a religiao proibida

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José Maria Herrou Aragón

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  • A RELIGIO PROIBIDA

  • A RELIGIOPROIBIDA

    Jos Mara Herrou Aragn

  • Copyright 2014 Jos Mara Herrou Aragn.I.S.B.N.: 978-1-312-53196-3Traduo: Gabber Luppus

  • nDIcE

    01. A Gnose Primordial 902. A Matria m 1103. O tempo mau 1304. O deus criador 1505. A criao do mundo 1906. A criao do homem 2307. O Deus Incognoscvel 2508. Corpo, alma e Esprito 2709. Trs tipos de Homens 3110. Satans, opressor 3311. Lcifer, libertador 3512. A Serpente da Salvao 3913. Can, o Imortal 4314. Os planos do deus criador 4915. Morte e reencarnao 5316. Manvantaras e pralayas 5717. A Grande Conspirao 5918. Luz e escurido 7119. As lojas branca e negra 7520. Rebeldia e oposio 7921. A Iniciao Gnstica 8522. A libertao verdadeira do Esprito 93

  • 1. A GnOSE PRIMORDIAL

    A Gnose Primordial um conhecimento, uma sabedoria. Gnose significaisso: conhecimento. Porm no nos referimos a um conhecimento qualquer.A Gnose um conhecimento muito especial. um conhecimento que produzuma imensa transformao em quem o recebe. Um conhecimento capaz de,nada menos, despertar e libertar Espiritualmente a quem o obtenha. Seupropsito esse: jogar luz sobre a situao humana, tratando de despertar oshomens e ajud-los a escapar da priso em que se encontram. Por isso esteconhecimento tem sido to perseguido ao longo da histria, porque umconhecimento considerado perigoso pelos poderes religiosos e polticos queregem, desde as sombras, a humanidade. Por essa razo a Gnose semprepermaneceu oculta. A Gnose um conhecimento secreto, s acessvel aobuscador que seja merecedor dela. As distintas religies na histria humanatm tratado de fazer com que os seres humanos permaneam ignorantes dessesaber, deste tipo de conhecimento chamado Gnose. J veremos o porqu.

    Ao que chamo de Gnose Primordial a forma pura de Gnose. semprea mesma e nunca mudar, enquanto no mude a situao Espiritual em quese encontra o homem e tudo o que chamamos de criao ou mundo. Aspoucas vezes que a Gnose Primordial apareceu abertamente na histria, nose fez em sua forma pura, mas sim se adaptando s caractersticas culturaise histricas do lugar e da poca. Portanto, a Gnose Primordial tem estadosempre por trs de quase todos os sistemas teolgicos e filosficos que temsido tachados de herticos, proibidos, perseguidos e forados a ocultar-se.Pesquisando esses conhecimentos proibidos, possvel recuperar as peasnecessrias que nos permitam reconstruir a estrutura completa do que a

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  • Gnose Primordial.

    E se esse saber foi descoberto e escrito, esse livro seria extremamentepoderoso e terrvel. Seria o texto mais perigoso do mundo, capaz de despertare liberar a quem o leia e estude. Um livro assim seria um objeto estranhodentro deste mundo criado, algo no elaborado aqui, mas sim vindo de fora,de outro mundo totalmente distinto deste. Tambm seria capaz de sobrevivers chamas e ao tempo.

    No desenrolar deste trabalho, tratarei de aproximar o melhor possvel aoque foi e a Gnose Primordial, o saber Gnstico em sua forma pura.

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    A RELIGIO PROIBIDA

  • 2. A MATRIA M

    Todas as religies sustentam que a matria boa, o mundo bom,foi criado por Deus. E Deus justo, Deus bom e criou algo bom para ohomem. Por isso diz a bblia E disse Deus: Faa-se a luz, e se fez a luz.E viu Deus que a luz era boa.

    A Gnose Primordial, a que podemos chamar daqui em diantesimplesmente de Gnose, com inicial maiscula, para diferenci-la de outrasfalsas gnoses que tem aparecido ao longo da histria, sustenta o contrrio: amatria m e impura, a matria a priso do Esprito. Este mundo material o inferno. A matria m e se a matria m, o criador da matria deveser, conseqentemente, algum mau. Para a Gnose o mundo material, estemundo, tem sido criado no por um deus bom ou justo, mas sim por umsatans criador. A matria algo satnico, portanto, quem a criou dever sertambm satnico.

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  • 3. O TEMPO MAU

    A bblia no diz, porm, com o Big Bang comeou o tempo. No comeomesmo da criao, quando deus disse faa-se a luz, estas palavras nopodiam ser pronunciadas se no existisse o tempo. O tempo foi criado porum deus criador, ao criar a luz. A grande exploso e expanso iniciais nopodiam ter existido sem o tempo. O tempo e espao foram criados juntos eso inseparveis. O tempo a conscincia, a respirao, (em espanhol,aliento) do deus criador. E toda sua criao, a expanso do universo, aevoluo das espcies, o desenvolvimento paulatino de seu plano, nopoderiam ocorrer sem o tempo. Segundo os Gnsticos, o tempo-aliento dodeus criador to satnico como a matria e to satnico como ele.

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  • 4. O DEUS cRIADOR

    Foram vrias seitas Gnsticas, nos primeiros sculos de nossa era, queequipararam a figura de deus criador no a um ser bom e justo, mas sim a deum ser satnico. O equipararam a figura de satans, vrias dessas seitas. Emum de seus contos, Gustavo Adolfo Bcquer nos relata como o deus criadorBrahma vai criando os mundos, como bolhas, e como vai aprendendo comeles, e porque s vezes tais mundos do certo e s vezes no do certo. No um deus extraordinariamente perfeito, mas sim bastante incompetente,parece. Existem mundos que no do certo e assim tem que destru-los.Existem mundos que se saem melhor. Vai provando, vai ensaiando. Vaicriando atravs do ensaio e do erro. A bblia diz: Disse Deus faa-se a luze fez-se a luz. E viu Deus que a luz era boa. Como! J no sabia? No sabiaque era algo bom? Por isso os Gnsticos dizem estamos frente a um criadorignorante dos efeitos de sua criao.

    Igualmente, o deus criador sustenta continuamente que ele o nico. Nodisse uma vez, mas disse permanentemente, constantemente: eu sou o nicoDeus, no h outro Deus a mais que eu, eu, teu Deus, sou o nico, etc.todos sabemos que quando algum repete excessivamente sempre a mesmacoisa porque no est muito seguro do que afirma, por isso necessitareafirmar tanto. Os Gnsticos interpretaram isto como se o criadorsuspeitasse, pois tambm no est demasiadamente seguro de que no existaoutro Deus, muito acima dele. Um infinitamente superior a ele, muito maior,muito mais importante que ele, e isso o que trata de ocultar ao repetirincessantemente "eu sou o nico, no h outro Deus fora de mim.

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  • Indubitavelmente, este deus criador o criador do mundo, de todos osmundos, dos planetas, do universo, da matria, do tempo. Ele o responsvelpelo Big Bang, como ensina a fsica atualmente. Tudo o que a fsica sustentaatualmente, que tudo comeou com uma grande exploso, com uma grandeluz, coincide com a maioria dos mitos de distintas religies sobre a criaodo mundo. Primeiro deus criou a luz, depois foi criando distintas coisas atchegar aos animais e por ltimo ao homem. Todos esses mitos, que esto nabblia e em outros livros religiosos coincidem, com respeito criao domundo e do homem, com as concluses atuais de fsicos e bilogos.

    Claro que toda essa criao est plena de erros, no perfeita. E se estemundo imperfeito, se a matria imperfeita, porque o criador de tudoisto, imperfeito. Hoje um Gnstico diria, por exemplo, que o aparecimentodos dinossauros foi estpido, foi um erro, o criador teve que anular tudo,extinguir tudo isso e comear de novo, outro experimento, at chegar a algoque o satisfaa. Porque o deus criador tem planos. Veremos mais adiantedo que se tratam.

    A fsica afirma, com Eisntein, por exemplo, que o universo no algoinfinito, mas sim uma espcie de bolha onde est contida a criao. Ouniverso finito, afirmou Albert Einstein. Esta criao est limitada, comouma bolha gigantesca onde est contido todo o material criado pelo deuscriador e no sabemos o que existe fora disso. A Gnose afirma sab-lo, jveremos.

    Segundo se diz, inspirados pelo deus criador do universo, livros sagradosde distintas religies, nos relatam feitos, detalhes, que mostram o deus criadorcomo um ser no muito perfeito e no inteiramente bom. O descrevem svezes como um deus vingativo, colrico, soberbo, inseguro e indeciso. Umdeus que ama os sacrifcios em seu nome, os genocdios, e que ordena matara outros povos para apoderar-se de seus pertences, de suas terras, de suagente, de seu gado. Ordena matar no s os inimigos, tambm as mulheres,as crianas, os animais. Um deus genocida. Este deus exige sacrifcios emseu nome, pois ama o odor da carne queimada das vtimas imoladas sobre oaltar. Este deus que provocou o dilvio. Quantos milhes e milhes dehomens morreram afogados pelo dilvio! Assim o relata a bblia e outrosescritos anteriores, como o dilvio babilnico, por exemplo. Gosta dossacrifcios humanos e de animais e do sangue derramado de seus inimigos.

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  • Gosta que o admirem, que o adorem, que o sirvam, que o temam, que oobedeam. Gosta dos templos edificados em sua honra, os rituais, osmandamentos, que cumpram suas ordens, que elevem oraes a ele. Gostada dor de suas criaturas, das torturas, do sofrimento. Os Gnsticos antigoslhe davam o nome de Ialdabahot, que significa filho do caos, e s vezes onome de Sabaot: deus dos exrcitos. Tambm foi chamado de Kosmocratorou o Grande Arconte, o criador e ordenador da matria. Porm o nome comque mais comumente se designa na Gnose o de demiurgo, que significacriador em grego.

    Sem dvidas, este ser superior no pode ser um ser bom, e quemafirmou estas idias que estou relatando, no decorrer da histria, logicamenteforam perseguidos e pagaram com a vida a ousadia de dizer o que para elesera a verdade. Um ser superior que ama as guerras, os infanticdios, queordena mutilaes genitais nas crianas, sem dvida no pode ser um deusbom. Por isso os Gnsticos o equipararam a satans. O consideravam umsatans criador. J sabemos qual foi o destino dos Gnsticos, de suasdoutrinas e de seus livros: queimados e perseguidos. Tal o destino de esteschamados hereges, como foi designado no curso da histria.

    Este mundo, criado pelo deus criador, pertence somente a ele. Todo omaterial que existe no mundo lhe responde, adora a ele, admira ele. Se essasdoutrinas que estamos relatando esto condenadas a serem perseguidassempre, logo, no vo apresentar grande xito. Somente uma minoria valentepode estudar, interpretar e afirmar tal doutrina. Esto em terra inimiga,aqueles que sustentam as idias Gnsticas antigas e eternas. Porm, a Gnoseest sempre presente neste mundo estranho que no lhe pertence. E estepensamento Gnstico, oposto ao estabelecido, o mais perseguido erechaado universalmente. Existem temas que no se podem tocar, existemcoisas que no se devem dizer, existem livros que devem desaparecer,pois vivemos em um mundo em que somente existe liberdade para dizerdois mais dois so quatro.

    Este mundo um campo inimigo para um Gnstico. Um Gnstico poderaparecer, dizer algo e desaparecer rapidamente, pois toda criao se voltarcontra ele automaticamente. Quantos anos pde pregar Jesus Cristo, segundoo mito cristo? Somente trs. Porm, desses trs anos, se originou umareligio exitosa que j leva mil anos sobre a Terra!

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  • Dizamos que este mundo um campo inimigo para um Gnstico, porquetodo o mundo material e todos os seres que o povoam so feitos de matriae o criador da matria no pode conceber algo diferente. Tudo que se oponhaao mundo material e seu deus criador perigoso e deve ser destrudo. AGnose, portanto, percebida como algo inconcebvel e horroroso que deveser eliminado.

    Os Gnsticos tm representado o deus criador com formas horrveis. Comformas de um plipo ou um rptil, com cabea de cervo, de javali ou de asno.Por isso algumas religies probem comer estes animais. Tambm orepresentam parecido com o baphomet demirgico, dos templrios e maons.Alguns o tem representado como um javali gigantesco, semi-dormido, como corpo cheio de olhos e que exala um aliento que o tempo, pois comodissemos, o tempo a conscincia desse deus criador.

    Este mundo no bom, sem dvida alguma. Os animais tem que digladiarentre si, destroarem-se, para poder comer e sobreviver. Os seres humanosnecessitam enganar uns aos outros em todas as ordens da vida, parasuperarem-se, para competir, para sobreviver melhor. Os animais herbvorosnecessitam destroar plantas, que so seres vivos tambm. Tudo se auto-destri e destri aos demais constantemente. E existem aqueles que chamamisto de perfeio ou equilbrio perfeito. Incrvel. Isto o inferno. No um sistema perfeito e muito menos, bom. um sistema em que cada umdeve destruir ao outro para poder sobreviver. Este o sistema criado, este o mundo criado por um ser superior: o deus criador ou demiurgo.

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  • 5. A cRIAO DO MUnDO

    J vimos que os Gnsticos afirmam que o demiurgo, ou deus criador, um ser bastante inepto e ignorante, que ignora os efeitos que ocorrero a cadacriao que vai realizando. Vai provando, vai avanando em sua criaoatravs do ensaio e erro. Tambm equiparamos os mitos da criao com oBig Bang da fsica moderna. Existe um extraordinrio livro escrito por OscarKiss Maerth, intitulado The Beginning Was the End (O Comeo foi oFim), onde est perfeitamente explicito este paralelo entre a gnese bblicae a fsica moderna e coincidem perfeitamente ambas as posies.

    Os Gnsticos diziam, por exemplo, que este deus um deus que se cansa,que necessita descansar no stimo dia e que isso no se parece a um deusimensamente perfeito.

    Os Gnsticos sempre afirmaram que o universo foi criado por umdemiurgo, por um criador perverso e malvado. Sempre se perguntaram porqu o universo to imperfeito. assim porque foi criado por um serigualmente imperfeito. O fez a sua imagem e semelhana. Outra coisainteressante nos mitos das distintas religies que o criador no est criandosozinho, o criador sempre diz faamos, como se fossem vrios criadorestrabalhando em grupo. Faamos isto, faamos aquilo, faamos umhomem, faamos-lhe uma companheira para que no fique s. Faamos,faamos. Por qu? Quem so os demais? Com quem est criando?

    So Agostinho em seu livro Sobre a trindade diz uma s vez muitoclaramente, com muito engenho e habilidade. O criador est dizendo

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  • faamos, est falando no plural, porque est falando de trs pessoasdivinas: o Pai, o Filho e o Esprito Santo, que so trs e um de uma s vez.Por isso deus fala no plural. Nunca mais Agostinho volta a falar neste tema.O deixa enterrado aqui de uma vez por todas.

    Para a Gnose, o demiurgo no est s em sua tarefa de criao material,de dar forma a distintos mundos, a distintos processos evolutivos, a distintosseres, a distintos entes que vai criando. Na ndia, por exemplo, chamam-sedevas, os devas construtores. So os anjos que ajudam na criao. Soinferiores ao deus criador porm esto com ele, ajudando-o. O deus criadordelegou tarefas a muitos desses anjos criadores. Isto se afirmava na antigaBabilnia e nas religies do antigo oriente. Inumerveis anjos criadores queajudavam o criador a desenvolver seu plano no mundo material, ou, comodiriam os Gnsticos, no mundo infernal da matria, ao qual ele vai criandoe dando forma.

    O deus criador o chefe, porm conta com uma legio de ajudantes, deanjos-demnios construtores que o secundam em sua criao e cumprem suasordens. Por isso no Gnesis ao criador se chama de elohim. Assim comea orelato bblico: Bereshit bar elohim (No comeo deuses criaram...), porqueelohim em hebreu plural, significa deuses, senhores. Os Gnsticosdizem que estes deuses so o demiurgo e seus anjos-demnios construtoresque, em milhares, milhes, em incontvel nmero, o ajudam em sua tarefade criao.

    Inclusive em sistemas religiosos opostos a Gnose, os quais enxergar aobra de criao do mundo como algo bom, se fala desses ajudantesconstrutores e das hierarquias em que esto divididos segundo suas funes.Existem escritos Teosficos atuais, como os de Blavatsky e Bailey, entreoutros, em que se encontram os nomes e cargos que ocupam. O regente daTerra, por exemplo, Sanat Kumara. Mudando as letras de lugar, apareceseu verdadeiro nome: Satn Kumara.

    Nome apenas ocultado, pois no devem os humanos conhecer, todavia, averdade, o futuro que o criador lhes tem reservado. melhor ento que onome deste representante no seja conhecido plenamente... por enquanto.Ainda no est preparada a humanidade para saber que o planeta Terra temum regente que um satn. Um satn inferior ao outro, ao grande, ao

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  • principal, ao mais importante desse sistema material criado, desse infernofinito, limitado e cheio de imperfeies que h logrado criar.

    Nos mitos Gnsticos, estes construtores satnicos que ajudam o demiurgoso representados com formas de animais monstruosos.

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  • 6. A cRIAO DO HOMEM

    Quase todos os mitos religiosos relatam que o homem foi criado porDeus, vindo do barro. A bblia diz claramente: E o senhor Deus formou ohomem do p do solo e soprou em suas narinas o aliento da vida e o homemveio a ser alma vivente. Aqui nos est sendo dito que deus criou o corpo ea alma do homem. Uma parte fsica e material, o corpo de barro, e uma parteanmica, o sopro do criador, chamada alma. Agora, se o homem fossesomente um corpo e uma alma, seria como um animal, um animal a mais.Um pouco mais inteligente que os outros, pode ser, mas internamente noseria muito diferente de um animal. Mais adiante veremos que o homem,depois se sua suposta cada, o homem como conhecemos agora, maisque um corpo e uma alma. Existe um Esprito no-criado, no criado pordeus, que foi aprisionado, ligado alma do homem. A bblia no diz, porquea bblia fala do criado por deus e deus criou o corpo e a alma. Porm ohomem tem um corpo, uma alma e um Esprito, assim afirmam os Gnsticos.Esse Esprito, no criado por deus criador, de onde veio? Por que est aqui?A resposta ser vista nos prximos temas.

    O homem no den, no paraso onde foi colocado por deus, no sabiaquem era, cumpria ordens. Por nomes nos animais, por exemplo, ser umaespcie de administrador, de representante do deus criador. Ali, nesse pomarque deus havia preparado para ele, o homem encontrava-se alheio, perdido,no sabia quem era, nem de onde tinha vindo. O homem tomou conscinciade quem era, se encontrou consigo mesmo, somente depois do que se chamoude pecado, depois da Desobedincia, quando comeu o fruto proibido e foiexpulso do paraso. J veremos tambm os motivos mais adiante.

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  • Deus criou o corpo e a alma, dissemos. Para os Gnsticos toda a criao satnica, m, proveniente de um satans criador, de um demiurgosatnico. Ento, no somente o corpo, mas tambm a alma do homem algo mau e satnico.

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  • 7. O DEUS IncOGnOScVEL

    Para os Gnsticos, acima do deus criador do mundo e do homem existeoutro Deus. O deus criador no o nico deus. H sobre ele outro Deus,infinitamente superior e perfeito. Este Deus, incognoscvel para o homem,est fora de toda esta criao infernal e impura. Nenhum homem podeconhecer a este Deus atravs de seu corpo e alma, imperfeitos e criados.Somente o homem que se libertou totalmente disso pode ter uma pequenaidia, um timo de intuio de que esse Deus que est fora do universofinito e limitado. Os antigos gregos o chamavam de Theos Agnostos, o DeusDesconhecido. Este Deus, para os Gnsticos um Deus no s desconhecido,mas tambm impossvel de conhecer, incognoscvel, pelo menos com nossaforma ordinria de ser neste mundo. Com um corpo e uma alma no podemoster a menor idia do que este Deus que est fora de todo este sistema e que infinitamente superior ao deus criador. Um Deus impossvel de conhecerdeste corpo e alma, deste universo criado de matria e tempo. Este Deus nopertence ao plano material mas sim a um anti-material. um Deus anti-matria, abominador do inferno material da matria criada, ao qual do nossoestado atual, no podemos conhecer, nem sequer imaginar. um mistriopara ns. Este Deus Incognoscvel como um fogo inconcebvel e inefvel.Ele o Deus Verdadeiro. Porm este Deus Verdadeiro, normalmenteinalcanvel, no pode manifestar-se nem atuar neste universo impuro eimperfeito, nestas dimenses infernais de matria e tempo criados. Somenteem casos excepcionais o Deus Incognoscvel pode penetrar nestas dimenses,atravs de algum enviado seu, com a finalidade de produzir alguma troca,com grande sacrifcio. Isto acontece somente em ocasies muito raras,quando se do as condies aqui, neste inferno material.

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  • 8. cORPO, ALMA E ESPRITO

    A Gnose afirma que o homem formado por trs substncias, por trselementos: o corpo, a alma e o Esprito. Vimos que o corpo e a alma foramcriados por um deus criador. Criou o corpo de barro e o dotou de uma alma,mediante um sopro sobre o nariz do homem. Tanto o corpo como a almaforam criados pelo demiurgo ou deus criador.

    Porm existe outro elemento no homem que no-criado, que no foicriado pelo deus criador. Um elemento que provm de outro mundo, de outroreino, do reino incognoscvel da anti-matria, que em nosso estado habitualno podemos sequer imaginar. Esta centelha anti-material, sem a qualnenhum ser humano pudera evoluir at chegar a ser o que agora, oEsprito. Sem Ele, nenhum ser humano teria se diferenciado jamais de umanimal comum. Esta centelha especial, no-criada, divina, proveniente doreino incognoscvel, denominada Esprito pelos gnsticos.

    Segundo a Gnose, este Esprito, que no pertence a este mundo, foraatrado e encadeado matria infernal, pra ser utilizado, para ser usado comoum agente impulsionador da evoluo material. Foi-se preso em cada homemuma centelha no-criada, para por em marcha todo esse processoevolucionrio que est dentro dos planos do deus criador. Utilizam-seEspritos divinos para impulsionar a evoluo deste plano de matria impura.

    O Esprito, totalmente anti-material, est preso, encadeado, aprisionadoneste inferno, sofrendo um tormento, que para ns no possvel imaginar. esta uma das torturas mais cruis que podem existir, estar amarrado a este

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  • mundo infernal da matria, a esse engendro criado ao qual chamamos decorpo-alma do homem, o qual tem sua razo de ser dentro do Grande Planodo deus criador. O Esprito se encontra encadeado contra a sua vontade e utilizado em cada ser humano para impulsionar a evoluo, para ocumprimento dos planos do deus criador. um terrvel tormento para oEsprito: aprisionado contra sua vontade, num mundo estranho e impuro,sendo usado como objeto descartvel para o cumprimento de um planodemencial. Veremos este ponto com mais detalhes mais a frente.

    Em outras palavras, o Esprito, a centelha anti-matria no-criada,proveniente do reino incognoscvel, est preso dentro de uma bolha, podemosdizer assim, de matria criada e est ali encadeado, crucificado na matria.

    Sustentam os Gnsticos que se no fosse pela utilizao do Esprito, ohomem nunca teria deixado de ser homindea. Nunca teria evoludo comofez. Vemos com que rapidez, em poucos milhares de anos evoluiu de formaacelerada, to diferente dos milhes de anos que viveu sendo pouco mais deum boneco.

    Tal o poder que provm do Esprito a este engendro criado, chamadocorpo-alma. Este Esprito est atado alma, se o homem morrer, se retirara alma e se levar consigo o Esprito atado a ela. No est atado ao corpo,est comunicado ao corpo, atravs da alma, seu encadeamento com a alma.A alma um sopro do deus criador sobre o homem, que o converte em almavivente. A alma o anmico no ser humano, no algo imensamentesuperior ou infinito, como o Esprito no-criado.

    Sobre estes temas existe muita confuso, por isso, atravs desta descriodas idias Gnsticas, estamos mostrando uma postura diferente das habituais,para que cada um tenha ao menos a opo de poder eleger, escolher algo queseja realmente diferente do resto.

    O Esprito est neste mundo, porm no pertence a este mundo. Nopertence a este mundo ilusrio de matria e tempo.

    Podemos deduzir que se esta centelha de fogo anti-matria, o Esprito,pudesse libertar-se de sua priso, seu comportamento neste mundo seria deuma imensa agressividade. Primeiro, porque anti-matria, desestabiliza a

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  • matria. Segundo, porque foi enganado de forma infame e encadeado contrasua vontade durante milhes de anos. Logicamente que, num nvel abstratode raciocnio, se esse Esprito pudesse libertar-se, a primeira coisa que fariaseria destruir. Destruir tudo que o rodeia neste mundo impuro, neste mundocriado, neste universo material do deus criador. No se trataria de maldade,seria um comportamento normal de algum que estivesse confinado em umapriso, injustamente e contra sua vontade. Enganado e contra sua vontade,dizem os Gnsticos. Aprisionado num mundo ao qual no pertence, em ummundo satnico de matria e tempo.

    Um dado interessante que, no comeo do cristianismo, se afirmava aexistncia destas trs entidades no homem: corpo, alma e Esprito. So Paulo,por exemplo, aceitava isso. So Agostinho tambm. Logo isso foi seperdendo, atravs dos conclios e decises papais da igreja de Roma. Acaboucomo hoje conhecemos: corpo e alma. Agora parece que a alma o divinono homem e no existe nada mais. O que aconteceu com o Esprito?Desapareceu. Chama a ateno que tenha ocorrido as coisas assim. Logovoltaremos a isto.

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  • 9. OS TRS TIPOS DE HOMEnS

    Dissemos que o ser humano est composto de corpo, alma e Esprito.Teremos assim trs tipos de homens segundo a predominncia em cada umdeles, da influncia do corpo, da alma ou do Esprito. Desde a antigidade,a Gnose dividia os homens desta forma, em fsicos, psquicos e Espirituais.So Paulo tambm os denominava assim. Os Ctaros, por exemplo,classificavam os homens tambm em trs classes: hlicos ou terrestres, nosquais predominava o corpo; psquicos, nos quais predominava a alma epneumticos ou espirituais, se predominasse o Esprito.

    Em uma das obras Gnsticas encontradas em Nag Hammadi, chamadaTratado Tripartido, encontramos a mesma diferenciao dos homensmateriais, psquicos e Espirituais.

    Julius vola, no seu livro sobre Yoga Tntrico, baseando-se nas tradiesda antiga ndia, classificava os homens em trs tipos, os quais tm as mesmascaractersticas que estamos vendo: pas, virya e divya. Pas significa animale se refere ao animal-homem, no qual se predominam o corpo e os instintos.O virya o guerreiro que luta por despertar, est mais ou menos confuso,porm luta para libertar-se deste mundo material e realizar-se em Esprito.Por ltimo o divya, o terceiro tipo de homem no qual seu Esprito j foiliberto e impera absolutamente. Constitui o homem perfeito nestaclassificao.

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  • 10. SATAnS, OPRESSOR

    O homem em seu estado normal est imerso na confuso, adormecido,no sabe quem , nem de onde vem, nem que destino o espera. No sabe oque deve fazer, est em um estado de confuso, como se estivesse entrenuvens, semi-adormecido.

    Quando falamos do criador do mundo, dissemos que para os Gnsticos ocriador, o demiurgo, o criador da matria, do universo e do homem, equiparado figura de Sat, pois a matria satnica, toda a criao satnica, o criador um ser satnico. Este criador opressor do homem.Desde que criou o homem, o obrigou a cumprir suas ordens, a obedecer seuspreceitos, seus mandamentos. Este criador deseja ser obedecido pelo homem,alm de ser admirado, temido, adorado, tudo atravs de sacrifcios e rituais.Quer impor ao homem suas leis opressivas. Quer que o homem o obedea eque renuncie a seus desejos, que muitas vezes so os desejos de seu Esprito,desse Eu Espiritual que, mesmo que os seres humanos ignorem, o levamdentro de si. O criador, segundo a Gnose, tem um projeto para sua criao,por algum motivo criou o universo e colocou nele o homem. Tem um planopara levar adiante e para isso necessita do homem. Porm, necessita que ohomem atue de acordo com os mandamentos de seu criador e no segundoos desejos de seu Esprito. O demiurgo no permite a manifestao doEsprito, encadeado na alma do homem. Deseja que o homem atue com aalma e no com o Esprito. Para isso necessrio oprimir o homem, assust-lo, preocup-lo. um deus inteiramente opressor de suas criaturas.

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  • 11. LcIFER, LIBERTADOR

    Segundo os mitos Gnsticos, Lcifer o Enviado do Deus Incognoscvel.Havamos dito que este Deus, o maior, inalcanvel e incognoscvel, nopode penetrar neste universo limitado de matria impura e satnica. Maspode enviar algum, Lcifer, segundo estes mitos. Somente com um supremosacrifcio pode um ser de fogo anti-matria, imensamente Espiritual, puro,penetrar no terreno infernal deste universo. Segundo as lendas e mitosGnsticos, o grande Deus Incognoscvel enviou Lcifer, anjo de fogo e luzinefveis, para iluminar os homens, para ajud-los a despertar e a conhecersua verdadeira origem, a origem de seu Esprito, perversamente aprisionadonessa matria impura chamada corpo-alma. um ser no-criado, que veioao mundo criado para trazer a Luz: a Gnose libertadora. O conhecimentosalvador capaz de despertar os homens e ajud-los a libertar seus Espritoscativos. O conhecimento apropriado para que o homem possa conhecer oque , conhecer a si mesmo, porque est aqui neste mundo e o que deve fazerpara libertar-se e se fazer Esprito, que pertence a outro plano, no-criado eincognoscvel.

    Lcifer veio ao mundo para despertar o homem, dissemos, para ajud-loa recordar sua origem divina, a origem divina de seu Esprito, para ajud-loa libertar-se do corpo-alma que o aprisiona e a libertar-se do tempo e damatria criados.

    Afirmam os Gnsticos que o mito bblico da criao pode ser interpretadoda seguinte maneira: o satans criador do mundo aprisionou Ado e Eva emseu mundo de misria e Lcifer, tomando forma de uma serpente, os ofereceu

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  • o fruto proibido da Gnose salvadora e lhes demonstrou que o criador osenganava. Efetivamente, o criador havia dito ao homem: ...da rvore doconhecimento do bem e do mal, no comers, porque no dia que delacomeres, certamente morrers. Por sua vez, disse a Serpente: Morrer, nomorrers; o motivo da proibio que Deus sabe que no dia em quecomerdes dela, vossos olhos se abriro e sereis como Deus, conhecedoresdo bem e do mal. Continua a bblia: E se abriram os olhos de ambos. Nodiz morreram ambos, diz se abriram os olhos de ambos, tal como o haviaanunciado a Serpente. Mais adiante, disse o criador: Eis aqui que o homemveio a ser como Ns, conhecedores do bem e do mal. O criador mentiu,disse que o homem morreria se comesse do fruto e o homem no morreu. ASerpente disse a verdade. O criador mesmo termina dando-lhe razo.Precisamente, os Gnsticos adjetivam o demiurgo com as caractersticas dementiroso, alm de plagiador. Para eles, a criao inteira uma tentativafalida do demiurgo de imitar o mundo incognoscvel. Assim mesmo, afirmarque a bblia um plgio completo, baseados em escritos anteriores daBabilnia e do Egito, principalmente.

    Esta Serpente Lcifer o libertador do homem e do mundo, segundo aGnose. a sabedoria libertadora que desperta e salva o homem. Com certezaeste Enviado do Deus Incognoscvel, Lcifer, um opositor e um inimigodo criador do mundo.

    Segundo os Gnsticos, o criador quer manter cativo o homem nesta esferalimitada, inferior e impura. Tambm proibiu ao homem contatar-se com omundo superior, representado pelo mito bblico pelo fruto da rvore dacincia do bem e do mal. Porm Lcifer, o Anjo da Luz, que com grandesacrifcio desceu a este inferno satnico para dar ao homens o fruto proibidoda Gnose, lhes abriu os olhos para que recordem sua origem divina e asuperioridade em relao ao criador. Antes da chegada da Serpente aoparaso, afirmam os Gnsticos, o homem se encontrava em um estado dedesconhecimento e de cegueira com respeito a sua verdadeira situao.Sustentam que Ado e Eva se encontravam num estado de servido, at quea Serpente Lcifer lhes abriu os olhos, dando-lhes a comer o fruto doconhecimento, que lhes fez recordar sua origem divina e perceber a situaoem que se encontravam.

    Com certeza, o criador expulsou Ado e Eva desse paraso onde lhes havia

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    A RELIGIO PROIBIDA

  • colocado, pois ele queria que os homens refletissem a ele, que fossem aimagem e semelhana dele, que cumprissem seus preceitos para parecer-sea ele e no ao Incognoscvel. Ele deseja que o Esprito permaneaadormecido para aproveitar sua energia e nada mais, impedindo que esseEsprito possa manifestar-se no homem e no mundo.

    Lcifer, libertador do homem e do mundo, foi chamado tambm deAbaddon, o Exterminador. Mas... Exterminador de qu? Exterminador damatria, porque lhe incomoda este mundo de matria e tempo. Comportar-se-ia como uma fora anti-matria hostil, de uma grande agressividade,porque odeia tudo o que criado, como tambm lhe incomoda os corpos eas almas dos homens, pois pertence ao plano no-criado do incognoscvel. exterminador, porm exterminador da matria, exterminador do impuro.Tal a lenda Gnstica de Lcifer.

    Agora podemos descrever que entidades no-criadas se encontram dentrodeste mundo criado.

    Primeiro, Deus Incognoscvel, que no est neste mundo, mas podeinfiltrar uma pequena partcula Dele, um Enviado. Este Enviado tambm no-criado, no foi criado pelo deus criador.

    Segundo, os Espritos aprisionados dos homens, os quais pertencemtambm ao mundo incognoscvel do no-criado e eterno. Segundo a Gnose,todo ser vivo tem encadeado a sua alma um elemento Espiritual no-criado:o Esprito. O Esprito encarcerado no homem totalmente superior ao dosanimais, plantas e outros seres vivos. to grande a diferena entre o homeme os demais seres vivos, como so diferentes os Espritos que se encontramaprisionados em seu interior. Os Espritos dos seres humanos so de umaelevadssimo categoria Espiritual.

    Terceiro, outro ente no-criado, inserido neste plano de criao, oconhecimento salvador e divino da Gnose. Conhecimento que veio de fora,que no foi elaborado dentro desse mundo.

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  • 12. A SERPEnTE DA SALVAO

    Dissemos que, segundo a interpretao Gnstica do Gnesis, o deuscriador havia aprisionado Ado e Eva num mundo de misria e os haviadotado de uma alma servil. Disse a bblia que depois de comer o frutoproibido, Ado e Eva se esconderam, envergonhados pela falta cometida.Deus chegou ao paraso e chamou Ado com estas palavras: Onde estais?.Deus parece comportar-se como um amo que chama a seu servente. Ao noencontr-lo, parece dizer: Onde estais? Onde se meteu? O que tem feito? Oque acontece que no estais aqui trabalhando?

    Este deus criador nos criou Ado e Eva, incapazes de distinguir o bem eo mau, o reino do criado e o reino do no-criado. Tambm os criou ignorantesde sua origem e do seu destino.

    Por que os havia criado assim? Segundo a Gnose, no queria o criadorque os homens conhecessem sua verdadeira origem.

    Este mundo foi criado contra a vontade do Deus Incognoscvel e o criadono quer que os homens saibam dessas coisas. No quer que se dem contaem que situao Espiritual se encontram, quem so, para que foram criados.Quer que permaneam na ignorncia. Por isso proibiu comer da fruta darvore do conhecimento. Pois assim se abririam seus olhos, despertariame se perguntariam quem so e de onde vem, em que situao esto e o quedevem fazer. Perceberiam que o den no um paraso, mas sim o contrrio.

    Na descrio que faz o Padre Leon Meurin em seu livro A Franco-

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  • Maonaria, quando comenta as interpretaes Gnsticas sobre o parasoterrestre e a Serpente do Gnesis, se encontram estas idias: Jehov no querque o homem conhea sua origem e seu alto destino. Proibiu-lhe todo contatocom o mundo superior. Quer que o homem reflita a ele, ao criador e no aoDeus Supremo.

    Mas o homem despertou, se fez conhecedor do bem e do mal. Como fezisso? A Serpente tentadora do den lhe deu para comer o fruto proibido queabriu seus olhos. Segundo os Gnsticos esta serpente Lcifer, aquele quetraz a Luz. Lcifer significa isso: Portador de Luz. Lcifer tomou forma deuma serpente para despertar aos homens. um enviado do Deus Supremo,o Deus Incognoscvel. um Enviado do Deus Verdadeiro, que penetrou nestemundo de misria, imperfeito e deficiente, para despertar e libertar o homem,para mostrar-lhe qual sua verdadeira situao e qual pode ser seu altodestino. Por esta razo, os homens que seguem os mandamentos do deuscriador vem a serpente como algo maligno e satnico e em meio de suagrande confuso, o equiparam a satans.

    Pelo contrrio, os Gnsticos vem a Serpente Lcifer como salvadora.Como algum que veio para salvar os homens, como um enviado do DeusVerdadeiro. Esta Serpente iluminadora que traz a Gnose, a verdade Gnsticaque permite descobrir o autntico e verdadeiro neste mundo de confuso,veio para libertar o homem. Lcifer o verdadeiro libertador do homem.Veio para libertar o homem da tirania de Yahv, da tirania do deus criador.Tm dado aos homens o conhecimento verdadeiro capaz de libertar-nos, oconhecimento que por si s liberta, que pode ajudar o homem a sair destemundo satnico, e regressar ao mundo de onde provm.

    Esta Serpente , para os Gnsticos, a Serpente da Salvao, a Serpenteque abriu os olhos dos homens, que lhes ofereceu a ma da emancipao,para ajud-los a despertar, orient-los a liberar-se deste mundo de misria ematria impura.

    Esta Serpente , para os Gnsticos, a Serpente da Salvao, que abriu osolhos dos homens, que lhes ofereceu a ma da emancipao, para ajudar-nos a despertar e liberar-nos deste mundo de misria e matria impura.

    O criador quis fazer o homem como os demais seres vivos, incapazes de

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  • distinguir entre o bem e o mal, mas pela ao da Serpente nos foi possveldespertar-nos e liberar-nos. Sem dvida, dizem os Gnsticos, esteconhecimento, esta Gnose, de que a Serpente Lcifer trouxe aos homens,produziu um grande distrbio csmico na criao, quo poderoso esseconhecimento. A Gnose produz mudanas em quem a recebe, em quem aescuta, porque no um conhecimento comum e corrente, umconhecimento que liberta.

    Existe um interessante livro cujo ttulo Atesmo no Cristianismo,escrito por Ernst Block, que nos oferece uma boa sntese de todo este aspectodo pensamento Gnstico, o aspecto relacionado com a Serpente libertadoracomo Enviada do Deus Verdadeiro.

    Os Gnsticos de pocas posteriores, nas origens do cristianismo, o quese chamou de Gnsticos Cristos ou Cristos Gnsticos, perceberam Cristocomo a Serpente do Gnesis. Isto foi assim porque Cristo, muito depois dossucessos no paraso terrestre, igual Serpente, veio a trazer uma mensagemlibertadora. Uma mensagem que liberta deste mundo impuro os homens.Segundo estes Gnsticos Cristos, se tratou de um conhecimento capaz decolocar os homens em contato com outro mundo, oposto ao do demiurgo: omundo incognoscvel do Deus Verdadeiro.

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  • 13. cAn, O IMORTAL

    Todos conhecemos o que ocorreu depois da cada do homem, segundoo Gnesis. Ado e Eva foram expulsos do paraso e tiveram filhos. PrimeiroCan e logo Abel. Todos sabemos que Deus no aceitava os sacrifcios quelhe dedicava Can e sim aceitava os de Abel. Ento Can, cheio de cimes,se lanou sobre seu irmo e o matou. Todos sabemos isso, sempre pensamosque mau foi Can, matou o irmo, que horrvel. Can era mau e Abel erabom, essa a interpretao que nos chega pelo judasmo, pelo cristianismoe pelo islamismo. Inclusive Santo Agostinho, quando nos d sua interpretaodo mito de Can e Abel, equipara Can com os judeus e Abel com Cristo.Disse Santo Agostinho que os judeus mataram Cristo, assim como Canmatou Abel. Santo Agostinho, como a maioria, continua a tradio de queAbel era o bom e Can era o mau.

    Est muito claro na bblia, Can castigado por Deus, desterrado. Isto visto como algo lgico e normal: Can mau e Abel bom. A interpretaoGnstica totalmente diferente, como vamos ver agora.

    Em primeiro lugar, a Gnose sustenta que Can no foi filho de Ado, queEva gerou seu primeiro filho, Can, com a Serpente, com Lcifer. A SerpenteLcifer fecundou Eva com seu aliento, sua fora de vontade. Ou seja, Canno foi um filho totalmente humano, nascido da carne. Teve algo Espiritualmuito grande, porque seu pai era Lcifer, proveniente do mundoincognoscvel do Esprito.

    Ao contrrio, Abel foi filho de Ado e Eva, ou seja, Abel foi um filho da

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  • carne.

    Temos agora uma primeira diferena entre ambos os irmos: Can superior a Abel. Can filho do Esprito e da carne. Abel, somente da carne.Isso, em primeiro lugar, agora temos que Can no algum mau, algumsuperior, algum importante, muito mais que Abel.

    Em segundo lugar, tanto Can como Abel realizam sacrifcios ao deuscriador para agrad-lo, ofertando-lhe coisas que agradam a ele. Can sacrificaelementos vegetais e Abel, animais, como cordeiros. Segundo a bblia, isto o que mais agrada o criador: o sangue do animal morto e o odor de carnequeimada do cadver. O criador, diz a bblia, gostava dos sacrifcios que lhededicava Abel e no os de Can. Parecia que Can no sentia muita vontadede agradar o criador, pois oferecia poucas sementes sem muita devoo,como se no estivesse realmente convencido da convenincia de realizarsacrifcios. Logicamente, os sacrifcios de Abel eram aceitos pelo criador eos de Can no. Can sentia repulsa aos sacrifcios dedicados ao criador, porsua origem, porque era filho de Lcifer, porque possua em seu interior acentelha divina do Anjo da Luz. Por isso no realizava bem os sacrifcios aocriador, repugnava-o faz-lo, pois no pertencia a este mundo criado. Abel,em troca, que no era de natureza Espiritual e sim animal, realizava bem ossacrifcios, os que agradavam ao criador.

    Uma antiga lenda nos relata o que Abel disse, certo momento, a seu irmoCan: Meu sacrifcio, minha oferenda, foi aceita por Deus porque eu o amo;tua oferenda foi rejeitada porque o odeias. Agora fica claro, como no odiarao criador sendo um filho do Esprito, se sua natureza Espiritual! Aqui ficabem claro. Todas estas lendas e mitos que rodeiam o gnesis nos dizemmuitas coisas. Atravs delas, nos damos conta que muita informao nos temsido tergiversada e ocultada. Tambm muito interessante outras palavrasque Can disse ao seu irmo. Em uma pequena frase est resumida toda asua oposio. Estas palavras so chaves: No existe lei, nem juiz!(Targumn Palestiniano, Gen., 4:8). Can est negando a autoridade do deuscriador e que deva render-lhe culto e obedincia.

    Posteriormente vemos que Can assassina seu irmo Abel. Isto algomuito profundo porque significa que o Esprito rejeita, destri, assassina aalma. Abel, representado como puro amor e devoo na bblia. Segundo aos

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  • Gnsticos representa a alma do homem. Can, pelo contrrio, orepresentante do Esprito, por isso sua hostilidade e seu dio. A hostilidadee o dio prprios do Esprito, pois o Esprito realmente se irrita com estemundo impuro, contaminado de mandamentos injustos e absurdos. Por issoa resistncia de Can a realizar sacrifcios, por isso sua desobedincia sordens do criador. Can e Abel so to opostos e irreconhecveis como so oEsprito e a alma.

    A alma amor puro, no Amor Verdadeiro, mas o que conhecemos comoamor, o que cremos que o amor, o que nos dizem que o amor, na realidade dio. O Esprito o contrrio, percebido como dio puro, hostilidade evingana. Ao ter sido encadeado a esta criao satnica somente pode sentirhostilidade e dio, do modo como percebem os homens ordinrios. OEsprito, que Amor Verdadeiro, somente pode sentir averso e nojo anteesta asquerosidade. Por isso deseja destru-la, porque para Ele a criao uma monstruosidade deformada que no deveria ter existido nunca. Isto oque simboliza o assassinato de Abel por seu irmo Can.

    Can, com todos seus atos, se emancipou totalmente do criador e de seuprprio corpo e alma. Atravs de seus atos contra o deus criador e contra seumeio-irmo Abel, se emancipou de uma vez e para sempre do deus inferiore de sua criao impura e defeituosa. Com seus atos se transformou em umopositor, em um inimigo eterno do demiurgo e de sua obra.

    Todo este episdio de Can e Abel, tal como est no Gnesis bblico e emlendas como as do midrash judeu, entre outras, tem sido interpretadas pelosGnsticos de uma maneira totalmente oposta a atualmente aceita.

    Depois de cometer seu Ato Supremo, diz a bblia que Can foiamaldioado por deus e expulso desse lugar. Amaldioado e expulso, omesmo destino da Serpente do paraso. lgico que assim aconteceria,porque Can havia se convertido em um opositor absoluto do deus criador,mas ocorreram outras coisas muito interessantes que vamos destacar aqui.

    Em primeiro lugar, vemos que Can foi amaldioado e exilado pelo deuscriador. Isso, que pudera parecer castigo, para um Gnstico o contrrio.Ser amaldioado e exilado pelo criador uma honra para um Gnstico. areao lgica do demiurgo frente a quem o tem desafiado e esbofeteado,

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  • frente a quem se fez igual ou superior a ele. Can foi exilado porque setransformou totalmente, se exilou com xito por si mesmo e j no pertencea este mundo, ainda que continue habitando-o. A bblia diz que o criador oexilou, porm Can um emancipado, um libertado em vida, que com seusatos maldisse o criador e se auto-exilou desta criao abominvel.

    Em segundo lugar, contam algumas lendas judias que o criador castigoupara sempre Can com a falta do sono, condenando-o a no poder dormir, viglia permanente. Para um Gnstico isso no um castigo, mas sim umtriunfo. Estar sempre desperto uma vantagem, uma virtude, um ganhoimportante. Can se auto-despertou, desobedecendo aos preceitos do criadore assassinando sua alma.

    Em terceiro lugar, a bblia diz que o criador protegeu Can, no permitindoque nada lhe fizesse dano ou o matasse. Este outro ponto muito interessante.Dizem os Gnsticos que o homem que se tem transformado em puro Esprito,ainda que siga habitando o corpo fsico, um imortal, um intocvel. Nadanem ningum pode causar-lhe dano, nada pode atac-lo, j no tem medo,pois est acima de tudo e j no morre mais, ainda que no seja mais um servivente como os outros. Est neste mundo porm fora dele. Est fora damatria e fora do tempo, j no faz parte da criao. um exilado destemundo por vontade prpria. O deus criador no pode causar-lhe dano, porqueCan se tornou superior a ele.

    Em quarto lugar, a bblia diz que o criador ps uma marca em Can, umsigno para que todos o reconhecessem e no lhe fizessem dano. Antigaslendas judias dizem que esse signo era um chifre na testa. Um chifre na testasignifica poder, o poder proveniente do Esprito, o poder que o distingue dosdemais homens. Essa dureza na testa significa que o Esprito foi liberadoe tomou posse do corpo, solidificando-o, Espiritualizando-o. Ningum psuma marca em Can. Can conseguiu por si mesmo. Quando isto ocorre, ahumanidade e toda a criao sentem. Todo Esprito liberto de sua priso damatria ter essa marca por toda a eternidade. Nunca ser o Esprito que eraantes do encadeamento da matria. Essa marca o corpo transformado, durocomo diamante, a quem o Esprito transformou em imortal e eterno. Esteser sua eterna lembrana, a prova de seu passo pelo inferno e seu triunfosobre ele.

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  • Podemos encontrar distintas snteses sobre a explicao Gnstica do mitode Can, no livro que temos citado do Monseor Meurin sobre a maonaria.Tambm em L dieu rouge, de Robert Ambelain e em Atheism inChristianity, de Ernst Bloch. Assim mesmo, no livro Los mitos hebreos, deGraves e Patai, existem dados interessantes. Tambm existe umainterpretao Gnstica muito profunda sobre esse mito, em uma estranhanovela que se tem divulgado na internet, intitulado O Mistrio de BelicenaVillca.

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  • 14. OS PLAnOS DO DEUS cRIADOR

    Segundo os Gnsticos, o deus criador tem muitos planos, que unidosconstituem seu Grande Plano: para isso, criou o universo e o homem. Paraalcanar seus objetivos, est levando adiante um experimento evolucionriono qual participam o corpo, a alma e o Esprito do homem. Vai ensaiando,vai provando e se obtm xito estende o modelo a todo seu universo criado,caso contrrio, anula este projeto e comea tudo de novo, como tantas vezesfez, para voltar a ensaiar outra coisa. E nunca conseguir uma cpia perfeitado que imagina ser o Mundo Incognoscvel, o que trata em vo imitar.

    Sem dvida, neste ltimo experimento, obteve um ganho, ainda queimperfeito, que tem sua particular importncia. Depois de milhes de anos,deu um passo notvel na evoluo de sua obra mxima: o homem. Depoisde milhes de anos de estancamento evolutivo em que o homindeo humanoviveu como animal, nos ltimos 30 mil anos, avanou mais que em toda suahistria. Os Gnsticos responsabilizam esta mutao ou criao, estegrande salto evolutivo, utilizao dos Espritos de grande pureza,provenientes do mundo no-criado.

    O deus criador modelou um corpo de barro e com seu sopro o dotou deum elemento anmico, a alma. A essa alma, a essa sopro do criador, foi presoum Esprito, o qual foi enganado e trado e assim encarcerado contra suavontade, nesse engendro satnico de barro e aliento: o corpo e a alma dohomem. a energia divina do Esprito preso que impulsionou eimpulsiona a evoluo do animal-homem!

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  • E, para que quer o criador que este ser evolua? Para se transformarpaulatinamente nele. Para isso elaborou seus mandamentos. Ele quer que ohomem se transforme nele, que se faa igual a ele, o criador. O corpo e aalma estariam muito felizes se isso acontecesse, porque, segundo o destino,so partes dele, mas no acontece assim com o Esprito. O Esprito tem outraorigem. Enquanto o Esprito estiver encadeado est tudo bem, vaiimpulsionando a evoluo. Mas, se um s Esprito se liberta, perturba-se todoo plano. Por isso to necessrio que a tirania do demiurgo seja absoluta,que todo conhecimento que possa despertar o homem, fazendo-o recordarquem realmente , seja proibido. Porque seria um conhecimento perigoso,to perigoso que poderia fazer com que o plano do deus criador entrasse emturbulncia momentnea. Segundo a Gnose, um s Esprito, nonecessariamente muitos, um s Esprito que possa libertar-se, subtrairia afora de todo este sistema e ainda subtrairia a energia que o deus criadorutiliza para seguir adiante com seus planos. Esse Esprito seria um salvador,um salvador do mundo e um salvador dos demais Espritos. Propiciaria aliberao no somente dos demais homens, mas tambm de todo o universo,das incontveis mirades de chispas divinas provenientes do mundo no-criado e eterno, que se encontram aprisionados aqui, nesta grande mquinacega, para faz-la funcionar e evoluir.

    Este sistema criado pelo demiurgo, no pode funcionar se no possuirestas partculas do mundo Espiritual escravizadas, aprisionadas aqui. Dizemos Gnsticos que se de todas essas partculas Espirituais, as que estoaprisionadas no ser humano so as mais importantes em categoria e empureza Espiritual, o demiurgo criou e armou todo isto e o impulsiona aevoluir.

    Para que evolua at ele, com o ser humano a frente de tal processo. Se oexperimento com o homem fracassar, utilizaria outra de suas criaturas evoltaria a tent-lo novamente.

    Dizemos que o demiurgo deseja que os homens evoluam attransformarem-se nele, at serem iguais a ele. Para que cada alma, alientodele, e cada corpo de barro possa regressar a ele, transformando-se nele. Este o objetivo final que o demiurgo tem reservado para o homem.

    Para tudo isso, lhe fundamental que o Esprito contribua com sua

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  • energia, sem poder libertar-se jamais. Para tudo isso, o demiurgo necessitaque os homens permaneam semi-dormidos e confusos. Para que sigamaproximando-se s cegas a Ele, at o criador, que com enganos e castigos osatrai para si. Para que todo este esquema funcione, necessrio que oshomens continuem crendo que o criador o nico deus que existe e que um deus bom.

    Afirmam os Gnsticos que se um homem chega a esse ponto evolutivoem que se funde com seu criador, nesse mesmo instante seu Esprito perdetoda possibilidade de libertar-se enquanto durar o universo.

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  • 15. MORTE E REEncARnAO

    Em todo este processo evolutivo que o deus criador idealizou e estimpulsionando, tem muita importncia a morte e a reencarnao dos sereshumanos. Quando um ser humano morre, morto j o corpo fsico, a alma separada do corpo levando consigo o Esprito encadeado, pois o Esprito estencadeado alma e no ao corpo. Est unido ao corpo atravs da alma.

    Depois da morte fsica, a alma se retira levando consigo este Esprito.Leva esse Esprito a outros planos e ali continua sendo castigada. Para osGnsticos, este mundo o inferno, est cheio de castigos e sofrimentos,desde o nascimento at a morte. Porm, depois da morte o sofrimentocontinua e pode inclusive ser mais intenso do que quando em vida. castigada a alma por todas as condutas que teve aqui na Terra enquanto estavano corpo fsico. O sofrimento continua. A alma golpeada, castigada,limpa dizem alguns, at que transladada a um novo corpo para continuaro sofrimento. Nada se salva do inferno, nem sequer com a morte. Quando aalma se separa do corpo fsico, segue sofrendo, s vezes mais do que antes.Continuam os espancamentos e castigos.

    E assim, atravs das sucessivas mortes e reencarnaes, vai se modelandoa conduta do ser humano. Engana-se os homens dizendo-lhes que estescastigos so para seu bem, que desta maneira os homens vo melhorando,evoluindo, vo ficando melhores, mais puros, mais santos, maisparecidos com seu criador. A seu satans criador.

    Perguntem a esse satans criador, a quem chamam Juiz Justo e Deus

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  • de Amor, por que morrem as crianas. Perguntem tambm por que foiinventado tantos vrus e enfermidades. Nada responder, porque alm deinjusto surdo e cego. Os Gnsticos afirmam que o criador se alimenta dasemanaes produzidas pela dor e dos prantos dos homens.

    Com os castigos, o demiurgo pretende que os homens se aperfeioempaulatinamente. Aperfeioar-se significa parecer-se cada vez mais com odemiurgo, o criador. Os castigos cessaro quando o homem se render ante ocriador e aceitar ser como ele, renunciando a seu Esprito.

    Isto o que acontece tambm quando um homem ou uma comunidadede homens decide fazer uma aliana ou pacto de sangue com o demiurgo,a fim de que seus sofrimentos diminuam um pouco. Nestes casos, o homemou grupo de homens envolvidos no pacto, se comprometem a renunciar aoEsprito em troca de poder e riquezas materiais. Esses homens renunciam aTudo, em troca de muito pouco. Devem estar muito loucos ou muitodesesperados para fazer um pacto de alianas com o demiurgo diablico.Estaro firmando sua sentena de morte Espiritual e sero desintegradosquando todo o criado desaparecer.

    O que devemos fazer para parecer-nos ao criador? Isso est escrito emtodos os Livros Sagrados, inspirados por ele. Ali est tudo o que devemfazer: adorar ao criador, amar ao prximo, no comer tal coisa,oferecer a outra face, etc., etc. Ainda que algum preceito carea de sentido,isso no importa, conquanto que os obedeamos, isso o suficiente.

    Est bem claro que o que o homem deve fazer para agradar ao criador. Oque ocorre que se trata de coisas difceis de realizar, pois cada homem temum Esprito preso em seu interior, que est gritando-lhe que se oponha aodemiurgo e no o obedea. Com certeza alguns homens escutam a voz deseu Esprito mais que outros.

    Para isso existem os castigos. Para isso existem as mortes e reencarnaessucessivas. Alguns homens necessitam ser mais castigados que outros paraserem vencidos.

    Atravs dos sofrimentos, chega o momento em que o homem se entrega,se rende, aceita ser como o criador da matria. O faz para que cessem as

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  • torturas, no por outra coisa. Mas ao renderem-se devero renunciar a seuEsprito. Devero anular seu Esprito para demonstrar ao criador que seuconvencimento absoluto, que sua converso no fingida. Ao faz-lo, seuEu Espiritual fica absolutamente anulado, a morte Espiritual. J noescutar mais a voz interior que lhe gritava para que se opusesse, que nuncase rendesse, que lutasse para sempre at ser livre e que ele apenas ouvia.Triunfa assim a alma, triunfa assim o demiurgo. Este homem se converteuem um santo, em um exemplo digno de ser imitado. Para o criador motivo de grande jbilo e alegria quando j no existe nada no homem quepossa ser reflexo do Esprito. Produz-se nesse homem um vazio que preenchido por deus. Esse homem se transformou em um representante dedeus na Terra, em um Deus vivente, igual ao seu criador. Esse um dosaspectos mais importantes do Grande Plano do deus criador. Para isso crioua matria e o tempo, para isso criou todo o universo, para isso criou o homem,para isso aprisionou Espritos Eternos.

    Quando o homem se fusiona com deus, ou se encontra em Deus, comodizem as religies, esse Esprito conclui sua funo ali. Porm, longe de serlibertado, ser amarrado novamente pelo demiurgo alma de outro homemque se encontre em um nvel evolutivo inferior, a fim de continuar utilizando-o nesse objetivo da criao: a fuso do homem com seu criador.

    Os Espritos somente sero libertos quando o criador decidir dar porencerrada sua criao, possivelmente dentro de milhares de milhes de anos.Talvez algum Esprito possa libertar-se antes, por seus prprios meios, pormisso muito difcil. O demiurgo, sabendo que a fuga de um s de seusprisioneiros seria catastrfica para ele e para sua criao, tomou muitasprecaues para que isso no acontea.

    Antes de tudo, para que este projeto funcione necessrio que os homenspermaneam dormidos. necessrio que nenhum Eu Espiritual possamanifestar-se e dizer no concordo, este no meu mundo, esta no minha vida, este no meu destino, este mundo o inferno.

    Temos dito que do sofrimento nada se salva. Nem ainda suicidando-nos possvel escapar dos castigos com que o satans criador infringe a suascriaturas. Corpos e almas pertencem ao criador durante toda sua vida e depoisde sua morte tambm. A nica soluo est na libertao do Esprito. Esta

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  • a tarefa mais difcil e importante que pode ser feita por um homemmediamente o despertar.

    Dizamos que o criador necessita que os homens permaneam dormidospara concretizar seus planos. Para tanto, qualquer homem ou livro queprocure despertar e libertar os Espritos, dever ser eliminado. Por isso todoeste saber, esta Gnose, tem sido perseguida e calada.

    O demiurgo necessita que os homens no despertem para conduzi-loscomo sonmbulos, atravs de sucessivas reencarnaes, a este pontoculminante da evoluo em que, cansados de tanto sofrimento, aceitemrenunciar a seu Eu Divino, a seu Esprito Eterno, para dissolverem-se emseu criador.

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    A RELIGIO PROIBIDA

  • 16. MAnVAnTARAS E PRALAYAS

    pergunta se a criao eterna ou vai desaparecer algum dia, a Gnosetem uma resposta: tudo o que foi criado desaparecer. O demiurgo criauniversos e logo depois os destri. Os rabinos dizem: O Senhor, benditoseja, cria mundos e os destri. Nos ensinamentos de Shankara encontramos:Como as bolhas de gua, assim os mundos nascem, existem e se dissolvemno Senhor Supremo., (Atmabodha, 8). A isto os hindustas chamam derespiraes de Brahma. Brahma o deus criador dos hindus. outro dosnomes do demiurgo.

    Com cada Big Bang comea uma nova criao do deus criador. aexpirao, seu aliento exalado para fora. Esta criao se expande at que eledecida colocar um fim, retraindo-a at um ponto inicial, reabsorvendo-a. Esta a inspirao, a absoro de seu aliento (literalmente, hlito). Quando acriao chega a seu fim e destruda, colocada a involuir, e o tempo comeaa correr para trs at desaparecer, h um longo perodo em que o demiurgono cria nada. Na ndia chamam esse perodo de a noite de Brahma. A cadaperodo de criao, segue-se um perodo de silncio csmico, no qual todoo criado levado para trs, contraindo-se at desaparecer. Depois que tudo destrudo, reduzido a nada, com outro Big Bang comear uma novacriao e assim indefinidamente.

    A cada tentativa do demiurgo, seguir-se- outra, perseguindoconstantemente uma perfeio que nunca chegar.

    Na ndia chamam manvantaras aos ciclos de criao e pralayas aos de

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  • destruio.

    Existe uma cano que muito comum em Israel e que chama AdonOlam (Senhor do Mundo), a qual tem um pargrafo que os faz pensarsobre esse descanso do criador quando destri sua obra. Dizem assim osversos: ... e quando tudo deixe de existir, ele s reinar em sua majestade.Se refere ao perodo de silncio do criador, quando j no sobre nada decriado.

    Quando toda a criao se derruba, o no-criado segue existindo comosempre porque eterno, no tem princpio nem fim. Pertence ao planoincognoscvel da eternidade. Somente o criado desaparece no pralaya.Somente o criado pode ser destrudo.

    Quando o demiurgo decidir destruir tudo o que foi criado, ou seja, quandoconcluir um manvantara, s ali so liberados os Espritos no-criados queesto permanecendo aprisionados na matria. Toda matria, todo corpo, todaalma sero destrudos. S o no-criado no ser alcanado por essadestruio, retornando ao mundo incognoscvel de onde provm.

    Os Gnsticos no querem esperar milhares de milhes de anos. OsGnsticos querem libertar-se agora, o quanto antes. E no somentelibertar-se. Pretendem terminar com esse sistema satnico, com asrespiraes do demiurgo, com seus planos demenciais, com o tormentodos Espritos prisioneiros, com as criaes e destruies sucessivas, asmortes e reencarnaes, com todo o criado, com todo o impuro e com edemiurgo tambm!

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  • 17. A GRAnDE cOnSPIRAO

    Em todas as pocas, as instituies religiosas e polticas do demiurgo naTerra conspiraram deliberadamente para eliminar, ou ao menos diminuir, aviso Gnstica onde ela aparecesse. Probe-se ou deforma todo o pensamentopor trs do qual possa haver algum vestgio da Gnose Primordial. Quoperigoso o conhecimento Gnstico para os planos do demiurgo. Oocultamento da Verdade forma parte do plano orquestrado para que oshomens no possam despertar e muito menos rebelarem-se. Trata-se paraque os seres humanos permaneam confusos, enganados e adormecidos, paraque nunca cheguem a imaginar quem so realmente e em que situao seencontram. Trabalha-se para que nunca conheam a verdade do que ocorreu,nem em que consiste seu presente, nem qual ser seu futuro. Pretende-se quenenhum homem possa jamais conhecer as respostas corretas s trs perguntasfundamentais: Quem sou eu? Por que estou aqui? O que devo fazer?

    Mas a Verdade nunca desaparece. Perseguida e ocultada, sempre lutarpara sair luz. O pior que pode ser feito com a Verdade proibi-la.Produzir-se- o efeito contrrio: surgir com maior fora e violncia. Oque a primeira coisa que deveriam ocultar?

    Em primeiro lugar, seria necessrio eliminar a idia de que mais alm dodemiurgo ineficiente, existe outro Deus, superior a ele e infinitamenteperfeito.

    Para poder escurecer esta parte da Verdade Gnstica se tem inventado aidia de que o deus criador e o Deus Incognoscvel so a mesma coisa, que

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  • juntos formam o nico deus existente: o demiurgo, criador do cu e da terra.

    No comeo do cristianismo, o grande mestre Gnstico Marcin deixoubem claro: o deus do antigo testamento no o Deus do novo testamento.So deuses diferentes. O primeiro um deus que aplica a lei e castiga,enquanto o outro um Deus de amor que sempre perdoa. Ambos soinconciliveis.

    O se pode fazer para ocultar esta informao? Foi Orgenes que teve abrilhante idia: No existem dois deuses diferentes, um justo e outro bom. o mesmo Deus, que justo e bom. Esta foi a maneira que o demiurgoencontrou para ser bom e perfeito.

    Em segundo lugar, foi eliminado tambm, desta forma, a diferena entreo mundo incognoscvel e o mundo criado. Tudo aquilo que se refira existncia de dois reinos irreconciliveis, ser taxado depreciativamente dedualista, como se descrever a realidade desta maneira fosse algo mau. Osconspiradores reduziram tudo a um s reino: o reino do demiurgo.

    Em terceiro lugar, se o demiurgo bom e perfeito, em quem podemoscolocar a culpa de todo mal que existe hoje no mundo? Se os atributos doDeus Incognoscvel foram transladados ao demiurgo, o que fazer com osatributos demirgicos de maldade e incompetncia, de plgio e de mentira?

    Por isso se recorreu inveno de que o demiurgo no satans, satans outro. O demiurgo tornou-se bom e perfeito, foi despojado de sua roupagemsatnica. Todo mal provm agora desse novo satans que exterior a ele, aodemiurgo. O mal do demiurgo foi transferido para fora, a um satansdiferente do criador. Agora este novo satans que gosta de sangue, do odorda carne queimada, dos escravos, das guerras, dos rituais, dos sacrifcios, dasconspiraes e dos genocdios. Agora este novo satans que se agrada comos homens , que se postem ante ele, que o adorem e que faam alianas oupactos de sangue com ele, em troca de poderes ou riquezas materiais. fcildescobrir que todas essas caractersticas que satans tem hoje, tm sidotomadas do deus criador da bblia.

    Assim, teremos isto: Deus Incognoscvel no existe, seus atributos foramtransladados ao demiurgo, e os atributos do demiurgo foram transladados a

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  • um satans exterior a ele. O que falta agora nesta grande conspirao, nestagrande trapaa? Falta encontrar algum a quem possamos transformar nessesatans. Deve ser algum a quem tenhamos muito dio, pois a figura dosatans o mais indigno que possa conceber-se.

    Em quarto lugar, assim surgiu a ocorrncia ponto alto desta conspirao:algum vislumbrou que o mais apropriado seria divulgar que esse satansmaligno no outro que Lcifer. Desta maneira, no s o demiurgo foilimpo de sua natureza satnica, como foi distorcida a figura de Lcifer. OAnjo da Luz, enviado pelo Deus Incognoscvel para salvar os homens, veioa transformar-se em um monstro cuja funo a de manter os homensescravizados. Esta genial idia foi dos representantes do demiurgo na terra edemonstra um vingana contra Lcifer, o inimigo eterno do satansverdadeiro.

    De duas entidades opostas e irreconciliveis, o deus criador e o DeusIncognoscvel, foi feita uma s: o demiurgo bom e nico. De dois mundoopostos e irreconciliveis foi feito um s, que bom: o do demiurgo. Damesma forma procederam com outras entidades opostas e irreconciliveis:Lcifer e satans, o Enviado do Deus Verdadeiro e o satans criador damatria e do tempo. Os transformaram numa s entidade: o Lcifersatnico. Assim conspiram contra a verdade os charlates do demiurgo.

    At o dia de hoje, persiste esta crena de que satans e Lcifer so uma ea mesma coisa, a quem tambm chamam de diabo. No Novo Testamento jse encontra estabelecido que Lcifer igual a sat (Lucas, X-18) (Corntios,XI-14). Inclusive Monseor Meurin, na sua obra que temos citado, incorrenesta mesma confuso: denomina o demiurgo Jehov-Lcifer e noJehov-Satans, achando estar correto em sua linha de raciocnio. E seMeurin, um telogo to renomado dentro do catolicismo romano cometeueste erro, o que podemos esperar do homem comum?

    Em quinto lugar, como se pode desvirtuar a idia Gnstica de que estemundo criado o inferno e que o cu o plano do Deus Incognoscvel? Osconspiradores elucubraram o seguinte: afirmaram que este mundo no oinferno, o inferno est fora, longe daqui. O inferno seria um lugar de castigospara quem desobedea o demiurgo, durante sua vida aqui na Terra. E quecaractersticas teria o inferno? A algum ocorreu que as caractersticas

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  • prprias do mundo incognoscvel poderiam servir muito bem como cenriopara este novo inferno. Se Lcifer, o Portador da Luz, um ser de fogo a quemse representa envolto de chamas, satans, ento podemos dizer que esteinferno seria um lugar cheio de fogo. Um lugar onde so queimados ospecadores. Segundo os Gnsticos, o reino incognoscvel efetivamenteum fogo anti-matria que incomoda esta criao impura e se pudesse aaniquilaria, mas para eles esse fogo algo bom e desejvel, nada satnico.

    Em sexto lugar, o Esprito foi outra das coisas que consideraramimportante eliminar, ao menos deform-lo at torn-lo irreconhecvel. Osrepresentantes do demiurgo na Terra no podiam permitir que, depois detodas as adulteraes, persistisse a crena de que existe algo no-criado edivino dentro do homem. Tinham que eliminar o Esprito tambm.

    J vimos tambm que para os Gnsticos o homem est composto de trspartes: corpo, alma e Esprito. O corpo e alma foram criados pelo demiurgo,enquanto que o Esprito foi capturado do plano do no-criado e eterno e nopertence a esfera de criao. A alma e o Esprito, as entidades no visveispara o olho humano comum, so perfeitamente opostas e irreconciliveis. Aalma foi criada pelo demiurgo, o que anima o corpo, o que anima, oanmico. A alma somente anseia unir-se a seu criador, fundir-se com ele. OEsprito, pelo contrrio, um prisioneiro neste mundo estranho, que no lhepertence e que para Ele um inferno. Ele deseja somente libertar-se e voltarao mundo incognoscvel de onde provm. Para o Esprito, o corpo e a almaso to horrveis como a matria e o tempo.

    Para o demiurgo e sua criao, necessrio e fundamental que o Espritopermanea amarrado a alma do homem. Seu projeto evolutivo no pode abrirmo dos Espritos encadeados na matria. Mas uma coisa importante: odemiurgo deseja que isto permanea em segredo, que os homens jamaispossam perceber que possuem em seu interior uma chispa no-criada roubadade outro mundo.

    Ento, para eliminar a idia Gnstica de Esprito, os agentes do demiurgona Terra tiveram a engenhosa idia: de duas entidades, opostas eirreconhecveis, haveria somente uma. Do Esprito tomariam todas suascaractersticas divinas de perfeio e pureza. Somente omitiriam seu aspectono-criado, pois se os homens descobrirem que tem algo no-criado em seu

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  • interior, comeariam a fazer perguntas, e isso no bom. Todas as virtudesdo Esprito seriam transladadas a alma, que assim, de satnica passaria a serperfeita. J no voltaria a falar mais de Esprito no-criado. Agora ficariaapenas uma entidade no corpo humano: a alma divina e perfeita criada porDeus.

    Dissemos que, no comeo do cristianismo, os primeiros telogos cristos,Santo Agostinho, entre outros, se referiam sempre ao corpo, alma e Espritodo homem. Mas com o passar dos anos isto foi desaparecendo. O Espritofoi se transformando, primeiro em intelecto, logo em sinnimo de alma,at que um belo dia se decidiu eliminar por completo o Esprito como parteconstituinte do ser humano, restando somente corpo e alma. A conspiraoteve xito: conseguiu que os homens se esquecessem do Esprito.

    E no somente no cristianismo, mas em todas as religies do demiurgose fala exclusivamente de corpo e alma como os nicos constituintes dohomem.

    No somente se conseguiu eliminar quase que totalmente a idia de algono-criado dentro do homem, mas tambm obtiveram o mesmo xito parcialcom a idia de que existe um prisioneiro injustamente encarcerado nele. melhor que ningum saiba por que foi aprisionado o Esprito, pois os homenscomeariam a perguntar-se coisas e at alguns poderiam despertar. melhorque continuem com sua cegueira, falando de temas menos perigosos comoo futebol ou o sexo.

    Em stimo lugar, para distorcer a afirmao Gnstica de que esta criao imperfeita devido ao fato de que seu criador um ser imperfeito, osconspiradores deveriam aguar ainda mais seu gnio satnico. A imperfeiode todas as coisas deste mundo algo to evidente e palpvel que impossvel negar. Por mais idiotizados que estejam os homens, jamaisadmitiriam que este mundo um paraso.

    O que fazer ento? Como justificar que um demiurgo perfeito criousemelhante monstrengo? Alm do que, os Gnsticos opunham a criaoerrnea, realizada por um demiurgo plagiador e ineficiente, ao reino no-criado e eterno de Deus Verdadeiro. Como fazer para eliminar estas perigosasidias? Ocorreu-lhes uma soluo que aboliria a idia de mundo no-criado

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  • e imperfeito, ao passo que derrubariam as suspeitas de que um demiurgoinexperiente,como criador do mundo. Esta soluo seria til tambm parajustificar o inocultvel: a impureza e imperfeio do mundo criado. Queengano pregaram desta vez? Veremos logo.

    Todos os atributos que caracterizam o reino de Deus Incognoscvel foramtransladados a criao do demiurgo, no a esta criao, mas a outra anterior.Uma suposta criao do demiurgo que era, essa sim, perfeita e pura. Ou seja,o demiurgo, dito perfeito, foi capaz de criar um mundo perfeito e puro. Ataqui, notamos que j no h lugar para o Deus Incognoscvel e seu reino,uma vez que o demiurgo, dito agora perfeito, realiza obras perfeitas. Mas, oque ocorreu para que toda essa criao perfeita tenha se convertido em algoto imperfeito como agora? Aqui est a genialidade dos apstolos doengano: a criao se transformou em impura e imperfeita por culpa dohomem. O criador, um ser perfeito, fez o mundo perfeito, mas o homem oarruinou. O paraso era perfeito, mas o homem e a Serpente Lciferdestruram essa perfeio, caindo com ela.

    Temos ento um criador perfeito e bom que realizou uma obra boa eperfeita. Toda sua criao, a matria, o tempo, o homem, eram bons. Oparaso era um lugar perfeito e o homem vivia feliz ali. Tudo isso caiu e sedegradou por culpa da desobedincia do homem. Afirmar que o homem tema culpa do pecado original e da cada, tem sido uma das mais vis idiasconcebidas contra o Esprito e contra o Deus Verdadeiro. Responsabilizou-se o homem pela incompetncia do criador e pelas deficincias de sua obra!

    J vimos que no paraso o homem no era mais que um servo ignorante.Ignorava tudo acerca de si mesmo e de seu criador, como parece ignorartodavia. No sabia que existia outro Deus, imensamente superior ao deuscriador. No sabia que mais alm de seu corpo e de sua alma, tinhaaprisionado um Esprito. No sabia at que despertou e pode rebelar-se.

    Para a Gnose, o nico pecado original que existiu foi cometido pelodemiurgo ao encadear Espritos Eternos alma perecvel do homem. Para aGnose, a nica cada que existiu, propiciada pelo demiurgo, foi a cada dosEspritos no mundo infernal da matria.

    Passamos os sete principais ocultamentos e desvirtuaes, realizada

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  • contra a Gnose pelos serventes do demiurgo na Terra. Agora veremos osmeios de que se valem estes conspiradores para impor melhor suasfalsificaes.

    O objetivo varrer com todo conhecimento que se refira ao no-criado,ao despertar do homem, a libertao dos Espritos e a rebelio contra odemiurgo. Esse conhecimento no-criado a Gnose, absolutamente perigosapara a Ditadura Universal Satnica. Pretende-se eliminar o saber Gnsticoporque a mxima ameaa contra o demiurgo e sua obra.

    Sua estratgia a seguinte: deve ser destrudo tudo o que se oponha aosistema criado pelo demiurgo, e o que no possa ser eliminado deve serdistorcido e corrompido at torn-lo irreconhecvel.

    Stalin, agente demirgico, dizia: se no podes estrangular teu inimigo,abraa-o. assim operam contra a Gnose os agentes corretores do demiurgo.Se no se pode proibir algo, o abraa, rodeia-o pra asfixi-lo, transformando-o em algo inofensivo. E no somente inofensivo, o conhecimento assimneutralizado e transformado muitas vezes posto para trabalhar a servio dodemiurgo mesmo. o caso das religies que em seus incios foramrevolucionrias e opostas ao demiurgo, as quais logo foram infiltradas,deformadas e postas ao servio do demiurgo, convertendo cada uma delasem uma religio demirgica a mais. o caso, por exemplo, do cristianismo,budismo e tantrismo, dentre outras. Foram convertidas em religiesperfeitamente opostas ao que foram em seus comeos.

    Trata-se de que nenhum conhecimento possa cair fora do controleditatorial do demiurgo. Procura-se que nenhum elemento proveniente domundo no-criado possa por em perigo a obra e os planos do demiurgo.

    Algo que continua acontecendo queimar livros perigosos. Com certezaque isto realizado em segredo. Os tempos mudaram e nas ditadurasdemocrticas modernas a destruio de livros levada a cabosubliminarmente.

    J no se queimam em pblico, agora os livros so compradosindividualmente e entregues a algum agente ou autoridade religiosa queproceder sua destruio. Quando possvel, se compram edies inteiras

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  • com esse fim, e o mesmo fazem com os direitos do autor. Existem outrosmtodos, mas somente descrevo os que pude comprovar diretamente. Possuouma ampla lista de livros e autores que caram nessa sorte, os quais nofiguram entre as listas oficiais de livros perseguidos ou desaparecidos.

    Tambm acontece de se perseguir ou castigar os autores desses livros. muito comum que sejam ameaados, cercados ou perseguidos de diversasformas. So freqentes os roubos de manuscritos (conheo vrios casosdestes), sabotagens durante a impresso, etc. Por escrever livros opostos aosistema demirgico, muitos autores tem sido desprestigiados, encarceradosou levados a manicmios, e no somente em pases comunistas, pois nasditaduras democrticas acontece o mesmo.

    Muitos autores recalcitrantes morreram misteriosamente, de enfermidadesou acidentes estranhos, nunca exaustivamente investigados. Atualmente, osesquadres de extermnio do demiurgo, dispe de meios imensamenteeficazes para disfarar seus homicdios. Tal tem sido geralmente o destinodos grandes rebeldes e opositores ao demiurgo e sua obra. Nesse mundocriado, o demiurgo e seus agentes tem todas as vantagens para ganhar, poiseste seu reino: o reino do demiurgo. Este reino , para o Gnstico, todo ocontrrio: o campo inimigo onde ele deve atuar, lutar. Todo, absolutamentetodo o criado estar contra ele. A guerra do Gnstico, portanto, dever serda mesma maneira: total.

    Tomemos o caso de Maniqueu, um grande mestre Gnstico fundador dareligio maniquesta, a que Santo Agostinho pertenceu durante nove anos.Maniqueu existiu realmente, no se trata de um personagem fictcio de maisuma religio demirgica .

    Temendo que seus ensinamentos fossem distorcidos, Maniqueu escreveuvrias obras, as quais foram perseguidas e destrudas ou ocultadas durantesculos. Quando se acreditava que tais obras estavam perdidas para sempre,foi encontrada toda uma biblioteca maniquia na China, no sculo XX. Issofoi um milagre como em Nag Hammadi. Estiveram ocultas quase quinhentosanos.

    Maniqueu, que jamais renunciou sua pregao, foi perseguido,encarcerado e torturado at a morte por sacerdotes do demiurgo na antiga

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  • Persa. Uma verso diz que Maniqueu foi escalpelado vivo. Arrancaram-lhea pele e a encheram com palha para ser exibida nas portas da cidade, comoadvertncia aos inimigos do deus criador. Outra verso sustenta queManiqueu foi escalpelado depois de morto. Fortemente imobilizado porcorrentes, viveu vinte e seis dias de intensos sofrimentos e morreu. Por istose fala de crucificao de Maniqueu. Assim como o demiurgo encadeia osEspritos, assim os serventes do demiurgo encadearam Maniqueu. MasManiqueu no era um homem comum. Maniqueu foi um liberto em vida. Atortura e morte no podem afetar a quem tem realizado seu Esprito, aocontrrio, lhes produzem risadas.

    Tomemos outro caso entre muitos, o de Zeno de Ela. Encarcerado eamarrado, durante as torturas a que era submetido, Zeno disse ao torturador:Aproxima-te e te direi ao p do ouvido o que queres saber. Quando otorturador se aproximou, Zeno lhe arrancou a orelha com os dentes. Otorturador, enlouquecido, disse que lhe aplicaria torturas mais fortes aindaat obrig-lo a renunciar suas concepes. A resposta de Zeno foi a seguinte:cortou sua lngua com os dentes e a jogou aos ps do torturador.

    Como pode chegar-se a crer que para um homem como Zeno, realizadoem seu Esprito, poderia importar-lhe o que sucederia a seu corpo e a suaalma! Esse torturador, para Zeno, s pode ter sido um pobre palhao. Atortura e a morte antes de retratar-se: assim so os Guerreiros de Esprito.

    Na gigantesca ditadura do demiurgo e seus seguidores, h outro tipo deameaa: os castigos oferecidos pelo prprio demiurgo. Os livros sagradosdas religies de demiurgo esto cheios destas advertncias: o castigo de Adoe Eva, o dilvio universal, Sodoma e Gomorra, a torre de Babel, as pragasdo Egito e muitas mais.

    Para que servem os castigos, alm de eliminar os opositores? Porquetantas ameaas e advertncias? A resposta simples: para infundir o medo.O medo do castigo faz que os escravos trabalhem melhor e renunciemescapar. Um escravo com medo mais obediente e submisso. O medo docastigo o meio que utiliza o demiurgo para fazer que os homens transcorramsua existncia submetidos a ele, obedecendo seus mandamentos. Para odemiurgo, o melhor escravo aquele que teme e obedece melhor. Ele desejaque seus escravos desperdicem suas vidas trabalhando para sua causa,

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  • pensando que quando morrerem vo para o cu. Esse o escravo perfeitopara o demiurgo. Ele deseja que os homens envelheam sem rebelarem-se,sem despertar, sem libertar seu Esprito. Para isso serve o medo e para issoa conspirao: para que nunca possam achar o caminho de Libertaoe do Retorno.

    Na ditadura do demiurgo, os homens somente tem liberdade para escolherentre vrias coisas iguais. Entre vrias coisas que so a mesma coisa, mascom disfarces diferentes. Existe liberdade de pensamento desde que no secontradiga o pensamento politicamente correto, imposto pelosrepresentantes do demiurgo.

    Tomemos o caso das religies. Parecem todas diferentes, mas no so.So a mesma coisa, somente diferentes nas suas aparncias. O chamemBrahma, Baal, Yahv, Jehov, Moloch, Deus Pau ou Al, sempre o mesmo:o demiurgo.

    Pretende-se dar uma falsa impresso da diversidade, para que o homemdormido creia que h uma variedade de caminhos, com destinos diferentes eliberdade para escolher entre eles. Inclusive existem homens que mudam deuma religio a outra, crendo que com isso fazem uma grande mudana.

    Ren Guenn, por exemplo, levou anos de estudo e meditao para tomara deciso de abandonar o cristianismo e para ingressar na maonaria e nomartinismo, para logo renunciar a tudo isso e converter-se em muulmano.Ele acreditava ter dado saltos imensos com essas mudanas, mas a nicacoisa que fez foi dar voltas em crculo dentro do seu labirinto. E se Guenn,erudito nesse temas, teve semelhante confuso, j pode imaginar o que serdo homem comum.

    O caso do Santo Agostinho o mais pattico de todos. Pertencendo aomaniquesmo em qualidade de ouvinte, e a ponto de conhecer Maniqueupessoalmente, resolveu abandonar tudo e converter-se ao cristianismo. Comsua ao, Agostinho rechaou ao Incognoscvel e ao Esprito, optando pelodemiurgo e pela alma. Ops-se ao radical ascetismo maniqueu, paraencolunar-se atrs da nova religio, mundana e imperial, de Constantino: ocristianismo.

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  • Existem pessoas medianamente despertas que, temerosas de passar suavida dormindo, buscam desesperadamente uma sada no labirinto em queesto imersas. Por desgraa, a maioria ignora que as opes que aparecemante seus olhos so a mesma coisa, somente com roupagens diferentes. Oobjetivo de tudo isto que nunca possam encontrar a sada, que nuncapossam dar-se conta que as religies, como os partidos polticos, so a mesmacoisa com diferentes rostos, todas sob o controle do demiurgo.

    O Dalai Lama disse h anos que no deveria existir uma s religio, masum supermercado de religies. esta a melhor maneira de fazer com queos homens acreditem que esto rodeados de uma diversidade de opesdiferentes, e que quando escolherem obtero algo que distinto do resto.

    A finalidade destas religies manter o homem adormecido,conduzindo-lhe s cegas ao matadouro final: sua fuso com o demiurgo.

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  • 18. LUZ E EScURIDO

    Desde milhares de anos os hindus vm dizendo que toda a criao, todoo criado, Maya, iluso pura, engano. Visto dos olhos do Esprito, toda aobra do demiurgo no existe na realidade, no mais do que uma grandementira. O mundo criado, tal como percebido pelos sentidos, um grandeobstculo que separa o homem do mundo verdadeiro. E no somente pelosenganos da matria esto extraviados os seres humanos. Ao engano damatria, criado pelo demiurgo, deve somar-se o engano da cultura, criadopelo homem e a servio do demiurgo. Todos os estmulos culturais, com que bombardeado o homem continuamente, tendem a mant-lo em um estadode confuso e letargia. Livros, revistas, jornais, cinema, televiso, so osmeios de que se valem os representantes do demiurgo para que os homenscontinuem hipnotizados e obedientes. Para que prossigam atuando comosonmbulos, trabalhando, dormindo, perdendo tempo, desperdiandooportunidades. Sem despertar jamais, como perfeitos zumbis ou Golensdo demiurgo, servindo a um fim que no o do Esprito.

    Toda esta grande confuso, este grande Maya que provm da criao eque continuada pela cultura, transmitida, por sua vez, pelos pais a seusfilhos e logo pelos professores nas escolas. Assim aniquilado, desde que ohomem nasce, at o menor trao de Esprito. Atravs de castigos, ameaas elavagens cerebrais, so anuladas toda rebeldia, desobedincia, oposio etudo o que provenha do Esprito. Transformando a seus filhos em mquinasde obedincia cega, os progenitores satnicos formam os futuros escravosdo demiurgo.

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  • Em meio a esta grande confuso, os homens crem saber o que bom eo que mau. Crem tambm que fazendo o que chamam de bom e evitandoo que chamam de mau, esto cumprindo com todo seu dever. No sabemquo confusos esto, no sabem que vivem no erro, no sabem quecontinuamente se auto-enganam e enganam aos demais. No sabem por queesto dormidos, porque lhes foi lavado o crebro, porque lhes anularam oEsprito desde seu nascimento. A maioria dos homens chamam de luz o que a verdadeira escurido e a Luz Verdadeira a percebem como trevas.Chamam bem a todo o satnico proveniente do demiurgo e a tudo o queprovm do Deus Incognoscvel, chamam de mau.

    Existem duas foras opostas atuando fora e dentro do homem: o criadore o Incognoscvel, o criado e o No Criado, a alma e o Esprito. Uma delasrepresenta o mal e a escurido, a outra o Bem e a Luz. fcil imaginar quaissero as posies de um Gnstico e as de um homem perdido.

    Diz-se que toda a histria humana pode ser explicada como a luta entre aluz e a escurido, mas qual luz e qual escurido? A maioria dos sereshumanos desconhece que passa sua vida lutando a favor do mal verdadeiro.O que os homens chamam de luz a luz criada pelo demiurgo, pois noconhecem uma luz superior a esta. a luz que provm do mundo criado eque para o Esprito uma escurido insondvel. Os homens chamam de luza escurido que provm do demiurgo e de sua criao demonaca. Chamamde verdade a Grande Mentira, o Grande Engano, o que podemos denominarde a Grande Piada.

    Existe outra Luz, superior, inconcebvel, incognoscvel: a Luz NoCriada, que provm do reino do Deus Verdadeiro e Desconhecido. O queocorreria se essa Luz irrompe-se neste universo impuro? Os homens secegariam. O que veriam? Veriam uma luz? No, veriam a noite. Seus olhosno esto preparados para contemplar essa Luz infinitamente pura e perfeita.Assustar-se-iam, temendo, com seu corao, serem destrudos por ela. Entoa essa luz, chamariam de o mal, a escurido, como ocorre com tudo que visto com os olhos impuros, do corpo e da alma do homem e no com olhosdo Esprito.

    Esta confuso entre escurido e Luz, a mesma confuso que existe entreo deus criador e o Deus Incognoscvel, entre o criado e o No Criado, entre

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  • a alma e o Esprito. Por isso, sem saber, os homens chamam de luz aescurido verdadeira e a Verdadeira Luz, chamam de escurido. A VerdadeiraLuz os deixaria cegos, os destruiria. Se pudessem suportar sua viso semmorrer, somente veriam um escurido sem igual, porque estariam vendoA Luz Verdadeira.

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    Jos Mara Herrou Aragn

  • 19. AS LOJAS BRAncAS E nEGRAS

    Muito se fala ultimamente da loja branca e da loja negra. Os seres que asintegram, atuam em outros planos dimensionais, por isso so invisveis aohomem comum. Diz-se que a loja branca est formada por seressupostamente muito evoludos, que tratam de ajudar os homens a evoluir, deacordo com o Grande Plano que o deus criador tem reservado para suacriao material e para suas criaturas. Como esta loja trata de ajudar aohomem, para que este possa cumprir satisfatoriamente sua funo dentro doplano de criao, chama-se de loja branca ou fraternidade branca. Seriaalgo assim como a loja boa dos seres bons da luz.

    Por outro lado, j podemos imaginar quem so os membros da loja negra:os que esto contra o plano de deus criador, os que tratam de evitar que esseplano se leve a cabo. Esta a loja negra, os bandidos do filme. Devemosesclarecer que estamos utilizando as terminaes loja negra para evitarconfuses, porque assim se conhece vulgarmente, ao haver sido denominadadesta forma pelos agentes do demiurgo. Jamais os representantes de Espritointegrariam uma loja. Seu verdadeiro nome Ordem Negra.

    A loja branca trabalha a favor do deus criador e de seu plano, enquantoque a loja negra trabalha contra. Por isso, aos membros da loja negra sedenominam os irmos equivocados. Porque podendo ajudar a construir,decidiram destruir. Ao sustentar que os membros da loja negra se ope aoplano perfeito de um demiurgo bom, automaticamente se produz umaaverso natural contra esses inimigos do bem. O que deliberadamente seocultou durante sculos, que estes inimigos do deus nico no se

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  • opunham sem motivo obra deste criador. Ocultou-se que eles tem outrodeus, que no o diabo, mas sim o Deus Supremo e Verdadeiro. Ocultou-seque a luta para f