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  • VI A Economia Internacional 137

    VI A Economia Internacional

    A economia mundial apresentou desaceleração ao longo de 2012, a despeito da adoção de medidas adicionais de afrouxamento monetário nos países do G4 e de novos incentivos para investimentos na China. Nesse cenário, em meados do ano, ocorreu o agravamento da crise fiscal, bancária e política na Europa, redução no ritmo da recuperação econômica nos EUA e aumento da aversão ao risco nos mercados financeiros. Não obstante alguma recuperação nos EUA, Reino Unido e China no terceiro trimestre, ao final do ano, a atividade voltou a arrefecer nas principais economias globais, inclusive nos EUA, onde se instalou importante impasse político na tentativa de superar o chamado abismo fiscal (Fiscal Cliff). Destaque-se ainda que, na Área do Euro, a despeito de o Banco Central Europeu (BCE) ter tornado a política monetária ainda mais acomodatícia e anunciado a defesa incondicional do euro, a economia do continente entrou em recessão, processo intensificado no final do ano.

    As cotações internacionais das commodities mantiveram a tendência decrescente iniciada ainda em 2011, trajetória parcialmente interrompida no terceiro trimestre, quando ocorreram aumentos nos preços dos grãos, em resposta à estiagem nos EUA, e das commodities metálicas, impactados pelo pacote de investimentos instituído na China.

    Neste cenário, a trajetória declinante da inflação favoreceu a manutenção de taxas de juros excepcionalmente baixas pelos bancos centrais de economias maduras e o prolongamento dos ciclos monetários e fiscais expansionistas no âmbito das economias emergentes.

    Atividade econômica

    O PIB dos EUA cresceu 2,0% no trimestre encerrado em março de 2012, ante 4,1% naquele finalizado em dezembro do ano anterior, com ênfase nas contribuições respectivas de 1,7 p.p. e 0,4 p.p. exercidas pelos aumentos no consumo privado e no investimento residencial. O investimento empresarial cresceu 7,5% no período, menor expansão desde o primeiro trimestre de 2011, e os gastos do governo determinaram

  • 138 Boletim do Banco Central do Brasil – Relatório Anual 2012

    impacto de -0,6 p.p. para o resultado do PIB, sétima contribuição trimestral negativa em sequencia. O setor externo, evidenciando aumentos respectivos de 4,4% e 3,1% nas exportações e nas importações, exerceu impacto de 0,1 p.p. para a expansão do PIB no trimestre. A taxa de desemprego recuou 0,3 p.p. no trimestre, totalizando 8,2% em março de 2012.

    Tabela 6.1 – Maiores economias

    Componentes do PIB1/

    Taxa % trimestral anualizada Discriminação 2011 2012

    I II III IV I II III IV

    PIB

    Estados Unidos 0.1 2.5 1.3 4.1 2.0 1.3 3.1 0.4

    Área do Euro 2.6 0.8 0.3 -1.3 -0.3 -0.7 -0.3 -2.3

    Reino Unido 2.0 0.3 2.5 -0.5 -0.3 -1.5 3.8 -1.2

    Japão -7.4 -3.8 11.3 0.8 5.3 -0.9 -3.5 1.0

    China1/ 9.5 10.0 9.5 7.4 6.6 7.8 8.7 8.2

    Consumo das famílias

    Estados Unidos 3.1 1.0 1.7 2.0 2.4 1.5 1.6 1.8

    Área do Euro -0.1 -1.9 1.0 -2.8 -0.9 -2.1 -0.6 -1.8

    Reino Unido -4.1 -0.6 -1.0 1.6 1.3 2.8 0.9 1.3

    Japão -6.3 3.8 5.8 2.7 3.3 0.8 -1.6 1.8

    Formação Bruta de Capital Fixo das empresas

    Estados Unidos -1.3 14.5 19.0 9.5 7.5 3.6 -1.8 13.2

    Área do Euro2/ 8.0 -0.9 -1.5 -2.1 -5.5 -6.4 -3.1 -4.8

    Reino Unido2/ -9.2 -0.8 2.4 -1.0 2.1 6.8 -1.8 -0.8

    Japão 1.0 -1.3 7.1 36.2 -9.2 -1.1 -12.5 -5.9

    Investimento residencial

    Estados Unidos -1.4 4.1 1.4 12.1 20.5 8.5 13.5 17.6

    Área do Euro3/ 12.1 -2.9 -2.9 -2.6 -3.2 -6.1 -0.7 -5.4

    Reino Unido 1.6 42.6 -1.2 -20.0 -24.9 87.6 -26.7 27.7

    Japão 7.1 -9.2 21.1 -3.5 -6.0 9.4 6.3 15.0

    Exportações de bens e serviços

    Estados Unidos 5.7 4.1 6.1 1.4 4.4 5.3 1.9 -2.8

    Área do Euro 6.9 2.2 5.4 0.0 2.1 6.8 3.8 -3.1

    Reino Unido 5.4 -7.0 -0.8 13.0 -5.9 -4.4 7.3 -6.4

    Japão -3.0 -25.6 42.2 -11.5 11.5 -0.2 -16.5 -11.3

    Importações de bens e serviços

    Estados Unidos 4.3 0.1 4.7 4.9 3.1 2.8 -0.6 -4.2

    Área do Euro 5.2 0.4 1.9 -4.8 -1.7 2.6 0.4 -3.5

    Reino Unido -11.1 -2.8 2.5 5.8 2.3 5.2 1.4 -3.8

    Japão 5.4 -1.6 13.7 6.8 8.4 7.2 -1.2 -8.5

    Gastos do Governo

    Estados Unidos -7.0 -0.8 -2.9 -2.2 -3.0 -0.7 3.9 -7.0

    Área do Euro4/ -1.0 0.0 -0.4 0.1 -0.4 -1.0 -0.3 0.4

    Reino Unido4/ -1.3 1.9 -0.1 1.1 12.0 -6.6 1.4 2.2

    Japão -3.1 2.1 0.6 -0.7 10.0 6.2 3.9 4.3

    Fontes: BEA, Thomson, Cabinet Office e Eurostat. 1/ Informações referentes à China disponíveis apenas para o PIB e somente a partir do último trimestre de 2010. 2/ Formação Bruta de Capital Fixo total (inclui governo). 3/ Formação Bruta de Capital Fixo.

    4/ Somente consumo do governo.

  • VI A Economia Internacional 139

    A variação anualizada do PIB dos EUA atingiu 1,3% no trimestre encerrado em junho, ressaltando-se a contribuição de 1,1 p.p. associada ao desempenho do consumo das famílias. O setor externo, refletindo aumentos anualizados de 5,3% nas exportações, e de 2,8% nas importações, exerceu impacto de 0,2 p.p. para a expansão do PIB no trimestre. A desaceleração da economia dos EUA impactou o mercado de trabalho, que criou 324 mil vagas no período, ante 787 mil no trimestre finalizado em março.

    O aumento do PIB dos EUA totalizou 3,1% no trimestre encerrado em setembro. Destacaram-se as contribuições do consumo das famílias, 1,1 p.p.; do investimento bruto privado, 0,9 p.p., com ênfase no impacto do aumento de 13,5% no componente residencial e dos gastos governamentais, 0,8 p.p., primeiro resultado positivo desde o segundo trimestre de 2010. O setor externo exerceu contribuição de 0,4 p.p. para a variação anualizada do PIB, registrando-se variações respectivas de 1,9% e -0,6% nas exportações e nas importações. O mercado de trabalho gerou 456 mil postos no trimestre, contribuindo para que a taxa de desemprego se situasse em 7,8% em setembro, menor patamar desde dezembro de 2008.

    A variação anualizada do PIB norte-americano atingiu 0,4% no quarto trimestre de 2012, ressaltando-se as contribuições respectivas de 1,3 p.p. e -1,5 p.p. do consumo das famílias e da variação dos estoques. A contribuição do setor externo atingiu 0,3 p.p., resultado de recuos nas exportações, 2,8%, e nas importações, 4,2%. Foram criados 626 mil postos de trabalho no período, ressaltando-se que o desempenho do mercado de trabalho e a antecipação do pagamento de dividendos e bônus, como forma de evitar a aplicação de alíquotas de imposto de renda mais altas, traduziram-se em elevação da renda pessoal disponível, que atingiu nível recorde em dezembro. Nesse ambiente, a taxa de desemprego registrou estabilidade, a variação anualizada dos gastos pessoais com consumo totalizou 1,8%, e a taxa média trimestral de poupança atingiu 4,7%, no período.

    Na Área do Euro, evidenciando a continuidade da desaceleração da atividade iniciada na segunda parte de 2011, o PIB experimentou contração anualizada de 0,3% no primeiro trimestre de 2012. Destacaram-se os recuos respectivos de 5,5% e 0,9% na formação bruta de capital fixo e no consumo das famílias, e a expansão de 0,7% no consumo governamental. No âmbito do setor externo, ocorreram variações de -1,7% nas importações e de 2,1% nas exportações. Ressaltem-se, no período, as contrações registradas na Espanha, 1,8%; Itália, 4,1%; e Grécia8, 6,7%, e o aumento de 2,5% no PIB da Alemanha. A taxa de desemprego atingiu 11% em março, maior patamar desde a criação da união monetária.

    O PIB do bloco retraiu -0,7% no segundo trimestre, resultado de recuos anualizados em todos os componentes domésticos e de elevações respectivas de 6,8% e 2,6% nas

    8/ Variação interanual.

  • 140 Boletim do Banco Central do Brasil – Relatório Anual 2012

    exportações e nas importações. O PIB da Alemanha cresceu 0,7%, contrastando com as reduções respectivas de 0,7%, 1,5%, 2,6% e 6,4% nos agregados da França, Espanha, Itália e Grécia. Nesse cenário, a taxa de desemprego atingiu o recorde de 11,4% em junho.

    O PIB da Área do Euro recuou 0,3%, no trimestre encerrado em setembro, quarta contração anualizada consecutiva, com ênfase no impacto das retrações no consumo das famílias, 0,6%, e na formação bruta de capital fixo, 3,1%. Ocorreram elevações respectivas de 0,9% e 0,3% na atividade econômica na Alemanha e na França, duas maiores economia da região, contrastando com os recuos observados na Itália, 1%; Espanha, 1,3%; e na Grécia, 6,7%. A taxa de desemprego, em trajetória de expansão, atingiu 11,6% em setembro de 2012.

    O processo de retração da atividade se intensificou no quarto trimestre de 2012, quando o PIB da Área do Euro recuou 2,3%, em termos anualizados. Ocorreram resultados negativos em todos os componentes da demanda, a exceção dos gastos do governo, destacando-se a retração de 4,8% na formação bruta de capital fixo. Relevante ressaltar que o PIB da Alemanha recuou 2,7%, primeira contração no ano, e o da França retraiu 0,8%. Nesse cenário, a taxa de desemprego registrou nove recorde, atingindo 11,8% em dezembro de 2012.

    No Reino Unido, a variação anualizada do PIB totalizou -0,3% no primeiro trimestre do ano, com ênfase nas contribuições de -1,5 p.p. da variação dos estoques e de -2,6 p.p. do setor externo, esta decorrente de recuo de 5,9% nas exportações e de elevação de 2,3% nas importações. No âmbito da deman

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