entrevista sergio haberfeld(1)antonio inacio ferraz

Download Entrevista sergio haberfeld(1)antonio inacio ferraz

Post on 14-Aug-2015

31 views

Category:

Education

1 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  1. 1. Entrevista 36 R E V I S T A D A E S P M MAIO/JUNHO DE 2007 mbora o curriculum vitae de Srgio Haberfeld, 64, registre que, hoje, est desligado de todas as atividades institucionais, aps a venda da sua empresa Dixie Toga, em 2005, ele continua sendo uma das pes- soas que mais entendem de embalagem, no Brasil. Sua famlia foi precursora dessa indstria em nosso pas, a partir de uma grca fundada por seu av, em 1935 que quase imediata- mente passou a imprimir as embalagens do tradicional fermento Fleis- chmann. E tornou-se a TOGA, a maior indstria brasileira, no setor. Srgio fez seus estudos na Sua e ocupou todos os cargos, na em- presa, desde estagirio at Presidente do Conselho de Administrao. Tambm exerceu cargos diretivos na Cmara Americana de Comrcio de So Paulo, no Conselho de Desenvolvimento Econmico e Social, na Federao das Indstrias do Estado de So Paulo e na Confederao Nacional das Indstrias. Leia a entrevista e conhea uma boa parte da histria da embalagem no Brasil, atravs de algum que ajudou a escrev-la. Entrevistadores: Francisco Gracioso e Fabio Mestriner h E c s Es E E mm cc eses susu soas quesoas que SuSu uma grcuma grc mente passmente pass E bora o cu t deslig a empre as que m ua famlia ma grc ente pas EE mbora om cc sts ua empru oas queoas que uu ma grcma grc mente passmente pass h Eh E uu E ENTREVISTA COM SRGIO HABERFELD entrevista1.indd 36entrevista1.indd 36 6/7/2007 15:12:506/7/2007 15:12:50
  2. 2. Srgio Haberfeld 37 MAIO/JUNHO DE 2007 R E V I S T A D A E S P M entrevista1.indd 37entrevista1.indd 37 6/7/2007 15:13:066/7/2007 15:13:06
  3. 3. Entrevista 38 R E V I S T A D A E S P M MAIO/JUNHO DE 2007 GRACIOSO A empresa de sua famlia, a Toga (Dixie Toga) foi pioneira no setor de embalagens no Brasil. Vocs acompanharam a introduo de materiais, o desen- volvimento de embalagens cada vez mais modernas. Conte sobre esse tempo; por que vocs apos- taram nesse negcio? SRGIO HABERFELD Meu av veio para o Brasil, a mando de uma grfica alem, para atuar na rea de tipos para impresso. Mas ele era judeu e por conta da guerra foi demitido, em 1934. No ano seguinte, percebendo que havia uma oportunidade aqui, para pa- pis de embrulho, tipo fantasia, resolveu montar uma grfica. Na poca havia poucas embalagens especficas para os produtos. Mui- tos produtos alimentcios eram, simplesmente, embrulhados. Ele comeou fazendo embalagens com matria-prima importada papel parafinado. O primeiro produto foi o fermento Fleis- chmann. Meu av imprimia, em litografia, no papel importado e entregava ao cliente as folhas, e o fermento era embrulhado a mo. Esse foi o incio. Durante a guerra o meu av teve a chance por ser negociante e conhecer seu negcio de conse- guir alumnio. Comeou a fabricar, ento, as primeiras embalagens de alumnio, como a de Alka- Seltzer. A partir da entraram em rotogravura. Em 1947, meu pai foi para os Estados Unidos para fechar a compra da primeira mquina de impresso de rotogravura para embalagem, do Brasil, que fez, aqui, as primeiras impresses em alumnio e celofane, uma coisa fantstica para a poca. A mesma mquina que imprimia alumnio para Alka-Seltzer fazia o celofane para o Sonho de Valsa. A grande evoluo foi nos anos 50. Eram feitas as embalagens para o sabonete Gessy; os clientes de cigarro tambm eram muitos Hollywood, Luiz XV, outras mar- cas que nem existem mais. O fil- tro, na ponta do cigarro, precisava ser impresso com tinta especial para no envenenar os usurios... era feito com papel importado da Finlndia. Tambm se comearam a fazer saquinhos at ento um proble- ma. Trouxeram a primeira mquina extrusora de polietileno. A primei- ra mquina desse tipo no mundo era da Alsa 100 Alumnio, em 1954. Meu av trouxe uma para o Brasil, em 1956, usada, e iniciou a produo de saquinhos para os produtos Maggi, da Nestl. GRACIOSO Lembro que foi nessa poca a expanso dos super- mercados, criando a necessidade de embalagens modernas, com apelo visual... SRGIO HABERFELD O grande problema era a dificuldade de matria-prima. Eu mesmo ainda vivi isso, mesmo tendo comeado a trabalhar em 1965. Naquela poca, era tudo em folha, no se fazia quase nada em bobina a no ser para cigarro. Aqui se produzia celofane, mas a qualidade era pssima. MUITOS PRODUTOS ALIMENTCIOS ERAM, SIMPLESMENTE, EMBRULHADOS. MUITOS PRODUTOS ALIMENTCIOS ERAM, SIMPLESMENTE, EMBRULHADOS. entrevista1.indd 38entrevista1.indd 38 6/7/2007 15:13:166/7/2007 15:13:16
  4. 4. Srgio Haberfeld 39 MAIO/JUNHO DE 2007 R E V I S T A D A E S P M Outro problema era o alumnio. Os primeiros fabricantes foram a Alcan e depois a CBA. Mas o problema que tinham muitos buracos isso permitia a entrada de oxignio, no dava a proteo necessria para os produtos. Foi ento que se desenvolveu o polietileno. Mas era dificlimo manter a espessura. Precisava-se dessa espessura, porque quando a mandbula da mquina do cliente aquecia a embalagem, para fechar, no fechava. Ou tinha polietileno demais e der- retia tudo, ou tinha pouco e no fechava. Eram grandes pro- blemas, alm da dificuldade de importao. No Brasil, importar era quase impossvel. Lembro- me dos problemas com a Nestl, quanto ao cheiro nos saquinhos de Maggi. O saquinho era en- tregue pronto, mas no havia mquina, no cliente, para fazer isso e ns tnhamos centenas de mquinas que ocupavam muito espao. Quando o polietileno no estava na temperatura certa o produto ficava com cheiro e gosto de po- lietileno. O preo da embalagem era alto, a soluo complicads- sima e havia muitas devolues. Tivemos de montar uma fbrica de tintas e vernizes, um laboratrio de desenvolvimento de tintas que chegou a ter 80 pessoas. Tnha- mos de reinventar a roda, no adiantava comprar tecnologia de fora, pois a matria-prima aqui era diferente. Ento reinventvamos, com a matria-prima brasileira. Embora no tivssemos concor- rncia e pudssemos cobrar com boas margens, a perda era muito grande. Para termos equipamentos modernos, acabamos tendo de montar uma fbrica. Chegamos a O FILTRO DO CIGARRO PRECISAVA SER IMPRESSO COM TINTA ESPECIAL PARA NO ENVENENAR OS USURIOS... O FILTRO DO CIGARRO PRECISAVA SER IMPRESSO COM TINTA ESPECIAL PARA NO ENVENENAR OS USURIOS... entrevista1.indd 39entrevista1.indd 39 6/7/2007 15:13:266/7/2007 15:13:26
  5. 5. Entrevista 40 R E V I S T A D A E S P M MAIO/JUNHO DE 2007 fazer mquina a partir da planta de uma mquina sua para fazer uma mquina de rotogravura. Desen- volvemos, por exemplo, o PVDC, que o saram. Em 1961, a Lever chamou meu pai e disse: S temos fornecedores de caixa em off-set e precisamos em rotogravura, porque temos de criar uma proteo para Omo no empedrar. No existia uma tecnologia para fazer um p que no absorvesse a umidade da caixa e no empedrasse depois de algum tempo. Criou-se, ento, o cartucho, tudo em rotogravura, em rolo. Ns im- primamos o papel, aplicvamos PVDC uma camada plstica em cima, colvamos no carto, faza- mos o corte vinco e saa a caixinha na outra ponta, para que a Lever colocasse o p e no empedrasse. Tudo isso era desenvolvido aqui. S tinha um problema: quando corria o lqido muito rpido for- mavam-se bolhas, que estouravam na fase de aplicao. Descobrir isso levou um sculo! preciso lembrar que as multi- nacionais queriam fazer aqui as mesmas embalagens que faziam l fora, mas sem as mesmas con- dies. De certo modo, foi nossa sorte, porque nos forou a desen- volver, pois ramos os nicos com profissionais de capacidade e competncia para isso. Foi quan- do, realmente, crescemos, tecni- camente, no setor de embalagem. OU TINHA POLIETILENO DEMAIS E DERRETIA TUDO, OU TINHA POUCO E NO FECHAVA. OU TINHA POLIETILENO DEMAIS E DERRETIA TUDO, OU TINHA POUCO E NO FECHAVA. Quando houve, ento, a fuso da Lever com a Gessy, 1963/1964, passamos a fornecer embalagens para os sabonetes. Chegamos a ter 90% de produo da Lever de cartucho. Fomos tambm os pri- meiros a resolver o problema de rtulos de cerveja para que no encanoassem, pois com isso no entravam na mquina de rotular e enroscavam. muito estranho que essas mudanas aconteceram - como tudo no Brasil sem planejamento. Para se ter uma idia, quando se criou a embalagem de polister metalizado para caf, ela no podia ser usada. Tudo ainda era feito em saco de papel, porque o IBC estabelecia um prazo de validade, de 10 dias, para a embalagem. No adiantava uma embalagem nova, porque no se mudava o prazo... Fomos os primeiros a ter uma mquina de metalizao. Meu pai achou que o custo do papel colado com alumnio para cigarro era alto demais o alumnio, como toda commodity, sobe e desce de preo. Numa dessas subidas, ele decidiu que tnhamos de achar um substituto. Descobriu uma firma na Espanha pioneira na metalizao em papel, pois esse processo comeou para friso de automveis, nada tinha a ver com embalagem. Eles metalizavam o papel para cigarro. Compramos a mquina, mas havia um problema simples que nin- gum percebeu: o papel precisava estar seco para que a metalizao grudasse. Se usssemos o papel de fibra curta, brasileiro, ele ras- entrevista1.indd 40entrevista1.indd 40 6/7/2007 15:13:376/7/2007 15:13:37
  6. 6. Srgio Haberfeld 41 MAIO/JUNHO DE 2007 R E V I S T A D A E S P M gava. No dava para fazer, a no ser com papel importado. No podamos importar, porque o custo era proibitivo. Eu estava no setor de vendas, e ouvi do meu pai: Pensem em alguma coisa, pois temos de vender. Lembrei, ento, de duas coisas que passaram a ter metalizao no exterior: rvore de Natal e balezinhos do tipo I love NY. Pensei: timo, vou vender balo para os Estados Unidos. Sem termos o que fazer com a m- quina, comeamos a metalizar e a vender balo para um mgico que fazia cruzeiros. Preciso dizer que eu fui responsvel pelo laboratrio na poca, mas tinha o gerente e o dr. Niven, que era o alemo, subor- dinados a mim, apesar de que eu no entendia nada. Eles eram os formados, os ps-graduados em qumica, enquanto eu era simples- mente o filho do dono, colocado ali para aprender. Ento, diante daquela situao, o gerente sugeriu: Isso, para caf, capaz de f

Recommended

View more >