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55 ITS. 1T"^ VISTA MENSALPROPRIEDADE DA SOCIEDADE ANONYMA "0 MALHO " — TRAVESSA DO OUVIDOR, 21

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CAIXA POSTAL 880

Grande prêmio na Exposição Internacional do Centenário em 1922

PREMIADA COM MEDALHA DE OURO NA EXPOSIÇÃO DE TURIM EM 1911

Directores: ÀLVÀRO MOREYRÀ e). CARLOSDirector-Gerente : ANTÔNIO. A. DE SOUZA E SILVA ;# y

Succursal\em São PauloRUA SENADOR FEIJÓ N. 27 — 8* andar/salas 86 e 87 .

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Toda a correspondência, como toda a remessa dedinheiro, (que pôde ser feita por vale postal oucarta registrada), deve ser dirigida á SociedadeAnonyma "O MAL&O", Travessa do Ouvidor, 21.Gollaborâção literária, artística ou photographio-,

ao director-secretàriq. D$. Álvaro Moreyraíyy

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Ferreira' deAbreu, brochCADERNO DE CONSTRUCÇÕEs' GEOMÉTRICASde Maria r.yra da Silva, brochCHIMICA GERAL, Noçõe s, obra indiêada' noCÓÍ-legio Pedro II, de Padre Leonel da Francao. J., 3a edição, cart.UM ANNO DE CIRURGIA NÓ' SERTÃO,' de Rolberto Freire (Dr.), broch. ..LIÇÕES CÍVICAS, de Heitor Perèfra,' 2a''édicãocart vCOMO ESCOLHER UMA' BOA' ESPOSA.

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TODA A AMERICA, versos de Ronald de Car-valho, brochQUEtíToJUS PRATICAS DE

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RIO DE JANEIRO — FEVEREIRO DE 1930 ANNO XI NUMERO 114r r^-

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ELEIÇÃO

1o DE MARÇOS Brasileiros vão eleger no dia Io. de Março o

Presidente da Republica para o governo cie

1930 a 1934. Dois candidatos dividem os en-thusiasmos da população: o senhor Júlio Pres-tes e o senhor Getulio Vargas, figuras de elitecia politica moça, homens de intelligencia e ho-

mens de acção, com provas de ampla capacidade dadas na chefia

dos Estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Cada u,m

delles, victorioso ou vencido, saberá apertar a mão do seu anta-

gonista. Nem sempre foi serena, dentro cias idéas, a propagandadas cluas candidaturas. Os candidatos não tiveram culpa nos

exaggeros lamentáveis. A repulsa que esses exaggeros

provocaram no paiz inteiro demonstrou que eram

excepções e que, depois das urnas falarem, todos

hão de acceitar o novo Presidente, ajudando-o

na paz para o trabalho e no trabalho

para a felicidade da nossa terrae da nossa gente. Assim seja.

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Brasil

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FEVEREIRO19 0 K

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te OÒUÒ de H eòpan haScena I

JUSTINO, E DEPOIS MARIA E ELVIRA

(Maria e Elvira, de mantilha á hespa-

nhola, entram logo depois de subir o panno,e dirigem-se a Justino, que está a limpar os

moveis.)

ELVIRA — O primo não está?

JUSTINO — Não, senhora.MARIA (o Elvira) — Você não telephonou que

passaria aqui, de caminho para a tourada?ELVIRA — Telephonei-lhe e elle disse-me que

me esperaria.JUSTINO (o Elvira) — Elle sahiu para en-

commendar um camarote para os touros. Foi tele-

phonar ahi em baixo, na loja, porque nosso telepho-

ne, como sempre, não funcciona quando se precisadelle. Vou vêr se ainda está na loja. (Sáe) .

Scena II

MARIA — Vae, também, ás touradas. Se vocês

não se querem não sei quem se queira.ELVIRA — Seria grosseiro se não fosse ás

touradas, depois de lhe haver dito que esperavavel-o lá.

MARIA — Ora deixe-se disso. Vivem a perse-

guir-se. Aonde vae um acorre o outro e dizem que

não se querem!ELVIRA — Estou farta de explicar-te nossa

situação.MARIA — E eu farta de ouvir-te dissimular um

sentimento que, ainda neste momento, aqui te traz.

ELVIRA — Demos de barato que eu tenha por

Fernando um sentimento qualquer mais que amizade

de primos... um capricho.MARIA — Ou amor...ELVIRA — Seja! Fernando é, porém, um es-

troina, um desses typos a que os francezes chamam

s'en fichiste. Não crê em cousa alguma. Leva tudo

em pândega.MARIA — E porque não pode ser tudo isso

apenas a mascara de um sentimentalista que por ve-

xame, vergonha ou pudor de amar neste século de

foot-ball e box esconde o coração?ELVIRA — Não. E' seu natural. Conheço-o.

Criamo-nos juntos por alguns annos.

MARIA — E foi quando começou o namoro?

ELVIRA (a sorrir) — Não. Tínhamos doze

annos e éramos muito scepticos, de uma descrença

atroz...MARIA — Aos doze annos, descrentes, seria o

cumulo si não vivêssemos em nossa época.

ELVIRA — Já se nasce bocejando...MARIA — Uma criatura, como tu, cheia de

vida, uma amphora cheia do sangue quente de nossa

raça, uma hespanhola descrente, ora vamos lá, viva

la grada, salero! ou se murió la Es pana!ELVIRA — E' que talvez a raça tenha dege-

nerado. Não ha mais castellos em Hespanha.

MARIA — Has ha hespanhóes, caramba! O

coração da hespanhola ha de ser sempre como as ro-

sas de Hespanha que, mesmo depois de mortas, tem

perfume.ELVIRA — Mas se elle não me quer?

MARIA — E quem t'o disse? Vocês fizeram

um pacto, uma convenção ridícula pela qual se devem

fazer mutuamente a corte, mas por simples pilhéria.

ELVIRA — E cumprimol-a. Quem nos ve, dirá

que somos dois namorados.

<Q%audie de áeu$a(Da Academia Brasileira)

MARIA — E eu, tua melhor amiga, estou con-

vencida disso.ELVIRA — Isso significa que eu e Fernando

representamos á maravilha.MARIA — Quer dizer que vocês estão brincan-

do a cabra cega, joguetes um e outro do próprioorgulho.

ELVIRA — Suppões, então seriamente, que Fer-

nando esteja apaixonado por mim?MARIA — Claro. E que estás igualmente apai-

xonada por elle.ELVIRA — Que graça! (ri sem vontade).MARIA — Queres fazer uma experiência?ELVIRA — Duas, três, quantas quizeres.MARIA — Quando Fernando chegar, deixo-te

a sós com elle, e lhe dirás que passaste para partici-

par-lhe que foste.pedida em casamento, e que deves

dar, ainda hoje, a resposta.ELVIRA (a rir) — Vou pregar-lhe um susto

tremendo!MARIA — E esse susto te provará quanto elle

te ama.ELVIRA — O susto será pelo presente de noi-

vado que deverá dar-me quando elle, coitado, anda

sempre sem vintém.MARIA — Façamos a experiência.ELVIRA — Pois seja.MARIA (intencional) — Aliás isso confirmará

ou não um boato que por ahi corre.ELVIRA — Acerca de Fernando?MARIA — Sim. Dizem que está quasi noivo.

ELVIRA (apressada) — De quem?MARIA — De uma das filhas do alcaide de Se-

vilha.ELVIRA (idem) — Quem t'o disse?

MARIA — E' voz corrente. E a moça é um en-

canto, um primor, uma dessas maravilhas de mulher

que Deus fabricou especialmente para a Hespanha.

ELVIRA (triste) — Pois que seja feliz...

MARIA — Eis-te sincera e verdadeira nessa

phrase! Veio-te da alma, e espontânea, como um ge-

mido. Alegra-te, porém; nada sei. Foi uma inven-

ção de ultima hora para que te trahisses.

ELVIRA — Pois bem, vou dizer-te, mas sob

segredo impenetrável...MARIA — Confia! Impenetrabissimo. Tão im-

penetravel que já penetrei rielle. Vaes confessar que

gostas de teu primo.ELVIRA — Sim, gosto. Conheces, porém, seu

temperamento; de tudo se serve para a ironia. Nun-

ca se pôde saber se fala serio ou se faz pilhéria.

Qual a mulher de brio que abre seu coração na

perspectiva de uma gargalhada ou de uma humi-

lhação ?MARIA — Pois experimenta a scena que te

suggeri. Ouço passos.

Scena III

AS MESMAS E FERNANDO E JUSTINO, QUEATRAVESSA A SCENA E SÁE PELO LADO

OPPOSTO

(Fernando com um ramo de lindas

rosas.)

FERNANDO — Olá, vieram duas, em vez de

uma que se annunciara? Bem se diz que as rosas de

Hespanha só nascem aos pares... E eu, para que se

sentissem em familia fui buscar-lhes estas outras...

Mas vejam que ellas quasi coram de inveja ao pé de

vocês...

MARIA — Como só sabia da visita de Elvira,

para ella apenas foram compradas as rosas. Vê-se

bem que a adora...FERNANDO — Somos dois apaixonados. Amo

esta nina loucamente, com uma paixão das que af-

frontam os oceanos e o Universo. Verdad, mm?

ELVIRA (rindo) — Como não?

FERNANDO — Deixe-me florir como Goya,

ou um qualquer dos pintores desta nossa grande e

quente Hespanha, esse corpo amado. (CoUoca uma

rosa na cintura e outra nos cabellos de Elvira). E

nesses cabellos em que o pente alto usurpa o lugar de

meus dedos febris, e nesses hombros que a manti-

lha me rouba, as rosas vão crescer como um ultimo

raio de sol no crepúsculo que cáe... (a rir) - Gos-

taram ? Sou romântico, meloso, xaroposo, quando e

preciso ser... E no mais, a grande gargalhada de

Mephistopheles... (uma gargalhada).ELVIRA

' (baixo a Maria) —Vês? (a Fer-

nando) E' uma pena que não seja tudo aquillo a

serio. AFERNANDO — Se fosse a serio, ganharia um

dinheirão ! Ha muito galan por esses theatros, que

não me chega aos pés, se bem que os sátiros tenham

pés de cabra... Prefiro ganhar a vida com uma ta-

brica de anis dei mono,, .porque parte da matéria pri-

ma, o mono, já cá está... E por falar em amz, que

lhes posso offerecer?ELVIRA — Nada... nada... obrigada.

FERNANDO — Aliás que lhes poderia offe-

recer? Uma gota do azul infinito em um raio de

luz?... Uma estrella dissolvida na espuma de uma

. onda?MARIA — Isso... isso,..FERNANDO — E' só pedir por boca... Ha cie

tudo no meu bar maravilhoso.MARIA — Pois, então, sirva todas aquellas coi-

sas e mais algumas phantasias a. esse thesouro de

prima. E' um thesouro, sabe?

FERNANDO — A quem o diz? Amo-a deses-

pefradamente como. o mar ama a praia ingrata e mo-

vediça. Amo-a com o calor do raio-e o esplendor do

relâmpago, amo-a (outro tom) humildemente como a

planta rasteira que atravéz da arvore gloriosa pede

luz, calor e vida ao sol... E tu, nina,' dize-me, agora,

se me amas com igual ardor.

ELVIRA (sincera) — Como não?... Se me

amas com o fulgor do relâmpago :e o calor do raio,

eu amo-te com a sede da secca e o desespero da fome,

com a ânsia da doença e com o delírio da febre, com

a esperança da prece e a loucura dos êxtases...

MARIA — Bravos! Bravos! Isso sim é que e

um amor á hespanhola!FERNANDO (a Maria, readquirindo o tom tro-

Hic0) _ Vê como estamos afinados! Mentimos um

ao outro com tal coragem e colorido que corremos o

perigo de virmos a acreditar na nossa própria men-

tira.MARIA (dubitativa) — Uhnl... Talvez seja

isso que lhes está a sueceder. Mas dêem-me licença.

Estou a dois passos da casa de minha tia e vou apro-

veitar para dar-lhe as boas tardes. Dentro de pou-

cos minutos aqui estarei.FERNANDO — Acceite um punhado destas

rosas, a metade dellas que a outra é de quem me tem

o coração inteiro. (Pica-se nas rosas) Ai... ai...

ELVIRA — Picou-se?FERNANDO — Não é nada, amor. Vou tirar-

lhes os espinhos para que não as magoem também.

(Sáe) .

ILLUSTRAÇAOBRASILEIRA

5 A A ¦

Scena IV

ELVIRA E MARIA

ELVIRA (desalentada) — Ouviste? Pôde umamulher ainda que ame arriscar-se com um caracterdesses ?

MARIA — Mas tudo isso c farça, pura farça.Não vês a precipitação e o exagero com que ellefala? Pôde lá isso ser natural?

ELVIRA — E por que sempre assim?MARIA — Mas tu procedes igualmente. E'

natural que elle tenha o mesmo pudor de declarar-see de ser recebido com uma gargalhada. Segue o meuconselho.

ELVIRA — Pois bem, vou seguil-o. Elle ahivem.

MARIA — Raspo-me para que fiquem a sós.Virei daqui a instantes. (Sáe).

Scena VELVIRA E FERNANDO

FERNANDO — Aqui estão as flores iguaesainda em belleza e já sem espinhos. Se se pudessefazer o mesmo com as mulheres...

ELVIRA — Ficaríamos sem seducção. O ho-mem gosta é de ser machucado, ferido, espesinhadopela mulher. As mulheres humildes, que são as ro-sas sem espinhos, merecem-lhe o desprezo.

FERNANDO — Bravos! Que nina doutora!Hoje aos vinte annos, sabem mais do que nossas avósaos noventa!

ELVIRA — Disse-te pelo telephone que tinhaalguma coisa de muito séria que te communicar.

FERNANDO — Exactamente. E aqui em casaestamos todos, moradores e objectos, tão habituadosa não ouvir falar em serio, que o telephone se des-arranjou logo que acabaste de falar.

ELVIRA (sorrindo) — Uma vez ao menos pre-cisamos estar sérios.

FERNANDO — Pois, então, fiquemos sérios.

(Fas uma cara tão cômica que Elviradesata a rir) .

Fiquemos sérios!ELVIRA — Mas não com essa cara de desma-

mar morcegos!FERNANDO — Desmamar morcegos? Onde' ouviu falar nisso? (Ri também).ELVIRA — Vamos! Serio, hein? Um, dois,

três!(Os dois ficam um momento sérios.

Um e outro, porém, fazem enorme esforçopara se conter. Rompem, afinal, cm gar-galhada.)

FERNANDO — Não é possivel!... Estamoshabituados a brincar, a rir, e nada tomar a serio,meu amor !... Somos dois namorados de comedia.

ELVIRA — E se eu um dia pensar em casar-me?FERNANDO — Será comigo, naturalmente.

Continuaremos a rir.ELVIRA — E se não fôr comtigo?FERNANDO — Ah, isso não pôde ser !... Com

a paixão que temos um pelo outro, se o destino nosseparasse, disseste-o ainda ha pouco, um fecho tra-gico encerraria nossa vida.

ELVIRA — Pois, então, fica sabendo que estoupedida, e que hoje mesmo devo dar a resposta.

FERNANDO — Negativa, é claro.ELVIRA — Por que?FERNANDO — Oh, mulher fementida, esque-

ceste do que ha pouco me juravas?ELVIRA (seria) — Deixemo-nos de brinca-

deiras. O momento não é para tal.FERNANDO — E' positivamente serio, então?ELVIRA — Positivamente. Estou com 20 an-

nos. Nada tenho na vida, a não ser... esta nossabrincadeira. Porque isso é uma brincadeira. Não éverdade ?

FERNANDO (depois de ligeira hesitação) —Sim... é claro.

ELVIRA — O partido convem-me.FERNANDO — Gostas do rapaz?ELVIRA (menca a cabeça).FERNANDO (apressado) — Gostas ou não?...ELVIRA (resolvida) — Gosto... E' elegante,

distincto, dansa admiravelmente o tango...FERNANDO — Intelligente?ELVIRA — Não como tu... mas para o gasto...FERNANDO — Está bem.ELVIRA — Está bem? / ¦ ,-AFERNANDO — Sim... Desde que gostas delle...

Depois, não me vens pedir conselho, não se pedemconselhos a um primo troca-tintas, um bohemio, umfaz-nada...

ELVIRA — Pois pensas mal. Quero justamen-te teu conselho. Conheces os rapazes... conheces avida...

FERNANDO — Quem é a victima?ELVIRA — O Mariano...FERNANDO — E' um idiota. A victima serás

tu. Mereces melhor, e tel-o-ás.ELVIRA — Conheces alguém melhor que me

queira ?FERNANDO (com calor) — Sim... conheço...

alguém que te ama, que te adora, que seria capaz detodas as loucuras, até do crime... alguém que teama com a chamma e com o brilho deste sol de Hes-panha... alguém que ao te ouvir... ao sentir o teuperfume... ao tocar teu corpo, tem o desejo quasisacrilego de te matar para que não pertenças a ou-tro... ou de matar-se para não te fazer mal...

ELVIRA (mesmo tom) — E quem é esse al-guem que me ama assim tão em segredo ?... A essealguém é que eu queria confiar minha alma e meucorpo, a esse alguém eu queria offerecer a virgin-dade de meus pensamentos de amor, a esse alguémeu pediria: — Não brinques, não zombes desse sen-timento maior que a vida e mais longo que a morte.

FERNANDO (outro tom) — Bravos!... Nun-ca te vi brincar assim com tanta veemência...

¦ ELVIRA (desapontada) — Brincar?FERNANDO — Estás ficando mestra... Den-

tro em pouco, se não te casares, podiamos represen-tar no Alcazar...

ELVIRA — Tu brincavas, então?FERNANDO — Claro. Vê se me pegas! Pe-

gaste-me uma vez, é certo, mas eu era principiante.Agora nunca mais! Combinamos de começo, queaquelle que caisse na burla do outro tinha que lhedar um presente de cinco mil pesetas... Ora eu quenunca teria essas cinco mil pesetas, defendo-me comvalor.

ELVIRA — E se não fosse mais burla, se eute amasse?

FERNANDO — Desengana-te, nina!... Nãocaio...

ELVIRA — Mas imagina que me apaixonasse,por ti... deveras... •

FERNANDO — Ou eu por ti...ELVIRA — Seria horrível.FERNANDO — Desesperante!...ELVIRA — Não podemos, então, libertar-nos

de uma combinação infantil?FERNANDO — Não. Somos o palhaço e a

Colombina. Tu me crês, Colombina?ELVIRA — Quizera crer-te!FERNANDO — Pois, então, crê-me! De joe-

lhos a teus pés, suspiro-te meu amor, minha paixão,minha loucura.

ELVIRA (amitada) — Levanta-te. E deixemosde lado a brincadeira.

FERNANDO — Sérios, outra vez? Não vaeser longo? ...

ELVIRA — Vou dar hoje o sim ao rapaz queme pediu.

FERNANDO - A que horas?ELVIRA — A' noite.FERNANDO — Muito bem.ELVIRA — E' só o que te açode? Não te lem-

bras que não poderemos mais brincar como até agora?

Que não seremos mais os dois bons amiguinhos quesomos?

FERNANDO — Nada disso me açode, porquenão darás hoje a resposta.

ELVIRA — Não? E por que?FERNANDO — Porque estarás de luto ainda

esta noite.ELVIRA — De luto? Fazes-me medo. Por

quem ?FERNANDO — Por mim. Já que te vaes ca-

sar, Colombina, suicida-se teu Pierrot.ELVIRA — Ainda e sempre a brincar.FERNANDO — Desta vez não brinco. Verás.

Scena VI

OS MESMOS E MARIA

MARIA — Cá estou. Vamos?ELVIRA — Vamos! (a. Fernando) — Vens

comnosco ?FERNANDO — Eu? Pois queres que vá a

uma tourada quando tenho de me suicidar antes danoite ?... Talvez daqui a minutos.

MARIA — Suicidar-se?FERNANDO — Elvira acaba de participar-me

que hoje dá o sim ao Mariano, e jurei-lhe que nãoo fará porque me suicidarei antes de terminar atarde. r"

MARIA — Que brincadeira de máu gosto! Porque não diz logo que gosta da prima?

FERNANDO — Não digo? Como isso? Poisquer prova maior de amor ?... E ella amanhã, zás,dá, também, um tiro nos miolos e acompanha-me notúmulo!... Este é o grande amor de dois hespa-nhóes, ainda quando brincam!...

Scena VII

OS MESMOS E JUSTINO

JUSTINO (a Fernando) — O telephone estáfunecionando. Chamam-no ao apparelho. (Sác) .

FERNANDO — Um momento. (Sáe).

Scena VIIIELVIRA E MARIA

ELVIRA — Vês? Nada leva a serio.MARIA — Chegaste a dizer-lhe?ELVIRA — Houve um momento em que estive

quasi a declarar-me. Se visses como elle falava, comque alma, com que vibração!... Respondi-lhe com omesmo ardor, mas, de repente, ambos, eu e elle tive-mos o mesmo pensamento, que fosse uma armadilhae tudo se desfez como um pouco de fumo.

MARIA — Ouve, então! Acabo de encontrar oFortunato que me disse que Fernando está louco porti, que lh'o declarou a serio.

ELVIRA — Deveras?MARIA — Tem receio que não gostes delle.

Teme o ridículo como tu. Finge-se sceptico, fanfar-rão, descrente, mas é todo o contrario.

ELVIRA — E por que dissimula?MARIA — Porque o adversário usa de igual

tactica. Com a convenção, com esse pacto infantilsuppõem-se ambos impedidos de amar a serio. Poisvou acabar com isso.

ELVIRA — Não. Não. Pareceria sermão en-commendado. Não me fica bem.

MARIA — Não me fica bem... Eis ahi o em-baraço de muita felicidade! A vida anda cheia des-ses orgulhos que impedem a felicidade... de almasque se amam e que se fogem...

ELVIRA — Tens razão...MARIA — E sabes que disse elle ainda ao For-

tunato? Que se preferisses outro, matava-se.ELVIRA (receosa) — Disse isso? Mas, então,

é serio? E elle é capaz de matar-se. E' meio doido.'Na familia ha três que se suicidaram, a rir!... QnChorror, meu Deus!

(Conclue no fim do numero).

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Portão colonial

da chácara da

Baroneza de

Jaguara.

Recanto da

Praia de

São Roque.

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ILLUSTRAÇÂOBRASILEIRA

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BRASILDE

OUTROTEMPO

Coche de D. João VI.

Velhas peças do Museu

da Marinha.

Uma cadeirinha.

O tilbury do General

Osório.

Í^StSSSÇSSSs A_*

FEVEREIRO19 0

Como se proclamou a Republica no Reciie:' ¦^'¦ti:€ -titiJA a ri o A/V e 1 o ti

Si bem! que a idéa republicana em nossopaiz houvesse sur j ido primeiramente emPernambuco — a revolução.de 1710 — etivesse sido Pernambuco a sede do primeirogoverno republicano que se instituiu no Bra-zil — o de 1817 — a proclamação da Repú-blica em 1889 cauzoa aqui verdadeira sur-preza.

O partido republicano era inisignificante.Cabia num bonde, ao tempo em que os

bondes eram puxados por burros e compor-tavam diminuta lotação. Não houvessemaderido, em massa, conservadores e liberaismonarquistas e não haveria gente para ocu-par os cargos da nova forma de governo.

Estava na prezidência da Provincia o dr.Sijismundo Gonçalves, que a assumira nodia 14 de novembro.

Dia de sol, a sexta-feira 15 de novembrode 1889. A's primeiras horas da tarde foiafixado no extinto largo da Einguêta —

quem, que o alcançou, doderá deixar de re-corda-lo sem saudade — um telegrama rece-bido pelo Cabo submarino, em o qual sedizia prcolamadae a República na Côrte. Os

que o liam davam um muxoxo: — Boatos!Aquilo era apócrifo. Astúcia de violão —violão era a alcunha que o monarquista davaao republicano.

A's 12I120' a Ajência Havas endereçavaao Diário de Pernambuco seguinte des-

pacho:"Hoje pela manhã, chegando ao QuartelGeneral, o sr. Barão de Ladário recebeu

trez tiros e um golpe de sabre, morrendominutos depois. O ministério, em vista des-tes factos, deu sua demissão".

Não se falava em República. Compreendia-se, porém, que á situação era grave.

Martins Júnior, o mais entuziasta dosviolões, reuniu os correlijionários na reda-

ção do Norte, ante a espectativa cia vitória.Depois, procurou o comandante das armas,

para a hipóteze deste assumir o governo. ^O Telégrafo, nacional, situado em; prédio

já demolido do extinto largo do Corpo San-to, enviou á imprensa a seguinte nota:

"Povo, exercito,j armada vão instalar

governo provisório, que consultará a nação

por meio de convocação duma constituinte.Aclamações geraes á República".

Q prezidente Sijismundo Gonçalves nãoacreditou

"na noticia. Suspeitou do Telégra-fo. Mandou cerca-lo por um alferes de poli-cia com trinta praças.

Dirijia o Distrito telegráfico o enje-nheiro Álvaro Vilhena, que depois foi dire-

tór geral. Deu-lhe tempo o alferes a que.secomunicasse com o Rio.

Mais tarde chegou o coronel Reynaultcom força maior e intimou os telegrafistasa abandonarem a Repartição. Seriam substi-tuidos por uma turma de empregados daEstrada de Ferro Sul de Pernambuco, diri-

jida pelo enjenheiro Antônio Carlos de Ar-ruda Beltrão.

;Os empregados obedeceram è, saindo, le-varam o serviço a transmitir e as chaves dascomunicações, cie modo que nada fizeramos oceupantes até o regresso dos felegrafistas

mais tarde garantidos pelo exército.No dia 16 circulava o Diário de Pernam*-

::mco ainda com o emblema do Império nocabeçalho. Além do telegrama da AjênciaHavas e do- boletim do Telégrafo acimatranzcritos, publicava este outro despacho,transmitido do Rio ás 3 horas da tarde:'

"Hoje pela manhã, devendo embarcar o17o batalhão, outros corpois do exército,tendo á frente o general Deodoro, se oppuze-ram. Os ministros foram detidos no Quar-tel General e o Barão de Ladário, ministroda Marinha, foi victima de três ferimentosleves, produzidos pór tiros de revólver. Ogeneral Deodoro foi á Câmara e ahi pro-clamou a República, havendo enthusiasticasacclamações. Depois seguiu com a bandeiravermelha alçada, acompanhado de batalhões,inclusive a armada e a força policial, e gran-de massa popular a percorrer as ruas, dandovivas muito correspondidos á República.Reina paz". :, ,

Naquele tempo, como de uzo na impren-sa, a Diário publicava artigo de fundo emtodas as edições. O da de 16 era intitulado"Revolução". Malsinava do ministério

Ouro-Prêto a cujos erros atribuia o movi-mento armado do Rio. Não se manifestavaclaramente republicano mas preparava O ter-renoA •• [

"Tudo, porém, não está perdido; e emdtodo o caso, salve-se o paiz dum cataclismo,

pereçam embora! as instituições que homensambiciosos e mal intencionados não soube-ram ou não puderam garantir".

As dúvidas da véspera estavam quazedissipadas. Em todas as rodas se fala domovimento republicano.

Ancora rio porto o vapor Maranhão, pro-cedente do Rio de Janeiro, a cujo bordotranzitava para o Amazonas o 22o de infan-taria, sob o comando do coronel CarlosMagno da Silva. I

Os republicanos vão a bordo tentar odezembarque e a adezão da força. O co-mandante responde que estaria com a nação,ímãs nada faria! sem ordem do governo pro-vdzório.

E apressa a partida) do vapor, deixandoa vêr navios os que na Linguêta esperavamo dezembarque. (1) [

A ordem pública estava ameaçada. Espe-rava-se a depozição do prezidente da Provin-cia, dum momento para outro.

O inspetor do, Arsenal de Marinha man-da tocar reunir e proclama a República. Nos

quartéis, os soldados arrancam 09 emblemasimperiaes das barretinas. O tenente-coronelFeliciano Caliope, comandante do 14o, for-ma o batalhão e lê vibrante ordem do diasobre a mudança do rejime.

O Palácio da Prezidência converte-se emformigueiro: gente que entra, gente que sái.

Uns . falam com prudência,/ outros lembrammedidas violentas. Os mais exaltados que-rem] a prizão de Martins Júnior.

Sijismundo.pega da pena e redije, ao co-•mandante das armas, o oficio de teor se-guinte:

A "Receiando que se levante a anarchia deum momento para outro e reconhecendo-mesem meios para manter a ordem pública,rogoa v. exa. que, em vista das circumstan-cias extraordinárias que occorrem e que não

podem ser consideradas regularmente, as-suma o poder que lhe transmitto, por ser V.Exa. só quem|Atem força' para exercel-o.Deus guarde a V. Exa. — Illim. e Exm. Sr.General Commandante das Armas — Sigis-mundo Antônio Gonçalves".

Deste oficio, cujo teor copiei do livrorespectivo existente 110 Arquivo da Secretariada Justiça, foi portador Rodolfo Araújo.

A' noite, aprezenta-se no Palácio doentão Campo das Princezàs o coronel de en-

jenheiro Jozé de Cerqueira Aguiar Lima,comandante das armas. (2).

Nas imediações formavam-se grupos. Ig-norando-se o oficio de Sijismundo, acredi-tavam todos que o Prezidente ia sêr depostoe que reajiria.

O momento era de anciedade.Passado algum tempo, Sijismundo, acer-

cado de amigos, desce as escadas e encanii-nha-se a pé para sua rezidencia particular 110começo da rua da Aurora, junto á ponteda Bôa Vista sem qualquer manifestação deagrado dos curiozos da rua mas tambémsem uma exclamação hostil.

Depois surje Martins Júnior. Fala aosamigos. Explica quej a República estava defacto implantada em Pernambuco. (2) Econvida o povo para, rua a fora, dar expan-soes á alegria •. I

Improviza-se uma passei ata, que vai en-

grossando' aos poucos.De todos os peitos — dos peitos dos re-

publicanos, dos peitos dos indiferentes, dos

peitos, dos anarquistas da véspera — irrom-

pia, forte, unisono, o brado que o éco re-

petia:— Viva a República!! __ Ao chegar a Cabedelo, o capitão de

fragata Pedro Hipólito Duarte, comandantedo Maranhão, recebeu ordem de regressarao Recife, onde dezembarcou o 22o/

2 ODiáro de Pernambuco noticiara

que Sijismundo Gonçalves recebera ordemdo governo provizório para entregar a pre-zidencia ao comandante das anuas. Impõe-se aqui, porque valiozo elemento histórico, a

tranzcrição da seguinte carta, publicada na

.edição de 18: c"Recife, 17 de novembro de 1889. Sr.•Redactor do Diário de - Pernambuco»:• Emcontestação á noticia que deu o. Diário de

hoje-de constar-lhe que eu. :tendo recebidoordem do governo provizório para entregara administração ao sr. commandante das ar-

{Conclue no fim do numero)

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ILLÜSTRAÇAOBRASILEIRA

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Na Festa Zoophila do Jardim da Infância de São PaulamoD I

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Vjêde! E' um espectaculo emipolgante,— o espectaculo a que assistimos neste mo-mento. Todas estas creanças aqui reunidas,exultando em collaborar comnosco numa dasobras de maior elevação moral a que pôdeaspirar a humanidade, — o zoophilismo.

Como, eu tive a oceasião de dizer, no diaem que a U. I. Protectora dos Animaesprestava uma homenagem posthuma a seusaudoso presidente, — (meu saudoso ir-mão) — Dr. Marcello Thiolier, baptizando-lhe com o nome o primeiro pavilhão queinaugurava no seu hospital zoophilo, — aterra paulista além de fecunda é favorecidapor um sol benigno! Nella todos os ger-mens de futuro próximo se desenvolvem,diffundem-se! Sendo assim, era natural quea semente zoophila, com o carinho, o amor,com que lhe foi lançada, tomasse o incre-mento que tomou, attingisse a culminânciaa que attingiu! Hoje a U. I. Protectora dosAnimaes é uma força. Tem a seu lado, aprestigiada, na sua unanimidade, os poderespúblicos, — a imprensa! Tornou-se um dospadrões de gloria do glorioso Estado de S.Paulo, porque o Estado de S. Paulo, que éuma nação dentro da nação brasileira, nãoseria, integralmente, o que é, se lhe faltasse,entre às nobres instituições que mantém aU. I. Protectora dos Animaes. Somente ásnações civilizadas, aos povos verdadeira-mente cultos, assiste o dever de cuidarda protecção aos seus animaes.

O Departamento de Propaganda da nos-sa sociedade, a cargo das senhoras MariaLuiza Pereira de Queiroz, Zina Moreira eAurelina Rocha Marcondes, no empenhode vulgarizar as idéas) os sentimentos zoo-philos, entre os alumnos das escolas pri-marias da Capital, trata de alimentar a bon-dade no coração das creanças, que são, poríndole, naturalmente propensas á bondade,

e de implantar essa virtude no coração da-quellas que se mostram menos sensíveis, maisrefractarias á ternura. Porque é um factocommummente observado. Ha creanças, que,desde a mais tenra idade, são de uma do-cura inalterável, — affectuosas, resignadas;a gente sente-lhes, no olhar e no sorriso, osprimores de um coração bem formado, aalma dobradamente boa que se desabrochadentro dellas. Ao passo que ha outras quenão sabem acceitar carinhos; são sombriasde temperamento, — esquivas. Respondempor monosyllabos ás perguntas que se lhesfazem, de cabeça baixa, o olhar de esguelha.E, quando brincam, é altercando com ascompanheiras, batendo-lhes, regosijando-se

se lhes sobrevêm algum infortúnio...Isso, no emtanto, não significa que não

se possam modificar, corrigir-Se com o cor-rer dos annos. Podem, pois não. Podem atétornar-se creaturas virtuosíssimas.

Na "Imitação de Chri<sto", no Liv. I,cap. XXV, se lê que as virtudes se adqui-'rem com cuidado e diligencia. Motivo porque Montaigne nos diz que a mesma acção

identicamente praticada por duas pessoasdifferentes, — pode ser, por mera bondade,por uma, e, por virtude, pela outra.

A campanha zoophila nas escolas, mi-nhas Senhoras e meus Senhores, será, pois,de um grande alcance nesse sentido. Acrueldade para que não se torne um vicio,precisa de ser arguida, reprimida.

Não podeis imaginar o que- ella foi, noBrasil, nos tempos da escravidão!

O fazendeiro era um perfeito senhorfeudal. A jurisdicção, que tinha dentro dosseus domínios, era desmarcada, excessiva.Não obstante a lei do "ventre livre" pro-mitigada a 28 de Setembro de 1871, ellecontinuava na posse de privilégios consuetu-dinarios inauditos. A lei escripta não o at-tingia. Era senhor de baraço e cutelo. Osseus subditos, elle os submettia a um códigoúnico, — é sua soberana vontade.

E fora dos seus domínios, a nação comoque lhe tributava livre preito e vassalagem.Eram todos a ajudal-o. O negociante, por-que tinha nelle o seu melhor freguez; asautoridades, porque sabiam das suas rela-cões na corte, — e, assim, o clero, a gentedo foro, o collector que lhe matriculava osescravos, o advogado que não recebia patro-emío de causa contra elle. E, por cima dissotudo, os partidos políticos a cerrarem fi-leira a seu lado.

Nimbado desse prestígio, o fazendeirotornava-se um indivíduo intratável, odioso.Nelle, petrificavam-se todos os sentimentosgenerosos, humanos; os mais comezinhos

ç ementos da caridade christã. Infundia hor-ror o requinte com que fazia flagellar osseus escravos.Muitos dos actos que se praticam, ainda

hoje, no Brasil, são como que um reflexodesse nosso passado. O sangue frio comaue se manda matar; o sangue frio com quese mata. Haja visto o caso tenebroso deOonrado Niemeyer: o caso suecedido, hadias, na Câmara Federal. A índifferençacom que homens, formados em Direito, noexercício dos cargos que desempenham, per-mittem que se espanquem desapiedosamen-¦te pobres presos indefesos que se encontramsob a sua guarda.

Ovídio, nas suas "Metamorphoses" nosconta que o primeiro sangue com que ohomem tingiu o ferro sobre a terra, foicom o sangue dos animaes. Logo depois,elle mergulhava-o inteiro no sangue do seusemelhante. E tomava^e, assim, de ummomento para outro, um lobo para o pro-prio homem. "Homo homini lúpus". Deonde esta illação lógica: o homem, que mal-trata os animaes, não hesita em maltratarseus semelhantes. E esta outra illação nãomenos lógica: a creança, que aprende aamar os animaes, aprende, indirectamente,a amar o próximo.

Nós costumamos chamar aos animaes '"nossos irmãos inferiores", — e, a nós, nósarrogamos o sceptro de reis da creação.

Não será isso, acaso, demasiada pre-sumpção da nossa parte ?!.. . demasiado ar-rojo de auto-idolatria ?!...

Pena é que elles não tenham o dom dapalavra. Quem sabe se nos levariam a re-jeitar a nossa opinião por infundada !...É o que nos faz sentir. La Fontaine, nestasua fábula, — "O Leão vencido pelo Ho-mem" :

"Poz-se á vencia uma pinturaOnde estava figuradoLeão de enorme estaturaPor mãos humanas prostradoMirava a gente com gloriaO painel; eis se não quandoUm leão que ia passandoLhe diz: "É falsa a victoria."Deveis o triumpho vossoÁ ficção, blasonadores;Com mais razão fora nossoSe os leões fossem pintores."

O facto, minhas Senhoras e meus Se-nhores, é que não são poucos os ensinamen-tos que nós lhes devemos, aos nossos irmãosinferiores E ensinamentos profícuos!

Democrito sustentava que nós aprende-mos com elles os primeiros '"udimentos damaior parte das artes, bem como da scien-cia que lhes é infusa.

Assim, foi a aranha quem ensinou a mu-lher a tecer e a cozer; certos peixes quéensinaram as mathematicas, a astrologia, aohomem; o castor quem o induziu na artede construir.. . Segundo Aristóteles, osgregos aprenderam o canto e a ensinar ocanto a seus filhos, com o rouxinol, queé quem ensina, com disciplina e uma pa-ciência infinita, o filhote a cantar. E tan-to isso é verdade, observa Aristóteles, queo filhote de rouxinol, creado em gaiola, nãocanta.

E assim, como essas, muitas outras no-ções nos foram inculcadas por elles. Emmedicina, então, ellas não têm conta. Gran-de copia dos ensinamentos que Hippocratesnos transmittiu, elle aprendeu-os, sob ainspiração dos exemplos que os animaes lhedavam. E é por tal forma valiosa a influemcia dos animaes na therapeutica de certasmoléstias, que ha um velho rifão francezque nos aconselha:"Tenez chauds les pieds et Ia tête,

Au demeurant, vi vez en bete."Na antigüidade, houve animaes que fo-ram venerados, adorados, no seio das na-

çoes mais cultas da época. Juvenal mencio-na numas o crocodilo, noutras o Íbis sa-grado, que se alimentava de serpentes; aquisobre um altar, era a estatua de un} macacoa resplandecer cravejada de brilhantes; aco-Ia sobre outro, a de um peixe. Em Romaos ganços do Capitólio tinham, para se oc-cuparem delles. uma legião de creados vigi-antes; em Athenas, os muares que trata-Iharam na construcção do templo chamadode Hecatompedon passeavam, livremente

(Conclue no fim do numero)

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FEVEREIRO19 0

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Ponte que liga a cidade tle Timbury aIpaussú (Photo J. V. Vieira) — Casadas Turbinas da Companhia de Electri-cidade de Cambará e Ponte sobre o rioParanápanema (Photos Luiz Carme-

lingo).

S a oPaulo

Em baixo : dois trechos do rioParanapanema, nas immediaçõesda pequena cidade de Ipaussú,quasi na fronteira do Estado doParaná (Photos Vieira e Carme-

lingo).

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O CASTIGO DO INNOCENTE

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Você já soube de Heloísa? a: aQue Heloísa?Aquella nossa vizinha na rua da Gloria,

uma moreninha, de nariz arrebitado, olhos, muito es-x-curos...

Sei... Vi-a algumas vezes em sua casa. Nodia dos seus annos até fez um brinde a você .Diziam-naprendada,

Foi alumna distincta da Normal.Mas, que tem? Morreu?

—- Não. Cousa ainda mais triste.f;;:;;- -^;simv, ;:,; - _ --"

¦ •:• ^ Não.sei si você soube que ella se casou contraa vontade dos pães.

'-¦—- Soube não.

Pois foi. Começou a namorar com um rapaz,do Telegrapho, Namoro pegado... Encontravam-se na

c^ua, conversavam, escreviam-se. E a cousa caminhavamesmo para casamento porque ambos tinham excellen-tes infençoes. Mas, o pae de Heloísa, sabendo de tudo,abriu-se com a filha e declarou-lhe que tal casamentoseria uma loucura.. ;~v a

O rapaz não prestava...., — Engana-se. Era boa pessoa; tinha emprego re-guiar; muito conceituado entre os collegas...

E porque, então, essa negativa paterna?Porque já perdera duas irmãs tuberculosas; damesma doença morrera-lhe o pae, e, elle próprio, anda-

MA R I O

ra, aos Í8 annos, por Gravata, com uma grande fra-queza...

Não eu que me casasse!... Tuberculose! Te-nho um medo!

¦— Heloísa estava apaixonada e teimou. Os pãesse aborreceram inutilmente. Ella casòu-se. E, agora...

Ficou também tysicaL Era de esperar. Um ca-samento assim!

': *Si tivesse sido isso, seria triste, mas era justo.

Casando-se com um rapaz tarado de tuberculose, ella sópoderia esperar contrahir tal doença com o °marido.Não fora por falta de avisos, nem de conselhos, que fi-zera tal enlace. Soffreria por sua própria vontade...

E não foi o que aconteceu, não?Nao. Quem pagou foi um innocente.'x — Um innocente?

O filho. Nasceu ha um mez. Heloisa vivia so-nhando com essa creança. Preparara enxoval lindissi-mo, tudo feito pelas suas mãos. Não se cabia de satis-facão por ir ser mãe. O marido, por seu lado, andavarindo-se para tudo. E, afinal, o filho nasce. Que hor-ror! ^T.., x- .,;..

...... — [Morto?Peor que morto. Um esqueletozinho, uma cou-

sa de causar pena e repugnância ao mesmo tempo. Apelle em cima dos ossos, a cabeça enorme, as perninhasduas linhas... Quasi nem se move, quasi nem mana...Vive no berço, como um trapo, e só faz, ás vezes,gremer...

S E T T E

PÍÍÍhKwHÍ EÍm I ' < .-'XXXX. X' ' AA X.•..:';¦'-..- - ;M;x.'.MÉ^__^Ks^^mmAmm^ammmmmmmmm^msmmímWfi^mmmKmmmÊ^s^ ¦_-¦ mmmm ... -•_f& m__\

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* Á\W XawmW W\ Ama*^L

Na igreja da Caiulelaria, depois da missa que os funccionarios do Ministério do Exterior mandaram rezar neh al™ rl« T^..Raul Adalberto de Oimpos, diréctor dos negócios commerciaes e consulares do Bi^sn ha iouc™fallecido em Berlim. Esteve presente o senhor Ministro Octavio Mangabeira.

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FEVEREIRO19 0

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Grupo feito antes do almoço que o Ministro da Marinha offereceu á Missão Naval Norte-Americana, ao qualcompareceu o Embaixador Edwin Morgan.

AUM

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MENDIGOMendigo de olhos tristes! Tem paciênciaE confia na dôr que te estiola:Se ella deixa sem pão tua sacola,Ensina-te o breviario da experiência.

Aprende. A dôr sempre é a melhor escola.Nella amparado, em meio da existência,Terás em cada olhar e em cada esmola,Consolo á tua própria decadência.

Ama a dôr, essa dôr que purifica,Que te dá uma ephemera esperançaNa saudade que é a lagrima que fica

A humidecer-te a palpebra dorida,Para que vejas sempre a vida mansa,Mesmo que seja desgraçada a vida.

OLEGARIO MARIANNO{Da Academia Brasileira)

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BRASILEIR A

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(praça da (ConcórdiaSUGGESTÕES DO ULTIMO LIVRO DE ANTÔNIO FERRO

DE CARLOS MAUL

Quando abri as paginas de "Praça da Concórdia" deAntônio Ferro, instinctivamente recordei João do Rioe Soiza Reilly. Embora com a sua personalidade mar-cada, com o seu traço, o lusitano é um affim do brasi-leiro e do argentino. Como o nosso patrício e como oentrevistador de "Cien hombres celebres" elle tambémcorreu mundo, ouvindo os gênios e os medíocres e f ixan-do-lhes as palavras ou as idéas.

Poucas vezes tenho encontrado tantos espiritos con-tradictorios, tantas figuras dispares e antagônicas, tãohombro-a-hombro, como nesse volume que é, na reali-dade, o que o define o seu titulo. Antônio Fer-ro affirma que não procurou apenas os grandes conhe-cidos porque fossem grandes, mas pela sua situação devictoriosos. Dahi o depararmos ao lado de um Herriotum Coty, ou a Mistinguett perfeitamente á vontade navizinhança do grave Poincaré. São as maiúsculas comtodos os officios, na phrase do chronista...

Soiza Reilly andou a arrancar confidencias aos sa-bios, aos poetas, aos músicos, aos bispos, aos vagabun-dos, e classificou-os na galeria das celebridades. Ellesnão ficaram mal, com certeza, no ambiente... ApenasD'Annunzio, de quem Antônio Ferro tem uma impres-são differente da de Soiza Reilly, que sentia morder-lhe a ponta do pé o desejo de um affago nos fundilhosdo trágico da Nave, está num nicho á parte, numa es-pecie de purgatório..,

Em "Praça da Concórdia", entretanto, a harmo-nia é perfeita. As vezes uma nota de accento irôniconos deixa adivinhar que o entrevistador soffreu, ou umadecepção, ou um desses aggravos que costumam com-rnetter certos indivíduos incapazes de comprehenderque um jornalista é sempre útil, ainda que nos ata-cando.

Mas Antônio Ferro é um escriptor moderno, vivo,fremente, com os nervos bons, de um organismo robus-to, sensivel á alegria da natureza. Os seus diálogosdeste livro freqüentemente, dão-nos a impressão de queé elle o interrogado, o alvo da curiosidade de seus pre-feridos, tão curtas são as respostas, tão desenvolvidase luminosas são as perguntas que elle dirige aos cava-lheiros da politica, da literatura, cia industria france-

za, escolhidos para a efficiencia da sua tarefa em Pa-ris. Na entrevista com Jean Coctean — um polygra-pho que foi coqueluche em quatro cantos do globo -h-

esse pensamento se confirma quando Antônio Ferro es-clarece que o autor de Le Grande Ecart negou delica-damente algumas declarações que lhe foram attribui-das. Ahi o scintillante compositor desta verdadeiraanthologia corrige: "Sinto, porém, tantas affinidadesde espirito com o adivinho de Le Rappel a l'Ordre quepcsso admittir que tenha posto, inconscientemente, opi-niões minhas, verdades minhas na sua bocca".

Deve ter sido isso. Ha duas maneiras de falar áimprensa: quando se quer e quando se não espera. Noprimeiro caso, organiza-se o questionário e chama-seo jornalista que se incumbirá cie ractificar o que jáestá escripto.. No segundo, a surpresa nos entrega áboa ou á má vontade daquelle a quem desejaríamostransmittir as nossas opiniões com mais calma e me-nos sinceridade...

Aliás, eu penso que as melhores entrevistas são asem que o entrevistado entra como um elemento deadorno, uma marioneta de theatro de bonecos.

Em vinte e cinco annos de actividade periodisticanão me têm faltado episódios de um pittoresco enter-necedor nesse estylo. Lembro um, interessantíssimo,com um chefe de repartição incumbido de organizaruma feira de frutas. Havia um programma, com o queeste me forneceu de conhecimentos da matéria, plan-tei-me diante do cidadão, fiz-lhe perguntas e fui regis-tando as respostas que elle me dava, só com os olhos.Pensei que fosse mudo.. . Depois verifiquei que eraum sábio, quando elle endossou tranquillamente tudoo que eu lhe attribuira tirado cia minha precária scien-cia de quitandeiro.

"Praça da Concórdia" é uma obra de cinemato-graphia, Como nos films synchronizaclos um cantor po-dera ver-se e ouvir-se durante a vida e confiar na éter-nidade da sua physionomia e da sua voz. Num livrodesses, quem conversou com o autor tem a certeza deque mais ephemera do que a arte é a nossa própriaexistência...

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FE VER E I R O0

Um conto de CtCêetto de ÔCwehad Ithtoxia de (fotanca

Exactamente o que commigo se deu, tive também a minha Branca, dis-se-me o velho Simeão, ao ouvir os últimos tercetos do poema de Nuncz de Arce.

Também?Sim, senhor. Estava você a lêr e eu a lembrar-me. Não disse que es-

tava com somno?Disse, mas a leitura espertou-me.Pois então ouça.

Era este dialogo meu, com Simeão na fazenda da Bôa-Sorte; onde com ai-guns livros — novellas e versos — de que me apercebera para arrostar o mono-tono curso das longas noites da roça, tinha ido passar ás ferias, naquelle arden-te mez de janeiro. O Simeão fora o melhor amigo de meu avô, cujas idéas poli-ticas esposava com enthusiasmo, batendo-se como ninguém pelo que já entãose chamava o " partido da ordem". Creio que chegou a tomar assento na as-sembléa provincial. Homem de fáceis explosões de cólera, violento e arreba-taclo, possuia entretanto, o sentimento das dedicações extremadas; não recuavaem affectos, seu coração não se desdizia nunca. Isto talvez explica o interesseque tomou sempre por mim, achando, como me dizia ás vezes, no talho do meurosto e em minha expressão physionomica qualquer cousa que lhe avivava arecordação de seu velho camarada político. Foi a muito instar delle em cartasseguidas, que um dia resolvi consagrar-lhe parte de minhas tréguas acadêmicas,abalando daqui até ás alturas de Cantagallo.

Nessa noite, após o lento arrastar das horas de um dia calido, naquelle ca-sarão quasi deserto, pois o Simeão, que sahia cedo para correr as lavouras, tinhaapenas comsigo uma irmã paralytica, e toda a escravatura eu a via na lombadada serra, ao longe, sob o queimar do sol, revirando as enxadas, — nessa noiteachava-me eu no quarto dos hospedes a subscrever umas cartas para a cidade,quando o fazendeiro, conforme o costume, entrou para dar o seu " dedo de pro-sa ". Veio-nos ali mesmo o café, accendemos cigarros de aromatico fumo mi-neiro, e dos assumptos de lavoura, das perguntas delle sobre a vida da capital,e a politica e o jornalismo, passou Simeão — talvez porque visse sobre a mesaaberto um livro de poesias — a falar-me das letras. Amava-as sem as cultivar,porque o tempo lhe ia todo com os negócios.

Que livro é esse que tem ahi?As poesias de Nunez de Arce.Leia-as, leia-me qualquer cousa.

Foi então que peguei do volume, e bem ou mal traduzindo-a, li a pungentis-sima historia de Branca.

Ouça, tinha elle dito, finda a leitura, e depois de enrolar um novo cigar-ro e de accendel-o, chupando-o á chamma do lampeão: Seu avô conheceu-a erecordo-me até que uma feita lhe deu de presente uma novilha que era um mimode boniteza; havia ali onde está hoje a venda da Encruzilhada, na antiga fa-zenda conhecida pelo nome de fazenda dos Três Irmãos, uma senhora chamadaEtelvina, que era a mais formosa de quantas tem vindo a este mundo. Era altae esguia, sem ser magra, e de uma pallidez raro vista nestas alturas. Que olhosmeu amigo! creio estar ainda a vel-os, alumiando naquelle rosto, entre a pom-pa dos cabellos que roçavam o chão! Orçava pelos vinte annos quando a co-nheci e com ella procurei ensaiar namoro. Repelliu-me. Eu fui sempre teimoso.Todas as tardes á Ave-Maria, lá estava; recebiam-me em casa a mãe e os ir-mãos (perdera o pai muito cedo) como se eu já pertencesse á familia, comfestas e agrados. Ella esquivava-se. Triste sempre, tristíssima, os olhos le-vantados como em prece, leve como uma sombra; parecia a figura de NossaSenhora em sua Assumpção. Escrevi-lhe uma carta, escrevi-lhe dez cartas.Nunca me respondeu. Mas vieram dias melhores. Vêm sempre nestas occa-siões, para depois fecharem-se em noites de eterno desespero ou saudade. Ellafoi se mostrando mais confiante, achegava-se mais, nasceram-lhe alguns sor-risos, com promesas de outros e outros que deviam vir vindo, como as peque-nas ondulações que se succedem numa agua onde cahiu uma folha. O seu arde doente, a sua tristeza cediam a um sentimento novo de saúde e vida. Exul-tei, ia final triumphal. Se me não falha a memória foi isso ao tempo em quecomeçou a apparecer lá o Dr. Jeronymo, um medico que clinicava no Bom-Jardim. Muito amigo da casa. Dizia-se que pretendia a viuva...

Jeronymo Sodré?Exactamente, Jeronymo de Azevedo Sodré. Conheceu-o?

Não, mais já o ouvi nomear. Um bom medico.Um grande medico. Curava tudo, vivia de dar vida aos doentes já

desenganados, já com o pé na cova, como se diz. Vamos, porém, ao caso.Tomei como favorável a mim aquella mudança de Etelvina e tratei de adean-

tar o passo ao meu desejo, aproveitando o momento. Uma vez que sozinhosficáramos na sala, ao pé da janella, peguei-lhe rapidamente da mão, levei-a ábocca, beijei-a. Ella sobresaltou-se, ia falar, ia talvez protestar, mas um so^luço embargou-lhe a voz; e em seu passo de sombra, muda e solenne, atra-vessou a sala cheia já do primeiro escuro da noite.

Perdi de vez o equilibrio desde esse dia. Aquelle beijo foi a cratera es-cancarada que devia engulir-me. Parece que as paixões, como as feras, sãomais cruéis e indomáveis quando irrompem nos ermos, entre brenhas, como étoda esta zona de serra acima. Nas cidades perdem parte da sanha e dellasha que acabam domesticando-se. A minha rugiu não sei quanto tempo,passou famelica noites e noites, sob as estrellas, ao redor da fazenda, defronteda janella, eternamente fechada, que eu sabia ser a do quarto de Etelvina.

Não voltou mais á fazenda?Voltei lá ainda uma vez, — era o dia de seus annos. Estranharam-me

a ausência. Expliquei-me, pedi desculpas a doença da mana, os trabalhos elei-toraes... Notei uma como reprehensão no olhar de Etelvina que, não obstan-te ser de festa o dia, me appareceu avassallada da antiga tristeza. Achei-a ma-gra, desfeita, extremamente pallida, de uma côr declinante á da palha secca,os grandes olhos abysmados e humidos. Indaguei se tinha estado doente. Nãodisse com um meio sorriso e com uma lagrima que embora procurasse es-conder, não o fez tão prompto que eu não a visse, limpida, crystalina, reful-gindo-lhe ao bordo da palpebra.

Foi logo na noite seguinte. Oh! não me hei de esquecer jamais! Foi bomperguntar se eu não tinha voltado lá, porque me ajudou a lembrança. Comode costume, rondava eu a fazenda, olhos cravados no alto, em sua janella.

A sensação que experimentava nesses gyros nocturnos era como a de umhomem que tivesse uma agulha passada no coração. Ameaçava chover. Venta-va. Esgalhada ao pé da janella, uma antiga amendoeira espanejava-se, comoem calafrio, com o ápice das folhas riscando a parede. Rolou um trovão cavoe surdo, algumas gottas de agua cahiram. Aproximei-me da casa, puz-mea coberto sob os ramos da arvore. Collei o ouvido á parede, escutei. Queriaouvir-lhe o respiro, o seu resonar. Ouvi passos. Ella estava ainda acordada.Occorreu-me chamal-a baixinho uma vez, muitas vezes: Etelvina! Etelvina!Novo trovão praguejou retumbando, e os fuzis levantaram-se, lambendo océo todo. De repente, sobre a minha cabeça, a janella abriu-se e um corpoleve veio cahir-me aos pés. Era um pouco de algodão embebido de um liqui-do negro. De um salto, rápido, atirei-me ao tronco da arvore, estendi-me aolongo dos ramos, toquei com as mãos o peitoril da janella dei um impulso aocorpo, galguei-a. De" joelhos, em frente, ao pé de um oratório doirado, ondeduas velas ardiam, immovel, como petrificada, Etelvina rezava. Attenta comoestava á oração só deu com a minha presença quando, aproximando-me, lhetoquei de leve a cabeça.

Simeão! exclamou com um gritinho de susto.Eu mesmo, não tens que temer; entrei por ali, explicava-lhe, tomando-

lhe as mãos, enchendo-as de beijos. Ella erguera-se, soltos os cabellos, osolhos parados de espanto, e ainda molhados das lagrimas que a oração lhearrancara.

Perdôa-me, puz-me a dizer-lhe, cahindo a seus pés, abraçando-a pelacintura. Perdôa-me! eu não podia supportar mais tão grande supplicio.Amo-te! Àmas-me também, não é assim ?

Nada respondia, hirta e pallida como uma estatua.Fala, Etelvina, dize que me queres também, dize para que eu seja feliz

e se acabe este longo martyrio.Ergui-me, beijei-a nos olhos nas faces, nos lábios e — doe-me confes-

sal-o — não pude soffrer a minha exaltação de sentidos, tomei-lhe nervosamente das mãos e tentei arrastal-a até ao leito, cujas cortinas alvejavam a utcanto. Ella porém, fez um movimento, soltou-se, recuou um passo, e indignao.e convulsa:

Não! exclamou fitando-me, não! primeiro que satisfaças teu amor im-puro, ver-me-ás morta. Sou pouco menos de uma moribunda. Pára ahi e vêque amante é esta que assim te arrasta á loucura. Olha que seio te espera.

E com a mão tremula desabotoando o manto, mostrou, sob uma camadade algodão fresco, o peito a meio carcomido de enorme chaga.

Podridão, meu amigo, podridão, como na historia de Branca, como ao fimde todas as cousas! concluiu, sentenciando, o velho Simeão.

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Nanai, 24- de junho de 1927.

Acordei madrugadinha com a bulha deembarcar madeira. Eram os toros gigantes-cos do mogno peruano que o nosso naviolevaria até Belém, e de lá passariam prósEstados Unidos, destinados a uma fábricade vitrolas. Não batera nem cinco hoíasmas o dia estava completamente visível esaí de pijama no deque do vaticano, praexaminar um pouco a vida. Primeira coisa

que vi foi logo o Índio irônico da vésperaremando num "casquinho" de nada, à ro-clear o navio.

Ele estava de olho no deque e assimque me enxergou abriu a serra dos dentesem ponta, se rindo satisfeito. Eu inda guar-dava uma esperancinha de mascar coca ámaneira dos indios e fiz um gesto pra queo huitota encostasse a canoínha no vaticano.Era so isso mesmo que êle esperava. Desciprá terceira e em duas remadas perfeitas omdio estava junto de mim. Ue disse queremasse pro largo e embarquei no casquí-nho. Estava mesmo disposto a engambelaro huitota e conseguir o excitante. O índioremava, sempre rindo com aquele geito deesperto descansado, e quando a zoada dosguindastes só chegava mansa em nossaságuas, principiou:

Ontem o senhor estava escrevendonum papel. ...

Sei, e daí?Me falaram que o senhor faz canti-

gas.. .

7- Faço, sim. Por isso que pedi coca pravocê. Queria escrever uma cantiga bonitasobre a coca, mas sem provar como queposso fazer?Ele riu meio envergonhado, pensando esecundou firme:

E', coca eu não dou não. Não te-nho...Ora deixe de história! já falei quePago dez soles si você me der um pe la-cmho. S, voei não der, eu compro na ei-Em Iquitos?Em Iquitos.

Ele tornou a sorrir sossegado.Chinês inda não vende coca

k„ A Mas nã0 teni só chin'ês em Iquitos.Eu me arranjo, garanto. Si pedi foi , 0rquêficava mais fácil. [

t,Va7é° Senh°r V3Í eSC,'eVer "1UÍtas ca»-

— Vou.O huitota remou mais, matutando Decerto estava querendo falar alguma eoisa.Nos boiávamos nas águas paradas do la-goao e o sol inda não espanara a poeira de

frescor que em tudo havia. A delícia de serera tão paradisíaca que eu me isolava daminha inteligência, possuído por uma su-Mime fatalidade vegetal. A voz do huitotaveio vindo lá de lonp-e-o *

. . .0 senhor ontem falou pra aquelemoço quasi sem boca que era pena ver hui-tota, preferia ver inca.Readquiri de novo a impaciência de nãoconseguir coca e:

Falei sim. Os incas são um povogrande, com muito valor. Vocês são o-e„tedecaída. *

. Ele molhou os olhos nos meus, muitoserio.—O que é "decaída"?

p isso que vocês são. Os incas pos-smam palácios grandes. Possuíam anéis deouro, tinham cidades importantes, impera-dores, tinham vestidos muito bonitos comtecidos cie plumas pintando deuses e bichosde côr... Trabalhavam, sabiam fiar, fa-ziam potes finíssimos, muito mais finos queos de vocês... Tinham leis.O quê é "leis"?São ordens que os chefes mandam

que a gente faça e a gente é obrigado a fa-zer smao tom. eastigo. A gente é obrigadoa cumprir essas leis, porquê elas são pratodos igualmente e fazem bem pra todos.Será?Será o quê?Será que elas fazem mesmo bem

pra todos. .... -nOs olhos dele estavam insuportáveis demalícia.— Fazem, sim! Por exemplo: si vocêtem casae tem mulher, então é direito queoutro venha e tome tudo ? Então o imperadorfaz uma lei mandando que o indivíduo ca-Paz de roubar a casa e a mulher dum outroseja morto. Isso é que é uma leiO senhor vai botar tudo isso na can-

• t>clj e.De certo.A gente possue um chefe também-vias nao possuem leis!

T E'- • \ com ôsse nome, "leis",

a o-e„-te nao possui mesmo. . *E não fazem/ nada. Onde se viu nassar o d,a dormindo daquela forma! Po Z«e vocês não fazem vasos bonitos t -

SelV mlPalaCÍ° dÍreÍt°' de !'«'- e nãoaquela maloca suja, enfumaçada, com picuma, duma escureza horrorosa

O huitota se agitou um bocado. Agarroua';;:; 0out?;vez-com muita r«™

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Omonotonia das remadas, depois de acalmarbem a expressão e poder me olhar sériooutra vez:

Moço, pode botar tudo isso na can-tiga que está certo pro senhor. Si o senhorentendesse a minha lingua, eu contava mi-lhor. Castelhano, sei pouco. . . Só que osenhor fala que a gente é decaída porquênão possui palácio. . . Está certo, porémos filhos do inca também não possuem pa-lacios mais não, só malocas sujas.

Pois é isso mesmo. Infelizmente elestambém são uma raça decaída.

Não são não, moço! Os filhos doinca já não fazem mais palácio, isso sim.De primeiro êles faziam palácio, agora jánão fazem mais, o senhor está me entendeu-

. do ? E não é porquê espanhol tomou o pa-lacio que filho de inca não faz mais outronão; filho de inca é feito a gente, bem quepodia fazer outro. Mas inca foi fazendo,fazendo palácio, teve um dia em que fezum tão bonito, era tão lindo que a genteparava olhando. Ficaram. . . não ficaramdois palácios não; ficou um palácio e ficoumais "um"

palácio. A gente parava olhan-do um palácio e parava olhando mais o ou-tro "11111'

palácio... Cada um deles eramais lindo que o outro, contam os pais dastnbus, e isso foi uma revelação medonha.Todos puseram reparo, por causa do suce-dido com os palácios, que tudo era a mesmacoisa, tecidos, palácios e vossas leis. Tinhade tudo e tudo era do bom. Porém era domilhor e no emtanto não se distinguia maiso milhor. Então o imperador incla preten-deu fixar uma ordem mandando inca acharmilhor o palácio e a lei que êle tinha feito,porém toda a gente parava olhando emfrente dum palácio e do outro palácio e, porcausa da lei, teve uma guerra temível entreos soldados do imperador e o povo. Quandose acabou, o povo é que ganhara porquêtinha brigado com certeza. Pois então pu-seram no lugar do imperador, o primeiromoço que percebera que um palácio naopodia ser mais bonito que o outro. Vai, omoço mandou uma lei nova, ordenando queninguém não construía mais palácio por-quê no fundo da gente, a gente pondo re-paro, no escuro ainda tinha um outro pa-lacio maior, tão lindo, mas tão lindo mes-mo que era impossível de construir. Todosficaram enthusiasmados com essa descober-ta do moço que sabia tanto e quiseram obe-decer á lei nova, só que foi impossível obe-decer. E' que a ordem não resolvia nada,nem o caso dos palácios nem as leis que de-viam fazer a felicidade do povo. Não resol-via porquê si a gente assuntava no escuro o

fundo da gente, percebia o tal de paláciomuito lindo e a tal de lei que fazia mesmo afelicidade, julgava assim e estava certo. Po-rêm por detrás do palácio muito lindo e dalei perfeita, que de tão maravilhosos não po-diam ser praticados na vida aqui do chão,por detrás do palácio e da lei, mais pro fun-do da gente, no escuro, aparecia outro pala-cio e outra lei, que pareciam ainda mais per-feitos, mas que a gente nem podia saber sieram mais perfeitos mesmo porquê não erapossivel construir todos esses palácios sobreo chão, nem obedecer a essas leis que detão boas nem a gente conseguia falar quaiseram. O que a gente percebia assustadissimoé que o homem, pelo menos inca, filho deinca e huitota, os brancos não sei não... oque a gente percebia assustadissimo é que ohomem não tinha fundo, no escuro, em quepudesse afinal parar a construção desses pa-lacios e dessas leis. E então toda a gente serevoltou. Pegaram no moço tão sábio e, de-pois de três dias morderem o maldito, ras-garem todo o corpo dele, o enforcaram notapirí pobre em que vivia. De muito queos incas já conheciam a coca, mas uma leisempre falara que ninguém podia mascarcoca, só doente morrendo... Os pais dastribus contaram o caso dos palácios prósfilhos do inca e todos ficaram horrorisadoscom as mortes de irmãos que tinha havidona guerra e na revolução. E, que nem hui-tota, foram muito mais sabidos porquê nãofizeram mais guerras entre irmãos nem re-voluções. O branco dominou a gente e seaproveita disso. Branco de certo tem fun-do. . . Por se aproveitar da gente é que dáterra pra huitota morar e mandou uma leiobrigando os índios a trabalharem no roça-do vinte dias por ano. Huitota, podendo,nem os vinte dias trabalha, é demais. Hui-tota nem carece descobrir si é feliz porquêjá passou adiante do tempo do palácio e dalei. Huitota é feliz, moço, não é gente de-caída não tem lei porquê é feliz e por issoanda direito. Agora êle bota livremente cocana boca, se alimenta mascando e vive as-sim. Não se amola mais com o palácio depedra nem com o palácio que vive no fundoda gente, no escuro.

Parou fatigado e remou pro vaticano.Chegando, se despediu assim:— Tenho coca no bolso porém dou não.

O senhor tem um imperador que proíbemascar coca. . . Pois então praquê que osenhor desobedece! Assim inda fica mais in-feliz. Não valeu de nada eu contar, sei; émuito tarde... quero dizer, é muito cedopro senhor não ser infeliz. Falei, mas foipro senhor escrever uma cantiga mais bo-nita.

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FEVEREIRO19 0

O DESTINO TEM FORCALVARO GOMES conhecera Laurita Menezes

ainda em creança. No collegio. Nos brin-quedos das praias. Das praças. Dos jar-dins. Nos brinquedos infantis. Os pãeseram vizinhos e, porque os fossem, elles no

mesmo estabelecimento, viviam sempre juntes, na igualalegria da meninice e na igual innocencia.

Mas não cresceram juntos. Juntas as casas fica-ram, porém as duas familias se separaram. Mudaramde bairro. Nunca mais voltaram a morar juntos. Coisaque acontece no mundo muitas vezes. E os annos vie-ram. e foram passando e voltaram de novo e de novopassaram. A roda da vida que gira, gira. ..

Álvaro Gomes ficou rapaz. Laurita Menezes, rapa-riga. Elle rapaz... Precisará dizer mais? Ella rapari-ga,. . Mais não precisa dizer.

A vida para ambos era um jardim em manhã deprimavera. Com repuchos cantando na água movei dostanques. E pássaros cantando nas roseiras. E sol e céoazul sobre o jardim e dentro delles. Illuminando-os.

Mas separados. Sem se verem. Quando se viramuma vez foi para recordarem sem palavras a infânciamorta, que a saudade revivia. Elle, vendo-a moça, tãodifferente dos tempos da escola; ella, vendo-o outro,desigual do tempo de collegio.

Namoraram. Precisará dizer o que fizeram comonamorados? Quanta coisa!

E aconteceu o que sempre acontece com os que seamam deveras: brigaram. Só os amores sem amor nãotem revezes. E a vida os separou de novo. Um paraum lado, outro para outro. Sem magua? Talvez, sim;talvez, não. A saudade é um resto de bem perdido. Oamor que ficou na lembrança. Pungindo no coração.Porque ás vezes, no isolamento, Laurita recordava oprimeiro amor, sem uma queixa séria cio namorado;Álvaro Gomes revolvia a arca do passado tauxeada decoisas insontes e felizes e cia confusão de tudo ascen-dia, como numa redoma luminosa, a figura quasi fio-rida e immaterial de Laurita Menezes.

Depois passava. A ultima linha que Alencar es-creveu no Iracema.

* *

A roda da vida que gira, gira. Novas mutuações.Acontecimentos. Laurita casou. Álvaro, não. E fo-ram vivendo. A roda da vida girando, girando. E vie-ram filhos, com elles a diluição das scenas mais afãs-tadas da vida de ambos, o próprio passado que ia pas-saneio, esflorando-se, morrendo.

Ha vezes em que a gente lá distante, no meio daexistência (e ha meio de existência tão longe!), comono fim de uma estrada sem curva, detem-se na sombrae olha as léguas sem fim que percorreu.. E lá no co-meço, na bruma que a perspectiva torna as cousas in-c A R L

distinetas, imprecisas, ainda vislumbra scenas que nosecoam na alma, sacodem o coração, pungem os olhos

Tanta vez isso acontece! Acontecia também a Al-varo Gomes. Também á Laurita. Mas tudo era nu-vem que se desfazia no ar, nevoa de sonho que a rea-lidade derretia. E a roda da vida girando, girando.

*

— Um enterro!Era, de facto, um enterro. Já a caminho do cerni-

terio de S. João Baptista.Os cavallos puxando o coche, levando o caixão e le-

vando coroas de flores que se despetalavam no cami-nho. E automóveis atraz, automóveis, levando pessoasde caras fingidas, fingindo tristeza. Pessoas deenterro.

E os jornaes desse dia diziam:"Falleceu hontem, em sua residência da rua Car-mella, o Sr. João da Silva Menezes, sócio da firmaPaulino, Menezes & C. Era um excellente chefe de fa-milia. O Sr. João cia Silva Menezes, que morre aos 45annos, deixa viuva, a Sra. Laura Gloria Menezes. Oseu enterro..."

Precisava ler mais? Não. Álvaro não leu mais.Quanto ao enterro já sabia de quem era. Não foi aocemitério nem visitou a viuva. Revolveu cie novo aarca do passado e de novo fechou-a.

Também agora! Laurita (porque a não chamavaD. Laura?) devia ter quarenta annos. Elle tinha qua-renta é um. Deixou de lembrar.

* *

No dia de finados, Álvaro Gomes foi ao cemitério.Levava flores para o túmulo de um tio. Gente que en-tra, gente que sáe. Levando flores. Sem flores. Altosmausoléos floridos como para uma festa, cova rasasfloridas como se as flores rebentassem do chão.

Álvaro Gomes levava flores para o tio. Atravessavaruas de mortos. Túmulos. Pessoas que choravam alto,que choravam modestamente, que tinham os olhos ma-guaclos. E via velhas mangueiras, altas casuarinas; eouvia pardaes indiscretos e rolas gementes. Foi an-dando entre túmulos.

Súbito, deu com a campa que não procurava. Pe-dra branca com letras bem pretas. Para clescançar obraço, depoz as flores sobre o túmulo. As únicas queo túmulo tivera naquella manhã. Deixou-se ficar ab-sorto um instante. Por que se detivera ali? Sabe-se lápor que se pára?

Mas alguém, no instante, chegava. Trazendo fio-res. Espantou-se de ver o túmulo do seu marido comum ramo bonito. Olhou o desconhecido. Este olhou-a.E sem dizer palavra, a viuva cahiu nos braços dohomem, que a abraçou também, chorando.Por que fizeram isso? Dizem que o Destino tem

força...

o s R U B E N S

ILLUSTRAÇÂOBRASILEIRA

S. FRANCISCO DE SALESDÉBORA DE REGO M O N T E I R O

De novo a 29 de Janeiro se venerouem festa ao patrono dos jornalistas, o tãoforte em bom-senso e amabilidade SãoFrancisco de Sales.

Não lhe olharam apenas a fachada pa-ra elegel-o.

Nessa fachada já se discerne algumacoisa. Outros haviam de escrever: physio-nomia. Ha um retrato delle em que a mãoesquerda se plasma em leque sobre o peito.Quanto não o fazia meditar o que se escon-dia dentro. Via intellectualmente a pedrapreciosa, o seu cacho de boa seiva Ellenão tinha medo do que transparecia comoseu coração. Um homem fiel á própria vo-cação, cujo coração era immensamente sua-ve, não se applicava a impedil-o de sentircom vivacidade, de derramar todo o seucangue feito leite, Tomava conhecimento

delle. Gostava de tocal-o com o dedo. Ogeito de uma certa caricia o mostra.

Gordo coração — mais um que se reu-mu á infinita somma dos grandes coraçõesRosas das Virtudes — em São Franciscode Sales repontava isto de mais exquisita-mente próprio: a doçura irrefutável, a do-cura irrevogável.

De sorte que sob o jogo da bondade su-pra-ínatural é uma qualidade que carregaum ar de phantasia — sempre viva. sempreoperando, trazia comsigo alguma coisa maisrara, pittoresca, que seduzia e apanhava pe-la raiz as sympathias. Ou então arrepiavalogo. Só o era possível aos espíritos gela-dos. . í

Depois de aualcmer contactò com o il-lustre modelo de piedade da catholica Sa-boia demora no ouvido o cicio daciuellabrandura admirável, daquelle leite cheio demuita baunilha, de vários elementos numaluz eme os fecunda á maior doçura.

São Francisco de Sales, veneravel servode Maria, embalou a todas as creaturas nassuas palavras como a outros tantos Meni-nos-Jesus.

Vou procurar escândalo mostrando mi-nha idéa desta vez. Anatole France que go-sou frêmitos lyricos deante da natureza co-mo os antigos, como um grego, nos salpicadaquella abundância deliciosa que pegou dacontemplação dos nus da natureza.

Na verdade nas duas prosas se espa-lham similhanças, correspondências no seuencanto. Anatole France desejoso de ouvirmusica viajava no século XVII, disse Re-tirava-se nelle. Mas a prosa de um está bor-dada a deusesinhos e de uma profunda su-jeira requintada, requintada, não, isso játicou pau: que procura a decência atravésde um rythrno que refoge á bravura, a des-

peito de que lance de vez em quando aténosso intimo não sei que deleitação envol-vente. Que rede!

O pão quotidiano do France amassava-oo Maligno. O de São Francisco de Salesera o Pão Vivo que desce do Ceu. Uma al-ma que sugava a belleza de Deus e a outra

a perfídia do Diabo, se prendia ao que Jac-quês Maritain aponta como "o

gosto espi-ritual do frueto do Conhecimento do Mal".

Puz quasi em egual pé nosso contem-poraneo e o apóstolo de Chablais?

Pela superficie. Também não apanheio leitor para o espectaculo dos dois corações.E as duas figuras são incomparaveis entresi no que constitue os contornos mais oumenos subtis onde manobram as energiasdo espirito ou das regiões mais inferioresou subterrâneas.

O velhote francez, ha pouco tempo fal-lecido mettera-se em pose commoda, podia-se engrandecer de desempenhar um papelnegativo e indifferente. Uma força aceumu-lada na immobilidade. O religioso patronodos jornalistas reclamava sem intermitten-cia do Senhor que lhe botasse nos ouvidos'as

palavras douradas do seu santo amor enos seus braços a força de bem, executal-as."Nenhuma suggestão de lassidão. HenryBordeaux que eu não gosto de citar, masvae, escreveu do doce e querido filho deDeus: "le

pré^at est toujours en route àtravers son diocese, drêchant, dirigeant,confessant. exaltant les bonnes volpntés. Onne se renrésente plus que par mòlts et parchemins", etc. Quando a lâmpada do co-ração não vela um morto na ordem, da al-ma. orienta, transforma as resoluções emaccão activamente. Elle nã.o desgarrava nanoite, elle não desgarrava no caminho.

Não desgarrava.Não se pôde deixar de ser sensível a

esses detalhes, embora não sejam signaesWendarios. Mesmo eme nunca se lhe ha iaidenarado o Fute. E cmem sabe! O Tenta-dor pretende sempre pesar com unhas edentes

^aos que teem uma ínnocente gran-deza. Geore-es Bernanos bem eme naquelleSotts le sole.il de Sn.t.cm arranjou com P-eito"m encontro estranho nara o seu sacerdoteDonissan emando e^se não tinha intere^e emeofferecer ao outro senão tersos lampejos es-piritnaes.

A palavra ciar?, lealissima eme sabiade sua potência em Deus do autor do Tm-tadn dn Amor de Deus, se fazia ouvir. Au-tondade.Si a sua bocea não ficava fechada e sielle se atiarva cheio de confiança, é oue seu

entendimento estava aberto. E isso é mes-mo uma elas felicidades elo homem alímen-tado pelo Espirito Santo e é o Espirito San-to nne Jhe cria a lingua.

Os modos de exprimir do fundador daordem da Visitação, de se fazer rompre-heneler não se acham catalogados. Eu con-sidero-os mais caracterizados que os do pro-pno Anatole France.

Não emero mais insistir em indicar essacreatura. Não é senão por não trazer o gos-to do tempo sob fôrma nenhuma; não éPor que talvez se acabe entendendo que con-fundo um com o outro. Ora existe umadifferenciação de um homem ordinário para

um santo fácil de pensar, que eu posso di-zer: um santo é um homem que se nega asi próprio mysteriosamente pela graça deDeus que está nelle. Ao passo que um ho-mem ordinário é aqueile que rejeita a graça

eh Deus, não se negando a si, não se do-minando, pois.

Um elos amantes mais delicados que ad-quiriram os homens, os animaes e as coi-sas, porque São Francisco como o seu es-

pantoso protector da Perusa não concedeusuas prosas aos bichinhos, chamando-os comtoda a cortezia a louvar a Deus?

O santo de Assis também se recortavacomo um refugio ela humildade. Mas ex-halando o seu amor divino não lhe oceorriamuitas vezes que aquillo que fazia seus col-legas em perfeição não no fizeram. E' ex-tremamente duvidoso que o bispo de Ge-nebra não pudesse ter boa camaradagem comos bichinhos. E' certo que o Enviado elospobres não se embaraçava no respeito doSenhor dos exércitos entre as malhas elosentido da medida. Realmente umas tantas'imitações nunca lhe entraram na cabeça.Não conhecia a imaginação ele taes coisas.Foi o mais seriamente possível um doidode Deus.

No apóstolo do século XVII vamos no-tar que o renovo floral elo gênio gaulez setmgia limpidamente. E não lhe devia fal-tar a tendência para ser discreto, o gostode não desconcertar os simples; a elescon-fiança ela angustia, etc. Da mesma maneiravibravam São Vicente de Paulo e São Luiz

que tiveram entre si relações de divina ami-zade.Agora preste attenção, ó meu amigo, aSanta Catharina A. Emmerich que era al-lema, que mergulhava lvricamente a fundono seu amor sem perceber que mergulhava

também para os outros "Meu desejo doSantíssimo Sacramento era tão irresistívelque quasi sempre — confessou — de noitedeixava minha cella e entrava na Egreia siella estava, aberta; no caso contrario ficavana porta ou perto dos muros, até duranteo inverno, de joelhos ou prosternada, osbraços estendidos e em êxtase "

O espirito ele humildade inseria-se nellapor¦ 1Sgo na sua embriaguez de Jesus-Hostiapodia esbagoar-se.

Para ella não se creava perigoNao se creava. .

=u,os. E. levado d0 seu espiei

Lembra-me outro escândalo. Um escandalo, esse de São Francisco de SaLsConta-o bem São Vicente de Paulo- «lal«™*e fois qui, prêcha à Pai, £'mZ ™^ 1»'a y «t. on courút à .sou°'TO!e toute.s les pa,-,s de la ville; àser«mr y etait. et tout ce quil"i pouvait rendre

{Conclúe no fim do n iNiiero)

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ILLUSTRACAOBRASILEIRA

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Virgilio Rodrigues

ImM 1924, quando não tinha ainda o prazer de conhecer pes-

soalmente Virgilio Rodrigues — o pintor — pois, atéentão, conhecia unicamente o " leiloeiro Virgilio ',', passavaeu, por acaso, pelas proximidades da Lagoa Rodrigo deFreitas, em uma tarde de domingo, quando, escondida porentre ramagens da matta próxima, divisei uma barracaarmada, e dentro delia alguns artistas que pintavam ospanoramas das vizinhanças. Essa barraca era então aindamuito pouco conhecida. Mas os tempos foram decorrendo,

os annos se passaram velozes e a sua popularidade cresceu de vulto em toda aLagoa, em Copacabana, no Leblon, em Ipanema e seus arredores, logares poronde ella tem sido armada, em mil pontos differentes, ora fixando o panoramados morros, ora enfrentando a immensidão do mar, mas sempre abrigando umpunhado de artistas sonhadores, que ali se reúnem e se revezam ha mais deseis annos.

Quando a vi pela primeira vez, fui informado da sua origem. Pertencia aVirgilio, que nella reunia freqüentemente vários amigos, para pintar. E foi sóentão, que fiquei sabendo que a creatura que eu apenas conhecia atravez dosleilões que a haviam popularizado, era antes e acima de tudo um pintor apai-xonado, um temperamento artístico, que vive eternamente vencido pela embria-guez da Belleza.

A barraca de Virgilio, sem o querer, tem representado um papel impor-tante no nosso meio artístico. A sua historia está intimamente ligada á evoluçãoda pintura no Rio de Janeiro. Sob o sua sombra protectora e amiga, umaformosa pleiade de artistas, cheios de talento e aspirações tem trabalhado, pro-duzindo quadros que já se notabilizaram, marinhas e paizagens que conquista-ram as melhores recompensas para os seus autores.

Não ha, em toda Copacabana e na Lagoa quem não a conheça. E' a cha-mada " barraca dos pintores", que não tem pouso certo, mas que, onde querque esteja armada, vive a sua vida ephemera de um dia de domingo, ou deferiado, palpitante como uma colmêa, alegre como uma officina, onde o espi-rito se distráe, numa atmosphera intelligente, e onde a Arte domina sobre opensamento e a aspiração de todos.

Residindo ha longos annos em Copacabana, nas proximidades da Lagoa,a idéa de armar essa barraca nasceu no espirito de Virgilio desde o momentoem que, pela primeira vez, saiu de casa, carregando a sua tela e a sua caixade tintas, para pintar. E, entre a concepção e a realização da idéa, poucos diasmedearam, e a barraca surgiu, uma bella manhã, por entre as sombras da matta,para só se desarmar quando o sol começava a sumir-se. De então para cá,não houve ainda domingo nem feriado de sol, em que Virgilio não saisse, acom-panhado de amigos, para explorar a belleza das cercanias de sua vivenda, repro-duzindo panoramas que já hoje não existem, modificados eme foram pelapicareta do progresso que avassallou o bairro.

Muitas vezes, ainda o sol não surgiu e já o pintor aguarda, na barracaarmada, os companheiros de sonho, que devem chegar. E elles vêm vindo epousam e armam os cavalletes e principiam a trabalhar, trocando impressões ecommentarios, estimulando-se mutuamente, e repousando para o almoço e paraa merenda, amenizando a tarefa com o bom humor de seu espirito, até ao cairda tarde, quando se prestam contas mutuas do trabalho feito. O dia decorresuave e feliz, e, quando regressam, levam sempre comsigo quadros que seesboçaram e telas que receberam, em pleno campo, a ultima demão.

E' de facto notável o numero de artistas que ali se têm reunido nestesúltimos annos, sendo, igualmente, digna de nota a quantidade de prêmios con-quistados " pela barraca". Foi ali que Oswaldo Teixeira pintou o seu celebrequadro, " Os pescadores ", com o qual, no Salão de 1924, conquistou o Prêmiode Viagem á Europa. Não podia, como se vê, a barraca receber maior recom-pensa do que essa, que premiou a um de seus freqüentadores mais talentososcom o prêmio mais ambicionado por todos.

Ali, concuiistou Virgilio os diversos prêmios que lhe tem dado o Salãode Bellas-Artes; Gastão Formenti deve á barraca as suas medalhas e os seusprêmios de animação e da Galeria Jorge; os dois prêmios " Illustração Brasi-leira" foram seguidamente conquistados por Vicente Leite, com quadros alipintados; Manoel Faria, da mesma fôrma, deve á barraca, entre outras, amedalha de prata, com que o Salão de 1926 lhe abriu o caminho para a con-quista do Prêmio de Viagem; José Santos ganhou ali a sua medalha de bronze.Além desses artistas, que são os mais assíduos freqüentadores da barraca, mui-tos outros por ella têm passado, registando imperecivelmente essa passagematravez de uma serie de telas que por ahi se espalham. Entre elles, Manuel e

Haydéa Santiago, hoje em Paris, em pleno goso do Prêmio de Viagem, con-quistado por Santiago em 1927; Roberto Niaud, autor delicado da " Caridade ";

Armando Vianna, Prêmio de Viagem de 1926; Príncipe Gagarin, Genesco,Jordão, Funchal, professor em Minas; Almeida Júnior, Prêmio de Viagem de1922; Araújo Lima, Murillo de Souza e o saudoso Arthur Lucas, fallecido hapouco mais de um anno.

Não foi sem razão, como se vê, que disse estar a barraca de Virgiliointimamente ligada á evolução da pintura no Rio de Janeiro. Basta a citaçãodesses nomes, todos consagrados no nosso meio de bellas artes, para se veri-ficar essa verdade.

Não seria, pois, de estranhar que, também eu, quizesse conhecer a bar-raça famosa, para conviver algumas horas com os seus artistas habituaes,vendo-os trabalhar e colhendo, ao mesmo tempo, algumas notas sobre a vidade Virgilio, o pintor que nos fala e convence com o pincel cheio de emoção ede sentimento, e para cuja palheta Copacabana e a Lagoa não têm mysterio.

Antes de tudo, seria curioso conhecer como, em Virgilio, se podem reuniressas duas creaturas tão diversas, quaes sejam o leiloeiro e o pintor, isto é, ohomem do commercio e o artista.

Elle explica-me com a mais tocante das singelezas. Nelle, tudo quanto nãoseja o seu grande amor á arte, tem sido em sua vida coisa secundaria. Foileiloeiro como foi agricultor, pratico de pharmacia e empregado no commercio,na melhor phase de sua vida. Quando ainda muito joven, teve um amigo, umvelho professor, que lhe deu um conselho verdadeiramente sábio: " Em tudoquanto te meteres, procura, antes de mais nada, ser útil. " E Virgilio compre-hendendo bem essas palavras sabias, por toda a parte por onde passou, fazia-sevaler pela sua dedicação e, sobretudo, pelo seu amor ao trabalho. Se ha, nestemundo, creaturas que tenham tido um principio de vida difficil, Virgilio éuma dellas, sem duvida. O artista que hoje desfruta um logar tão de destaqueno nosso meio, é um producto de seu próprio esforço e uma conquista de suaprópria intelligencia.

Nas peores phases de sua vida de lutas, em Recife, como pratico de phar-macia, e aqui, como empregado de uma casa commissaria de café, nunca o seuenthusiasmo pela Natureza arrefeceu, nunca a sua adoração pela pinturadiminuiu.

Chegou a ser leiloeiro, como chegou a ser pratico de pharmacia: por acaso,isto é, pela necessidade de ganhar a vida, acceitando a primeira col locação quelhe appareceu, quando se achava desempregado. E, embora sempre vivessefascinado pela arte que abraçou, somente depois que a sua profissão lhe asse-gurou o bem-estar que hoje desfrueta, foi que Virgilio poude verdadeiramenteexpandir o seu temperamento, dedicando-se enthusiasticamente á pintura.

Creatura boníssima, Virgilio é um grande amigo dos artistas que lutampelo seu ideal.

Adora vel-os trabalhando e desfaz-se em bondade para attrail-os. Elle éum apaixonado da terra onde nasceu. Adora a nossa natureza, que aprendeu aconhecer em Pimenteiras, Palmares, sertão de Pernambuco, onde fez os seusestudos primários. Quando lhe pedi que falasse sobre os nossos artistas e sobreo nosso meio, Virgilio exclamou:

Bemdita seja a terra que foi o berço de Pedro Américo, de Victor Mei-relles, de Aurélio Figueiredo, dos irmãos Bernadelli, de Baptista da Costa, deCorrêa Lima e de Pedro Alexandrino!

Quiz ouvil-o sobre os nossos artistas e sobre as nossas possibilidades, e ellediscorreu assim:

O artista isolado do seu meio tem de paralysar, não progride, perde oestimulo, o ideal. Todos os nossos artistas deveriam unir-se para maior brilhoda arte no Brasil. Afinal, nós possuímos o mestre máximo, que é a Natureza.A Natureza deve ser o nosso objectivo. Cada um, interpretando-a individual-mente, sem lhe desvirtuar o caracter, sem lhe perturbar a verdade, podemostodos ter uma arte nossa, inconfundivelmente brasileira. Paiz de solo fértile de flora e fauna riquíssimas, que mais poderíamos desejar? O nosso deverdeve ser principalmente esse: o de estudar, apalpar, desvendar, devassar cinterpretar a Natureza brasileira, seus mysterios, seus segredos e suas bellezase teremos chegado a uma arte puramente nossa e com elementos seguros paravencer e impor-se.

Virgilio fala da Natureza com um enthusiasmo que toca ás raias de umverdadeiro encantamento. Observal-a e reproduzil-a atravez de suas telas é oseu grande prazer, porque, profundamente artista como é, elle tem pela pinturaum fanatismo apaixonado.

FEVEREIRO19 0

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Em cima: Virgílio LopesRodrigues entre ManoelFaria e Gastão Formenti.

"Mar agitado"

Quadros

de

Virgílio

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ILLUSTRAÇAOBRASILEIRA

Quando cheguei á sua barraca, ha três domingos passados, elle ainda estavasozinho. Louvei-lhe o enthusiasmo pela arte, o qual não desmerecia nunca, tor-nando-se nelle cada vez maior.

O domingo é a minha maior preoccupação da semana — disse-me elle.Como as crianças internas dos collegios, que esperam freneticamente pelo sab-bado, para ir passar o domingo em casa, assim passo eu a semana inteira acontar os dias, ansioso pelo domingo, para gozar a minha liberdade, correr parao ar livre, armar a barraca e pintar, da manhã á tardinha, emocionando-me coma paizagem, procurando descobrir as bellezas que ella occulta, na sua vista deconjunto e na sua infinidade de detalhes, emfim, alegrando o seu espirito coma maravilha da natureza, que é a grande alegria de minha vida!

Entre a marinha e a paizagem...O pêndulo da minha predilecção inclina-se para a marinha. Adoro o

mar. E parece que, quanto mais procuro reproduzil-o, mais a elle me sintoirmanado. ¦•}

Virgílio, como pintor, é um technico e um artista. Quer sob o ponto devista de factura, quer como expressão e sentimento, toda a sua obra é impres-sionante. Ella é de facto, marinhista por excellencia. Todc o mysterio do mar,que se expande atravez do soluço eterno das ondas e das vagas, elle o teminterpretado em um sem numero de telas preciosas.

Copacabana, calma ou revolta, tem-lhe inspirado os seus melhoresquadros, desde a ponta extrema do Leme até á fúria das ondas nas pedras daIgrejinha.

A arte para si, portanto, nada mais é do que a própria Natureza.Segundo a interpretação de cada um. E' C. Blanc quem o diz. A arte

é a interpretação individual, pessoal da natureza. O que sair dahi, pôde sertudo quanto quizerem, menos arte. Extravagância, por exemplo.

Futurismo...Sim, futurismo... Não me cansarei de repetir, meu caro. A arte

é a verdade e a verdade é a Natureza. Desde que se desvirtue á Natureza, des-virtua-se a verdade, que é eterna, e, portanto, não se faz arte, perde-se tempo,que é uma das coisas mais preciosas da vida... O futurismo não compromettcapenas a arte em geral; compromette igualmente a missão dos artistas, quesão os grandes educadores, e, portanto, os grandes collaboradores das civili-zações de todas as épocas. Não creio que o futurismo possa realizar a obraimmorredoura da arte clássica, porque delle nada ficará para a posteridade, anão ser o registo de um capitulo exótico na historia da arte... A verdadeiraarte deixa, atravez dos tempos, o attestado vivo e immorredouro do valor e dacivilização das raças e dos povos. O futurismo não dirá nada aos porvindouros,mesmo porque não resistirá. Se a arte verdadeira nos fala, exprime, mostra econduz á Verdade, como acceitar o futurismo, que, como expressão "artística",desvirtua a Verdade?

Ou o seu enthusiasmo, quasi fanatismo, pela arte, ou a indifferença, cadavez mais cruel do nosso publico...

O publico, afinal, não é o culpado. Não ha essa indifferença que avalia,nem é possivel que haja, num paiz, como o nosso, onde tudo é grandioso ebello. Ao publico, o que falta, é a educação artística, da qual os nossos gover-nos não têm cuidado. Desde que haja a diffusão da arte, como se faz mister,tudo mudará, fique certo.

Está de accôrdo com o ensino da pintura, como se faz na Escola?Acho-o bom, mas incompleto. Não basta a academia, é preciso o ar

livre; não basta o atelier, é necessário o contacto com a natureza, que é a me-lhor e a maior de todas as mestras.

A palestra que íamos entretendo com Virgílio, foi diversas vezes inter-rompida. A barraca, aos poucos, recebia os seus habituaes dos domingos. Ma-nuel Faria foi o primeiro a chegar, para continuar a grande vista panorâmicaque está fazendo, da bahia de Botafogo, apanhada do morro da Viuva. Chegoudepois Vicente Leite, que preparava a sua tela, que denominou " A barracados pintores", para o próximo Salão. E' igualmente para o Salão, o quadro"O

pescador", que Oswaldo Teixeira, pouco depois, continuava a pintar empleno ar^ livre. Gastão Formenti terminava também uma linda vista da Lagoa.?a™

° S-alã° é' n° fim de CPntas' ° maior senão mesmo o «»ico estimulo quetem aqui os nossos artistas. Isso mesmo me disse Virgilio, que, mais do queeu, conhece o meio em que vive, com todos os seus pontos fracos:Ser recebido no Salão é, talvez, o maior dos prêmios que poderemos am-bicionar. O resto é quasi nada.Tem reminiscencias curiosas de sua vida de artista?

Não ha nada mais interessante para um artista, do que recordar algunsmomentos de verdadeira tortura por que passa, para conseguir " achar" oque procura, isto é, para conseguir realizar o bello.

São os verdadeiro espinhos da profissão...Que o artista passa em busca das rosas.E as rosas?As compensações moraes para a nossa tortura, rosas que colhemos por

entre os maiores espinhos...Qual o seu lemma?Tudo pela arte e para a arte.E o seu ideal?"Conseguir", isto é, realizar o bello.

E qual o seu melhor trabalho?O melhor ainda não foi feito. Estou por produzir.Tem saudades dos seus quadros?Se as tenho! Pois se são partes do meu eu, que já se foram!

A barraca dos pintores é uma verdadeira villa de sonhos, onde se trabalhasorrindo e onde, cantando, se enfrentam e resolvem problemas, por vezes intrin-cados, de technica da pintura. A historia da vida dessa barraca está natural-mente escripta por entre episódios os mais vários, que os pintores recordamgostosamente. Um desses episódios me foi por Virgilio narrado, por entretão fortes emoções de todos, que não me furto ao prazer de aqui deixai-oregistado:

No dia 17 de abril de 1926, como de costume, tínhamos passado todo odia trabalhando na barraca. Ao cair da tarde, quando já nos iamos prepararpara o regresso, deparámos com um automóvel que parára no caminho, apoucos passos de nós.

Quando reconhecemos o seu passageiro, corremos a recebel-o, despacha-mos o taxi e enchemos de abraços e de exclamações de boas vindas o nossovisitante.

Timidp como sempre, elle mostrava-se satisfeito com o acolhimento e dei-xara-se levar por nós até á barraca, onde se sentou, muito á vontade, atirandoo chapéu para um lado e pondo-se a observar as telas que estávamos pintando.

Era Baptista da Costa.O prazer que aquella visita inesperada do glorioso mestre nos proporcio-nava não se pôde descrever. Todos nós nos multiplicávamos em attenções, paraque, em seu espirito, não ficasse a menor duvida do alto conforto moral que,

para cada um de nós, significava essa visita.Baptista da Costa apreciou os nossos trabalhos, e, diante de cada um delles,

discorreu como se estivesse dando uma lição em pleno campo de estudos. Acada um de nós, deu um conselho de mestre e teve uma palavra gentil de ani-mação. Depois, subiu um pouco o morro e, escolhendo um lindo ponto, declarou:— No próximo dia 21, feriado, se me dão licença, virei fazer-lhcs com-panhia. Quero também passar o dia aqui, para pintar este panorama.Foi uma promessa que nos encheu de júbilo.

Pouco depois, como começasse a escurecer, regressámos á casa, em com-panhia do mestre. A's sete e meia, mandei leval-o em sua residência de RealGrandeza, ficando tudo combinado para o próximo dia 21.

Durante o jantar, o nosso assumpto foi a promessa de Baptista.O meu jardineiro recebeu ordens para capinar cuidadosamente o caminho

que ligava a estrada e a barraca.Estabeleceu-se o menu do almoço do mestre: uma sopa leve, um frangui-nho assado, um legume qualquer, sobremesa, agua fresca, leite, café frutasUm de nós iria buscar o mestre em sua casa, os outros iriam esperal-o naLagoa. A baraca seria toda ornamentada de flores. O solo desappareceria porentre pétalas de rosas, a lona da barraca seria arrematada por um verdadeiro"festone de crysanthemos. O caminho que liga com a estrada seria atape-ado de pétalas. O cavallete do mestre seria coberto de cravos côr de rosaUm photographo especial seria contractado para tirar instantâneos dessa visita

'

e a barraca teria escripto nesse dia, uma de suas paginas mais alegres "c

^loriosss..,Três dias depois, quando maior era a nossa ânsia pelo domingo próximouma noticia alarmante correra, fulminando os meios artísticos da cidade'Baptista da Costa morrera repentinamente, ás 6 horas da manhã, em sua resi-dencia, victunado por uma syncope cardíaca.Sem querer acreditar, todos corriam á residência do mestre, na esperançade que a noticia não fosse verdadeira. Mas, infelizmente, o era! Baptista, na

(Conclue no fim do numero)

FEVEREIRO19 0

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grandei¦ni

MagdalenaTagliaferro nãovem ha quatro an-nos ao Brasil. Maso Brasil tem sem-pre noticias delia.E noticias boas.Umas que falam ciasua "Voisin" ele-gantissima, outrasque dizem dos seustriumphos artisti-cos. Aqui está porexemplo o que con-ta, no "Menestrel"

o sr. Paul Ber-trancl:

"Durante o únicorecital que deu a 12de Dezembro naSala Gaveau, a se-nhorita Tagliaferroaf firmou-se u m avez mais como dasmais notáveis e dasmais interessantes

pianistas do pre-sente, não só peladeslumbrante segu-rança da sua techni-ca, como por umextraordinário tem-peramento musicalque imprime saboitão intenso á inter-pretação de todasas peças que fez fi-gurar no seu pro-gramma.

"O seu successof o i considerável,tendo de ceder á in-sistencia um poucoindiscreta de um

publico enthusias-mado, bisando a"Danse du Meu-nier", de Falia, eaccrescentanclo aoseu programma, nomeio de acclama-çoes intermináveis,um estudo de Cho-pin, um dc Meu-delssohn, assim co-mo um prelúdio deBach".

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Umpode

compositorTambem Villa-

Lobos não sáe docartaz. Olhem oque escreveu sobreelle o sr. FlorentSchmidt, em "LaRevue de France":

"Aos admiráveis"choros" se ajuntaagora um poemasymphonico,"Amazonas", ins-pirado numa lendaindiana (as índiasde Christovão Co-lombo). Lendas dafloresta inextrica-vel de Marajó e domais longo dosrios, á sua emboca-dura, fornece aomusicista um ma-ravilhoso scenario.

Esse poema sym-phonico que é narealidade um poc-ma choreographico,começa a lenda comuma sensualidade euma violência quejá podíamos espe-rar desse homemgenialmente tru-culento. Desde asprimeiras notas, agente não se enga-na. E' sempre omesmo Villa - Lo-bos. Elle não rene-ga nenhum dos seusfrenesis, das suasimpetuosi-dades, mesmo desuas audacias, sem-pre sympathicas.

E, ao m esmotempo, tão flexível,tão felino! Tem to-das as graças e to-das as ferocidadesdo habitante daJungle.

E' uma força danatureza penosa-mente disciplinada.Mas, vá a gentepensar em discipli-na para o tigre! Oua gente faz delleum amigo ou o des-tróe.

Não ha meio ter-mo. Villa-Lobos jáagora é indomestí-cavei — e tantomelhor".

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JLkL^SJT R A C X

ILLÜSTRAÇAOBRASILEIRA

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UMA FAMÍLIA DE TRADIÇÕESOS MENNA BARRETO

II

MARECHAL DE CAMPO FRANCISCOFELIX DA FONSECA PEREIRA PINTODo Conselho de Sua Magestade;Grande Dignatario da Imperial Ordem

Militar da Rosa;Dignatario da Imperial Ordem Militar

da Rosa;Cavalleiro da Imperial Ordem Militar

de São Bento d'Avis;Cavalleiro da Imperial Ordem Militar

do Cruseiro;Officialato da Imperial Ordem Militar

da Rosa;Medalha de ouro concedida aos officiaes

superiores que fizeram a Campanha do Es-tado Oriental do Uruguay e ConfederaçãoArgentina.

Filho do brigadeiro Joaquim Felix da Fonsecae de Dona Francisco Barreto Pereira Pinto, irmãdos Marechaes João de Deus Menna Barreto e Se-bastião Barreto Pereira Pinto.

Era, portanto, o brigadeiro Francisco Felix daFonseca Pereira Pinto, sobrinho dos Marechaes Joãode Deus e Sebastião Barreto Pereira Pinto.Nasceu a 21 de setembro de 1805, em Porto-Ale-

gre, Estado do Rio Grande do Sul, e assentou praçacomo cadete de 1" classe no 3° batalhão de fusilei-ros da Corte do Rio de Janeiro, em 14 de Taneirode 1817.

Foi promovido a al feres, por decreto de 26 demarço de 1821, para o regimento de infantaria doMaranhão, onde obteve a patente de tenente, por ou-tro decreto de 12 de outubro de 1823, passando en-tão a servir no 23a batalhão de caçadores.

Seguiu depois para a provincia do Rio Grandedo Sul, onde foi nomeado ajudante do commandanteda Ia divisão de exercito em operações de guerra,a 10 de outubro de 1826, e por ter tomado parte, nodia 20 de janeiro do anno seguinte, na batalha deItusaingo, foi promovido a capitão para o estadomaior do exercito, por decreto de 3 de setembro domesmo anno, " por distincção e bons serviços que pres-tou na alludida batalha".

Sempre ao lado do governo constituído, tomouparte na revolução republicana de 1835 a 1845 (Far-rapos), salientando-se pela sua bravura nos comba-tes de 25 de junho e 29 de setembro, travados comos revolucionários nos "Moinhos de Vento", nosarredores de Porto-Alegre.

Foi promovido a major, em 1838, para o 8o ba-talhão, sendo elogiado pelo commando em chefe"pelos bons resultados colhidos nas diversas sorti-das que realizou nas Pedras Brancas e

"" Bôa Vista ".

Foi louvado pelo commando em chefe, em suaordem do dia de 4 de março de 1839, pelos combatesque sustentou na Villa do Triumpho; na de 23 dejunho seguinte pelo de Morretcs e na de 12 de outu-bro, com especialidade, "pelo valor, agilidade e fir-meza com que conduziu o seu batalhão no ataque de3 de agosto no logar Ascnha, contra uma força reco-nhecidamente maior e composta das três armas".

Foi mandado servir na guarniçao do Rio Pardo,sendo novamente elogiado em 18 de dezembro de1839, "pelos felizes resultados das sortidas que com-mandou, em novembro, á villa daquelle nome e aopasso do Bariiabc, na aldeia dos Anjos".

Expedicionou em janeiro de 1840 para a Serrado Herval e Pascnda do Cravo, desbaratando emsua marcha vários grupos de inimigos que os apa-nhara de surpresa, e com o seu batalhão passou aguardar o posto de Tamanca com o fim de obstar apassagem dos revolucionários no rio Taquary, e ahise conservou até dezembro.

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Francisco Felix da Fonseca Pereira Pinto

Foi condecorado com as medalhas de Cavalleiroda Ordem Militar de São Bento de Aviz e da Im-perial Ordem Militar do Cruzeiro, respectivamente,por decreto de 25 de março e de 4 de abril de 1841,e promovido a tenente-coronel para o mesmo bata-lhão a 27 de maio de 1842.

Tomou parte no ataque levado aos rebeldes nanoite de 2 de outubro de 1843 na Coxilha do Fogoe no de Cangussú, a 6 de novembro, e pelo modopor que nelles se conduziu foi elogiado pelo comman-dante em chefe, conforme se vê das ordens do diade 2 e 18 do referido mez de novembro, sendo, pordecreto de 23 de julho, do anno seguinte, graduadoem coronel. Expedicionou em novembro desse annopara a fronteira de Bagé, assumindo ali o com-mando da respectiva guarniçao.

Feita a paz no Rio Grande do Sul, em cujaguerra civil, como acabamos de vêr, tomou parteactiva ao lado da legalidade, desde o seu inicio atéo dia 1" de março de 1845, em que foi proclamada apaz, recebeu o coronel Francisco Felix da Fonseca oOfficialato da Imperial Ordem Militar da Rosa, pordecreto de 25 de março de 1845, sendo designadopara commandar a 3" brigada do exercito do sul ea guarniçao do Rio Pardo, onde recebeu a carta im-

perial de commendador da Imperial Ordem Militarda Rosa, a que fora elevado por despacho de 2 dedezembro, ainda de 1845.Foi dispensado 'do commando da 3" brigada e

guarniçao do Rio Pardo, pela ordem do dia do com-mando em chefe de 18 de janeiro de 1847, e na mes-ma elogiado "pela pericia militar com que se desem-

penhou dessas commissões a as quaes reassumiu emM de setembro seguinte, exercendo-as até 12 deabril do anno de 1849, em que recebeu novo elogiopelos bons serviços que nellas havia prestado"Por decreto de 27 de agosto, foi promovido a coro-nel commandante do seu batalhão (8o).

Em abril de 1851, foi nomeado commandanteda guarniçao de São Gabriel, deixando essa com-missão a 3 de agosto, data em que seguiu comman-dando o seu batalhão para a campanha do EstadoOriental do Uruguay. Foi nomeado commandante da1 brigada da divisão do exercito Imperial, que seachava acampado na Colônia do Sacramento, afimde marchar para o território da Republica Argen-tma, meorporada ao Exercito Alliado Libertador.

Em dezembro as tropas da 1" divisão embarca-ram nos navios da esquadra brasileira com destinoa ponta do Diamante, afim de protegerem o exercito

co general Urquisa na passagem para a margem occi-ce„tal do rio Panamá, onde devia ser atacado o dodictador de Buenos Aires, João Manoel de Rosapelo que assistiu ao combate da passagem de Tone-lenosa a 17 desse mez, na margem direita do mesmono contra as baterias ao mando do General D I u-cio Mancilla.

Reuniu-se, em 1852, no EspenÜlo, ao exercito deGeneral Urquisa, tomando parte na batalha pelejadano dia 3 de março na Chácara de-Caseros, cabendo-lhe proteger o ataque levado ao inimigo pela divirtooriental alliada, cujo effectivo era relativamente pe-cjueno. A esse respeito transcreveremos do majorLadisláo dos Santos Titára, os seguintes tópicos:"A divisão oriental, por encontrar difficeis obi-ces no transpor os pântanos da canada, existentes emterreno baixo, intermediários as lombas, que occupa-vam os dois exércitos e também por collocar em ba-teria as suas boccas de fogo e mudar de frente aformatura, passando de columna de marcha ás deataque; fez alto, e assim se viu na urgência de re-tardar a sua marcha, inda que por pouco tempo, istono ponto, onde finalizando a canada, começa a co-chilha, que occupavam as forças do dictador Rosas,ponto aquelle distante quiçá umas 400 braças da casa'de Caseros, donde, previdente, destacou então o ini-migo quatro grandes peças, para collocal-as, comocollocou, duzentas braças á direita da cada dita, emcampo aberto, afim de seguir os passos da DivisãoOriental, que seriamente lhe ameaçava o flanco di-reito, visto como das baterias de Caseros não a podiadamnificar, por não descobril-a: donde resultou quefosse poupada de soffrer os effeitos da vigorosa ca-nhoada que, sobre o centro e ala direita do grandeexercito alliado, sustentara por mais de uma e meiahora a enorme artilharia de Caseros, a quem o ditoexercito soube retribuir ousadamente e com galhar-dia pouco commum ".

"Aquella demora da tropa oriental fez que ellafosse rapidamente precedida pela Ia brigada brasi-leira; que, indo em columnas de ataque, cobertas porlinhas de atiradores dos batalhões 11° e 12° de in-fantaria, avançou a peito descoberto, subindo accele-rada por um terreno suavemente inclinado, cerca de600 braças, desprezando impávida o desesperado fogoque a borrisco lhe dirigia assim aquella parte dasbaterias inimigas, secundada por três batalhões deinfantaria que a guarneciam; como também as ou-trás baterias da Rotunda, ou Pombal, e toda a in-fantaria, que era na esquerda da mesma Rotunda."Aquella Ia brigada brasileira que ia de prote-cção á Divisão Oriental e a 2a ao mando do coronelFeliciano Falcão, chegaram quasi a um tempo áscasas da sotêa, tendo avançado por terrenos irregu-lares e atravessado um banhado, que era como a 300braças da frente da posição a que as columnas seconduziam, até que a Ia brigada occupára a frenteda entrada do lado do Oeste, praticado no valle quan-do já o commandante do batalhão 11° de infantaria,Tenente-Coronel Francisco Victor de Mello e Al-buquerque, se havia adiantado com os atiradores,sendo tal a rapidez com que investira, que foi elle oprimeiro que, transpondo aquelle profundo valle, ondeeste circulava, a casa da sotêa e onde a affronta eramaior; porquanto mui bem acastellado os contrários,se ostentavam com alta pertinácia, os accommetterae desalojara, á bayoneta calada, soccorrido opportunae promptamente por uma descarga tremenda desfe-chada por ordem do digno commandante da Ia bri-gada, Coronel Francisco Felix, que, á testa de todaella, havia avançado a marche-marchc, e galgandoassim aquella fortificação".

Em ordem do dia do commando em chefe de 5do mesmo mez, foi o Coronel Francisco Felix elo--giado "por haver manifestado aquella bravura, dis-ccrnhnento c sangue frio, que caracterizam o verda-dciro soldado", e por decreto de 3 do seguinte mezde março foi promovido a brigadeiro, e condecoradocom a Dignataria da Imperial Ordem Militar doCruzeiro e medalha de ouro concedida aos officiaessuperiores que fizeram a campanha do Estado Orien-tal do Uruguay e Confederação Argentina, achan-

do-se por essa occasião no cargo de commandante daguarnição e fronteira de Jaguarão e da 2a brigadado Exercito.

Em 1853, tendo o partido colorado capitaneadopor Pacheco y Obes e outros se manifestado em at-titude aggressiva contra o governo do presidente daRepublica Oriental, que havia sido eleito pelos blan-cos, o governo imperial resolveu a organização deuma Divisão de Observação, cujo commando deu aoBrigadeiro Francisco Felix da Fonseca, com o fimde fazer a defesa das fronteiras.

O Brigadeiro Francisco Felix assumiu, em 1854,o commando da divisão que se achava em observaçãoe que, depois, denominou-se de Auxiliadora, e a 28de março seguinte penetrou á frente delia no terri-torio do Estado Oriental. Esta divisão se compunhade 4.000 homens e chegou ás portas de Montevideoem maio, indo ao seu encontro o ministro brasileiroJosé Maria do Amaral, que lhe dirigiu a seguintesaudação:

"Bravas e fieis legiões imperiaes. O ministro doImperador vos saúda com respeito, e vos abraça comfraternidade na pessoa do vosso general.'' Salve! Guerreiros do Império!'"Vós vindes com as armas da guerra perfazera obra da paz. Essas machinas de morte e destrui-ção vão tornar-se em vossas mãos instrumentos devida e organização.

"Soldados de Pedro II!" O monarcha vos dá honrosa parte na sua po-

litica internacional. Vós e os bravos da Armads. vin-des ser cooperadores da diplomacia imperial." Companheiros no serviço do Imperador!" O nosso dever está definido nos tratados. OSoberano do Brasil prometteu fortificar a Naciona-lidade Oriental, por meio da paz interior e dos ha-bitos constitucionaes. A execução dessa promessaaugusta, confiou-a ella ao seu exercito, á sua armadae á sua diplomacia.

"Amigos de Pedro II! Juremos que o primeirodos brasileiros não dá em vão a sua augusta palavra." Guerreiros!

"Deveis a vossa dedicação e benevolência a tu-dos os habitantes do Estado Oriental, sem' excepção.Os filhos do Uruguay são nossos irmãos, os estran-geiros que com elles vivem são nossos amigos, porqueuns e outros vos invocaram com fé, vos esperaramcom ânsia e vos saudaram com enthusiasmo. Seja-mos gratos a cada um, sendo úteis a todos.

" Amigos e compatriotas !'" Abracemo-nos e brademos com enthusiasmo:

Viva o Imperador!" Em qualquer canto do mundo onde se achem

brasileiros, este brado santo e nacional é um jura-mento de que cada um vae cumprir o seu dever. —Montevideo, 2 de maio de 1854".

No dia seguinte a divisão Francisco Felix fez asua entrada solemne na cidade pelas dez horas damanhã; nessa occasião salvaram os navios de guerrabrasileiros surtos no porto, e o presidente recém-eleito, D. Venancio Flores, mandou distribuir a se-guinte proclamação:

"Brasileiros! O presidente da Republica com-praz em saudar-vos, ao sentir que pisaes com vistaspacificas a Pátria dos Orientaes. Compraz-se emsaudar-vos pelas provas que já destes de disciplina,de vossa moralidade, e de vossa sympathia pelosprincipios eternos de liberdade e de heroismo; assimcomo pelo nobre sentimento que vos levou a compar-tilhar de nossos trabalhos na luta contra a tyran-nia, e pelo que o Paiz tem a esperar de vós."Brasileiros! O magistrado que vos falia, com-bateu a vosso lado e conhece o vosso denodo; porisso, reclamou o vosso apoio do Augusto e desinte-ressado alliado da Republica, na confiança de quecooperareis para garantir a paz e a estabilidade em-quanto os filhos da terra oriental, dando tréguas ássuas fadigas, se desforram das suas desgraças, e podem aproveitar sua dedicação em pacíficos trabalhos."Filhos do Brasil! Digna e generosa é a mis-são que vindes desempenhar na Pátria dos Orientaes.Que a fraternidade iguale á disciplina e ao valor, e

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os fins humanitários da intervenção corresponderãoa tao alta missão. Assim conseguireis os applausose bênçãos de todos os governos e povos que a con-templam, e assim o espera o vosso alliado e amigo— Venancio Flores."

Em Montevideo recebeu o Brigadeiro FranciscoFehx a carta imperial de dignatario da Ordem daRosa, que lhe fora concedida por decreto de 2 dedezembro de 1854, e no anno seguinte ahi permaue-ceu ate que ordens lhe foram dadas para se recolh-rá província do Rio Grande do Sul, onde acampou a19 de dezembro nas margens do Pirahy-Grande, re-tomando então as forças do seu commando o titulode Divisão de Observação.

As forças que compunham a divisão foram dis-tribuidas em cinco brigadas, das quaes lhe coube ocommando da Ia, que seguiu para a fronteira de Ja-guarão acampando no Telho e as outras em Bagé,Quarahim e Alegrete, São Borja e Missões, e SãoGabriel, ficando interinamente no commando de todasellas o mesmo brigadeiro Francisco Felix da Fon-seca.

O imperador D. Pedro II, por aviso do ministe-rio da Guerra de 7 de janeiro de 1856, mandou lou-val-o em seu nome "pelos bons serviços que prestouna Republica do Uruguay em prol da honra, digni-dade e intresses nacionaes " e, por decreto de 2 dedezembro do mesmo anno, o promoveu a marechal decampo.

Reconhecido pelo governo imperial o comporta-mento honroso e nobre que teve a Divisão Auxilia-dora Brasileira, durante o tempo que permaneceu emMontevideo e que a elle como seu commandante mui-to se devia pelo estado de boa ordem e disciplinaem que soube conservar as forças sob seu commando,por aviso de 17 de agosto de 1857, foi determinadoque se averbasse em seus assentamentos tão valio-sos serviços, bem como o elogio honroso feito áspraças da dita divisão, pela sua disciplina, moderaçãoe moralidade, durante a permanência delia no terri-torio da Republica do Uruguay.

Em 1857, sendo organizado o exercito de obser-vação na província sul-rio-grandense, foi designadopara commandal-o o marechal de campo FranciscoFelix da Fonseca que o organizou do seguinte modo,junto ao Ibicuhy:

" Commandantes de divisão :Da Ia, o Brigadeiro João Propicio Menna Bar-

reto; da 2a, Brigadeiro Visconde de Camamü; da3a, Coronel honorário David Canavarro.

"A Ia divisão compunha-se de duas brigadascommandadas pelo Brigadeiro Luiz Osório, a primei-ra, e Coronel José Luiz Menna Barreto, a segunda.A 2a divisão era também formada de duas brigadas,commandadas pelos coronéis Martinho Tamarindo eVictor de Mello e Albuquerque.

" A 3a divisão, de guardas nacionaes destacadas,compunha-se das brigadas do Coronel Andrade Ne-ves e Gomes Portinho, que tão brilhantemente com-bateram annos depois nos campos do Paraguay.

Por decreto de 10 de abril de 1858, recebeu otitulo de Grande Dignatario da Imperial Ordem Mi-litar da Rosa.

Por decreto de 20 de novembro de 1858, foi no-meado commandante das armas da Bahia, para ondeseguiu e tomou posse desse cargo na cidade de SãoSalvador. Foi depois nomeado para o mesmo cargona província do Rio Grande do Sul, por decreto de10 de dezembro de 1859. E, por despacho de 7 denovembro de 1860, recolheu á Corte, por ter sidonomeado ajudante-general do exercito.

Ao deixar o commando das armas do Rio Gran-de do Sul, foi elogiado pelo presidente dessa pro-vincia "pelos bons e valiosos serviços que lhe prestoue a coadjuvação que com honra e franqueza lhe mi-nistrara ".

Agraciado com a commenda da Ordem Militarde São Bento de Aviz, por despacho de 11 de maio,apresentou logo depois a carta imperial de 10 deagosto, tudo de 1861, que lhe fez mercê do titulo deConselho.

(Conclue no fim do numero). I

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ILLUSTRAÇÃOBRASILEIRA

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Por SEBASTIÃO FERNANDES (Para meu amigo A d o \p lio Aí i sen J

lHéEPOIS de ser recolhido a estecubículo e ter passado o perio-do agitado da reclusão na poli-cia entre passagens pelo corpode identificação e o tempo de

julgamento, medito sobre a popularidadeadquirida.

O que almejava realizei: — fiquei ce-lebre.

De simples e apagado vendedor ambu-lante para o posto que adquiri com o nomee retrato nos jornaes o pulo foi rápido.

Afinal era isso que desejava.Escutando dia a dia o povo, parando em

todas as portas, lendo oJ jornaes, ora numbonde, ora no mercado entre os que parteme os que chegam, via sempre a curiosidadepathologica das multidões por todos os cri-mes; com estardalhaço medíocre, as folhasapregoam alguém que matou seu seme-lhante.

A cousa vulgar que se chama numagrande metrópole um assassinato, tomasempre, provocada pelos jornaes, uma exal-tação tal, que uma figura que impunha con-tra um adversário (ás vezes innocehte) umaarma mortífera fica forçosamente popular.

Isso que é um defeito de todos os jor-naes fez de mim uni criminoso!

Agora aqui na prisão onde me foi per-mittido ler e aprender mais cousas da vida,sou ainda um homem (se é que um assas-sino assim se pode considerar), um homemambicioso.

Sim, porque, se quero tirar de mim gran-de parte da culpa pelo crime praticado, pa-ra accusar não as multidões que decorarammeu nome, mas os jornaes diários que comexcessiva publicidade fizeram dum medíocreum heróe —, continuarei a ver em mimo homem ambicioso de sempre.

Sempre fui vaidoso. Não sei mesmodonde provem esse meu gênio, esse gostode ter gestos pedantes, gravatas de cores es-palhafatosas, que façam de mim meu ca-melot.

Nesta correcção leio e aprendo mais oque seja a vida, noto que muitos dos es-criptores tiveram essa ânsia de notoriedadec que acabaram por se chamarem caboti-nos. . .

Nunca fui homem de leituras e, muitomenos, de livros literatos. Minha vida co-meçou em berço paupérrimo, onde em bre-ve fui abandonado por minha mãe que fu-giu com um marítimo na sua loucura pelavida de viagens, como sempre me conta-vam. Tive no meu rústico pae quem medesse uma educação que está longe de seresmerada. Mal aquirida a comprehensão doque fosse sommar e subtrahir, a base deum bom commerciante ou um bom ladrão,fui atirado a um balcão para vender frutase„ quando tive um physico respeitado paranão ser ludibriado nas ruas da cidade, ati-raram sobre minha cabeça um cesto tão car-

regado de frutas, que até hoje tenho umdefeito no pescoço.

Mas viveria eternamente naquella vidade meu pae e nunca teria obtido a populari-dade que tanto desfruto, se os jornaes, jun-lamente com o povo, não fossem os facto-res para que eu visse levantar a tela ondeeu gravasse a minha immortalidade!

As minhas roupas domingueiras, astentativas de ser um bom jogador de foot-bali, nada disso teria feito de mim d ho-mem que estava sempre se agitando no meuintimo. Procurei ser cabo eleitoral de al-gum politico, mas o terreno estava cultiva-clissimo... pelos immoraes profissionaes...

A leitura dos jornaes fez de mim umgrande apreciador dos crimes da cidade. Osdiários davam sempre reportagens avulta-das, enchendo paginas até a escandalosa"ULTIMA HORA" com notas impressio-

nantes e gravuras (algumas seductoras...)— os personagens principaes têm das "ko-daks" um carinho especial. . .

Foi quando me deixei apaixonar poruma mulher de vida duvidosa. Namoro?Não, não era. Mas havia ciúmes. Egoísmo,talvez. Não tinha nenhum direito sobrequem não era minha propriamente, nem aomenos lhe sabia o passado e nem me anima-vam tenções nenhumas de regenerar áquellavida de devassidão. Mas a convivência étudo...

O que até hoje me intriga é como sejuntaram no meu cérebro de ambicioso aânsia de notoriedade e a preoccupação fa-tal de eliminar áquella mulher. Confesso,como disse ao advogado, que não me deiao trabalho de raciocinar muito. O nomenos jornaes, as reportagens, sobretudo asphotographias. . . E, sem a lembrança deque eliminaria uma mulher, por ser perdida,armei o braço para um encontro a deshoras.

E' certo que, sendo eu um homem comânsia de populariadde, não iria fazer um cri-me banal. Não mataria só pelo prazer dematar, mas pela preoccupação de publicida-de nos jornaes...

Tinha por áquella mulher uma nontaestúpida de ciúmes, é verdade, mas comopodia livral-a de tal mania peccadora?

Aquillo provinha de alguma tara igual áminha ambição de ser notável, era mórbidatambém. ,

Eu queria saber antes de tudo como fa-lariam os jornaes do meu crime. A ma-neira pela qual seriamos tratado em cadajornal, a minha victima e eu.

E, á proporção que pensava nesse meugolpe de sahir da obscuridade, ia-me acce-lerando hora a hora, minuto a minuto aansiedade de eliminar áquella cadella e déver o nome nos jornaes.

Entrando tarde na estalagem, onde ellavivia e onde quasi sempre passava as noi-tes, fui armado duma corda apanhada no

cães, no barco dum freguez de meu pae. Acorda era de todas as armas a mais segurapara que não fosse presentido o crime. Adetonação dum revolver ou uma facada comvacillação produziria bulha que eu não de-sejava no momento e seria capaz de ser eulogo detido. E não me convinha o barulho.O único ruido que desejava era o dos jor-naes do dia seguinte, apregoando o crime.

Nunca fui tão feliz na consummaçãodum acto.

Não discutindo com ella, como de cos-tume, quando mostrava meu ciúme, deixei-a dormir rapidamente, sem mesmo descon-fiar daquella corda que trouxera no bolso.Com o cansaço da vida de perdição, entretóxicos de cigarros fortíssimos e goles deálcool colorido, ella em breve cahia em pro-fundo somno. Com uma caricia fingida pu-de dar-lhe uma volta de corda no pescoçoe quando ella arregalou bem os olhos estu-pe factos já a bocca se escancarava para alingua sahir. Debateu-se em vão, agitandopernas e braços, torcendo o corpo. Domi-•navam-na minhas possantes mãos.. .

Sahi calmo pela noite banhada de umluar que as lâmpadas da cidade teimavamem esconder.

Como não dormisse, cedo fui para ocães onde chegavam as embarcações. Com-prei os jornaes: não diziam nada. Trabalheicomo todos os dias, procurando ver nas con-versas alguma allusão ao crime, mas comoos jornaes ainda não tivessem berrado pelabocca do escândalo, eu continuava ignora-do.

As primeiras folhas da tarde deram anoticia com a espectaculosidade de quemnunca mereceria dellas alguém que passas-se a vida inteira escrevendo e polindo ummance. O meu romance era mais rápido emais espalhafatoso. Os outros romancesnão interessam o publico, não trazem re-tratos. São todos inventados e poetizados...Esse, não, era por demais realista.

No meio da verdade do crime, do re-trato delia, da casa e das suggestões pordemais grotescas dos reporters sem assum-pto vinha como mot de la fin qualquer cou-sa que me preoccupou."A

policia está no encalço do cri-minoso que, pelo laço e a corda, deve sermarítimo."Mas dormi satisfeito, porque ninguém

me viera perturbar e, depois, eu ainda quevivesse ali no cães não era um marítimo.A minha alegria no dia seguinte foi

maior. Os jornaes em que eu gostava deler taes assumptos lá estavam com notas re-tumbantes, tratando carinhosamente dumamulher pervertida. . .

Os escriptores não têm de directores dejornaes um acolhimento tão generoso, nemos nomes assim tantas vezes centuplicados,nem retratos daquelle tamanho...

FEVEREIRO19 0

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No Olub Naval durante a festa que o senhor Ministro da Marinha offereceu aos conimandantes e aos officiaes dosnavios do Uruguay e da Argentina que estiveram ha pouco em nosso porto.

Nunca reparara ao certo a gente daquel-Ia casa, ali estava uma photographia bas-tante ampliada, o interesse que dava aoacontecimento até ás raias da novidadequando não passava de um crime vulgar.

Eu não praticara tal acto calculado, vi-saneio aquelle mesmo suecesso? Eu não eraesse caracter que quiz praticar um crimepara que os jornaes fizessem em breve demim um heróe e a curiosidade do publicovoltasse para mim toda a attenção í

Comprei todos os jornaes. Por maisde uma vez fui apanhado desattento á fre-guezia e lendo columnas e mais columnasde descripçoes ora fúteis, ora inverosimeise todas mentirosas, mas que na verdade, ti-nham sido forjadas por mim como perfeitopsychologo que conhece todas as redacçõesde jornaes...

Comecei a ler de mais os commentáriose noticias. Cheguei mesmo a ficar nervosodiante de tanta invenção das folhas.

Os casos suspeitos da policia.. .E ria alto num accesso nervoso.Não sei se foi essa minha preoecupação

em comprar todos os jornaes, se minhaslongas conversas com quem apparecesse,pois em todos os cantos via a .curiosidadeda plebe, instigada pela imprensa, só seique me fizeram ficar incommunicavel. E,quando na delegacia as kodaks se voltaramtodas para mim, e cada palavra ou gesto quefazia, era minuciosamente annotado poruma legião de reporters, fiquei tranquillo.

Foi com alguma theatralidade, como ha-via estudado, a minha confissão. Mostrei-me no papel de enganado. De homem ciu-mento. De victima. Victirna de uma hetáira.Representei scenas já ensaiadas. Inventei

uma porção de cousas. Acabei cahindo emcontradições. Era ali o cabotino. O camelotde mim mesmo. O cartaz berrante para queas rotativas falassem de mim. Sabia que asfolhas faziam do vendedor medíocre o ho-mem do dia. Afinal a culpa não era sóminha...

Triumphei.Ao ser transferido da delegacia para a

casa de detenção, pude por um pequeno as-pecto da rua certificar toda minha populari-dade. A policia a custo detinha a multidãoque lutava por uma fresta de onde pudesseme ver.

Mesmo sem ler os jornaes, avaliava oque elles diziam pela curiosidade publica.Pelos carcereiros soube do suecesso. Na casade detenção, onde aguardei o jurv, recebivisitas que foram a prova evidente da po-pularidade visada por mim. Os jornaes setinham incumbido de berrar meu nome aosquatro pontos cardeaes. Recebi depois a

visita de advogados sem causa e sem nomeque, a mercê de minha notoriedade, que-riam ganhar clientela. Os jornaes augmen-taram as tiragens á minha custa.

Fui, dentro do meu sonho de homemcelebre, o animo para muito fazedor defortuna. Comecei a dar entrevistas a

tudo quanto fosse reporto. Vivi um mo-mento de intensa agitação, onde todos em-prestavam ás minhas palavras e gestos in-lençoes que nunca sonhara.

Quando fui para o banco dos réos vi pelasala quanto havia apaixonado a multidão

o meu crime.A curiosidade, do publico era patente.

Pelos cantos discutia-se meu acto. Eu pas-sava de anjo a besta como o acrobata detrapezio a trapezio — homem que tem deser discutido porque é celebre.

Os advogados mostraram os seus donsoratórios, num romantismo apavorante,pondo nos adjectivos e nas metaphoras adramaticidade que o momento exigia.

Estou preso porque matei; essa é a ver-dade.

A sede de notoriedade conquistada gra-ças aos jornaes que me ensinaram a ma-tar paia ficar celebre, está aplacada com osretratos que de mim publicaram e o numerode leitores conquistados recompensou o la-bor das gazetas.

Agora, na meditação da cellula, leio, es-tudo e aprendo mais a vida. Vejo o que osjornaes fizeram de um homem ambicioso emedíocre. . .

Não. Nenhuma novidade. Também naGrécia não havia jornaes e Erostato des-truiu o templo de Diana para que lhe guar-dassem o nome. . .

_——,

ILLUSTRAÇÂÔBRASILEIRA

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J)e Éima tamposJANELLA SOBRE A AVENIDA

DAQUI,

desta altura floreada a Iielyanthos de es-tuque de um 3°. andar, ao assomar de prom-pto ao peitoril, o que, rápido, os olhos se me

deparam ferindo de improviso a retina, ao olhar parabaixo, é essa multitude, esse continuo vaivém de pe-quenas copas de chapéos que passam e repassam e abai-xo das quaes vêm-se peitos de pés que se movem...Pelo asphalto cinza escuro do centro correm automo-veis achatados, como se a mão colossal de um antropoi-de, a palma aberta de um gigante, os tivesse aplastra-do — e cobertas negras e envernizadas de carruagenssem dorsos de animaes á frente...

Para cima, entre as duas paralellas que se alon-gam das platibandas e beiraes arabescados dos prédios,ha céo e sol, muito sol, no effeito de uma extensa elarga fita azul poeirada de um branco luminoso, des-tendido em recta... No quadro fronteiro de uma ou-tra janella igualmente do 3o. andar; o ouro em bandosde uma cabeça loura e a graça fresca de um sorriso,não sei se para mim, se para o dia que faz...

Verifico, depois, que é para um outro sorriso que,por baixo das guias alteadas e da brilhantina de umbigode, está á sacada da casa que me fica vizinha

E' nessa occasião precisa que me fere o olfacto ocheiro da cidade, o tresuar da urbe...

Ah! Não é uma fantasia de gozo doentio, não é umhybridismo de imaginativa mórbida. Como os indivi-duos, com as cousas creadas, as cidades, os intensoscentros de vida compacta têm o seu cheiro, o seu odorpeculiar e alguns, até, o seu fétido.. .Elle nasce dosporos, da crosta urbana, da epiderme municipal e daagglomeração vivente, que sobre ella se agita e proli-fera! E', a um tempo, um cheiro de real e de abstra-eto, uma mescla odorante de physico e psychico. O Rio,Mestre Rio, como cada cidade, tem o seu cheiro próprio,'fusão de aromas e de picuinhas determinadas, que seconjuntam num exhalar-se determinado que é só delle,que a elle só pertence. E força é confessar, orgulho aparte, que o cheiro de Mestre Rio não é desagradável,não macula a narina, não insulta a sensibilidade dapituitaria; Mestre Eio cheira a Vaidoso, com um hou-bigantismo suave, por vezes, que lhe vem; sem duvidacia graça peculiar ás suas mulheres, ás suas lindas mu-Iheres, que enchem de mocidade e de encanto a sua vidacom esse risonho e inclizivel attractivo que só ellas tême a que o espirito de observação e a phrase de um in-tellectual estrangeiro chamou um dia: o iman, o quidcarioca!

PLENILÚNIO!

NA

prata diluída, da luz — luz fria. librandoum silencio luminoso, pairando aberto sobre aterra — passou, rápida e alta, na poeira clara

da noite enluarada, a mancha larga de uma asabranca de águia real, a fugir longe para as montanhase para o mar, como um pedaço esgarçado de bandeirabranca, que a aragem tivesse arrebatado...

Um alcyone!... Um alcyone!...—¦ Uma águia!...

Águia da morte!....Branca! E' a águia branca cia Paz!...

E quem assim falou, quem assim disse foi a boc-ca sangüínea e fresca de um louro e, emquanto dizia,os seus claros e abertos olhos, cie um azul quasi branco,e que o plenilúnio reflectido na saphira das suas pu-pillas, tornava mais claros, seguiam o vôo da ave mons-truosa que buscava, entontecida e tardia, o cimo altocias pedras altas...

As tendas, os bivaques, do acampamento armados emA A A, disseminados na planície e mais alvos ainda aoluar, eram uma geada extensa, alvorescendo a paysa-gem...

Palmeiras solitárias emergiam, espaçadas, de so-bre comoros, de sobre coxilias, na linha esmaecida dohorizonte, espreitando, longínquas e immoveis, ao fun-do remoto da rasura, o silencio duvidoso das distanciassuspeitas — e na esguia flexa erectil e central de umadellas, a pequenina estrella piscante de uma constella-çao baixa, tremeluzia o ouro acceso e claro da sua lu-zerna indecisa, como um minúsculo insectozinho de luzdebatendo-se, afflicto, no extremo agulhento da fisga.

Os elmos, os pontealtos cascos metallicos cias sen-tmellas, postadas, alertas, nos extremos das ruellas es-treitas do acampamento e á entrada das tendas gene-raes, brilhavam fulgentes, como alfineteiros brunidosde prata, ouriçaclos de alfinetes de luz.. .Eram as legiões de César, o exercito augusto, emrepouso, ao plenilúnio de Apriles, o mez das searas lou-ras e das noites claras...

CANARINHO BELGA

CANARINHO

BELGA é o diminutivo de alcunhaporque andam, a chamar, nos sussurreios doarrabalde e nas mordacidades picantes das re-eepções, a essa loura e risonha menina de cabelleira deouro novo e cutis cie soro de leite.

Lembra-nos a fragilidade e o encanto dessas fW.razinhas rendilhadas de louça que a cerâmica de Sévres(Termina no fim do numero)

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FEVEREIRO19 0

fl o i a s d omorte de Columbano, o grande pintor portuguez, veiu recor-dar-me um episódio ha muito esmaecido da minha memória.Digo esmaecido, porque se deu numa época em que a minhaturbulenta infância poucos factos retinha na fantasia irrequieta.

O pintor estava no apogeu da fama; citavam-se-lhe osprofessores, os quadros, os triumphos em Paris...

Sabes, minha filha? — disse-me meu pae um dia — o Columbano, irmãodo grande Raphael Bordallo Pinheiro, vae pintar o teu retrato.

Fitei-o enthusiasmada.Quando, papae, quando? — perguntei radiante, sem avaliar o alcance de

tal facto.Breve. Virás do collegio três vezes por semana para posares.

Bati palmas arrebatadas, mais pelo prazer dessas poucas horas de liber-dade, roubadas ao estudo, do que pela arte, que me deixava indifferente, comoera de presumir.

O dia da primeira sessão chegou afinal. Estando as professoras prevenidas,entrei em casa pulando de alegria, porque deixara os livros, os cadernos, asenfadonhas aulas e as companheiras que me crivavam de perguntas, fervilhandode curiosidade. Fui logo enfiar o vestido branco, bordado, com uma franja deseda azul, que me haviam designado para a circumstancia. Em seguida dirigi-meao salão, ao grupo onde o pintor se detinha numa palestra amigável.

Ao ser-me apresentado elle poz-se a examinar-me com demorada attenção.E sorria ao de leve, com um sorriso melancólico que não lhe chegava a illumi-nar o rosto, onde uma barba escura, meio rebelde, meio desalinhada, se alas-trava pelo queixo e pelas faces amorenadas. Os seus olhos atravez das lunetasgrossas tinham um ar pensativo que o talento insuflara com seu ardor inflam-mado de arte e de glorias. Eu esperava em pé um pouco embaraçada. Começarama discutir o local e a. posição. Seria no quintal, á sombra de arvores frondosas,com o nosso bellissimo Terra Nova ameus pés, ou recostada em algum sofáentre tapetes persas e estofos sumptuosos?

^ A avó, criatura amante da natureza, preferia o ar livre, o sol, a verdura e

o "Marte", ao lado, em cujo pello abundante e negro eu enterrasse ternamente asmãos, mas, meu pae, artista requintado, af feito aos ambientes ricos, optavapelo salão. Lembro-me ainda, posto que vagamente.... E' como se de repenteuma cortina se levantasse e eu distinguisse varias scenas que se me tinham esvai-do da memória. Mas ellas vêm sim, vêem uma a uma, reavivadas, cheias devida e gravam-se-me na retina agradecida... Encaminhámo-nos todos para oescriptorio, que era no rez-do-chão, onde meu pae recebia os amigos, passandoas melhores horas do dia a ler e a escrever.

Era uma peça vasta, com duas largas janellas dando para uma rua tran-quina, cheia de prédios aristocráticos. A' entrada, havia uma immensa escri-vaninha de carvalho, com livros, pastas,, pequenos bustas e estatuetas de mar-more, de marfim e de ebano, tendo na frente estantes imponentes admirável-mente esculpidas, guardando nas suas portas fechadas centenas de volumesescolhidos. As paredes estavam cobertas com grandes telas a óleo, a pastele a aguarella, assignadas por nomes illustres, e uma infinidade de desenhos, deretratos, de medalhões e de terras-cottas, espalhavam pela mesas e pelos con-solos de estilo severo. A um lado estendia-se um enorme sofá recamado dealmofadas, e aqui e ali poltronas e puffs, a esmo, offereciam a maciez dosseus coxins e o acolhimento de seus estofos. Toda a sala era sombria; todaestava impregnada por uma meia luz diffundindo-se sobre os objectos e osadornos... O ouro das molduras e os mosaicos italianos mesmo, tinham umbrilho discreto, quasi apagado...

Essa mocidade reflectia-se nos leques garridos, nas ventarolas alegres, habi-tuadas ao manejo lépido e vivaz das trefegas hespanholas, nas banclarilhas enas espadas ainda tintas de sangue que, naquelle recanto propicio ao estudo eao repouso, evocavam com seu ar revolucionário lutas ferozes, onde os ani-mães tombavam vencidos e offegantes.

Junto á escrivaninha, num colloquio muito intimo, o busto de minha mãe,feito pelo eximio artista brasileiro Rodolpho Bernardelli, parecia, na rigidezdo bronze, inspirar ainda aquelle para quem em vida fora a mais delicada eformosa das musas...

Pa s s a d oColumbano, que já havia preparado a palheta, fez-me sentar ora em pol-

tronas, ora em sofás, ao fundo, ao centro, perto da janella, observando-me aattitude, o aspecto, o olhar, os gestos...

Prefiro accommodal-a num puff — disse afinal — ficará mais graciosoe mais adequado á sua idade.

A minha timidez alvoroçou-se; o meu coração palpitava e o rosto — eu osentia! — cobria-se de enorme ansiedade.

Esteja á vontade — recommendou o pintor — Nada de ar contraíeitonem de sorisos forçados.

Pretendendo provavelmente que de súbito eu me transformasse numa pe-quena Venus, a avó puxava-me o vestido, dava um geito mais galante aos bor-dados, ao laço azul...

Columbano sentado em frente ao cavallete, de pincel ria. mão, cravava atodo o^ momento, os olhos investigadores na minha surprehendida physionomia.Irrequieta como eu era, movia-me sempre, mudando de posição e soltando sus-piros enfastiados que elle não ouvia por estar absorvido pelo trabalho.

Aquellas sessões começaram a exacerbar-me a paciência, no entanto, quandodellas me libertava, propagava ruidosamente no collegio e em toda a parte, oencanto de que me sentia possuída. Era o instincto feminino que se esboçava!

Todos pediam explicações. Como ficava eu? De que maneira pintava elle?Eu respondia exaltando-o, por sentir necessidade de demonstrar enthusiasmo.

Depois destas sessões vieram outras e mais outras. Meu pae, que se esque-cera do pincel bizarro de Columbano, aquelle admirável disecador de almassoffrcdoras e atormentadas, ser inexcedivel para reproduzir a velhice, a angus-tia, a duvida, repetia aborrecido:

A menina já é bastante pallida e elle não lhe.dá sequer uma tintazinharosada para lhe amenizar a pallidez! Não posso ver aquelle quadro; vae ficarhorrível, parecerá uma defunta! Por isso não vou na sala quando elle está tra-balhando. Prefiro não assistir...

Eu bem lh'o lembro — respondia minha avó afflicta — mas elle insisteque tem de pintal-a como é e não como desejamos que fosse... Que se pôdefazer? E' esperar pelo final...

A discussão sobre a minha decantada pallidez improvisava-se de vez emquando, mas Columbano não escutava as insinuações que lhe faziam quasia medo:

Ella hoje está coradinha, não acha?Porque chegou correndo - tornava imperturbável, lançando-me atravezda luneta um penetrante golpe de vista - daqui a pouco voltará a cor natural

_ E a avo, sabendo que voltava, ella o quizesse ou não, encolhia os hombrosresignada. 'Quando o retrato ficou prompto, foi exposto no " Salão " onde se reuniam.as obras dos mestres. A sociedade elegante ali affluia para admiral-as. Eutambém fui postar-me diante de mim mesma, e ali fiquei silenciosa, desapon-tada como que pregada no chão. Achei-me livida e soturna como um entedesiludido antes de ter tido illusões. Tudo nelle era lugubre: desde o rostovelado por Intensa melancolia até á larga moldura escura envolvendo-o comouma immensa coroa mortuaria.

ao l~i0EStá gOStand° d° SCU retrat°? ~ Pintou-me de súbito uma voz

Voltei-me bruscamente. Era Columbano que se aproximara sorridente.Gosto, sim... — volvi num tom vagaroso, onde se deveria sentir a insin-ceridade da confissão.

^ - Foi pena ter ficado tão pallida; parece uma criança infeliz, quando ellae animada, brincalhona, alegre... - acudiu minha avó num frenesi incontidoE' possível, D. Èmilia, mas a sua expressão real é a que lhe transmitti— retrucou elle.Nunca recebemos esse quadro, porque o illustre pintor, tendo sabido dodescontentamento de meu pae, recusou-se a enviar-lho.Conserval-o-ei como a melhor obra do meu atelier - declarou a todoscom orgulho.Eu nunca mais o vi nem delle ouvi falar, mas hoje, com a morte dessegrande artista, sinto um pesar profundo de não ter junto de mim aquelladesolada f.gura mfantil, para lhe provar que o destino me foi mais amável,ma s condescendente, mais generoso do que aquelle que na sua indifferença depintura parecia ter o intuito de prophetizar-me.

Iracema Guimarães V i l | e E a

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ILLUSTRAÇAOBRASILEIRA

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Sehlioritas que distribuíram presentes ás crèanças pobres de Laranjeiras e Botafogo

ANJOS DA CARIDADEParece que Nosso Senhor não anda muito satisfeito com o Papae Noel. O velhinho dasbarbas de neve teria incorrido na desconfiança do divino presenteador, pela sua parcialidadeem favor dos meninos ricos... E todos os fins de anno, desculpando-se certamente com aidade, deixava-se ficar pelos bairros aristocráticos, visitando apenas os palacetes sumptuosos,e não querendo ir até ás casinhas de sapé e folhas de zinco dos subúrbios... De três annospara cá Papae Noel não é mais o único distribuidor de presentes. O Pequeno-Grande orde-nou a organização de um regimento para isso. São os Anjos da Caridade, já espalhados por .diversas freguezias do arcebispado do Rio de Janeiro e até por alguns Estados. Ainda ago-ra, no ultimo Natal, a festa mais bonita em commemoração á vinda do Salvador, foi a dadistribuição de presentes pelos Anjos da Caridade ás crianças pobres. A nossa reportagemapanhou na Matriz da Gloria, no Largo do Machado, diversos aspectos photographicos des-ses instantes de alegria para os pobresinhos. Outros pontos da cidade offereceram, na mes-ma data e á mesma hora, igual espectaculo de piedade christã e solidariedade humana.<$> A Associação dos Anjos da Caridade, que tem como directora-presidente a senhora Mar-garida Anysio de Sá — ornamento da nossa sociedade e expressão fiel da mulher brasileira nassuas virtudes domesticas e christãs — é uma extensão, e não menos admirável, da Associa-ção da Senhoras de Caridade. Constitue-se de crianças ricas, até aos 15 annos, e que con-tribuem com uma mensalidade de lf.OOO. Depois dos 15 annos passam a ter o titulo de Ze-ladoras dos Anjos. Essas mensalidades e mais os donativos que recebe, formam a receitada Associação, que auxilia com destribuição de alimentos, roupas, etc, as crianças dasfamílias necessitadas, visitadas freqüentemente pelas Senhoras de Caridade e Vicentinos.Os Anjos da Caridade sobem actualmente a mais de 2.000 nas diversas freguezias destacapital. Os da Gloria, cuja receita pelo ultimo relatório annual subiu a mais de trinta e umcontos de réis, distribuíram aos seus protegidos, neste Natal, 1.000 peças de roupa, 1.000brinquedos, 1.000 saccos de balas, 1.000 fantasias de chocolate e 1.000 saccos de biscoitos.<S> Foi, como se vê pelos dados acima, uma bella e farta distribuição. O aspecto festivo

das mesas e do local era realmente encantador. A alegria que illuminava a physionomiados pobresinhos era a mesma que aquecia o coração dos generosos doadores.

Sabem estes últimos que " quem dá aos pobres empresta a Deus"...O Menino Jesus deve ter ficado satisfeitíssimo com as operações do seu

activo regimento na tarde de 24 de dezembro. Os Anjos da Caridadese anteciparam ao Papae Noel, corrigindo de antemão as injus-

tiças que poderiam custar lagrimas a centenas de pequeninosdesprotegidos da fortuna. E o próprio Papae Noel não

desgostou do occorrido. Felicitou-se até por não serobrigado a entristecer-se, com o sacco já vazio, á por-

ta das casinhas humildes... E' que o bondoso ve-lhinho também reconhece as injustas des-

igualdades da vida. Mas que ha-de ellefazer?... Sempre no mundo houve

mais crianças que brinquedos.,.

FEVEREIRO19 0

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A Semana Brasileira na Exposição Ibero Americana de SevílhaDurante a festa offerecicla a quinhentas creanças dos asylos de Sevilha. _ Directores e Professores das Escolas Francezas de Sevilha com oCommissano Geral do Brasil e membros do Conmxissai-iado no pateo interao do nosso pavilhão.

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Jantar offerecido pelo Commissario Geral á imprensa sevilhana e aos correspondentes dos jornaes estrangeiros

A Semana Brasileira na Exposição Ibero-Amerícana de Sevilha

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BBBBBbB âflaal BBB^É^^Btd P^aB BBBT^aU.

Recepção aos membros do Congresso de Ultramar Baile andaluz em homenagem a Sevilha

A

bordo

da

caravella

Santa

Maria

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Festa

em

homenagem

ao

nosso

paiz

FEVEREIRO19 0

O B. Frasu e a Trança no séculolo x\ /

Nos primeiros annos da sua existência co-lonial o Brasil permaneceu desamparado,num. absoluto isolamento do mundo. Por-tugal, preoccupado com a índia, cujas ri-quezas lhe attestavam as arcas do thesouroe ainda sobravam para passear pela Eu-ropa a faustosa opulencia asiática da Corte•lusitana, só de longe em longe distrahida-mente volvia os olhos para a remota terra deSanta Cruz, que o pessimismo de AméricoVespucio, "o

primeiro órgão de descrédito'da nossa terra", ajudara a relegar para o>mais completo olvido. A historia do Brasil,,nesse periodo inicial, offerece a monotoniade todas as nomenclaturas: é o catalogo dasintrusões estrangeiras. Poderia capitular-sesob um titulo único — a defesa obstinadada terra contra a pirataria universal.

Especuladores e aventureiros de todosos paizes aportavam em vários pontos dovasto e mal conhecido littoral, traficandosocegadamente com os indígenas que, a tro-co de miudezas e quinquilharias, abarrota-vam as suas náos de toda a sorte de pro-duetos do paiz, vendidos a preços avulta-dos nos mercados europeus.

Os francezes, attrahidos pelas noticiasdas riquezas da nova terra, tornaram-sedentro em breve os mais intrépidos pro-motores desse commercio clandestino. Em.1504 já se assignala a presença de seus na-vios na foz do rio Paraguassú na Bahia.,Aproveitando-se da> desidia do governoportuguez e da insignificante resistênciaofferecida pelos miseráveis colonos disse-¦minados pela vastidão das costas brasilei-ras, chegaram mesmo a fundar estabeleci-mentos e feitorias, que facilitassem o es-cambo com as tribus do interior.

Os armadores de Honfleur, Ruão, Diep-pe, La Rochelle e mais tarde do Havre, ani-mados ainda do enthusiasmo que lançaraos navios normandos e bretões antes dosportuguezes e hespanhóes, no encalço denovas terras pelo mar desconhecido, des-pachavam suecessivas expedições, umas des-tinadas a transportar o Brasil utilizado naindustria titureira, que em França passa-va por um periodo de excepcional prosperi-dade, outras a capturar os riquíssimos ga-leões portuguezes, pejados de preciosidadesda índia e das costas cFAfrica.

Houve um momento em que os naviosfrancezes se espalharam em tão grande nu-mero pelos mares, que puzeram em sério

risco o commercio marítimo de Portugal,"tratando

já de contrabandistas e piratasos navios portuguezes, contra os quaes com-batiam quando julgavam fácil a victoriá."Parmentier, um dos mais celebres capitãesa serviço de João Ango, de Dieppe, escre-via que "se o rei Francisco I quizesse afrou-xar as rédeas aos negociantes francezes, emmenos de quatro ou cinco annos, estes te-riam grangeado a amizade e assegurado

a obediência dos povos dessas novas terras,e isto sem outras armas que a persuasão ebom comportamento."

A continuidade do trafico estabeleceudesde cedo uma constante e profunda sym-pathia entre o indio e o francez, a contras-tar com a ogerisa que lhe inspiravam osportuguezes. ±Jrovavelmente, a vivacidade eo bom humor característicos dos primeirosimpressionavam melhor o selvagem que arudeza do conquistador lusitano, decidido átomada e occupação do solo pelos processosneroicos e brutaes, de que já tinham lan-

çado mão na Índia. Os interpretes norman-dos, intermediaros preciosos entre os tra-ficantes francezes e os indígenas, installa-vam-se no Brasil e algumas vezes identifica-vam-se de tal fôrma com a sua nova exis-tencia, que recusavam voltar para o seu paizde origem. Lery conta de interpretes ou Ün-guas, que haviam convivido oito e noveíinnos entre os indígenas, adoptado o mesmosystema de vida, aprendido a sua lingua elevando nao raro a adaptação ao ponto detomarem parte nos íestms canmbaiescos.

ivíontaigne refere ter tido a seu serviço umliomem que habitara dez a doze annos "en

cest autre monde qui a étè decouvert enno.stre siecle en 1'endroit ou Villegaignon

print terre, quil surnomma la France An-ractique".

A qualidade de francez acabou por cons-ttituir um verdadeiro passaporte, um titulode recommendação junto de certas tribus.Preso pelos Tupinambás, Hans Staden, umallemão de Homberg em Hesse, e que es-teve duas vezes no Brasil, conseguiu evitara morte immediata, a que já estava condem-nado, declarando-se francez; o inglez Kni-vet, em viagem pelo interior do actual Es-tado de S. Paulo, utilisou o mesmo estra-

tagema, assistindo a morte de seus com-panheiros portuguezes.

O Brasil, os seus productos, os costumesdos seus habitantes tornaram-se então popu-lares em algumas partes da França. Os bai-

xo-relevos da egreja de S. Jacques em Dieo-pe representam varias scenas da vida indi-gena do Brasil daquella época. Conta Heul-hard que um logista de Ruão, inaccessivel,como legitimo francez, á geographia dospaizes estrangeiros, encimara a porta do seuestabelecimento de madeira com uma tabo-lta, onde se lia "lie du Brésil". E sabe-seque, por oceasião da visita feita por Hen-rique II e Catharina de Medicis a Ruão em1550, um dos mais curiosos números doprogramma de festejos em honra dos sobe-ranos consistia numa representação de in-dios, com as suas danças e seus combates,em que tomaram parte trezentos homens,dos quaes cincóenta eram genuínos habi-tantes das selvas brasileiras e os restantesescolhidos entre os marinheiros e antigosnormandos, perfeitamente familiarizadoscom a lingua, usos e vida do indígena bra-sileiro.

Nessa situação tornavam-se inevitáveisos conflictos entre os subditos de Portugale França. Elles nasceram no dia em que o

governo portuguez sentiu o perigo estran-

geiro, que ameaçava a integridade de suacolônia. As primeiras medidas de ordemadministrativa, as providencias rigorosastomadas para atalhar o commercio clandes-tino, os actos de força a que tiveram de re-correr os portuguezes para purgar as águasbrasileiras da pirataria normanda, provoca-ram protestos, pedidos de indemnização, re-clamações por parte da França, dando ori-

gem nas duas cortes a uma série de nego-ciaçoes, que se prolongaram até ás vespe-ras de 1650, data da incorporação das co-rôas portugueza e hespanhola.

Essas negociações fornecem uma excel-lente amostra da natureza da longa luta en-tre o monopólio commercial, defendido es-trenuamente pelo governo portuguez, con-tra o principio, por fim victorioso, da liber-dade de navegação, sustentado com mais oumenos vigor pelos governos, que não tinham

participado directamente do grande movi-mento de descoberta do século XV, e en-contravam com desapontamento, já distri-buidos, os quinhões mais preciosos.

Suecessivas embaixadas deixam Lisboaem demanda de Paris, e os soberanos dosdois paizes, particularmente D. João III eFrancisco I, porfiam de manha e habilidadena defesa e salvaguarda dos interesses dosseus nacionaes.

ILLUSTRAÇÃOBRASILEIRA

(pettopoCh no vetãoOMO uma lagarta escura, o comboio de Pe-

tropolis, sobe a serra, coalhada de verdura,salpicada de lyrios e com o manto violetadas symbolicas flores da Quaresma, forçan-do a evocar o manto sagrado de Jesus de

N azarem.As montanhas muito altas e envolvidas nos véos

das musulmanas cercam o horizonte da barricada luxu-riosa dos seus cumes.

No pinaculo da serra, egualmente embrulhada nu-ma gaze, que o vento não consegue dissipar, a egreji-nha gothica de Santo Antônio ergue as suas torres, on-de bimbalha, plangente e festivo, o sino, que chama osfieis á prece. E, ao ruido das aragens, ao aroma dasflores, entre a fumaça das locomotivas e a nuvem cin-zenta da bruma, a lagarta escura, repleta de passagei-ros avança, geme e alcança o hall primitivo, que é a ga-re da cidade elegante e pittoresca.

E' um domingo de sol, é uma manhan de refrigerioe de formusura estivaes.

De todas as capellinhas, esparsas pela bella serrapetropolitana, sinos badalam, autos "fanfonam" e car-ros caminham lentamente nas avenidas rutilantes deluz e de movimento. E um exercito dé creaturas inva-de a /estaçãozinha singela, que somente flores ornam,emprestando-lhe um colorido de paraíso sobre a terra.

Em grupos bulhentos e curiosos, a sociedade queveraneia nessa cidade de hortencias azues e de cravosroseos, ^affecta um laisses-aller encantador, embora arti-ficial. Senhoras de toilettes claras e cavalheiros de fatosbrancos, desfilam pela plataforma, compram jornaes, dis-cutem o calor da Capital, pezam-se nas balanças auto-maticas, voltando sempre um olhar ansioso para o boriída estrada, de onde a labarta escura, longa c vibrantesobre os trilhos, deve apparecer. A atmosphera impreg-na-se de vários aromas, repercute as palavras trocadase o modesto hotel offerece, essa hora, no seu conjuncto,um aspecto de mundanismo artificial, mas agradável.Poucas são as creaturas que, desviando a attenção desserodomoinho de gestos, de phrases e de agitações, com-templam o feitio garrido e poético das casarias rosadas.Suspensas como ninhos nas encostas das penedias, pon-tuadas de uma vegetação em que existem todos os ver-des, creados pelo Deus do céo e da terra.

Subitamente, duas campainhadas fortes annunciama chegada do comboio dominical, objectivo da espera detoda essa gente, que o calor expulsou do Rio, tal qual oAnjo Gabriel procedeu para com Adão e Eva, no dia emque comeram a famigerada maçã.

E são atropelos, empurrões, olhares que se cru-zam, corpos que se esbarram, illusões que se desfazemos-peranças, que se realizam.

No firmamento, até então liso e anilado, como umafita nova, principiam a errar ligeiras e algodoadas nu-vens.E a debandada se faz alegremente, entre sorrisos,

amplexos e expressões de júbilo, partindo dos autos, doscarros, dos omnibus.Petropolis váe almoçar sobre mesas illuminadas de

rosas de papoulas, de gyrasóes e no silencio dessa hora,em que a matéria sobrepuja o espirito, ouve-se o can-tar dos gallos e o sibilar dos grillos.

Uma pequena brisa sopra, encrespando a cabelleira

frizada dos bambus, desfolhando as flores silvestres,ondulando a mattaria descabellada dos morros. O solarde no alto e belisca a terra, crestando-a e fanando oscapinzaes dos valles.

Apesar disso, recomeça o movimento e a Crémerie,com o seu lago, a sua piscina, os seus borés e o seu pavi-Jhão para as dansas, regorgita de visitantes.

Sobre toda essa gente, um jazz-band faz tinir osseus metaes, emquanto farandulas de moços e de rapa-rigas saem e descem jubilosamente em gritos prazen-teiros, os caminhos verdejantes do pequeno Monte Car-Io, centro da festa e da musica.

Exclusivamente, nesse recanto, onde, como um re-dondo espelho, o lago reflecte o azul do céo e o verdeda sua própria moldura, os bambus, estallando ao vento;põem uma nota melancólica e nostálgica.

Botes, em que moças remam aos risos, cortam aágua espelhante e marrequinhas, alvas e domesticadas,engolhem com os seus bicos vermelhos, as migalhas depão, que lhes são atiradas da margem pelas creançascuriosas.

Com os olhos presos ao bambual que estala ee cumprimenta, sem fadiga e sem falar, eu oiço o seucanto triste e miro as galhadas crespas que o vento tor-na semelhantes ás compridas cabelleiras das rudes Wal-kyrias da opera de Wagner.

Tudo é chamma, prazer e doçura, nessa cidade im-perial, onde soberanos sonharam, soffreram e viveram...

Essa mesma Crémerie, civilizada, desbastada e como ..seu novo hotel a engrinaldar o cume de um penedo,foi alvo de muitos passeios do velho e saudoso monar-cha, que se findou sobre um coxim confeccionado coma terra do Brasil.

E essa Avenida 15 de Novembro, palmilhada dia-riamente pelo Conde D'Eu e pelos príncipes, guardacertamente, qualquer cousa desse passado que se foie jamais voltará.

O Piabanha, porém, não mudou e as pontes rubras,sangrando de lado a lado e por cima, o seu ventre deruidos cachoantes e,ternos, parece narrar o que era essafazenda do Córrego Secco, quando o ex-imperador acomprou, transformando-a numa mimosa cidade de ville-giatura estivai.

Uma nuvem escura sellou, todavia, de negro, a cia-ra pagina, que era até agora anil desse infinito que sechama céo. 'E a debandada recomeça ao som de uma trovoadareboando forte entre os morros, impassíveis e resigna-dos, ao tufão vespertino.Pela estrada de rodagem Rio-Petropolis, autos avan-

çam com as suas cortinas floridas de bouquets pendura-dos ás portinholas. Omnibus pesados, carregam umgrande numero de passageiros, que se amontoam muitosde pé, no interior do seu bojo estreito

A frescura porém, como um lenitivo celeste banhaas frontes suadas, penetra nos pulmões, bons e doentese tudo em torno cheira a magnolia, a jasmin, a rosa_ A lagarta escura, serena e quieta, espera na esta-çao, o seu contingente de humanos

Petropolis janta ao rumor da chuva tombando so-bre os telhados e ao hymno agradável do vento a balan-çar as vidraças...CHRYSANTHÉME

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O CONSULADO GERAL DO BRASIL NO URUGUAYft^rx^yy^- WTan*atvw.w .«•"-¦;.

O nosso Cônsul noUruguay, Sr. MarioAzevedo acaba de re-ceber do Ministériodo Exterior o mobi-liario destinado aonosso consulado emMontevidéo, t e ndotomado, por contra-cto, um andar de bel-

Sala de Navegação

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Io edifício situado

numa das ruas prin-cipaes de Montevi-

déo. Assim, está onosso consulado con-fortavelmente instai-lado naquella Capi-tal, como se vê das

photographias queaqui estampamos.

Eíflificio onde está installado Sala de Correspondência- "VA:^&ap|EÍ3BBiBtffflllllli MmrT^Tm^mrM1mmmmmmmmmw^^rr~-^^^rtm-- ...

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FEVEREIRO19 0

Ifoéor Sibra e Eduardo Çuimataemda ffil! p n-

dm " de Dezembro' d°i» <"rectores mortosda Bibliotheca Pubhca que foram dois grandes poetas sempre vivosforam evocados com carinho e com saudade. 'O escriptor De Souza Júnior, actual director da Bibliotheca, falouassim sobre os seus antecessores:"Nada mais simples do que louvar os mortos: basta vêr a fecun-didade generosa e quotidiana dos noticiários necrologicos das gazetas. Nada mais complicado, nem mais delicado, no entanto, do que loa-var os mortos: basta ver o embaraço em que me encontro aqui, diantede vos, para falar-vos de Victor Silva e de Eduardo Guimaraens nacasa que elles fizeram e que si ainda fulgura, fulgura do esplendor semcrespusculo daquellas magníficas intelligencias.Devo dizer que eram dois poetas admiráveis que alliavam ao ta-lento faiscante uma ininterrupta actividade administrativa e um carinhosem limites pela sua obra imperecivel?Isso vós o sabeis tão bem, ou melhor do que eu.Devo estudar os alexandrinos parnasianos e emotivos de Victor

Silva e os versos aristocráticos desse lyrico symbolista que foi EduardoGuimaraens ?

Isso o fará Augusto Meyer, que compoz um trabalho panorâmico,é certo, mas surprehendente de rápidos detalhes, para vos lêr.

Victor Silva e Eduardo Guimaraens morreram no dia 13 de De-zembro, que a Bibliotheca hoje celebra. Um, em 1922. Outro, em 1928.Victor Silva — ha sete annos". Eduardo Guimaraens — ha um annoapenas.

Essa triste coincidência força-nos a suppôr que o Destino se re-serva, ás vezes, o direito de fazer pilhéria arripiantes.

Si soubermos, porém, que Eduardo Guimaraens soffreu uma im-pressão profunda ao verificar que Mario Pederneiras, o enternecido esuggestivo poeta da Rua e das cigarras, fechou para sempre os olhosingênuos precisamente no dia e na hora em que annos antes deixavade existir o seu grande amigo Gonzada Duque, o atormentado cinzela-dor de tantos contos e de tantas chronicas de Arte, temos de reconhe-cer, com melancolia, que o Destino, apezar da sua evidente falta ckimaginação, ou, talvez, por isso mesmo, sabe requintar em "reprises"crudelissimas.

Compreheiydeu Eduardo Guimaraens que ia mergulhar no somnosem pesadellos no mesmo dia em que, annos antes, deixava de pulsaro grande coração de Victor Silva, reproduzindo, assim, a coincidênciatristíssima que assignala a morte de Mario Pederneiras e de GonzagaDuque?

Creio que não, porque o meu inesquecível e mallogrado amigopassou da Vida para a Morte como quem passa de um poema paraoutro poema de livro bem amado que nos encanta e que nos fav:sonhar.

Mas deixemos de falar na Morte aqui, onde vive tão viva a me-rnoria quasi palpável cie Victor e de Eduardo!

Além disso — morrem os Poetas? Ou apenas deixam de vivercomnosco a vida mesquinha de todos as horas, para comnosco viverema vida profuida e verdadeira da solidão em que os corações falam aoscorações?

Ha uma espécie de artistas da palavra que precisariam ter a seulado, permanentemente, um tachygrapho experto e solicito: — sã<i o?"causeurs". Por inércia ou por aversão á penna, nunca se sentam paraescrever aquillo que sabem pensar e sabem dizer com tão animado pit-toresco. Perdulários de paradoxos, de phrases, de conceitos, de auda-cias verbaes, elles distribuem, nababescamente, o ouro do seu cérebroapenas aos que têm a ventura da sua intimidade.

Victor Silva, com quem não tive, infelizmente, um contacto maislongo, pertencia a essa espécie de homens de letras, cujo talento osamigos louvam sem avareza, mas que o publico olha com uma vagadesconfiança, pois que não lhes conhece livros. Falsos Pachecos, ellesse resignam á gloria circumscripta da sua roda e á certeza tranqüilada própria intelligencia.

E' bem verdade que Victor Silva deixou um admirável volume ú>*versos — "Victorias" — com que nos deu uma amostra da possança dofulgor do seu alto espirito e da sua finíssima ensibilidade de artista.

Mas — que bellos e nobres livros deixou de escrever para recital-osaos seus Íntimos, improvisando-os aos azares e ás surpresas das pa-lestras!

Porque Victor Silva foi um conversador deslumbrante. Deixas-sem-n;'o falar, estjmu!<assem-n'o com uma contradicta e haviam deouvir uma chronica oral cheia de movimento, de colorido e de impre-vistos, que outros escreveriam em horas de penosa gestação, diante dastiras brancas e inexpressivas de papel.

João Pinto da Silva, o eminente critico rio-grandense, que foi umgrande amigo do poeta das "Victorias", assim lhe fixa o perfil na suaHistoria da Literatura Rio-grandense:

"Quando o conheci, vivia Victor Silva como que insulado em simesmo. Inebriava-o a delicia emersoneana de estar só. O seu relativoisolamento, porém, não lhe havia "enferrujado" a lingua, que era debôa tempera; isto é, não lhe annulára, ainda, as esplendidas qualidadesde "careseur". Parecia, até, que, paradoxalmente, as desenvolveraOutra não era, pelo menos, a impressão que se tinha, quando, offerecidoo ensejo, numa roda inesperada, esse enamorado da solidão se desdo-brava em assumptos, encadeiando-os habilmente, com facilidade nota-vel de phrases e gestos. Nas palestras, geralmente, era o "espirito decontradicção", mais elástico, mais, ágil, mais poderoso e (por que nãodizel-o?), mais irritante que se pôde imaginar. Os seus juizos critico?,sobre arte principalmente, eram em taes oceasiões de uma instabilidadealarmante. . . Enthusiasmava-se, tinha crises súbitas de pessimismo,affirmava, negava. Especializára-se numa estratégia complicada, des-norteadora, estratégia de caudilho encanecido nas marchas e contra-marchas das guerrilhas de recuso. Attrahia o contendor inesperto paraemboscadas rapicias; torcia-lhe, «aos jioucos, a direcção do assumptoaté invertel-oi por inteiro; bifurcava-lhe os argumentos; collocava.-o,estonteado, sob a ameaça de dupla espectadella, num dilemma e, oraavançando, ora recuando, levava quasi sempre o melhor partido."Era de vêr-se, nesse ponto, sob o dominio de um tique expres-sivo, seu pescoço se atirava para a frente, numa ânsia de malabaristaJe tragédia, que quizesse jogar com a própria cabeça".

Néscio dirão: E' musica sonoraeste livro que o amor não arrebata:não plange a estrophe como dor que choranem da alma humana as emoções relata.

Tal veio argenteo, o poema se desata,mas, crespa a phrase que o lavòr enflora,trepida, inflamma a rima, que canoracanta na estrophe com um som de prata

Dirão que espledem com serena calma,porém sem vida, os meus versos protervos,Mas, eu que os sinto cheios da minha alma.

leio-os, e nelles, palpitante e exangue,escuto o grito horrível dos meus nervose aspiro o cheio do meu próprio sangue.

r — - -

E', comu se vê, este magnífico soneto, uma orgulhosa profissãode fé do poeta, como tão bem o observou João Pinto da Silva.

O que, entretanto, verdadeiramente surprehende nesse poeta ad-miravel e nesse conversador fascinante, é a realização desta obra —frueto do sonho e da perseverança — arrancada pacientemente, hábil-mente, a um governo que se singularizou, não apenas pela fecunda cia-rividencia política e administrativa, como por um proverbial e louvávelhorror aos gestos sumptuarios.

E nunca mais se poderá pensar na Bibliotheca sem a ella associaro nome de Victor da Silva.

Póde-se dizer que Victor Silva viveu para a Bibliotheca. Elle tinhapor esta casa, que era sua, pois que era uma espécie de desdobramentodo seu kr, zelos e ternuras verdadeiramente maternaes.

Era o primeiro a chegar e o ultimo a sair. Com áquella sua cabeçaexpressiva de actor francez, por signal parecidissima á de Lucien Gui-try, o seu tique permanente de descollar com um movimento brusco ocollarinho do pescoço, a sua mecha triangular de cabellos grisalhos coi-lada, tal Eça de Queiroz, á fronte, e o seu mento desenhado em traçosvigorosos — era de vêl-o, presidindo, policiando, fiscalizando, a um tem-po, todos os serviços desta casa, detendo-se, vigilante, em detalhes quepodiam parecer ridículos se não revelassem uma dedicação infatigave!e commovedora.

ILLUSTRAÇÃOBRASILEIRA

Não possuía o dom da ubiqüidade, mas realizava o milagre da si-multaneidade.

Impertinente, talvez.Mas quem não é impertinente quando envolve de carinhos exces-

sivos o objecto da sua estima?

Quando, em 1922, por oceasião do Centenário, elle viu, afinal, con-cluidos os trabalhos de desdobramento e remodelação desta casa, res-pirou e disse, num allivio, ao seu caríssimo companheiro de trabalhoEduardo Guimaraens, então sub-director da Bibliotheca:

— Bem. Agora posso morrer tranquillo!Poucos mezes depois, a sua cabeça enérgica e bem desenhada re-

pousava, para sempre, entre quatro cyrios, illuminada por essa sereni-dade que só a consciência dos grandes deveres cumpridos sobra a faceda terra sabe communicar.

Mas, não apenas a Bibliotheca deve o Rio Grande a Victor Silva,que era carioca.

Grande foi a sua projecção e profunda a sua influencia na nossavida literária.

Pontificou na "Matilha", famoso cenaculo de ha vinte e pouco.-annos, do qual faziam parte Getulio Vargas, João Neves,

"Maurício Car-

doso e tantos outros.Foi, depois, figura central desse outro grupo também notável que

deu ás letras brasileiras nomes como os de Eduardo Guimaraens, Alva-ro Moreyra, João Pinto da Silva, Homero Prates, Mansueto Bernardi,José Picorelli, Felippe de Oliveira.

E deixou apenas um livro. Um grande livro, é certo. Um livroadmirável de unidade e de belleza. Mas que não é a sua obra.

Pois que a sua obra é esta.E' a Bibliotheca.

**

Deixem, agora, falar a Saudade...Eduardo Guimaraens!E todo um mundo de recordações-, todo um mundo de fantasmas

queridos, tumultua, ao fundo da memória.Outra vida. A vida quasi irreal dos primeiros tempos de ingênua

bonhomia literária.Amigos ?Não. . IIrmãos do sonho. Alceu Wamosy, D3'onelio Machado, Herminio

de Freitas, Almir Alves...Foi nesse tempo — 1915 — que eu conheci Eduardo GuimaraensNós ensaiávamos, timidamente, quasi clandestinamente, os primei-

ros passos nas letras.Elle firmava já um nome aureolado. As revistas do Rio publica-

vam-lhe os versos com lisonjeiro destaque.Quantas noites a fio, ao fundo de um café, num recanto deserto

de praça, não quedávamos a ouvir a magia daquella palavra que scintil-lava como jóias.

Visceralmente homem de letras, absolutamente intellectual, ellenão abordava outro assumpto que não fosse literatura. Senhor de umamemória prodigiosa, Eduardo conhecia uma infinidade de aneedotas ede episoios que sabia narrar com graça e com íinura.

Dentro, porém, da verve borbulhante, que constítuia o fascinio dasua palestra, uma sombra vaga, um leve resaibo de melancolia, fluctua;/adocemente.

Quantas vezes, a sós, noite velha, ao acaso nas calçadas, elle merevelou, em poemas que não publicara, os motivos daquella amarguraque elle sabia oceultar com uma delicadeza de sentimento tão sua!

Sentámos, certa noite de inverno, na Central. Elle, Wamosy e eu.Emquanto discorríamos, acompanhávamos, através da grande vitrina, omovimento da rua, que regorgitava entre duas sessões dos cinemas.

Súbito, os olhos de Eduardo se fixaram num grupo que passava.Empallideceu.E, com os lábios trêmulos, disse-nos ali mesmo, acompanhando

mentalmente um vulto que desapparecera, este soneto, que é, pela fôrmae pela emoção, um dos mais bellos que eu conheço:

Voltei. Vi-te de novo. E o encanto, a que não tentofugir agora, aviva o que findara aqui:dóe-me, outra vez, o mesmo estranho soffrimentoda hora em que te deixei, do instante em que parti

Quiz esquecer-te. Olhando o mar, ouvindo o vento,sonhei. Vivi com ânsia. Em vão não te esqueci.E é com tédio que lembro o turbido lamentodas ondas que sulquei e das canções que ouvi!

A

De que valeu, então? Sob o amplo firmamento, , .fora melhor vogar sem rumo, ao rythmo lentoda água que, á noite, geme, e, á luz do sol; sorri!

i

E olvidar para sempre o antigo desalento!E este anseio de enfermo! E este lethal tormento!E o desejo da morte! E a saudade de ti!

Estes quatorze versos, que encerram todo o delicado romance pas-sional da sua mocidade, o qual veiu constituir, afinal, toda a felicidadeda sua vida, revela bem a grande resignação, a infinita indulgência da-quelle coração de poeta que sabia que

"ser feliz, afinal, é ter soffrido assim!"

Vendo este retrato de Lucilio de Albuquerque, pessoa da familia deEduardo oppoz esta objecção restrictiva:

— Os olhos não são do Eduardo.Realmente. Quem conheceu o sensibilismo poeta da "Divina Chi-

mera", sabe que os seus olhos, que um escriptor classificou "olhos fhtarchanjo", não tinham essa expressão.

Mas — pergunto eu — haverá mão de artista terreno capaz de sur-prehender a expressão do sonho? 'E já terá sido fabricado, pela industriaexcessivamente humana, o azul irreal de que eram feitos aquelles olhos ¦

Porque Eduardo dava-nos a impressão de que não tinha olhos paravêr as coisas que o cercavam. Dir-se-ia que todo elle, desde que abriraas palpebras para a luz, vivia encantado com o seu mundo interior, quedevia ser um conto sempre novo e sempre maravilhoso das mil e umanoites do seu sonho.

Pelo espirito, pelo caracter e pelo coração, Eduardo Guimaraens foi,sem duvida, um dos homens melhores que pisaram a terra onde hoje re-pousa. i . í

Por isso, a noticia brusca da sua morte, ha precisamente um anno,repercutiu, entre os seus amigos, como uma perda irreparável.

Ainda ha pouco, Mansueto Bernardi me confessava que não pôderealizar uma conferência de glorificação a Eduardo, porque sente que sópôde falar do poeta — chorando.

Meu pobre Eduardo!Meu inesquecível amigo!Meu grande Poeta, cujos versos, como nenhuns outros, me envol-

vem o coração numa nevoa de lagrimas!Mal sabes tu — que eu visitei tantas vezes nesta casa — que cada

manhã, ao entrar aquella porta para a tarefa quotidiana que tu desem-penhavas com tanto amor — mal sabes tu, Eduardo, que cada manhã, aoentrar aquella porta, eu penso, melancolicamente:

— Que lastima que eu não entre aqui, como fiz tantas vezes, sópara te visitar!"

Depois sobre Eduardo o poeta Augusto Meyer disse:"Falar sobre Victor Silva e Eduardo Guimaraens é remontar ao

mesmo tempo a duas correntes literárias que tiveram influencia aprecia-vel sobre a nossa poesia durante a phase de formação: Parnasianismo cSymbolismo. Ellas estão retratadas nitidamente nessas duas figuras repre-sentativas com as suas falhas e virtudes. São gerações definidas—tantomelhor para a critica e para esta homenagem que não procura apenas \lisonja banal mas um elogio justo, e por isso mesmo digno dos homena-geados. Ampliar o gesto, commover pelos truques da oratória me pareceneste momento desprezar a qualidade que elles souberam cultivar tãobem: o pudor esthetico.

Eu venho dizer algumas palavras de recordação e ficarei no casoentre o rigor da analyse e a sympathia da comprehensão. Porque opapel das gerações é combativo. Porque aceitar tudo é aceitar a inércia,emquanto comprehender será sempre observar de um novo ponto de vistaque a visão seja uma visão viva.

O ESTHETA

Em Victor Silva a obra é apenas uma sombra de homem, o planode fundo sobre o qual resalta o seu perfil tão singular. Elle era o maiore mais raro do que os seus sonetos. O homem transbordava de inven-tiva e de vitalidade. A obra foi um requinte de estheta.

Nenhuma palavra o define melhor, tomando "estheta" no sentidowildeano: um realizador da belleza na própria vida e não exclusivamenteno exercício da arte como o artista. E é por isso mesmo que a flor do-seu esforço não está no volume que nos deixou — "mas nesta casa dameditação e da cultura", imaginada e realizada por elle com uma paci-encia de parnasiano e uma paixão de visionário. Em cada recanto, em

(Conclue no fim do numero)

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FEVEREIRO19 0

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O Prefeito do Districto Federal com oEmbaixador Mora y Araújo, depois deinaugurada a nova Escola Argentina.

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FEVEREIRO19 0

Vencido*íde Seêaòtião Fernandes

"Todas as tragédias se parecem". — Cari^yle

RUA também é um cárcere. E cárcere sem tecto esem paredes!

Aqui mesmo, neste logar, já estive com um velhomaltrapilho, um tanto melhor que eu, porque

seus sapatos não eram tão rotos, e aconse-* lhei-o a procurar um asylo. O velho respon-

- deu-me com um palavrão.Eu estava ali como elle. Terra-a-terra.

Si havíamos descido muito, era porque já tínhamos estado maisalto. E quem desce assim adquire melhor experiência.

Asylo...Por acaso eu, um experimentado das ruas, não sabia o que

era um asylo? Não, não sabia. Era mais moço e os asylossão para os velhos. E elle, como se quizesse explicar muito oque fossem essas casas de protecçâo, pensou, pensou e, nãoencontrando descripção mais perfeita, accrescentou:

— O asylo é sempre um cárcere.Então, o asylo era cárcere ?!.. . E o que seria aquella rua

para elle, senão outro cárcere? Si,m um cárcere mais largo, commais espectaculos variados e gratuitos, porém mais miserável.

A rua é mesmo o presidio encantado, que varia conformeas horas do dia e da noite. E para quem sabe contemplar temmais encanto. Communica-nos sua alegria ou tristeza. Um carroque passa. Um grupo de crianças que brincam. O aspecto sym-bolico dum lampeão ou duma lata de lixo. Um casal de namo-rados que se estreitam com medo que alguém os separe...Outras vezes é, em pleno dia, o estado de torpor e desalentoem que fica a rua, igual á melancolia que a invade quando ficasilenciosa, banhada de luar. . . E as casas, da maneira das ruas,têm physionomias que se transformam conforme quer o ponteirodo relógio que altera em todos o seu caminho...

Um dia é a alegria da luz e da musica que vem de dentroduma grande morada. Depois a casa parece ficar de luto quandosáe de lá o dono que vae para ã morada do silencio. Aqui, é umaporta larga onde o dia inteiro entram crianças que riem nainnocencia e ignorância de viverem... Adiante, uma janella quede noite pisca maliciosamente uma luz doce, como se lá morasseuma mulher bonita.

Como transeunte, cada vihiculo, cada rua ou casa tem phy-sionomia própria como se tivesse também uma alma...

A alma das ruas...Quem não conhece a alma das ruas que tanto está num1

gato, ou numa criança ou ainda num lampeão?...Mas para mim será sempre um cárcere!Em vão tento fugir. As minhas vestes como dum presidiário

de roupas listadas denunciam. Meu uniforme não é tão espalha-fatoso, mas também é logo conhecido como o dum miserável. Rou-pas de cores indefinidas, cahindo aos pedaços, remendadas, mos-trando aberrações de tonalidades, terminando em farrapos efrangalhos com rasgÕes que descobrem minha pelle immunda.O chapéo, como as botinas, são de aspecto irrisório. Ellas deixam-me sentir o contacto com a calçada, ora ardendo de sol, orahumida, conforme o tempo. O chapéo não pôde esconder o ca-bello desalinhado que cresceu. E tudo mostra o descaso, o desa-lento e o caminho rápido e torturado da miséria. Este aspecto,esta roupa denunciam mais que a placa que aquelle mendigotraz á frente: "Cego de nascimento".

Ninguem vae no encalço desses párias. Andamos por ahi.A policia já me conhece, porque tenho o aspecto e o uniformedos outros. A legião é conhecidissima.

Foi o destino que me fez assim, mas ninguem acredita.Se procuro um emprego, mandam, não sem um pouco de

asco, que alguém nos entregue um pedaço de pão e ás vezes,carne. Se na rua estendo a mão, muitos se afastam pelo cheiroque sáe de meus andrajos, se peço esmola olham com desdéme resmungam:

— Por que não procura um trabalho?...Quero explicar, falar, communicar-me com esse alguém, mas

elles pensam que vou insistir na esmola e se afastam. Acabo por

ser indifferente a tudo. Torno-me insensível. Antigamente a almadas ruas me communicava suas alegrias. Ficava a noite inteiracom o guarda-nocturno assistindo a um baile. Elle ia dormir,convidava-me e eu ficava, embevecido pela musica, contentecommigo mesmo. Hoje, nem incêndio, nem casamento ou enterroalteram meu estado e aspecto de desolação. Ah! Quantos sabe-rão o que seja a miséria? Quantos comprehendem esse presidiosem tecto e sem muro onde os meus simples andrajos os afu-gentam ?

Nunca julguei nos meus dias de fausto que esses molambosfizessem alguém afastar uma criança que ia passar junto de mim.Medo simplesmente, porque meus trapós apavoram. Por um pa-radoxo os guardas não nos prendem porque nos sabem inoffen-sivos. Vemos portas abertas e não entramos. Habituamo-nos aver a riqueza dos outros como passamos pelas portas onde hafrutas expostas á altura de nossa mão e não tocamos. A policiasabe que nosso estado de fraqueza não permittiria uma fuga...

Ás vezes até os cachorros latem com o nosso aspecto deespantalho...

Incapazes de nos converterem ao bom caminho, dizem-noslogo bêbados irrefreáveis. Mas nunca nos deram a mão para obom caminho. Ás vezes, talvez, não sobem onde é o bom cami-nho...

Se bebo u'm pouco é para resistir ás noites frias. Não bebia,não. Foi depois que desci que acabei aprendendo a me alimentarartificial e illusoriamente de álcool... Entre um calafrio pelotempo e um desmaio pela fome, uma moeda que não dá paraum pão chega para um gole de bebida... E, ás vezes, bebe-sepelo prazer de tragar a única cousa prohibida que nos é facultadopossuir. . . A multidão que passa, que nos afasta, dentro do seuegoísmo, está longe de ver os dramas e tragédias desses come-diantes esfarrapados.

Quem me vem soccorrer? Quem me dá uma esmola?Quem ?Você? Aquelle?Hum...Resmungam o estribilho:— Vá trabalhar.E pensam. A terra é grande. Tudo é pródigo. Ninguem morre

de fome. A terra é generosa. Em se plantando dará nella tudo.. .Rua...Aqui mesmo já tive tentações. Aqui dentro dessa miséria

de ultimo degráo já renunciei á volúpia de possuir ouro... Foiha muito, uma proposta de assalto. Deram-me certeza na vul-tuosa quantia da supposta victima. Não é que temesse cadeia,não. Ella é sempre melhor que a rua. Casa e comida. E' melhorque este outro presidio...

E pelas ruas sou sempre um marcado. Ando com a multidãoe estou sempre separado delia. Os criminosos e os santos talvezandem se acotovellando.. . Eu, não. Afastam-se como se minharoupa fosse um banco ou poste pintado de fresco... O rnêdodo contacto... Esse afastamento faz-me ficar fora da calçada,encostado ás esquinas. Esse receio dos outros e o voltar do rostopara não nos ver, como se fossemos um aspecto horrendo da vida:tudo isso emfim amplia de tal modo o circulo de gelo que, instin-ctivamente, nos reconhecemos miseráveis e acabamos por pro-curar os sítios escuros, os bancos isolados, os logares onde, emgeral, pela meia sombra só nos fazem companhia os namoradosque se beijam perdidamente. E essa é uma situação esquecidapor muitos. Voltados para dentro de nós, revendo as etapastranspostas, reflectindo na comedia-da-vida onde sempre cahi-mos, sem podermos olhar mais para baixo — porque já desce-mos demais, pouca attençao nos dão os namorados. Porque todosaos tomam como prohibido de ter algum romance e, negando-nosqualquer sentimento, excluem-nos da escala humana, deixamosde ter familia e um passado!. . .

E os namorados sabem-nos também, tão indifferentes a esseaspecto delicioso-illusorio, que se deixam apertar e juram rezas

(Termina no fim do numero)

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ILLUSTRAÇAOBRASILEIRA

IN MEMOR1AM9 ISS

U tinha oito annosquando cheguei aoRio. A minha alma eraa alma do povo daminha terra — o Pa-rá: desconfiada, retra-hida, esquiva, de pou-ca expansividade por

natureza. Os novos ambientes faziam-mcjrecolher ao meu posto de observação e len-tamente operava-se em mim o trabalho daadaptação ao meio.

Ha longos annos, que já lá se vão dis-tantes, era Copacabana, naquella Copaca-bana deliciosa que o modernismo e o pro-gresso desvirtuaram, havia um collegio, omelhor do bairro; um casarão sympathicotodo circundado por um jardim. Para elleum dia fui levado, pendurado no braço clemeu pae. Até então eu havia conhecido ape-nas as lições que minha mãe carinhosamenteme dava, lições nas quaes.os pequenos erisi-namentos vinham temperados pela suavida-de maternal. O collegio para mim era ummundo desconhecido, cheio de surpresas eque certamente me reservava sensações in-editas. Um mixto cle curiosidade e cle temorme agitavam o espirito infantil e a imagi-nação fértil de menino creava scenarios nun-ca vistos. Transpuz a soleira do portão dojardim com o mesmo passo resoluto comque César transpoz o Ruicon, cheio da con-vicção de atravessar uma grande phase de-cisiva da minha vida, A sorte estava lan-cada.

Meu pae conversou longamente com odirector e depois retirou-se deixando-me só-sinho ante aquelle desconhecido que me fi-tava demoradamente. Sustentei o oíhar comuma attitude um tanto arrogante, desafia-dora.

Fui levado para o interior do collegio.Aquella hora ainda não estavam iniciadasas aulas do curso primário. O director cha-mou uma mocinha, sua sobrinha, e entre-gou-me a ella, com quem eu assistiria umaaula cle portuguez do curso secundário eque me faria companhia até o momentoopportuno cle me apresentar ao meu pro-fessor. Por uni motivo que não me vemá memória, a aula realizava-se nesse dia nogrande salão do refeitório. Apertados emuma das extremidades cle uma vastissimamesa, que occupava todo o comprimento doenorme rectangulo, achavam-se uns vinte e

tantos alumnos, todos muito maiores queeu. Sentaram-me entre a sobrinha do di-rector e uma outra menina que se miravanos meus olhos verdes, muito verdes, e meacarinhava meiga, risonha, protectora, ma-ternal. Os outros collegas começaram logoa troçar commigo e a me chamar de "gar-nizé". Pouco depois chegou o professor;era um. padre. Todos se levantaram e euimitei os meus companheiros.

— Meus filhos, bom dia — disse o mes-tre sentando-se. Limpou os óculos que equi-librou sobre o nariz forte e correu lenta-mente o olhar pelo circulo de discípulos.Percebendo a minha cabeça, que mal appa-recia acima da mesa, perguntou-me numavoz bondosa: — Pequenino, que fazesaqui? — Meio encabulado por sentir a at-tenção de todos concentrada em mim, naoachei o que responder. Explicaram-lhe aminha situação. O padre esboçou um sor-riso, passou-me a mão pelos cabellos e deu-me um pequeno tapa no rosto.

^ Começou a aula. Nunca pude esquecera impressão que me causou aquella voz so-nora, vibrante, calida, musical, e aquelleolhar chispeante eme penetrava até o fundod'alma; e aquella fronte ampla irradiandointelligencia ; e toda a figura daquelle padre,que infundia respeito sem atemorisa"r.

Foi a primeira vez que vi MonsenhorFernando Rangel de Mello.

Annos depois, os ensinamentos que oerudito sacerdote ministrava, aprimoraramos meus estudos do vernáculo. Tomei-mede amizade pelo mestre e não poucas vezesrecorri aos seus vastos conhecimentos parasatisfazer a minha curiosidade prescruta-dora. Um dia ouvi dizer, sem comprehen-der-lhe a significação, esta citação latina-— "Fábula est". — K o mestre contou-mea morte de Octavio Augusto, o grande ce-sar da cidade eterna.

Depois os meus estudos levaram-me porcaminhos vários - deixei de conviver comaouelle homem admirável nue sabia formarem torno cle si um ambiente tão agradávele atfrahente.

De cuando em ouandô o deveio de re-viver o passado, de despertar reminiscenciasaue se vao distantes na estrada do tempolevava-me a algum templo catholico emcujas naves resoasse, com o seu mágico en-canto, a palavra do sacerdote que sabia

comprehender o nosso século e pregar para

a geração hodierna, do orador convincentedespido do dogmatismo estyolante incom-pativel com a mentalidade dos nossos dias.

Depois... (os caminhos da vida sãotão diversos). Depois passei vários annossem tornar a ver a figura do meu caro mes-tre. Já começava a consideral-o uma silhue-ta do passado na historia da minha vida,dessas que são recordadas assim: — Ivem-bras-te de Fulano ? — Com um sorriso põe-se a gente a remexer na cabeça as recorda-ções empoeiradas e cheias de teias cle ara-nha: — E' verdade. Ha tanto tempo!. ..

Nesta localidade serrana cle Palmeiras,refractaria á acção benéfica do progresso,o jornal que o trem nos traz é o arauto dacivilisação, ou da pseudo-civilisação. Pri-vado das noticias desolantes com que a fer-til prodigalidade anniquiladora do destinoestigmatisou os nossos dias recem-decorri-dos, o periódico informou-me, ha dias, dotriste passamento cle Monsenhor Rangel.

Nas ruas da Sebastianopolis baqueou osacerdote que, em poucos instantes, rendiaa alma ao seu Deus, a esse Deus cle infinitabondade que apresentou ao fiel acolyto amão absolvedora de um coireligionario ami-go na hora suprema da suprema libertação.

Não mais baterá o coração bondoso queera um manancial inexgotavel cle virtudee cle amor!

Não mais se verá fulgir a fronte lumi-nosa do sacerdote, que diatava a sua obraedificante até o campo ennobrecedor do ma-gisterio!

Não mais vibrará a palavra brilhantedo orador sacro, gloria do púlpito catholi-lico e brasileiro, essa palavra que ensinavaao mundo christão a doutrina do sublimeNazareno, a posse do único Bem pelos ca-minhos da Fé. da Esperança, da Caridade,Pela observância dos magnos ditames doDecalogo cle Moysés!

Falleceu Monsenhor Fernando Rangelcle Mello. feMais uma sombra que caminha para oPassado, deixando após si um rastro de luz-— uma saudade que se não apaga.A vida. . . Seria a mais trágica das co-médias si não fosse a mais cômica das tra-

gedias.¦ Fábula est.

CASPalmeiras, 6. I. 30.

TRO FERNANDES

FEVEREIRO19 0

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ILLUSTRAÇÃOBRASILEIRA

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ÇJ OBRE as rosas ha lendas lindíssimas e a imaginação dos« poetas, inspirada na sua peregrina belleza e fragranciatem-lhes attnbuido todos os encantos, nas mais formosas com-" paraçÕes.

A origem dessa flor maravilhosa, creada pela fantasia ar-dente de raças distantes, é-nos contada de diversos modos, mastodos elles, graciosos, delicados, poéticos.

Muitos são também os seus symbolos, um, porém, excedeos demais em gentileza.

Conta-nos a mythologia que Cupido presenteou Harpocrates,deus do silencio, com uma rosa — flor até então desconhecida— para que elle não pudesse divulgar os segredos de Venus,sua mãe.

Dahi nasceu o habito de collocar rosas nas salas onde sereuniam pessoas para conversar, porque as suas palavras nãoseriam levadas pelo vento e se conservariam secretas.

TW MALDADE fez da minh'alma um deserto immenso.¦*• * Desertos sem oásis.. .

Nem já tenho lagrimas para, de quando em quando, hume-decer áquella desoladora aridez...

rtt

#Wf ODAS as mulheres amam a dansa e algumas levam esse«¦¦ amor ao exaggero, para não dizer á loucura.

A dansa, para as mulheres, é uma magnífica opportunidadepara mostrar agilidade, graça de movimentos e principalmente,para "facilitar" as declarações amorosas e os fugitivos contactosnas bochechas, dos Othelos que nada vêem, porque todos essesgestos entram no espirito da dansa.

Não admira, pois, que ellas tenham paixão para dansa.A dansa, que já serviu de pretexto para que se cortasse a

cabeça de um homem. .. tem mandado muitos outros para oinferno.

Que invento prodigioso.. .

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OUANDO se está enamorado não parece grande delicto dar-se

ao objecto do nosso culto, o doce tratamento de tu.E', talvez, o delírio da illusão.Não faz mal e causa prazer.Approxima, dá uma sensação de intimidade, como se ambos

se conheccessem ha muito tempo.E o tempo é que os ha de fatigar dessa intimidade.. .

#J UANABARA, minha linda, minha bella, minha poética,^* minha resplandescente Gunabara!Sobre as tuas águas glaucas, serenas, que a brisa da manhã

enruga de leve, paira a serenidade de um sonho puro. . . a cidadedorme ainda fatigada do quotidiano choque de risos, lagrimas,desesperos, alegrias, invejas, ambições, ódios e amores...

Apenas a aurora dealvava a linha do horizonte limitada pelaondulação violacea das montanhas, embarcámos na ''Esperança"e demandámos o largo para ir descortinando as maravilhas emque a Natureza enriqueceu a formosa Guanabara.

A lanchinha, de feitura graciosa, movida a gazolina, ia cor-tando as águas, célere, formando á proa flocos de espuma doi-rada...Beirámos a ilha Fiscal, com suas linhas esguias, elegantes,aprumada e recortada como um brinquedo de creança, e deixámoslogo a seguir a estibordo a ilha das Cobras que, tantas vezes,desde a Inconfidência Mineira, tem servido de presidio a políticose homens públicos.Passando ao largo da ilha do Governador — que hospedouD. João VI logo que chegou ao Brasil — e não prestando maiorattençao ás innumeras ilhas que a circumdam, embicámos paraa^ pequena, mas bonita ilha d Água, que deve o seu nome

"a umaaoundante nascente e a sua celebridade a um duelo.

^ Ha bons 50 annos, um dos mais brilhantes jornalistas daépoca, Ferreira de Araújo e o Conde de Mattosinhos, milionárioe proprietário d'"O Paiz", decidiram pelas armas o que nãotinham podido decidir pela imprensa.

Estamos bem longe do tempo em que se realizou esse duelo,mas já então alguém tinha escripto:"O duelo é uma estupidez.O duelo nunca provou coisa alguma sob o ponto de vistada honra e a honra está bem mais aito cjue o duelo.

_ O duelo é interdicto pela religião e prohibido pelas leis dopaiz.

Mas quando mesmo não fosse estúpido, interdicto e prohi-bido, porque ha de bater-se um homem que não faz profissãode espadachim?Para que se ha de tornar estúpido, excommungado e cri-mmoso? Para satisfação de outro que, por exaltação ou vaidade,

julga lavar a honra em sangue?E' idiota!"Pisámos terra.As colinas que o ar distante azulava, formavam a moldurade um quadro de encantador bucolismo...Um bello céo puríssimo, luminoso e claro, cheio de sol queilluminava áquella verdejante vegetação e que deliciosa água adaquella ilha do sonho!...

IM ÃO bastava que o dynamismo da vida moderna, com as pro-f miscuidades originadas pelo "arrivismo", contundisse a tra-diccional delicadeza da bôa educação, era preciso também quea sua inquietação fizesse pontos estheticos e acabasse com asdeliciosas covmhas dos rostos femininos.As covinhas das faces e dos cantos da bocca, que empresta-vam ao rosto das mulheres tanta ternura romântica e que eramtao celebradas pelos poetas, desappareceram!A vida actual, trepidante, nervosa, vertiginosa, endureceu orosto das mulheres..O "sport", o "dansing", o escriptorio, o blacão, a officinaderam a cada mulher um typo característico, tirando-lhe as o-ra-

ciosissimas covinhas venusinas. feA mulher moderna substituiu o sorriso languido ternolongo, attrahente, que lhe apfofundava com graça as covinhasdas faces, por uma contracção mecânica e rápida. Verdadeirosimulacro de sorriso.Um especialista de belleza feminina affirmou que entre milmulheres, não ha duas que possam exhibir as encantadoras co-vinhas, verdadeiro apanágio da belleza de Venus.

EDUARDO V 1 C T O IR I N O

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FEVEREIRO19 0

Pobre, paupérrima comoé a nossa iconographia dos

primeiros séculos, mesmo a dacosta, são escassíssimos os do-cumentos pictores referentesaos lances mais notáveis dahistoria do Brasil, mesmo

quando estes abranjam longos

períodos. De todo o bandeiris-mo não existe um só desenho

que lhe illustre algum episo-dio.

Da indumentária do ban-deirante resta-nos um únicodocumento e este mesmo jáde nossos dias e precioso, in-substituivel, por ser o único.E' o de Debret, uma das pran-chás da sua jamais assás lou-vada "voyage

pittoresque ethistorique au Brasil" "Séjour

d'un artiste français au Bré-sil", obra para a qual conti-nuamente se voltam todos osillustradores ou apuros dosnossos últimos coloniaes eprimeiros tempos imperiaes.

Neste livro occorre umaestampa sobremodo conheci-da: "Combate de milicianosde Mogy das Cruzes com sei-vagens botocudos". A scena étoda de imaginação mas o de-senho sobremodo precioso,soldados paulistas, vindos deMogy das Cruzes, e trazendoo equipamento dos antigosdevassadores do sertão, comoo artista nos conta.

Assim poude elle reprodu-zir exactamente a feição des-tes caçadores de indios. Per-

guntará o leitor como poderiater elle tido o ensejo de seavistar com estes soldados

quando nunca sahiu do Piode Janeiro e adjacências.

E' ainda elíe quem nosexplica o caso:

"Havia nas nlattas doCorcovado grande quilomboque, durante annos e annos.não pudera ser extincto pelasbatidas dos soldados da guar-nição do Rio. Recorrera o

governo aos de São Paulo,especialistas em combater in-

dios, e assim veiu de Mogy

das Cruzes uma companhiade caçadores de bugres, pe-trechados, como os seus ante-cessores seculares com o "ga-

bão de armas de algodão" o

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(fyctndeiranteò

deindico

eòctcwfyadoòQuadro de HENRIQUE BERNARDELLI naescadaria monumental do Museu Paulista

POR

A. DE ESCRAGNOLLE TAUNAY

(Da Academia Brasileira)

casaco de couro estofado de algodão, que servia ao bandei-rantes de couraça contra as flechas dos indios.

Depois de Debret nenhum artista mais se occupou debandeirantes. Coube ao nosso illustre pintor Henrique Bei-

nardelli a gloria de ser o pri-meiro iconographo do serta-nismo e encetar phase denossa pintura históricacom um quadro demestre que todos o admi-ram: "Os bandeirantes", ver-dadeira obra prima, uma dasmais ricas jóias da Escolabrasileira e de nossa Pinaco-theca Nacional, cheia de acha-dos como o daquelle homembranco de braços a desseden-tar-se em plena floresta e ro-deado de infelizes indios re-cem-captivos, em cujo rosto,

apesar da impassibilidade pro-pria do selvagem, se reflecte

a magua do captiveiro e aapprehensão do torvo futuro.

Proseguindo neste rumode idéas, nesta feição pictoreatem H. Bernardelli produzidooutras telas não menos sug-

gestivas.A que hoje aqui repro-

duzimos é como um "pen-

dant d'Os bandeirantes", é aida para o sertão, ao passoque o outro quadro represei.-ta a volta.

Os tupys dóceis acompa-nhadores do branco carregama bagagem da bandeira de_:aça ao indio em que alguns

paulistas "vão ao sertão achar

o seu remédio" como no tem-

po se dizia.Nesta tela desenvolveu

Bernardelli todos os recursosde sua arte notável. O ara-biente da matta, a illumina-ção coada, pela ramaria densada floresta, é simplesmenteestupenda.

A figura do sertanistaestá magnífica de força eenergia. No plano do fundoos indios mantêm nas attitu-des e esquivas que são tantosuas.

Um pormenor pittorescoe do mais bello effeito picto-reo é a presença de linda bor-boleta azul no centro do qua-dro, tão envolta pelo ar queparece querer projectar-se emdirecção ao observador.

LTma linda tela esta donosso illustre pintor que tantotem elevado a arte brasileira.

ILLUSTRAÇÃOBRASILEIRA

IÉr™^ C AR T A ZES ^^^|||

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Ha dias, levantando os olhos do livroque ne abrevia as viagens diárias de casaá cidade, dei com um cartaz. Erao annuneo de certo espectaculo theatral.Uma mulher núa, montada em enorme gar-rs fa exhibia a sua nudez e o titulo da peça,que não escrevo aqui para não transformarem "reclame" este commentario.

Veiu-me, então, á memória aquelle ou-tro cartaz que chamou a attençao do ZéFernandes, desde logo que este poz o péem Paris, na sua ultima visita a essa cida-de, onde a "troupe" da Mistinguette já nãopermitte espantos taes a outros Zés Fernan-des, que sejam ou não de Noronha e Saneie,vindos ou não de Guiães. Lá, também mu-lher núa. Numa das mãos, porém, é qu_trazia a garrafa. Na outra, brandia, "parao annunciar ao mundo, um novo modelo desaca-rolhas".

Logo que se me despertou a lembrançado cartaz francez, a mim mesmo indagueiacerca do que, no de cá, me teria lembradoo de lá.

A nudez da mulher? Não. Isso andaem muitos outros cartazes. Vê-se a cadapasso, em cada esquina, em cada praia, emtoda a parte.

O saca-rolhas? Também não. O do car-taz de lá não existe no de cá.

Só poderia ter sido, então, a garrafa.Eu não vi a outra. E' certo, e é claro.

Mas sou obrigada a suppor que era menor,muito menor do que a que dá motivo aestas linhas.

A que o Eça descreve em "A cidadee as Serras", e que causou reparo ao ZéFernandes, era empunhada pela mulher.Ora, não sendo admissível que o artista docartaz parisiense nas mãos dessa mulherpuzesse tão grande garrafa como a que aquié cavalgada por outra mulher, porque na-quelle tempo a arte ainda não era o que.para alguns, é hoje, a conseqüência tem deser a differença de volume das garafas.Attenda-se ainda a irresistível tendemcia brasileira para a exaggeração, e logose verá de quanto a garrafa daqui terácrescido.

Lá, a garrafa tinha de ser apenas umagarrafa, pois saca-rolhas é que se queria an-nunciar; aqui passou a ser peça de montariade mulheres nuas, porque não é cie saca-rolhas que se quer fazer annuncio.

Se não fora, porém, o tamanho da gar-rafa o "reclame" teria falhado. Menos vo-

lumosa não poderia servir ao que serve, nin-guem lhe prestaria attençao. Deve, pois,estar satisfeito o artista que engenhou talgarrafa, e nella escarranchou uma mulhernúa. ..,

O feminismo é que o não pode estar.• Cartazes assim são-lhe sempre um entrave

á marcha gloriosa em que elle vae. Nãoé, porém, da garrafa que lhe vem o estorno,e, sim, da nudez. A exhibição desta, comose faz, é flagrante attestado de que a men-tahdade actual ainda não chegou a compre-hender o problema da nenhuma differençaentre os sexos. E não é só a mentalidademasculina, mas também, e talvez mais, amentalidade feminina. Porque a nudez ain-da é olhada com os mesmos olhos de antesdo começo das victorias igualatarias.

Mas esse redncto, o cérebro humano, émuito mais difficil de vencer do que qual-ouer dos outros em que o feminismo abriubrecha. Já ha mulheres em parlamentos, jána administração, já na burocracia, já nosserviços militares e de policiamento, já nasprofissões liberaes, já no commercio e naindustria. Nas letras, nas artes, na sciencia.ba muito ninguem lhes tolhe a passagem.Todas essas conquistas são, porém, victo-ras parciaes, sem alcance decisivo, que po-dem ficar estacionadas. O que é preciso,pois, é preparar a grande offensiva, o com-bate final. E isso, aqui por casa, importamuito, agora que as mulheres estão á bicade entrar para a Academia de Letras.

Quando entre uma estatua de Apollo eoutra de Venus a differença fôr apenas demaior ou menor perfeição de linhas, quan-do a nudez feminina já não fôr consideradapelas mulheres, nem examinada pelos, ho-mens, com a suggestão com que o é hoje, só,então a campanha igualitária estará proxi-ma do seu completo triumphô.

Toda a gente sabe, e, portanto, tambémo sei eu, que só aos obscenos é que o nú éobsceno. Pois, precisamente, para que elleseja visto por todos como é pelos que lhenão sentem a obscenidade, tem de ser, ape-nas, uma exhibição esthetica.

Mas, "Santo Deus"! é de se exclamar,agora, deante dos cartazes aqui, como ou-Irora exclamara o Zé Fernandes deante dode lá. Em Copacabana e no Flamengo quan-tas exhibições estheticas não são mesmo dagente se benzer com a mão esquerda?

Se a nudez como só expressão de bel-leza, como só exhibição esthetica pôde serA L B A DE

casta, pôde ser honesta, os "maillots" ca-maradas, por mais reduzidos que sejam,por mais que representem a folha de par-reira a 1930, sempre mutilarão a belleza.Attentam, portanto, contra a esthetica e,porque castidade e honestidade são ciadas,no raciocínio, como attributos da nudezcompleta, também as enfraquecem. Que pa-pel faria quem puzesse "mitaines" nas mãosda Gioconda? O mesmo que toda essa mui-ta gente que, auto-suggestionada da suaperfeição plástica, mas ainda não conven-cida das virtudes da completa nudez, lhecobre a metade ou menos com um frangalhode fazenda.

Ora, se o que é bello pôde ser cxhibidoe o que os "maillots" escondem não o pôdetecha tu mesma, intelligente leitora, o svl--ogismo. E, se alguma das tuas amigas nãotiver o habito de raciocinar com segurança,cia-lhe essas premissas como exercicio lo-gico. Logo, por si própria, deante do insuc-•cesso da moda das sem meias, se conven-cera ella de que na conclusão a que chegare que se encontra o motivo da semi-nudez.

Ou é isso, ou é outra cousa.Por que, então, a mulher não teve ain-da, nao tem e talvez não tenha nunca co-ragem de tirar da innocencia da nudez a con-clusao que tirou aquelle guarda nocturno

que foi encontrado, de ronda, á sua zonaapenas com sapatos e boné, e ao qual Ben-jamin Costallat chamou de "precursor"?

Porque, apesar de tudo, ella ainda não con-seguiu apagar do intimo do seu ser, da es-sencia dos seus sentimentos delicadezas quelhe sao inherentes e que são característicae clifterencialmente femininas.

Exemplo frisante e épico: o da infelizmulher que, em taverna do Leblon, á noitequando em busca de alimentos para o diap-egumte, se viu, de surpresa, subjugada pe-la monstruosa violência do taverneiro eque, nova Lucrecia, como aquella que

'foiesposa de um Tarquinio e victima de ou-tro, preferiu confessar sua desgraça ao ma-ndo e sircidar-se, para não supportar opeso de um ultraje á sua dignidade

Nao pôde, pois, o feminismo deixar dever que, emquanto a nudez feminina se pres-tar ás intenções maliciosas do cartaz, incom-cativeis com 0 nue. na realidade, a mulhere edeve ser, mal estará o falso principioda igualdade dos sexos.

Mas só neste é que está o erro. No maiso que o feminismo pretende é a mulher ain-da mais elevada, respeitada e ennobrecida.

E L L O

-

FEVEREIRO19 0

i WiliiiMll P^^llíl llllll il "Mi1 'Jllliittlll/llíll |P^^^^^^ ^^^^^^lllíllíhlHI111!'!!!]!!!!

ELEITOS DA HUMANIDADEARIOSTO r~

A epopéa romanesca

Le donne, i cavalieri, 1'armi, gli amori,Le cortesie. 1'audaci emprese io canto...

Ariosto — Orlando Furioso, I,

Dès le début de Ia seconde pbase, une epopée sansexemple offrit à 1'Occident une admirable combinaisonentre Ia vie privée et Ia vie publique, quoique celle-ci n'yprévalüt pas. Arioste y fut aussi conduit à fournir indi-rectement une prémière ébaucbe de Ia poésie historique, enrapportant ses tableaux au moyen-âge, dont le caractèrechevaleresque y ressort profondément.

Aug. Comte — Politique, III, 569.

Tornando originaes meciievas lendas,Com o teu estro de esplendida magia,Teces em malhas de ouro e finas rendasBellos romances de çavallaria.

No teu poema de múltiplas contendas,Nesse Orlando, primor de fantasia,Brilham de heróes façanhas estupendasE mil feitos de amor e cortezia.

A guerra definira idealizandoDo christão contra o mouro, celebrasteA gloria de ambos em Rogério e Orlando.

E na união de Isabel e de Zebrino,De Angélica e Medor, não ha contraste,Que o humano amor supera o amor divino.

r assoA epopéa heróica

Canto 1'armi pietose e '1 CapitanoCbe '1 gran Sepolcro liberi di Christo.

Tasso — La Gentsalcme Liberata, I

II (Ariosto) fit ainsi surgir Ia composition, plus purêet moins iminent, ou Tasse entreprit dignement l'idéali-

sation directe des croisades, sans apprécier Ia difficulté

d'un tel domaine, qui clevait rester prématuré, tant qu'onn'y pourrait pas concilier le catbolicisme et bislamisme.

Aug. Comte — Politique, III, 569.

Versos cheios de esplendida poesia,Lindas estrophes de belleza rara,Onde a plástica á musica se allia,Legaste ao mundo, bardo de Ferrara!

Pela Cruz que o Crescente arrebatara,Cantaste com verdade e fantasiaDe heróes da Guerra Santa a estirpe cara,Entre scenas de amor e de magia.

De Armida ardis, de Herminia a paixão pura,A prudência genial de Godofredo,De Rinaldo e Tancredo a alta bravura,

Vivem no teu poema eternizadas,Nessa Jerusalém de mixto enredo,Nossa epopéa heróica das Cruzadas.

REIS CARVALHO (Oscar d'Alva)

Rio, Janeiro de 1929.

ILLUSTRAÇAOBRASILEIRA

aos"A

EflPREHEMDIMEiQUE ATTESTAMACÇÂO DODr PIRESA FRE11TE DPREFEITURA DESÂO PAULO

DO R O

Perspectiva do novo Viaducto de Chá

dernas de concreto armado, afora os estudos de rectificação do

Tietê e os planos de desenvolvimento da cidade ao longo da var-

zea deste rio, trabalho monumental, cuja execução exige tempo e o

dispendio de grandes sommas.

A

PROCURANDO

incutir na administração municipal de

S. Paulo o rithmo animador e a orientação de tra-

balho do Presidente Júlio Prestes, o Snr. Pires do

Rio, cuja capacidade profissional é de todos conhe-

cida, ha annos que vem estudando, com paciência e

carinho, um plano de reformas e melhoramentos por muitos titulos

notáveis.Enfrentando embora, os embaraços naturaes que uma cidade .

do crescimento prodigioso da Paulicéa apresenta e as difficuldades

de toda ordem que. como é fácil de prever, culminaram com a

crise do café, S. Exa. secundado por um corpo de collaboradores

notáveis, dentro os quaes destacamos os Drs. Arthur Saboya, J.

Amadei, S. Noronha, Ulhôa Cintra, Prestes Maia e Normann Ber-

dardes, não perdeu a coragem de dotar a Capital do seu estado não

só, de obras de utilidade immediata, como de um plano urbanístico á

altura do seu grandioso futuro.

Para exemplo destas actividades, basta ver o apparelhamento

technico das obras de pavimentação cujos resultados já são mani-

festos, o cuidado dispensado ás estradas nos arredores da Capital,

a <*rande avenida do Anhangabahú, a construcção de pontes mo-

í; ...... . ...,,.;............. .... .,,.. :, ,...,, ¦.-.. - - -._ .- 7«|||p|

WBII---^BBBII.^^.^^^BnB________fc_fc___

Dr. Pires do Rio, Prefeito da capital de S. Paulo

FEVEREIRO19 0

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' 4_^___^-____^^^l__t____________»> " " ^J&£*I§_____I^B ^^^ra__^^^9_____l_________B_^____S________^__l ¦. ' sSÊt~*~+ m ___i___K^____. ¦ ___B___\ *••¦» . i •Éi^^_''v'-^^E _^__H_P* v**s- ' ¦ ü ¦*'' _^SB B__- ' ^^^^i_-r----i^í_iaBB -B-WBn:>r"" ,*;j_^__fl$_^__S____B?i^^'£!&B______^^

Fachada do novo Mercado Municipal, cujas obras estão sendo 'terminadas.

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I)r. Arthur Saboya, Directorde Obras e Viação

(•..AIMIICO SOBRE AS LEIS DE PAVIMENTAÇÃOCASO DE RUAS DE 10 METROS

?f

fj] REI Lei n.' ___9 di 1924

!g; || _l _, „ I V, P r.prfr_,io.MJl—.- ..^.--^jà y-r f '": *•**»•

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I fina»ticli p_f tnlt li frifuSii¦ Uu m ma ü .ntau

QUADRO INDICATIVO DA PRESTAÇÃO SEMESTRAL REDUZIDA AO METRO DE

PR.NTE E AO METRO QUADRADO, INCLUINDO JUROS E AMORTIZAÇÃO.

I. jvc pjr* o cjlcuto ! ..(«¦-.p_»i. .¦._[• .¦•«•-> I Cjp.ui ¦ •__•*. Pmud* _.¦»»•- QUOT*

o, . ,„ I -<u*.i» p-f •*.» ni.Ht.d_l._jl r»l ((-__* U*.) f«- H _, _iI Un. ) jnnol • 10 |>ir_l_ttei »*- ** tmu \ ^_^mm... . Juiui 10'/. I~ "1^" 1=ii "**¦ ¦¦Q""""* 10O.Üm.| I I JIWHi ) 10:464*000 l>)SSSI16 |H»»t 2«2J-Uiprij ...... Ifadm; || I 22SOOO | 10:5601000 ti__7tS6fl ,1316761 2S649F.ii. c...t«..l ... 960 n I III WJ5O0 IB:*a0H« 2:3931244 !23»932| 41966G""' 2lfl0 ip ! IV I 39MOO | 18:720W» 2:424*325 24*243 SBUilAl« 96000m« | V ; 491500 | 23-760*«'00 3:077*029 3U>710 6*410

n .0.12750458 VI 59JWP , 2a:J2n|OOli 34681)70 36*686 7*643

PafDlk-IcpIpnlos sobre areia | IV Purnllcltpipedoí tobre macniídin **¦_.*•».<-«•II Miicmliiit. jíphuliiidü I V Aiphullo em lençol JJrC^— S ^_Hl Conoeio ü.phaltleo \ VI Pan_llelrptpt.de» wbre concrelo. —W'2~«zJZ22&?'

Os ires grandes raios centraes da gigantesca construcção

Mercado Municipal, detalhe do interior em acabamento Mercado Municipal, vista interna

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1LLUSTRAÇÃOBRASILEIRA

Victor Silva e Eduardo Guimaraens(FIM)

todas,as salas desta casa encontramos o capriclio do seu gosto, sentindonos menores detalhes a marca das suas preferencias, po.s apesar de naoapparecer o seu nome gravado com a confirmação do esforço que chegouao termo, Victor Silva, como os antigos lavrantes de cathedraes, ficoupara sempre emboscado aqui, e experimentamos a íllusão muito natuialde vêl-o surgir a cada momento por entre as dobras de um reposteirocom aquelle ar brusco, inspeccionando, fiscalizando passando um dedovibratil sobre o verniz das mesas, o rebrilho das lombadas e estantes,até sobre as pinturas muraes — para descobrir o grão de pò insidioso, amancha ou a quebra que ameaçavam a integridade da sua oura.

Elle adensou toda a sua poesia, todos os recursos de imaginação emotivos de sensibilidade criadora nesta casa. Parece até que, depois derealizado o sonho de tantos annos, só lhe restava morrer como quemcumpriu honestamente o destino traçado. Até o fim conservou a linha im-peccavel do ciandy e estheta, figura fina com seu chapéo de feltro negro,o perfil faunesco sumido na gola crespa do astrakan do longo sobretudo,luvas escuras — tal como o surprehendi algumas vezes num inverno daminha adolescência.

Como literato o seu papel foi o de um inspector das letras. Emtorno delle giravam as estréas poéticas.

Mas por outro lado foi também um pioneiro do Parnasianismo en-tre nós, não tanto pela producção literária como pela ascendência queexerceu sobre alguns "novos".

João Pinto da Silva no, estudo tão vivo que lhe dedicou na "Histo-

ria Literária do Rio Grande", mostra como o movimento parnasiano bra-sileiro ficou na intenção doutrinaria: "o parnasianismo, desse escriptortal como elle foi e é comprehendido e applicado em França, não con-seguiu nunca estabelecer na literatura brasileira o que se poderia cha-mar uma succursal, isto é, não aggremiou por estas bandas em tornodas suas idéas um grupo homogêneo de artistas". Passa a frisar comosão pouco parnasianos Bilac, Alberto de Oliveira, Raymundo Corrêa.De facto não se podia exigir que os poetas seguissem a directiva e?-treita de um programma, sempre abstracto. O que se queria com oParnasianismo era "organizar um movimento de pudor muitíssimo ne-cessario" depois dos derrames românticos com lagos fataes, luares in--criveis, attitudes byronianas. A poesia estava enfastiada dos seus pro-prios excessos, pedia um pouco de disciplina burocrática, de moderaçãoburgueza depois de ter aparecido na estréa do "Hernani" com a inso-lencia das gaforinhas tormentosas c o impagável "gilet rouge". Pudor— disciplina — autocratica. .... *.

O Parnasianismo foi o hypertrophia da autocrítica numa 'certa posede insensibilidade. O poeta com seu diccionario de rimas, com a canetaem riste mais para corrigir do que para escrever.

Não se veja uma reacção inútil no seu excesso: foi uma necessidadehygienica. E um factor de progresso como selecção, como eliminaçãodo lyrismo barato que ameaçava submergir tudo. Na escola dos Par-nasianos é que os poetas aprenderam a desconfiar da pura fermentaçãoinspiradora sem controle e a lançar uma ponte entre a poesia e o exerci-cio poético. O caso de um Valéry é uma resultante e uma prova.

Sem duvida, como em todo movimento literário bem marcado, de-

pois das boas intenções veio o exagero. O poeta ficou sendo um ca-valheiro de pince-nez que publicava sonetos mensaes sobre a barba deAssurbanipal e os amores de Cleopatra. Era um moço inoffensivo quese fingia de mármore. Tudo tinha que se encolher para entrar na iga-;

caba do soneto. E um volume de poemas era uma espécie de guia ri-mado para visitar as regiões históricas. A hypertrophia da autocríticadeterminou um ankylosamento da thematica. Esta phrase parece pedan-tismo verbal mas é a pura verdade, Quer dizer que a selecção excessivados themas poéticos restringiu até o absurdo a vitalidade da poesia. Era

preciso mudar para não morrer.

Entre artistas(FIM)

visita que nus fizera na barraca, no domingo anterior, despedira-se da sua vidaartística, dissera o seu adeus á natureza que elle tanto amou. O destino não

permittiu que elle vivesse mais um pouco para honra da nossa arte, não quizque elle realizasse a promessa que nos fizera... Morreu e enterrou-se na ves-

pera do dia em que deveríamos recebel-o na barraca!E a barraca deixou de escrever a mais alegre pagina de sua historia: escre-

veu a mais triste, a mais dolorosa...Quando Virgílio acabou essa narrativa, seriam 11 horas da manhã.Um portador especial trazia da casa de Virgílio o almoço para os artistas.

E assim todos os domingos!... Houve, pois, a trégua necessária. A refeição

decorreu alegremente. Depois, cada um retomou o seu trabalho. Virgílio fez-me

conhecer alguns golpes de vista, maravilhosos da Lagoa. Em seu cavallete,

uma tela esboçada aguardava o pincel do artista, que, nesse domingo, forçado

pela minha presença e pelas minhas, perguntas, sacrificou grandemente o seu

prazer de trabalhar. Em compensação, proporcionou-me ensejo para escrever

as linhas que ahi ficam. E talvez mesmo o meu querido amigo não tenha quei-xas de mim. Tirei-o do trabalho, mas fil-o expandir-se, tirei-o da pintura, mas

fil-o recordar. Virgílio, conduzido pela minha curiosidade, foi commigo muito

longe... Levou-me á sua meninice. Falou-me de sua terra natal, Pernambuco.Evocou a sua vida de collegio, mettido em um orphanato sem ser orphão...

Narrou-me, um por um, todos os tropeços de sua vida. Ninguém melhor do

que elle conhece o que seja a necessidade. Mas, como é hoje um victorioso, elle

sabe recordar, sorrindo do passado... E' que até nisso nelle se manifesta o

artista, o homem de espirito superior, que esquece e que perdoa a vida, com

todos os embates e lutas, que podem tornai-a cruel.Quando deixámos a barraca, ao cair daquella tarde, que foi uma das

mais maravilhosas deste verão,. tive a impressão de ter estado em um mundointeiramente diverso, que ficara muito longe... Varias horas cercado de artis-tas que trabalhavam, pesquisadores incorrigiveis da Belleza, rodeado pela moi-dura impressionante das montanhas que se estendem no fundo da Lagoa, dosDois Irmãos ao Corcovado, só aos poucos o meu espirito se foi desprendendodaquelle ambiente de elevação e encantamento, que ia ficando distante...

Eu tinha a impressão de haver sonhado um domingo inteiro... E, sómesmo quando senti o contacto do bulicio de Copacabana, foi que, verdadeira-mente, voltei a mim do meu sonho delicioso...

V E N Cl D OS.' ¦ -(fim-) A'¦¦,..;¦¦¦

infinidas, de amor, como se ali não estivesse mais ninguém.Porque ali, o desgraçado que está perto delles, na verdade, nãoé mais ninguém !. . .

Agora, depois dessa claridade que ficou no ar por algumtempo, a luz do céo foi embora. Na terra explodem rapidamenteas primeira lâmpadas rua á fora...

A noite é melhor. E' mais escuro, ninguém sabe quem soueu. Ou quem fui. Sim, porque hoje eu vou me transformar...Para melhor!

Aquelle velho a quem perguntei um dia por que não pro-curava um asylo, fez-me uma proposta seductora! Deixarei deser maltrapilho! Vou me confundir com a turba. Em breve algunsme tirarão o chapéo! Procurarei dar esmola aos desgraçadoscomo eu fui. Vou fugir deste presidio! A terra é generosa. Emse plantando nella dará tudo.. .

Esta noite vou tirar meu ventre da miséria! Basta de lutar átôa!

•— Vou ser ladrão!

De Lima Campos(FIM,)

iou a quinquilharia decorativa de Saxe costuma íornear e colorir, numaattitude gracil de minuetto ou de pavana, para as cantoneiras de salaou para serem vistas atravez do cristal bisauté de um mostrador debric-a-bracs.

Deram-lhe, um dia, no ritual de um baptisterio, em que a tinhamlevado, sumida em escumilhas de rendas e a cheirar a leite e a linhosfrescos, o nome curto e leve, como ella é pequena e frágil, de: Suze.

E Suze se fez mulher, em lenta escala, atravez de todo um longotempo de mimos e cuidados múltiplos, desde a infantibilidade coílegialdas primeiras letras á delicada graça linda que ella é hoje nessa minia-tura feminina do seu pequeno ser gracioso e que de tão douradamentelouro faz pensar a gente em rebuçados de ovo, esses pequenos bonbonsque são toda uma pequena gemma de amarello claro no crespo íranjadode papeis de seda de um azul esmaecido ou de um branco alvo.

E, tal qual, é ella, quando; á tarde; apparece no portão de ara-bescos do seu jardinete ou nos mosaicos do passeio, em tulles ou emcassas brancas — filha de um raio de sol e de um canto de ave. . .

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FEVEREIRO0

S. Francisco de Sales( FIM )

force de son génie, par laquelle il avait contume de «vir t ? imonde; mais que fit ce grand homme de Dieu TV ,* *

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creSc,Fms:: h-™?

!:;„:; boa0 vonT' si° vi«-' —o. Porac-

Q-i récat euá reput:;;::-''. mme les sa,ms °nt rêp™é '* »«"«

Eu me contento de soprar mais que S. Francisco Sales - Miti,Et - Huimhs - Corde, alma finamente agente distribuir!, ~

Pontos de partida de Accentuava os necessáriosprofundezas a,'o brancl

""" ^X^0 ^hk°- <=&» « •»•

^ ^ Anatysava as coisas tão i„genua e deHcadamente (,„e nada o tirava

*^^;^rs_íi_^_s£e"c teu,, ficado perto de„a, U^C ^2^1^^

<"

cisco. EUmaS C°iSaS de"a -tecemos ° -cento de Sao Fran-

Não sei si o São Francisco de Sales rm» i.„«,-;; oaies que eu conheço não se nnr*cera nada com aciue le dp t^rU* pare-bem, de uma an^e t^LLTX^ 77 >

^ Ta""bem diversa para mim. esboçada, Ja sua figura surgida

Vejp-ihe mais do que enigmas. Não seia elle cnh ~ it.»«..»*>, uma santa %Ura de «0^^^^^%°

n,eé o""30 ™ fÍXa'"° mUÍt°' Um Sa"'°' »*' 0- "o: meu !Si?~_:;-2-„í„-.* ,; «•-—« —

nossos phantasmas. A santidade, impossivei comprehende! a sem ex"penencia da santidade. a ex~

ROSAS DE HESPANHA(FIM)

MARIA — Calma! Calma! Vou resolver teucaso. (Chamando) Fernando!

Scena IXAS MESMAS E JUSTINO

JUSTINO — Açudam! Açudam!MARIA e ELVIRA — Que ha?JUSTINO — 0*patrão... Tomou o revolver.

Disse: Adeus, Justino, e fechou-se no quarto...Vae-se matar!... Eu sei!... Elle é louco de umavez!...

ELVIRA — Meu Deus!MARIA — Isso com certeza é pilhéria.JUSTINO — Não é, não. senhora. Açudam,

que elle se mata. E' louco.

(Ouve-se uni estampido.)JUSTINO - Ai!... Matou-se!... (Sáe a

correr).ELVIRA — Elle disse que se matava!... Ai!...

(Cáe no divan a chorar, desatinada.)MARIA — Coragem! Coragem !... Esperemos

pelo Justino. (Vae consolar Elvira) — Um momen-to... Pôde não ter morrido...

JUSTINO (dentro) — Coitado do patrão! Mor-rer tão moço!

ELVIRA — Meu Deus, meu Deus! Fui eu aculpada... eu que o amava tanto...

MARIA (baixo, indo aos bastidores) — Jesus!...Jesus! Que posso fazer? (Voltando-se e encobrindoElvira) — Não desanimes... Parece ciue está ape-nas ferido...

ELVIRA — Por que lhe fui dizer aquillo?...Sou culpada de sua morte...

MARIA — Acalma-te...

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ELVIRA — Se elle pudesse ouvir-me... Queriadizer-lhe que o amava como uma louca, como umaperdida...

Scena XAS MESMAS, FERNANDO E JUSTINOFERNANDO - Pois, então, pôde dizel-o, queaqui estou são e salvo...

J)ara un$as finfras€stttaítc'(Sah)"

AS DUAS — Fernando!FERNANDO - Foi um estratagema de queusei para saber a verdade.

_ ELVIRA (erguendo-se) ~ Ah, nessa não caio.**ois, então, ouve, eu também estava representando

Nao estava chorando... vê !... (,/ sem vontade) .FERNANDO (tomando-lhe o braço) - Agoranao podes mais representar. Quando a Verônica"en-xugou as lagrimas de Christo ficou-lhe no lenço aimagem sagrada... Se no teu lenço não ficou a destenovo Christo é que o carmim deixou a tua... (mo*.tra o lenço onde se vêem os signaes da pintura dassobrancelhas, dos olhos, das faces e dos lábios delia)Eis a moderna Verônica. E a vida anda assim cheiadesses calvários que, entretanto, com duas palavrase duas lagrimas se transformariam em paraiso.PANNO

Uma familia de tradicções(FIM)

O Marechal de Campo Francisco Felix da Fon-seca Pereira Pinto, falleceu nesta Capital a 28 denovembro de 1861, no alto cargo de ajudante-gene-ral do exercito, em que se achava collocado "pelosseus reconhecidos dotes de militar instruído e auste-ro observador de todas as regras da disciplina, únicae necessária base das corporações reconhecidamentemilitares, e foi por procurar sempre mantel-as que

'lhe foi dado prestar á sua Pátria os melhores servi-ços de paz e guerra, dentro e fora do seu immensoterritório ",

Foram seus filhos: Capitão de Fragata e Con--sul João Carlos da Fonseca Pereira Pinto, Capitãode fragata Francisco Felix da Fonseca Pereira Pin-to Filho, Do„a Luiza Pereira Carneiro da Rocha oD. Germana Pereira Pinto Barbosa.

¦mt-7~~ ¦ ¦-—•—- ;———r—-

ILLÜSTRAÇAOBRASILEIRA

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G. Dubujadoux. . . ; . Notre-Dame des Poulpes

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D E MELLO &

R i o d e Janeiro

NA FESTA GOOPHICA DOJARDIM DA INFÂNCIA DE

SÃO PAULO( FIM )

pelas ruas da cidade. E, ainda agora, emFrança foi com uma emoção profunda erespeitosa, que Paris, em peso, assistiu ápassagem do cavallo de batalha do maré-chal Foch, que lhe acompanhava o feretropor oceasião dos seus funeraes.

Segundo Plutarco, o que os antigosveneravam nos animaes, que elles reputa-vam sagrados, eram certas operações divi-naso nuns, a paciência, noutros, a fidelidade,a vivacidade, o raciocinio, a gratidão. ..

E Montaigne, muito judiciosamente,confessa que, em. meditando na semelhançaque existe entre nós e os demais animaes dacreação, quanto a vicios e a virtudes quelhes são próprios, sentia diminuir-se-lhe porcompleto a vã e imaginaria superioridadeque sempre tivemos a presumpção de nosarrogar sobre elles.

Se não nos é possivel, minhas Senhorase meus Senhores, tratal-os de igual paraigual, tratemol-os, pelo menos, com toda amansidão. Assim procedendo, nós vamosao encontro de uma das tendências da ei-vilização moderna, que é adoçar, humani-zar os usos e costumes dos povos. E o Bra-sil de amanhã, educado por essa forma, nãosacará mais com a mesma facilidade, comque saca hoje, o punhal da cava do colete;não dará mais irremissivelmente o dedo aogatilho da sua arma. E os homens, forma-dos em Direito, no desempnho 'de certos

cargos públicos, em vez de approvar, sabe-rão proscrever o abuso da violação contrapobres párias, desvalidos da sorte, que têmunicamente por si, no dizer de um poeta,a fraqueza inutilissima das suas lagrimas.

Essa obra grandiosa, tão grandiosa quan-to foi a abolição da escravatura no Brasil,a U. I. Protectora dos Animaes confia-a aopreceptor publico, — ao mestre escola, —- aquem está confiada a missão por venturamais nobre na vida de um povo, que é aobrigação impreterivel de semear a instruc-ção na infância de envolta com os seríti-mentos christãos."

COMO SE PROCLAMOU AREPUBLICA NO RECIFE

(FIM) :/

mas resolvi assim faze-lo etc"; rogo a v. s.torne público, a bem da verdade histórica,que nenhuma ordem ou comimunicação deespécie alguma me foi dirigida pelo mesmogoverno. j"Sob o domínio da impressão geral pro-duzida pelas noticias do Rio de Janeiro, en-tendi de meu dever manter-me na adminis-tração emquanto pudesse fazer respeitar aminha autoridade e manter a ordem publica,última preoecupação das ultimas trinta e duashoras do meu curto governo; e, por exclusi-và] inspiração do meu patriotismo, única-mente quando me pareceu que podia a de-sordem irromper, sem ter podido para mimcontê-la, "roguei ao illustre sr. commandantedas armas que, em vista das circumstaciasextrardinarias que oceorriam e não podiam

ser consideradas regularmente", assumisse ogoverno que eu lhe transmittia, por ser s.exa. só quem tinha força para exercê-lo."Isto deu-se por volta das 9 horas danoite de hontem, e em seguida retirei-medo Palácio da Presidência, a pé, acatado portodos e seguido por alguns amigos que meacompanharam até á casa da minha resi-dencia.

"Apresento a v. s. os meus protestos deconsideração — Segismundo A. Gonçalves".

3 •— O primeiro governador de Pernam-buco republicano seria Jozé Mariano Car-neiro da Cunha. Era liberal adeantado, es-pirito independente, com extraordinárioprestijio popular.

Estava no Recife 'a 16 de novembro-Recebeu aqui um telegrama de QuintinoBocaiúva convidando-o, em nome do govêr-no provizório, para assumir a administraçãoda Baía.--

Respondeu, então:"Declaro ao governo provizório que

agradeço a prova de confiança em mim de-pozitada pelo marechal Deodoro, entretanto,o meu posto de honra é em Pernambuco, deonde não sairei -r- José Mariano."

No primeiro encontro, Qintino explicou-lhe que, redijindo vários convites na mesmaocazião para políticos de diferentes Provin-cias, se enganara no endereço a J. Rriano,cujo pensamento era entregar-lhe os desti-nos de Pernambuco.

Este epizódio me foi relatado pessoal-mente por J. Mariano, com a aprezentaçãodo telegrama de Quintino e da cópia de suaresposta. Recife, 1930

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