Dagnino Libro Tecnologia Social

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<p>T</p> <p>TECNOLOGIA SOCIAL</p> <p>Ferramenta para construir outra sociedade</p> <p>RENATO DAGNINO (Org.)</p> <p>2a edio (revista e ampliada)</p> <p>Copyright by Renato Dagnino, 2010 Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Tecnologia social : ferramenta para construir outra sociedade / Renato Dagnino , (org.). -- 2. ed. rev. e ampl. -- Campinas, SP : Komedi, 2010. Vrios autores. ISBN 978-85-7582-564-8 1. Cincia - Aspectos sociais 2. Economia solidria 3. Incluso social 4. Inovaes tecnolgicas 5. Poltica social 6. Tecnologia Aspectos sociais 7. Tecnologia e civilizao I. Dagnino, Renato. 10-06512 CDD-303.483</p> <p>ndices para catlogo sistemtico: 1. Desenvolvimento tecnolgico : Sociologia 303.483 2. Tecnologia social : Mudanas sociais : Sociologia 303.483 Diretor: Srgio Vale Gerente de vendas: Sandro Celestino de Arajo Coordenadora de produo: Selene Nascimento de Camargo Supervisora de produo: Marilissa Mota Projeto grfico, diagramao e capa: Elaine Aliaga Reviso: Vilma Aparecida Albino Reviso 1a ed.: Las Silveira Fraga, Mrcia Maria Tait Lima e Rogrio Bezerra da Silva Preparao 2a ed.: Mrcia Maria Tait Lima Grupo de Anlise de Poltica de Inovao (GAPI) Coordenador: Renato Dagnino Equipe de pesquisadores: Carolina Bagattolli, Ednalva Felix das Neves, Elaine Hiplito, Henrique Tahan Novaes, Las Silveira Fraga, Mrcia Maria Tait Lima, Milena Pavan Serafim, Rafael de Brito Dias, Rodrigo Rodrigues da Fonseca, Rogrio Bezerra da Silva</p> <p>Rua lvares Machado, 460, 3o andar 13013-070 Centro Campinas SP Tel./fax: (19) 3234.4864 www.komedi.com.br editora@komedi.com.br</p> <p>2010 Impresso no Brasil</p> <p>SUMRIOApresentao ................................................................................................. 7Renato Dagnino</p> <p>La generacin de tecnologas en las zonas rurales ......................................... 23Amilcar O. Herrera</p> <p>A Tecnologia Social e seus desafios ............................................................... 53Renato Dagnino</p> <p>Sobre o marco analtico-conceitual da Tecnologia Social .............................. 71Renato Dagnino, Flvio Cruvinel Brando, Henrique Tahan Novaes</p> <p>Construo do marco analtico-conceitual da Tecnologia Social................. 113Henrique Tahan Novaes, Rafael de Brito Dias</p> <p>Contribuies da economia da inovao para a reflexo acerca da Tecnologia Social ....................................................................................... 155Rafael de Brito Dias, Henrique Tahan Novaes</p> <p>Em direo a uma teoria crtica da tecnologia ............................................ 175Renato Dagnino</p> <p>En bsqueda de una metodologa para investigar Tecnologas Sociales ....... 221Hernn Thomas, Mariano Fressoli</p> <p>A Tecnologia Social e seus arranjos institucionais ....................................... 249Rodrigo Fonseca, Milena Serafim</p> <p>Como transformar a Tecnologia Social em poltica pblica?....................... 265Renato Dagnino, Carolina Bagattolli</p> <p>Consideraes finais .................................................................................. 293Renato Dagnino</p> <p>Sobre os autores......................................................................................... 298</p> <p>APRESENTAORenato DagninoEste livro foi concebido para divulgar trabalhos tributrios do esforo acadmico que vem sendo realizado pelo Grupo de Anlise de Polticas de Inovao da Unicamp (Gapi) e por outros pesquisadores da comunidade latinoamericana dos Estudos Sociais da Cincia e Tecnologia (ECTS) voltados para o entendimento da relao entre tecnologia e excluso social e para a necessidade de conceber uma tecnologia que promova a incluso. Os captulos tm como foco o processo de desenvolvimento de tecnologia para a incluso social, ou aquilo que tem sido aqui denominado Tecnologia Social (TS). Um processo desafiador que envolve a participao direta dos interessados no desenvolvimento de tecnologia e uma interao com atores tradicionalmente ocupados em conceb-la (entre os quais a comunidade de pesquisa possui um papel de destaque). Os trabalhos reunidos nesta coletnea foram elaborados visando concepo de um marco analtico-conceitual e operacional para a TS. Constituem um aporte ao movimento da Economia Solidria que se afirma como alternativa, ao mesmo tempo, Economia Informal, qual foram condenados os excludos, que j representam 60% da Populao Economicamente Ativa da regio, e Economia Formal, em que a maioria dos trabalhadores ali includos enfrentam condies de trabalho reconhecidamente precrias. Seu objetivo municiar o debate envolvendo as condies para sustentabilidade de empreendimentos solidrios (ESs), que tem acompanhado o processo de democratizao da Amrica Latina, no sentido de auxiliar a elaborao de polticas voltadas para a incluso. Em especial, sua inteno proporcionar aos professores, pesquisadores, fazedores de poltica e movimentos sociais latinoamericanos que, ao longo das ltimas dcadas, se tm preocupado com a relao entre tecnologia e desenvolvimento social um insumo para gerao de conhecimento para a incluso social.</p> <p>8</p> <p>Tecnologia Social: ferramenta para construir outra sociedadeRENATO DAGNINO (Org.)</p> <p>1. Produo de conhecimento para a inclusoAs reflexes propostas ao longo deste livro buscam mostrar que a gerao de conhecimento para a incluso demanda a abertura de duas frentes de trabalho. A primeira, mais evidente, pode ser considerada uma atividade-fim desse processo de reflexo em que se insere este livro. Ela vem sendo explorada por um grande nmero de pesquisadores, os integrantes do que ficou conhecido como o movimento da Tecnologia Apropriada, que se tm dedicado ao desenvolvimento de tecnologias alternativas desde a dcada de 1960. Diferentemente do que ocorreu no passado, essa frente de trabalho est sendo ressignificada e explorada por alguns grupos latino-americanos mediante a prospeco das demandas cognitivas e a proposio de solues tecnolgicas realizadas na interface entre academia, movimentos sociais, ESs, rgos do governo e comunidades locais. Os esforos desses grupos esto sendo orientados para a satisfao de demandas cognitivas colocadas pelo objetivo da incluso social, mediante metodologias de trabalho especialmente concebidas para combinar capacidades e iniciativas (novas ou j existentes) em reas como a agricultura familiar, habitao popular, energias alternativas, reciclagem de resduos, produo e conservao de alimentos, entre muitas outras.</p> <p>2. Valores e participao no desenvolvimento de Tecnologia SocialEssa nova maneira de abordar a questo das demandas ou necessidades sociais, dos problemas sociais, das necessidades bsicas, das necessidades dos socialmente excludos ou, simplesmente, das demandas da incluso social, busca evitar equvocos que tm sido detectados em iniciativas passadas com propsitos similares. Muitos desses equvocos foram provocados pelo modo convencional de interpretar as demandas cognitivas (ou demandas por conhecimento cientfico e tecnolgico) associadas aos problemas sociais para conceber estratgias e polticas. Uma interpretao feita a partir de uma definio a priori das caractersticas dessas necessidades. Isso tem levado, no plano metodolgico, por exemplo, a inferncias inerentemente autocentradas e precrias feitas a partir do ambiente acadmico em que se desenvolvem grande parte dessas iniciativas na Amrica Latina.</p> <p>ApresentaoRENATO DAGNINO</p> <p>9</p> <p>Como resultado, os problemas sociais e suas consequncias tendem a ser definidos e atacados a partir do modelo cognitivo de outros atores e no apartir da viso de mundo dos excludos. No plano das premissas ideolgicas que orientam a ideia da TS, isso pode levar postulao de necessidades sociais que no so de fato necessidades sentidas pelos excludos. O resultado desse vis paternalista, assistencialista e, no limite, autoritrio, tem sido ineficaz. No se tem logrado a participao plena dos usurios no processo de construo do conhecimento. De fato, essas demandas s poderiam ser efetivamente expressas pelos excludos e adequadamente equacionadas caso eles possussem habilidades polticas e cognitivas e estivessem em condies de se relacionar adequadamente com atores como, inclusive, a prpria comunidade de pesquisa. Assim, essa nova abordagem parte da ideia de que esses problemas sociais no devem ser postuladas a priori. Ao contrrio: sua identificao depende, numa primeira instncia, daquilo que se pode inferir, a partir do incipiente contato que temos com atores como os movimentos sociais, as comunidades locais organizadas e os fazedores de poltica situados nas reas do que se costuma denominar polticas sociais, acerca do que seria a demanda cognitiva dos processos de incluso social que se julga necessrio atender. Consideramos um desafio permanente dessa frente de trabalho a substituio da ideia ingnua e ineficaz da oferta ou transferncia de conhecimento (e de tecnologia) produzido pela comunidade de pesquisa, ainda que socialmente sensibilizada para atores sociais que o demandam, por uma construo coletiva de conhecimento e com a incorporao dos valores, interesses e saberes dos excludos.</p> <p>3. Tecnologia Social: aprendendo com o passadoA segunda frente de trabalho menos evidente. Pode-se mesmo dizer que ela no tem, como a primeira, uma existncia real, apesar de seu ataque ser indispensvel para o xito que se quer obter na primeira. Essa frente deriva da constatao de que as iniciativas de desenvolvimento tecnolgico destinado incluso no fracassaram apenas devido ausncia de um enfoque baseado na construo coletiva de conhecimento. Mas, tambm, devido pouca aten-</p> <p>10</p> <p>Tecnologia Social: ferramenta para construir outra sociedadeRENATO DAGNINO (Org.)</p> <p>o conferida incapacidade da planilha de clculo dos engenheiros e outros profissionais concebida para projetar tecnologia coerente com os valores e interesses empresariais em incorporar parmetros, variveis, relaes, modelos e algoritmos necessrios para o desenvolvimento de TS. O fato de que, contrariamente ao que ainda se acredita em alguns meios, tampouco adiantaria a simples adio do conhecimento e do olhar dos cientistas sociais, os quais tampouco so capazes de perceber facilmente essa inadequao, d uma dimenso da importncia dessa frente. Ela , entretanto, mais original, no sentido de que no foi ainda tratada de modo sistemtico e com o recurso s contribuies das ltimas trs dcadas do campo dos ECTS. Sua explorao demanda o aprofundamento de intervenes interdisciplinares, como quelas que esto ocorrendo na Amrica Latina no campo da docncia, pesquisa e extenso sobre a relao Cincia-TecnologiaSociedade mediante a utilizao de abordagens como as da economia, histria, sociologia e filosofia. O conhecimento gerado mediante o ataque a essa segunda frente possui uma precedncia terica em relao ao trabalho que se desenvolve na primeira. De fato, seu resultado, caso estivesse disponvel com anterioridade, poderia ter evitado os equvocos do movimento da Tecnologia Apropriada epoderia aumentar a chance de xito dos atualmente em curso no campo da TS. No obstante, por razes evidentes, ela ter que ser desenvolvida em simultneo s iniciativas em curso na primeira frente. , inclusive, atravs de sua observao que podero ser concebidas as atividades de capacitao da rede de pesquisadores, professores, gestores pblicos, estudantes, militantes dos movimentos sociais etc., situados nos ambientes onde hoje se ensina, aprende, produz, utiliza, fomenta, decide e planeja a C&amp;T. Ambientes nos quais, at agora, a TS, seja como conhecimento cientfico-tecnolgico imprescindvel para a incluso social, seja como conhecimento necessrio para a elaborao das polticas pblicas, esteve ausente. Para concluir esse ponto, vale destacar trs aspectos. O primeiro que a segunda frente compreende atividades-meio necessrias para a consecuo das atividades-fim relativas primeira. O segundo que a originalidade, incipincia e crescente importncia do tema demandam, por enquanto, um tratamento em separado. O terceiro aspecto, que decorre de contatos realizados com colegas</p> <p>ApresentaoRENATO DAGNINO</p> <p>11</p> <p>latino-americanos interessados no tema, implica que a segunda frente de trabalho deve ser explorada atravs de livros como este.</p> <p>4. Sobre a precariedade do conceito usual de Tecnologia SocialSegundo a definio mais frequente no Brasil, que onde o conceito foi gerado, entende-se a Tecnologia Social (TS) como compreendendo produtos, tcnicas e/ou metodologias reaplicveis, desenvolvidas na interao com a comunidade e que representem efetivas solues de transformao social.1 Tal definio reflete a correlao de foras existente no conjunto ideologicamente heterogneo de atores envolvidos com a TS, o qual abriga desde os que entendem a TS como um elemento das propostas de Responsabilidade Social Empresarial at os que tm como objetivo a construo de uma sociedade socialista. Essa diversidade talvez explique por que a TS vem sendo to amplamente difundida no Brasil. Mas h que reconhecer, ao mesmo tempo, que tal definio no adequada para abordar o problema que estamos tratando, isto , o do desenvolvimento de uma tecnologia coerente com os princpios do que se denomina no Brasil Economia Solidria. Uma tecnologia substancialmente diferente da tecnologia convencional ou Tecnologia Capitalista (TC), que produzida pela e para a empresa privada. Aquela definio, ainda que aponte para o objetivo da incluso social e por isso dialogue com movimentos sociais como o dos Empreendimentos Solidrios (ESs) e com as polticas pblicas que buscam promov-la, de uma flagrante fragilidade analtico-conceitual.2 Ela no permite a concepo de um elemento essencial para a sustentabilidade da Economia Solidria (que, claro, no se resume dimenso econmica). Ou seja, um conjunto de indicaes de carter sociotcnico alternativo ao atualmente hegemnico capaz de orientar as aes de fomento, planejamento, capacitao e desenvolvimento de TS</p> <p>1 2</p> <p>Fonte: .</p> <p>O texto intitulado Em direo a uma teoria crtica da tecnologia includo neste livro tem como uma das motivaes evitar essa fragilidade e formular um conceito mais adequado.</p> <p>12</p> <p>Tecnologia Social: ferramenta para construir outra sociedadeRENATO DAGNINO (Org.)</p> <p>dos implicados com esses empreendimentos: gestores das polticas sociais e de C&amp;T, professores e alunos atuantes nas incubadoras de cooperativas, tcnicos de institutos de pesquisa, trabalhadores etc. Outro inconveniente daquela definio que ela abrange procedimentos que possuem pouca ou nenhuma ligao com o ambiente produtivo (ou com o processo de trabalho), o qual o que efetivamente estabelece as relaes econmico-sociais que causam a excluso e que deve ser transformado, entre muitas outras aes, claro, por meio do desenvolvimento de TS. Essa discordncia acerca da ampliao do conceito de tecnologia especialmente espinhosa: talvez os movimentos sociais atribuam a denominao de tecnologias s metodologias alternativas por eles propostas visando incluso social a fim de granjearem o apoio e a respeitabilidade que eles merecem. Por fim, destaca-se que essa definio no est alt...</p>