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  • Anlise econmica e financeira do sector dos media em Portugal

    Introduo Este estudo analisa econmica e financeiramente o sector dos media com base na informao de balanos e demonstraes de resultados de um conjunto de empresas deste sector. O estudo baseia-se na apreciao de vrias rubricas das demonstraes financeiras, mas tambm em rcios econmico-financeiros, pois estes constituem um bom instrumento de apoio e sntese na anlise econmica e financeira. O relatrio tem a seguinte estrutura. O primeiro captulo descreve a amostra. As empresas foram separadas em quatro ramos de modo a haver coerncia nas comparaes. Os ramos so: grupos econmicos, imprensa, rdio e televiso. Cada um dos captulos seguintes analisa em pormenor cada ramo. O segundo captulo analisa os grupos econmicos do sector dos media. O terceiro captulo analisa a imprensa. O quarto captulo analisa a rdio e o quinto captulo a televiso. O captulo seis faz uma pequena comparao entre sectores e o captulo sete conclui. Dentro de cada captulo temos a seguinte ordem. Em primeiro lugar, a anlise econmica, avaliando-se a evoluo dos activos, das receitas e dos resultados operacionais tambm conhecidos em linguagem anglo-saxnica por Earnings Before Interest and Taxes (EBIT). A rendibilidade operacional calculada atravs do rcio EBIT sobre receitas, e permite corrigir o efeito da dimenso da empresa nos valores descritos. Este tipo de anlise destina-se a conhecer a capacidade da empresa de criar resultados econmicos. Em segundo lugar, estuda-se a solvabilidade financeira. Procura-se detectar o nvel de risco de endividamento das empresas, e a capacidade das mesmas de fazerem face aos encargos financeiros. Para isso analisamos o rcio de endividamento da empresa, os resultados financeiros e o rcio de cobertura dos encargos financeiros. A anlise da rendibilidade sintetiza a anlise econmica e financeira. Avaliamos os resultados lquidos e rcios frequentemente utilizados neste tipo de estudos: Return on Assets (ROA), a rendibilidade econmica dos activos investidos, e o Return on Equity (ROE), a rendibilidade dos accionistas. Por fim completamos com uma anlise do nmero de efectivos das empresas e da produtividade. O perodo do estudo comea no ano de 2001 e acaba no ano de 2005. Este perodo foi marcado por um abrandamento da actividade econmica mundial e nacional, que teve efeitos no sector da comunicao social como iremos ver.

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  • 1. A Amostra Para a realizao deste estudo foram reunidas informaes de carcter econmico e financeiro de diversas empresas. Os relatrios e contas das empresas foram a principal fonte de informao, complementada por informaes disponibilizadas pelas empresas, informao disponvel na web e ainda na base de dados SABI da Bureau van Dijk Electronic Publishing. Apesar dos esforos, os dados apresentam algumas lacunas sendo as principais: a falta de informao sobre o ano de 2005 para algumas empresas e falta de informao sobre o nmero mdio de empregados, principalmente nas empresas do sub-sector imprensa. De modo a haver coerncia nas comparaes entre empresas, estas foram divididas em quatro grupos.

    Grupos Econmicos: grupos empresariais cuja principal actividade no sector dos media.

    Imprensa: empresas na rea da publicao de jornais e revistas.

    Rdio: empresas de difuso radiofnica.

    Televiso (TV): empresas concessionrias de televiso. O Quadro 1.1 mostra as empresas classificadas nos diversos ramos. Nos grupos empresariais, encontramos dois grupos cotados em mercado bolsista, o grupo Media Capital e o grupo Impresa. Decidiu-se incluir tambm o grupo do estado a RTP, SGPS. Apesar de no ter a mesma lgica empresarial que os grupos privados, e isto lhe dar caractersticas diferentes como iremos ver ao longo do estudo, a sua forte presena na rdio e na televiso justifica a sua incluso na amostra. Todavia, desde j alertamos para o facto de muitas vezes os valores dos seus indicadores serem de uma ordem de grandeza completamente diferente das outras empresas. Da amostra fazem parte ainda a Investec Media, a holding que gere as participaes nos media do grupo Cofina, uma holding com participaes em vrios sectores de actividade e o grupo Lusomundo Media, que pertenceu ao grupo Portugal Telecom at agosto de 2005, sendo comprado ento pela Controlinvest. Todos estes grupos tm a maior parte da sua actividade no sector dos media. O quadro mostra que a maior parte dos grupos privados surgiu nos finais da dcada de 80 e incio da dcada de 90. O Quadro 1.1 mostra ainda a subdiviso das empresas para a imprensa, rdio e televiso. No ramo imprensa encontramos a Edisport, detentora do jornal O Record e a Presselivre que detm O Correio da Manh, ambas pertencentes ao grupo Cofina. A Sojornal detm o semanrio o Expresso entre outros, e pertence ao grupo Impresa e a Global Notcias, que pertence Lusomundo Media, detm

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  • entre outros O Dirio de Notcias. Por fim, o jornal Pblico pertena do grupo Sonae. A amostra de empresas da rdio composta pela Rdio Renascena, pertena do Patriarcado portugus, a RDP que pertence ao grupo RTP, a Rdio Notcias, que tem a TSF, e pertence ao grupo Lusomundo Media e analisamos ainda o segmento da rdio do grupo Media Capital. No caso da Media Capital, embora no constitua uma empresa autnoma, as contas do grupo apresentam, em alguns anos, informao para o segmento rdio, pelo que pensamos ser til e interessante a comparao.

    Quadro 1.1: Descrio da Amostra

    GRUPOS EMPESARIAS Data de Incio

    RDIO E TELEVISO DE PORTUGAL, SGPS, S.A. 1955

    GRUPO MEDIA CAPITAL, SGPS, S.A. 1992

    IMPRESA-SOCIEDADE GESTORA DE PARTICIPAOES SOCIAIS, S.A. 1990

    INVESTEC MEDIA-SGPS, S.A. 1992

    LUSOMUNDO MEDIA, SGPS, S.A. 1988

    IMPRENSA

    EDISPORT-SOCIEDADE DE PUBLICAOES DESPORTIVAS, S.A. 1991

    SOJORNAL-SOCIEDADE JORNALISTICA E EDITORIAL, S.A. 1972

    IMPALA- EDITORES, S.A. 1983

    GLOBAL NOTCIAS - PUBLICAOES, S.A. 1946

    PUBLICO - COMUNICAAO SOCIAL, S.A. 1989

    PRESSELIVRE - IMPRENSA LIVRE, S.A. 1979

    RDIO

    RDIO RENASCENA, LDA. 1931

    RDIODIFUSAO PORTUGUESA, S.A. 1976

    RDIO NOTCIAS -PRODUOES E PUBLICIDADE, S.A. 1993

    RADIO MEDIA CAPITAL -

    TELEVISO

    SIC-SOCIEDADE INDEPENDENTE DE COMUNICAAO, S.A. 1987

    RDIOTELEVISO PORTUGUESA-SERVIO PUBLICO DE TELEVISO, S.A. 2004

    TVI/ TV MEDIA CAPITAL -

    (Nota: os nomes das empresas foram abreviados durante o estudo).

    No ramo televiso so analisadas as trs concessionrias de televiso existentes em Portugal. O canal pblico RTP (note-se que no mbito da reestruturao do grupo foi criada uma empresa autnoma em 2004), a SIC do

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  • grupo Impresa e o segmento televiso do Grupo Media Capital, ou seja a TVI1. semelhana da anlise que fazemos para o sub-sector rdio, analisamos com base na informao disponvel o segmento televiso das contas do grupo. Esta diviso da amostra permite fazer comparaes entre os diversos segmentos de actividade que, embora pertencendo ao sector dos media, tm caractersticas diferentes. De notar que encontramos dois tipos de grupos econmicos neste sector: grupos especializados nos media, tais como a Impresa e a Media Capital, e grupos que actuam em diversos sectores de actividade e que tm uma participao nos media tais como a Sonae, a Cofina e a Controlinvest. Nestes grupos optou-se por considerar as empresas especficas dos media de modo a no desvirtuar as comparaes. Finalmente, o sector dos media tem ainda a particularidade de contar com a presena do estado e da igreja. H ainda a registar a introduo de novos critrios contabilsticos (International Finantial Reporting Standards) para as empresas cotadas em bolsa no ano de 2005, o que afecta as comparaes ao longo do tempo e as comparaes com empresas no cotadas.

    1 Note-se que a partir de 2003, as contas do segmento de televiso da Media Capital incluem tambm as empresas do Grupo NPB.

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  • 2. Grupos Econmicos

    Anlise econmica O Grfico 2.1 mostra o valor dos activos lquidos entre 2001 e 2005 para os diversos grupos empresariais no sector dos media 2 . O valor dos activos registou um ligeiro decrscimo, revelando pouco investimento no sector. Entre 2001 e 2004, anos para as quais temos dados de todos os grupos econmicos, a totalidade dos activos dos grupos teve um decrscimo anual de 1.5%. Para essa tendncia contriburam essencialmente os grupos Impresa e Media Capital, com taxas de 9.5% e 2.6% respectivamente. Todavia, no ano de 2005, o grupo Impresa regista um crescimento nos activos de mais de 40% face ao ano de 2004. O valor das receitas de explorao (Grfico 2.2) do sector tem registado uma evoluo positiva. Entre 2001 e 2004, as receitas dos grupos registaram uma taxa anual mdia de crescimento de cerca de 3.6%. Quanto aos resultados operacionais, Earnings Before Interest and Taxes (EBIT), a tendncia global foi para um crescimento ao longo dos anos excepto para a Lusomundo Media (Grfico 2.3). A Investec Media teve durante todo o perodo EBIT positivos. A Impresa e a Media Capital comearam o incio da dcada com resultados negativos, mas recuperaram substancialmente ao longo do tempo tendo os resultados mais elevados no ano de 2005. A RTP teve sempre resultados operacionais muito negativos, conseguindo em 2005, no mbito da reestruturao da empresa, resultados positivos. O grupo Lusomundo Media teve resultados positivos, com excepo do ano de 2003.

    2 Os dados apresentam algumas lacunas, pois no existe informao disponvel para todos os anos para todos os grupos, nomeadamente para o grupo Lusomundo Media.

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  • Grfico 2.1: Evoluo dos Activos (Grupos Econmicos)

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    100 000 000

    200 000 000

    300 000 000

    400 000 000

    500 000 000

    RTP MEDIA CAPITAL IMPRESA INVESTEC MEDIA L

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