Economia Solidária e Educação de Jovens e Adultos

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<ul><li><p>1 Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos</p></li><li><p> Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos2</p><p>COORDENAO-GERAL DE LINHA EDITORIAL E PUBLICAESPatrcia Barcelos</p><p>COORDENAO DE PRODUO EDITORIALRosa dos Anjos Oliveira</p><p>COORDENAO DE PROGRAMAO VISUALF. Secchin</p><p>EDITOR EXECUTIVOJair Santana Moraes</p><p>REVISOMaria do Socorro Barbosa</p><p>NORMALIZAO BIBLIOGRFICARosa dos Anjos Oliveira</p><p>PROJETO GRFICO/CAPA/DIAGRAMAO/ARTE-FINALMarcos Hartwich</p><p>TIRAGEM1.500 exemplares</p><p>EDITORIAInep/MEC - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio TeixeiraEsplanada dos Ministrios, Bloco L, Anexo 1, 4 Andar, Sala 418CEP 70047-900 - Braslia-DF - BrasilFones: (61) 2104-8438, (61) 2104-8042Fax: (61) 410-9441editoria@inep.gov.br</p><p>DISTRIBUIOInep/MEC - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio TeixeiraEsplanada dos Ministrios, Bloco L, Anexo 2, 4 Andar, Sala 414CEP 70047-900 - Braslia-DF - BrasilFone: (61) 2104-9509publicacoes@inep.gov.brhttp://www.inep.gov.br/pesquisa/publicacoes</p><p>A exatido das informaes e os conceitos e opinies emitidos so de exclusiva responsabilidade dos autores.</p><p>Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira (Inep)</p><p>Economia solidria e educao de jovens e adultos / Sonia M. Portella Kruppa, organizao. Braslia: Inep, 2005.104p.</p><p>1. Economia solidria. 2. Educao de Jovens e Adultos. 3. Acesso ao ensino fundamental. I. Kruppa, Sonia M.Portella. II. Instituto Nacional de Estudos Educacionais Ansio Teixeira. II. Ttulo.</p><p>CDU: 330.162:374</p></li><li><p>3 Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos</p><p>Economia Solidriae Educao deJovens e Adultos</p><p>Sonia M. Portella Kruppa | Organizao</p><p>InepBraslia | DF | 2005</p></li><li><p> Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos4</p></li><li><p>5 Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos</p><p>Sumrio</p><p>PrefcioMario Sergio Cortella .......................................................................................... 7</p><p>A educao na Economia Solidria</p><p>A Economia Solidria como ato pedaggicoPaul Singer .......................................................................................................... 13</p><p>Uma outra economia pode acontecer na educao:para alm da Teoria do Capital HumanoSonia M. Portella Kruppa ................................................................................ 21</p><p>Redes, educao e Economia Solidria:novas formas de pensar a Educao de Jovens e AdultosMarcos Arruda ................................................................................................... 31</p><p>A pedagogia da terra:novos ventos na universidadeLisete R. G. Arelaro ........................................................................................... 41</p><p>Saber e fazer, fazer e aprender:escola itinerante, poltica pblica e Economia SolidriaSylvia Leser de Mello ........................................................................................ 47</p></li><li><p> Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos6</p><p>Economia Solidria e sistemas pblicos</p><p>Educao como elemento estruturante da Economia SolidriaCludio Nascimento ........................................................................................................................................ 57</p><p>Educao popular e Economia Solidria em Porto AlegreMaria de Ftima Baierle ................................................................................................................................. 65</p><p>Economia Solidria e sistemas pblicos:uma experincia de democracia em uma escola pblicaMara L. A. Lopes, Helena Singer, Marcelo Gomes Justo ...................................................................... 69</p><p>Os dilemas da Educao de Jovens e Adultos</p><p>Acesso e qualidade do ensino fundamental:direito de todos?Carlos Eduardo Moreno, Oroslinda Taranto Goulart ............................................................................. 85</p><p>Os desafios da Educao de Jovens e Adultos:vencer as barreiras da excluso e da incluso tuteladaTimothy D. Ireland, Maria Margarida Machado, Vera Esther J. da Costa Ireland ......................... 91</p><p>Nota sobre os autores ............................................................................................................................... 103</p></li><li><p>7 Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos</p><p>Prefcio</p><p>Mario Sergio Cortella*</p><p>A solidariedade em imensas lies! exatamente essa a sensaoque se tem ao percorrer o contedo vivo, presente nesta obra. Ela aponta,de forma vigorosa, para a partilha das esperanas e convices, a indica-o de prticas e concretudes, a expresso de recusas e indignaes.</p><p>Tudo isso lembra algo que, sem dvida, moveu autoras e autores efoi dito por Paulo Freire no seu discurso de despedida do cargo de secre-trio municipal de Educao de So Paulo (1991):</p><p>Meu gosto de ler e escrever se dirige a uma certa utopia que envolve umacerta causa, um certo tipo de gente nossa. um gosto que tem que vercom a criao de uma sociedade menos perversa, menos discriminatria,menos racista, menos machista que esta. Uma sociedade mais aberta, quesirva aos interesses das sempre desprotegidas e minimizadas classes po-pulares e no apenas aos interesses dos ricos, dos afortunados, dos cha-mados "bem-nascidos".</p><p>Insisto: so imensas lies de solidariedade e, como preciso repe-tir sempre, a palavra "solidariedade", ao contrrio do que muitos pensam,no vem de "solido", mas, isso sim, de "solidez", ou seja, daquilo que nosdeixa ntegros, que impede o estilhaamento da nossa humanidadecompartilhante.</p><p>* Professor-titular do Departamento de Teologia e Cincias da Religio e da Ps-Graduao em Educao da PUC-SP; foi Secretrio Municipal de Educao de So Paulo (1991-1992).</p></li><li><p> Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos8</p><p>Por isso, a inteno da utopia solidria irmanada com a educao prioritariamente afastara solido, isto , o estado de abandono ou a vida isolada sem proteo. Ou, como talvez dissesseGuimares Rosa, impedir que exista grande serto sem veredas, j que, l quase pela metade danarrativa, registrou: "Digo ao senhor: tudo pacto. Todo caminho da gente resvaloso. Mas, tam-bm, cair no prejudica demais a gente levanta, a gente sobe, a gente volta!"</p><p>A gente levanta, a gente sobe, a gente volta! Essas certezas nos vo sendo ensinadas portambm grandes mestres. Dois deles, ambos chamados Paulo (o Freire e o Singer), negavam tica epoliticamente a origem latina de seus nomes (pois paulu significa "pequeno") e ocupavam juntos,em 1989, parte de um prdio na Avenida Paulista, em meio s imensas catedrais financeiras aliimponentes. Um, Secretrio Municipal de Educao, outro, Secretrio Municipal de Planejamento;ambos dedicavam-se transformao de sonhos em realidades, de desejos em aes, de projetosideolgicos em cidadania encarnada.</p><p>Naquele ano, os dois e suas equipes tiveram vrias reunies para verificar a legalidade, via-bilidade financeira e sustentabilidade oramentria para a implantao de uma nova proposta paraa educao de jovens e adultos na cidade de So Paulo; deveria ser uma parceria efetiva entre osmovimentos sociais organizados e as instncias do governo municipal, de modo a ser criada umadinmica que ultrapassasse a idia de campanha e se configurasse como um movimento, processovivo e participante. Desse esforo, somado ao de outras reas de governo, surgiu, no final domesmo ano, o Movimento de Alfabetizao de Jovens e Adultos (Mova) que, na concluso domandato, em 1992, estava com mais de mil ncleos pelo municpio e, ainda, disseminou-se comoinspirao para o restante do Pas.</p><p>O mais interessante que Paulo Freire decidira, desde o princpio, ser necessrio fazermosum congresso que tratasse do tema alfabetizao logo no primeiro ano da sua gesto; chegara,inclusive, a propor que acontecesse no incio de dezembro, permitindo muitos meses de prepara-o. Havia um porm, que no nos houvramos dado conta desde que ele iniciara as reflexespreparatrias conosco: sempre falava em Congresso de Alfabetizandos, quebrando o velho hbitode tratar do tema sem levar presencialmente em conta o sujeito ou, no caso concreto do analfabe-tismo, a vtima.</p><p>Teria de ser, bradava nosso mestre Freire, um Congresso de Alfabetizandos! Em vez de reu-nirmos apenas especialistas em Educao para falarem para outros iguais, a tarefa era organizar oencontro de cidados e cidads ainda no-alfabetizados para poderem falar "de" analfabetismo. Huma brutal diferena entre falar "de" e falar "sobre". Quem fala "de", fala de dentro de si para fora,tendo-se como sujeito da experincia; quem fala "sobre", fala externamente, tomando a experin-cia alheia como objeto. Alguns de ns, por falta de vivncia real, ficamos impedidos de falar "da"fome, ou "do" analfabetismo, ou "do" desemprego; A fala daqueles ou daquelas que podemossomente falar "sobre" no deve, claro, ser desprezada; no entanto, no a fala de um "especialista"e, como tal, precisa ser relativizada quando as pessoas vitimadas no se pronunciaram a contento.</p><p>Em meados de 1989, era preciso elaborar um cartaz que divulgasse a futura realizao doCongresso de Alfabetizandos (que, quando aconteceu, reuniu mais de 1.500 pessoas de toda acidade para debaterem os seus problemas e para que ns, convidados como agentes do poderpblico, entendssemos o que era urgente fazer). Certa noite, visitando um incipiente ncleo dealfabetizao na periferia da Zona Leste paulistana, Paulo Freire entrou em uma sala na qual, aos45 anos de idade, um alfabetizando escrevia na lousa a primeira sentena completa de sua vida e,dessa frase, surgiu o cartaz.</p><p>A frase, de contedo inclemente e veracidade inquietante, ainda com deslizes de gramticae sintaxe (relevveis no indivduo escrevente e inaceitveis na sociedade que o excluiu), gritava:"Ns construmos esta cidade, e nela somos envergonhados!".</p><p>Vergonha, humilhao, desvalia, constrangimento. Afronta dignidade. Expulso de infindosobreiros mesmo enquanto a obra coletiva vai sendo construda.</p><p>Dificuldade para manter a coluna ereta e a cabea erguida! A est a chave tica que exige aedificao do "desenvolvimento sustentvel"; tem de ser uma economia que sustente as colunaseretas e as cabeas erguidas, negando assim uma cidadania encabulada, desonrosa, indecorosa eque, no limite, afronta com violncia o horizonte da fraternidade.</p><p>Temos de, com humildade, aprender a erigir a cidade que no envergonha, a partir de umapedagogia emancipatria e libertadora. Por isso, como veio central de todos os captulos destelivro, urge revigorar o que escreveu Paul Singer nas concluses do primeiro deles:</p></li><li><p>9 Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos</p><p>A Economia Solidria um ato pedaggico em si mesmo, na medida em que prope nova prtica sociale um entendimento novo desta prtica. A nica maneira de aprender a construir a Economia Solidria praticando-a. Mas, seus valores fundamentais precedem sua prtica.</p><p>No mais, voltando aos comeos do Grande Serto: Veredas: "passarinho que se debrua o vo j est pronto"...</p><p>Foto 1 Ato Pblico Trabalhadores da Usina Catende. Usina Catende, Catende (PE), outubro de 2004.</p><p>Edua</p><p>rdo </p><p>Klei</p><p>man</p></li><li><p> Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos10</p></li><li><p>11 Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos</p><p>A educaona Economia Solidria</p></li><li><p> Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos12</p></li><li><p>13 Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos</p><p>A Economia Solidriacomo ato pedaggico</p><p>Paul Singer</p><p>1. A Economia Solidria como anttese do capitalismo</p><p>A Economia Solidria pode ser pensada como um modo de produoideado para superar o capitalismo. Sendo assim, para entender a lgica daprimeira preciso examinar a do ltimo. A pedra de toque do capitalismo a propriedade privada dos meios de produo, mas no de qualquer meio deproduo. Trata-se especificamente dos meios "sociais" de produo, ouseja, dos que s podem ser operados coletivamente.</p><p>A propriedade privada de meios "individuais" de produo carac-teriza a pequena produo de mercadorias, no o capitalismo. Agricul-tores familiares, garimpeiros, artesos, catadores de lixo e tantos outrostrabalhadores, que possuem seus prprios meios de produo, no seconfundem com o capitalismo, antes, antepem-se a ele e tendem aintegrar a Economia Solidria. o que acontece quando se associam, deforma igualitria, em geral para aproveitar as vantagens pecunirias decompras e vendas em comum, sem renunciar autonomia de produto-res individuais ou familiares.</p><p>O capitalismo caracteriza-se pela concentrao da propriedade dosmeios sociais de produo em poucas mos. Essa concentrao d-se emconseqncia da lgica dos mercados competitivos, pela qual os ganha-dores apoderam-se de parcelas crescentes do mercado e do capital total e</p></li><li><p> Economia Solidria e Educao de Jovens e Adultos14</p><p>os perdedores so expulsos do mercado e privados do capital que detinham. Em ltima anlise, alivre competio leva a sua prpria superao, ao ser substituda por modalidades monoplicas ouoligoplicas de competio.</p><p>A concentrao do capital tem como contrapartida a formao de uma classe cada vez maisnumerosa de 'perdedores', qual seja, de pessoas que no tm meios prprios de produo e que sesustentam vendendo sua capacidade de trabalho aos capitalistas (ou ao Estado). Os capitalistasdependem dos trabalhadores assalariados para que seus capitais produtivos sejam acionados eassim valorizados, assim como os assalariados dependem dos capitalistas (e do Estado) para serempregados e poder ganhar o sustento prprio e de seus dependentes.</p><p>Na empresa capitalista, todos os esforos dos trabalhadores dirigem-se a um mesmo fim, o demaximizar o lucro dos donos. Por isso, as relaes de produo nesse tipo de empresa tendem a serautoritrias e antagnicas. Tanto capitalistas como trabalhadores sabem que o lucro o que sobra dareceita de vendas depois de deduzidas as despesas, entre as quais avultam os salrios. Quanto maioresos salrios, tanto menores os lucros e vice-versa. Esse antagonismo estrutural de interesses o motorda luta de classe, que marca o relacionamento entre empregados e empregadores.</p><p>A Economia Solidria foi concebida como um modo de produo que tornasse impossvel adiviso da sociedade em uma classe proprietria dominante e uma classe sem propriedade subal-terna. Sua pedra de toque a propriedade coletiva dos meios sociais de produo (alm da unioem associaes ou cooperativas dos pequenos produtores). Na empresa solidria, todos que nelatrabalham so seus donos por igual, ou seja, tm os mesmos direitos de deciso sobre o seu destino.E todos os que detm a propriedade da empresa necessariamente trabalham nela.</p><p>Essa ltima condio nega a possibilidade de haver uma classe que viva apenas de rendimen-tos de seu capital, sem tomar parte no trabalho. Da deriva a norma de que a empresa solidria noremunera o capital prprio dos scios e que, quando trabalha com capital emprestado, paga amenor taxa de juros do mercado. Isso significa que os ganhos dos trabalhadores tm prioridadesobre o lucro, que na empresa solidria toma a forma de 'sobras'. Essas so distribudas por decisodos scios de distintas maneiras, mas nunca de acordo com a participao de cada um no capital daempresa.</p><p>A participao no excedente em proporo parcela do capital da empresa, que cadascio detm, caracteriza o lucro e, por isso, as sobras de cooperativas (ou outras modal...</p></li></ul>

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