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  • 8 - HORCIO DDIMO

    --- --. . .

  • CADEIRA N!J 8 PATRONO: DOMINGOS OL M PIO

    HORCIO DDIMO

    HORCIO DDIMO P ereira Barbosa Vieira, filho de Ddim o Barbosa Vieira e d e Emir d e Horcio Vi eira, nasceu em Fortaleza no dia 23 d e maro d e 1935. Fez os cursos primrio e secundri no Colgio Cearens e. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade da Guanabara. Posteriormente se licenciou em L etras pela ento Faculdad e d e Letras da UFC. Tem o ttulo de Mestre em Lit eratura Brasileira, pela Universidade Federal da Para{ba (1978). Ex-advogado do DNOCS e ex-Chefe da Assessoria Jurldica da Secretaria d e Viao, Obras, Minas e Energia do Cear, foi professor de diversos colgios de Fortaleza, e atualmente professor do D epartam ento d e Literatura da UFC, em cujo Curso d e Letras t em ministrado aulas d e Literatura Brasileira e Literatura Infantil. T em dado cursos igualmente no Curso de Especializao e no M estrado em Letras da UFC. Obras publicadas: Tempo de Chuva (1967), T ijolo de Barro (1968), O Cho dos Astronautas (1969), A Palavra e a Palavra (1980), Amor- Palavra que Muda de Cor (1984), nova edio do livro anterior; A Nave de Prata livro d e sonetos e Quadro Verde -po emas visuais (1991), todos de poesia; As Harmonias do Pai-Nosso (1983), roteiro para meditao, com segunda edio em 1986; O Passarinho Carrancudo (1980}, com segunda edio em 1982; Festa no Mercadinho (1981), A Escola dos Bichos (1982), Historinhas do Mestre Jabuti (1982}, O Desfile das Letras (1982), As Flores e os Passarinhos (1983}, Um Novo Dia (1983), A Cara dos Algarismos (1983) e O Menino Perguntador (1986), todos de lit eratura infantil. Seu livro Tempo de Chuva, com o qual estreou, conquistou, ainda em originais, o Prmio Universidade do Cear de 1966. Tijolo de Barro obteve o Prmio Cidade de Fortalez, da S ecretaria d e Cultura d e Fortaleza, em 1968. Tem publicado poemas em vrios p eridicos, podendo-s e destacar os Ex erccios d e Admirao H, metapoemas, na Revista de Letras, v. 314 (1980-

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  • 1 ), "Pirvaia Tritat Rsskovo /azyk" (Primeiro Caderno de Russo), no v. 9/10, (1986), "Exerccio de Transcrio" (Parfrases de poemas de Pchkin, baseadas nas tradu es de Hesodo Fac), no v. 12, (1987); citem-se ainda os ensaios "As Sete Dimenses do Exerccio d e Escrever", no v. 7 (1984), "As Funes da Literatura Infantil", no v. 11 (1986) e "As Dimenses do Magistrio de Letras, no Jornal de Cultura da U FC, n9 20 (1990), Pertencente ao Grupo SIN, fez parte da Sinanto/ogia (1968), que rene poemas de todos do grmio. Estudando a obra potica do autor, escreveu Pedro Lyra: " Valorizada pela variedade formal e pela clara viso da realidad e cont empornea, a potica de Horcio Ddimo, particularmente pelas inovaes que introduziu na poesia cearense, apesar de tributria do estilo-22, afirma-se com um duplo mrito: mrito pela presena histrica, mrito pela presenca esttica. "

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    AS DIMENSES DO OFCIO DE ESCRITOR

    ( luz das palavras do Pai-Nosso, refletidas nas grandes

    funes ldico-lcidas da palavra potica)

    1. CRIATIVIDADE a expanso da funo txtil, luminosa e criadora da palavra potica. a dimenso da graa e do louvor: PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CUS, SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME.

    O amor

    O amor mesmo um dom inestimvel, ou talvez seja um sonho indestrutvel; no h mal que no seja reparvel, no h bem que no seja irresistvel.

    Nossa vida , contudo, imprevisvel, o clamor da justia, inadivel, o espao da esperana, indivisvel, o horizonte da f, inabalver.

    A dor que no desiste invisvel, o momento da flor imutvel, a cantiga do sapo, intraduzvel.

    Sei que o torturador implacvel, mas alm dasfronteiras do impossvel, o amor como um Sol interminvel.

    2. MATURIDADE ,

    a o mmm mmmmm

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    m m m mmmmm o a r r r r r r r

    r r r r r r r

    r r r r r r r

    E a expanso da funo apelativa, pragmtica e transformadora da palavra potica. a dimenso da fraternidade e da unio: VENHA A NS O VOSSO REINO.

    A estrela

    Foi muito bom de novo ver voc num claro instante de contemplao, no livre e leve espao que antev

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  • as rotas mais sutis do corao.

    De novo ver voc foi muito bom nos olhos muito ternos da lembrana, na cor de cada letra, em cada som, naquilo que se espera e que se alcana.

    Osis que caminha no deserto, viagem tantas vezes refletida nos espelhos de sonho desta vida!

    Estrela que est longe e que est perto, no sereno esplendor do seu anncio, to azul como sempre ou como nunca!

    3. SOLIDARIEDADE ,

    ccccccccccc8 000000000 8 co aaaaa 0 88 a _ 8 coraao a c

    88 gaaaa 8 8 88ooooooo8 8 8ccccccccccc8

    E a expanso da funo ftica, sinfrnica e integradora da palavra potica. a dimenso da harmonia e da entrega: SEJA FEITA A VOSSA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO

    ,

    CEU.

    A viagem

    Viajo pelo tempo e pelo espao profundamente, mas sem rumo certo e vou gravando tudo num retrato feito de vozes e pequenos gestos.

    Talvez de adeuses e pequenos restos de tudo o que se foi, rnas no passou, porque reviver na grande festa dos que se libertarem pelo amor.

    H uma estrela azul que me orienta, nesta viagem que atravessa o espao e que rompe as barreiras deste tempo;

    estrela que ilumina e que apascenta, mo que desliza leve sobre o brao como um beijo de luz em cada face.

    4. CONHECIMENTO

    I I I u u u

    . z z z l uz zu l l u z a z u l l u z z u l

    z z z u u u I I I

    a expanso da funo referencial, cognitiva e fortalecedora da palavra potica. a dimenso da energia e do alimento: O PO

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  • \

    NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE.

    A ddiva

    Cada pessoa tem a sua msica, cada mensagem traz a sua tnica cada cor se revela no seu plpito, cada histria de amor sempre nica.

    O escafandrista explora a veia cmica, o pescador disfara a sua ttica, a surpresa maior no fica atnita, cada histria de amor sempre mgica.

    A realidade correnteza aurifera, a fantasia pode ser verdica, cada histria de amor sempre lcida.

    O bronze redescobre a sua ptina, o mundo desilude a sua mquina, cada histria de amor sempre mstica.

    5. SENSIBILIDADE ,

    p edr a p e d r

    p edr a

    p e d r ap

    p edr ape p edr aped

    e dr a

    dr a

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    E a expanso da funo .expressiva, catrtica e restauradora da ,

    palavra potica. E a dimenso do dilogo e da reconciliao: PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO NS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO.

    O encontro

    H quanto tempo as flores no se abriam, h quanto tempo os lbios no beijavam, h quanto tempo os olhos no sorriam, h quanto tempo as mos no se encontravam!

    H quanto tempo as vozes no se ouviam, h quanto tempo os gestos no falavam, h quanto tempo as cores se escondiam, h quanto tempo os sinos no

    .tocavam!

    H quanto tempo nada acontecia, h quanto tempo o sol no rebrilhava, h quanto tempo a chuva no chovia!

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  • H quanto tempo o tempo no mudava, h quanto tempo o corao batia, h quanto tempo, sim, h quanto tempo!

    6. D I SCERNIMENTO ,

    E a expanso da funo metalingstica, metaliterria e conscientizadora da palavra potica. a dimenso da conscincia e da proteo: E NO NOS DEIXE I S CAIR EM TENTAO.

    A poesia

    No posso me esquecer daqueles dias verdes e azuis, velozes e risonhos, em que perto, to perto aparecias, alm dos sinos, muito alm dos sonhos.

    E eu ficava pensando, s pensando, segundo por segundo por segundo: quem s tu, assim tanto, tanto, tanto, como pousaste neste nosso mundo?

    Vejo tudo to breve e passageiro mas sei que alguma coisa permanece. e brilha acima de qualquer destroo.

    Ainda que eu percorra o espao inteiro e este tempo sem fim no recomece, algum dia esquecer isso eu no posso!

    7.S I MPLI C I DADE

    p ai a v r a

    P a I a v r a

    P a r a p a a r a p a r a

    P a I a v r a p a I a v r a

    a expanso da funo-sntese comunicativa, humanizadora e ,

    libertadora da palavra potica. E a dimenso da verdde e da libertao: MAS LIVRAI -NOS DO MAL.

    O sol

    Quando penso no sol, no sol do amor, as coisas acontecem de repente, acredito na vida plenamente, o mundo no parece enganador.

    Quando penso no sol, no sol do amor, vejo tudo bem claro na memria,

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    I

  • ,

    tudo o que fez e faz a nossa histria, aqui, ali, alm, em derredor.

    Vejo verde no templo dos irmos, navios verdes vejo que vm vindo, vejo o mar, vejo o rio, vejo a fonte.

    Vejo tanto futuro no horizonte, vejo tanto passado reflorindo, vejo tanto presente em nossas mos!

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    1e

    reviver

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    (Fuso, feita pelo autor, de textos de As Harmonias do Pai-Nosso -1986-, As Dimenses do Magistrio de Letras -1990- e A Nave de Prata -1991) .

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