue da sociedade; quando colocamos o dinheiro, simplesmente a um canto, sem programa, s para que funcione em proveito dos nossos caprichos, estamos operando no organismo social aquilo que chamamos trombose na circulao do sangue. Impedindo a circulao vamos pagar as conseqncias do nosso ato impensado. No podemos de maneira nenhuma dizem os nossos amigos espirituais condenar o dinheiro ou desfigurar a misso do dinheiro, a pretexto de que nossos irmos abastados estejam em condies de felicidade maiores que as nossas. Devemos compreender os que desfruta a riqueza material como administradores dos bens de Deus. E tantos deles, mas tantos deles, se fazem nossos benfeitores criando trabalho, estimulando a caridade, auxiliando a educao, fundando escolas, protegendo crianas desamparadas, salvando enfermos desprotegidos. Precisamos valorizar os companheiros que so portadores da fortuna material, cooperando com eles para que possam administrar bem esses recursos, pois so profundamente responsveis diante do Senhor, como tambm, aqueles nossos irmos pobres, que so mais pobres, vamos dizer assim porque todos ns somos ricos diante de Deus. Hoje, damos graas a Deus por todos aqueles que nos ampararam e nos apontaram o caminho, com pacincia e com respeito, sem ferir, ou aumentar as nossas aflies de alma e nossos propsitos de progresso e evoluo. Deus nos fez a todos ricos de sade, ricos de fora, de esperana e de f. A palavra pobre um tanto imprpria para nossa conservao, digamos, os que esto em penria material, mas que so humildes diante de Deus, pois no adianta tambm a penria material quando ns estamos num estado de inconformao, de rebeldia. Os mais ricos e os menos ricos so irmos diante de Deus e ns devemos valorizar os portadores do dinheiro. 7 DIREITOS AUTORAIS P A quem pertence os direitos autorais destas dezenas de livros psicografados, muitos deles desde 1932? R Todos estes livros esto com as direitos doados s instituies espritas do Brasil que os editam; em maior nmero com a Federao Esprita Brasileira, sediada na Guanabara, e na Comunho Esprita Crist, sediada em Uberaba. Os direitos autorais pertecem a essas instituies e a outras instituies espritas que os publicaram.

  • 8 O SALRIO DA MEDIUNIDADE P Ento quem trabalha tanto e trabalhou tanto at agora, nada recebe pelo seu trabalho? R Graas a Deus, nunca entrou em nossas cogitaes receber qualquer remunerao pelos livros psicografados, que os nossos amigos espirituais consideram como sendo um depsito sagrado. Mas preciso que eu me explique. Tenho tido uma compensao muito maior que aquela que pudesse vir ao meu encontro atravs do dinheiro: a compensao da amizade. O Espiritismo e a mediunidade trouxeram-me amigos to queridos, que me dispensam tanto carinho, que eu me considero muito mais feliz com estes tesouros do corao, como se tivesse milhes minha disposio. 9 A CIDADE "NOSSO LAR" P O Esprito de Andr Luiz descreveu experincia de sua vida na condio de desencarnado, numa cidade espiritual em seu livro, exatamente este que aqui est, traduzido para o japons ("Nosso Lar"). Como mdium o senhor pode atestar cidades como esta, fora do plano terrestre? R Eu no posso transferir a minha certeza queles que me ouvem, mas posso dizer que, em 1943, quando o esprito de Andr Luiz comeou a escrever por nosso intermdio senti grande estranheza com o que ele ditava e escrevia. Certa noite, tomadas as providncias necessrias, segundo a orientao de Emmanuel, ele prprio e Andr Luiz me levaram a determinada parte, a determinado bairro da cidade de Nosso Lar. Posso dizer que fui em desdobramento espiritual na chamada zona hospitalar da cidade. Foi para mim uma excurso espiritual inesquecvel, como se eu desfrutasse os favores de um esprito liberto. Mas, eu preciso explicar aos telespectadores que fui em funo de servio, naturalmente, assim como um animal no tempo em que no tnhamos automvel, locomotiva e avio um animal que servia a professores para determinados tempos de viagem. Vi muita coisa maravilhosa sem compreender tudo ou entender muito pouco, porque fui em funo de servio, no por mrito. 10 IMPRESSES NO TRANSE MEDINICO P Quais as suas impresses quando est psicografando um dos romances de Emmanuel ou um livro de Andr Luiz, por exemplo?

  • R Em verdade eu no sei as palavras, no tenho conhecimento do desenvolvimento verbal daquilo que o amigo espiritual est escrevendo, mas eu me sinto dentro do clima do livro que eles esto escrevendo. Por exemplo: quando nosso amigo espiritual, Emmanuel, comeou a escrever o livro H dois mil anos, em 1938, comecei a ver uma cidade, depois vim a saber que era Roma. Havia jardins na cidade e aquilo me conturbou um pouco, causou-me um certo assombro. Tendo perguntado, disse-me que estava escrevendo com ele como com algum debaixo de uma hipnose branda; eu estava no seu pensamento conquanto no soubesse as palavras que ele escrevia. E assim tem sido at hoje. 11 AS MORTES SBITAS P Mestre Chico Xavier perdoe que insista chamando assim como os espritos encaram o problema das mortes repentinas para uns, e das mortes precedidas de duros sofrimentos para outros? R Os amigos espirituais tm me ensinado, nestes 40 anos de trabalho medinico, que no mundo espiritual, todos os nossos amigos se esmeram para que tenhamos, na Terra, o mximo de tempo no Corpo. H casos em que as longas molstias so abenoadas preparaes do nosso esprito para a vida maior. As mortes repentinas, as desencarnaes improvisadas, quase sempre so provaes e, s vezes, ocorrncias inevitveis no mapa de trabalho trazido pelo esprito, ao reencarnar. Mas, estejamos convencidos de que as longas molstias so abenoados cursos preparatrios para que nos libertemos de muitos caprichos e muitos hbitos que pertencem vida fsica, mas sem significao na vida maior. 12 FRATERNIDADE REAL P Chico Xavier, tem algum fato em sua experincia medinica que o tenha obrigado a pensar mais seriamente na fraternidade humana? R Todas as mensagens que temos recebido durante o tempo de nossas singelas atividades na seara medinica, nos impelem a compreendermos a necessidade de esforo para que cheguemos fraternidade, sentida, mas respeitando o tempo dos telespectadores, e pedimos sua permisso, lembraremos aqui um fato, de muita significao, que ocorreu em minha vida.

  • Creio, no deveria levantar qualquer lance autobiogrfico, mas preciso que recorra a um deles para explicar a lio que recebi. Em 1939, desencarnou-se um de meus irmos, Jos Cndido Xavier, deixando sob nossa responsabilidade, a viva com dois filhinhos. A viva de meu irmo era uma moa extraordinria, humilde e bondosa. Em 1941, ela foi acometida de grave distrbio mental. O assunto longo e vou resumir para que no venhamos a tomar muito tempo. Depois de alguns meses em que a viva de meu irmo que sempre consideramos nossa irm muito do corao estava conosco em casa, doente, o caso agravou-se requerendo internao numa casa de sade mental, o que foi providenciado em Belo Horizonte, com o auxlio de mdicos amigos, da cidade de meu nascimento Pedro Leopoldo perto da capital de Minas Gerais. Acompanhei minha cunhada, a quem sempre dispensei muita considerao e carinho e, ao intern-la na casa de sade mental, observei o estado de muitos enfermos que ali estavam, naturalmente, abrigados, com muita segurana, proteo e assistncia. Voltei para casa com o corao muito abatido. Era noite. O segundo filho de minha cunhada, com meu irmo, era uma criana paraltica. A criana chorava e eu me enterneci muito ao ver o pequenino sem a presena materna. Sentei-me e comecei a orar. As lgrimas vieram-me aos olhos, ao lembrar meu irmo desencarnado muito moo ainda, a viva to cedo tambm, numa prova to difcil! Na incapacidade de dar a ela a assistncia precisa, senti que minha dor era muito grande! Achegou-se, ento, a mim, o Esprito de nosso amigo Emmanuel. Perguntou-me porque chorava. Contei-lhe que, naquela hora eu me enternecia muito por ver minha cunhada numa casa de sade mental em condies assim precrias. No! disse ele voc est chorando por seu orgulho ferido; voc, aqui, tem sido instrumento para cura de alguns casos de obsesso, para a melhoria de muitos desequilibrados. Quando aprouve ao Senhor, que a provao viesse debaixo de seu teto, voc est com o corao amargurado, ferido, porque foi obrigado a recorrer assistncia mdica o que, alis, muito natural. Uma casa de sade mental, um sanatrio, um hospcio, uma casa de Deus. Voc no deve ficar assim. Disse-lhe, ento, que concordava e pedi-lhe como esprito benfeitor, que trouxesse a minha cunhada de volta ao lar, pois a criana, o seu segundo filho era paraltico e aquele choro atestava a falta que o pequenino sentia dela.

  • Ela voltaria afirmou-me. Mas aquele Ela voltaria poderia ser depois de muito tempo o que de fato aconteceu s depois de dois anos. Eu queria que ela voltasse depressa disse a ele impaciente. Imaginemos a Terra respondeu-me como sendo o Palcio da Justia, e ela como sendo uma pessoa incursa em determinada sentena da justia. Eu sou seu advogado e voc serventurio no Palcio da Justia. Ns estamos aqui para rasgar ou cumprir o processo? Para cumprir respondi. Continuei, porm, chorando por observar o assunto ser mais grave do que pensava. Por que voc continua chorando? disse ele. Querendo me agastar, muito indevidamente, porque a minha atitude era desrespeitosa, diante de um amigo espiritual to grande e to generoso, disse-lhe: Estou chorando porque, afinal de contas, o senhor precisa saber que ela minha irm! Eu me admiro muito respondeu-me porque, antes dela, voc tinha l dentro naquela casa, trezentas irms e nunca vi voc ir l chorar por nenhuma. A dor Xavier no maior que a dor Almeida, do que a dor Pires, do que a dor Soares, a dor de toda a famlia que tem um doente. Se voc quer mesmo seguir a doutrina que professa, ao invs de chorar por sua cunhada, tome o seu lugar ao lado da criana que est doente, precisando de calor humano. Substitua nossa irm, exercendo, assim, a fraternidade. Foi uma lio que no posso esquecer! 13 MEDIUNIDADE E SERVIO P Compreendendo que, Chico Xavier, comeou voc com a mediunidade em 1927, como consegue perseverar com a mesma idia no espao dos ltimos 41 anos? R Desde o princpio da mediunidade, os espritos me habituaram convivncia com eles. Acredito que isso ocorreu dessa convivncia pois, desde os cinco anos de idade, quando perdi minha me no plano material, sinto-me em contacto com os espritos desencarnados. A princpio na Igreja Catlica e depois, mais tarde, desde 1927, no Espiritismo propriamente considerado. Creio que foi a convivncia com os amigos espirituais. Eles como por misericrdia me controlaram, me ajudaram a compreender a obrigao de atend-los. Desse modo, essa perseverana no devida a mim mas influncia deles.

  • 14 RESPEITO MTUO P Francisco Cndido Xavier, mdium Chico Xavier, como os chefes da Igreja Catlica o vem, o entendem, o compreendem? R At os quinze, dezesseis anos de idade, estive nas prticas catlicas e encontrei na pessoa dos sacerdotes grandes amigos. Em 1927, quando me afastei das prticas catlicas e despedi-me daquele que era um particular amigo, o padre Sebastio Scarzelli, pedi que me abenoasse, que orasse por mim e pedisse nossa Me Santssima que me abenoasse. Ele prometeu-me que faria isso porque sabia dos meus conflitos interiores, das minhas dificuldades. Todos os nossos amigos catlicos, tambm, sempre me trataram com muito respeito e s tenho a agradecer-lhes pela bondade com que me tratam at hoje, tanto em Pedro Leopoldo, onde nasci, como aqui em Uberaba, onde estou praticamente h dez anos, vinculado famlia uberabense, da qual recebo as maiores provas de estima e bondade, de catlicos e profitentes de outras religies. 15 AS VIAGENS AO EXTERIOR P Chico Xavier, homem que representou o Brasil noutros pases, ns conclumos pedindo apenas que nos diga os pases que j visitou para participar de trabalhos srios, importantes, bem altura de seu gabarito e da sua seriedade. R Creio que visitei estes pases do exterior por acrscimo da misericrdia da Providncia Divina, pois, realmente, no tenho ttulos nem merecimentos para viagens culturais. Em 1965, recebemos, convite para irmos aos EE. UU. a fim de estudarmos a possibilidade, com alguns amigos, brasileiros e norte-americanos, de se instalar na grande nao irm, um ncleo de estudo do Espiritismo Kardequiano. Pude estar com nossos amigos como o nosso grande companheiro Mister Haddad, Mister Harrison e outros. Da Amrica do Norte fomos convidados a visitar algumas atividades espritas na Inglaterra, tendo sido recebido, ali, com muito carinho pela grande jornalista e escritor ingls, Mister Maurice Barbanell. Da Inglaterra, aproveitando a oportunidade, pois estvamos em uma equipe de trs companheiros, passamos, ento de volta, alguns dias na Frana, visitando instituies espritas no sul e em Paris, para depois, passarmos alguns poucos dias na Itlia, Espanha e Portugal.

  • PROCURANDO A VERDADE ( Entrevista gravada pela TV Tupi, canal 4, de So Paulo, realizada pelo reprter Saulo Gomes com o mdium Chico Xavier na Comunho Esprita Crist, Uberaba (MG), a 5 de agosto de 196S. Transcrita do "Anurio Esprita", 1969.) 16 JOO BOIADEIRO: CAUSA MORTIS P Que opinio deram os amigos espirituais sobre a causa da morte de nosso Joo Boiadeiro, o primeiro doente que recebeu transplante de corao no Brasil? R A esse respeito ouvi particularmente dois amigos, mdicos desencarnados, o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes e nosso amigo Andr Luiz, que foi mdico muito distinto no Rio de Janeiro. Os dois guardam a mesma opinio geral, informando que o problema de rejeio. Portanto, um ponto coincidente com aquele assinalado por todos os grandes mestres, como Zerbini, especialmente, nosso mdico brasileiro. 17 OS TRANSPLANTES E A SUA SEGURANA P Os mesmos amigos espirituais, no caso, apresentam alguma idia para segurana e xito na operao desta natureza? R Esses dois amigos nossos, nos disseram que, por enquanto, impossvel que a Cincia determine a causa destas dificuldades no vamos dizer fracassos porque a causa de tudo isso remonta ao corpo espiritual, e no podemos exigir que a Cincia abrace afirmativas nossas, sem experimentao positiva. Mas a Cincia vencera o problema. O Dr. Bezerra de Menezes, que um grande mdico na Espiritualidade Maior, diz que precisamos considerar o problema, por uma questo de deontologia medica, em dupla face: o problema do doador e do receptor. Diz ele que a Cincia Mdica aperfeioara os processos da chamada ressuscitao cardio-pulmonar-externa, atravs de massagens mais aperfeioadas e equipamento eltrico seguro para a defesa do doador. Feito esse trabalho de defensiva, o eletro encefalograma assinalar o silncio cerebral, ocorrido com a desencarnao. Passamos, ento, ao problema da vitria para o receptor. Diz ele que, no podemos esquecer, a Cincia Mdica contornar o problema com os recursos imunolgicos mais perfeitos e talvez com o concurso da hipnose com orientao cientfica, que poder colaborar muito a Benefcio do xito do receptor. Ele acrescenta, porem, que uma ala muito grande da medicina, com muita propriedade e segurana de atitude, pugna pelo fabrico de rgos de plsticos e que isso um problema a ser considerado com urgncia para benefcio de todos, porque

  • medida que progredirmos na indstria, vamos dizer, de rgos de plsticos, ns poderemos diminuir o problema da angstia no campo dos doadores. 18 A NATURALIDADE DOS TRANSPLANTES P Seria esta, portanto, mestre Chico Xavier, a opinio dos amigos espirituais acerca dos transplante de rgos R Justamente. Eles dizem que isso um problema da Cincia muito legtimo; assim, como ns utilizamos o motor de um carro, com os demais implementos estragados, num outro carro que esteja com seus implementos perfeitos mas com o motor inutilizado. No podemos comparar o homem com o automvel, mas podemos adotar o smile para compreender que o transplante de rgos muito natural e deve ser levado adiante. P Os espritos acreditam que o transplante de rgos seja contrrio s leis naturais? R No. Eles dizem que, assim como ns aproveitamos uma pea de roupa, que no tem utilidade para determinado amigo, e esse amigo, considerando a nossa penria material, nos cede essa peca de roupa, muito natural, ao nos desvencilharmos do corpo fsico, venhamos a doar os rgos prestantes a companheiros necessitados deles que possam utiliz-los com segurana e proveito. 19 TRANSPLANTES E CORPO ESPIRITUAL P H uma pergunta que ns queremos ler com muita ateno. Mestre, dizem os espritos que o corpo fsico uma duplicata do corpo espiritual; no transplante do corao no haver um choque entre a existncia do rgo que permaneceu no corpo astral ao lado do que foi substitudo? R Por isso mesmo que o nosso amigo Andr Luiz considera a rejeio como um problema claramente compreensvel, pois o corao do corpo espiritual est presente no receptor. O rgo astral, vamos dizer assim, provoca os elementos da defensiva da corpo, que os recursos imunolgicos em futuro prximo, naturalmente, vo sustar ou coibir.

  • 20 O FENOMENO DA MORTE E A SITUAO DO DOADOR P Que pensar da situao do doador de rgos, no momento da morte, uma vez que seu instrumento fsico se viu despojado de parte importante? R E o mesmo que sucede com uma criatura que cede seus recursos orgnicos a um estudo anatmico, sem qualquer repercusso no esprito que se afasta vamos dizer, de sua cpsula material. O nosso amigo Andr Luiz considera que, excetuando-se determinados casos de mortes em acidentes e outros casos excepcionais, em que a criatura necessita daquela provao, ou seja, o sofrimento intenso no momento da morte, esta de um modo geral no traz dor alguma porque a demasiada concentrao do dixido de carbono no organismo determina anestesia do sistema nervoso central, diz ele. Estou falando como mdium, que ouve esses amigos espirituais; no que eu tenha competncia mdica para estar aqui, pronunciando-me em termos difceis. Eles explicam que o fenmeno da concentrao do gs carbnico no organismo alteia o teor da anestesia do sistema nervoso central provocando um fenmeno que eles chamam de acidose. Com a acidose vem a insensibilidade e a criatura no tem estes fenmenos de sofrimento que ns imaginamos. O doador, naturalmente, no tem, em absoluto, sofrimento algum. 21 O TRABALHO MDICO E OS ESPIRITOS P Os espritos, por acaso, Mestre Chico Xavier, auxiliam doadores e receptores de rgos, bem assim como as equipes cirrgicas que se empenham em to duras tarefas? R Auxiliam e muito. Os espritos amigos deixem que a misso do mdico se reveste de tamanha importncia que, ainda mesmo o mdico absolutamente materialista est amparado, pelas foras do mundo superior, a beneficio da sade humana. Ns no podemos esquecer, tambm, que outros mdicos que desencarnaram na Terra, passam a estudar a medicina em outros aspectos, em aspectos mais evoludos, na mundo espiritual, e se reencarnam com determinadas tarefas. H tempos ouvi o Esprito de um mdico amigo, que conheci muito em Belo Horizonte, e que era devotado cancerologia. Ele informou-me que, no espao, est estudando a cancerologia desdobrada em outros aspectos e outros fenmenos, pretendendo se reencarnar dentro em breve tempo, para estar conosco, em princpios do sculo futuro, aperfeioando as tcnicas e estudos da cancerologia na Terra.

  • 22 A MORTE DO DOADOR P Qual a situao de um doador de rgos aps a interveno cirrgica, Chico Xavier, uma vez constatada sua desencarnao? R uma situao pacifica, porquanto, o fenmeno igual ao daqueles amigos nossos, s vezes jovens que sero, amanh grandes mdicos, grandes annimos, benfeitores da Humanidade, que cedem suas vsceras a uma sala de anatomia para benefcios dos cientistas. 23 DOADOR E RECEPTOR NO PLANO ESPIRITUAL P Podemos imaginar um possvel encontro entre doador e receptor de rgos no mundo espiritual Mestre Chico como por exemplo, no caso do operrio Luiz Ferreira Barros e do boiadeiro Jorro Ferreira da Cunha, agora, tambm desencarnado? Acreditamos que eles ganharam, com isso, um mundo de vibraes simpticas e o reconhecimento, que ns todos devemos a esses dois pioneiros, porque ns no os consideramos como mortos, mas, sim, como espritos eternos. 24 SOBREVIDA P Os espritos falam que uma pessoa que esteja sofrendo agora, est resgatando faltas do passado; no caso de um transplante de rgos, como este, ter obtido, o enfermo um novo merecimento? R Perfeitamente. Acreditamos, com segurana que os dois se encontraram e devem desfrutar, entre os amigos espirituais, de uma posio de muita simpatia, pois ambos serviram, no Brasil, para uma experincia demasiadamente importante para a Cincia do nosso pas. No caso da receptor, sim. Ele ter adquirido uma sobrevida, determinando moratria de extraordinrio valor para ele. O nosso amigo, que foi beneficiado em S. Paulo viveu, segundo notcias que temos, 30 dias, no sei bem. Mas, uma sobrevida extraordinria para uma criatura que tem muitos negcios, muitos assuntos a realizar e com um ms, com vinte dias, pode solucionar enormes problemas e partir com muita serenidade, muita alegria, para o mundo espiritual. P E no caso eu peo licena para fazer um desdobramento desta pergunta daquele que no tem muitos negcios, como no caso de Joo Boiadeiro?

  • R Ns devemos considerar este homem como um amigo, um benfeitor da Humanidade, que serviu para ns todos, como modelo para uma experincia aproveitvel para as criaturas de grandes negcios, que interferem no destino de muita gente. 25 IMPRESSO DEPOIS DA MORTE P Chico Xavier, no sabemos se esta pergunta est prejudicada: de modo geral, qual ser a primeira impresso da criatura humana, na ocasio precisa da morte? R Para todos aqueles que terminaram a existncia terrestre com uma conscincia tranqila, limpa, conquanto os muitos erros em que todos ns incorremos nesta existncia, a impresso no outro mundo de profunda alegria, de felicidade mesmo, no reencontro com as pessoas queridas que nos antecederam na grande transformao. Mas, quando ns malbaratamos os patrimnios da vida, quando no consideramos as nossas responsabilidades, natural que soframos as conseqncias disso no mundo espiritual, antes de voltarmos, naturalmente Terra, em novo renascimento, para o resgate que se faz jus. 26 DESDOBRAMENTO ESPIRITUAL E L.S.D. P As impresses logo depois da morte tero alguma semelhana com o chamado desdobramento espiritual da pessoa viva, e tem voc ainda, Chico Xavier, alguma experincia com o esprito fora do corpo e os efeitos do cido lisrgico? R A experincia do desdobramento espiritual muito semelhante da desencarnao. Pelo menos o que tem ocorrido comigo e segundo as instrues dos amigos espirituais, h muita semelhana do desdobramento medinico com o fenmeno da desencarnao. Quanto aos efeitos do cido lisrgico, devo dizer, que propriamente neste mundo no tive nenhuma experincia dessa natureza. Mas, em Outubro de 1958, ouvi, pela primeira vez, referncia mescl-la, ao cido lisrgico. Aconteceu que um determinado dia no me lembro qual, precisamente, no calendrio amanheci com larga dose de pessimismo; um esprito de indisciplina, de intemperana mental, acreditando que no era uma pessoa feliz, observando cada dificuldade como se tivesse uma lente nos olhos para aument-las em todos os sentidos. Perguntei ao Esprito de Emmanuel, que nos dirige h muitos anos, se eu poderia ter uma experincia desta com amigos de Belo Horizonte. Ele me disse que eu no precisava ter essa experincia e que, me facultaria um ensinamento, nesse sentido, na primeira oportunidade. Quando foi noite, vi-me no desdobramento fora do corpo. Emmanuel se aproximou de mim informando que iria fazer a experincia desejada.

  • Colocou uma bebida branca num copo naturalmente em outro estado de matria e disse-me que aquele lquido era um alcalide que iria me facultar experincia semelhante que se tem com o cido lisrgico. Depois que bebi aquela bebida, que era um tanto quanto amarga, comecei a me sentir muito mal, senti que estava entrando num pesadelo, vendo animais monstruosos em torno de mim, vendo criaturas de interpretao difcil, cenas muito desagradveis, e acordei com a impresso de muito mal-estar, passando um dia terrvel. Em Outubro, na minha terra, comumente, temos muita bruma seca e vi, ento, o Sol como se fosse uma fogueira incendiando o cu e a bruma seca como se fosse a fumaa daquela fogueira. Tudo me irritava, tudo me descontrolava. noite, ento, ele me informou que na experincia que estava tendo e desejava, o alcalide no fez seno aumentar os recursos que estava alimentando na minha mente. A bebida alterou minhas percepes e estava tendo resultado: vendo por fora de mim o que estava acontecendo dentro de mim. Com o esprito aflito, porque a situao era muito desagradvel, pedi instrues para readquirir minha tranqilidade. Mandou-me que orasse, procurasse recolher-me ao silncio e no falasse, e procurasse lugar onde praticar o bem para adquirir vibraes de alegria. Comecei a visitar doentes desamparados; procurar vibraes de simpatia aqui e ali, e durante uns cinco dias estive trabalhando por me desfazer daquele estado terrvel da minha mente, que no era um estado muito longe da alienao mental. No sexto dia, melhorou. Aquela nuvem passou e adquire otimismo, compreenso da vida e paz de esprito. noite, ele informou-me que eu iria ter a mesma experincia, iria beber o mesmo alcalide do mundo espiritual, semelhante ao da Terra. Tornei aquela bebida de gosto amargo e o meu otimismo se transformou numa expresso de alegria profunda, numa embriaguez de felicidade. No outro dia tive sonhos maravilhosos, como se estivesse numa cidade de cristal, como se o cu fosse todo de vidro e qualquer luz se refletia em muitos ngulos. Acordei feliz. Fui para a repartio e o meu chefe de servio tinha para mim expresso anglica. Os meus companheiros estavam todos nimbados de uma luz que eu no podia explicar. Os livros pareciam encadernados por pedras preciosas. As plantas e os animais tinham luz. Eu me sentia com aquele anseio de comunho, aquela vontade de abraar as pessoas, coma se todas fossem minhas e eu pertencesse a elas, sem nenhuma idia de sexo, mas uma idia, um desejo de transubstanciao, de transmutao nos outros seres. Durante uns quatro dias estive assim, naquele estado de alegria anormal. Ele, ento, me disse:

  • Voc tambm est vendo seu estado mental aumentado pelo alcalide. Est vendo seu prprio mundo ntimo fora de voc. Quero, ento dizer-lhe que preciso ter muito cuidado, porque o crebro terrestre est condicionado a guiar a nossa mente para os assuntos alusivos vida humana. Ns no podemos estar nem muito frente, nem muito na retaguarda. O crebro est condicionado para guardar-nos em equilbrio, a fim de que possamos suportar a carga dos acontecimentos da vida, das provas de que necessitamos. Explicou-me, ento, que a criatura, conforme seu estado mental, traz para si mesma os prprios reflexos. Se a pessoa est muito triste, muito pessimista e toma cido lisrgico, cai numa condio temvel e no se sabe quais sero as conseqncias. Se ela est muito otimista, pode cair num problema de irresponsabilidade. um estado maravilhoso, mas um estado de embriaguez incompatvel com a nossa necessidade de lutar com os nossos problemas humanos, com os nossos deveres. Ns estamos aqui para cumprir obrigaes. No estamos aqui para gozar de um cu imaginrio, nem para fantasiar um inferno que devemos evitar. Chegamos concluso de que o acido lisrgico, ou um alcalide qualquer, ou produto sinttico que provoque estas sensaes, so de resultados ruinosos se a Cincia no entra no assunto. 27 DROGAS ALUCINGENAS, LOUCURA E OBSESSO. P Portanto, ns perguntamos: as drogas que produzem estes desequilbrios temporrios podem ser responsveis por loucura ou obsesso? R A esse respeito o nosso Andr Luiz tem conversado muitas vezes comigo, naturalmente, tentando vencer a minha ignorncia de criatura sem recursos acadmicos, para dar sua palavra a interpretao necessria. Os Espritos amigos, representados na sua pessoa, nos dizem que no s a viciao pelo acido lisrgico, ou por um outro alcalide qualquer, opera a viciao de nossa vida mental. Quando entramos pela delinqncia, quando caminhamos pelas vias da criminalidade, adquirimos distrbios muita srios para a nossa vida espiritual. Toda a vez que ofendemos a algum estamos dilapidando a ns mesmos, porque estamos conturbando o mundo harmonioso em que se processa a nossa vida; assim que muitos espritos, muitas pessoas amigas desencarnadas que tenho visto em sofrimento no mundo espiritual, ao reencarnar-se, o faz em condies mentais precrias, encontram-se em muitos graus de alienao mental, em muitos graus de enfermidade.

  • Andr Luiz me diz que a nossa mente na vida natural libera substncias qumicas necessrias preservao da nossa paz, no cumprimento dos nossos deveres na Terra. Porm, quando ns conturbamos o binmio alma corpo, camos em problemas espirituais muito difceis. Assim que muitos fenmenos da loucura e da obsesso, diz Andr Luiz, so atribuveis liberao anormal das catecolaminas, da medular da supra-renal, tanto quanto dos seus depsitos outros no organismo e, assim conseqentemente, de seus produtos de metabolizao, como sejam, a adrenolutina e o adrenocromo, cuja ao especfica, interferindo na distribuio da glicose no crebro, determina alteraes sensoriais muito grandes, alteraes estas que sero estudadas, com segurana pela medicina psicossomtica do futuro. Emmanuel, que entra como um grande evangelizador, diz que, por isso mesmo, Jesus afirmou: o reino de Deus est dentro de vs. Mas assim como o reino de Deus est dentro de ns, o reinado temporrio do mal, ou das trevas, est tambm dentro de ns, quando nos afeioamos s trevas. E, acrescenta, s relaes de Ancore Luiz, que a Cincia e a Religio so as duas foras propulsoras e mantenedoras do equilbrio na Terra. Sem a Cincia o mundo se converteria numa selva primitivista, sob o domnio da animalidade; mas sem a Religio, converteramos a Terra num hospcio de largas dimenses em que a irresponsabilidade caminharia em todas as direes. Ento, ns os religiosos e os cientistas vamos caminhando lado a lado, pois com base na prpria Cincia e segundo os ensinamentos religiosos de todas as raas, do equilbrio das nossas emoes que resulta a sade perfeita, o corpo sadio. Uma pessoa, por exemplo, est no mundo espiritual em posio precria quanto sua vida mental, e se reencarna em condies difceis. Logo na primeira meninice aparece a esquizofrenia. Temos a um caso que pode ser curvel, conforme o merecimento espiritual da criatura. Curvel porque o problema da emoo conturbada desencadeou determinados distrbios mentais que desregularizaram as fontes de distribuio das substncias qumicas do nosso organismo. Temas muita coisa para estudar no futuro. Todavia podemos assevera que o mal ser sempre um fator desencadeante de doena, seja ele qual for. Peo licena para dizer que no estou falando por ter cincia de mim mesmo. Estou falando como uma pessoa que ouve dos amigos espirituais. Por exemplo, eles falam que a libertao anormal das catecolaminas, a que nos referimos, gera produtos de decomposio da adrenalina, como sejam, a adrenolutina e o edrenocromo. Vai se estudar muito a este respeito, em matria de psicologia e psiquiatria, a fim de curar, pois estas doenas so todas curveis, so sustveis, podem ser paralisadas. Mas, eu digo no por mim, mas porque ouo Andr Luiz. Se estiver cometendo alguma impropriedade para os amigos telespectadores laureados com ttulos acadmicos, que no possuo de forma alguma, peo perdo, como uma pessoa que

  • est interpretando mal a palavra dos espritos. Os espritos me ensinam muita coisa, mas no tenho recursos para transmiti-las. Gostaria de ser uma pessoa com mais instruo, com mais valores culturais. Peo ao nosso amigo Saulo Gomes este parnteses para pedir perdo por alguma tolice que esteja falando. Estou tentando transmitir a palavra dos espritos, aos quais muito pedi que me orientassem e ajudassem nessa conversao de hoje. Passei o dia orando, pedindo compreenso da responsabilidade de uma conversao dessas, na televiso. Dediquei a vida inteira aos bons espritos e peo a eles que me ajudem a cometer a cota menor possvel de erros, porque no tenho mesmo recursos. Estou falando porque ouvi. 28 ASSISTNCIA ESPIRITUAL Os espritos informam, mestre Chico Xavier, se as pessoas que morrem recebem assistncia no outro mundo? No h ningum desamparado. Assim como aqui na Terra, na pior das hipteses, renascemos a ss, e companhia de nossa me, mas nunca sozinhos, no mundo espiritual tambm a Providncia Divina ampara todos os seus filhos. Ainda aqueles considerados os mais infelizes, pelas aes que praticaram e que entram no mundo espiritual com a mente barrada pela sombra, que eles prprios criaram em si mesmos, ainda esses tm o carinho de quardies amorosos que os ajudam e amparam, no mundo de mais luzes e mais felicidade. 29 PRIMEIRO CONTATO COM O MUNDO ESPIRITUAL P Diante das informaes que voc d de contatos com os amigos que j no esto mais neste mundo, poder recordar como nasceu em seu pensamento, a primeira idia do mundo espiritual? R Devo dizer que tenho dito isto em diversas ocasies e posso reafirmar aqui: a minha idia com respeito imortalidade da alma nasceu em meu crebro quando estava de 4 para cinco anos de idade. Minha me era catlica e nos ensinar o caminho da orao e da meditao. Em se vendo s portas da morte, sabendo que meu pai estava desempregada, preocupada com seus nove filhos, todos menores, pediu s amigas que se incutissem deles, guardando-os at que meu pai pudesse reav-los para a lar. Quando ela me entregou para uma senhora (ela pediu a nove amigas) eu lhe disse:

  • Mas minha me, a senhora est me dando assim para os outras, a senhora que to boa! Ns queremos a senhora tanto bem e est nos entregando assim, mame, para os outros? Naquele tempo eu tinha de 4 para 5 anos, mas estou repetindo a cena com meu pensamento ligado ao corao materna. Ento ela fez um olhar de muito espanto e disse: No voc! Eu j dei 7 crianas e nenhuma reclamou. Voc no pode admitir que eu esteja desprezando vocs falou com dificuldade. Acompanhe Ritinha era a amiga que se incumbiu de ficar comigo e procure se comportar bem. Eu vou sair daqui; todo mundo vai dizer que eu morri e no volto mais. No acredite nisso, mas acredite que sua me vai voltar para buscar vocs todos. Eu no vou morrer e se eu demorar muito mandarei uma moa buscar vocs. (isso ela disse compreendendo que meu pai era um homem ainda moo com nove filhos e que era natural que fizesse um segundo casamento como fez). Voc v com confiana porque eu no vou morrer; eu vou sair daqui carregada naturalmente ela falava assim para apaziguar o meu corao que sofria muito com aquela perda. No outro dia minha me desencarnou. Todo mundo chorava, mas eu confiava na sua palavra. Fui morar com essa senhora que, apesar de ser uma criatura de qualidades muito nobres, s vezes ficava nervosa. Em meu caso ela ficava nervosa diariamente e, -ento, eu apanhava bastante com vara de marmelo. Minha me nos ensinava a prece. Toda noite, entre oito e nove horas, acendia a lamparina de querosene, punha-nos de joelhos para fazermos a prece, pedirmos socorro de Deus e nossa Me Santssima. Quando aquela senhora saa passeio, tarde, com o marido e o sobrinho que era para ela um filho adotivo eu corria para debaixo de uma bananeira e comeava a rezar, conforme minha me me tinha ensinado, as oraes de sempre. Uma tarde eram mais ou menos 18 horas eu estava orando, quando voltei-me e vi minha me atrs das folhas. Fiquei muito alegre. Na minha cabea, de 5 anos de idade, no havia problemas. Minha me dissera que no iria morrer e que viria me buscar eu no conhecia as dvidas do povo na Terra, se existe ou no alma. Abracei minha me com aquela alegria, com aquele contentamento! Disse a ela que agora no nos separaramos mais. Ela, entretanto, disse-me que estava em tratamento, precisava voltar e no podia ficar comigo. Viera cumprir a palavra de que estava comigo. Perguntei-lhe se sabia que eu apanhava; disse estar informada de tudo e que eu devia ter muita pacincia; que eu precisava mesmo de apanhar e isso era bom para mim. Nesse dia, quando ela se despediu, me abenoou. Quando a senhora que tornava conta de mim, voltou, disse a ela: Dona Ritinha, eu vi minha me, hoje ela veio me ver!

  • Meu Deus disse ela este menino est ficando louco e, para consertar isso, uma boa surra agora. E, por causa da viso, eu tive uma surra. Comeara a luta e o conflito. Assim, minha primeira idia foi obtida no seio da Igreja Catlica. 30 TRANSPLANTES, MENSAGEM DO DR. BEZERRA DE MENEZES P Voc na qualidade de mdium, j recebeu alguma mensagem sobre o tema do transplante? R Tenho aqui uma mensagem que foi recebida na manh do dia 18 de junho, com alguns amigos de S. Paulo. Vieram aqui e estvamos falando sobre a vitria do Dr. Zerbini e sua equipe de mdicos em S. Paulo, em matria de transplante. Depois disso fomos orar, aqui mesmo, nesta sala da Comunho Esprita Crist. Como natural, abrimos o Evangelho e a lio do dia caiu naquela parte em que Jesus encontra com Zaqueu, o rico daquele grande ensinamento da Boa Nova. Foi com grande alegria para nos, que o Dr. Bezerra de Menezes, que tem conversado muita conosco a respeito do assunto transplante, deu uma mensagem que gostaria de pedir nossa Dalva. O assunto era transplante e eu pedi a ela para trazer. TRANSPLANTES Leitura no culto do Evangelho: "Jesus na casa de Zaqueu" Lucas, XIX: 1 a 10. Deter-nos-emos, em nossa ligeira reunio, tm somente no assunto de vossos comentrios, em nossa intimidade familiar. Por que permitiria o Senhor que a Cincia na Terra se decida, com tanto empenho, no estudo e na execuo do transplante de rgos e membros do corpo humano? Notemos que a iniciativa se fundamenta e motivos respeitveis. Isso vem lembrar a cada um de vs outros o tesouro do envoltrio fsico que no menosprezamos sem dano grave. Seno vejamos. Tendes hoje mquinas avanadas para a confeco dos mais singelos servios, no entanto, quem se lembraria de vender um brao, a pretexto de possuir engenhos para a soluo de necessidades essenciais?

  • Dispondes de carros velozes para o trnsito perfeito em terra, mar e ar, contudo, por guardardes semelhantes utilidades no colocareis um p no mercado de oferta e procura. Vossos aparelhos de observao alcanam o firmamento e vasculham as mais obscuras paisagens do microcosmo, entretanto, isso no razo para tabelardes o preo de um dos olhos para quem aspire a compr-lo. Conseguistes laboratoriais eficientes, nos quais a perquirio atinge verdadeiros prodgios, todavia, por essa razo, no cedereis por dinheiro um dos vossos rins, os admirveis laboratrios de filtragem que vos garantem a sade. Vede, pois, filhos, que todos sois Zaqueus, diante da vida, todos sois milionrios da oportunidade e do servio, no abenoado corpo que vos permite sentir, pensar, agir, trabalhar, construir e sublimar na Causa do Bem Eterno. Basta aceiteis o impositivo da ao edificante e adquirireis emprstimos sempre maiores na organizao Universal dos Crditos Divinos e todos os recursos, porm, que vos so confiados, o corpo fsico o mais importante deles, por definir-se como sendo o refgio em que obteremos no mundo o valioso ensejo de progredir e aperfeioar a ns mesmos, na esfera da experincia. Zaqueus da Terra, todos ricos de tempo e instrumentos do bem, para a evoluo e melhoria constantes, aprendamos a servir para merecer e merecer para servir cada vez mais.

  • REALIDADES DA ALMA * "Lavoura e Comrcio", Uberaba, Minas, 7 de Maro de 1970. Inegavelmente, um dos pontos altos do programa "Cidade Contra Cidade, de Silvio Santos, no Canal 4, TV - Tupi, de So Paulo, realizado na noite de 6 de maro de 1970, foi a presena, na delegao uberabense, do mundialmente famoso mdium psicgrafo Francisco Cndido Xavier. Pela primeira vez, Chico Xavier comparecia a uma Televiso de um grande centro do pas para ser entrevistado, justamente quando se faz o lanamento do seu centsimo livro. O reprter Saulo Gomes e o criador do programa, Silvio Santos, fizeram interessantes perguntas a Chico Xavier, das quais destacamos pela oportunidade no momento atual, duas perguntas formuladas por Saulo Gomes, que seguem com as respectivas respostas : 31 TUBO DE ENSAIO E RENASCIMENTO P Um assunto que est despertando grande interesse na opinio pblica mundial. Trata-se do ser humano que dentro em breve estar entre ns, cremos, produto de um tubo de ensaio. O conhecimento profundo, em matria espiritual, de Chico Xavier, nos parece, muito importante. Que ele emita o seu pensamento e da prpria doutrina esprita em relao a isso. Que acha Chico Xavier e o mundo esprita da criana que o homem comea agora a gerar num tubo de ensaio? R Tenho ouvido por diversas vezes o Esprito de Emmanuel a respeito disso. Ele diz que o nosso respeito Cincia deve ser inconteste e que o progresso da cincia infinito, porque a soluo do problema do tubo de ensaio, para o descanso do claustro materno vivel. Mas, restar Cincia um grande problema, o problema do amor com que o esprito reencarnante envolvido no lar pelas vibraes de carinho, de esperana, ternura, confiana de pai e me, no perodo tambm da infncia, em que a criana rodeada de amor, muito mais alimentada de amor do que de recursos nutrientes da terra! Vamos ver como que a Cincia poder resolver este problema para que no venhamos a cair em monstruosidades do ponto de vista mental. 32 O PROBLEMA "SEXO" P Como vista, Chico Xavier, no mundo espiritual, a influncia crescente do tema sexo? R Antes de entrar diretamente neste assunto, convm declarar, em nossa formao crist, que sem o lar constitudo, sem a famlia organizada, sem amparo

  • maternidade, sem respeito dignidade do homem, a civilizao no conceito dos espritos que se tm comunicado conosco pode descer estaca zero. Considerando, porm, a influncia crescente dos temas de natureza sexual nas conversaes e publicaes do nosso tempo, precisamos considerar que o assunto esteve quase que propositadamente sufocado durante sculos. natural que ele agora surja, maneira de exploso, mostrando reaes em cadeia, por toda parte, exigindo legislao mais humanitria para a liquidao dos problemas de natureza afetiva e solicitando educao. No nos referimos aqui, segundo os Bons Espritos, ao uso de implementos fsicos, mas sim educao da alma, educao dos nossos sentimentos, por que o problema sexo muito mais de corao para corao, de alma para alma, e por isso mesmo merece toda a considerao daqueles que nos inspiram e orientam, na governana de nossas vidas e de nossos destinos.

  • ENCONTRO FRATERNO* (Entrevista concedida a Salvador Gentile e Elias Barbosa, na Comunho Esprita Crist, Uberaba (MG), a 22 de agosto de 1970. Publicada no Anurio Esprita" 1972, Edio Castelhana.) Ante o lanamento do Anurio Esprita em Castelhano, planejamos um encontro com o mdium Chico Xavier, a fim de entretermos alguma troca de idias, com respeito ao assunto. Nesse propsito, dirigimo-nos para a sua residncia, na Vila Silva Campos em Uberaba, onde fomos recebidos com simpatia e a amizade de sempre. Conversa vai, conversa vem, o entendimento fraterno se transformou, para logo, numa entrevista, que passamos a considerar como sendo de alta significao doutrinria, pelos temas e apontamentos emitidos. 33 "ANURIO ESPRITA" EM ESPANHOL P Que acha voc, Chico Xavier, da edio do nosso querido "ANURIO ESPIRITA", em Espanhol? R Admirvel iniciativa. P Como v voc o intercmbio que resultar entre os demais pases da Amrica Latina e o Brasil, aps a edio do "Anurio" em Castelhano? R Entendo que o Anurio Esprita em Castelhano ser instrumento abenoado de aproximao entre ns todos, os espritas do Brasil e aqueles que vivem noutros climas do Continente. 34 OS TRS ASPECTOS ESPIRITISMO P Dos trs aspectos doutrinrios do Espiritismo o cientfico, o filosfico e o religioso , qual o mais importante, no seu entender? Por qu? R Temos aprendido com os benfeitores da Vida Maior que todos os trs aspectos do Espiritismo so essencialmente importantes, entretanto, o religioso o mais expressivo por atribuir-nos mais amplas responsabilidades de ordem moral, no trato com a vida. 35 RECEPTIVIDADE DOS LIVROS EM CASTELHANO P Como os latino-americanos tm recebido as edies dos livros psicografados por voc, em Espanhol? Qual deles encontrou maior receptividade?

  • R Acerca das vrias tradues de nossos Amigos Espirituais para o Castelhano tenho recebido frequentemente cartas de companheiros latino-americanos, notadamente da Argentina, expressando satisfao e simpatia. Parece-nos que o livro Nosso Lar, de Andr Luiz, lanado pela Editora Kier, em Buenos Aires, em excelente traduo do Professor Guerrero Ovalle, vem recebendo particular ateno dos nossos amigos de fala Espanhola. 36 EMMANUEL E A RELIGIO ESPIRITA P Pelo que depreendemos, d o benfeitor Emmanuel muita nfase ao prisma religioso da Doutrina Esprita. Por que isso? R Emmanuel costuma afirmar-nos que, sem religio, seramos na Terra, viajores sem bssola, incapazes de orientar-nos no rumo da elevao real. 37 RELIGIAO ESPIRITA P Podemos usar, com exatido, o termo Religio Esprita? R A nosso ver, a legenda Religio Esprita, seria muito adequada aos ensinamentos doutrinrios do Espiritismo, repletos de conseqncias morais, conquanto, de minha parte, deva respeitar o ponto de vista dos companheiros que no pensam assim. 38 TCNICA DOS ESPIRITO P Em seu contato permanente com o mundo Espiritual, nos seus 44 anos de mediunidade, qual a tcnica dos Benfeitores Espirituais quanto divulgao doutrinria? R No posso precisar qual seja a tcnica dos nossos Instrutores na divulgao doutrinria, mas a que vejo todos os dias que, para eles, todas as criaturas so importantes e que todas, mas claramente todas so dignas da mxima ateno daqueles que ensinam e esclarecem, nos domnios da consolao e da Verdade. 39 O LADO CIENTIFICO DQ ESPIRITISMO P Que dizer daqueles irmos que se esforam por enfatizar apenas o lado cientfico do Espiritismo? R Cremos seja isso um problema de vocao para trabalho em determinados campos da vida. Os que enfatizam, unicamente o lado cientfico do Espiritismo possuem o direito de assim agirem, tanto quanta ns outros, os que emprestamos

  • significao especial ao lado religioso da Doutrina Esprita, tambm procedemos assim levados pelo impulso natural em que nos acomodamos com a f religiosa. 46 MEDIUNIDADE COM JESUS P Como entende voc a mediocridade esprita com Jesus? R Para mim, e digo isso apenas com respeito minha pobre e apagada pessoa, mediunidade esprita com Jesus tem sido um processo de iluminao, pelo qual, quanto mais os Bons Espritos escrevem e se comunicam por meu intermdio, mais evidentes se tornam os meus defeitos e inferioridades, no s perante os outros como tambm diante de mim mesmo. Compreendo, desse modo, que mediunidade com Jesus para mim tem sido um encontro progressivo e constante comigo mesmo, em que a luz dos Amigos Espirituais me mostra, sem violncia, quanto preciso ainda aprender e trabalhar para melhorar-me. 41 TERAPUTICA DAS OBSESSES P Quais os mtodos teraputicos ideais contra o processo obsessivo? R Os Bons Espritos so unnimes em afirmar que quanto mais nos melhorarmos em esprito, menores sero sempre as nossas possibilidades de ligao com as foras desequilibradas das sombras. 42- RADICALISMO E OBSESSES P O radicalismo em matria de f pode ser encarado como obsesso? R Cremos que no, em nos referindo ao simples radicalismo, mas no radicalismo excessivo, admito que estaremos saindo em perturbaes. 43 O ESPIRITISMO E O PROBLEMA SEXO P Que acha voc da abordagem dos problemas de sexo, no tratamento dos temas doutrinrios? R Acreditamos que a Obra de Allan Kardec, principalmente nos textos de O Livro dos Espritos" favorece essa abordagem com grande proveito, seja para o indivduo, seja para a comunidade. P O Espiritismo no dever contribuir pare que o problema sexo deixe de ser um tabu?

  • R os Benfeitora da Vida Superior esclarecem que o Espiritismo contribuir, decisivamente, para que os temas do sexo sejam tratados no ofendo, com o devido respeito, sem tabus que patrocinem a hipocrisia e sem a irresponsabilidade que impele devassido. 44 O ESPIRITISMIO E A FAMILIA P Que acha voc da posio da Famlia, nos dias que correm, e da contribuio que o Espiritismo p e der para a sua consolidao em bases crists? R Os conceitos de famlia, luz da Doutrina Esprita, a nosso ver, caminham para mais ampla compreenso da liberdade construtiva e do respeito mtuo que devemos uns aos outros. 45 ASSISTNCIA SOCIAL E DlVULGAO P No entender de Emmanuel, qual ser mais importante: as tarefas de assistncia social ou as de divulgao doutrinria? R Ambas as tarefas se revestem de importncia fundamental na opinio de nosso abnegado orientador. 46- A INQUIETAO DA JUVENTUDE P A inquietao da mocidade medo da vida ou falta de entrosamento com o modo de pensar das geraes mais velhas? R Os amigos Espirituais asseveram que todos estamos, os espritos atualmente encarnados na Terra , seja em posio de mocidade ou madureza fsica, sofrendo indisfarvel inquietao na procura de novas formas de pensamento e progresso, e que isso um estado natural de idias e de cousas, na renovao da Humanidade. P Por que os moos no se ajustam, de modo geral, aos velhos padres? No estariam aguardando uma mensagem que no estamos sendo capazes de lhes transmitir? R Segundo os mensageiros da Espiritualidade Maior, ns, as criaturas terrestres de todas as idades, superaremos as crises atuais e dizem que as transformaes aflitivas do Mundo moderno se verificam para o bem geral. 47 ESPlRITISMO, LOUCURA E DOENAS INCURVEIS P Como entender a loucura e as doenas chamadas incurveis, luz do Espiritismo?

  • R Loucura e doenas incurveis, luz Espiritismo, esto arraigadas s nossas necessidades e aprendizado e evoluo, resgate e aperfeioamento, nos campos da reencarnao, e os Instrutores da Espiritualidade acrescentam que a Cincia e a Religio operam no Planeta, sob a inspirao da Providncia Divina, para amenizar, diminuir, sustar ou extinguir as provaes dos homens, conforme a necessidade e o merecimento de cada um. 48 CRENA NA REENCARNAO P Como se explica a existncia de espritas que negam a reencarnao? R Cremos seja a ocorrncia devida a reflexes superficiais, em torno do assunto, mas, na essncia, a reencarnao como Verdade que brilha para toadas, despertando as conscincias, uma por uma, na medida do amadurecimento que venham a apresentar. 49 AS PROVIDENCIAS DO PERDO P Ao transmitir, caro Chico, sua mensagem final aos irmos de fala Castelhana, rogamos-lhe a gentileza de narrar-nos um dos inmeros fatos medinicos que o sensibilizaram no correr das suas quatro dcadas de tarefas ininterruptas de mediunidade com Jesus. R Das experincias de nossa tarefa medinica, citaremos uma delas, para ns inesquecvel. Nos arredores de Pedro Leopoldo, h anos passados, certa viva viu o corpo de um filho assassinado, chegando, repentinamente casa. Desde ento, chorava sem consolo. O irmo homicida fugira, logo aps o delito, e a sofredora senhora ignorava at mesmo porque o rapaz perdera to desastradamente a vida. Agravando-se-lhe os padecimentos morais, uma nossa amiga, j desencarnada, D. Joaninha Gomes, convidou-nos a ir em sua companhia partilhar um ligeiro culto do Evangelho, com a viva enlutada. A desditosa me acolheu-nos com bondade e, logo aps, em crculo de cinco pessoas, entregamo-nos orao. Aberto em seguida O Evangelho segundo o Espiritismo, ao acaso, caiu-nos sob os olhos o item 14 do Captulo X, intitulado Perdo das Ofensas". Ia, de minha parte, comear a leitura, quando algum bateu porta. Pausamos na atividade espiritual, enquanto a dona da casa foi atender.

  • Tratava-se de um viajante maltrapilho, positivamente, um mendigo, alegando fome e cansao. Pedia um prato de alimento e um cobertor. A viva f-lo entrar com gentileza, a pedir-lhe alguns momentos de espera. O homem acomodou-se num banco e iniciamos a leitura. Imediatamente depois disso, comentamos a lio de modo geral, um dos assistentes perguntou dona da casa se ela havia desculpado o infeliz que lhe havia morto o filho querido, cujo nome passou, na conversao, a ser, por vrias vezes, pronunciado. A viva asseverou que o Evangelho, pelo menos, lhe determinava perdoar. Foi ento que o recm-chegado e desconhecido exclamou para a nossa anfitri: Pois a senhora me do morto? E, trmulo, acrescentou que ele mesmo, era o assassino, passando a chorar e a pedir de joelhos. A viva, igualmente, em pranto, avanou maternalmente para ele e falou: No me pea perdo, meu filho, que eu tambm sou uma pobre pecadora... Roguemos a Deus para que nos perdoe!... Em seguida, trouxe-lhe um prato bem feito e o agasalho de que o desconhecido necessitava. Ele, entretanto, transformado, saiu da Culta do Evangelho conosco e foi se entregar Justia. No dia imediato, Joaninha Gomes e eu voltamos ao lar da generosa senhora e ela nos contou, edificada, que durante a noite sonhara com o filho a dizer-lhe que ele mesmo, a vtima, trouxera o ofensor ao seu regao de me, pra que ela o auxiliasse com bondade e socorro, entendimento e perdo.

  • ENTRE IRMOS (Entrevista realizada pelo reprter Realindo Jr., quando da visita do mdium a Franca (SP), publicada pelo jornal "Comrcio da Franca" a 22 de maio de 1971). A Fundao Educandrio Pestalozzi, em comemorao ao seu 26 aniversrio, recebeu anteontem a visita do mdium Francisco Xavier, numa concorrida Tarde de Autgrafos. Na ocasio, a reportagem ouviu o psicgrafo que observou: Ns estamos repetindo uma emoo que nos sumamente agradvel, com mais uma visita cidade de Franca, onde recebemos este abenoado calor do corao francano. Estamos pedindo a Deus que conceda a esta terra abenoada, cada vez mais progresso, felicidade e alegria.. Da passamos a uma breve entrevista com ele em forma de perguntas e respostas: 50 LIVROS EDITADOS P Quantos livros o Senhor tem editado em Portugus e em outras l nguas? R Foram editados at agora, 109 livros, 106 dos quais j publicados. Vinte destes livros esto traduzidos em Ingls, Japons, Francs, Espanhol e Esperanto. 51 REUNIES PUBLICAS DA COMUNHO ESPIRITA CRIST P Em Uberaba, os trabalhos podem ser assistidos? R Sim. s segundas, sextas e aos sbados de cada semana, as nossas reunies so pblicas, na Comunho Esprita Crist, a partir das 7 da noite. 52 INSATISFAO DO MUNDO ATUAL P O que os espritos tm dito a respeito da insatisfao do mundo de hoje? R Os nossos guias espirituais traduzem a nossa insatisfao, no mundo inteiro, como sendo a ausncia de Jesus Cristo em nossos Coraes. Quando nos adaptarmos em definitivo ao esprito da doutrina para a vivncia crist, em nossas relaes mtuas, toda insatisfao desaparecer, porque estabelecida a paz em nossa conscincia com o nosso dever cumprido, as prprias doenas naturalmente recuaro, pois muitas delas so simples conseqncias de nossos

  • desajustes espirituais, em decorrncia de nosso afastamento de Cristo, como luz divina para os nossos coraes. Estamos nos referindo no s ao Espiritismo Evanglico, mas a todo o Cristianismo, a todas as escolas crists. Os cristos tm necessidade nessa unio em torno da verdade. Ns precisamos de Cristo. 53 OS TEMPOS ESTO CHEGADOS P Os espritas dizem sobre a transio de nosso planeta: "Os tempos esto chegados". O que diria Chico Xavier a esse respeito? R Sim, chegados para um maior conhecimento da verdade, com o patrocnio da Cincia. Cada um de ns, no entanto tem sofrido impactos muito grandes dessas mesmas verdades, por falta de Cristo em nosso corao, e ns no estamos sabendo aliar o corao ao crebro. Temos uma inteligncia talvez excessivamente cientifista, mas o corao um tanto quanto retardado. Precisamos desalojar o dio, a inveja, o cime, a discrdia de ns mesmos, para que possamos chegar uma soluo em matria de paz, de modo a sentirmos que os tempos esto chegados, para a felicidade humana. 54 A JUVENTUDE DE HOJE P Como o Sr. v a juventude atual? R Eu creio na juventude como sendo a esperana no s do 8rasil como do mundo inteiro. A acusao que pesa sobre a chamada juventude transviada, eu quero crer que no procede, porque o nmero de jovens que se dedicam ao trabalho, ao estudo, dignidade humana e sua prpria respeitabilidade no cumprimento de seus deveres, ilimitado, e no podemos sacrificar essa maioria extraordinariamente maravilhosa, principalmente a juventude brasileira que conhecemos muito bem, essa minoria, que em todos os tempos foi a minoria dos espritos rebeldes, no campo da humanidade. P O que diria sobre o grande nmero de obsesses?

  • R Consideramos ainda o caso da insatisfao. Ns perdemos o contato com Cristo, que a Luz Divina para a nossa conscincia e, de imediato, criamos tomadas para o domnio das sombras. A, a obsesso pode surgir. Surgir com os traumas psicolgicos, com as doenas mentais que esto devidamente catalogadas pela medicina para tratamento adequado. Mas, creio que se ns nos ajustarmos aos princpios evanglicos respeitando-nos mutuamente, cada qual no seu setor, com o cumprimento dos nossos deveres, a obsesso tambm diminuir, caminhando para o desaparecimento completo. 56 Z ARIG P Como v as crticas em torno do nome de Z Abrigo? R Considero Jos Arig como qualquer mdium na Terra, como um ser humano, suscetvel de cair em erros, mas sempre considerei Arig como uma pessoa de muito respeito. Se somarmos os bens que ele nos deixou e fizer-mos o confronto com os possveis erros que tenha praticado, teremos um saldo que no podemos olvidar. O caso de sensacionalismo de imprensa. Precisaramos de devassar uma conscincia que de Z Arig, que s pertence a Deus. Ento seria interessante ouvir o novo irmo Jos Arig, quando neste mundo, mas no sacar contra o amigo morto os ataques que esto sendo levados a efeito. 57 MEDIUNIDADE CONSCIENTE P O Sr. tem conhecimento das mensagens recebidas no exato momento, em que a recebe, ou somente depois as l? R Normalmente, eu no tenho conhecimento do assunto. Leio a mensagem quanto qualquer leitor. Agora, sobre a produo da mensagem, existem horrios estabelecidos pelos amigos espirituais. A determinadas horas, temos sesses pblicas, a determinadas horas temos encontros espirituais particulares para a formao de livros. Fico ento sabendo que vamos ter esses encontros. Alias o teor da mensagem eu s conheo depois de recebida.

  • 58 PROVA DA REENCARNAO P Qual a maior prova concreta que Francisco Cndido Xavier aponta sobre a reencarnao? R A lgica para compreendermos a desigualdade no campo das criaturas humanas. Por que que uns renascem sofrendo em condies muito mais difceis do que os outros? No podemos admitir a injustia divina! Deus a justia suprema. Portanto, ns devemos a ns mesmos a conseqncia dos nossos desajustes. Se eu pratiquei um crime, se lesei algum, natural que no tendo pago a minha dvida moral, durante o espao curto de uma existncia, justo que eu faa esse resgate em outra existncia, porque de outro modo, compreenderamos Deus como um ditador, distribuindo medalhas para uns e chagas para outros, o que inadmissvel.

  • PERGUNTAS E RESPOSTAS (Entrevista realizada por Silveira Lima, na Rdio Sociedade do Tringulo Mineiro de Uberaba, Minas, na tarde de 5 de julho de 1971, por ocasio da entrega da "Palma de Ouro" ao mdium Chibo Xavier.) 59 INGRESSO NO ESPIRITISMO P Nosso carssimo Chico Xavier diz no prefcio do livro "Parnaso de Alem-Tumulo" que voc e sua famlia eram catlicos ate 1927. Se voltaram para a doutrina esprita com a cura de uma das suas irms que sofrera um processo obsessivo, podemos saber qual delas e que notcias aos d a seu respeito? R Trata-se de nossa irm Maria da Conceio Xavier que e hoje me de numerosa famlia e reside na cidade mineira de Sabar, nas vizinhanas de Belo Horizonte. 60 VIDNCIA NA IGREJA P De famlia catlica e praticante, na ocasio, do catolicismo voc viu os espritos tambm na igreja? R Sim. Sempre que freqentava os ofcios religiosos chegava a identificar a presena de entidades espirituais e dava disso conhecimento aos sacerdotes amigos que me ouviam na confisso, que naquele tempo era largamente praticada e que ns todos observvamos com muita fidelidade f crist. Isso para eles no era novidade porquanto muitas vezes me perquiriam a palavra e a raciocnio, indagando se eu dizia a verdade ou se estava sendo vtima de alucinao, o que hoje considero muito natural. 61 REENCARNACO DE EMMANUEL P Quando foi que Emmanuel se apresentou em sua vida medinica. Ele disse que se encarnaria neste final de milnio? R - Ele nos visitou de maneira franca e visvel em dezembro de 1931. Desde l at agora, precisamente h 40 anos, ele tem sido o instrutor e o mentor de nossas tarefas espirituais; ele afirma que, indiscutivelmente voltar reencarnao mas no diz exatamente o momento preciso em que isso se verificar entretanto, pelas palavras dele, admitimos que ele estar regressando ao nosso meio de espritos encarnados, no fim do presente sculo, provavelmente, na ltima dcada.

  • 62 EMMANUEL, O PROFESSOR P Acha que Emmanuel tem sido para voc o amparo que o professor representa em si para o aluno? R Sem dvida. Certa feita um amigo convidou a minha ateno para a biografia de Helen Keller, a nossa grande cidad mundial, atualmente desencarnada, que era muda, surda e cega e, segundo a biografia dela prpria, era ela uma criatura que, por falta de comunicao com o prximo, se tornara talvez muito agressiva. Desde, porm, a ocasio em que tomou os servios da professora que a educou, tornou-se uma pessoa diferente. Considero que at 1931 a minha capacidade de comunicao com a prximo seria muito difcil, mas durante quarenta anos o esprito de Emmanuel tem tido muita caridade e misericrdia para comigo, e transformando-me de algum modo; ainda no me converti, do animal desconhecido que sempre fui numa criatura mais ou menos humana, mas confesso que o nosso grande benfeitor vem conseguindo melhorar o meu padro espiritual. Por isso mesmo, devo declarar, de pblico, que devo a Deus e a ele, o esforo que vou fazendo, atravs do tempo, a fim de humanizar-me. 63 NECESSIDADE DO ESTUDO P Quanto ao estudo, que dizem os nossos Benfeitores Espirituais? R Os amigos espirituais nos informam que o estudo deve ser para ns uma obrigao, em qualquer idade ou circunstncia da vida. Muitas vezes, quando na infncia ou na juventude, somos constrangidos a estudar e sentimos muita dificuldade em observar as disciplinas estabelecidas, seja por nossos pais ou professores, tutores ou amigos. s vezes, fugimos de aula, desertamos do dever estudantil, mas com o tempo, se observarrnos a vida dentro da realidade que lhe prpria, quando entramos na condio de adultos somos induzidos a estudar voluntariamente porque sabemos que o estudo a luz no corao do esprito. Na ignorncia no conseguiramos, como no conseguiremos, enxergar o caminho real que Deus traou a cada um de nos na Terra. Todos ns, sejamos crianas ou jovens, adultos ou j muitssimo maduros, devemos estudar sempre.

  • 64 ATITUDE DIANTE DAS DOENAS P Desejar voc contar-nos alguma coisa de sua experincia, ao contato de Emmanuel, a respeito da atitude que devemos assumir perante as nossas prprias doenas? R Ele, tanto quanto outros amigos espirituais, nos ensinam que devemos receber as provaes orgnicas com muita serenidade. Alis, nesse sentido dentro da prpria Igreja Catlica, que todos consideramos como sendo a autoridade maternal em nossa civilizao, dispomos do exemplo dos santos que nos auxiliam a considerar a molstia como agente de purificao da alma. Se aceitamos compulsoriamente a enfermidade como sendo uma prova que no merecemos; se noz desesperamos; se nos entregamos impacincia, criamos uma espcie de taxa de aflio improdutiva sobre a inquietao que a doena nos traga. A molstia, sem pacincia de nossa parte, se torna muito mais grave e, s vezes, muito mais intolervel, de vez que passamos a complicar e a obscurecer o ambiente assistencial em que nos encontremos, junto da famlia ou fora dela. Com isso criamos, tambm, muita dificuldade para os mdicos, convidados a auxiliar-nos, porquanto qualquer quadro de desesperao, estabelecemos tempestades magnticas no campo pessoal da nossa prpria apresentao agindo em prejuzo de ns mesmos. Quando vier a dor de cabea, seja ela acompanhada de outra qualquer dor, considerando-se a dor de cabea por dissabores quaisquer, peamos a Deus coragem para suport-la e, para isso, temos a orao que nos ajuda a restabelecer o prprio equilbrio. 65 MISSO PESSOAL P Qual a sua misso pessoal? R Devo dizer ao nosso caro entrevistador Silveira Lima que eu no posso atribuir a mim determinada tarefa, pois reconheo a minha insignificncia e, a bem dizer, o meu nada. Costumo dizer que devo ter o apelido de Chico, em meu nome individual para lembrar-me de que a minha posio realmente a posio de criatura que de si prpria nada vale, ou pouco vale. Compreendo a tarefa dos espritos, por meu intermdio, assim como se eu fosse um arbusto de qualidade muito inferior e o jardineiro ou floricultor interferisse trazendo, por exemplo, sobre mim num fenmeno de enxertia, uma rvore de natureza superior para que essa rvore produza frutos dos quais essa mesma rvore nobre seja mensageira. Eu estou ento, como o arbusto que no sabe, de si mesmo, o que vem a ser em si e por si.

  • Os livros que foram produzidos por nosso intermdio sero naturalmente frutos dessa rvore colocada sobre a minha vida sem que eu a merecesse. Assim no compreendo como que os bons Espeque me suportam, tanto quanto, fico perguntando, como que tanta gente boa, incluindo o nosso caro Silveira Lima, me possam tolerar com tanta bondade. P Chico Xavier qual a sua idade? R 61 anos. P A velhice o preocupa? R No, absolutamente. Cada idade tem a sua beleza. 66 AMOR VIDA P Ama a vida'? R Imensamente. Acho que a vida um de Deus e se ns descobrirmos, se procuramos descobrir a vontade de Deus, vamos ver que a Bondade de Deus est em toda a parte e no temos motivo nenhum, em tempo algum, de acalentar qualquer desnimo no corao porque Deus como que nos manda, a cada manh, o sorriso maravilhoso do Sol como a dizer que espera por ns, que nos tolera, que nos ama, que nos descerrar novos caminhos, que a vida boa e bela, que devemos agradecer cada dia mais, o dom de viver e o dom de amar aqueles e aquilo que ns amamos, sejam nossos pais, esposa, esposo, filhos, amigos, parentes, companheiros, tarefas e ideais. A vida est repleta da beleza de Deus e por isso no nos ser lcito entregar o corao ao desespero, porque a vida vem de Deus, tal qual o Sol maravilhoso nos ilumina. 67 A MORTE P Como encara a morte? R Naturalmente que somos humanos e a despedida de um ente amada, mormente quando esse ente amado vai adquirir nova forma, de um modo geral se tornando invisvel ao nosso olhar comum, a nossa dor imensa. Quando vemos partir, par exemplo, um filha para uma terra distante, quando sofremos prova da separao de ente querido, mesmo na Terra, sofremos

  • compreensivelmente, de vez que o amor vem de Deus e quando amamos, queremos perto de ns a criatura querida. Ainda sabendo que a morte vem de Deus, quando ns no a provocamos, no podemos, por enquanto, na Terra receber a morte com alegria porque ningum recebe um adeus com felicidade, mas podemos receber a separao com f em 0eus, entendendo que um dia nos reencontramos todos numa vida maior e essa esperana deve aquecer-nos o corao. Cabe-nos superar o sofrimento da morte fazendo por aquele, ou aquela, que partem, aquilo que eles estimariam continuar fazendo, nunca entregar-nos ao choro improdutivo, ao luto que nada produz, mas, sim, prosseguir na tarefa daqueles nossos entes amados que partiram, unindo a eles o nosso pensamento e carinho atravs do esprito de servio, reconhecendo que eles continuam vivendo e, naturalmente, nos agradecero a conformidade e o concurso amigo que lhes possamos oferecer para que a vida deles na Terra seja devidamente complementada. 68 INTEGRAO EM UBERABA P- Chico Xavier, teria coragem de mudar-se de Uberaba? R Para dizer a verdade, abrindo o corao, no teria a coragem de fazer isso. Quero muito bem a terra que me deu bero, a terra que me corporificou na atual reencarnao. Quero muito bem a Pedro Leopoldo, mas integrei-me de tal forma com o esprito da cidade de Uberaba, com a generosidade do povo uberabense, com a bondade e a ternura humana de nossa gente de Uberaba, que muitas vezes, quando familiares meus insistem no meu regresso ou quando amigos nossos me convidam para a residncia noutras terras, no me sinto bem ao pensar que eu poderia aceitar semelhante transformao. Em razo disso, peo licena para dizer aqui aos presentes: vocs so to bons, vocs so to generosos em Uberaba onde integramos todos numa s famlia de Cristo, sejamos catlicos, agnsticos evanglicos ou espritas que imaginar o meu afastamento de vocs quase impossvel. S se Deus me impusesse uma provao muito grande... Mas, a realidade que, de nenhum modo, desejo sair daqui. 69 COMO VIVE CHICO XAVIER P Meu caro Chico Xavier, como est seu estado de sade'? R Felizmente muito bem.

  • P Descreva como passa o dia. R Naturalmente s 7 horas da manh devo estar de p para trabalhar, seno a minha vida fica muito para trs, quanto ao cumprimento dos meus deveres. P Uma pessoa como voc, to respeitada, to querida, to expressiva, to humana, acredita ter inimigos? R No. Eu creio que existem pessoas que depois de me conhecerem as deficincias, fraquezas, dificulda