Cartilha Economia Solidária nº2

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<p>2</p> <p>FLUXOS E INFORMAES NA</p> <p>ECONOMIA SOLIDRIA Consumo responsvel e compras pblicas</p> <p>2</p> <p>FLUXOS E INFORMAES NA</p> <p>ECONOMIA SOLIDRIA Consumo responsvel e compras pblicas</p> <p>Uma publicao do Instituto Brasileiro de Anlises Sociais e Econmicas (Ibase) Rio de Janeiro, 2011Coordenao</p> <p>Daniel Tygel e Eugnia MottaTexTo</p> <p>redao final</p> <p>Ibase</p> <p>Ana Flavia Borges Baduereviso de ConTedo</p> <p>reviso ediTorial</p> <p>Flvia Mattarreviso</p> <p>Thais Mascarenhas, Renata Pistelli e Diogo Jamra Instituto Kairs Integrantes do Espao da Cultura de Consumo Responsvel Representantes Natal Joo Magnanti Associao Vianeiinformaes sobre os Casos</p> <p>Ana BittencourtProjeTo grfiCo e diagramao</p> <p>Guto MirandailusTraes</p> <p>da Rede Semeando e da Superviso de Cultura na Subprefeitura da Lapa, So Paulo)</p> <p>Fbio TenrioTiragem</p> <p>de Cooperao e Intercmbio no Trabalho, Educao, Cultura e Sade (Avicitecs).</p> <p>1.000 exemplares Distribuio dirigida Pedidos de exemplares: Ibase Av. Rio Branco, 124, 8 andar Centro CEP 20040-916 Rio de Janeiro RJ www.ibase.br Tel.: (21) 2178- 9400 Fax: (21) 2178- 9402</p> <p>Espao da Cultura de Consumo Responsvel Ana Flvia Borges BadueInstituto Kairs</p> <p>Cooperativa Ecoserra - Natal Joo Magnanti</p> <p>Associao Vianei de Cooperao e Intercmbio no Trabalho, Educao, Cultura e Sade (Avicitecs)PaRceRias</p> <p>Instituto Kairs/Associao Vianei de Cooperao e Intercmbio no Trabalho/Educao, Cultura e Sade (Avicitecs)/Critas Brasileira/Centro Nacional de Formao em Economia Solidria/Centro Regionais de Formao em Economia Solidria/Secretaria Nacional de Economia Solidria do Ministrio do Trabalho e Emprego/Universidade Federal Rural de Pernambuco/Frum Brasileiro de Economia Solidria/Instituto Marista de SolidariedadePatRocnio</p> <p>Realizao</p> <p>SumrioApresentao Parte I: Consumo responsvel O caso do Espao da Cultura de Consumo ResponsvelParticipando do Espao Fluxo de poder</p> <p>4 7 7 12 14 14 15 16 17 17 18 20 22 24 25 27</p> <p>Fluxo da informao: comunicao com o pblico Conquistas Exerccios O desafio da sustentabilidade</p> <p>Parte II: Compras pblicas O caso da Cooperativa EcosserraFormas de comercializao Fluxo de produtos Fluxo financeiro: PAA Possibilidades e desafios Exerccios Fluxo de informao: PAA e Pnae</p> <p>Propostas de atividades</p> <p>ApresentaoVoc tem em mos a segunda cartilha, de uma srie de quatro, que tem como objetivo contribuir para o fortalecimento da Economia Solidria, sugerindo uma forma diferente de olhar para os empreendimentos. A proposta apresentar desafios e potencialidades a partir da observao dos fluxos e da gesto da informao. neste sentido que esta cartilha de nmero 2 aborda os temas do Consumo responsvel e das Compras pblicas a partir de duas experincias: a do Espao da Cultura de Consumo Responsvel (So Paulo) e a da Cooperativa Ecoserra (Santa Catarina). Entendemos o consumo responsvel como a interveno do(a) consumidor que entende que suas escolhas dirias afetam sua qualidade de vida, a sociedade, a economia e a natureza, conforme a definio do Instituto Kairs. Um(a) consumidor(a), enfim, que ajuda a elaborar opes saudveis, sustentveis e responsveis de produo, servios, comercializao e consumo. Esse(a) consumidor(a) pode ser um indivduo, um grupo ou uma instituio, e estar presente em todas as etapas da cadeia de produo, servio, comercializao e consumo final. Ou pode ser o governo, assunto da segunda parte deste trabalho, no qual falamos sobre Compras pblicas. Com novos programas governamentais, esse tipo de compra tem crescido e vem ganhando importncia para muitos segmentos da agricultura familiar preciso conhecer melhor este caminho para bem percorr-lo. Abrem-se novas oportunidades para a Economia Solidria, mas tambm surgem novos desafios. Por isso, os temas so tratados a partir de vivncias prticas, ressaltando-se diferentes modos de fortalecer o empreendimento. Os casos aqui apresentados mostram a necessidade de estarmos atentos aos fluxos presentes na Economia Solidria. Por isso, compartilhar informaes, saberes, conhecer os parceiros, entender o ciclo do que produzido so pontos de destaque nesta cartilha. Este trabalho foi pensado, tambm, levando-se em conta as necessidades de formao e aprimora-</p> <p>4.</p> <p>instituto bRasileiRo de anlise sociais e econmicas</p> <p>mento dos atores envolvidos nas cadeias produtivas solidrias. Para tanto, ao final de cada parte, ou apresentao das experincias, sugerimos exerccios e atividades que possam estimular a reflexo em cada grupo de leitores(as) favorecendo a apropriao do contedo da cartilha para o dia a dia do empreendimento. Ao final de cada experincia, seguem indicaes de exerccios que estimulam a reflexo sobre os assuntos relatados. Isto porque esta cartilha para ser lida, mas, esperamos que seja tambm utilizada na prtica cotidiana dos empreendimentos.</p> <p>consumo ResPonsvel e comPRas Pblicas</p> <p>.5</p> <p>6.</p> <p>instituto bRasileiRo de anlise sociais e econmicas</p> <p>ParTe i: Consumo resPonsvel</p> <p>O caso do Espao da Cultura de Consumo ResponsvelParticipando do EspaoO Espao da Cultura de Consumo Responsvel, foi criado em abril de 2010, em So Paulo, com o propsito de ser uma vitrine de experincias e prticas, que possa ser adequada e implementada em outros espaos da cidade. um lugar de trocas de produtos e saberes da Economia Solidria e da agroecologia. Seus objetivos so promover a cultura (hbitos) do consumo responsvel, bem como propiciar a articulao em rede de produtores(as), consumidores(as) e gestores(as) pblicos para estimular a prtica de comercializao justa e solidria. Funcionando em um equipamento da Prefeitura de So Paulo - Espao Cultural Tendal da Lapa, a iniciativa agrega empreendimentos da Economia Solidria, produtores(as) da agricultura familiar orgnica, prestadores(as) de servios autnomos, comerciantes, representantes de ONGs, tcnicos e consumidores(as). O Espao promove a formao de seus(suas) integrantes, alavanca o acesso dos empreendimentos ao mercado e estimula as trocas entre os(as) prprios(as) participantes. uma experincia que une, enfim, a educao para o consumo responsvel e o estimulo prtica da comercializao justa e solidria. E no apenas isto: serve como ponto de encontro de movimentos sociais e rene parceiros para discutir polticas pblicas. Para a Superviso de Cultura na Subprefeitura da Lapa (municpio de So Paulo), a experincia visa implementar aes que possam contribuir na reflexo e construo de uma nova cultura do cotidiano atravs de prticas educativas saudveis, solidrias e sustentveis que possibilitam a construo de novos paradigmas na relao com a vida.</p> <p>consumo ResPonsvel e comPRas Pblicas</p> <p>.7</p> <p>Aqui, a troca de saberes tem muita importncia. O intercmbio de experincias est na origem do prprio Espao, j que seus (suas) integrantes se articularam a partir de algumas questes bsicas e comuns. possvel exercitar o consumo responsvel buscando substituir grande parte do nosso consumo de produtos de primeira necessidade por produtos da agricultura familiar agroecolgica e da Economia Solidria com sustentabilidade? Como os atores podem se unir para conquistar, juntos, de forma complementar, espaos de comercializao justa e solidria? Esses questionamentos feitos em 2009, durante o Curso do Plano Setorial de Qualificao (PlanSeQ), do governo federal, de Economia Solidria e Comrcio Justo e Solidrio estimularam a criao da Rede Semeando. Esta, por sua vez, com parcerias de Organizaes no-Governamentais (ONGs) e entidades governamentais, levaram o projeto adiante, constituindo um importante espao solidrio mostrando que outra economia, justa e sustentvel, possvel.</p> <p>QuEm faz PartE?realizao: Rede Semeando (produtores(as), comerciantes e consumidores(as) que criaram o Espao da Cultura de Consumo Responsvel) e Subprefeitura da Lapa/Superviso de Cultura e Espao Cultural Tendal da Lapa. fomento (atuao na facilitao e incubao do grupo, articulao de parcerias, divulgao externa, busca de oportunidades de comercializao): Instituto Kairs, Incubadora Tecnolgica de Cooperativas Populares da Universidade de So Paulo (ITCP/USP), ITCP da Fundao Getlio Vargas (FGV). apoio (em formaes, servios, divulgao, e espao itinerante): Associao de Agricultura Orgnica e Movimento Boa Praa (movimento de moradores da Lapa), Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Slow Food, Sementes de Paz, rvores Vivas, Cooperadamente/Instituto Neo Humanista, IMS/Comercializao Solidria. Colaborao (oficinas gratuitas, apoio institucional e divulgao): Ncleo de Comunicao e Educao (NCE) da USP, Vitae Civilis, Ao da Cidadania, Comisso Estadual de Produo Orgnica, Faces do Brasil, Planeta Orgnico, Instituto 5 Elementos, Sabor Natural, Instituto Polis, Frum Brasileiro de Economia Solidria (FBES), Associao Nacional de Trabalhadores em Empresas Autogestionrias (Anteag).</p> <p>8.</p> <p>instituto bRasileiRo de anlise sociais e econmicas</p> <p>H diferentes formas de participao no Espao. Uma delas propiciar o acesso dos consumidores aos produtos da agricultura familiar agroecolgica e da economia solidria. E pode acontecer, tambm, de um(a) expositor(a) oferecer produtos de terceiros neste caso, necessrio que a relao entre eles(as) seja justa e no de explorao. No caso dos orgnicos, circulam hortalias, legumes, frutas, cereais e gros, sucos, castanhas, caf, cacau, pes, bolos, entre outros. J os produtos da Economia Solidria incluem sabonetes, desodorantes, p dental, cremes para o corpo, xampus, pomadas, sapatos, utenslios domsticos de bambu, vassouras de pet, sabo ecolgico, velas, incensos e sacolas retornveis. Outra atividade importante e que ocorre semanalmente a promoo de cafs e lanches com produtos orgnicos. Esses so bons momentos para experimentar e conhecer a diversidade do que oferecido. E o Espao no fica restrito a sua sede (no Tendal da Lapa), mas circula pela cidade. Nesse sentido, so organizados em diferentes locais feiras de produtos agroecolgicos e/ou da Economia Solidria e dinmicas de estmulo ao consumo responsvel. Exemplos disso so: a barraca de produtos da Economia Solidria prximo ao galpo da feira de Orgnicos, no Parque da gua Branca (So Paulo), duas vezes por ms, e a feira de Ecosol e Orgnicos juntamente com a realizao do piquenique mensal organizado pelo Movimento Boa Praa na Lapa, Zona Oeste (So Paulo). As oficinas semanais so parte importante das atividades do Espao, unindo as pontas do consumo responsvel e da educao. Oferecidas por instituies apoiadoras, as atividades so gratuitas e giram em torno de temas como Agroecologia, Economia Solidria e Comrcio Justo e Solidrio, Segurana Alimentar e Nutricional, Educao Ambiental, entre outros. H tambm as oficinas oferecidas por entidades e profissionais autnomos(as) e consumidores(as) que desejam divulgar seus trabalhos ou como apoio voluntrio causa. So convidadas aquelas que podem atender demanda de formao dos(as) produtores(as) e consumidores(as) sobre prticas de consumo responsvel em todas as etapas da cadeia de produo e consumo. Os(as) expositores(as) e integrantes do Espao tambm oferecem oficinas, atuando como multiplicadores(as). Outra preocupao a ampliao do pblico: o Espao tem buscado oferecer oficinas e estratgias de estmulo ao consumo responsvel para funcionrios(as) da Subprefeitura (SP), de forma a lhes propiciar a democratizao do acesso. Todas as fontes de saberes so reconhecidas na rede. H a valorizao do saber tcnico e do saber prtico e busca-se a sua complementaridade.</p> <p>consumo ResPonsvel e comPRas Pblicas</p> <p>.9</p> <p>10 .</p> <p>instituto bRasileiRo de anlise sociais e econmicas</p> <p>consumo ResPonsvel e comPRas Pblicas</p> <p>. 11</p> <p>fluxo de poder a gesto do espaoAtores envolvidos: produtores(as) e expositores(as) do Espao, ONGs parceiras, consumidores(as), gestores(as), voluntrios(as) Cada integrante busca, em suas redes, levantar oportunidades para a divulgao e a comercializao de produtos e servios para si e para os(as) demais. Retorno sobre as necessidades de adequao dos produtos em funo da comercializao em espaos diferenciados e do atendimento s preferncias dos(as) consumidores(as).</p> <p>Reunies de planejamento, organizao e gesto do Espao; formulao de estratgias de comercializao; articulao de arranjos produtivos; combinao para comercializao e logstica solidria; divulgao do Espao; diversificao de produtos da agroecologia e da Economia Solidria para as necessidades bsicas de consumo; avaliao das atividades no Espao, da qualidade dos produtos e do atendimento (transparncia no preo, consumo responsvel de embalagens e etc.).</p> <p>Troca de telefonemas e mensagens eletrnicas para dar encaminhamento s estratgias planejadas.</p> <p>Organizao de materiais sobre o grupo e os empreendimentos participantes (panfleto, banner, lista de preos coletiva, barracas, caixotes, mesas, entre outros).</p> <p>Reunies entre gestores(as) pblicos(as) com representantes do grupo e convidados(as), para avaliao dos desafios da experincia.</p> <p>Escolha de representantes do grupo para a participao em eventos que possibilitem a divulgao do Espao ou articulaes para a discusso de polticas pblicas de apoio iniciativa; escolha de coordenador(a), em sistema de rodzio ou pelas necessidades de comercializao em outros espaos.</p> <p>12 .</p> <p>instituto bRasileiRo de anlise sociais e econmicas</p> <p>consumo ResPonsvel e comPRas Pblicas</p> <p>. 13</p> <p>fluxo da informao: comunicao com o pblicoA experincia mostra que no basta oferecer os produtos da Economia Solidria e da agricultura familiar: tambm precisamos mostrar aos(s) consumidores(as) que suas escolhas tm importncia. Temos de chamar a ateno das pessoas de que preciso levar para o dia a dia o consumo com responsabilidade. Nesse sentido, a comunicao com um pblico mais amplo estratgica. Alm de minioficinas de divulgao em instituies da regio, o Espao usa bastante a internet, trocando informaes sobre o que ocorre nas oficinas e registrando seus resultados. A pgina do Espao no site Cirandas www.cirandas.net/rede-semeando muito mais que um canal de troca de mensagens e redes sociais, um foro privilegiado. Muitas informaes publicadas no site so aproveitadas pelos parceiros em seus respectivos meios de comunicao. Se comunicar para fora importante, a comunicao interna tambm fundamental. So realizadas reunies semanais de discusso e planejamento das aes e atribuies. O grupo, que autogestionrio, utiliza bastante o correio eletrnico. So enviadas mensagens de aviso da agenda, informes importantes, articulaes para participao em eventos e outros espaos de comercializao. Aqueles(as) que no usam internet so avisados por telefone ou nas reunies. A experincia do Espao tem mostrado que as reunies do grupo so muito importantes e complementam a troca que acontece por correio eletrnico.</p> <p>Conquistas</p> <p>Atividades de educao no formal para o estmulo cultura do consumo responsvel, envolvendo atores de todos os elos da cadeia produtiva que possibilitam trocas de saberes e articulam os temas afins. Apoio a formas variadas de comercializao justa e solidria que se articulam por meio da troca de saberes e de parcerias em diversas instncias (consumidores/as, produtores/as, ONGs, universidade, poder pblico). o Espao tem con...</p>