alves oliveira cedes cotid diferenca

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alves oliveira

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  • Disponvel em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87313718003

    Red de Revistas Cientficas de Amrica Latina, el Caribe, Espaa y PortugalSistema de Informacin Cientfica

    Nilda Alves, Ins Barbosa de OliveiraImagens de escolas: espaostempos de diferenas no cotidianoEducao & Sociedade, vol. 25, nm. 86, abril, 2004, pp. 17-36,

    Centro de Estudos Educao e SociedadeBrasil

    Como citar este artigo Fascculo completo Mais informaes do artigo Site da revista

    Educao & Sociedade,ISSN (Verso impressa): 0101-7330revista@cedes.unicamp.brCentro de Estudos Educao e SociedadeBrasil

    www.redalyc.orgProjeto acadmico no lucrativo, desenvolvido pela iniciativa Acesso Aberto

  • 17Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 86, p. 17-36, abril 2004Disponvel em

    Nilda Alves & Ins Barbosa de Oliveira

    IMAGENS DE ESCOLAS:1

    ESPAOSTEMPOS 2 DE DIFERENAS NO COTIDIANO

    NILDA ALVES*

    INS BARBOSA DE OLIVEIRA**

    O leitor porque leitor conhece escola. Convido-o, portanto, para que, naimaginao, comigo, entre em qualquer uma delas: ande pelos corredores,de cho muito pouco usado, a no ser por ps; de paredes vazias (s vezesaqui e ali com um mural ou um cartaz); de teto do qual pendem ou noqual esto presas, muito solitrias freqentemente queimadas , uma eoutra lmpada. Em um espao de leitura e escrita e de construo3 do sa-ber, no causam estranheza metros e metros quadrados sem letra? No en-tanto, nesses espaos o que bem-visto estranha esttica , porque assimesto limpos, a cor (o amarelo escuro, o cinza, um branco sujo ou o pre-to) e o nada sobre ela. Aqui e ali, h a marca de um sapato ou de umapalavra feia ou um palavro de responsabilidade de um peralta, um re-belde, um subversivo, um bagunceiro, um desregrado, um infeliz, um ca-rente... a palavra muda, dependendo do tempo, do lugar, da teoria deapoio. Aquele espao negado para geraes e geraes de alunos de quem ?Como e por que se estabeleceu essa esttica perversa e essa tica da negaodo uso do olhar e das mos?

    (Alves, 1998, p. 11-12)

    RESUMO: Recuperando trajetrias comuns de pesquisa envolvendoo cotidiano escolar e, sobretudo, as prticas e histrias de professorasda rede pblica de ensino, desenvolvemos neste texto uma reflexoacerca dos usos que vimos fazendo de imagens nesses trabalhos, con-siderando-as, como nos ensina Manguel (2001), sempre associadas anarrativas. Neste sentido, apresentamos imagens de escolas rurais eurbanas, interpretando-as como narrativas de situaes ou constitui-

    * Professora titular da Faculdade de Educao da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ). E-mail: nildalves@uol.com.br

    ** Professora adjunta da Faculdade de Educao Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ). E-mail: inesbo@terra.com.br

  • 18 Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 86, p. 17-36, abril 2004Disponvel em

    Imagens de escolas: espaos tempos de diferenas no cotidiano

    doras de significados os mais diversos e evidncias das muitas diferen-as e semelhanas entre umas e outras, procurando evidenciar a rique-za que elas possuem bem como as mltiplas possibilidades que abremna compreenso das redes de saberes e fazeres que envolvem osespaostempos cotidianos de ensinaraprender, o que as torna, para ns,material de inestimvel valor para as pesquisas no/do cotidiano escolar.

    Palavras-chave: Cotidiano escolar. Prticas e histrias de professoras.

    IMAGES OF SCHOOLS: TIME-SPACES OF DIFFERENCES IN EVERYDAY LIFE

    ABSTRACT: Based on common research data on everyday schoollife and, above all, on practices and histories of public school femaleteachers, this text brings forward a reflection on how images wereused, considering them, following Manguel (2001), as always re-lated to narratives. We thus present images of rural and urbanschools and interpret them as parts of meaning production, stressingdifferences and similarities and focusing on the multiple possibilitiesthey bring about so as to grasp the nets they interweave, regardingtime-space and teaching-learning, which are central to everydayschool life studies.

    Key words: Everyday school life. Practices and histories of schoolteachers.

    Imagens e narrativas trajetria de pesquisas

    possibilidade de criar uma histria do cotidiano escolar a partirda memria de prticas pedaggicas e curriculares contida emnarrativas de professoras uma proposta que estamos desenvol-

    vendo, h alguns anos, em pesquisas diversas,4 buscando compreendero currculo praticado em escolas.5 Aos poucos e por iniciativa das pro-fessoras com quem conversvamos fomos incorporando as imagens quetraziam em que se viam fixadas essas prticas e buscamos, a partir da,formar um acervo importante de imagens no corpus das pesquisas. As-sim, passamos a utilizar, nessas pesquisas, desde obras de artistas con-temporneos e de sculos passados a fotografias obtidas por ns e porbolsistas que trabalham nas pesquisas referidas, passando por fotografi-as que amigos nossos tiram e nos do, pois pensaram em ns quando vi-ram aquela cena e queriam que a tivssemos. Tambm produzimos, aolongo do desenvolvimento das pesquisas, algumas imagens das situa-es vivenciadas nas escolas e das prticas nelas desenvolvidas, acredi-

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    Nilda Alves & Ins Barbosa de Oliveira

    tando que, em muitas circunstncias, o potencial expressivo destas,mais rico e polissmico que o dos textos escritos, auxiliam-nos na tarefade compreender e de explicar melhor a complexidade e a dinmica docotidiano escolar, objetivo de nossas pesquisas e elemento fundamentalpara a histria dele contada/narrada pelos seus praticantes.6

    Essa histria, que vamos buscando compor, vai se organizan-do, assim, por meio do estudo dessas mltiplas imagens e pelas nar-rativas que vamos ouvindo em conversas7 que temos com os pratican-tes docentes do cotidiano escolar sobre outras imagens, bem comosobre suas memrias sobre elas.

    Neste sentido, como Manguel (2001), temos buscado compre-ender o espectador comum, aquele que v imagens os outros e nsmesmas na necessidade que tem de articular a imagem como nar-rativa (p. 15). Vamos entrelaando, assim, as redes que ligam, ne-cessariamente, imagens vistas com o que nos contado sobre elas esobre o que delas est ausente, mas presente na memria de professo-ras8 (Alves, 1998, 2000; Oliveira, 2003).

    Ainda com esse autor (Manguel, 2001), temos presente nossoslimites, j que tudo o que vemos, oferece ou sugere, ou simplesmentecomporta, uma leitura limitada apenas por nossas aptides (p. 21-22),concordando com William Blake (2001) quando se pergunta: Comosaber se cada pssaro que cruza os caminhos do ar / no um imensomundo de prazer, vedado por nossos cinco sentidos?

    Ao ler o texto sobre essas tantas imagens indicadas, imediata-mente nos lembramos de algumas imagens que em criana lemos,no cho de ladrilhos do banheiro ou da cozinha, quando atentamen-te olhamos para eles (bichos, cabeas de homens, mulheres e crian-as, jardins encantados etc.), ou nas sombras de nossos quartos, noi-te, quando amos dormir (em geral, monstros e fadas). Todas essasimagens ganham um adjetivo alegre, arrepiante pois as ligamosrapidamente a narrativas antes feitas a ns por pais, avs, tias/tios ouamigos, e que recriamos a cada momento. Com essa lembrana, que-remos indicar como narrativas e imagens se entrelaam em nossas vi-das e como tudo o que conseguimos ver se articula sempre com o quesabemos antes, por narrativas ou imagens anteriores.

    assim, em processos nos quais so articuladas imagens e nar-rativas, as quais exigem, permanentemente, reflexo pessoal, elabora-

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    Imagens de escolas: espaos tempos de diferenas no cotidiano

    o de idias e imaginao, a partir de experincias individuais e co-letivas de relaes com o Outro, com a natureza, com objetostecnolgicos, que vamos tecendo nossas reflexes. Nessa mesma dire-o, escreve Manguel (2001, p. 23-24):

    Se a natureza e os frutos do acaso so passveis de interpretao, de traduoem palavras comuns, no vocabulrio absolutamente artificial que constru-mos a partir de vrios sons e rabiscos, ento talvez esses sons e rabiscos per-mitam, em troca, a construo de um acaso ecoado e uma natureza espelha-da, um mundo paralelo de palavras e imagens mediante o qual podemos re-conhecer a experincia do mundo que chamamos real. Pode ser chocante fa-lar da Divina Comdia ou da Mona Lisa como rplica, diz Elaine Scarry,autora de um livro incomum sobre o significado da beleza, visto serem elesto desprovidos de antecedentes, porm o mundo recorda o fato de quealgo, ou algum, deu origem criao dessas obras e permanece silenciosa-mente presente no objeto recm-nascido. Ao que podemos acrescentar queo objeto recm-nascido pode, por sua vez, dar origem a uma mirade deobjetos recm-nascidos as experincias receptivas do espectador ou do lei-tor que, todos e cada um deles, tambm o contm.

    Por isso, podemos afirmar que uma imagem d origem a uma his-tria que, por sua vez, d origem a uma imagem (p. 24), como lembra,ainda, Manguel. E neste sentido que temos, tambm, trabalhado.

    Em contrapartida, desenvolvendo uma metodologia que seaproxima muito da chamada histria oral, vamos entendendo queimagens e narrativas podem se aproximar pelo potencial de emooque envolvem. Portelli (1997) ensinou-nos que a primeira coisa quetorna a histria oral diferente, portanto, aquela que nos conta menossobre eventos que sobre significados, o que faz com que

    o nico e precioso elemento que as fontes orais tm sobre o historiador, e quenenhuma outra fonte possui em medida igual, a subjetividade do exposi-tor. (...) Fontes orais contam-nos no apenas o que o povo fez, mas o quequeria fazer, o que acreditava estar fazendo e o que agora pensa que fez. [In-teressa, assim] o cam