Economia Solidária e Formação Humana

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Experincias de trabalho e educao em agroindustrias familiares associativas no Oeste Catarinense.Tese de Odiolon Luiz Poli.

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  • iUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

    FACULDADE DE EDUCAO

    TESE DE DOUTORADO

    ODILON LUIZ POLI

    ECONOMIA SOLIDRIA E FORMAO HUMANA: experincias de trabalho e educao em agroindstrias familiares associativas no Oeste

    catarinense

    CAMPINAS-SP, 2006.

  • iii

    UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

    FACULDADE DE EDUCAO

    TESE DE DOUTORADO

    ECONOMIA SOLIDRIA E EDUCAO: experincias de trabalho e educao emagroindstrias familiares associativas no Oeste catarinense

    Odilon Luiz Poli

    Dra. Mrcia de Paula Leite

    Este exemplar corresponde redao final da tesedefendida pro Odilon Luiz Poli e aprovada pelaComisso Julgadora.

    Data:_____/_____/_______

    Assinatura:

    ___________________________________

    Comisso Julgadora:

    ___________________________________

    ___________________________________

    ___________________________________

    ___________________________________

    ___________________________________

    ___________________________________

    2006

  • vRESUMO

    A presente tese investiga como os agricultores familiares envolvidos na criao de agroindstriasfamiliares associativas no Oeste catarinense, uma resposta poltica crise enfrentada pelaagricultura familiar desde a segunda metade dos anos 70, vm reelaborando sua experincia devida e de trabalho a partir da implantao desses novos empreendimentos. Ela procura observarem que medida os ideais polticos que estiveram presentes na origem desses empreendimentospermanecem no imaginrio desses trabalhadores e no seu cotidiano de trabalho. O problema que orientou o percurso de investigao pode ser assim proposto: como oscamponeses envolvidos na criao e operao de agroindstrias familiares associativas ligadas Unio Central da Agroindstrias Familiares do Oeste catarinense (UCAF), esto reelaborandosuas experincias de vida e de trabalho a partir da implantao dessas unidades de produo?A hiptese com que trabalhamos a de que a forte motivao poltica presente na origem dessesempreendimentos foi um dos fatores que influenciou decisivamente a trajetria de organizao econduo dos trabalhos no cotidiano das agroindstrias, bem como na forma de interpretar seusignificado. Porm as decises dos trabalhadores envolvidos na organizao e funcionamento dosempreendimentos e o modo como esses empreendimentos so percebidos por esses trabalhadores,so influenciadas tambm por outros fatores de ordem objetiva (situao econmica,necessidades materiais, presena e atuao dos mediadores, etc) e de ordem subjetiva(representaes sobre o futuro, objetivos e interesses pessoais, ideais polticos, expectativas deinsero social, elaboraes pessoais sobre a insero no trabalho, etc). O trabalho de pesquisa foi organizado em trs momentos principais. Num primeiro momento,desenvolveu-se um estudo exploratrio voltado caracterizao das experincias existentes naregio Oeste catarinense que, atualmente, podem ser agrupadas em torno do conceito deeconomia solidria. Num segundo momento, realizou-se uma caracterizao geral dasagroindstrias familiares associativas vinculadas Unio Central das Agroindstrias Familiaresdo Oeste Catarinense UCAF, que atuam no processamento de carne suna, com o intuito dereunir um conjunto de informaes sobre os empreendimentos dessa cadeia produtiva, analisandosuas caractersticas comuns e seu impacto econmico e social para os envolvidos. O terceiromomento voltou-se ao estudo em profundidade de dois empreendimentos da cadeia produtiva dacarne suna, caracterizada no momento dois, definidos por escolha intencional.Os resultados obtidos confirmam a hiptese de trabalho e elucidam o modo como as novasexperincias de vida e de trabalho vm sendo elaboradas pelos envolvidos em cadaempreendimento, num processo histrico especfico em que interagem condies objetivas esubjetivas, alm do patrimnio cultural dessa populao.

    Palavras chave: Trabalho e Formao Humana, Economia Solidria, AgroindstriasFamiliares.

  • vii

    ABSTRACT

    This thesis investigates how the familiar farmers, are busy with the creation of the associatefamiliar agro industries associative in the West of Santa Catarina; a politic answer to face thecrisis by the familiar agriculture since the second half of 70s; is re-elaborating its life and workexperiences from implanting these new enterprises. The thesis tries to observe how the politicsideals, were presented in the origin of these enterprises, remaining in the workers imaginary andin their daily work.The problem that oriented the investigation course can be proposed like this: How the farmers areinvolved in the creation and operation of the associative familiar agro industries linked to UCAF(Unio Central das Agroindstrias Familiares do Oeste Catarinense) are they re-elaborating theirlife and work experiences from implanting these production units?The hipotese in this work is that the strong politic motivation present in the origin of theseenterprises was one of the factors that has influenced strongly in the organization trajectory andwork conduction in the daily agro industries, as well as the way to interpret its meaning.However, the decisions of the workers involved in the organization of the enterprises and the waythat these enterprises are perceived by these workers, are also influenced by other factors in anobjective order (economic situation, materials needs, presence and the mediators performanceetc.) and by the subjective order factors (representations about the future, objective and personalinterests, politics ideals, social insertion expectancy, personal elaborations about the workinsertion, etc.)The research work was organized in three main moments. In the first moment, it was developedan exploratory study directed to the experiences characterizations existing in the West of SantaCatarina that, nowadays, they can be joined to the concept of supportive economy. In the secondmoment, it came true a general characterization of the associative familiar agro industries linkedto UCAF (Unio Central das Agroindstrias Familiares do Oeste Catarinense), that act in thepork meat process, with the intention to join an amount of information about the enterprises ofthis production chain, analyzing its common characteristics and its economic and social impact tothe people involved. The third moment came directed to the deep study of two pork meatproduction chain enterprises, characterized in the second moment, defined by the intentionalchoose.The results obtained confirm the work hipotese and elucidate the way how the new life and workexperiences are being elaborated by the people involved in each enterprise, in an specifichistorical process, in what they interact objective and subjective conditions, beyond the culturalpatrimony of this population.

    Key words: Work and Human Formation, Supportive Economy, Familiar Agribusiness.

  • ix

    AGRADECIMENTOS

    Ao concluir essa tese, relembro com carinho das pessoas que, no longo percurso de sua

    elaborao, marcaram presena junto de mim, de muitas maneiras, e foram importantes para

    viabilizar essa conquista.

    De modo muito especial eu agradeo:

    prof Mrcia de Paula Leite, minha orientadora, que com sua maneira serena e segura,

    me estimulou sempre a seguir em frente.

    prof Liliana Segnini, pelas ricas trocas que possibilitou, nos momentos em que tive o

    privilgio de interagir durante o curso.

    Ao Prof. Gaudncio Frigotto pelas valiosas dicas, no princpio do trabalho, as quais

    trouxeram luzes importantes para o delineamento da pesquisa.Tambm pelo estmulo que sua

    amizade e desprendimento sempre me proporcionaram.

    s funcionrias da secretaria da ps-graduao, particularmente Nadir e Gi que, desde

    os tempos do mestrado, sempre chamaram ateno pela sua dedicao incondicional ao nosso

    atendimento.

    Unochapec por ter viabilizado as condies institucional para que esse doutorado

    fosse possvel.

    Aos colegas do Centro de Cincias da Educao, pelo estmulo que sempre me deram

    para continuar, mesmo nos momentos em que as condies objetivas conspiravam contra e

    pareciam inviabilizar o trabalho.

    Aos colegas de trabalho da reitoria da Unochapec, pela compreenso e apoio.

    Particularmente Rose e Maria Luiza que no mediram esforos (e sacrifcios) para permitir que

    eu me dedicasse concluso desta tese. Do mesmo modo Cssia e Daiane que suportaram os

    piores momentos, em que o cansao e a preocupao, tornavam o dia-a-dia muito mais difcil.

    Aos meus familiares, todos, pela incondicional compreenso minha inevitvel

    ausncia, nos longos dias que a elaborao deste trabalho consumiu.

    De um modo muito especial, aos integrantes das agroindstrias familiares associativas

    ligadas UCAF e a todos os tcnicos, dirigentes e funcionrios da APACO, pela sua pronta

    colaborao com o trabalho de pesquisa.

    A todos o meu reconhecimento e minha eterna gratido.

  • xi

    RELAO DE SIGLAS E ABREVIATURAS

    ACARESC: Associao de Crdito e Assistncia Tcnica de Santa CatarinaACARPESC: Associao de Crdito e Assistncia Pesqueira de Santa Catarina. ACI: Aliana Cooperativa InternacionalADS-CUT: Agncia de Desenvolvimento Solidrio da Central nica dos TrabalhadoresAECOS: Associao Estadual de Condomnios SuincolasAPACO: Associao dos Pequenos Agricultores do Oeste CatarinenseASCOP: Associao das Cooperativas de Produtores de Leite do Oeste Catarinense. BNDS: Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social.CAE IP: Centro de Agricultura Ecolgica de Ip (RS), atualmente denominado deCAPA: Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor.CCRA: Cooperativa Central da Reforma AgrriaCEMA: Central Municipal de Apoio CEPAGRI: Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores RuraisCEPAGRO: Centro de Estudos e Promoo da Agricultura de GrupoCETAP: Centro de Apoio s Tecnologias Alternativas Populares.CE: (Centro Ecolgico). CIDASC: Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrcola de Santa CatarinaCNBB: Conferncia Nacional dos Bispos do BrasilCNPq: Conselho Nacional de Pesquisa.CONCRAB: Confederao das Cooperativas de Reforma Agrria do BrasilCORLAC: Companhia Riograndense de Leite e correlatosCPA: Cooperativa de Produo AgropecuriaCPS: Cooperativa de Prestao de ServiosCPT: Comisso Pastoral da TerraCREDI-CHAPEC: Cooperativa de Crdito Mtuo dos Servidores Pblicos Municipais deChapec.ECOSOL: Sistema Nacional de Cooperativas de Economia SolidriaCRESOL: Sistema de Cooperativas de crdito Rural com Interao Solidria. CUT: Central nica dos TrabalhadoresDER-FUNDEP: Departamento de Estudos Rurais da Fundao de Desenvolvimento de Educaoe Pesquisa da Regio Celeiro. DESER: Departamento de Estudos Scio-Econmicos Rurais.ECOSOL: Sistema Nacional de Cooperativas de economia e crdito SolidrioEMBRAPA: Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaENMC: Ensaio Nacional de Milho Crioulo.

  • xii

    EPAGRI: Empresa de Pesquisa Agropecuria e Extenso Rural de Santa CatarinaERMC: Ensaio Regional de Milho CriouloFETRAF-SUL-CUT: Federao dos Trabalhadores na Agricultura Familiar Regio Sul daCentral nica dos TrabalhadoresFMPA: Fundo de Mini-Projetos AlternativosFUNCITEC: Fundao de Cincia e Tecnologia de Santa Catarina.GCA: Grupo de Cooperao agrcola.GESPAR: Metodologia de Gesto ParticipativaIASC: Instituto de Apicultura de Santa CatarinaITCP: Incubadora de Cooperativas PopularesMAB: Movimento dos Atingidos pelas BarragensMCA: Movimento de Cooperao AgrcolaMCT: Ministrio de Cincia e TecnologiaMMA: Movimento das Mulheres AgricultorasMMC: Movimento das Mulheres CamponesasMST: Movimento dos Sem TerrasPNUD: Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento. PROGER: Programa de Gerao de Emprego e Renda. PRONAF: Programa de Fortalecimento da Agricultura FamiliarOCB: Organizao das Cooperativas do BrasilOCESC: Organizao das Cooperativas do Estado de Santa CatarinaREDE ITA-SUL: Rede de Tecnologias Alternativas da Regio Sul.SAI: Sistema de Assessoria e InformaoSEBRAE: Sistema Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas EmpresasSCA: Sistema Cooperativista dos AssentadosSTR: Sindicato dos Trabalhadores Rurais.UCAF: Unio Central das Agroindstrias Familiares do Oeste CatarinenseUFSC: Universidade Federal de Santa CatarinaUNOCHAPEC: Universidade Comunitria Regional de ChapecVIANEI: Centro Vianei de Educao Popular

  • xiii

    LISTA DE QUADROS

    Quadro 1. Cooperativas Ligadas ao Sistema Cooperativista dos Assentados que atuam no OesteCatarinense ...................................................................................................................................185

    Quadro 2. Cooperativas Integrantes da Rede de Cooperativas de Comercializao Localizadas naRegio Oeste Catarinense.............................................................................................................187

    Quadro 3. Cooperativas de Produtores de Leite Localizadas na Regio Oeste Catarinense........190

    Quadro 4. Relao das Cooperativas Singulares do Sistema CRESOL, no Oeste Catarinense ...201

    Quadro 5. Resumo das Operaes realizadas pelo Banco do Povo entre 2002 e 2005................202

    Quadro 6. Empreendimentos Incubados no Programa Empresa Me de Cooperativas Populares doMunicpio de Chapec..................................................................................................................208

    Quadro 7. Agroindstrias Familiares Associativas Vinculadas UCAF.....................................215

    Quadro 8. Composio das Famlias Integrantes do Grupo de Cooperao Agrcola Hbner ....223

    Quadro 9. Composio das Famlias Integrantes do Grupo de Cooperao Agrcola Ternus .....226

    Quadro 10. Composio Atual das Famlias Integrantes do Grupo de Cooperao Agrcola MonteAlegre ...........................................................................................................................................230

  • xv

    SUMRIO

    INTRODUO GERAL ...............................................................................................................1

    O Contexto da Pesquisa................................................................................................................3

    O Problema de Pesquisa .............................................................................................................13

    A Pesquisa ..................................................................................................................................16

    Questes Tericas.......................................................................................................................19

    CAPTULO I ELEMENTOS SOBRE A FORMAO HISTRICA DO OESTE

    CATARINENSE E SUA REALIDADE ATUAL ......................................................................43

    1.1 Crise da Agricultura Familiar Tradicional............................................................................49

    1.2 Reaes Frente Crise da Economia Camponesa Tradicional ............................................54

    1.3 Crise da Agricultura Familiar Tradicional e Resistncia Poltica ........................................66

    CAPTULO II NOVAS ALTERNATIVAS DE PRODUO E A EMERGNCIA DE

    NOVOS SUJEITOS NO OESTE CATARINENSE ..................................................................73

    2.1 Processos Pedaggicos e as Transformaes da Cultura Camponesa: diferentes pedagogiasem ao ........................................................................................................................

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