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<ul><li><p>Guia para Elaborao de </p><p>Projeto de Gerenciamento de </p><p>Resduos da Construo CivilRosimeire Suzuki Lima Ruy Reynaldo Rosa Lima</p><p>Srie de Publicaes Temticas do CREA-PR1</p></li><li><p>Guia para Elaborao de Projeto de Gerenciamento de Resduos da Construo Civil</p><p>Rosimeire Suzuki Lima Ruy Reynaldo Rosa Lima</p></li><li><p>Ficha Tcnica</p><p>Ilustrao: Roger Cartoon</p><p>Diagramao: Cesar Stati</p><p>Uma publicao do CREA-PR</p><p>comunicacao@crea-pr.org.br</p><p>O contedo de responsabilidade dos autores.</p><p>Apresentao </p><p>No Brasil onde 90% dos resduos gerados pelas obras so passveis de reciclagem e levando ainda em conta a sua contnua gerao, a reciclagem dos Resduos da Construo Civil (RCC) de fundamental importncia ambiental e finan-ceira no sentido de que os referidos resduos retornem para a obra em substituio a novas matrias-primas que seriam extradas do meio ambiente. Trata-se de uma atividade que deve ser prioritariamente realizada no prprio canteiro, mas que pode tambm se executar fora do mesmo.</p><p>O ideal seria se a reutilizao e reciclagem dos resduos na obra fossem prtica constante e incorporada ao dia-a-dia das construtoras como parte integrante do planejamento e execuo das obras. Porm, no Brasil essa prtica ainda vista como uma sobrecarga de trabalho e at mesmo como empecilho para o bom andamento dos servios e seus prazos.</p><p>Por outro lado, a utilizao de agregados produzidos a partir de reciclagem ainda considerada como fator negativo qualidade tcnica dos servios o que evidencia a baixa mobilidade da indstria da construo civil principalmente no que se refere pesquisa e aceitao de novas tecnologias que aparentemente no se traduzem em grandes vantagens financeiras embora o seja do ponto de vista ambiental.</p><p>Apesar dos primeiros registros de experincias de reciclagem de RCC no Brasil datarem de 1997, at hoje so incipientes os trabalhos nesse sentido no setor da construo civil, fundamentalmente no que se refere possibilidade de reciclagem realizada dentro do canteiro de obra, donde se conclui que a questo ambiental, por si s, no exemplo motivador para a incorporao dessas experincias no cotidiano das construes.</p><p>A verdade que esse assunto parece estar despertando maiores interesses na academia que na prtica das obras, o que no deveria ser dessa forma uma vez que o gerenciamento de RCC dentro do canteiro de obras na verdade apresenta inmeras vantagens para as empresas como a reduo do volume de resduos a descartar, a reduo do consumo de ma-teriais extradas diretamente da natureza como a areia e a brita , reduo dos acidentes de trabalho, com obras mais limpas e organizadas, reduo do nmero de caambas retiradas da obra, melhoria na produtividade, no responsabilidade por passivos ambientais, atendimento aos requisitos ambientais em programas como PBQP-H, Quali-Hab e ISO 14.000 e diferencial positivo na imagem da empresa junto ao pblico consumidor.</p><p>A presente publicao tem como objetivo subsidiar o profissional na elaborao dos projetos de gerenciamento dos resduos da construo civil, estabelecendo os procedimentos necessrios para o manejo e destinao ambientalmente adequados em conformidade com a Resoluo 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA.</p><p>Os autores</p><p>OS AUTORES</p><p>ROSIMEIRE SUZUKI LIMA</p><p>Arquiteta e Urbanista formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL); Especialista em Direito e Gesto Ambiental pela CESUSC Mestre em Engenharia de Edificaes e Saneamento pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) Doutoranda em Sade Pblica (FSP/USP)e-mail: rosi_lima9@yahoo.com.br Atua como arquiteta no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina IPPUL da Prefeitura Municipal de Londrina.Autora dos livros: Resduos Slidos Domiciliares Um programa de coleta seletiva com incluso social Ministrio das </p><p>Cidades (2007) Gesto de Resduos Slidos Editora Pierson Prentice Hall (2009)</p><p>RUY REYNALDO ROSA LIMA</p><p>Engenheiro Civil pela Faculdade de Engenharia da Fundao Educacional de Barretos/USP SP (1976).Professor do Centro de Tecnologia e Urbanismo CTU/UEL (1983-1997)Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFIL (1985-1991)Secretrio Municipal de Obras de Londrina/PR (1993-1994)Diretor Tcnico da Cia. de Habitao de Londrina COHAB/LD (1994-1996)Atua na elaborao de: Estudo de Impacto de Vizinhana E.I.V. Relatrio de Impacto Ambiental e Urbano RIAU Projeto de Gerenciamento de Resduos da Construo Civil e-mail: ruy_reynaldo@hotmail.com </p><p>PRO-CREAQualificao Profissional</p><p>Uma publicao Apoio</p></li><li><p>SUMRIO</p><p>1. INTRODUO ............................................................................................................................. 9</p><p>2. DESPERDCIO ........................................................................................................................... 11</p><p>3. A RESOLUO 307/2002 DO CONAMA ......................................................................................13</p><p>4. PROGRAMA MUNICIPAL DE GERENCIAMENTO DE RESDUOS DA CONSTRUO CIVIL PMG/RCC .........19</p><p>5. PROJETO DE GERENCIAMENTO DE RESDUOS DA CONSTRUO CIVIL PG/RCC ........................21 5.1 Fase de Planejamento ......................................................................................................22 5.2 Caracterizao ...............................................................................................................22 5.3 Triagem ou Sgregao ......................................................................................................24 5.4 Acondicionamento ..........................................................................................................25 5.4.1 Acondicionamento inicial .....................................................................................25 5.4.2 Acondicionamento final .......................................................................................27 5.5 Transporte Interno dos RCC ..............................................................................................28 5.6 Reutilizao e Reciclagem na Obra ....................................................................................28 5.6.1 Reciclagem dentro da prpria Obra ........................................................................35 5.6.2 Reciclagem fora do canteiro de obras .....................................................................35 5.7 Remoo dos Resduos do Canteiro de Obras Transporte Externo ........................................39 5.8 Destinao dos Resduos ..................................................................................................39</p><p>6. SUGESTO DE ROTEIRO BSICO PARA ELABORAO DO PROJETO DE GERENCIAMENTO DE RESDUOS DA CONSTRUO CIVIL ..........................................................................................................41</p><p> 6.1 Informaes Gerais ..........................................................................................................42 6.2 Etapas do Projeto de Gerenciamento de Resduos da Construo Civil. ...................................42 6.3 Comunicao e Educao Scioambiental .........................................................................44 6.4 Cronograma de implantao do Projeto de Gerenciamento de RCC ........................................44</p><p>7. NORMAS TCNICAS REFERENTES AOS RESDUOS DA CONSTRUO CIVIL ..................................45</p><p>REFERNCIAS................................................................................................................................47</p><p>ANEXO ..........................................................................................................................................49</p></li><li><p>8 9</p><p>Guia para Elaborao de Projeto de Gerenciamento de Resduos da Construo CivilSrie de Publicaes Temticas do CREA-PR</p><p>1 INTRODUOA gerao dos Resduos da Construo Civil RCC se deve, em grande parte, s perdas de materiais de </p><p>construo nas obras atravs do desperdcio durante o seu processo de execuo, assim como pelos restos de materiais que so perdidos por danos no recebimento, transporte e armazenamento.</p><p>Dentre os inmeros fatores que contribuem para a gerao dos RCC esto os problemas relacionados ao pro-jeto, seja pela falta de definies e/ou detalhamentos satisfatrios, falta de preciso nos memoriais descritivos, baixa qualidade dos materiais adotados, baixa qualificao da mo-de-obra, o manejo, transporte ou arma-zenamento inadequado dos materiais, a falta ou ineficincia dos mecanismos de controle durante a execuo da obra, ao tipo de tcnica escolhida para a construo ou demolio, aos tipos de materiais que existem na regio da obra e finalmente falta de processos de reutilizao e reciclagem no canteiro.</p><p>Alm das construes, as reformas, ampliaes e demolies so outras atividades altamente geradoras de RCC. </p><p>Na figura seguinte, podemos verificar os valores percentuais da origem dos RCC e percebe-se que os valores referentes s reformas representam mais que a metade do total dos RCC gerados.</p></li><li><p>10 11</p><p>Guia para Elaborao de Projeto de Gerenciamento de Resduos da Construo CivilSrie de Publicaes Temticas do CREA-PR</p><p>Origem dos resduosFonte: I&amp;T Informaes e tcnica</p><p>A autoconstruo e as pequenas reformas feitas com a contratao de pequenos empreiteiros so responsveis por parte dos RCC e, embora gerem pequenos volumes, na maior parte dos casos so transportados de forma inadequada e descartados em locais imprprios, trazendo desconforto populao do entorno, uma vez que junto com os RCC tambm so descartados pneus, mveis, resduos domsticos, animais mortos etc.</p><p>Transportador de pequenos volumes</p><p>2 DESPERDCIONa construo civil, em cada uma das etapas de uma obra acontecem perdas e desperdcios de materiais, </p><p>gerando RCC tanto na sua concepo quanto na execuo e posterior utilizao. Na fase de concepo corriqueiro acontecerem diferenas entre as quantidades previstas e as realmente </p><p>utilizadas na obra.Na execuo a gerao de RCC ocorre de duas formas distintas, existindo aqueles que so descartados e </p><p>saem das obras, denominados entulho, e os desperdcios que terminam incorporados obra, como por exem-plo, a sobre-espessura de emboo. Existem estudos que afirmam ser de 50% a taxa de ocorrncia de cada um deles.</p><p>A tabela 1 apresenta taxas de desperdcio de materiais na qual aparecem diferenas considerveis entre os valores de mnimo e mximo, diferenas estas devidas s variaes entre metodologias de projeto, execuo e controle de qualidade das obras.</p></li><li><p>12 13</p><p>Guia para Elaborao de Projeto de Gerenciamento de Resduos da Construo CivilSrie de Publicaes Temticas do CREA-PR</p><p>TABELA 1 TAXAS DE DESPERDCIO DE MATERIAIS</p><p>Materiais Taxa de Desperdcio (%)Mdia Mnimo Mximo</p><p>Concreto usinado 9 2 23Ao 11 4 16</p><p>Blocos e tijolos 13 3 48Placas cermicas 14 2 50</p><p>Revestimento txtil 14 14 14Eletrodutos 15 13 18</p><p>Tubos para sistemas prediais 15 8 56Tintas 17 8 24</p><p>Condutores 27 14 35Gesso 30 14 120</p><p>Fonte: ESPINELLI, 2005</p><p>Na construo civil, a reduo das perdas e desperdcios passou a ser importante fator para a sobrevivncia das construtoras e para a adequao ao mercado, porm a necessidade de minimizar a gerao dos RCC, no resulta apenas da questo econmica, pois se trata fundamentalmente de uma ao importante para a preservao ambiental.</p><p>Entulho depositado na calada</p><p>3 A RESOLUO 307/2002 DO CONAMA</p><p>A Resoluo 307/2002 estabeleceu e determinou a execuo de um PLANO INTEGRADO DE GERENCIAMENTO DE RCC, cabendo aos Municpios e Distrito Federal, buscar solues para o gerenciamento dos pequenos volumes de resduos, bem como com o disciplinamento da ao dos agentes envolvidos com os grandes volumes. Este plano dever contemplar o PROGRAMA MUNICIPAL DE GERENCIAMENTO DE RCC PMG/RCC e os PROJETOS DE GERENCIAMENTO DE RCC PG/RCC. </p><p>No primeiro caso, a elaborao, implementao e coordenao ficou por conta dos Municpios e do Distrito Federal com prazo mximo de 12 meses para a elaborao (prazo esse que expirou em janeiro/2004) e 18 meses para a implementao (prazo esgotado em julho/2004).</p><p>No segundo caso, os PG/RCC devem ser elaborados pelos grandes geradores no prazo mximo de 24 meses </p></li><li><p>14 15</p><p>Guia para Elaborao de Projeto de Gerenciamento de Resduos da Construo CivilSrie de Publicaes Temticas do CREA-PR</p><p>(que se esgotou em janeiro/2005), e devem contemplar a caracterizao dos resduos, triagem, acondicio-namento, transporte e destinao. Vale colocar que cada Municpio responsvel pela definio de quem pequeno gerador, conforme seus prprios critrios de classificao.</p><p>Organizao do Plano de Gerenciamento Integrado de RCC</p><p>Alm disso, a resoluo determinou um prazo de 18 meses (at julho/2004) para que os Municpios e o Distrito Federal parem de dispor os RCC em aterros de resduos domiciliares, em rea de bota-fora.</p><p>O art. 4 da Resoluo diz tambm que os geradores devero ter como objetivo prioritrio a no gerao de resduos e secundariamente a reduo, a reutilizao, a reciclagem e a destinao final.</p><p>Fluxograma de Reciclagem de RCC</p><p>A composio dos RCC depende das caractersticas especficas de cada cidade ou regio tais como geologia, morfologia, disponibilidade dos materiais de construo, desenvolvimento tecnolgico etc., sendo que existe uma grande heterogeneidade nos resduos que so gerados em uma obra e, para efeito de seu gerenciamento, a Resoluo 307/2002 CONAMA estabeleceu uma classificao especfica para esses RCC que esto orga-nizados na tabela 2.</p></li><li><p>16 17</p><p>Guia para Elaborao de Projeto de Gerenciamento de Resduos da Construo CivilSrie de Publicaes Temticas do CREA-PR</p><p>TABELA 2 CLASSIFICAO DOS RCC SEGUNDO A RESOLUO 307/2002 CONAMA</p><p>Tipo de RCC Definio Exemplos Destinaes </p><p>Classe A Resduos reutilizveis ou reciclveis como agregados</p><p>- resduos de pavimentao e de outras obras de infra-estrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;- resduos de componentes cermicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;- resduos oriundos de processo de fabricao e/ou demolio de peas pr-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras.</p><p>Reutilizao ou reciclagem na forma de agregados, ou encaminhados s reas de aterro de resduos da construo civil, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilizao ou reciclagem futura.</p><p>Classe B So os resduos reciclveis para outras destinaes</p><p>- Plsticos, papel/papelo, metais, vidros, madeiras e outros;</p><p>Reutilizao/reciclagem ou encaminhamento s reas de armazenamento temporrio, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilizao ou reciclagem futura.</p><p>Classe C</p><p>So os resduos para os quais no foram desenvolvidas tecnologias ou aplicaes economicamente viveis que permitam a sua reciclagem/recuperao </p><p>- produtos oriundos do gessoArmazenamento, transporte e destinao final conforme normas tcnicas especficas.</p><p>Classe DSo os resduos perigosos oriundos do processo de construo</p><p>- tintas, solventes, leos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolies, reformas e reparos de clnicas radiolgicas, instalaes industriais e outros.</p><p>Armazenamento, transporte, reutilizao e destinao final conforme normas tcnicas especficas.</p><p>O fato da Resoluo 307/2002 CONAMA no incluir os resduos de amianto na Classe D, trouxe como consequncia a publicao de um aditivo, constitudo pela Resoluo 348/2004 que inclui o amianto na Classe...</p></li></ul>