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  • BIMESTRAL | FEVEREIRO 2015 centuriao.castrense@gmail.com | Diretor: ANTNIO BORGES | Ano XXXI | n. 1

    Bispo tomou posse h um ano p. 08

    Mensagem para a Quaresma p. 08

    Notcias do Ordinariato Castrense p. 02-07

    DESTAQUES

    Carto de visitaCapelania-Mor

    As instituies, como as pessoas, mudam cons-tantemente. E os instrumentos que as servem, evi-dentemente, tambm tm de mudar: um jovem ou um adulto no podem calar os sapatinhos que a me lhes colocou nos ps quando os levaram ao Baptismo.

    Se tudo muda, tambm est na hora de pro-ceder a transformaes neste Centurio. O facto de estar suspenso h mais de um ano no quer dizer que se possa prescindir do seu con-tributo: apenas que h prioridades e os assun-tos no se podem tratar todos ao mesmo tem-po. A sua existncia no est nem nunca esteve em causa: precisamos dele. Sabemos bem que, na cultura contempornea, aquilo de que no se fala, no existe. Por isso, lanamo-nos em duas frentes: para alm deste boletim, brevemente, vamos tambm restaurar a nossa pgina Web. Mas precisamos dele transformado: mais le-gvel, mais ilustrado, em papel mais pobre, sem especiais contributos tcnicos de designers, com outras possibilidades de paginao.

    Embora sem especficas barreiras a delimit--las, as funes que lhe atribumos so as mesmas de sempre: documentar, informar e formar. Cada nmero possuir a sua especfica fisionomia. Mas em todos aparecer algo referente a estes trs sec-tores: nas suas pginas, com uma seco alargada de notcias, arquivaremos o que de mais notrio se vai realizando; daremos nota do programado pelo Ordinariato Castrense e pelas capelanias do Servio de Assistncia Religiosa s Foras Arma-das e Foras de Segurana; e inserir-se-o textos de formao humana e religiosa. claro que o seu vnculo Capelania-Mor constitui o nico crit-rio da sua existncia: ser um agente de pastoral ou de evangelizao.

    Como veculo de comunho entre todos os que se revem no Servio de Assistncia Religiosa ca-tlica s Foras Armadas e s Foras de Seguran-a, far-se- um grande esforo por inserir colabo-rao das vrias capelanias e Unidades. Conta-se, por isso, com a colaborao local, mormente por intermdio de envio de notcias, fotografias do-cumentais, planos de actividades, programaes, etc. Pretendemos no o fulanizar. Mas isto s se consegue com a recepo de contributos dos v-rios sectores.

    Quanto periodicidade, faremos o que puder-mos. Ento, dessa parte, boa leitura. E ajudem-nos com as vossas sugestes. Da parte de c, que te-nhamos fora anmica para o transformar no melhor jornal do reino.

    Editorial

    Razo de ser das comemoraes

    No incio destas comemoraes, o Bispo das Foras Armadas e das Foras de Segurana saudou os pre-

    Na comemorao do centenrio do incio da I Grande Guerra

    Garantir aos militares e aos agentes de segurana que a Igreja no os abandonarPara fazer comemorao do Cente-nrio da I Guerra Mundial, o Ordi-nariato Castrense de Portugal orga-nizou, no passado dia 30 de Outu-bro, um momento cultural, de refle-xo e de orao. O evento decorreu na Igreja da Fora Area (Igreja de Nossa Senhora do Rosrio, em S. Domingos de Benfica) e no Instituto dos Pupilos do Exrcito.

    Constou, fundamentalmente, de trs momentos: uma Conferncia, se-guida de debate, sobre o tema Assis-tncia Religiosa em Portugal na Gran-de Guerra proferida pelo Comandan-te Costa Canas (Marinha), posterior-mente repetida na Academia Militar, a 3 de Dezembro, no Colquio Interna-cional A Grande Guerra, um sculo depois; abertura de uma exposio, porto de honra e momento musical, nos Claustros e Museu da 1 Seco do Instituto dos Pupilos do Exrcito; uma Missa pelos militares cados em combate na I Guerra Mundial.

    Participaram ou fizeram-se re-presentar as mais altas entidades dos Ministrios da Defesa Nacional e da Administrao Interna, das Foras Armadas e das Foras de Segurana e largas dezenas de convidados.

    Uma exposio valiosa

    A exposio dizia respeito as-sistncia religiosa prestada ao Corpo Expedicionrio Portugus, em Fran-a, no obstante a oposio da Car-bonria e do republicanismo anti-re-ligioso da altura. Centrou-se, funda-mentalmente, no esplio de D. Jos do Patrocnio Dias, o grande capelo militar da altura e futuro Bispo de Be-ja, que foi cedido por instituies da Diocese de Beja. Para alm de objec-tos pessoais, foram expostos materiais litrgicos, condecoraes, memrias da guerra e a sangrenta, a bandei-ra na qual se costumavam depositar os cados em combate antes de se-rem sepultados. Os mostrurios para a exposio foram cedidos pelo mu-

    seu militar. Esta exposio decorreu de 30 de Outubro a 11 de Novembro, dia de S. Martinho, tambm ele mi-litar. A agncia Ecclesia realizou um vdeo sobre esta temtica e vrias pes-soas sugeriram que a exposio pas-sasse por outras zonas de Portugal. Continua na p. 06

  • P.2 O Centurio | Fevereiro de 2015

    #Aconteceu

    Ordinariato recorda Aristides de Sousa Mendes

    Com a presena de mem-bros da Fundao e familia-res, foi celebrada, na igreja da Memria, uma Missa de aco de graas pela vida e obra e pelo eterno descanso de Aristides de Sousa Men-des (1885-1954). Este Cn-sul de Portugal em Bordus, ao desobedecer a ordens de Salazar relativamente con-cesso de vistos a milhares

    de refugiados, muitos dos quais judeus, o exemplo de que h momentos em que no possvel abafar a voz da conscincia. Porque ele sabia que, sem os vistos diplomticos, esses refugia-dos seriam exterminados nos campos de concentra-o nazis, optou por seguir a conscincia, em detri-mento das ordens expres-sas dos seus superiores hie-rrquicos, e salvou inme-ras vidas.

    D. Manuel Linda, que presidiu Eucaristia, sa-lientou-se a dignidade da objeco de conscincia quando ela absolutamen-te indispensvel. E ressaltou a obrigatoriedade da forma-o da conscincia pela f e pela prtica sacramental, como foi o caso de Aristi-des de Sousa Mendes.

    Breve

    CAR-GNR

    Realizou-se na Baslica dos Mr-tires, Lisboa, no dia 19 de de-zembro de 2014, pelas 11H00, a celebrao da Missa de Natal do Comando Geral da Guarda Nacional Republicana. Presidi-da pelo Bispo das Foras Arma-das e de Segurana e concelebra-da pelo Capelo Chefe da Guar-da foi participada pelo Secret-rio de Estado da Administrao Interna, pelo General Coman-dante Geral da Guarda e restan-tes oficiais generais, por mui-tos comandantes de unidades, diretores e chefes, por oficiais, sargentos, guardas e funcion-rios civis da Guarda Nacional Republicana.

    O Guarda Marco Simes (USHE), do ltimo Curso de Formao de Guardas, antes do incio da celebrao, interpre-tou a pea musical Ave Verum Corpus, de Mozart, e um grupo de cantares alentejanos, consti-tudo por militares dos Coman-dos Territoriais de vora, Be-ja e Portalegre, coordenado pe-lo CTer de vora, aps a bno final, interpretou cnticos alen-tejanos ao Menino e a Sua Me,

    Encenao da narrao do nascimento de Jesus

    Comando Geral da GNR

    Celebrao de Natal

    homenageando tambm o can-te declarado recentemente Patri-mnio Imaterial da Humanida-de. Os restantes cnticos da cele-brao estiveram a cargo do Co-ro da Guarda (USHE), apoiado por um grupo instrumental da Banda Marcial e Fanfarra, diri-gido pelo Sargento-Chefe Fran-cisco Pinto.

    O Evangelho, narrao do

    nascimento de Jesus, foi ence-nado por crianas e adolescen-tes filhos de militares da Guarda.

    No final da celebrao, a Nossa Senhora da encenao da narrao evanglica, Catarina Pedrinho, distribuiu imagens do Deus-Menino aos participantes na celebrao, enquanto o Presi-dente da Assembleia Litrgica a todos cumprimentava e transmi-

    tia pessoalmente votos de boas festas. Entretanto o Coro inter-pretava o cntico final: Oh Luz de Deus, oh doce luz que brilhas nas alturas, vem com o teu brilho e o teu fulgor trazer ao mundo o teu calor.

    Foi uma celebrao muito vi-vida que ajudou a interiorizar a gnese, razes, fundamentos e valores do Natal.

    Celebrao do Dia do Combatente/2014CAPELANIA-MOR

    No passado dia 5 de Abril, reali-zaram-se, no Mosteiro da Bata-lha, as comemoraes do Dia do Combatente. Para alm da tradi-cional cerimnia militar que en-volveu os trs ramos das Foras Armadas e muitas centenas de combatentes, o Bispo das Foras Armadas e das Foras de Segu-rana, j nomeado pela Santa S, mas que ainda no tinha entrado ao servio, celebrou uma missa de sufrgio pelos combatentes falecidos.

    Na homilia, D. Manuel Lin-da comeou por afirmar: Ru-

    mas este de consequncias bem trgicas: o 96 aniversrio da ba-talha de La Lys, carnificina escu-sada, efeito lgico daquela men-talidade que antepe os ranco-res, dios e interesses prprios boa harmonia, solidariedade e paz. Rumamos tambm, pe-la 78 vez, ao tmulo do solda-do desconhecido, em gesto de re-conhecimento e gratido a todos aqueles que, consciente ou impli-citamente, deram tudo o que ti-nham em prol dos outros: a pr-pria vida. Para alm das con-venientes cerimnias militares, sempre avivadoras da memria colectiva, fazemo-lo tambm com

    a celebrao desta Eucaristia. Pa-ra os crentes, ela constitui no s sufrgio para quem j partiu ao encontro da ptria grande da eternidade, mas, para ns os vi-vos, interpelao ou repto a que nos configuremos com Aquele que celebramos.

    Quer a Alta Entidade que presidiu s cerimnias, o Che-fe do Estado-Maior General das Foras Armadas, General Pina Monteiro, quer o Presidente da Liga dos Combatentes, General Chito Rodrigues, proferiram as-sinalveis alocues que referi-ram prestigiosamente a Assis-tncia Religiosa.

    mamos a este Mosteiro da Bata-lha, mandado erigir em aco de graas pela conquista da liberda-de de nos orientarmos enquanto povo e nao, para comemorar um outro acontecimento blico,

  • Fevereiro de 2015 | O Centurio P.3

    #Aconteceu

    Fiis defuntos, nos Jernimos

    Os militares e a f na imortalidade da alma

    No seguimento de uma tra-dio que se perde no tem-po, a 5 de Novembro, na igreja de Santa Maria de Belm, celebrou-se a Missa pelos fiis defuntos do Or-dinariato Militar. Estiveram presentes as mais altas enti-dades das Foras Armadas

    e das Foras de Segurana e dos Ministrios da tutela. Presidiu o Ordinrio Cas-trense e concelebraram os capeles da regio pastoral de Lisboa. O canto foi asse-gurado pelo Coro da Esco-la Naval.

    Comentando as leitu-ras bblicas, o bispo ps em destaque o contributo dos militares para a afirmao da doutrina da sobrevivn-cia da alma: em contexto de luta contra os selucidas, que pretendiam impor uma cultura e uma religio anta-gnicas das judaicas, o ge-neral Judas Macabeu orde-nou se fizesse um sacrifcio de expiao no templo de Jerusalm por aqueles que tinham cado em combate. E sintetizou: A f que hoje possumos deve aos milita-res a afirmao explcita da imortalidade da alma, a no-o de retribuio pelo bem e pelo mal operados durante a vida e a certeza da comu-nho dos santos, isto , a de que os vivos podem e devem interceder junto de Deus pe-la felicidade eterna daque-les que j partiram para a grande morada.

    CAPELANIA-MOR

    Como verdadeira Diocese pes-soal, tradio do Ordinariato Castrense celebrar a Missa Cris-mal e a renovao das promessas sacerdotais com todos os padres--capeles que a prestam servio. O dia litrgico desta celebrao a Quinta-feira Santa, dia em que o Senhor Jesus instituiu a Euca-ristia e ordenou aos Apstolos que, a partir da, repetissem esse gesto sacramental em Sua me-mria. Em 2014 tambm assim se fez. Para permitir que os sa-cerdotes possam participar em idnticas celebraes nas suas Dioceses de origem, a Missa Crismal do Ordinariato celebra--se na Quarta-feira Santa.

    Esta celebrao teve a parti-cularidade de ter sido presidi-da pela primeira vez pelo novo

    Bispo das Foras Armadas e das Foras de Segurana, que assim comeou por se dirigir aos seus padres: Seja qual for o dia em que se celebre, a Missa Crismal constitui, para todas as Igrejas/Dioceses do mundo, um moti-vo de especialssima alegria por-que os Presbteros se renem com o seu Bispo para fortalecerem a conscincia da sua configurao

    BreveNa Senhora da Sade

    Necessidade de redeno da tirania do mal

    o. Salvao que, pela negativa, no coincide com aquilo que as massas e a mentalidade domi-nante julgam: o poder, o ter, o do-minar, o gozar, etc. Mas que , pe-la positiva, a verdade de se sentir salvo no Amor e pelo Amor, de se experimentar valioso aos olhos de Deus e possuidor de um destino final bom, no obstante o pecado e todo o mal no mundo. Alis, a palavra salvao, proveniente de um timo indo-europeu don-de vieram os radicais latinos sa-nare e salvare (curar e salvar) faz referncia a um mundo concep-tual que tem a ver com sade, so, sadio, saudvel, mas tambm com inteireza, integridade, forta-leza, harmonia. Referida pes-soa, ser de divises, de pecado e de morte, indica uma dinmica e uma preocupao: a necessida-de de completar um ser inacaba-do. Consiste na redeno de tudo o que eticamente negativo, de-gradante e mau, daquilo que no ajuda ou at impede o homem de atingir o mximo das suas possi-bilidades materiais e espirituais; na libertao da tirania do mal e certeza (virtude da esperana) da vitria definitiva do bem; na re-deno da prepotncia da morte, como o maior sem-sentido, por-que somos chamados plenitude da eternidade gozosa com Deus.

    Missa Crismal do Ordinariato

    ntima a Jesus Cristo, renovarem a sua unio e identificao com o Bom Pastor, benzer ou consagrar os leos com os quais se santifi-ca o Povo de Deus e para revigo-rar os laos familiares que a todos nos funda como verdadeira fam-lia. Para mim, em incio de mi-nistrio neste Ordinariato Militar para Portugal, essa alegria re-dobrada, no s por ser a primei-ra vez que me encontro convosco a este nvel, mas tambm porque recebo a vossa visita com os mes-mos sentimentos com que um pai abre a porta e os braos aos seus filhos: Entrai. Sede bem-vindos. A casa vossa.

    De seguida, pediu-lhes qua-tro atitudes: fraternidade sacer-dotal, disponibilidade total, for-mao contnua e simpatia tra-duzida em afabilidade, simpli-cidade, alegria, amabilidade,

    acolhimento, maneira de ser po-lida e delicada.

    A Eucaristia foi celebrada na Catedral Castrense, a igreja da Memria, e participada por mui-tos militares e civis que, assim, quiseram dar testemunho de apreo pela misso dos seus ca-peles. Seguiu-se um almoo de confraternizao no restaurante da Base Area de Monsanto.

    Nossa Senhora da Sade com Guarda de Honra de Cadetes da Academia Militar

    CAPELANIA-MOR

    No seguimento de uma tradio com mais de quatrocentos anos, a 11 de Maio, o povo cristo de Lisboa, de forma multitudinria, dirigiu o seu pensamento para a Me de Jesus, a quem desig-na com o significativo ttulo de Nossa Senhora da Sade. As ori-gens desta devoo remontam epidemia de peste que alastrou na cidade em 1506. Os artilhei-ros da guarnio de Lisboa cha-maram-se a So Sebastio, tam-bm ele um soldado romano, e a Nossa Senhora da Sade. E, a partir da, os militares promove-ram ininterruptamente esta ce-lebrao de aco de graas e de pedido dos favores divinos. Lis-boa deve, portanto, aos milita-res, a criao e a continuidade da maior manifestao histri-co-religioso-cultural do gnero na cidade.

    D. Manuel Linda presidiu Missa e procisso. Na presen-a das altas patentes militares, na homilia, referiu: A noo de salvao coloca-se bem ao centro da perspectiva crist, tal como se professa no...

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