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  • A PRODUO DO ESPAO URBANO NA AMRICA LATINA: UMA ANLISE DAS

    TRANSFORMAES NA CIDADE DE FEIRA DE SANTANA, BAHIA, BRASIL, COM O PROCESSO

    DE MODERNIZAO.

    LIMA, Eliany D.1

    Universidade do Estado da Bahia - UNEB

    lialima_1981@hotmail.com

    EIXO TEMTICO: Geografia Urbana

    RESUMO

    As alteraes que so produzidas no espao urbano ao longo do tempo histrico permitem analisar de que forma ocorre apropriao do espao, especificamente no modo de produo capitalista. Neste processo transformaes foram sendo realizadas para garantir s condies que possibilitam a efetivao da acumulao de capital, sendo o espao urbano extremamente importante para a dinmica produtiva do modo capitalista de produo. Neste estudo, faz-se uma anlise sobre as transformaes no espao da cidade de Feira de Santana, Bahia, Brasil, especificamente a partir do processo de modernizao industrial intensificado na dcada de 1970, o qual auxiliou a urbanizao, enfatizando as mudanas promovidas na realizao da Feira Livre. Neste sentido, a pesquisa tem como objetivo refletir as transformaes no sistema de circulao estabelecido no municpio de Feira de Santana/BA. O estudo desenvolvido a partir da abordagem crtica da realidade, de modo a compreend-la na totalidade das relaes. Os procedimentos metodolgicos adotados na pesquisa so: a reviso de literatura, a partir da qual foi possvel compreender o processo de produo do espao, assim como a anlise sobre a modernizao e a industrializao; outra etapa foi realizao da pesquisa de campo e a observao da realidade especifica objeto de estudo; coleta de dados para identificar as informaes pertinentes para a investigao, com posterior tabulao e anlise. Os resultados obtidos at o momento permitem verificar que a partir da metade do sculo XX a atuao do Estado favoreceu o processo de industrializao, associado a isto se verifica a intensificao da urbanizao da cidade, o que pode ser observado com as mudanas na dinmica da realizao da Feira Livre, destacando que alm da construo do Centro de Abastecimento, em 1977, que auxilia a compreenso da dinamicidade do processo na cidade de Feira de Santana, o que ocorre seguindo a lgica geral do modo de produo capitalista.

    Palavras-chave: Espao Urbano; Modernizao; Feira Livre.

    1 Professora Substituta do Curso de Licenciatura em Geografia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Mestre em

    Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Integra o Grupo de pesquisa Estado, Capital X Trabalho e as Polticas de Reordenamento Territoriais (NPGEO/UFS).

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    Introduo

    A anlise sobre a produo do espao possibilita uma reflexo sobre os processos que nele

    ocorrem no decorrer do tempo histrico, os quais esto relacionados ao modo de produo no qual

    est inserido, especificamente o capitalismo. Na medida em que este avana o espao vai sendo

    transformado de modo a garantir as condies para sua concretizao, o que analisado neste artigo

    considerando o espao urbano do municpio de Feira de Santana, Bahia, Brasil.

    O estudo foi desenvolvido para refletir sobre as transformaes no sistema de circulao

    estabelecido no municpio de Feira de Santana, especialmente a partir da dcada de 1970, quando

    significativas mudanas ocorreram no espao urbano, as quais despertam interesses para a realizao

    de pesquisas sobre o tema.

    Para a construo do artigo foram adotados os seguintes procedimentos metodolgicos: a

    reviso de literatura; pesquisa de campo e coleta de informaes com posterior anlise, construda a

    partir do mtodo dialtico, de modo a compreender as condies gerais e as especificidades de Feira

    de Santana para refletir sobre a realidade investigada. O texto est estruturado em dois subitens e as

    consideraes finais; no primeiro subitem faz-se uma anlise a produo do espao urbano, com

    nfase na formao do municpio de Feira de Santana, identificando aspectos relevantes para a

    compreenso da realidade local, e no segundo explicamos como o processo de modernizao promove

    mudanas no espao urbano, destacando as mudanas especificas em Feira de Santana.

    1. A produo do espao urbano: uma anlise sobre a cidade de Feira de Santana

    A discusso sobre o espao urbano deve perpassar pela compreenso de que o mesmo

    produzido ao longo do processo histrico, sendo, portanto, espao geogrfico, de extrema importncia

    para as investigaes geogrficas. Neste sentido, necessrio explic-lo enquanto produo social, no

    qual ocorrem transformaes geradas no decorrer do tempo histrico, produzidas pelo homem para

    atender as suas necessidades, por isso, indispensvel entender que

    [...] a ideia de exterioridade do espao geogrfico em relao ao homem contrape-se a ideia de produo humana, histrica e social. O espao geogrfico no humano porque o homem o habita, mas antes de tudo porque produto, condio e meio de toda a atividade

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    humana. O trabalho, como atividade do homem, tem carter intencional e voluntrio, o que implica a transformao do objeto em algo apropriado; o processo produtivo assim um processo de produo concreta, nascida do trabalho; uma resposta do homem as suas necessidades. A satisfao das necessidades de sobrevivncia do homem e da reproduo da espcie coloca-se como a condio do processo histrico (CARLOS, 2008, p. 33).

    O homem ao produzir o que necessita, como abrigo, vestimenta, alimentao, instrumentos,

    entre outras coisas, tambm produz o espao, tudo para favorecer o seu desenvolvimento de acordo

    com as condies histricas de sobrevivncia e reproduo. Por isso, explicar o espao como algo

    externo ao homem, como se fossem duas coisas estanques que podem ser estudadas separadamente,

    no permite compreend-lo na totalidade, pois onde um condio para o outro, e que se encontram

    em constante processo de modificao.

    O espao no pode ser observado como se fosse algo a priori, pois do uso que dele feito

    que se estabeleam as condies para entend-lo ao longo do processo histrico, o que pode ser

    observado de modo ainda mais evidente quando analisamos especificamente o espao urbano.

    Quando observamos as transformaes que nele ocorrem, percebemos que estas so produzidas para

    atender as demandas sociais de acordo com o modo de produo, as quais se intensificam com o

    desenvolvimento da diviso do trabalho, posto que se amplia a possibilidade de modificao que o

    capital exerce na relao homem-natureza-sociedade.

    Para compreender este processo importante considerar que, na medida em que o

    desenvolvimento do homem avana, a capacidade de criao de alternativas para atender suas

    demandas tambm aumenta, o que garante a transformao das condies de vida, tais como

    moradia, alimentao, entre outras, e consequentemente no espao urbano, o que ocorre com a

    modificao que o homem promove mediante realizao do trabalho. Neste sentido, importante

    entender que

    O trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho til, indispensvel existncia do homem quaisquer que sejam as formas de sociedade , necessidade natural e eterna de efetivar o intercmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana (MARX, 2008, p.64-65).

    O trabalho essencial e permite, como afirma Marx, o intercmbio entre o homem e a natureza

    processo no qual se constroem as bases para o estabelecimento da sociedade, produzindo

    transformaes tanto nas relaes sociais, como no espao. Portanto, o homem cria e recria as

    condies para a realizao do trabalho e, medida que este modificado, o espao apropriado

    para sua efetivao.

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    O espao produzindo, ou seja, criado para garantir que o desenvolvimento das relaes

    sociais ocorra de acordo com o processo histrico, utilizando o substrato material de acordo com o

    interesse, e no como determinante das relaes sociais que nele se efetivam. Neste sentido,

    importante observar que

    Desde a mais tenra existncia humana, indivduos constroem uma relao social que tambm espacial. Assim as comunidades tribais da chamada Pr-Histria organizavam-se em reas de dimenses restritas, porm com propsitos coletivistas, o que acarretava a edificao de obras, cujo acesso fosse assegurado a todos que pertenciam a mesma. A produo espacial, inserida no bojo do contedo das relaes sociais de um determinado perodo , portanto, ontolgica ao ser social (LIMA & CONCEIO, 2010, p. 84).

    A produo do espao est relacionada, portanto, s relaes sociais construdas ao longo do

    tempo no desenvolvimento da existncia humana, variando de acordo com as condies materiais,

    histricas e sociais construdas em cada perodo. Por isso, em uma anlise crtica sobre o espao

    preciso consider-lo no como substrato pr-estabelecido.

    Ao conceber o espao a partir do entendimento da concepo crtica do espao produzido no processo de determinao histrica das relaes capital e trabalho, se objetiva analisar a leitura na insero das relaes mais amplas, na totalidade das relaes (CONCEIO, 2005, p. 169).

    Especialmente quando consideramos o espao urbano compreender as relaes amplas nas

    quais o mesmo produzido a base para entender a realidade em sua totalidade, considerando

    determinaes gerais e particularidades locais que coexistem no seu processo de produo. Neste

    caso, preciso analisar como se desenvolveram as relaes que so definidoras das caractersticas

    que so comumente observadas no espao urbano.

    Neste sentido, compreende-se que a produo do espao urbano consequncia da forma

    como a sociedade atua para atender suas necessidades. Esse processo est em constante

    desenvolvimento e no momento atual marcado pe