CBC - História

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<p>SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAO DE MINAS GERAIS</p> <p>PROPOSTA CURRICULAR</p> <p>ENSINOS FUNDAMENTAL E MDIO</p> <p>HISTRIA</p> <p>ENSINO FUNDAMENTALAutoresLana Mara de Castro Siman - Coordenadora Luiz Carlos Villalta Maria Therezinha Nunes</p> <p>Colaboradora</p> <p>Claudia Sapag Ricci</p> <p>ENSINO MDIOAutoresLana Mara de Castro Siman - Coordenadora Maria Eliza Linhares Borges Miriam Hermeto de S Motta Alexandre Jos Gonalves Costa</p> <p>ColaboradoresCiro Flvio Bandeira de Mello Evilsio Francisco Ferreira da Silva Thas Nvea de Lima e Fonseca</p> <p>Governador</p> <p>Acio Neves da CunhaVice-Governador</p> <p>Antnio Augusto Junho AnastasiaSecretria de Estado de Educao</p> <p>Vanessa Guimares PintoChefe de Gabinete</p> <p>Felipe Estbile MoraisSecretrio Adjunto de Estado de Educao</p> <p>Joo Antnio Filocre SaraivaSubsecretria de Informaes e Tecnologias Educacionais</p> <p>Snia Andre CruzSubsecretria de Desenvolvimento da Educao Bsica</p> <p>Raquel Elizabete de Souza SantosSuperintendente de Ensino Mdio e Profissional</p> <p>Joaquim Antnio Gonalves</p> <p>Sumrio1 parte : Ensino Fundamental da 6 9 srie1 - Introduo 2 - Sentido para o Estudo da Disciplina 3 - Diretrizes para as Quatro ltimas Sries do Ensino Fundamental 4 - Proposta Curricular-Critrios de Seleo de Contedos 5 - Avaliao em Histria CBC de Histria no Ensino Fundamental da 6 9 srie 1 - Eixo Temtico I - Histrias de Vida, Diversidade Populacional e Migraes 2 - Eixo Temtico II - Construo do Brasil: Territrio, Estado e Nao 3 - Eixo temtico III - Nao, Trabalho e Cidadania no Brasil 11 12 13 17 19 21 22 25 29 33 34 36 47 55 56 58 61 63 64 66 68 70 72 74</p> <p>2 parte : Ensino Mdio1 - Introduo 2 - O Sentido para o Estudo da Disciplina 3 - Diretrizes para o Ensino de Histria 4 - Critrios de Seleo de Contedo Curricular CBC para o 1 Ano 1 - Eixo Temtico I - Mundo Moderno, Colonizao e Relaes tnicoCulturais (1500-1808) 2 - Eixo Temtico II - Cultura Poltica na Construo do Estado Nacional Brasileiro (1822-1930) 3 - Eixo Temtico III - Mundo Contemporneo, Repblica e Modernidade Cidadania e Democracia: de 1930 aos dias atuais Contedos Complementares de Histria no Ensino Mdio 1 - Eixo Temtico I - Expanso das Fronteiras: a questo da Alteridade na Modernidade 2 - Eixo Temtico II - Expanso de Fronteiras e Mundo do Trabalho 3 - Eixo Temtico III - Expanso das Fronteiras: a Guerra como Possibilidade Permanente 4 - Eixo Temtico IV - Redefinio de Fronteiras: a Questo da Alteridade no Mundo Contemporneo e Ps-Moderno 8 - Competncias, Habilidades e Atitudes a serem Desenvolvidas 9 - Avaliao</p> <p>BibliografiaBibliografia</p> <p>76</p> <p>ApresentaoEstabelecer os conhecimentos, as habilidades e competncias a serem adquiridos pelos alunos na educao bsica, bem como as metas a serem alcanadas pelo professor a cada ano, uma condio indispensvel para o sucesso de todo sistema escolar que pretenda oferecer servios educacionais de qualidade populao. A definio dos contedos bsicos comuns (CBC) para os anos finais do ensino fundamental e para o ensino mdio constitui um passo importante no sentido de tornar a rede estadual de ensino de Minas num sistema de alto desempenho. Os CBCs no esgotam todos os contedos a serem abordados na escola, mas expressam os aspectos fundamentais de cada disciplina, que no podem deixar de ser ensinados e que o aluno no pode deixar de aprender. Ao mesmo tempo, esto indicadas as habilidades e competncia que ele no pode deixar de adquirir e desenvolver. No ensino mdio, foram estruturados em dois nveis para permitir uma primeira abordagem mais geral e semiquantitativa no primeiro ano, e um tratamento mais quantitativo e aprofundado no segundo ano. A importncia dos CBCs justifica tom-los como base para a elaborao da avaliao anual do Programa de Avaliao da Educao Bsica (PROEB), para o Programa de Avaliao da Aprendizagem Escolar (PAAE) e para o estabelecimento de um plano de metas para cada escola. O progresso dos alunos, reconhecidos por meio dessas avaliaes, constituem a referncia bsica para o estabelecimento de sistema de responsabilizao e premiao da escola e de seus servidores. Ao mesmo tempo, a constatao de um domnio cada vez mais satisfatrio desses contedos pelos alunos gera conseqncias positivas na carreira docente de todo professor. Para assegurar a implantao bem-sucedida do CBC nas escolas, foi desenvolvido um sistema de apoio ao professor que inclui: cursos de capacitao, que devero ser intensificados a partir de 2008, e o Centro de Referncia Virtual do Professor (CRV), o qual pode ser acessado a partir do stio da Secretaria de Educao (http://www.educacao.mg.gov.br). No CRV encontrase sempre a verso mais atualizada dos CBC, orientaes didticas, sugestes de planejamento de aulas, roteiros de atividades e frum de discusses, textos didticos, experincias simuladas, vdeos educacionais, etc; alm de um Banco de Itens. Por meio do CRV os professores de todas as escolas mineiras tm a possibilidade de ter acesso a recursos didticos de qualidade para a organizao do seu trabalho docente, o que possibilitar reduzir as grandes diferenas que existem entre as vrias regies do Estado. Vanessa Guimares Pinto</p> <p>10</p> <p>Ensino Fundamental1. IntroduoAs mudanas propostas no Contedo Bsico Comum (CBC) foram norteadas pela preocupao de torn-lo mais operacional e exeqvel de acordo com a diversidade da realidade das Escolas Estaduais. Os tpicos obrigatrios foram estabelecidos com habilidades e contedos a serem ensinadas durante as quatro sries finais do ensino fundamental. Dessa maneira, pretende-se construir uma base comum de conhecimentos para os alunos da rede estadual de ensino. Foram considerados tpicos obrigatrios aqueles de relevncia em uma das estruturas lgicas da disciplina, conservando-se o CBC original; O tpico obrigatrio envolve conceitos e contedos fundamentais para a construo do conhecimento histrico, tendo com eixo principal a Histria do Brasil e a construo da cidadania; Foi considerada, para a seleo dos tpicos, a importncia a eles atribuda pelos professores das Escolas Referncia, assim como as discusses realizadas no encontro de rea realizado em novembro de 2005; Considerou-se, para a reestruturao do CBC, a metade da carga horria da disciplina ao longo das quatro sries finais do ensino fundamental, tomando como parmetro uma carga horria de 2 horas/aulas semanais. Feito o clculo, os professores devem dispor de uma carga horria de, pelo menos, 160 horas/aula para o trabalho com os tpicos obrigatrios do CBC ao longo dos quatro anos finais do Ensino Fundamental; Pensou-se a mdia de 6 horas/aula para o trabalho com cada tpico obrigatrio, considerando-se que alguns deles podem ser trabalhados com mais ou menos tempo. A distribuio dos tpicos obrigatrios ao longo dos quatro anos precisa ser planejada, considerando-se o nmero de habilidades a serem vencidas; O professor dispe de metade da carga horria da disciplina para deter-se mais em determinados tpicos obrigatrios e deve-se definir tempo para se trabalhar os tpicos complementares e/ou outras demandas do projeto pedaggico da escola; Os tpicos obrigatrios so apresentados em algarismos arbicos na tabela do CBC; logo abaixo deles, esto os tpicos complementares em algarismos romanos, ambos acompanhados das habilidades, na coluna correspondente, discriminadas tambm em negrito e itlico; Foram realizadas mudanas de tpicos em termos de localizao em tema ou subtema ou a fuso de tpicos do CBC original; Algumas habilidades foram suprimidas, modificadas e/ou acrescentadas. 11</p> <p>2. Sentido para o Estudo da DisciplinaNo atual contexto poltico, social e educacional atribudo ao ensino da Histria o papel de formar o cidado que, dentre outras caractersticas, seja capaz de compreender a histria do Pas e do mundo como um conjunto de mltiplas memrias e de experincias humanas. Os Parmetros Curriculares Nacionais, propostos pelo MEC, orientam os currculos em geral, e o de Histria, em particular, para construo de uma nova concepo de cidadania. Este documento prope rupturas com uma histria centrada na formao de um determinado tipo de representao de nacionalidade, assim como numa histria centrada na cultura branca europia. A diversidade cultural e sua importncia para o avano da cidadania no Brasil se constitue na ideia central para a formao das identidades das novas geraes e das finalidades do ensino da Histria. Esta perspectiva sintoniza-se com o que tem animado as atuais produes historiogrficas e as muitas das inovaes no ensino de Histria, no Brasil e no mundo ocidental. Uma das questes que mais tem desafiado os professores de Histria engajados em processos de mudanas curriculares e de suas prticas de sala de aula a de criar as condies para que os alunos elaborem novos sentidos e significados para estudo da Histria. Tradicionalmente, a Histria vista como o estudo do passado e/ ou como memorizao de fatos e datas dos principais acontecimentos, em geral de ordem poltica, militar ou diplomtica dos pases. Essa representao da histria funciona como um dos obstculos ao processo de ensino-aprendizagem da Histria e, portanto, um desafio para o trabalho do professor em sala de aula. Alm dessa representao da histria e do seu ensino, podemos assinalar um outro desafio. Concordando com Hobsbawm, diramos que os jovens de hoje crescem numa espcie de presente contnuo, sem qualquer reao orgnica com o passado pblico da poca em que vivem (...). Para esse historiador, a destruio do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experincia pessoal das geraes passadas - um dos fenmenos mais caractersticos e lgubres (...). Esse processo de esquecimento do passado pode, como assinala John Poster (1973), comprometer o desenvolvimento da noo de temporalidade histrica, pois essa depende da aquisio do sentido do tempo. Compreender a Histria requer um sentido da existncia da relao presente, passado e futuro; requer um sentimento de pertencer, de estar dentro da histria. Requer, igualmente, que os sujeitos tomem a histria no como algo dado, como uma verdade acabada e imutvel. Como nos lembram Laville e Martineau, o ensino de Histria deve propiciar aos alunos Constatarem que as realidades presentes no tm razo de ser por elas mesmas, no so imutveis e fechadas, prisioneiras de uma espcie de ordem natural, mas ao contrrio se inscrevem num processo de mudana e de intervenes humanas; e que, portanto, ns podemos agir sobre elas.</p> <p>12</p> <p>Atualmente, prope-se um ensino de Histria comprometido com o avano da democracia e da cidadania - processos sociais e polticos para os quais se espera a contribuio das novas geraes. Hoje, a educao para a cidadania, prioriza a aquisio de instrumentos intelectuais e a formao de atitudes para uma efetiva participao na esfera pblica, de maneira motivada, consciente e esclarecida; prioriza o estimulo a descoberta, o respeito e o reconhecimento do outro, de outras culturas e valoriza a diversidade etnico-cultural e a convivncia saudvel com a diferena. Em sntese, a educao para a cidadania orienta-se para a formao de cidados livres, responsveis, autnomos e solidrios promovendo o desenvolvimento do esprito democrtico e pluralista, respeitador dos outros e das suas idias, aberto ao dilogo e livre troca de opinies, formando cidados capazes de julgarem com esprito crtico e criativo o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transformao progressiva (...) (PROENA, 1999:27). Nesse sentido, esse programa visa, de um lado, possibilitar aos jovens (pr-adolescentes e adolescentes) o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessrias ao exerccio de uma cidadania participativa, crtica e comprometida com os valores democrticos. De outro, visa o desenvolvimento do raciocnio histrico, a escolha e tratamento dos temas a partir das questes do presente, priorizando os precedimentos e a diversidade de fontes na construo do conhecimento histrico. A seguir, apresenta-se um conjunto de diretrizes que, em consonncia com as novas finalidades atribudas ao ensino da Histria, visam orientar a prtica docente na consecuo de aprendizagens (conhecimentos, habilidades, conceitos e atitudes) pelos alunos.</p> <p>3. Diretrizes para as Quatro ltimas Sries do Ensino FundamentalBuscar Sintonia com as Renovaes Historiogrficas A partir dos meados dos anos 80, houve amplos debates, tanto em mbito internacional como no Brasil, em busca de novos caminhos para o ensino de Histria. Partindo do meio acadmico, as discusses chegaram no final da dcada at a escola de 1 e 2 graus. Esta intensificao de novas buscas para se dar novo sentido ao ensino de histria teve origens diversas: nas crticas aos programas elaborados, naquela dcada e nas anteriores, expressas em suas orientaes positivistas e, depois, marxistas e, finalmente, na repercusso e divulgao das novas tendncias historiogrficas. As tendncias historiogrficas francesas, que tiveram origem na Escola dos Annales, no final da dcada de 20, e na sua terceira gerao, que lanou a obra organizada por Le Goff e, posteriormente, a Histria social inglesa e a nova histria cultural, passaram a marcar de maneira 13</p> <p>definitiva a produo historiogrfica brasileira e, progressivamente, o ensino da Histria. Essa renovao historiogrfica coloca em evidncia novos temas, novos objetos e novos mtodos para a produo do conhecimento histrico. O que os historiadores das novas tendncias historiogrficas tm em comum o fato de realizarem vrios rompimentos com a histria positivista e/ou metdica. Dentre esses se assinalam: a negao da idia de objetividade e de transparncia absolutas dos documentos. Estes, enquanto registros das aes e dos ideais dos homens no tempo, s podem servir como evidncias para a construo de explicaes histricas se devidamente interrogadas pelo historiador a partir de questes do presente. O conhecimento histrico deixa, assim, de ser mera duplicao do real. O conhecimento histrico, embora ancorado no real e com o objetivo de explic-lo, torna-se uma construo intelectual resultante do dilogo entre categorias conceituais - e evidncias; entre estas e a viso de mundo ao qual o historiador se filia. Assinala-se, ainda, o abandono da viso linear da histria, passando-se a atentar para as relaes de mudana e permanncia ao longo do tempo, para a existncia de mltiplas temporalidades coexistindo num mesmo tempo cronolgico; a interdisciplinaridade com as demais cincias sociais, como a antropologia, a sociologia, a geografia a psicologia, entre outras. Alm desses rompimentos, os objetos do conhecimento histrico se deslocaram dos grandes fatos nacionais ou mundiais para a investigao das relaes cotidianas, dos grupos excludos e dos sujeitos sociais construtores da histria. O que passou a dar significado histria foram as relaes sociais existentes no cotidiano; as relaes de poder explcitas ou ocultadas, as resistncias, as diversidades culturais e a percepo de mltiplas temporalidades expressas em mudanas e permanncias, a busca da construo da identidade dos sujeitos histricos, da construo da histria local, das inter-relaes do local com o regional, o nacional e o mundial. o conhecimento histrico se fazendo sob a presso da prpria histri...</p>