caderndo de aupa - bfs bureau a_1o em... · 2016-10-20 · herbert marcuse, a dimensão estética,

Download Caderndo de aupa - BFS Bureau A_1o EM... · 2016-10-20 · Herbert Marcuse, A dimensão estética,

Post on 24-Jan-2019

241 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

142

frente 2

PORTUGUSCaderndo de aupa

143

Literatura arte literria. Somente o escrito com o propsito ou a intuio dessa arte, isto , com os artifcios de inveno e de composio que a constituem, , ao meu ver, literatura

Jos Verssimo

Arte transmisso de ideias, sentimentos, pensamentos e emoes humanas por meio de um objeto artstico; , tambm, a representao de valores morais, religiosos e culturais de uma poca. O fator mais importante de uma obra de arte est na sua capacidade de comunicao artstica, que se manifesta de maneira surpreendente.

Unidade 1 Literatura e arte

AApiianddo idonteeddo

Textdo Aara a questdo 1

(...) No resguardei os apontamentos obtidos em largos dias e meses de observao: num momento de aperto fui obrigado a atir-los na gua. Certamente me iro fazer falta, mas ter sido uma perda irreparvel? Quase me inclino a supor que foi bom privar-me desse material. Se ele existisse, ver-me-ia propenso a consult-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com rigor a hora exata de uma partida, quantas demoradas tris-tezas se aqueciam ao sol plido, em manh de bruma, a cor das folhas que tombavam das rvores, num ptio branco, a forma dos montes verdes, tintos de luz, fra-ses autnticas, gestos, gritos, gemidos. Mas que signi-fica isso? Essas coisas verdadeiras podem no ser veros-smeis. E se esmoreceram, deix-las no esquecimento: valiam pouco, pelo menos imagino que valiam pouco. Outras, porm, conservaram-se, cresceram, associa-ram-se, e inevitvel mencion-las. Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade. (...) Nesta reconsti-tuio de fatos velhos, neste esmiuamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado. Outros devem possuir lembranas diversas. No as contesto, mas espero que no recusem as minhas: conjugam-se, completam-se e me do hoje impresso de realidade. (...)

(RAMOS, Graciliano. Memrias do cr-cere. Rio, So Paulo: Record, 1984.)

01. (Uerj) O fragmento transcrito expressa uma refle-xo do autor-narrador quanto escrita de seu livro contando a experincia que viveu como preso pol-tico, durante o Estado Novo.

No que diz respeito s relaes entre escrita lite-rria e realidade, possvel depreender, da leitura do texto, a seguinte caracterstica da literatura:

a) revela ao leitor vivncias humanas concretas e reais.

b) representa uma conscientizao do artista sobre a realidade.

Textdo Aara a Arxima questdo:

(...) Soropita levava a mo, sem querer, ore-lha direita: tinha um buraco, na concha, bala a per-furara; ele deixava o cabelo crescer por cima, para a tapar dum jeito. Que no lhe perguntassem de onde e como tinha aquelas profundas marcas; era um mart-rio, o que as pessoas acham de especular. No respon-dia. S pensar no passado daquilo, j judiava. Acho que eu sinto dor mais do que os outros, mais fundo... Aquela 1sensincia: quando teve de aguentar a opera-o no queixo, os curativos, cada vez a dor era tanta, que ele j a sofria de vspera, como se j estivessem bulindo nele, o enfermeiro despegando as envoltas, o chumao de algodo com iodofrmio. A ocasio, Soro-pita pensou que nem ia ter mais nimo para conti-nuar vivendo, tencionou de se dar um tiro na cabea, terminar de uma vez, no ficar por a, sujeito a tanto machucado ruim, tanto desastre possvel, toda quali-dade de dor que se podia ter de 2vir a curtir, no coi-tado do corpo, na carne da gente. Vida era uma coisa desesperada.

Doralda era corajosa. Podia ver sangue, sem deperder as cores. Soropita no comia galinha, se visse matar. Carne de porco, comia; mas, se podendo, fechava os ouvidos, quando o porco gri-tava guinchante, estando sendo sangrado. E o san-gue fedia, todo sangue, fedor triste. Cheiros bons eram o de limo, de caf torrado, o de couro, o de cedro, boa madeira lavrada; angelim-umburana - que d essncia de leo para os cabelos das mulhe-

i) dispensa elementos da realidade social exterior arte literria.

d) constitui uma interpretao de dados da realidade conhecida.

144

res claras. (...) Mas, quando estavam deitados em cama, Doralda 3repassava as mos nas grossas cos-turas, numa por uma, ua mo fcil, surpresas de macia, passava a mo em todo o corpo, a gente se estremecia, de ccega no: de ser bom, de nsia. Mel nas mos, nem era possvel se ter um mimo de dedos com tanto meigo. (...)

Joo Guimares Rosa. DO-LALALO (O Devente). NOI-TES DO SERTO. In: CORPO DE BAILE. Fico Completa

- Volume I. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, p.811-2, 1994.

Na(s) questo(es) adiante, assinale os nmeros dos itens corretos.

02. (UnB) A compreenso da obra de arte literria passa, primeiramente, pelo estgio de entendimento

esenndopnenddo abipidades (Linguagens, Cdigos e suas Tecnologias - C5 - H16)

vocabular. Com relao ao emprego das palavras no texto, julgue os itens que se seguem.

( ) Pode-se inferir do texto que sensincia (ref.1) significa SENSIBILIDADE EXACERBADA.

( ) O vocbulo curtir (ref.2) significa USUFRUIR, SENTIR PRAZER.

( ) O texto encerra-se com uma passagem marcada por docilidade, apesar da rudeza traduzida pela orao repassava as mos nas grossas costuras (ref.3).

03. (UERJ) Observe atentamente os dois trechos transcritos a seguir.

... o objetivo da poesia (e da arte literria em geral) no o real concreto, o verdadeiro, aquilo que de fato aconteceu, mas sim o verossmil, o que pode aconte-cer, considerado na sua universalidade. SILVA, Vtor M. de A. Teoria de Lite-

ratura. Coimbra: Almedina, 1982.

Verossmil. 1. Semelhante verdade; que parece verdadeiro. 2. Que no repugna verdade, provvel.

FERREIRA. A. B. de Holanda, Novo Dicionrio Aur-lio da Lngua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

A partir da leitura de ambos os fragmentos, pode-se deduzir que a obra literria tem o seguinte objetivo:

a) opor-se ao real para afirmar a imaginao criadora.

b) anular a realidade concreta para superar contradies aparentes.

i) construir uma aparncia de realidade para expressar dado sentido.

d) buscar uma parcela representativa do real para contestar sua validade.

e) reproduzir o real e o concreto para alcanar. a verossimilhana.

xericiidos extrasTextdo Aara as questes 4 e 5

So conhecidas as relaes entre a literatura e a msica. As influncias recprocas so muitas e variadas. Grande parte dos esquemas musicais tradicionais - estrfico, rond, variaes - teve originariamente, como ponto de partida modelos extrnsecos msica. Entidades musicais fecundas como a melodia teriam, provavelmente, sido promovidas pela prtica literria. Nos anos recentes, exploraram-se diversos modelos novos para a estrutura musical e alguns deles, como o COLLAGE, o modelo fnico, o dilogo entre distintos instrumentos, tm vnculo com a arte literria. Grande parte da msica barroca e da msica clssica desempenha a funo ftica, quando se destina a um entretenimento, a uma celebrao. Na msica do sculo XX, livre de certo nmero de imposies, o compositor escolhe nos domnios at agora inexplorados, interessando-se de modo particular pelo aspecto fnico ou fontico da linguagem verbal em suas relaes com as operaes semiticas pr-verbais.

(...)

Evidentemente, as palavras no podem plasmar a experincia esttica da msica e muito menos substitu-la. No campo das relaes entre a msica e a literatura no possvel aplicar integralmente a linguagem individual de uma arte outra. O mais das vezes estamos diante de meras aproximaes ou adaptaes. Entretanto, no difcil detectar, em certas obras literrias, a presena de processos da composio musical.

Luiz Piva. LITERATURA E MSICA. Braslia: Musimed, 1990.

145

04. (UnB) Nem sempre o que se l vai ao encontro do ponto de vista do leitor; por isso, importante que, na interpretao textual, ele compreenda com clareza as ideias apresentadas pelo autor do texto. Conside-rando essa afirmao, julgue os itens a seguir, relati-vos ao texto I.

( ) A linguagem da arte musical facilmente transposta da arte literria.

( ) A msica clssica e a barroca destinavam-se, predominantemente, ao lazer e s grandes comemoraes.

( ) Depreende-se do texto que, entre os diferentes tipos de linguagem, a verbal a que consegue expressar, com mais intensidade, a experincia esttica decorrente da audio musical.

Guia de studdos

Estudar Livro 1 / Frente 2 Captulo 1 Tpico 1

Exerccios Propostos

Exerccios Compatveis 1 a 15

Exerccios Fundamentais 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Exerccios Complementares 10 11 12 13 14 15

05. (UnB) A partir das ideias apresentadas no texto, correto afirmar que

( ) as influncias recprocas que perpassam a relao entre a msica e literatura so numerosas e ocorrem de diferentes formas.

( ) a literatura aproximou-se da msica em determinados momentos da histria da arte, a exemplo do que ocorreu no Simbolismo.

( ) os compositores, com maior liberdade de criao no sculo XX, avanam por caminhos inexplorados.

( ) as variaes nos esquemas das estrofes tradicionais, a criao de novas distribuies mtricas e o surgimento de novos modelos meldicos so algumas das descobertas musicais que influenciaram as composies literrias.

146

Unidade X Ttulo da Unidade: pode ser usadas at duas linhas para o ttulo

A clula a unidade morfofisiolgica dos seres vivos.

A clula eucaritica tpica dos seres vivos que nos so mais familiares: animais, plantas, fungos, protozorios e algas.

Disponvel em:.

Estudada, tambm, como disciplina tradicional da Filosofia, a Esttica investiga a natureza do belo sob os critrios da obra, do artista e do apreciador. Por meio da experincia esttica, separa-se o conceito de belo do de juzo de gosto para entender como se avalia uma o