disfunção temporomandibular e cervicalgia crônica … · dos ossos do crânio, que incluem...

of 18/18
Disfunção Temporomandibular e Cervicalgia Crônica Juho/2015 1 ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 9ª Edição nº 010 Vol.01/2015 julho/2015 Disfunção Temporomandibular e Cervicalgia Crônica Thiago Ghiggino - [email protected] Pós-Graduação Master em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva. Instituto de Pós-Graduação e Graduação IPOG Rio de Janeiro, RJ, 01 de junho de 2013 RESUMO Objetivos: Alterações na coluna cervical são muito frequentes e constitui importante causa de incapacidade. A alta prevalência de dor cervical associada a disfunção temporomandibular motivou esse trabalho Métodos: Este estudo se baseia em levantamento bibliográfico de material que tivesse relevância com a expressão cervicalgia e disfunção temporomandibular. Resultados: Fatores genéticos, de desenvolvimento, fisiológicos, traumáticos, patológicos, ambientais, mentais e comportamentais além de desarmonias oclusais, fatores psicológicos, trauma extrínsecos, postura incorreta de cabeça e pescoço podem desencadear a disfunção temporomandibular Conclusão: Apesar dos inúmeros fatores que podem influenciar na ATM, pode-se concluir que existe correlação significativa entre a disfunção temporomandibular e a disfunção na região cervical. Palavras Chave: Cervical, ATM, Disfunção temporomandibular.

Post on 19-Sep-2018

213 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    1

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica

    Thiago Ghiggino - [email protected]

    Ps-Graduao Master em Fisioterapia Traumato-Ortopdica e Desportiva.

    Instituto de Ps-Graduao e Graduao IPOG

    Rio de Janeiro, RJ, 01 de junho de 2013

    RESUMO

    Objetivos: Alteraes na coluna cervical so muito frequentes e constitui importante

    causa de incapacidade. A alta prevalncia de dor cervical associada a disfuno

    temporomandibular motivou esse trabalho Mtodos: Este estudo se baseia em levantamento

    bibliogrfico de material que tivesse relevncia com a expresso cervicalgia e disfuno

    temporomandibular. Resultados: Fatores genticos, de desenvolvimento, fisiolgicos,

    traumticos, patolgicos, ambientais, mentais e comportamentais alm de desarmonias

    oclusais, fatores psicolgicos, trauma extrnsecos, postura incorreta de cabea e pescoo

    podem desencadear a disfuno temporomandibular Concluso: Apesar dos inmeros fatores

    que podem influenciar na ATM, pode-se concluir que existe correlao significativa entre a

    disfuno temporomandibular e a disfuno na regio cervical.

    Palavras Chave: Cervical, ATM, Disfuno temporomandibular.

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    2

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    1. INTRODUO

    O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo terico sobre relao entre a

    cervicalgia crnica e a disfuno temporomandibular.

    Cervicalgia atualmente um problema muito comum e constitui causa importante de

    incapacidade. Anualmente, a cervicalgia afeta entre 30 a 50% da populao geral. Cerca de

    15% da populao geral experimentaro cervicalgia crnica (>3 meses) em algum momento

    de suas vidas. Anualmente, entre 11 e 14% da populao economicamente ativa

    experimentaro limitao devida a cervicalgia. A maior prevalncia ocorre em doentes de

    meia idade, e as mulheres so mais afetadas que os homens. Os fatores de risco incluem o

    trabalho repetitivo, longos perodos de flexo cervical, estresse aumentado no trabalho, fumo,

    e traumatismos prvios do pescoo e ombros. A cervicalgia pode, ter profundas

    consequncias e estreita relao com as desordens temporomandibulares.

    A fisiopatologia da maioria das condies de cervicalgia no esclarecida. Existem

    evidncias de distrbios do metabolismo oxidativo e nveis elevados de substncias que

    provocam dor muscular na regio cervical, que sugerem que a circulao ou o metabolismo

    deteriorado do msculo local podem fazer parte da fisiopatologia.

    A dor cervical ou cervicalgia se associa tambm com a alterao da coordenao dos

    msculos cervicais e a deteriorao da propriocepo do pescoo e dos ombros. As evidncias

    sugerem que estes fenmenos so ocasionados pela dor, mas tambm podem agravar a

    condio.

    Existe uma grande dificuldade em obter dados fiis para traar um perfil da

    prevalncia das cervicalgias visto que se trata de um grupo de patologias com aspectos

    clnicos multifatoriais, envolvendo fatores de risco individuais, como caracteres fsicos e

    psicossociais, alm de fatores relacionados a ergonomia e atividades laborativas.

    2. DESENVOLVIMENTO

    2.1 - MTODO

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    3

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    Este estudo se baseia em levantamento bibliogrfico de material que tivesse como

    relevncia a expresso cervicalgia e disfuno temporomandibular e foram pesquisados

    livros, teses, artigos cientficos, relatrios de pesquisa, alm dos sites: Google Acadmico,

    Scielo, Pubmed e Lilacs, revistas cientficas on line.

    Foram analisados nessas fontes, tudo o que tivesse pertinncia com o tema e

    selecionados em funo dos objetivos propostos e seus achados foram abordados no decorrer

    do estudo.

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    4

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    2.2 - ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA

    Constituda por sete vrtebras, sendo que as duas primeiras (atlas e axis) apresentam

    propriedades distintas das restantes. O atlas tem a forma de anel, no possui corpo vertebral e

    se articula com a base do crnio atravs da articulao occpito-axial, sendo responsvel por

    grande parte do movimento sagital da coluna cervical. O axis, a segunda vrtebra, possui

    proeminncia que emerge de seu corpo vertebral, chamada processo odontide, o qual se

    projeta para o interior do atlas formando um piv sobre o qual a articulao atlanto-axial

    onsegue efetuar a rotao do crnio; entre estas duas vrtebras no existe disco intervertebral,

    sendo que so separadas e sustentadas por diversos ligamentos internos.

    As demais vrtebras cervicais, de C3 a C7, so mais homogneas, possuem corpo

    vertebral anterior e arco neural posterior, sendo que se diferenciam das vrtebras torcicas e

    lombares por apresentarem o forame transverso, atravs do qual passa a artria vertebral.

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    5

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    A articulao temporomandibular (ATM), considerada a articulao mais complexa do

    corpo humano, composta especialmente pelo cndilo mandibular, parte mvel que se

    desloca pelo osso temporal, sua parte fixa.

    uma articulao do tipo sinovial, que se inter-relaciona anatmica e

    cinesiologicamente com as articulaes adjacentes e da coluna cervical.

    Entre o cndilo mandibular e o osso temporal h o disco articular que divide o espao

    virtual entre esse dois ossos em inferior e superior. Envolvendo essa articulao h a capsula

    articular fibrosa e trs ligamentos: lateral, esfeno-mandibular e estilo-mandibular. Estas

    estruturas articulares limitam a faixa de movimentao do cndilo, ao mesmo tempo que

    confere firmeza e elasticidade.

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    6

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    Os msculos atribuem a caracterstica de movimentao, por isso tido como estrutura

    dinmica, os principais so em nmero de quatro que segue no quadro abaixo, porm h

    outros que auxiliam direta ou indiretamente na ao estomatogntica. Como os supra-hiideos

    que tem como principal funo o abaixamento da mandbula, os Infra-hiideos que tem o

    papel de estabilizar o osso hiide para potencializar a abertura da boca, alm dos msculos

    cervicais (como o ECOM, suboccipitais o trapzio) que estabiliza a cabea permitindo os

    movimentos controlados da mandbula.

    Devido ntima relao existente entre os msculos da cabea e regio cervical com o

    sistema estomatogntico, iniciaram-se estudos que visavam confirmar que alteraes posturais

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    7

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    da cabea e restante do corpo poderiam levar a um processo de desvantagem biomecnica da

    ATM, levando a um quadro de disfuno temporomandibular.

    A postura de cada indivduo ser determinada por cadeias musculares, fscias,

    ligamentos e estruturas sseas, que possuem soluo de continuidade, so interdependentes

    entre si e abrangem todo o organismo. Por tanto evidente a relao entre a ATM e a Postura.

    2.3 BIOMECNICA DA ARTICULAO TEMPOROMANDIBULAR

    As foras biomecnicas que controlam a posio do disco incluem a tenso dos

    ligamentos posteriores, a trao e/ou relaxamento do pterigoideo lateral superior, o prprio

    movimento mandibular e as presses internas (MOLINA FAVERO, 1999).

    O movimento do disco limitado pelo estiramento do msculo, resistncia do

    ligamento e pela falta de superfcie articular disponvel (BARROS e RODE, TAKAYAMA,

    2003).

    Os movimentos acessrios bsicos necessrios para a movimentao funcional da

    ATM so: Rotao;Translao;Separao (Decoaptao); Compresso e Deslizamento. Os

    movimentos da mandbula resultam da ao dos msculos cervicais e maxilares, so eles:

    Elevao; Depresso; Protrao; Retrao e Deslizamento Lateral.

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    8

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    Fonte: http://www.slideshare.net/vinamp007/atm-biomecnica (acessado em 01/06/2013)

    2.4 - ETIOLOGIAS DA DISFUNO TEMPOROMANDIBULAR

    Eriksson et al.4 sugerem que movimentos funcionais mandibulares so resultado de

    uma ao coordenada dos msculos mandibulares e cervicais que levam a movimentos

    simultneos na articulao temporomandibular, atlanto-occiptal e outras articulaes da

    coluna cervical. Considerando esta ligao anatmica, Wiesinger et al.5 mostram a existncia

    de uma forte comorbidade entre Disfuno Temporomandibular (DTM) e cervicalgia,

    sugerindo que podem compartilhar fatores de risco ou at influenciar uma a outra. O msculo

    esternocleidomastideo (ECOM), especialmente, parece sofrer influncia durante funes

    estomatognticas devido seu papel estabilizador da cabea. Stiesch-Scholz et al. recomendam

    a realizao de uma avaliao especfica da coluna cervical e regio da cintura escapular, com

    palpao muscular e testes de amplitude de movimento (ADM) passiva e ativa, uma vez que a

    disfuno silenciosa da regio cervical pode ser esperada em indivduos portadores de DTM

    principalmente com componente miognico.

    Atualmente, sabe-se que no existe um fator etiolgico nico que possa ser

    responsabilizado pela disfuno do sistema estomatogntico, e a teoria a respeito da etiologia

    das desordens temporomandibulares (DTM`s) mais aceita, e que parece ser um consenso entre

    http://www.slideshare.net/vinamp007/atm-biomecnica

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    9

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    os autores, a teoria da etiologia multifatorial ( PAIVA E VIEIRA,1997). Essa teoria afirma

    que fatores oclusionais, associados s respostas nos msculo e articulaes

    temporomandibulares e as condies gerais e emocionais do paciente,podem iniciar,manter ou

    gravar o quadro de disfuno.

    A hipomobilidade mandibular tambm pode resultar de distrbios da mandbula ou

    dos ossos do crnio, que incluem aplasia, displasia, hipoplasia, hiperplasia, fraturas e

    neoplasias. As disfunes temporomandibulares podem contribuir para hipomobilidade

    mandibular so anquilose (fibrosa ou ssea), as artrites, as poliartrites que acometem o tecido

    periarticular (cpsula)e as alteraes sseas estruturais. Outros fatores que contribuem para

    hipomobilidade so deslocamento agudo do disco que no reduzido, inflamao ou derrame

    articular.

    Capsulite uma inflamao que se instala na cpsula articular, normalmente

    decorrente da distenso dos ligamentos intra-articulares. Outra condio que freqentemente

    afeta a ATM a osteoartrite, uma condio degenerativa do tecido articular, com

    concomitante remodelao do osso subcondral subjacente. A sobrecarga funcional da

    articulao uma das principais causas dessa patologia e o processo vai se acelerando

    medida que ocorre reduo da quantidade de proteoglicanas, desintegrao da rede de fibras

    colgenas das superficiais articulares, condies que reduzem cada vez mais a capacidade

    funcional das superfcies articulares.

    3. RESULTADOS

    Dentre os agentes etiolgicos, encontra-se fatores genticos, de desenvolvimento,

    fisiolgicos, traumticos, patolgicos, ambientais, mentais e comportamentais. Pode-se incluir

    as desarmonias oclusais, fatores psicolgicos, trauma extrnsecos,hbitos parafuncionais,

    postura incorreta de cabea e pescoo e condies sistmicas (OKESON,2000).

    Boever e Steenks (1996) acrescentam o hbito de cerrar os dentes, hbitos errados de

    deglutio com interposio da lngua, o deslocamento consciente da mandbula para

    frente,vcios posturais devidos profisso e posio durante o sono sem apoio para a

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    10

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    mandbula.O exame dos dentes pode denunci-los,revelando a presena de facetas lapidadas

    nas superfcies mastigatrias dos molares e nas arestas de corte dos incisivos.

    O bruxismo definido por Carneiro (1995), como a contrao excessiva dos feixes

    musculares do masseter e pterigideo medial que fazem com que a mandbula se desloque de

    um lado para o outro constantemente e com foras extremamente grandes,lembrando que o

    masseter o msculo mais forte do corpo humano,proporcionalmente ao seu tamanho.As

    leses dos componentes so decorrentes a esse atrito permanente,que pode causar uma

    presso de at mil libras por polegadas quadrada.

    Lima (1995) afirma que a causa mais comum de distrbios na articulao

    temporomandibular (ATM), a tenso muscular que pode estar associada a alteraes

    emocionais, ou ser uma resposta natural e constante diante de um estmulo persistente de uma

    vida agitada, instvel e de frustrao. A maioria dos pacientes em quadros agudo de desordens

    temporomandibulares ( DTM), constitui-se de pacientes em estado de tenso psquica,que

    pode relacionar-se diretamente atividade que desempenha e/ou local de suas atividades,alm

    das prprias crises de cunho pessoais.

    De acordo com Oliveira (2002) o estresse promove importantes alteraes somticas, e

    a identificao destes sintomas permite que se tenha uma idia de sua somatizao. As

    estruturas que circundam a articulao temporomandibular ( ATM), frequentemente

    transformam-se em uma vlvula de escape dos problemas psicolgicos e, com consequncia,

    sede de distrbios psicossomticos,pela somatizao de problemas como

    agressividade,tenses,angstias e medo (OKESON,2000).

    Estmulos lesivos do tipo mecnico, emocional, infeccioso, metablico ou por

    associaes dos mesmos estimulam o msculo levando-o ao espasmo, o qual compromete sua

    capacidade de relaxamento voluntrio. Essa contrao involuntria de um ou mais msculos

    pode conduzir os cndilos mandibulares,limitao da abertura normal da boca,rudos

    articulares e subluxaes (LIMA,1995).

    Os deslocamentos distais anteriores tambm so classificados como fatores causais da

    desordens temporomandibulares ( DTM), pois nesses casos a regio bilaminar do disco que

    bastante irrigada e inervada, fica entre as duas superfcies articulares,suportando a sua

    presso,desencadeando dor. Alm disso, essa desorganizao do sistema leva danificao

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    11

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    muscular durante a funo, ao estiramento e/ou rompimento dos ligamentos retrocondilares e

    frouxido articular (CARREO,1995).

    A ocluso tambm tem sido apontada como fator etiolgico da disfuno

    temporomandibular. Tal a intimidade da relao da articulao temporomadibular ( ATM),

    com a ocluso que se pode traar um perfil da forma e da dimenso dos cndilos atravs da

    ocluso,pois a articulao temporomandibular ( ATM), apresenta ampla capacidade de

    adaptao morfofuncional (PAIVA,1997).

    Manfredi et al (2001) afirmam que imperativo especificar o fator causal principal

    para garantir a eficcia da abordagem teraputica,sendo necessrio conhecer os complexos

    sintomticos.No entanto,em muitos casos,os fatores que induzem a problemas na articulao

    temporomandibular a ( ATM), permancem desconhecidos.

    Inmeros problemas clnicos, tais como m postura, malocluso, bruxismo, entre

    outros podem envolver a musculatura mastigatria, a articulao temporomandibular (ATM) e

    suas estruturas, sugerindo um quadro tpico de disfuno temporomandibular (DTM). Sinais e

    sintomas de DTM so caracterizados por sensibilidade dos msculos da cabea, pescoo e

    mastigatrios, dor em uma ou ambas ATMs, movimentos limitados da mandbula, rudos

    articulares, deformidades faciais e cefalias, que so freqentemente presentes nesses quadros

    (Barclay 1999, Conti 1999, De Wijer 1998, Fernandes Neto11 2002, Silva FA17 1993,

    Steenks MH18 1996. Em um estudo realizado por Darling et al.8 1984, foi concludo que a

    posio de descanso da mandbula o resultado de uma coordenao entre os msculos

    posteriores cervicais e os msculos que se encontram anterior a coluna cervical que so

    utilizados para inspirao, mastigao, deglutio e fala. A mandbula esta contida entre este

    grupo de msculos, e a posio de descanso da mesma dependente do equilbrio muscular.

    O sistema mastigatrio, que inclui a maxila, a mandbula, os dentes, as ATMs, e todos

    os msculos associados, esta diretamente relacionado com a coluna cervical. As influncias

    neuromusculares da regio cervical e da mastigao participam ativamente nos movimentos

    da mandbula e no posicionamento da cervical. O movimento mandibular ditado pelo

    controle neuromuscular dos msculos mastigatrios at onde ocorre o contato inicial dos

    dentes (Biasatto-Gonzales5, 2005,Goldstein, et al.13, 1984).

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    12

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    Severas desordens craniocervicais como anteriorizao da cabea, retificao da

    coluna cervical, e assimetria de ombros tm sido estabelecidas em pacientes com Desordem

    Temporomandibular (Zonnenberg et al.19, 1996).

    As alteraes posturais podem ocasionar disfunes da coluna cervical, do osso hiide

    e do grupo de msculos mandibulares, onde a perda da congruncia postural, com a sua direta

    influncia na posio e no movimento da mandbula, associada a uma constante disfuno

    cervical, diminui a capacidade de adaptao fisiolgica e pode funcionar como fator

    etiolgico inicial das DTM (SALOMO, 2002)

    Goldstein e colaboradores (1984) descreveram que alterao nteroposterior da

    cabea e postura assimtrica do pescoo tem efeito imediato na biomecnica do fechamento

    mandibular, onde durante a extenso de cabea ocorre o deslocamento da coluna cervical

    associado a uma excurso anterior da mandbula, ocasionando um decrscimo do espao

    interoclusal.

    Segundo Mannheimer & Rosenthal (1991) a influncia da postura e do estresse nas

    alteraes msculo-esquelticas um primeiro fator de sobrecarga comumente observado.

    Isto importante quando o paciente apresenta disfuno crnio-facial secundariamente

    desordem crnio-mandibular. Alm disso, a ausncia de um evento traumtico severo e a

    presena de uma freqente sintomatologia crnio-facial caracteriza um quadro clnico com

    sintomas exaltados.

    Kovero & Knnem (1996) em um estudo sobre os sinais e sintomas da DCM,

    observaram que adolescentes que tocavam violino com grande freqncia mantendo a coluna

    cervical e o pescoo em posio de inclinao lateral, apresentavam alteraes posturais

    podendo se tornar um importante fator etiolgico da DTM.

    Piccoloto & Honorato (2003) observaram alta incidncia de dores na articulao

    temporomandibular (ATM) e msculos mastigatrios acompanhado de cefalias, dor em

    msculos cervicais, limitao de ADM, desvios e deflexes com rudos articulares associados

    a hbitos parafuncionais em 46 pacientes. Esses autores descreveram formas de abordagens

    fisioteraputicas buscando demonstrar a eficcia do tratamento.

    A literatura internacional aponta alguns estudos referentes eficcia da utilizao de

    recursos fsicos e manuais nas DTM que se baseiam em outras patologias msculo-

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    13

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    esquelticas. (PICCOLOTO & HONORATO, 2003). Dentre os recursos mais citados

    encontra-se a terapia termal atravs do calor mido e do gelo, spray crioterpico,

    alongamentos musculares (MURPHY, 1997; SANTOS, 1995), ultra-som teraputico,

    estimulao eltrica, biofeedback, massagem, mobilizao articular e exerccios (CLARK et

    al., 1990; WRIGHT & SCHIFFMAN, 1995), alm de diatermia por ondas curtas, estimulao

    eltrica transcutnea (TENS), iontoforese (DIMITROULIS et al., 1995), laser de baixa

    intensidade, e a acupuntura (FEINE et al., 1997). A aplicao deste amplo arsenal teraputico,

    disponvel ao fisioterapeuta est indicada no alvio da dor, reduo da inflamao e do

    espasmo muscular, melhora da ao muscular e da mobilidade articular e restaurao do

    equilbrio msculoesqueltico. (PICCOLOTO & HONORATO, 2003)

    Essa disfuno apresenta sinais e sintomas de dor na regio periauricular, na ATM ou

    nos msculos mastigatrios, limitao ou desvios nos movimentos da mandbula e rudos na

    ATM durante a funo mandibular (DWORKIN et al, 1990; SARLANI, 2003; ACOSTA-

    ORTIZ et al., 2004). Alm disso, pode estar presente queixa de dor de cabea, dor de ouvido,

    zumbido e vertigem (SARLANI, 2003; COOPER e KLEINBERG, 2007; JERJES et al.,

    2007).

    A etiologia da DTM complexa e ainda no definida (DIMITROUSLIS, 1998), sendo

    a alterao postural apontada como um dos fatores etiolgicos (PEDRONI, de OLIVEIRA e

    GUARATINI, 2003; AMANTE et al., 2004).

    A anteriorizao da cabea tem sido sugerida como fator causal ou resultante desta

    afeco (LEE, OKESON e LINDROTH, 1995; NICOLAKIS et al., 2000). Estudos mostram

    que a protruso da cabea altera a posio da mandbula (DARLING, KRAUS e

    GLASHEEN-WRAY, 1984), a trajetria do movimento do cndilo da mandbula

    (VISSCHER et al., 2000) e a atividade dos msculos mastigatrios (MANNHEIRMER e

    ROSENTHAL, 1991). Em contra partida, outros estudos no observaram a relao entre

    DTM e postura de protruso da cabea, uma vez que no houve diferena desta entre os

    indivduos com e sem DTM (HACKNEY, BADE e CLAWSON, 1993; VISSCHER et al.,

    2002).

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    14

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    4. CONCLUSO

    Apesar dos inmeros fatores que podem influenciar na ATM, pode-se concluir que

    existe correlao significativa entre a disfuno temporomandibular e a disfuno na regio

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    15

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    cervical, porm, sugere-se a realizao de outros estudos, com a utilizao de diferentes

    recursos diagnsticos, para que se possa comparar com os resultados obtidos.

    BIBLIOGRAFIA

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    16

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    AMANTA, Daniela Vieira. A importncia da avaliao postural no paciente com disfuno

    da articulao temporomandibular. Disponvel na Internet, URL: http//www.scielo.org

    BATISTA, E.B.,et al.Leses por esforos repetitivos em digitadores do centro de

    processamento de dados do Banestado Londrina, Paran, Brasil. Revista Fisiot. Univ. So

    Paulo, v.4, n.2, p.83-91, jul/dez.,1997.

    BIENFAIT, Marcel. Fscias e pompagens: estudo e tratamento do esqueleto fibroso. [2.ed.]

    So Paulo: Summus, 1999

    CARVALHO, Maria Margarida. Dor: um estudo muiltidisciplinar. So Paulo: Summus,1999.

    CONTI, P.C.R.. Disfuno craniomandibular (DCM) - Parte II Aspectos psicolgicos e

    hiperatividade muscular. Revista ABO Nac. v 4n. 2.Pp.103-106. Abril/Maio, 1996.

    COUTO, Hudson de Arajo. Ergonomia aplicada ao trabalho: manual tcnico da mquina

    humana. B.H. Ergo editora, 1995.

    CALLIET, Ren. Dor: mecanismos e tratamento. Porto Alegre-RS: Artmed, 1999.

    DELIBERATO, Paulo Csar Porto. Fisioterapia preventiva: fundamentos e aplicaes. 1. ed.

    Barueri: Manole, 2002.

    DE VITTA et al. Nvel de atividade fsica e desconfortos msculo-esquelticos percebidos em

    homens e mulheres, adultos e idosos. Revista Brasileira de Fisioterapia, Vol.7, n1, pg.45-52,

    2003.

    GIACOMOLLI, Fabiano: O perfil dos usurios da clnica de fisioterapia do IPASEMNH, em

    tratamento para a cervicalgia do perodo de 2002 a 2003. Monografia do curso de fisioterapia

    do Centro Universitrio Feevale, Novo Hamburgo, 2003.

    GRANDJEAN, Etinne. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 4ed. Rio

    Grande do Sul: Brokman, 1994.

    GRACIOLA, Rafael.:Anlise da postura laboral das costureiras de uma indstria de calados

    do Vale do Taquari. Monografia do curso de Fisioterapia do Centro Universitrio Feevale-NH,

    2004.

    GOLDING, Douglas. Reumatologia em Medicina de Reabilitao. So Paulo, Atheneu, 1998.

    HEBERT, Siznio et al. Ortopedia e traumatologia: princpios e prtica. 3ed. Porto Alegre,

    RS: Artmed, 2003.

    HOCHSCHULER S, REZNIK B. Trate sua coluna sem cirurgia. 1ed. So Paulo: Manole

    Ltda,2000.

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    17

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    HOPPENFELD, Stanley. Propedutica ortopdica: coluna e extremidades. So Paulo:

    Atheneu, 2001.

    IIDA, Itiro. Ergonomia-projeto e produo. So Paulo: Edgar Bliicher, 1997.

    JUNIOR, F. M. Sade no Trabalho. 1. ed. So Paulo: Roca, 2000.

    KAPANDJI, A . I. Fisiologia Articular. 5 ed. So Paulo: Manole, 2000

    KNOPLICH, Jose. Enfermidades da coluna vertebral. 2ed. Panamed, 2003.

    MOFFAT, Marilyn; VICKERY, Steve. Manual de manuteno e reeducao postural: da

    American Physical Therapy Association. Porto Alegre: Artmed, 2002.

    MICHEL, O. Acidentes do Trabalho e Doenas Ocupacionais. 2.ed. So Paulo: LTR,2001.

    MUNHOZ, Wagner Csar. Avaliao radiogrfica da coluna cervical de indivduos com

    distrbios internos da articulao temporomandibular. Disponvel na Internet, URL:

    http//www.scielo.org.br

    OLIVER J, MEDDLEDITCH A. Anatomia Funcional da Coluna. Rio de Janeiro: Revinter,

    1998.

    OLIVEIRA et al; Dor crnica sob a tica dos pacientes da escola de postura da DMR HC

    FMUSP; Acta Fisitrica, 2004;11(1) pg.: 22-26.

    PORTO, C.C. Exame clnico. 3ed Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S. A., 1996.

    RANNEY, Don. Distrbios osteomusculares crnicos relacionados ao trabalho. So Paulo:

    Roca, 2000.

    REBELATTO, Jos Rubens; BOTOM, Slvio Paulo. Fisioterapia no Brasil: fundamentos

    para uma ao preventiva e perspectivas profissionais. 2. ed. So Paulo: Manole, 1999.

    RENNER, Jacinta S. Custos posturais no posicionamento em p, em p/sentado e sentado nos

    postos de trabalho no setor de costura na indstria caladista. Dissertao (Mestrado em

    Engenharia de Produo) UFRGS, Porto Alegre, 2002.

    TIERNEY L.M., MCPHEE S. J, PAPADAKIS M. A. Diagnstico e Tratamento. So Paulo:

    Atheneu So Paulo Ltda., 1998.

    ROUQUAYROL, M.Z; FILHO, N. A. Epidemiologia e Sade. 5ed. Rio de Janeiro: MEDSI

    Editora Mdica e Cientfica Ltda., 2001.

    SALTER, R.B. Distrbios e leses do Sistema Musculoesqueltico. 3ed. Rio de Janeiro:

    MEDSI Editora Mdica e Cientfica Ltda., 2001.

  • Disfuno Temporomandibular e Cervicalgia Crnica Juho/2015

    18

    ISSN 2179-5568 Revista Especialize On-line IPOG - Goinia - 9 Edio n 010 Vol.01/2015 julho/2015

    SANTOS, Antnio Cardoso. O exerccio fsico e o controle da dor na coluna. Rio de Janeiro:

    Editora Mdica e Cientfica Ltda., 1996.

    STERLING et al. Mobilizao cervical, 2001. Disponvel na Internet;URL:http//www.bireme.br

    VIANA,S.O.et al. Caracterizao e anlise da satisfao da clientela atendida pela

    fisioterapia do servio de ateno sade do trabalhador/UFMG.Revista Bras. Fisiot.,

    v.7,n.3,2003, p.237-244.

    VIEL, Erik. O Diagnstico Cinesioteraputico. So Paulo: Manole, 2001.