43ª rapv – reuniÃo anual de pavimentaÇÃo e 17º … · trabalho publicado na 43ª rapv e 17º...

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  • Pgina 1 de 12 Trabalho Publicado na 43 RAPv e 17 ENACOR, 2014 Anais em CD

    43 RAPv REUNIO ANUAL DE PAVIMENTAO E

    17 ENACOR ENCONTRO NACIONAL DE CONSERVAO RODOVIRIA

    Macei, AL 29 de julho a 01 de agosto de 2014

    RESTAURAO DE PAVIMENTOS AEROPORTURIOS

    SULAMERICANOS COM GEOGRELHA DE POLISTER

    Cssio Alberto Teoro do Carmo1; Edwin Fernando Ruiz2 & Guillermo Montestruque3 RESUMO As geogrelhas, largamente usadas em obras ou estruturas geotcnicas, vm sendo utilizadas em todo o mundo como alternativa para controlar a reflexo de trincas em camadas de recapeamento betuminoso aplicada sobre pavimentos asflticos ou pavimentos rgidos. As geogrelhas para reforo de pavimento asfltico constituem um tipo particular, cuja finalidade principal reforar as novas capas betuminosas de maneira tal que aumente sua resistncia trao e, portanto, melhore a resposta das capas asflticas a tenses de trao de longa durao; e fornecer uma componente elstica que melhore as distribuies de tenses a fim de inibir a propagao de trincas. Na restaurao de um pavimento flexvel trincado ou pavimentos rgidos (placas de concreto) geralmente realizada mediante a instalao de recapeamentos simples em concreto asfltico. Por causa das solicitaes dinmicas externas (i.e. trafego de veculos e/ou aeronaves) e por variaes de temperatura, as trincas existentes e as juntas subjacentes podem se propagar prematuramente desde as camadas inferiores at o novo revestimento. Em obras de pavimentao realizadas na Amrica do Sul, a aplicao de uma geogrelha de polister de alto mdulo para reforo asfltico mostrou excelentes resultados na preveno e controle do trincamento por reflexo, permitindo uma considervel extenso da vida de servio da estrutura de pavimento das pistas reabilitadas. O objetivo deste artigo apresentar um conjunto de casos de obra onde foram empregadas geogrelhas de reforo para a restaurao de pistas e ptios de estacionamentos aeroporturios, descrevendo algumas experincias realizadas nos ltimos 15 anos no Brasil, Argentina, Chile, e Uruguai. Ser apresentado no artigo uma avaliao de desempenho dos projetos citados e tambm uma recomendao da aplicao deste geossinttico na restaurao de pavimentos com revestimento asfltico. PALAVRAS-CHAVE: Geossintticos, Geogrelha, Aeroporto, Pavimento, Reforo.

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    ABSTRACT Geogrids, commonly used in geotechnical structures, have been also widely applied as an alternative to control the development of reflective cracks in asphalt overlays placed in flexible and rigid pavements worldwide. Special geogrids for asphalt reinforcement were developed in order to absorb the tensile stresses concentrated in the tip of the cracks, delaying or even preventing its propagation into upper asphalt layers. As a result, geogrids can improve the general response of the structure by extending the fatigue life and therefore the maintenance intervals of rehabilitated asphalt pavements. The conventional method for rehabilitation of cracked concrete slabs or flexible pavements is the installation of new asphalt layers. But a new overlay does not make the cracks disappear; they are still present in the old asphalt layers. Because bituminous bound materials are unable to withstand the high tensile stresses that result from external forces like traffic and temperature variations, these cracks rapidly reflect into the new asphalt overlay. In recent airport restoration projects executed in South America, the use of a high modulus Polyester geogrid offered excellent results in the prevention and control of reflective cracking, making possible a significant extension of life service of the pavement structures of the rehabilitated runways and airport aprons. In this manner, the objective of this paper is to present a set of case studies where an asphalt reinforcement geogrid was successfully used to rehabilitate the runways, taxiways and aprons areas of some South American airports, describing some experiences realized in the last 15 years in Brazil, Argentina, Chile and Uruguay. A short description of the observed performance of the projects is showed as well as some installation recommendations of the geogrid used. KEY WORDS: Geosynthetics, Geogrid, Airport, Pavement, Reinforcement 1Huesker Ltda., Rua Romualdo Davoli, 375, CEP: 12,238-577, So Jos dos Campos, SP / e-mail: [email protected] 2Huesker Ltda., Rua Romualdo Davoli, 375, CEP: 12,238-577, So Jos dos Campos, SP / e-mail: [email protected] 3Universidade do Vale do Paraba-UNIVAP, Estrada do Limoeiro, 250, CEP: 12305-810, Jacare, SP / e-mail: [email protected]

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    INTRODUO O fenmeno de reflexo de trincas em um pavimento definido pelo reaparecimento na superfcie de uma trinca ou junta de pavimento antigo, pelo efeito do trfego e pelas variaes climticas. Este fenmeno um dos problemas mais srios de deteriorao de pavimentos restaurados em todo o mundo, merecendo um cuidado especial nos projetos. Diversas so as tentativas para solucionar ou minimizar o complexo problema de reflexo das trincas: que vo desde a simples adoo de grandes espessuras de concreto asfltico, at a interposio de capas intermedirias especiais denominadas como SART (Sistemas Anti-Reflexo de Trincas). Com o desenvolvimento dos geossintticos, as geogrelhas tem de sido aplicadas com sucesso para reforo de pavimentos asflticos novos e restaurados (recapeados). As geogrelhas proporcionam uma alta resistncia trao dentro da capa asfltica, complementando as propriedades mecnicas da mistura asfltica. O controle da reflexo de trincas no pavimento fundamental para o bom desempenho funcional e estrutural, assim como para a eficincia econmica da restaurao do pavimento. Dentro deste contexto, a incorporao das geogrelhas de polister ou PVA no concreto asfltico tm trazido grandes benefcios em obras de restaurao de pavimentos, especialmente em situaes onde o potencial de reflexo das trincas elevado. Quando da passagem de uma roda sobre uma trinca, este movimento produz dois tipos de solicitaes: flexo e cisalhamento. O efeito de cisalhamento acontece toda vez que uma roda passa sobre uma trinca, provocando um deslocamento vertical entre as paredes das trincas. A posio de flexo ocorre somente quando a roda est sob a trinca, que provoca a sua abertura, conforme pode ser observado na Figura 1.

    Figura 1 Solicitaes cisalhante e de flexo no revestimento asfltico

    O potencial de reflexo da trinca existente depende diretamente do movimento entre as paredes das trincas. Quantificar estes deslocamentos crucial para poder projetar a restaurao do pavimento mais adequada. O equipamento Crack Activity Meter permite efetuar a medio dos movimentos verticais e horizontais entre as paredes das trincas (Figura 2). O primeiro LVDT (Linear Variable Differential Transducers) na posio horizontal mede o deslocamento a flexo do pavimento e a abertura da trinca durante a passagem de uma roda. O segundo LVDT na posio vertical, mede os movimentos verticais entre as paredes da trinca. Devido s dimenses dos LVDTs no possvel medir os deslocamentos no centro das rodas do eixo traseiro do caminho, como feito no ensaio de viga Benkelman, por este motivo os medidores so colocados no bordo externo da roda.

    Cisalhamento CisalhamentoFlexo

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    Figura 2 Esquema do medidor de deslocamento Crack Activity Meter (CAM).

    CASOS DE OBRAS As pistas dos aeroportos aqui descritos foram construdos em pavimentos de cimento Portland (CCP) e posteriormente sofreram restauraes com camada de rolamento em material betuminoso. Consideraes sobre o recapeamento asfltico sobre pavimentos rgidos Evidncias experimentais indicam a existncia de microfissuras inerentes distribudas na massa das misturas asflticas. Com a repetio das tenses trmicas e das cargas de trfego, estas microfissuras crescem por fadiga. A microfissura que apresenta maior probabilidade de crescer ao ponto de se tornar uma trinca visvel aquela que se encontra em regies de solicitao mxima. No caso de camadas de reforo construdas sobre pavimentos trincados ou com juntas (Figura 3), a regio de solicitao mxima ocorre imediatamente acima da junta (onde se dar a deflexo mxima sob uma carga de roda), fazendo com que surja, neste ponto, uma trinca.

    Figura 3 Recapeamento simples sobre pavimento rgido

    Os ensaios de laboratrio de Luther et al.(1976), onde uma placa de CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), apoiada em um pavimento rgido com juntas, foi submetida a cargas repetidas, indicaram que surgimento da trinca de reflexo um resultado de ruptura por fadiga do material asfltico sobre a regio da junta e que esses processos de fratura e fadiga podem ser analisados atravs dos princpios da Mecnica da Fratura. Os resultados experimentais indicam que, sob a ao das cargas do trfego, a camada de recapeamento se encontra em compresso em toda sua

    PAVIMENTO

    LVDT No1 - Medidor de deslocamento horizontal LVDT N

    o2 - Medidor de deslocamento vertical

    SADAS PARA O COMPUTADOR

    Trinca PAVIMENTO

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    espessura, mesmo na vizinhana de uma trinca imediatamente acima da junta, mostrando que o modo cisalhante que influencia predominantemente a reflexo de trincas. Assim, a fratura muito mais provvel quando a carga se encontra com seu bordo na direo da junta, devido s tenses cisalhantes significativas presentes (Figura 1). Uma alternativa de projeto baseada apenas em recapeamento simples no a mais adequada, devido ao grande potencial do pavimento rgido (principalmente na regio das juntas) para provocar o trincamento da camada de recapeamento. SOUSA et al (1996) definem a zona de trincamento como o volume do material imediatamente acima da trinca na superfcie do recapeamento (Figura 4). O volume ser zero quando a abertura da trinca for zero (Wc=0). Em uma mistura asfltica, a rigidez depende do nvel de deformao, da temperatura e do nvel de deteriorao progressiva por fadiga que j tenha ocorrido. Inicialmente, antes de se iniciar o processo de fadiga, a rigidez da poro de material acima da regio da trinca a mesma da regio mais afastada. As cargas de trfego, que causam movimentos relativos entre as paredes da trinca devido s foras de trao e de cisalhamento atuantes, propagaro as micro-fissuras atravs da zona de trincamento, reduzindo, desta forma, a rigidez do material nesta zona.

    Figura 4 Representao esquemtica da zona de trincamento (SOUSA et al,1996)

    No fenmeno da reflexo de trincas, devido alta concentrao de tenses e deformaes, existem diferentes taxas de deteriorao cumulativa dentro da zona de trincamento. Prximo da extremidade da trinca, a taxa de deteriorao cumulativa muito maior que em zonas mais afastadas. Em alguns pontos da zona de trincamento, a rigidez reduzida a zero, enquanto outros pontos ainda no suportaram uma reduo significativa da rigidez. Porm, do ponto de vista de desempenho do pavimento, importante considerar as caractersticas de transferncia de carga acima da zona da trinca. A rigidez axial (Ra) e cisalhante (Rc) equivalente na zona de trincamento pode ser quantificada atravs das seguintes expresses:

    onde:

    Fa = fora axial (compresso ou trao) Fc = fora cisalhante H = espessura da camada L = espalhamento horizontal da trinca wa = abertura da trinca

    a

    aaa wH

    LFR

    c

    ccc wH

    LFR

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    a = deslocamento axial (abertura o fechamento da trinca, Modo I) c = deslocamento cisalhante (Modo II) Reabilitao da Pista Auxiliar do Aeroporto de Congonhas, So Paulo/SP O Aeroporto de Congonhas o terceiro aeroporto mais movimentado do Brasil, localizado na regio central de So Paulo, foi restaurado em 2008 pelo consrcio OAS/Camargo Corra/Galvo. O pavimento composto por placas de concreto de cimento Portland (CCP) com 3,50m x 7,0m, espessura de 0,25m e barras de ao para transferncia de cargas das juntas, recapeado foi executado com 8cm de concreto asfltico (CA). Praticamente todas as juntas do pavimento rgido se encontrava refletida atravs de uma camada asfltico recapeamento executada anteriormente (Figura 5), o que natural e esperado em vista das movimentaes horizontais e de empenamento de carter trmico que a placa de CCP. A relao entre os comprimentos longitudinais e transversais das placas de CCP so muito superiores ao valor limite de 1,25, considerado usualmente para minimizar os movimentos de empenamento trmico das placas. Desta forma, espera-se que estes movimentos sejam particularmente intensos neste pavimento, acelerando a reflexo trmica das juntas, na camada asfltica. Este mecanismo foi responsvel pela reflexo rpida das juntas. Apesar disto as medies realizadas na pista com o Crack Activity Meter (Figura 2 e 6) indicaram uma boa transferncia de carga atravs do agregado, essa concluso foi obtida pelos baixo deslocamentos verticais medidos entre as paredes das juntas e fissuras mais importantes. O parmetro principal para a preveno da reflexo de trincas em recapeamentos asflticos o JDR (Joint Deflection Ratio), que a relao entre os deslocamentos de um lado sem carregamento e o lado carregado, numa trinca escolhida. Com a utilizao do valor do projeto igual a 6.000 pousos anuais do A-320/200 (peso bruto de 73.500 kg, com 47% em cada perna do trem de pouso principal).

    Figura 5: Reflexo das juntas na capa asfltica

    (Aeroporto de Congonhas, 2008).

    Figura 6: Medidor de deslocamento Crack Activity

    Meter (CAM) (Aeroporto de Congonhas, 2008).

    Depois de efetuada a avaliao, prosseguiu-se com a fresagem da camada asfltica existente. As trincas com abertura menor a 3 mm no tiveram necessidade de serem tratadas, as de abertura maior foram seladas com materiais elastomricos. Aps uma imprimao com taxa de 0,8l/m2 de asfalto residual com emulso asfltica de ruptura rpida foi posicionada a geogrelha, apenas sobre as juntas longitudinais e transversais com uma largura de 1,0m. (Figura 7).

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    Figura 7: Instalao da geogrelha na direes longitudinais e transversais

    Reabilitao da Pista de Taxiamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho/RS O aeroporto Internacional Salgado Filho em Porto Alegre o 7 aeroporto no Brasil com maior movimentao de aeronaves. Em Janeiro de 2002, foi executada a reabilitao da faixa de Taxi Golf que da acesso no hangar de manuteno de aeronaves de uma companhia area comercial. O volume de transito era elevado e era composto por aeronaves do tamanho de um Boeing 777, com peso bruto superior a 250ton. A estrutura consistia de uma camada de base de solo granular (CBR30%) junto com um pavimento rgido de lajes de concreto de 25cm de espessura e 5,0 x 3,5m. O pavimento encontrava-se em um estado de deteriorao elevada com varias lajes quebradas e com processo de perda de agregados, causado pelos deslocamentos das lajes de concreto (contrao e retrao trmica) e dos carregamentos das aeronaves. A estrutura foi reabilitada como segue (Figura 8).

    a. Injeo de argamassa de concreto nas juntas; b. Aplicao de 2cm de massa asfltica fina; c. Instalao da Geogrelha de Polister (HaTelit C 40/17); d. Recapeamento com concreto asfltico convencional em 5cm de espessura

    Figura 8 - Seo esquemtica adotada na restaurao da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

    Esta soluo foi aplicada unicamente na regio central da pista devido a questes de economia. Nas laterais (acostamento) no foi aplicado o reforo geossinttico. Aps de 11 anos, o resultado visualmente evidente (Figura 9), todas as juntas do pavimento rgido das laterais causaram reflexo e na regio central onde foi colocada a geogrelha foi possvel observar apenas 02 juntas de baixa severidade. O Crack Activity Meter foi utilizado para avaliar os deslocamentos verticais (Figura 10) e horizontais (Figura 11) das juntas refletidas, para o caso sem reforo o deslocamento vertical foi de 0,543mm e para o caso com geogrelha o deslocamento vertical foi de 0,01mm (Monser 2010). A presena da geogrelha mantem as paredes da trinca mais unidas devido a sua resistncia a trao, mesmo que a trinca for refletida, existe nela uma elevada transferncia de carga atravs dos agregados. Para o caso sem geogrelha, essa transferncia perdida devido eroso progressiva das paredes da trinca.

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    With Hatelit Grid

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    0,4 Without Grid With Hatelit Grid

    Rel

    ativ

    e M

    ovem

    ent:

    Verti

    cal (

    mm

    )

    Time (s)

    Figura 9 - Regio central com geogrelha sem trincas de reflexo na faixa Taxi Golf.

    Figura 10 Deslocamento vertical tpico entre as paredes de uma trinca existente: (a) Com e sem Geogrelha; (b) Detalhe da curva com geogrelha.

    Figura 11 Deslocamento horizontal tpico entre as paredes de uma trinca existente: (a) Com e sem Geogrelha; (b)

    Detalhe da curva com geogrelha.

    Reabilitao da Pista do Aeroporto Internacional de Montevidu (Carrasco) / Uruguai O Aeroporto Internacional de Carrasco (A.I.C), esta localizado 20km. ao leste do centro da cidade de Montevidu. No final do ano 2004 o A.I.C. registrou a totalidade de 22.400 movimentos (pousos e decolagens) de aeronaves de tamanho mdio e grande (principalmente B 737 e B 767),

    -2 0 2 4 6 8 10 12 14 16-0,01

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    0,07 Without Grid With Hatelit Grid

    Rela

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    Rela

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    emen

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    oriz

    onta

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    )

    Time (s)

    (a) (b)

    Sem geogrelha Com geogrelha Hatelit Com geogrelha Hatelit

    Sem geogrelha Com geogrelha Hatelit

    Segmento com geogrelha

    Segmento sem geogrelha

    (a) (b)

    Com geogrelha Hatelit

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    envolvendo a Ponte Area. O Aeroporto tem atualmente uma infraestrutura composta por uma faixa principal (06-24) de 3.200m de comprimento e uma secundaria (01-19) de 2.250m. O resultado de um acontecimento inovador e pioneiro no Uruguai foi a instalao da geogrelha de polister para reforo no corpo do recapeamento asfltico da Cabecera 24. O pavimento composto por uma laje de concreto de 35cm de espessura sobre uma base granular tratada com concreto de 30cm de espessura e uma sub-base granular de mais 30cm, assentados sobre solo natural argiloso. As dimenses das lajes esto definidas pelas juntas longitudinais separadas 5.60m entre elas e juntas transversais a cada 6.00m. O projeto estrutural do reforo para esta seo do pavimento, projetado para um trafego anual de 5.000 aeronaves equivalentes tipo B 747-400 (MTOW: 372 ton.), seria necessrio a execuo de um recapado de 16cm de espessura mnima de concreto asfltico, construdo em trs camadas de espessura similar.

    A reabilitao foi efetuada no ms de Maro de 2005 pela empreiteira Molinsur S.A. O reforo geossinttico foi instalado em forma de faixas de 1,00m de largura (Figura 12) sobre as juntas ou trincas do pavimento. Antes da instalao a geogrelha foi aplicado sobre o pavimento de concreto existente a primeira camada de regularizao com aprox. 6cm de espessura de concreto asfltico. A geogrelha deve ser instalada sempre entre duas camadas asflticas para desenvolver o mecanismo de ancoragem apropriadamente. Aps da aplicao da primeira camada de regularizao e antes de iniciar a instalao da geogrelha, apareceram na superfcie as trincas refletidas devido aos efeitos trmicos, reproduzindo a mesma distribuio de trincas existentes no pavimento antigo. Este fenmeno foi completamente controlado uma vez instalada a geogrelha junto com as camadas asflticas superiores. Um fenmeno das mesmas caractersticas aconteceu de forma simultnea na rua de acesso Charlie no mesmo Aeroporto, com espessuras similares e sem geogrelha no pavimento. Aos poucos dias de terminadas as tarefas de aplicao das camadas asflticas, a pista de acesso mostrou reflexo das trincas do pavimento inferior.

    Figura 12 Instalao da Geogrelha na pista do Aeroporto Internacional de Carrasco (2004).

    Esta primeira aplicao de geogrelhas para reforo de pavimentos asflticos no pais, demonstrou ser uma alternativa vivel e simples, que consegue controlar e retardar a reflexo de trincas na superfcie. A deciso adotada pelo concessionrio de aplicar esta tecnologia na reabilitao do pavimento no Aeroporto Carrasco foi devida perspectiva de conseguir um melhoramento considervel no comportamento futuro do pavimento sob a ao de carregamento e fatores climticos, o que garante uma maior vida til da estrutura, sem necessidade de manuteno durante esse perodo. Reabilitao da Pista do Aeroporto de Balmaceda / Chile O aeroporto Balmaceda esta localizado na cidade com o mesmo nome, perto da fronteira Chileno-Argentina e o principal acesso pela via area na regio de Aysn (Patagonia Chilena) com uma movimentao de passageiros durante todo o ano (355.203 no ano 2012). No ano 1998 a Direccin

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    Nacional de Aeropuertos do Ministerio de Obras Pblicas (MOP) elaborou o projeto de restaurao da faixa principal do aeroporto com a execuo de um recapeamento asfltica sobre as juntas de dilatao do pavimento antigo de concreto. Devido forte variao da temperatura na regio ao longo dos ciclos estacionais, precisava-se de uma tcnica de reforo eficiente que ajude diminuio dos custos de manuteno da faixa. Com o objetivo de controlar o potencial trincamento das novas camadas asflticas gerado pela reflexo de trincas das juntas do pavimento existente e de aumentar a vida til do revestimento, o Departamento de Engenheira do MOP considerou a instalao de uma geogrelha de reforo asfltico de polister (Figura 13) entras as capas asflticas de recapeamento. A obra foi finalizada em abril desse ano (1998) sob graves condies climticas (temperaturas abaixo de 0) e fortes ventos (acima de 60 km/h). A deciso do tipo de material de reforo escolhido baseou-se na semelhana entre o mdulo elstico do polister e o modulo do asfalto, junto com a reduzida contrao sofrida pelo material a temperaturas elevadas, o que permite uma instalao sem problemas devidos a temperatura da mistura asfltica. O polister apresenta um ponto de fuso com 250C. A durao eficiente do recapeamento alcanou uma vida de 10 anos, colapsando no final a causa da reflexo de trincas de origem trmico no recapeamento. Mesmo assim, foi observado que a abertura e o nvel de atividade dessas trincas foi menor em relao a outras zonas do aeroporto em que o reforo no foi instalado.

    Figura 13 - Vista area da faixa do Aeroporto de Balmaceda, Chile.

    PROCESSO CONSTRUTIVO A restaurao ou execuo de um pavimento atravs do sistema de reforo com geogrelhas de polister ou PVA seguem, basicamente, os procedimentos normais de um trabalho de pavimentao convencional. A nica atividade adicional com relao ao recapeamento simples desenrolar a bobina da geogrelha (no requer mo-de-obra especializada). A facilidade de instalao garante a minimizao de riscos de mau funcionamento por problemas construtivos. Preparo da superfcie A geogrelha deve ser instalada sempre entre duas camadas de materiais betuminosos (revestimento antigo recapeamento), e sempre sobre pintura de ligao com emulso asfltica. No caso de instalao sobre uma superfcie no-betuminosa, esta deve ser coberta com uma camada betuminosa de regularizao. A superfcie a ser coberta deve ser preparada de modo a garantir a boa aderncia entre as camadas subsequentes de asfalto. A superfcie deve estar seca e limpa. Trincas de 3 mm ou menos podem ser deixadas sem tratamento. No entanto, trincas maiores devem ser seladas com material betuminoso aps a limpeza.

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    Imprimao A superfcie preparada para receber a geogrelha deve ser impregnada com emulso asfltica com asfalto residual a uma taxa mnima de 0,5kg/m2. Em situaes particulares como superfcies rugosas ou muito danificadas, estes valores devem ser aumentados. A emulso deve ser aplicada e levada ruptura (evaporao do solvente, o que se verifica pela mudana da cor de marrom para preto) antes da aplicao da geogrelha e da camada de asfalto subsequente. Instalao A geogrelha deve ser desenrolada - diretamente no local a ser posicionado - manualmente ou por equipamentos que no ofeream risco de danos ao material, sem dobras ou rugas. Para se adequar a reas com obstculos ou descontinuidades (bueiros, por exemplo) a geogrelha pode ser cortado facilmente com faca ou tesoura. Para o bom resultado da instalao, recomendvel que a geogrelha no fique exposto ao trfego at que esteja coberto pela nova camada de asfalto. Caso seja inevitvel a abertura ao trfego antes da execuo do revestimento deve-se verificar se o recobrimento betuminoso da grelha no foi perdido; caso isto tenha ocorrido, necessria a execuo de uma segunda imprimao asfltica, aplicada mesma taxa sobre o material. Execuo da camada asfltica Para a execuo da camada de asfalto, devem ser seguidos os procedimentos usuais de pavimentao. As mquinas necessrias na execuo da camada asfltica devem movimentar-se com cuidado sobre a geogrelha, para evitar deslocamento do material. Devem ser evitadas freadas e mudanas bruscas de velocidade. Compactao A compactao do asfalto reforado deve seguir o procedimento usual. ESPECIFICAO DA GEOGRELHA UTILIZADA Nos projetos apresentados foram utilizados a geogrelha de polister tipo Hatelit C conforme Tabela 1. Tabela 1: Especificaes tcnicas da geogrelha utilizada nos projetos apresentados. Tipo de produto e matria-prima Geogrelha flexvel de polister de alta tenacidade

    combinada com um no-tecido ultraleve de polipropileno

    Recobrimento Betuminoso Nome comercial Hatelit C 40/17 Abertura da malha 40 mm x 40 mm Resistencia a trao (Long./ Transv.)

    Nominal a 3% de deformao

    Deformao na resistncia nominal (Long./ Transv.)

    50 kN/m / 50 kN/m 12 kN/m / 12 kN/m

    12% / 12%

    Rigidez equivalente de aderncia ao arrancamento - C eq,rf

    9 N/mm/mm

    Eficincia ao Comportamento a fatiga 90% Resistencia a temperatura do asfalto

    Ponto de fuso

    250oC

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    CONCLUSO Foi observado um grande beneficio obtido pela presena da geogrelha de polister no uso nas camadas intermediaras para o controle da reflexo de trincas. O desempenho em termos de aumento da vida til dos recapeamentos variou de 3 a 4 vezes a mais quando comparado com a soluo convencional de uma reabilitao simples para o conjunto de obras avaliadas. O uso desse material permitiu redues significativas no numero de intervenes de manuteno dos projetos em estudo. Foi verificado que mesmo aps da ocorrncia do trincamento por reflexo, a geogrelha de polister conseguiu manter aberturas pequenas das trincas, com um elevado travamento entre os agregados de um lado e outro das paredes. Desta forma, a deteriorao por eroso ao longo das bordas das trincas foi reduzida ao mnimo, este efeito contribui positivamente no desempenho do pavimento ao futuro. Em consequncia, possvel concluir que o potencial de reflexo para uma prxima reabilitao atenuado pela presena do reforo. BIBLIOGRAFIA Goacolou, H., Marchand, J.P. (1982). Fissuration ds couches de roulement. 5me Confrence

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