analise fundamentalist a analise tecnica

Download Analise Fundamentalist A Analise Tecnica

Post on 07-Jul-2015

439 views

Category:

Documents

7 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

ANLISE TCNICA X ANLISE FUNDAMENTALISTA NOS MERCADOS FINANCEIROS DO BRASIL: TEORIA E EVIDNCIA EMPRICA

William Eid Jr William.eid@fgv.br

1999

2

RESUMO O trabalho busca confrontar as duas tcnicas mais difundidas de anlise de valor de ativos: a anlise fundamentalista e a anlise tcnica. Esta

comparao feita tanto no mbito da teoria financeira como atravs de um estudo emprico, este ltimo com objetivos mais normativos.

PALAVRAS-CHAVE Anlise Tcnica, Anlise Fundamentalista, Moderna Teoria Financeira, Eficincia de Mercados.

ABSTRACT The work compares technical and fundamental analysis in asset valuation. The comparison is made both in theoretical and empirical terms.

KEY WORDS Technical Analysis, Fundamental Analysis, Modern Portfolio Theory, Market Efficiency

3

NDICE GERALTpico Agradecimentos 1. INTRODUO 1.1. A Moderna Teoria Financeira 1.2. MTF e a Eficincia de Mercado 1.3. Concluses 2. ANLISE FUNDAMENTALISTA E ANLISE TCNICA 2.1. Anlise Fundamentalista 2.1.2 Introduo 2.1.3. Descrio 2.1.4. Anlise Econmica 2.1.5. Anlise Setorial 2.1.6. Anlise da Empresa 2.1.7. Projees 2.1.8. Valuation 2.1.9. Concluso 2.2. Anlise Tcnica 2.2.1. Conceitos Chave para Anlise Tcnica 2.2.2. Os Grficos 2.2.3. Grfico de Barras e Candlestick 2.2.4. Grfico Ponto e Figura 2.2.5. Eventos 2.2.5.1. Movimento Definido 2.2.5.2. Acumulao 2.2.5.3. Correo 2.2.5.4. Reao 2.2.5.5. Reverso 2.2.5.6. Topos e Fundos 2.2.6. A Teoria de Dow 2.2.6.1. Consideraes Sobre Tendncias 2.2.6.2. Relao Preo e Volume 2.2.6.3. Linhas Laterais 2.2.6.4. Reverso Pg. 5 6 8 17 18 20 23 23 23 24 27 30 35 40 45 46 46 49 50 51 52 53 53 53 53 53 54 55 57 57 58 58

4

Tpico 2.2.7. As Ondas de Elliot 2.2.7.1. Ondas Impulsivas 2.2.7.2. Ondas Corretivas 2.2.7.2.1. Variaes nas Ondas Impulsivas 2.2.7.2.2. Regras Para as Ondas Impulsivas 2.2.7.2.3. Variaes nas Ondas Corretivas 2.2.7.2.4. Regras para as Ondas Corretivas 2.2.8. Fibonacci 2.2.9. Formaes Grficas 2.2.9.1. Tendncias 2.2.9.2. Suporte e Resistncia 2.2.9.3. Formaes de Continuao e Reverso 2.2.9.4. Dia Chave de Reverso 2.2.9.5. Formaes de Deriva 2.2.10. Indicadores: 2.2.10.1. Rastreadores de Tendncias 2.2.10.1.1. Mdias Mveis 2.2.10.1.2. Mdias Mveis Exponenciais 2.2.10.1.3. MACD 2.2.10.2. Osciladores 2.2.10.2.1. IFR 2.2.10.2.1.1. IFR e Retas de Tendncia 2.2.10.2.1.2 IFR e Divergncia 2.2.10.2.1.3. IFR e Outras Indicaes 2.2.10.2.2. Estocstico 2.2.11. Concluso 3. ANLISE FUNDAMENTALISTA X ANLISE TCNICA 3.1. A Anlise de Ativos e a Teoria Financeira 3.2. Reviso Bibliogrfica 3.3. Testes Empricos 3.3.1. Metodologia e Dados 3.3.2. Anlise dos Resultados 4. CONCLUSO GERAL 5. BIBLIOGRAFIA

Pg. 59 59 60 61 63 64 67 67 68 68 71 72 75 75 75 76 76 79 80 81 82 82 83 83 84 85 86 86 87 93 93 94 101 104

5 Agradecimentos

Agradeo inicialmente ao Conselho de Ensino e Pesquisa da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo pelo apoio e suporte financeiro que me foram concedidos para a realizao deste trabalho. Iniciativas como esta do CEPE/PUC SP s podem merecer elogios da comunidade acadmica e da sociedade em geral.

Agradeo tambm CMA Consultoria Mtodos e Assessoria pela cesso gratuta dos bancos de dados necessrios execuo dos testes aqui apresentados.

Tambm agradeo empresa Enfoque Grfico Sistemas na pessoa de seu scio-diretor, Fausto de Arruda Botelho, com quem tive a oportunidade de travar excelentes debates sobre o tema deste estudo durante curso realizado em dezembro de 1998 e cuja apostila foi a base para o desenvolvimento da parte referente anlise tcnica..

Meu muito obrigado aos colegas do Departamento de Administrao da Faculdade de Economia e Administrao pelo constante incentivo e apoio com que me brindaram.

6

1. INTRODUOA busca por retornos favorveis em investimentos, em particular nos mercados financeiros, passa por uma base comum inevitvel: a previso do que ir acontecer no futuro. Os retornos de todos os ativos, das aes ao petrleo, depende, mesmo que em graus variados dos eventos futuros. Sem nenhum mecanismo de previso o investidor estaria aplicando seus recursos s cegas. Historicamente o homem tem tentado diversos sistemas de previso. Aristteles em seu Polticas, afirma que Tales de Mileto observava os astros para ento tomar posies nos mercados de azeite. Provavelmente a astrologia tenha sido um dos primeiros mtodos de previso utilizados pelo homem. Ao longo dos sculos outros foram utilizados. H aproximadamente trs sculos o mundo viu nascer o que seria o embrio de um dos sistemas de anlise em uso atualmente: o sistema conhecido como candlestick foi desenvolvido no Japo por volta de 1.700 e deu origem Anlise Tcnica. O outro sistema que utilizado nos dias de hoje conhecido como Anlise Fundamentalista. Quando se observa a intensa utilizao destes sistemas pelos participantes dos mercados financeiros, surgem algumas questes. Dentre elas: Qual a base destas duas tcnicas? realmente possvel fazer previses acuradas sobre o futuro? Como a teoria financeira encara estas tcnicas? Seguindo Malkiel (1990) vemos que a Anlise Fundamentalista prega que cada instrumento de investimento, seja uma ao seja uma residncia, tem o que chamado "valor intrnseco" que pode ser determinado pela

7 anlise acurada das condies presentes e das perspectivas futuras. Quando observamos que o valor efetivamente utilizado no mercado para negociar um determinado ativo est abaixo do seu valor intrnseco, surge uma oportunidade de venda, j que de se esperar que o valor de mercado atinja em um determinado momento o valor intrnseco. Quando ele est abaixo, surge uma oportunidade de compra. Williams (1938) definiu as bases de utilizao prtica da Anlise Fundamentalista, argumentando que o valor de um ativo simplesmente o valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados para o possuidor deste ativo. Problemas com este tipo de anlise: devemos antecipar corretamente os fluxos futuros bem como as taxas de desconto a serem utilizadas. Keynes (1936) enunciou as bases para a Anlise Tcnica, j ento com uso bastante difundido: segundo ele os investidores devem analisar o comportamento das massas e antecipar-se a eles. Keynes apresenta o problema do investimento como similar a um concurso de beleza onde ganha o prmio o jurado que escolher no a moa mais bonita, mas a mais votada pelos outros membros do jri. O participante mais esclarecido v que os seus critrios de beleza so irrelevantes neste caso, o que interessa so os critrios dos outros participantes. Na verdade ele deve antecipar a opinio mdia dos outros jurados. Em termos financeiros, um ativo tem um determinado preo posto que o investidor espera vend-lo algum a um preo mais elevado. O prximo comprador tambm tem esta expectativa. No existe razo por trs deste processo, apenas psicologia de massa. Novamente o problema reside na antecipao correta do futuro.

8 A prxima pergunta, como a teoria financeira v estas duas vertentes antagnicas de anlise de ativos, deve ser respondida aps o entendimento do desenvolvimento bsico desta teoria.

1.1. A Moderna Teoria Financeira Para uma anlise completa do desenvolvimento recente da teoria financeira pode-se recorrer a Sharpe, Alexander e Bailey (1995) ou a Milne (1995). A apresentao a seguir pretende ser um breve resumo de tal desenvolvimento. A chamada Moderna Teoria Financeira (MTF) surge na dcada de 50 com a publicao do trabalho de Markowitz (1952) sobre o comportamento dos investidores num ambiente de mdia varincia1. Um investidor deve avaliar as carteiras de investimento alternativas com base no seu retorno esperado e desvio padro, utilizando curvas de indiferena. No caso de um investidor averso ao risco, analisando os investimentos num grfico com o retorno no eixo vertical e o desvio padro no eixo horizontal, a carteira mais a noroeste ser a selecionada. Uma primeira questo que surge em relao teoria de Markowitz refere-se necessidade de anlise de todas as carteiras disponveis. Se o investidor tivesse que analisar todas as carteiras disponveis antes de decidir em qual investir, o nmero de anlises necessrias seria infinito. E portanto no haveria soluo prtica para o problema de alocao de investimentos.

1

Neste ambiente os investidores avaliam seus investimentos pelo retorno esperado e varincia dos retornos esperada.

9 Considera-se que um investidor racional vai seguir as seguintes regras de investimento, regras estas conhecidas como o teorema da fronteira eficiente.: a) Preferir carteiras com o maior retorno dado o mesmo nvel de risco b) Preferir carteiras com o menor risco dado o mesmo retorno Observamos que dado um nmero n de ativos, temos um conjunto de carteiras possveis, como o apresentado no grfico a seguir:30

25S

20 Retorno (%)

Fronteira Eficiente

15E Ativos

10

5

0 -20 -10 0 10 20 Risco 30 40 50 60

Neste grfico, a linha compreendida entre os pontos E e S chamada de fronteira eficiente. Ela composta das carteiras mais eficientes em termos do teorema da fronteira eficiente: no se pode formar carteiras com maior retorno para os nveis de risco apresentados e nem com menor risco, dado os nveis de retorno apresentados. O investidor vai ento escolher uma carteira de investimentos localizada sobre a fronteira eficiente. Logo no

10 necessrio analisar todas as infinitas possibilidades de combinaes entre os ativos. A segunda questo que surge : como, dentro da fronteira eficiente, o investidor seleciona uma carteira tima? A resposta est baseada nas curvas de indiferena deste investidor. Como apresentado no grfico a seguir, o investidor averso ao risco traar suas curvas de indiferena sobre o conjunto de carteiras. A carteira escolhida ser a que se posicionar mais a noroeste. No grfico pode-se observar que uma das curvas vai tangenciar a fronteira eficiente. Este ponto de tangncia que constitui a carteira a ser escolhida. Ela domi

Recommended

View more >