chico xavier -_o_espirito_da_verdade

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Francisco Cândido Xavier Waldo Vieira O Espírito da Verdade Estudos e dissertações em torno da obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec Por vários Espíritos Federação Espírita Brasileira

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  • 1. Francisco Cndido Xavier Waldo Vieira O Esprito da Verdade Estudos e dissertaes em torno da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec Por vrios Espritos Federao Esprita Brasileira
  • 2. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 2 Esta obra faz parte de um conjunto de estudos e dissertaes em torno das obras da Codificao Esprita, quais sejam: Religio dos Espritos O Livro dos Espritos Seara dos Mdiuns O Livro dos Mdiuns O Esprito da Verdade O Evangelho segundo o Espiritismo Justia Divina O Cu e o Inferno O Esprito da Verdade Francisco Cndido Xavier Waldo Vieira Copyright by Federao Esprita Brasileira Av. L-2 Norte Q. 603 Conjunto F 70830-030 Braslia-DF Brasil Composio e editorao: Departamento Editorial e Grfico Rua Souza Valente, 17 20941-040 Rio de Janeiro, RJ Brasil Site: www.febnet.org.br/
  • 3. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 3 ndice Em teu nome, Senhor!.................................................................... 7 1 Problemas do mundo................................................................ 9 2 Excesso e voc ....................................................................... 11 3 Legenda esprita ..................................................................... 13 4 Simpatia e bondade ................................................................ 14 5 Declogo para mdiuns .......................................................... 16 6 Deus te abenoe ..................................................................... 18 7 Os outros ................................................................................ 20 8 A rigor.................................................................................... 22 9 Dinheiro e amor ..................................................................... 24 10 Avisos da Criao ................................................................ 26 11 Mdiuns e mediunidades ...................................................... 28 12 Em plena era nova................................................................ 30 13 Ao da prece....................................................................... 32 14 Muralha do tempo ................................................................ 34 15 Colher e garganta ................................................................. 36 16 Educao .............................................................................. 38 17 Crianas doentes .................................................................. 40 18 O Espiritismo pergunta......................................................... 42 19 Guarda-te em Deus............................................................... 44 20 Contrastes............................................................................. 46 21 Discpulos do Cristo............................................................. 48 22 A poesia perdida................................................................... 50 23 No reino da ao .................................................................. 52 24 Caminha alegremente ........................................................... 53 25 Fazendo sol .......................................................................... 55 26 No retoque da palavra .......................................................... 57 27 Carta a meu filho.................................................................. 59 28 Lies do momento .............................................................. 62 29 Se tens f.............................................................................. 65
  • 4. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 4 30 As estatuetas......................................................................... 67 31 Orao da migalha................................................................ 69 32 Na sade, na doena ............................................................. 71 33 Pgina do caminho ............................................................... 73 34 A descoberto ........................................................................ 75 35 Se voc fizer fora................................................................ 77 36 O filho do orgulho................................................................ 79 37 Tranqilidade ....................................................................... 82 38 A paixo de Jesus ................................................................. 84 39 Perigo ................................................................................... 87 40 Jesus e voc.......................................................................... 89 41 A tomada eltrica ................................................................. 91 42 Marcos indelveis ................................................................ 95 43 Crtica .................................................................................. 97 44 Deus em ns ......................................................................... 99 45 Clera................................................................................. 101 46 Viglia maternal.................................................................. 102 47 Perdoa, sim!?...................................................................... 104 48 Renascer e remorrer ........................................................... 106 49 Na viagem da vida.............................................................. 108 50 Maternidade ....................................................................... 109 51 Ternura............................................................................... 111 52 H um sculo...................................................................... 113 53 Cura espiritual .................................................................... 116 54 Que buscais? ...................................................................... 118 55 Assim falou Jesus............................................................... 120 56 Por amor criana.............................................................. 122 57 Caridade e voc .................................................................. 124 58 Seja voluntrio ................................................................... 126 59 Renncia ............................................................................ 128 60 Vozes do Evangelho........................................................... 129 61 Encontro marcado .............................................................. 131 62 Indulgncia......................................................................... 133
  • 5. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 5 63 Moeda e moenda ................................................................ 135 64 O primeiro.......................................................................... 137 65 Jesus sabe ........................................................................... 139 66 Com voc mesmo ............................................................... 141 67 Mediunidade e Jesus .......................................................... 143 68 Provas decisivas ................................................................. 145 69 Riqueza e felicidade ........................................................... 147 70 Na tarefa de ajudar ............................................................. 148 71 Esperando por ti ................................................................. 150 72 Sem idolatria ...................................................................... 151 73 Se voc pensar.................................................................... 153 74 Que ovelha somos? ............................................................ 155 75 Prece dos filhos .................................................................. 157 76 Letreiros vivos ................................................................... 159 77 Perdoa e serve .................................................................... 161 78 Na exaltao do amor......................................................... 163 79 Benefcio oculto ................................................................. 168 80 A festa ................................................................................ 170 81 Histria de um po ............................................................. 172 82 Nem castigo nem perdo .................................................... 175 83 Nossos irmos .................................................................... 177 84 Pr ou contra ...................................................................... 179 85 Prece do po ....................................................................... 181 86 Os novos samaritanos......................................................... 183 87 Rogativa do estmago ........................................................ 185 88 De tocaia ............................................................................ 187 89 Afliges-te ........................................................................... 189 90 Olvide e recorde ................................................................. 191 91 Estrada real ........................................................................ 193 92 Espiritismo e voc .............................................................. 195 93 Temos o que damos............................................................ 198 94 Verdade e crena ................................................................ 199 95 Se voc quiser .................................................................... 201
  • 6. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 6 96 S compassivo.................................................................... 203 97 Escola da bno ................................................................ 205 98 Chamada e escolha ............................................................. 207 99 Mensagem da criana ao homem........................................ 209 100 Voc e os outros ............................................................... 210 101 Quando voltares ............................................................... 212 102 A reivindicao ................................................................ 214 103 Rogativa das mos............................................................ 216 104 Prece no templo esprita ................................................... 218
  • 7. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 7 Em teu nome, Senhor!... Mestre! Estudando a mensagem libertadora de Allan Kardec, em O E- vangelho segundo o Espiritismo,1 ns, os companheiros desencar- nados de quantos se encontram ainda em rudes lies na escola fsica, escrevemos este livro,2 em teu nome. Nele se refletem os pensamentos daqueles servos menores de teus Servos Maiores, aos quais confiaste, em crculos mais estreitos de ao, a sublime tarefa de reviver o esprito da verdade, nos tempos calamitosos de transio que o Planeta atravessa. Oferecemo-lo a todos os irmos, cujos ombros jazem vergados ao peso de rijas obrigaes, nesta hora em que a famlia humana desfalece mngua de amor; aos que, por nufragos da existncia, viram quebradas, ante os furaces do materialismo destruidor, as embarcaes religiosas em que se lhes erguia a f; aos que levan- tam a voz para redizer-te a palavra de esperana e de luz, deslocan- do, custa de sacrifcio, os empeos das trevas; aos que, sobrecar- regados de graves deveres, procuram preencher os lugares dos que desertaram do servio, tentando debalde esquecer os fins da vida; e, acima de tudo, aos que, por agora, no encontram para si mes- mos seno a herana das lgrimas em que se lhes dissolve o cora- o. 1 A esta srie de estudos pertencem, tambm, os livros Religio dos Espritos, Seara dos Mdiuns e Justia Divina. 2 A convite dos amigos espirituais, os mdiuns Francisco Cndido Xavier e Waldo Vieira psicografaram as pginas deste livro, respon- sabilizando-se o primeiro pelas mensagens de nmeros mpares e o segundo pelas de nmeros pares, em reunies ntimas e pblicas, rea- lizadas em Uberaba, principalmente nas noites de quartas-feiras e s- bados, no perodo de 1956 a 1961.
  • 8. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 8 Com todos eles, Senhor, rumo Era Nova, ns gotas peque- ninas de inteligncia no oceano da Infinita Sabedoria de Deus partilhamos os lances aflitivos da Terra traumatizada por angstias apocalpticas, em busca de paz e renovao, trabalhando pelo mundo melhor, na certeza de que permaneces conosco e de que, como outrora, diante da tempestade, repetirs aos nossos ouvidos, tomados de inquietao: Tende bom nimo! Sou eu, no temais. (Uberaba, 9 de outubro de 1961) Eurpedes Barsanulfo Bezerra de Menezes Cairbar Schutel Anlia Franco Hilrio Silva Andr Luiz Emmanuel Meimei e outros.
  • 9. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 9 1 Problemas do mundo Cap. VI Item 5 O mundo est repleto de ouro. Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres. Mas o ouro no resolve o problema da misria. O mundo est repleto de espao. Espao nos continentes. Espao nas cidades. Espao nos cam- pos. Mas o espao no resolve o problema da cobia. O mundo est repleto de cultura. Cultura no ensino. Cultura na tcnica. Cultura na opinio. Mas a cultura da inteligncia no resolve o problema do ego- smo. O mundo est repleto de teorias. Teorias na cincia. Teorias nas escolas filosficas. Teorias nas religies. Mas as teorias no resolvem o problema do desespero. O mundo est repleto de organizaes. Organizaes administrativas. Organizaes econmicas. Or- ganizaes sociais. Mas as organizaes no resolvem o problema do crime.
  • 10. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 10 Para extinguir a chaga da ignorncia, que acalenta a misria; para dissipar a sombra da cobia, que gera a iluso; para extermi- nar o monstro do egosmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortnio, o nico remdio eficiente o Evangelho de Jesus no corao humano. Sejamos, assim, valorosos, estendendo a Doutrina Esprita que o desentranha da letra, na construo da Humanidade Nova, irradi- ando a influncia e a inspirao do Divino Mestre, pela emoo e pela idia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo e, parafraseando o conceito inolvidvel de Allan Kardec, em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: Fora do Cristo no h soluo. Bezerra de Menezes
  • 11. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 11 2 Excesso e voc Cap. XIII Item 10 Amigo, Espiritismo caridade em movimento. No converta o prprio lar em museu. Utenslio intil em casa ser utilidade na casa alheia. O desapego comea das pequeninas coisas, e o objeto conser- vado, sem aplicao no recesso da moradia, explora os sentimentos do morador. A verdadeira morte comea na estagnao. Quem faz circular os emprstimos de Deus, renova o prprio caminho. Transfigure os apetrechos, que lhes sejam inteis, em foras vivas do bem. Retirem da despensa os gneros alimentcios, que descansam esquecidos, para a distribuio fraterna aos companheiros de est- mago atormentado. Reviste o guarda-roupa, libertando os cabides das vestes que voc no usa, conduzindo-as aos viajores desnudos da estrada. Estenda os pares de sapatos, que lhes sobram, aos ps descal- os que transitam em derredor. Elimine do mobilirio as peas excedentes, aumentando a ale- gria das habitaes menos felizes. Revolva os guardados em gavetas ou pores, dando aplicao aos objetos parados de seu uso pessoal. Transforme em patrimnio alheio os livros empoeirados que voc no consulta, endereando-os ao leitor sem recursos.
  • 12. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 12 Examine a bolsa, dando um pouco mais que os simples com- promissos da fraternidade, mostrando gratido pelos acrscimos da Divina Misericrdia que voc recebe. Oferea ao irmo comum alguma relquia ou lembrana afetiva de parentes e amigos, ora na Ptria Espiritual, enviando aos que partiram maior contentamento com tal gesto. Renovemos a vida constantemente, cada ano, cada ms, cada dia... Previna-se hoje contra o remorso de amanh. O excesso de nossa vida cria a necessidade do semelhante. Ajude a casa de assistncia coletiva. Divulgue o livro nobre. Medique os enfermos. Aplaque a fome alheia. Enxugue lgrimas. Socorra feridas. Quando buscamos a intimidade do Senhor, os valores mumifi- cados em nossas mos ressurgem nas mos dos outros, em exalta- o de amor e luz para todas as criaturas de Deus. Andr Luiz
  • 13. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 13 3 Legenda esprita Cap. XV Item 10 O cultivador conduzido ao pntano para convert-lo em terra frtil. O tcnico convidado ao motor em desajuste para sanar-lhe os defeitos. O mdico solicitado ao enfermo para a beno da cura. O professor trazido ao analfabeto para auxili-lo na escola. Entretanto, nem as feridas da terra, nem os desequilbrios da mquina, nem as chagas do corpo e nem as sombras da inteligncia se desfazem custa de conversas amargas e, sim, ao preo de trabalho e devotamento. O esprita cristo chamado aos problemas do mundo, a fim de ajudar-lhes a soluo; contudo, para atender em semelhante mister, h que silenciar discrdia e censura e alongar entendimento e servio. por essa razo que interpretando o conceito salvar por li- vrar da runa ou preservar do perigo, colocou Allan Kardec, no luminoso portal da Doutrina Esprita, a sua legenda inesquecvel: Fora da caridade no h salvao. Bezerra de Menezes
  • 14. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 14 4 Simpatia e bondade Cap. IX Item 7 No plano infinito da Criao jamais encontraremos algum que prescinda de dois derivados naturais do amor: a simpatia e a bon- dade. A rvore frondosa e plena de vigor solicita o apoio do sol e a solicitude do vento para conservar-se e estender as suas proprieda- des vitais. O animal, por mais inferior na escala dos seres, requer o cari- nho e a ternura da terra, a fim de manter as prprias funes e aperfeioar o seu modo de ser, no meio em que se desenvolve. A criana e o jovem, a mulher e o homem, tornam-se enfermi- os e infelizes, se no recebem o calor da bondade e da simpatia por alimento providencial na sustentao do equilbrio e da sade, da esperana e da paz que lhes so indispensveis no esforo de cada dia. Procura pois, revestir as prprias manifestaes, perante aque- les que te rodeiam, com os recursos da simpatia que ajuda e com- preende, e da bondade que concede e perdoa, ampliando a miseri- crdia no mundo e fortalecendo a fraternidade entre todas as criatu- ras. Enriquece com o teu entendimento o patrimnio afetivo do companheiro e o companheiro retribuir-te- com auxlios originais e incessantes. Envolve em tua generosidade fraterna a alma infeliz e desajus- tada, e nela descobrirs imprevistas nuanas do amor.
  • 15. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 15 No desprezes a simpatia e a bondade ante as lutas alheias e a bondade e a simpatia nos outros te abenoaro toda a vida. Emmanuel
  • 16. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 16 5 Declogo para mdiuns Cap. XXVI Item 7 1 Rende culto ao dever. No h f construtiva onde falta respeito ao cumprimento das prprias obrigaes. 2 Trabalha espontaneamente. A mediunidade um arado divino que o xido da preguia en- ferruja e destri. 3 No te creias maior ou menor. Como as rvores frutferas, espalhadas no solo, cada talento medinico tem a sua utilidade e a sua expresso. 4 No esperes recompensas no mundo. As ddivas do Senhor, como sejam os fulgores das estrelas e a carcia da fonte, o lume da prece e a beno da coragem, no tm preo na Terra. 5 No centralizes a ao. Todos os companheiros so chamados a cooperar, no conjunto das boas obras, a fim de que se elejam posio de escolhidos para tarefas mais altas.
  • 17. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 17 6 No te encarceres na dvida. Todo bem, muito antes de externar-se por intermdio desse ou daquele intrprete da verdade, procede originariamente de Deus. 7 Estuda sempre. A luz do conhecimento armar-te- o esprito contra as armadi- lhas da ignorncia. 8 No te irrites. Cultiva a caridade e a brandura, a compreenso e a tolerncia, porque os mensageiros do amor encontram dificuldade enorme para se exprimirem com segurana atravs de um corao conser- vado em vinagre. 9 Desculpa incessantemente. O cido da crtica no te piora a realidade, a praga do elogio no te altera o modo justo de ser, e, ainda mesmo que te categori- zem conta de mistificador ou embusteiro, esquece a ofensa com que te espanquem o rosto, e, guardando o tesouro da conscincia limpa, segue adiante, na certeza de que cada criatura percebe a vida do ponto de vista em que se coloca. 10 No temas perseguidores. Lembra-te da humildade do Cristo e recorda que, ainda Ele, anjo em forma de homem, estava cercado de adversrios gratuitos e de verdugos cruis, quando escreveu na cruz, com suor e lgrimas, o divino poema da eterna ressurreio. Andr Luiz
  • 18. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 18 6 Deus te abenoe Cap. X Item 16 Logo aps fundar o Lar Anlia Franco, na cidade de S. Ma- nuel, no estado de S. Paulo, viu-se D. Cllia Rocha em srias difi- culdades para mant-lo. Tentando angariar fundos de socorro, a abnegada senhora con- duzia crianas, aqui e ali, em singelas atividades artsticas. Acor- dava almas. Comovia coraes. E sustentava o laborioso perodo inicial da obra. Desembarcando, certa noite, em pequena cidade, foi alvo de injusta manifestao antiesprita. Apupos. Gritaria. Condenaes. D. Cllia, com o auxlio de pessoas bondosas, protege as cri- anas. Em meio confuso, v que um moo robusto se aproxima e, marcando-lhe a cabea, atira-lhe uma pedra. O golpe violento. O sangue escorre. Mas a operosa servidora do bem procede como quem desconhece o agressor. Medica-se depois. H espritas devotados que surgem. D. Cllia demora-se por mais de uma semana, orando e servindo. Acabava de atender a um doente em casa particular, quando entra senhora aflitssima. me. Tem o filho acamado com menin- gite e pede-lhe auxlio espiritual. D. Cllia no vacila. Corre ao encontro do enfermo, e surpre- endida, encontra nele o jovem que a ferira. Febre alta. Inconscincia. A missionria desdobra-se em des- velo.
  • 19. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 19 Passes. Viglias. Oraes. Enfermagem carinhosa. Ao fim de seis dias, o doente est salvo. Reconhece-a enver- gonhado e, quando a ss, beija-lhe respeitosamente as mos e pergunta: A senhora me perdoa? Ela, contudo, disse apenas, com brandura: Deus te abenoe, meu filho. Mas o exemplo no ficou sem fruto, porque o moo recupera- do fez-se valoroso militante da Doutrina Esprita e, ainda hoje, onde se encontra denodado batalhador do Evangelho. Hilrio Silva
  • 20. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 20 7 Os outros Cap. XIII Item 13 Dizes trazer o deserto no corao; entretanto, pensa nos outros. Muitos pisam teus rastros, procurando-te as mos no grande vazio... Pra um pouco e perceber a presena nas sombras da reta- guarda. Enquanto gritas a prpria solido, compreenders que a voz deles est morrendo na garganta, atravs de longos gemidos. Volta-te e v. Compara os teus braos robustos com os ossos descarnados que ainda lhe servem de suporte s mos tristes em que os dedos mirrados so espinhos de dor. Enxuga o teu pranto e observa os olhos fatigados que te contemplam... Falam-te a histria de espe- ranas e sonhos que o tempo soterrou na areia da frustrao. Refe- rem-se ao frio cortante do lar perdido e agonia da ramagem nas trevas... Pra e compadece-te. Deixa que respirem, ainda mesmo por um momento s, no ca- lor de teu hlito. Quem poder medir a extenso da grandeza de uma simples semente, cada na terra que o arado martirizou? A beleza de um minuto nos ensina, muita vez, a povoar de ale- gria e de luz a existncia inteira. Diz antiga lenda que uma gota de chuva caiu sobre o oceano que a tormenta encapelara e, aflita, perguntou:
  • 21. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 21 Deus de Bondade, que farei, sozinha, neste abismo estarre- cedor? O Pai no lhe respondeu, mas, tempos depois, a gota singela era retirada do mar, convertida numa prola para adornar a coroa de um rei. D tambm algo de ti aos que bracejam no torvelinho do so- frimento, e, mesmo que possas ofertar apenas um pingo de amor aos que padecem, tua ddiva ser filtrada pelas correntes da angs- tia humana e subir, cristalina e luminescente, na direo dos cus, para enfeitar a glria de Deus. Meimei
  • 22. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 22 8 A rigor Cap. I Item 7 Esprito Santo falange dos Emissrios da Providncia que superintende os grandes movimentos da Humanidade na Terra e no Plano Espiritual. Reino de Deus estado de sublimao da alma, criado por ela prpria, atravs de reencarnaes incessantes. Cu esferas espirituais santificadas onde habitam Espritos Superiores que exteriorizam, do prprio ntimo, a atmosfera de paz e felicidade. Milagre designao de fatos naturais cujo mecanismo famili- ar Lei Divina ainda se encontra defeso ao entendimento fragmen- trio da criatura. Mistrio parte ignorada das Normas Universais que, paulati- namente, identificada e compreendida pelo esprito humano. Sobrenatural definio de fenmenos que ainda no se in- corporam aos domnios do hbito. Santo atributo dirigido a determinadas pessoas que aparen- temente atenderam, na Terra, execuo do prprio dever.
  • 23. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 23 Tentao posio pessoal de cativeiro interior a vcios instin- tivos que ainda no conseguimos superar por ns mesmos. Dia de juzo oportunidade situada entre dois perodos de e- xistncia da alma, que se referem sementeira de aes e renova- o da prpria conduta. Salvao libertao e preservao do esprito contra o perigo de maiores males, no prprio caminho, a fim de que se confie construo da prpria felicidade, nos domnios do bem, elevando- se a passos mais altos de evoluo. * O Espiritismo tem por misso fundamental, entre os homens, a reforma interior de cada um, fornecendo explicaes ao porqu dos destinos, razo pela qual muitos conceitos usuais so por ele res- taurados ou corrigidos, para que se faa luz nas conscincias e consolo nos coraes. Assim como o Cristo no veio destruir a Lei, porm cumpri-la, a Doutrina Esprita no veio desdizer os ensinos do Senhor, mas desenvolv-los, complet-los e explic-los em termos claros e para toda a gente, quando foram ditos sob formas alegricas. A rigor, a verdade pode caminhar distante da palavra com que aspiramos a traduzi-la. Renove, pois, as expresses do seu pensamento e a vida reno- var-se-lhe- inteiramente, nas fainas de cada hora. Andr Luiz
  • 24. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 24 9 Dinheiro e amor Cap. XI Item 9 Diante do bem, no pronuncies a palavra impossvel. Certamente, sofres a dificuldade dos que herdaram a luta por preo das menores aquisies. Ainda assim, lembra-te de que a virtude no reside no cofre. Onde encontrarias ouro puro a fazer-se po na caarola dos in- felizes? Em que lugar surpreenderias frgil cobertor tecido de aplices para agasalhar a criana largada ao colo da noite? Entretanto, se o amor te faz lume no pensamento, arrebatars imundcie a derradeira sobra da mesa, convertendo-a no caldo reconfortante para o enfermo esquecido, e fars do pano pobre o abrigo providencial em favor de quem passa, relegado intemp- rie. Uma garganta de prolas no emite pequenina frase consolado- ra e um crnio esculpido de pedras raras no deixa passar leve fio de ideao. Todavia, se o amor te palpita na alma, podes falar a palavra re- novadora que exclui o poder das trevas e inspirar o trabalho que expresse o apoio e a esperana de muita gente. Respeita a moeda capaz de fazer o caminho das boas obras, mas no esperes pelo dinheiro a fim de ajudar. Hoje mesmo, em casa, algum te pede entendimento e carinho e, alm do reduto domstico, legies de pessoas aguardam-te os gestos de fraternidade e compreenso.
  • 25. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 25 Recorda que a fonte da caridade tem nascedouro em ti mesmo e no descreias da possibilidade de auxiliar. Para transmitir-nos semelhante verdade, Jesus, a ss, sem fian- a terrestre, usou as margens de um lago simples, ofertou simpatia aos que lhes buscavam a convivncia, confortou os enfermos da estrada, falou do Reino de Deus a alguns pescadores de vida singe- la e transformou o mundo inteiro, revelando-nos, assim, que a caridade tem o tamanho do corao. Meimei
  • 26. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 26 10 Avisos da Criao Cap. III Item 19 A Presena Divina constitui verdade perene. At o silncio da pedra fala em Deus. O Universo repousa na disciplina. O labirinto da selva revela ordem em cada pormenor. Em a Natureza, tudo pede compreenso e respeito. O deserto o cadver do mar. H sabedoria em todas as coisas. Embora sem tato, a trepadeira sabe encontrar apoio; no obs- tante sem viso, o girassol descobre sempre o astro rei. Em tudo existe a feio boa. As nuvens mais sombrias refletem a luz solar. Eternidade significa aprimoramento contnuo de repeties. Sem recapitular movimentos, a Terra desagregar-se-ia. A f construtiva no teme a adversidade. O penhasco no dilvio ponto de segurana. A obedincia no dispensa a firmeza.
  • 27. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 27 Humilhada e submissa, a gua se amolda a qualquer recipiente, mas, resoluta e perseverante, atravessa o rochedo. Toda empresa solicita cultura e prtica. Inexperiente, o homem vivo naufraga no bojo das guas; adap- tado, o lenho morto navega na superfcie do mar. O aspecto exterior nem sempre denuncia a realidade. O vento, supostamente vadio, trabalha na funo de cupido das flores. Volume no expressa valor. Apesar de pequenina, a semente gota de vida. A palavra feliz constri invariavelmente. Na linguagem do pssaro, todo som faz melodia. Valor e humildade so expresses de inteligncia sublime. Se o cume mais alto recebe a chuva em primeiro lugar, o vale mais baixo recolhe, ao fim, a maior parte da gua. Para revelar-se, o bem no exige trombeta. Conquanto invisvel, a onda de perfume, muita vez, nutre e re- faz. No campo da evoluo, a paz conquista inevitvel da criatu- ra. A escarpa de hoje ser plancie amanh. Andr Luiz
  • 28. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 28 11 Mdiuns e mediunidades Cap. XXVI Item 10 No falso pressuposto de que haja mdiuns e mediunidades mais importantes entre si, recordemos o velho aplogo que Men- nio Agripa contou ao povo amotinado de Roma, a fim de sossegar- lhe o esprito em discrdia. Se o crebro, por reter a ideao fulgurante, desprezasse o es- tmago ocupado na tarefa obscura da digesto, a cabea no con- seguiria pensar; se os olhos, por refletirem a luz, declarassem guerra aos intestinos por serem eles vasos seletores de resduos, decerto que, a breve tempo, a retina seria espelho morto nas trevas, e se o tronco, por sentir-se guindado a pequena altura, condenasse os ps por viverem ao contato do solo, rolaria o corpo sem equil- brio. E, de nossa parte, ousaramos acrescentar antiga fbula que tudo, no campo da seqncia da natureza, solidariedade e coope- rao. Se os braos desaparecerem, os ps se fazem mais geis; em sobrevindo a surdez, acusa o olhar penetrao mais intensa; se a viso surge apagada, o tacto mais amplamente se desenvolve; se o bao extirpado, a medula ssea trabalha com mais afinco, de modo a satisfazer as necessidades do sangue. Qual acontece no mundo orgnico, a Doutrina Esprita um grande corpo de revelaes e de bnos, no qual cada mdium possui tarefa especfica. Esse esclarece... Aquele consola...
  • 29. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 29 Outro pensa feridas... Aquele outro anula perturbaes... Esse incorpora sofredores angustiados... Aquele transmite elucidaes de instrutores devotados gran- de beneficncia... Outro recebe a palavra construtiva... Aquele outro se incumbe da mensagem santificante... Como fcil observar, o passe curativo irmo da prece con- fortadora, a desobsesso o reverso da iluminao espiritual e o verbo fulgente da praa pblica outra face do livro que o silncio abenoa. Em nossa esfera de servio, portanto, j que prescindimos do profissionalismo religioso, no existem mdiuns-pastores, m- diuns-gerentes, mdiuns-lderes ou mdiuns-diretores, porquanto a cada qual de ns cabe uma parte do grande apostolado de redeno que nos foi atribudo pela Espiritualidade Maior. E se todos ns, em conjunto, temos um mentor a procurar e a ouvir de maneira especialssima, no plano da conscincia e no santurio do corao, esse Mentor Nosso Senhor Jesus-Cristo o Sol do Amor Eterno a cuja luz, no grande dia de nossos mais altos ajustamentos, deveremos revelar em ns mesmos a divina essncia da Sua lio divina: A cada qual por suas obras Cairbar Schutel
  • 30. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 30 12 Em plena era nova Cap. XVIII Item 9 H criaturas que deixaram, na Terra, como nico rastro da vida robusta que usufruam na carne, o mausolu esquecido num canto ermo de cemitrio. Nenhuma lembrana til. Nenhuma reminiscncia em bases de fraternidade. Nenhum ato que lhes recorde atitudes com padres de f. Nenhum exemplo edificante nos currculos da existncia. Nenhuma idia que vencesse a barreira da mediocridade. Nenhum gesto de amor que lhes granjeasse sobre o nome o or- valho da gratido. A terra conservou-lhes, fora, apenas o cadver retalho de matria gasta que lhes vestira o esprito e que passa a ajudar, sem querer, no adubo s ervas bravas. Usaram os emprstimos do Pai Magnnimo exclusivamente para si mesmos, olvidando estend-los aos companheiros de evolu- o e ignorando que a verdadeira alegria no vive isolada numa s alma, pois que somente viceja com reciprocidade de vibraes entre vrios grupos de seres amigos. Espritas, muitos de ns j vivemos assim! Entretanto, agora, os tempos so outros e as responsabilidades surgem maiores. O Espiritismo, a rasgar-nos nas mentes acanhadas e entorpeci- das largos horizontes de ideal superior, nos impele para frente, rumo aos Cimos da Perfectibilidade.
  • 31. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 31 A Humanidade ativa e necessitada, a construir seu porvir de triunfos, nos conclama ao trabalho. O esprito um monumento vivo de Deus o Criador Amor- vel. Honremos a nossa origem divina, criando o bem como chuva de bnos ao longo de nossas prprias pegadas. Irmos, sede vencedores da rotina escravizante. Em cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as iluses. O esprito deve ser conhecido por suas obras. necessrio viver e servir. necessrio viver, meus irmos, e ser mais do que p! Eurpedes Barsanulfo
  • 32. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 32 13 Ao da prece Cap. XXV Item 7 Voc o lavrador. O outro o campo. Voc planta. O outro produz. Voc o celeiro. O outro o cliente. Voc fornece. O outro adquire. Voc o ator. O outro o pblico. Voc representa. O outro observa. Voc a palavra. O outro o microfone. Voc fala. O outro transmite.
  • 33. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 33 Voc o artista. O outro o instrumento. Voc toca. O outro responde. Voc a paisagem, O outro a objetiva. Voc surge. O outro fotografa. Voc o acontecimento. O outro a notcia. Voc age. O outro conta. Auxilie quanto puder. Faa o bem sem olhar a quem. Voc o desejo de seguir para Deus. Mas, entre Deus e voc, o prximo a ponte. O criador atende s criaturas, atravs das criaturas. por isso que a orao voc, mas o seu merecimento est nos outros. Andr Luiz
  • 34. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 34 14 Muralha do tempo Cap. XVIII Item 3 Entrai pela porta estreita; porque larga a porta que conduz perdio. Jesus. (Mateus, 7: 13) Em nos referindo a semelhante afirmativa do Mestre, no nos esqueamos de que toda porta constitui passagem incrustada em qualquer construo, a separar dois lugares, facultando livre curso entre eles. Porta, desse modo, pea arquitetnica encontradia em pare- des, muralhas e veculos, permitindo, em todos os casos, franco passadouro. E as portas referidas por Jesus, a que estrutura se entrosam? Sem dvida, a porta estreita e a porta larga pertencem mura- lha do tempo, situada frente de todos ns. A porta estreita revela o acerto espiritual que nos permite mar- char na senda evolutiva, com o justo aproveitamento das horas. A porta larga expressa-nos o desequilbrio interior, com que somos forados dor da reparao, com lastimveis perdas de tempo. Aqum da muralha, o passado e o presente. Alm da muralha, o futuro e a eternidade. De c, a sementeira do hoje. De l, a colheita do amanh.
  • 35. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 35 A travessia de uma das portas ao compulsria para todas as criaturas. Porta larga entrada na iluso sada pelo reajuste... Porta estreita sada do erro entrada na renovao... O momento atual de escolha da porta, estreita ou larga. Os minutos apresentam valores particulares, conforme atraves- semos a muralha, pela porta do servio e da dificuldade ou atravs da porta dos caprichos enganadores. Examina, por tua vez, qual a passagem que eleges por teus atos comuns, na existncia que se desenrola, momento a momento. Por milnios, temos sido viajores do tempo a ir e vir pela porta larga, nos crculos de viciao que forjamos para ns mesmos, engodados na autoridade transitria e na posse amoedada, na bele- za fsica e na egolatria aviltante. Renovemo-nos, pois, em Cristo, seguindo-o, nas abenoadas lies da porta estreita, a bendizer os empecilhos da marcha, con- servando alegria e esperana na converso do tempo em ddivas da Felicidade Maior. Emmanuel
  • 36. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 36 15 Colher e garganta Cap. IX Item 2 Imaginemos a lngua como sendo a colher do sentimento. Mentalizemos o ouvido por garganta da alma. Tudo o que falamos ingrediente para a digesto espiritual. Bondade po invisvel. Gentileza gua pura. Otimismo reconstituinte. Consolao analgsico. Esclarecimento construtivo vitamina mental. Pacincia antitxico. Perdo cirurgia reajustante. Queixa vinagre. Censura pimenta. Crueldade veneno. Calnia corrosivo. Conversa intil excedente enfermio. Maledicncia comida deteriorada. Falando, edificamos. Falando, destrumos. Falando, ferimos. Falando, medicamos. Falando, curamos. Disse o Divino Mestre: Bem-aventurados os pacificadores...
  • 37. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 37 Usemos para com os outros o alimento da paz, porque, esten- dendo paz aos outros, asseguramos paz a ns mesmos. E, com a paz, conseguiremos possuir espao e tempo terrestres, em dimen- ses maiores, para que aprendamos e possamos, realmente, servir. Hilrio Silva
  • 38. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 38 16 Educao Cap. VIII Item 4 O amor a base do ensino. Professor e aluno, cooperao mtua. O auto-aprimoramento ser sempre espontneo. Disciplina excessiva, caminho de violncia. A curiosidade construtiva ajuda o aprendizado. Indagao ociosa, dvida enfermia. Egosmo nalma gera temor e insegurana. Evangelho no corao, coragem na conscincia. Cada criatura um mundo particular de trabalho e experincia. No existe vocao compulsria. Toda aula deve nascer do sentimento. Automatismo na instruo, gelo na idia. A educao real no recompensa nem castiga. A lio inicial do instrutor envolve em si mesma a responsabi- lidade pessoal do aprendiz. Os desvios da infncia e da juventude refletem os desvios da madureza.
  • 39. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 39 Aproveitamento do estudante, eficincia do mestre. Maternidade e paternidade so magistrios sublimes. Lar, primeira escola; pais, primeiros professores; primeiro dia de vida, primeira aula do filho. Pais e educadores! Se o lar deve entrosar-se com a escola, o culto do Evangelho em casa deve unir-se matria lecionada em classe, na iluminao da mente em trnsito para as esferas superio- res de Vida. Andr Luiz
  • 40. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 40 17 Crianas doentes Cap. VIII Item 3 Acalentas nos braos o filhinho robusto que o lar te trouxe e, com razo, te orgulhas dessa prola viva. Os dedos lembram flores desabrochando, os olhos trazem fulguraes dos astros, os cabelos recordam estrigas de luz e a boca assemelha-se a concha nacarada em que os teus beijos de ternura desfalecem de amor. Guarda-o, de encontro ao peito, por tesouro celeste, mas esten- de compassivas mos aos pequeninos enfermos que chegam Terra, como lrios contundidos pelo granizo do sofrimento. Para muitos deles, o dia claro ainda vem muito longe... So aves cegas que no conhecem o prprio ninho, pssaros mutilados, esmolando socorro em recantos sombrios da floresta do mundo... s vezes, parecem anjos pregados na cruz de um corpo paraltico ou mostram no olhar a profunda tristeza da mente anuvi- ada de densas trevas. H quem diga que devem ser exterminados para que os ho- mens no se inquietem; contudo, Deus, que a Bondade Perfeita, no-los confia hoje, para que a vida, amanh, se levante mais bela. Diante, pois, do teu filhinho quinhoado de reconforto, pensa neles!... So nossos outros filhos do corao, que volvem das exis- tncias passadas, mendigando entendimento e carinho, a fim de que se desfaam dos dbitos contrados consigo mesmos... Entretanto, no lhes aguardes rogativas de compaixo, de vez que, por agora, sabem to-somente padecer e chorar. Enternece-te e auxilia-os, quanto possas!...
  • 41. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 41 E, cada vez que lhes ofertes a hora de assistncia ou a migalha de servio, o leito agasalhante ou a lata de leite, a pea de roupa ou a carcia do talco, percebers que o jbilo do Bem Eterno te envol- ve a alma no perfume da gratido e na melodia da bno. Meimei
  • 42. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 42 18 O Espiritismo pergunta Cap. I Item 9 Meu irmo, no te permitas impressionar apenas com as alte- raes que convulsionam hoje todas as frentes de trabalho e desco- brimentos na Terra. Olha para dentro de ti mesmo e mentaliza o futuro. O teu corpo fsico define a atualidade do teu corpo espiritual. J viveste, quanto ns mesmos, vidas incontveis e trazes, no bojo do esprito, as conquistas alcanadas em longo percurso de experincias na ronda de milnios. Tua mente j possui, nas criptas da memria, recursos enciclo- pdicos da cultura de todos os grandes centros do Planeta. Teu perisprito j se revestiu com pores da matria de todos os continentes. Tuas irradiaes, atravs das roupas que te serviram, j marca- ram todos os sales da aristocracia e todos os crculos de penria do plano terrestre. Tua figura j integrou os quadros do poder e da subalternidade em todas as naes. Tuas energias gensicas e afetivas j plasmaram corpos na configurao morfolgica de todas as raas. Teus sentidos j foram arrebatados ao torvelinho de todas as diverses. Tua voz j expressou o bem e o mal em todos os idiomas. Teu corao j pulsou ao ritmo de todas as paixes.
  • 43. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 43 Teus olhos j se deslumbraram diante de todos os espetculos conhecidos, das trevas do horrvel s magnificncias do belo. Teus ouvidos j registraram todos os tipos de sons e lingua- gens existentes no mundo. Teus pulmes j respiraram o ar de todos os climas. Teu paladar j se banqueteou abusivamente nos acepipes de todos os povos. Tuas mos j retiveram e dissiparam fortunas, constitudas por todos os padres da moeda humana. Tua pele, em cores diversas, j foi beijada pelo Sol de todas as latitudes. Tua emoo j passou por todos os transes possveis de renas- cimentos e mortes. Eis por que o Espiritismo te pergunta: No julgas que j tempo de renovar? Sem renovao, que vale a vida humana? Se fosse para continuares repetindo aquilo que j foste e o que fizeste, no terias necessidade de novo corpo e de nova existncia prosseguirias de alma jungida matria gasta da encarnao prece- dente, enfeitando um jardim de cadveres. Vives novamente na carne para o burilamento de teu esprito. A reencarnao o caminho da Grande Luz. Ama e trabalha. Trabalha e serve. Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstncia e fiis infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceo da necessidade de transformar. Milito Pacheco
  • 44. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 44 19 Guarda-te em Deus Cap. VI Item 8 Lembra-te de Deus para que saibas agradecer os talentos da vida. Se fatigado, pensa Nele, o Eterno Pai que jamais desfalece na Criao. Se triste, eleva-Lhe os sentimentos, meditando na alegria solar com que toda manh, Sua Infinita Bondade dissolve das trevas. Se doente, centraliza-te no perfeito equilbrio com que sua compaixo reajusta os quadros da Natureza, ainda mesmo quando a tempestade haja destrudo todos os recursos que os milnios acu- mularam. Se incompreendido, volta-te para Ele, o Eterno Doador de to- das as bnos, quantas vezes escarnecido por nossas prprias fraquezas, sem que se Lhe desanime a pacincia incomensurvel, quanto aos arrastamentos de nossas imperfeies animalizantes. Se humilhado, entrega-Lhe as dores da sensibilidade ferida ou do brio menosprezado, refletindo no celeste anonimato em que se Lhe esconde a inconcebvel grandeza, para que nos creiamos auto- res do bem que a Ele pertence, em todas as circunstncias. Se sozinho, busca-Lhe a companhia sublime na pessoa daque- les que te seguem na retaguarda, cambaleantes de sofrimento, mais solitrios que tu mesmo, na provao e na misria que lhes vergas- tam as horas e lhes crucificam as esperanas. Se aflito, confia-Lhe as ansiedades, compreendendo que Nele, o Imperecvel Amor, todas as tormentas se apaziguam.
  • 45. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 45 Seja qual for a dificuldade, recorda o Todo-misericordioso que no nos esquece. E, abraando o prprio dever como sendo expresso de Sua Divina Vontade para os teus passos de cada dia, encontrars na orao a fora verdadeira de tua f, a erguer-te das obscuridades e problemas da Terra para a rota de luz que te aponta as sendas do cu. Emmanuel
  • 46. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 46 20 Contrastes Cap. III Item 6 Existem contrastes exprimindo desigualdades. Muitas criaturas encarnadas querem fugir da vida humana; contudo, as filas da reencarnao congregam milhares de candida- tos ansiosos pelo renascimento... Legies de trabalhadores se esquivam do trabalho; no entanto, sempre h multides de desempregados... Numerosos alunos negligenciam os estudos; todavia, inmeros jovens no tm qualquer oportunidade de acesso s casas de instru- o, embora o desejem ardentemente... * Existem contrastes tecendo contradies. Tudo prova a presena do Criador no Universo; todavia, men- tes recheadas de conhecimento no crem na Realidade Divina... Todos podemos dar algo em favor do prximo; no entanto, muitos possuem em abundncia e nada oferecem a ningum... Temos a apologia da paz onipresente; contudo, extensa maioria forja a guerra dentro de si mesma... Existem contrastes gravando ensinamentos. H direitos idnticos e deveres semelhantes; contudo, h von- tades diferentes, experincias diversas e mritos desiguais... A caridade mais oculta aos homens , no entanto, a mais co- nhecida por Deus...
  • 47. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 47 A vida humana constitui cpia imperfeita da Vida Espiritual; todavia, a perfeio das grandes Almas desencarnadas da Terra foi adquirida no solo rude do planeta... Andr Luiz
  • 48. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 48 21 Discpulos do Cristo Cap. VI Item 3 Somos discpulos do Cristo. Mas, repetindo com Ele a sublime afirmao: Pai nosso que estais no cu, esperamos que Deus se transforme em nosso escra- vo particular, atento s nossas iluses e caprichos. Somos discpulos do Cristo. Contudo, redizendo junto a Ele as inesquecveis palavras de submisso ao Criador: Seja feita a vossa vontade, assemelha- mo-nos a vulces de imprecaes, sempre que nos sintamos contra- riados na execuo de pequeninos desejos. Somos discpulos do Cristo. Entretanto, refazendo com Ele a splica ao Pai de Infinito A- mor: o po de cada dia dai-nos hoje, reclamamos a carcaa do boi e a safra do trigo exclusivamente para a nossa casa, esquecen- do-nos de que, ao redor de nossa mesa insacivel, milhares de companheiros desfalecem de fome. Somos discpulos do Cristo. Todavia, depois de implorar com o Sbio Orientador Eterna Justia: perdoai as nossas dvidas, mentalizamos, de imediato, a melhor maneira de cultivar averses e malquerenas, aperfeio- ando, assim, os mtodos de odiar os mais fortes e oprimir os mais fracos.
  • 49. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 49 Somos discpulos do Cristo. No entanto, mal acabamos de pedir a Deus, em companhia do Grande Benfeitor: No nos deixeis cair em tentao, procura- mos, por ns mesmos, aprisionar o sentimento nas esparrelas do vcio. Somos discpulos do Cristo. Contudo, rogando ao Todo-Poderoso, junto do Inefvel Com- panheiro: livrai-nos de todo mal, construmos canhes e fabri- camos bombas mortferas para arrasar a vida dos semelhantes. Somos discpulos do Cristo. Mas convertemos o prximo em alimria de nossos interesses escusos, olvidando o dever da fraternidade, para desfrutarmos, no mundo, a parte do leo. por isso que somos, na atualidade da Terra, os cristos in- crdulos, que ensinam sem crer e pregam sem praticar, trazendo o crebro luminoso e o corao amargo. E assim que, atormentados por dificuldades e crises de toda espcie aflitiva colheita de velhos males , cada qual de ns tem necessidade de prosternar-se perante o Mestre Divino, maneira do escriba do Evangelho, guardando nalma o prprio sonho de felicidade, enfermio ou semimorto, a exorar em contraditria rogativa: Senhor, eu creio! Ajuda a minha incredulidade! Jacinto Fagundes
  • 50. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 50 22 A poesia perdida Cap. VI Item 4 O consolador a onipresena de Jesus na Terra. Ao influxo da Benemerncia Celeste, ele asserena os gestos impensados das criaturas que gemem esporeadas pelas provaes; aplaca os gritos blasfemos que se elevam de muitas bocas com requintes insaciveis de orgulho; recompe os rostos incendidos pelo fogo de multifrias paixes e soergue os proscritos do remorso que se escondem nas dores devoradoras, desmemoriados na retifi- cao que o destino lhes retraa. O Consolador Prometido!... Sursum corda! Res, non verba!... Seguindo-lhe os ditames, jamais desfeches o alvo em mira, pois os olhos voltvolos no podem fixar os painis vislumbrados nos cimos. Recorda que todas as cenas humanas tm seus bastidores espi- rituais. Se vives em nsia de paz interior, sustm o imprio sobre ti mesmo. Espaneja em ti a carusma dos preconceitos que te danam na mente, qual poeira de sombra, entenebrecendo-te a razo. Recoloque os ideais com novas tintas de alegria, esperana e coragem, no combate aos erros bastas vezes milenares. Estende um pensamento bom aos cpticos transviados no d- dalo das indagaes contraditrias, ferretoados no duelo interior da dvida.
  • 51. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 51 Foge voz bramidora da censura para que os teus lbios feste- jem os ouvidos alheios com expresses de conselho e acentos de consolo. Borda a palavra com doura e repete mansamente a prpria beno quando a tua voz se perca entre os clamores dos que pas- sam a vociferar rebeldia e avanam espavoridos por veredas em chamas. Socorre a mes desditosas, cujos filhinhos doentes vertem l- grimas a se transmutarem nos livores macilentos da morte. Afaga, ao calor das frases de fraternidade revigoradora, as tmporas encanecidas e latejantes que te suplicam algum bolo de carinho. Desfaze o vu do pranto de agonia de quem chora s ocultas, no sarcfago das trevas de si mesmo. Derrama preces confortativas entre os peregrinos da morte que no se resguardaram para a Grande Viagem e carreiam o corao em atropelos, de espanto a espanto, ante a perpetuidade da vida. Em toda estrada vicejam alfombras de sorrisos e chovem l- grimas de aflio, mas o amor, com o Cristo-Jesus, recupera a poesia perdida ao longo do nosso caminho, pois s ele transforma o miasma em perfume, o incndio em luz, o espinho em flor, o deser- to em jardim e a queda em ascenso. Manuel Quinto
  • 52. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 52 23 No reino da ao Cap. X Item 1 No condene. Ajude ao outro. Cultive serenidade. Use os prprios recursos para fazer o bem. Proceda com bondade, sem exibio de virtude. Seja qual for o problema, faa o melhor que voc puder. No admita a supremacia do mal. Fuja de todo pensamento, palavra, atitude ou gesto que possam agravar as complicaes de algum. Oua com pacincia e fale amparando. Recorde que amanh voc talvez esteja precisando tambm de auxilio e, em toda situao indesejvel, mesmo que o prximo demonstre necessidade de reprimenda, observe, conforme a lio de Jesus, se voc est em condies de atirar a pedra. Andr Luiz
  • 53. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 53 24 Caminha alegremente Cap. VIII Item 1 Tendo cuidado de que ningum se prive da graa de Deus e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe e, por ela, muitos se contaminem. Paulo. (Hebreus, 12: 15) Razes de amargura existiro sempre, nos coraes humanos, aqui e ali, como sementes de plantas inteis ou venenosas estaro no seio de qualquer campo. Contudo, tanto quanto preciso expulsar a erva daninha para que haja colheita nobre e farta, indispensvel relegar ao esqueci- mento os problemas superados e as provaes vencidas, para que reminiscncias destruidoras no brotem no solo da alma, produzin- do os frutos azedos das palavras e das aes infelizes. Mos prestimosas arrancaro o escalracho, em torno da lavou- ra nascente, e atitudes valorosas devem extirpar do esprito as recordaes amargas, suscetveis de perturbar o caminho. Se algum te trouxe dano ou se algum te feriu, pensa nos da- nos e nas feridas que ters causado a outrem, muitas vezes sem perceber. E tanto quanto estimas ser desculpado, perdoa tambm, sem quaisquer restries. Observa a sabedoria de Deus na esfera da Natureza. A fonte dissolve os detritos que lhe arrojam. A luz no faz coleo de sombras.
  • 54. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 54 Caminha alegremente e constri para o bem, porque s o bem permanecer. Seja qual for a dor que hajas sofrido, lembra-te de que tudo amanh ser melhor se no engarrafares fel ou vinagre no corao. Emmanuel
  • 55. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 55 25 Fazendo sol Cap. V Item 18 Amanheceste chorando pelos que te no compreendem. Amigos diletos rixaram contigo. Nos mais amados, viste o retrato da ingratido. Aspiravas a desentranhar o carinho nos coraes queridos, com a pureza e a simplicidade da abelha que extrai o nctar das flores sem alter-las, e, porque no conseguiste, queres morrer... No te encarceres, porm, nos laos do desespero. Afirmas-te procura do amor, mas no te recordas daqueles para quem o teu simples olhar seria assim como o sorriso da estre- la, descerrado nas trevas. Mostram a cabea encanecida, feio de nossos pais, so ir- mos semelhantes a ns ou so jovens e crianas que poderiam ser nossos filhos... Contudo, estiram-se em leitos de pedra ou refugi- am-se em antros, fincados no solo, quais se fossem proscritos atormentados. No te pedem mais que um po, a fim de que lhes restaurem as energias do corpo enfermo, ou uma palavra de esperana que lhes console a alma dorida. No percas o tesouro das horas, na aflio sem proveito. Podes ser, ainda hoje, o apoio dos que esmorecem, desalenta- dos, ou a luz dos que jazem nas sombras; podes estender o cobertor agasalhante sobre aqueles a quem a noite pede perdo por ser longa e fria, aliviar o suplcio dos companheiros que a molstia carcome
  • 56. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 56 ou dizer a frase calmante para os que enlouqueceram de sofrimen- to... Sai, pois, de ti mesmo para conhecer a glria de amar!... Percebers, ento, que a existncia na Terra apenas um dia na eternidade, aprendendo a ilumin-la de amor, como quem anda fazendo sol, nos caminhos da vida, e encontrars, mais tarde, em cnticos de alegria, todos aqueles que te no amam agora, amando- te muito mais, por te buscarem a luz no instante do entardecer. Meimei
  • 57. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 57 26 No retoque da palavra Cap. XI Item 7 Seja onde for, no afirme: Detesto esse lugar! Cada criatura vive na terra dos seus credores. Ouvindo a frase infeliz, no grite: um desaforo! Invigilncia alheia pede a nossa vigilncia maior. Atravessando a madureza, no se lamente: J estou cansa- do. Sintoma de exausto, vontade enferma. Sentindo a mocidade, no assevere: Preciso gozar a vida! Romagem terrestre no excurso turstica. frente do amigo endividado, no ameace: Hoje ou nun- ca! Agora algum se compromete, amanh seremos ns. Ao companheiro menos categorizado, no ordene: Faa is- so! Indelicadeza no trabalho, ditadura ridcula. Perante o doente, no exclame: Pobre coitado! Compaixo desatenta, crueldade indireta.
  • 58. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 58 Ao vizinho faltoso, nunca diga: Dispenso-lhe a amizade. Todos somos interdependentes. Sob o clima da provao, no se queixe: No suporto mais! O fardo do esprito gravita na rbita das suas foras. No cumprimento do dever, no clame: Estou sozinho. Ningum vive desamparado. Colhido pelo desapontamento, no reclame: Que azar! A Lei Divina no chancela imprevistos. face do ideal, no se lastime: Ningum me ajuda. No Espiritismo temos responsabilidade pessoal com o Cristo. Andr Luiz
  • 59. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 59 27 Carta a meu filho Cap. XIV Item 9 Meu filho, dito esta carta para que voc saiba que estou vivo. Quando voc me estendeu a taa envenenada que me liquidou a existncia, no pensvamos nisso. Nem voc, nem eu. A idia da morte vagueava longe de mim, porque esperava de suas mos apenas o remdio anestesiante para a minha enxaqueca. Entendi tudo, porm, quando voc, transtornado, cerrou subi- tamente a porta e exclamou com frieza: Morre, velho! As convulses que me tomavam de improviso, traumatizavam- me a cabea... Era como se afiada navalha me cortasse as vsceras num bra- seiro de dor. Pude ainda, no entanto, reunir minhas foras em suprema ansi- edade e contemplar voc, diante de meus olhos. Suas palavras ressoavam-me aos ouvidos: morre, velho! Era tudo o que voc, alterado e irreconhecvel, tinha agora a dizer. Entretanto, o amor em minhalma era o mesmo. Tornei noite recuada quando o afaguei pela primeira vez. Sua mezinha dormia, extenuada... Pequenino e tenro de encontro ao meu peito, senti em voc meu prprio corao a vagir nos braos...
  • 60. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 60 E as recordaes desfilaram, sucessivas. Voc, qual passarinho contente a abrigar-se em meu colo, o l- bum de fotografias em que sua imagem apresentava desenvolvi- mento gradativo em todas as posies, as festas de aniversrio e os bolos coloridos enfeitados de velas que seus lbios midos apaga- vam sempre numa exploso de alegria... Rememorei nossa velha casa, a princpio humilde e pobre, que o meu suor convertera em larga habitao, rica e farta... Agoniado, recordei incidentes, desde muito esquecidos, nos quais me observava expulsando crianas ternas e maltrapilhas do grande jardim de inverno para que nosso lar fosse apenas seu... Reencontrei-me, trabalhando, qual suarento animal, para que as facilidades do mundo nos atendessem as ilu- ses e os caprichos... Em todos os quadros a se me reavivarem na lembrana, era voc o grande soberano de nosso pequeno mundo... O passado continuou a desdobrar-se dentro de mim. Revisei nossa luta para que os livros lhe modificassem a mente, o baldado esforo para que a mocidade se lhe erigisse em alicerce nobre ao futuro... De volta s antigas preocupaes que me assaltavam, anotei-lhe, de novo, as extravagncias contnuas, os aperitivos, os bailes, os prazeres, as companhias desaconselhveis, a rebeldia constante e o carro de luxo com que o presenteei num momento infeliz... Filho do meu corao, tudo isso revi... Dera-lhe todo o dinheiro que conseguira ajuntar, mas voc desejava o resto. Nas vascas da morte, vi-o, ainda, mos ansiosas, arrebatando- me o chaveiro para surripiar as ltimas jias de sua me...Vi perfei- tamente quando voc empalmou o dinheiro, que se mantinha fora de nossa conta bancria, e, porque no podia odi-lo, orei talvez com fervor e sinceridade pela primeira vez rogando a Deus nos
  • 61. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 61 abenoasse e compreendendo, tardiamente, que a verdadeira felici- dade de nossos filhos reside, antes de tudo, no trabalho e na educa- o com que lhes venhamos a honrar a vida. No dito esta carta para acus-lo. Nem de leve me passou pelo pensamento o propsito de anunciar-lhe o nome. Voc continua sangue de meu sangue, corao de meu cora- o. Muitas vezes, ouvi dizer que h filhos criminosos, mas enten- do hoje que, na maioria das circunstncias, h, junto deles, pais delinqentes por acreditarem muito mais na fora do cofre que na riqueza do esprito, afogando-os, desde cedo, na sombra da pregui- a e no vcio da ingratido. No venho falar, assim, unicamente a voc, porque seu erro o meu erro igualmente. Falo tambm a outros pais, companheiros meus de esperana, para que se precatem contra o demnio do ouro desnecessrio, porque todo ouro desnecessrio, quando no busca o conselho da caridade, tentao loucura. H quem diga que somente as mes sabem amar e, realmente, o regao materno uma bno do paraso. Entretanto, meu filho, os pais tambm amam e, por amar imensamente a voc, dirijo-lhe a presente mensagem, afirmando-lhe estar em prece para que a nossa falta encontre socorro e tolerncia nos tribunais da Divina Justia, aos quais rogo me concedam, algum dia, a felicidade de t-lo no- vamente ao meu lado, por retrato vivo de meu carinho... Ento ns dois juntos, de passo acertado no trabalho e no bem, aprenderemos, enfim, como servir ao mundo, servindo a Deus. J.
  • 62. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 62 28 Lies do momento Cap. V Item 4 Deus amor invarivel e o amor desafivela os grilhes do es- prito. Se h repouso na conscincia, a evoluo da alma ergue-se, desenvolta, dos alicerces insubstituveis do sacrifcio. Quem no se bate pelo bem, desce imperceptivelmente para as fileiras do mal. Junto correo sempre existe o desacerto, exaltando o mrito do dever na conduta digna. Identifique, na dificuldade, o favor da Providncia Divina para dilatar-lhe a paz, sentindo, no imprevisto da experincia mais grave, o fulcro de incitamento perseverana na boa inteno e vendo, na tibiez de quantos imergiram na invigilncia, o exemplo indelvel daquilo que no deve ser feito. Quanto maior a sombra em torno, mais valiosa a fonte de luz. Desse modo, a alegria pura viceja entre a dor e o obstculo; a resignao santificante nasce em meio s provas difceis; a renn- cia intrpida irrompe no seio da injustia das emulaes acirradas, e a pureza construtiva surge, no raro, em ambiente de viciao mais ampla. Eis por que, em seu crculo pessoal, se entrecruzam mensagens importantes e diversas a lhe doarem o estmulo e a consolao, o entendimento e a claridade de que voc carece para ajustar-se espiritualmente, atravs das lides variadas de cada instante. O chefe irritadio instrumento providencial da corrigenda.
  • 63. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 63 O companheiro problemtico deixa-nos livre caminho se- menteira da fraternidade sem mescla. O engano precioso contraste a ressaltar as linhas configurati- vas da atitude melhor. A tortuosidade do caminho demonstra a excelncia da estrada reta. Faa, pois, do momento que transcorre, a lio recolhida para o momento a transcorrer, verificando quantas vezes, em vinte e quatro horas, voc requisitado a auxiliar os semelhantes, e no regateie cooperao. Na oficina de trabalho, buscam-lhe a gentileza no amparo de muitos coraes que se sentem ao desabrigo. Na via pblica, esbarram-lhe o passo companheiros que vo e vm buscando encontrar o sorriso que voc pode ofertar-lhes como incentivo esperana. No recesso do lar, o alvorecer encontra-lhe a presena, em no- vas possibilidades de exaltar a confiana nos Desgnios da Altura. Na conversao comum, requisies ostensivas auscultam-lhe a disposio de estender conhecimento e virtude, na enfermagem das chagas morais, entrevistas na modulao das vozes e nos traos dos semblantes, afora variegados ensejos de assistir o prximo, a lhe desafiarem a eficincia e a vigilncia, tais como a necessidade interior estampada no silncio do visitante, o azedume do colega menos feliz, o doente a buscar-lhe os prstimos, o sofredor a rogar- lhe compreenso, a abordagem da criancinha desvalida, a surpresa menos agradvel, a correspondncia a exigir-lhe a ateno ou o noticirio intranqilo que a imprensa propala. Pureza inoperante utopia igual a qualquer outra e, em razo disso, ignorar a poa infecta manter-lhe a inconvenincia.
  • 64. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 64 No menospreze, assim, a lio do momento, na certeza de que renovamos idias, experincias e destinos, cada dia, segundo as particularidades das manifestaes de nosso livre-arbtrio. Andr Luiz
  • 65. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 65 29 Se tens f Cap. XXVII Item 11 Em Doutrina Esprita, f representa dever de raciocinar com responsabilidade de viver. Desse modo, no te restrinjas confiana inerte, porque a exis- tncia em toda parte nos honra, a cada um, com a obrigao de servir. Se tens f, no permitirs que os eventos humanos te desman- telem a fortaleza do corao. Transitars no mundo sabendo que o Divino Equilbrio perma- nece vigilante e, mesmo que os homens transformem o lar terrestre em campo de lodo e sangue, no ignoras que a Infinita Bondade converter um e outro em solo adubado para que a vida refloresa e prossiga em triunfo. Se tens f no registrars os golpes da incompreenso alheia, porquanto identificars a ignorncia por misria extrema do espri- to, e educars generosamente a boca que injuria e a mo que ape- dreja. Ainda que os mais amados te releguem solido, avanars para frente, entendendo e ajudando, na certeza de que o trabalho te envolver o sentimento em nova luz de esperana e consolao. Se tens f, no te limitars a diz-la simplesmente, qual se a orao sem as boa obras te outorgasse direitos e privilgios inadmissveis na Justia de Deus, mas, sim, caminhars realizando a vontade do Criador, que sempre o bem para todas as criaturas.
  • 66. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 66 Se tens f, sustentars, sobretudo, o esforo dirio do prprio burilamento, atravs das pequeninas e difceis vitrias sobre a natureza inferior, como sendo o mais alto servio que podes prestar aos outros, de vez que, aperfeioando a ns mesmos, estaremos habilitando a conscincia para refletir, com segurana, o amor e a sabedoria da Lei. Emmanuel
  • 67. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 67 30 As estatuetas Cap. X Item 14 O dilogo, noite, entre as duas senhoras, continuava na copa: Voc, minha filha, deve perdoar, esquecer... L diz o Evan- gelho que costumamos ver o argueiro no olho do vizinho, sem ver a trave dentro do nosso... Mas, mame, foi um insulto! O moo parou frente da jane- la, viu as minhas estatuetas e atirou a pedra! E Dona Balbina, senhora esprita de generoso corao, prosse- guia falando filha, Dona Rogria: Ele um pobre rapaz obsediado. Histria! uma fera solta, isto sim! Mas Dona Margarida, a me dele, foi sempre amiga... Isso no vem ao caso... Cada qual responsvel pelos pr- prios atos. A senhora sabe que ele maior. Precisamos perdoar para sermos perdoados... Ser bom uma coisa, e outra coisa ser tolo! Darei queixa polcia... Somente no queria faz-lo sem ouvi-la; contudo, Fbio e eu estamos decididos. Meu Fbio j anda cansado do volante... Pobre marido!... Dinheiro cavado em caminho duro de ganhar... Meu conselho, filha, desculpar e desculpar... Mas o prejuzo de dois mil cruzeiros, alm da injria! Mesmo assim, o perdo o melhor remdio. Ah! Que ser do mundo, assim, sem corrigenda, sem justia? Nesse instante, algum bate porta.
  • 68. Francisco Cndido Xavier / Waldo Vieira O Esprito da Verdade 68 Ambas atendem. O portador comunica: Um desastre! O senhor Fbio trombou uma casa e a parede caiu! Me e filha correm para o local, que se encontra entulhado de multido, e vem a casa acidentada. justamente a moradia de Dona Margarida, a me do rapaz que atirara a pedra. O caminho, num lance estouvado, derribara uma parede late- ral e penetrara, fundo, inutilizando todo o mobilirio da sala de refeies. Apagara-se a luz no quarteiro e as duas, sem que ningum as reconhecesse, podiam escutar Dona Margarida, que sustentava uma vela acesa, diante do guarda de trns