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O nº 4 do e-boletim conteúdos divulga as actividades da Unidade de Saúde Pública do ACES Pinhal Litoral. Inclui uma reflexão sobre a Febre Amarela, um estudo sobre o consumo de quinolonas e uma abordagem à problemática do sal na comida e aos programas de prevenção dos efeitos na saúde.

TRANSCRIPT

  • que aqui falmos no primeiro nmero.

    Concludo o prazo de discusso pblica do Documento sobre a Reforma da Sade Pblica,

    temos pela frente tem-pos de particular im-portncia e responsabi-lidade. E tenhamos conscincia das dificul-dades e dos obstculos que preciso ultrapas-sar

    Provavelmente, iremos voltar a discutir as dife-rentes ideias e expecta-tivas sobre o que deve ser a sade pblica, as

    prioridades de interveno e os modelos de organizao a adoptar. Deciso, que dever envolver, no s os profissio-nais de sade pblica, mas tambm os outros profissionais de sade e a prpria socieda-de.

    Haja a capacidade para se en-contrar uma matriz com o que for essencial, mas respeitando e preservando as diferenas. A diversidade das intervenes e a multidisciplinaridade da sa-de pblica, sendo dificuldades para a formatao do modelo de organizao, sempre foram

    Neste segundo ano de edio do e-Boletim, coexistem os sen-timentos de objectivos cumpri-dos e de desafio redobrado. Os primeiros, pela diversidade e qualidade geral dos seus

    contedos e pela grande par-ticipao dos profissionais da USP no projecto. Os segundos, pelo generalizado apoio que nos tem sido manifestado e pelos mltiplos estmulos rece-bidos para a sua continuidade.

    Apraz verificar a afirmao do Contedos como espao de referncia interna e relacional, onde se podem partilhar opini-es, experincias, curiosidades ou reflexes, num formato leve e com uma imagem agradvel vista e leitura. Esperamos poder continuar a cuidar bem do bonsai e da flor do cacto, de

    S U M R I O

    Sopram ventos... 1

    Logotipo da USP 1

    Febre Amarela - Uma doena (re)emergente

    2

    Cuidar na Dignidade da Pessoa

    3

    O SAL - Sua histria, os vrios tipos e utili-zaes...

    4

    MINORSAL.SAUDE - Reduo do Sal na Alimentao: Estrat-gias de interveno no ACeS Pinhal Litoral

    5

    6 Campanha de pre-veno - Abril 2016 Maus tratos a crianas e jovens

    6

    Articulao entre nveis de cuidados: A Unidade Coordenado-ra Funcional da Diabe-tes

    6

    Consumo de Quinolo-nas no ACES PL em 2015

    8

    Reflexo sobre viajan-tes

    9

    A atividade fsica e o desporto

    9

    Diabetes: Um proble-ma de Sade Pblica Global

    10

    U N I D A D E D E S A D E

    P B L I C A

    A C E S P I N H A L L I T O R A L

    e-Boletim da Unidade de Sade Pblica

    M A I O D E 2 0 1 6 Ana Nascimento

    Ana Silva

    Ctia Santos

    Gracinda Junqueira

    Hlder Carreira

    Isabel Craveiro

    Jorge Costa

    Lourdes Costa

    Manuel Cardoso

    Odete Mendes

    Paula Fernandes

    Rui Passadouro

    A U T O R E S

    N M E R O I V

    Q U A D R I M E S T R A L

    ACES PINHAL LITORAL

    Contedos

    Sopram ventos... Jorge Costa Coordenador da Unidade de Sade Pblica tambm uma mais-valia, que importa manter. Ser tambm uma forma de fazer o tributo ao muito e prestigiante trabalho feito pela Sade Pblica nos lti-mos anos.

    Finalmente, em relao ao citado Documento, de fazer uma refe-rncia particular ao seu quinto eixo sobre a Qualificao dos Servios Locais de Sade Pbli-ca, subscrevendo em absoluto a importncia das quatro compo-nentes definidas: liderana, siste-mas de infor-mao, con-tratualizao e acreditao.

    Como ele-mento selec-cionado para integrar a rede de USP-demonstra-o, esta Uni-dade procura-r dar o seu melhor con-tributo para a promoo e a dignificao da Sade P-blica.

    Sopram ventos... Saibamos fazer com que sejam a favor.

    objeto de consulta, vindo a recolher a concordncia de 94% dos profissionais da USP.

    O ACeS Pinhal Litoral, corres-pondente s Nomenclatu-ras de Unida-des Territoriais

    Aps um longo perodo de de-bate e reflexo, foi finalmente decidido o novo logotipo da Unidade de Sade Pblica do ACeS Pinhal Litoral. Desde o desafio inicial lanado a todos os seus profissionais, as ideias e propostas foram aparecendo e amadurecendo, culminando numa proposta final que foi

    - NUTS III, constitudo pelos con-celhos de Batalha, Marinha Gran-de, Leiria, Pombal e Porto de Ms.

    Tem como referncias, en-tre outras, ser uma regio com pinhal e serras (Pinhal de Leiria e Serra de Aire e Candeeiros) e com costa atlntica de praias e sol. >>>> P. 3

    Logotipo da USP Jorge Costa Coordenador da Unidade de Sade Pblica

    Provavelmente,

    iremos voltar a

    discutir as

    diferentes ideias

    e expectativas

    sobre o que

    deve ser a sade

    pblica, as

    prioridades de

    interveno e os

    modelos de

    organizao

    Helder Carreira Enfermeiro

    https://issuu.com/uspleiria

  • P G I N A 2

    C O N T E D O S : E - B O L E T I M D A U N I D A D E D E S A D E

    P B L I C A

    Febre Amarela - Uma doena (re)emergente As preocupaes com a preveno da febre amarela, em particular no con-texto da Medicina do Viajante, j nos acompanham h duas dcadas. Con-tudo, nos dias de hoje estas continu-am presentes, apresentando-se, no entanto, com alguns contornos dife-rentes, fruto dos contextos sociais e epidemiolgicos sempre em mudan-a.

    Esta infeo autctone nos pases da frica subsaariana, localizados a norte de Moambique, e da regio Amaznica na Amrica do Sul, como o Brasil e pases limtrofes.

    Sabemos que se trata de uma doena com transmisso por vetor, o mosqui-to Aedes Aegypti, provocada por um vrus da famlia Flavivrus. Os sinto-mas surgem cerca de 3 a 7 dias aps a picada do mosquito, com um quadro inespecfico, que inclui febre, mal-estar geral, astenia, cefaleias, mialgi-as, dor abdominal e lombar, e queixas gastrointestinais, como diarreia e v-mitos. A evoluo para a chamada fase txica, menos frequente, apre-

    senta um pior prog-nstico: caracteriza-se por complicaes hemorrgicas e in-suficincia heptica, a que se associa o aparecimento de ictercia, motivo pelo qual a doena conhecida por Febre Amarela.

    Felizmente, um grande nmero de casos assintomti-co e de curso beni-gno. Por isso, o di-agnstico formal s possvel atravs de testes especfi-

    cos, como serologia positiva para o vrus.

    Como para a maioria das doenas virais, no existe tratamento dirigido, pelo que a estratgia teraputica con-templa apenas o tratamento sintom-tico/de suporte. Desta forma, a taxa de letalidade elevada, atingindo os

    50%. Esto contraindicados o cido acetilsaliclico ou outros AINEs, deven-do optar-se por outros analgsicos/antipirticos, como o paracetamol.

    Tendo em conta a ausncia de trata-mento eficaz e a possvel gravidade desta infeo, a preveno a estrat-gia prioritria. Esta inclui duas medi-das: em primeiro lugar, a preveno da picada do vetor, recorrendo a repelen-tes, vesturio adequado (roupas com-pridas e frescas), rede mosquiteira para dormir (impregnada de Permetra-no) e, no menos importante, utiliza-o do ar condicionado em ambientes fechados; em segundo lugar, a medida mais eficaz, a vacinao.

    A Vacina

    A vacina apresenta uma elevada efic-cia, acima dos 95%, estando disponvel entre ns a vacina Stamaril.

    At Junho de 2014, era aconselhada a administrao de uma dose da vacina a cada 10 anos, mas, a partir dessa data, a OMS alterou as recomendaes, ga-rantindo existir eficcia vacinal para toda a vida, na fase adulta. Ainda este ano, tambm a reviso do Regulamen-to Sanitrio Internacional (RSI), ir uni-formizar esta prtica.

    A vacinao dever ser aplicada aos viajantes para pases de risco, pelo menos 10 a 15 dias antes da partida, garantindo, desta forma, a existncia de imunidade nessa altura.

    A (Re)emergncia da Epidemia de Febre Amarela em Angola

    Esta patologia voltou a estar na ordem do dia, desde dezembro de 2015, quando comeou uma nova epidemia de febre amarela em Angola, com 1645 novos casos e 230 bitos conhe-cidos at 14.04.2016.

    Tal situao no acontecia desde 1986, data da notificao do ltimo caso em Angola. Porm, em virtude da negli-gncia governamental mantida nas ltimas dcadas, no que cobertura vacinal diz respeito, Angola atual-mente o epicentro deste problema e o pas que, pelas relaes de proximida-de com Portugal, continuar a ser a nossa maior preocupao, como fonte

    de importao e motivo de reforo na recomendao da vacinao dos via-jantes. Foram tambm j identificados casos no Congo, Qunia, Mauritnia e China, mas, at data, tratam-se ape-nas de casos importados de Angola e no autctones.

    Se a recomendao da vacinao era j previamente rotineira, hoje absoluta-mente vital relembrar a sua necessida-de; devero ainda ser desencorajados todos os atalhos e desvios mesma, que potenciam o ressurgimento deste tipo de doenas, como a conhecida gorjeta entrada em Angola, que garantia um carimbo de vacinao pela Imigrao. Tais relatos chegaram-me atravs da Consulta do Viajante da USP de Leiria, onde alguns utentes recorre-ram a fim de serem efetivamente vaci-nados.

    Como j previamente referido, todo os portugueses adultos aos quais foi ad-ministrada a vacina Stamaril esto protegidos para toda a vida, sem ne-cessidade de doses de reforo, como previamente recomendado. Contudo, com esta nova epidemia, as autorida-des angolanas no esto a aceitar a validade vitalcia da vacina, criando entraves entrada no pas quando esta foi aplicada h dez ou mais anos. Tendo em conta este obstculo, a DGS assumiu que estes viajantes devero ser revacinados at efetivao da reviso do RSI.

    Que riscos corre Portugal?

    No territrio portugus, o potencial risco de transmisso desta doena res-tringe-se Madeira, nica regio do nosso territrio onde encontramos o mosquito Aedes Aegypti. A, embora o mosquito apresente uma densidade populacional muito baixa, a DGS e Re-gio Autnoma da Madeira j esto a elaborar um Plano de Ao com vista preveno da multiplicao do vetor, bem como esto a ser envidad