1erPremioXV_LucieHruskovapantaneiro 16 17 18

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<ul><li><p> 1 </p><p>Os smbolos contemporneos da cultura pantaneira </p><p>do Mato Grosso do Sul </p><p>Lucie Hrukov, 11 de Agosto de 1984 5 ano do curso do Comrcio Internacional lehle 17, 62100, Brno e-mail: hruskova@seznam.cz Telefone: +420605938569 Vysok kola ekonomick, Fakulta mezinrodnch vztah Tutor: PhDr. Ludmila Mlnkov </p></li><li><p> 2 </p><p>Contedo </p><p>Introduo ......................................................................................................................... 3 Pantanal sul-matogrossese, breve histria...................................................................... 4 A natureza do Pantanal sul-matogrossense .................................................................... 6 </p><p>guas do Pantanal .......................................................................................................... 7 Os bichos do Pantanal .................................................................................................... 9 </p><p>A realidade e os mitos de ona ................................................................................. 11 A realidade e os mitos de cobras............................................................................... 12 As histrias de pescaria............................................................................................. 14 </p><p>Os seres e os lugares imaginrios ................................................................................ 14 O homem pantaneiro ...................................................................................................... 15 </p><p>O ndio .......................................................................................................................... 16 O vaqueiro, o peo e o fazendeiro ................................................................................ 18 A mulher pantaneira ..................................................................................................... 21 </p><p>Concluso......................................................................................................................... 22 Bibliografa ...................................................................................................................... 23 </p><p>Pginas do internet .................................................................................................... 25 Anexos .............................................................................................................................. 26 </p></li><li><p> 3 </p><p>Introduo </p><p>No centro-oeste do Brasil encontra-se uma regio misteriosa e desconhecida onde </p><p>a fronteira entre gua e terra firme to obscura como a diferena entre a realidade e o </p><p>sonho. Para algum que transporta-se durante uma noite de nibus do Rio de Janeiro para </p><p>o Mato Grosso do Sul poderia parecer que j est no outro pas ou at no outro mundo. O </p><p>samba onipresente e as praias de repente ficam muito longe. Mas no, o Brasil mesmo, </p><p>tem pessoas alegres, hospitaleiras e otimistas, somente percebemos a sua face diferente </p><p>que poucos estrangeiros e tambm os prpios brasileiros tm a possibilidade de conhecer. </p><p>Estamos numa regio onde a vida entre as boiadas passa-se nas rodas do terer e </p><p>chimarro, onde os encontros com os bichos bravos e mticos acontecem a cada da, onde </p><p>as pessoas falam com os seus antepassados j falecidos, preparam remdios e chs </p><p>conforme as receitas antigas indgenas para curarem as doenas tenazes e desconhecidas </p><p>e o samba deixou espao msica paraguaia. O horizonte c parece no ter fim, as vacas </p><p>por onde voc olha, de vez em quando aparece uma rvore solitria, smbolo antigo, </p><p>lembrando-nos que a mata impenetrvel reinava aqui h menos de cinquenta anos. s </p><p>vezes podem-se ver grandes lagoas que ainda no tiveram tempo de desaparecer depois </p><p>das cheias do ltimo ano. Parece que a mata j teve que ceder s atividades do homem, </p><p>mas continua a ser smbolo profundo da regio inteira e a fonte da sua vida e cultura. </p><p>Este trabalho pretende mostrar a cultura pantaneira no estado do Mato Grosso do </p><p>Sul que influenciada pelos pases vizinhos e pelos gachos do sul do Brasil. Quer </p><p>destacar todos os smbolos mais importantes da regio que aparecem nas obras literrias </p><p>dos escritores como Manoel de Barros, nas msicas de Almir Sater e do Grupo Acaba, </p><p>nas narrativas orais e na vida cotidiana de cada um dos sul-matogrossenses. </p></li><li><p> 4 </p><p>Pantanal sul-matogrossese, breve histria </p><p>O Pantanal o territrio no centro-oeste do Brasil12 que ocupa tambm as regies </p><p>fronteirias dos pases vizinhos Bolvia e Paraguai. O Pantanal representa uma passagem </p><p>imaginria entre o Chaco infinito paraguaiense, cerrado brasileiro e a selva amaznica. A </p><p>regio considerada o maior pntano do planeta caraterizada por duas pocas extremas </p><p>do ano. Todo o territrio fica inundado durante o vero3 por causa da chuva incessante, as </p><p>fazendas distantes ficam separadas do outro mundo, porque as estradas desaparecem de </p><p>baixo da gua e o nico meio de transporte so as chalanas4 nos rios que transbordam dos </p><p>seus leitos enquanto os animais procuram ltimas ilhotas da terra firme para </p><p>sobreviverem aqui at o inverno chegar. Nessa poca a gua baixa e o Pantanal torna-se o </p><p>palco de desfile de um dos ecosistemas mais diversificados do mundo5. </p><p>Era a poca da chuva quando os primeiros conquistadores espanhis chegaram </p><p>regio. A terra estava completamente coberta de gua, como sempre nesse periodo do </p><p>ano. Ao verem as guas infinitas, chamaram-nas de Mar de Xaras, segundo nome da </p><p>tribo indgena que viva l. </p><p>Os primeiros europeus que comearam a se instalar no territrio do atual estado do </p><p>Mato Grosso do Sul foram os jesutas provenientes do Paraguai. No sculo XVIII a </p><p>regio fazia parte desse pas, mas afinal no por muito tempo6. A situao complicou-se </p><p>bastante com a chegada de significante quantidade de brasileiros regio, o que mais </p><p>1 Na atualidade ocupa dois estados federativos brasileiros, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. </p><p>2 Anexo Figure 1 </p><p>3 Significa o vero brasileiro no Janeiro e Fevereiro. </p><p>4 Anexo Figure 2 </p><p>5 Anexo Figure 3 </p><p>6 Nesse tempo a nica maneira como chegar regio foi pelo rio Paraguai, pois lgico que na </p><p>poca fazia parte do Paraguai. </p></li><li><p> 5 </p><p>tarde resultou na guerra com o Paraguai. O Brasil uniu-se com Argentina e Uruguai </p><p>criando Trplice Aliana e no 1 de Maro de 1870 ganhou o territrio atual do Mato </p><p>Grosso do Sul. A guerra significou a nica coisa, o impacto ainda maior dos imigrantes </p><p>de todos os cantos do Brasil regio. Foram eles que como os primeiros comearam a </p><p>criar o gado e export-lo ao estrangeiro e assim foi essa parte do Brasil incorporada no </p><p>comrcio internacional. Depois de ser realizada, no comeo do sculo XX, a Estrada de </p><p>Ferro Noroeste muitos brasileiros de So Paulo vinham para encontrarem a terra ainda </p><p>no ocupada. Alm deles vieram muitos outros das proximidades de Ponta Por e atravs </p><p>do Rio Paraguai. O povoamento virou mais organizado depois da Segunda Guerra </p><p>Mundial, durante o governo de Getlio Vargas e graas sua Marcha para Oeste7 . </p><p>Vargas vendeu grandes pores de terra s companhas de colonizao das quais uma das </p><p>mais importantes era tambm a Companhia Viao So Paulo/Mato Grosso do imigrante </p><p>tcheco Jan Antonn Baa8. A populao do estado crecia significamente, foram fundadas </p><p>novas cidades e a extenso do estado Mato Grosso comeou a causar dificuldades. Em </p><p>conseqncia disso, o governo militar decidiu no ano 1977 dividir o estado em duas </p><p>partes criando no da 11 de Outubro o estado do Mato Grosso do Sul com a capital </p><p>Campo Grande. </p><p>A histria da formao da rea mostra a origem muito variada do povo sul-</p><p>matogrossense que veio de todas as regies do Brasil, do Paraguai e da Bolvia. Por causa </p><p>disso as pessoas falam no apenas portugus, mas tambm espanhol e guaran. At hoje a </p><p>7 O programa do Getlio Vargas nos anos quarenta teve o objetivo de colonizar as partes do </p><p>Brasil ainda no ocupadas para obter a terra e os recursos naturais. 8 Durante a Segunda Guerra Jan Antonn Baa comprou quase 6000 km2 de terra nos estados do </p><p>Mato Grosso do Sul e de So Paulo fundando 4 cidades das quais Bataguassu e Bataypor ficam em Mato Grosso do Sul. Em Bataypor at hoje moram os descendentes de tchecos que mantm as relaes intensas com o pas da sua origem. </p></li><li><p> 6 </p><p>maioria das pessoas trabalha na pecuria e o pasto provavelmente a nica coisa que </p><p>voc vai ver atravessando o estado de nibus. quase incrvel que sessenta anos atrs </p><p>havia aqui s a mata onde as onas reinavam e o homem lutava com a natureza, muitas </p><p>vezes sem ganhar. As imagens desses tempos so ainda vivas e so o substrato mais </p><p>importante da cultura colorida sul-matogrossense. </p><p>A natureza do Pantanal sul-matogrossense </p><p>A natureza e o Pantanal, essas palavras so como sinnimos. A natureza e os seus </p><p>smbolos penetram em todas as obras literrias sobre o Pantanal e faz parte de todas as </p><p>narrativas orais dos pantaneiros. A natureza interfere nas vidas de todos os moradores do </p><p>Pantanal, o seu arrimo e inimigo ao mesmo tempo, faz sua parte. natural, a vida passa </p><p>c principalmente no campo, a capital Campo Grande no tem nem uma milho de </p><p>habitantes e a economia baseada em agricultura. Alm dos motivos da assonncia com </p><p>a natureza e da luta com ela, so os motivos das obras literrias, msicas e narrativas </p><p>orais, muitas vezes conectadas com a proteo do meio-ambiente pantaneiro e a sua </p><p>forma atual. Os moradores da regio convivem com o lugar e apesar de terem uma vida </p><p>muito complicada, continuam morando na rea e so eles que lutam pela conservao da </p><p>natureza pantaneira. Muitas vezes ajuda a imagem do Pantanal criada pelas </p><p>personalidades da cultura local como cantor e ator Almir Sater, o poeta Manoel de Barros </p><p>e o grupo musical Grupo Acaba9. A gua, a terra, os pastos e a mata, isso tudo Pantanal </p><p>9 Comparado com a cultura da regio da Amaznia brasileira significa a grande diferana.Na </p><p>Amaznia parece que no existe a harmonia entre os povos para lutarem juntos contra a devastao da sua terra e desde os tempos do Chico Mendes nem existe uma personalidade para demonstrar para o resto do Brasil qual a importncia da regio no contexto do pas inteiro. </p></li><li><p> 7 </p><p>e na cultura pantaneira sul-matogrossense tudo juntado no mundo especial em que, </p><p>como bonecos, atuam tanto os bichos selvagens como o povo sul-matogrossense.10 </p><p>guas do Pantanal </p><p>Desde o comeo dos tempos guas e cho se amam. </p><p>Eles se encontram amorosamente </p><p>E se fecundam. Nascem formas rudimentares de seres e plantas </p><p>Filhos dessa fecundao. </p><p>Nascem peixes para habitar os rios </p><p>E nascem pssaros para habitar as rvores. </p><p>guas ainda ajudam na formao das conchas e dos caranguejos. </p><p>As guas so a epifania da Natureza. </p><p>Agora penso nas guas do Pantanal </p><p>Nos nossos rios infantis (Manoel de Barros, guas, 2001)11 </p><p>gua a fonte da vida, faz parte de todas as criaturas vivas e fica no pensamento </p><p>dos todos os seres vivos do Pantanal. O poema gua do Manoel de Barros12 representa o </p><p>exemplo tpico da literatura pantaneira, homenageando a natureza como a parte </p><p>indissolvel da vida cotidiana. Com a gua e a natureza os sul-matogrossenses criaram a </p><p>sua relao mtica ou at sagrada que de certa maneira retoma a posio da natureza na </p><p>vida do povo indgena que morava e ainda mora na regio. O mar e o Pantanal so </p><p>duas palavras consideradas sinnimas13, a origem dessas palavras vem das lendas dos </p><p>10 No ano 1990, passou na televiso a novela Pantanal que por primera vez mostrou para todo </p><p>Brasil o mistrio e a beleza do Pantanal. A novela muito conhecida at hoje pelas imagens maravilhosas da natureza pantaneira e pela descrio da vida e lendas do povo pantaneiro que at esse da no tinha sido conhecido muito. 11</p><p> Editado pela Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) o poema aborda a gua como elemento que inicia a vida das plantas, dos peixes, dos caranguejos, dos pssaros e de todos o seres. Alm de retratar a forte interao que existe entre as guas e o homem do Pantanal. (fonte: http://www.uems.br/portal/noticia.php?idnot=605, acessvel 9 de Dezembro de 2009) 12</p><p> Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiab (Mato Grosso) em 1916. Viveu em Corumb (Mato Grosso do Sul), atualmente mora em Campo Grande (Mato Grosso do Sul). considerado um dos mais importantes poetas brasileiros, cuja obra significativamente conectada com o Pantanal. 13</p><p> SILVA LEITE, Mrio Czar: guas Encantadas de Chacoror Paisagens e mitos do Pantanal. Cuiab, Cathedral Unicen Publicaces. 2003. </p></li><li><p> 8 </p><p>ndios Xaras14. At hoje podemo-nos reparar com vrias lagoas salgadas nas reas de </p><p>Rio Negro e Nhecolndia que podemos encontrar como o tema principal em muitas </p><p>lendas indgenas. A origem exata deles a gente no conhece, mas provavelmente muito </p><p>tempo atrs existia um grande mar no centro da Amrica do Sul o que hoje provam </p><p>algumas pesquisas geolgicas na regio. </p><p>A gua a fonte principal da cultura pantaneira ilustrada na maioria dos contos, doa </p><p>e toma a vida, da gua vem o perigo, na gua nascem os bichos e as criaturas mticas. </p><p>Durante as inundaes anuais a gua corta o acesso maioria das fazendas da regio e os </p><p>rios tornam-se a nica conexo com o resto do mundo. Uma das figuras mticas que nasce </p><p>na gua, Me d'gua, uma espcie pantaneira da sereia que protege os peixes nos rios e </p><p>representa na cultura pantaneira um dos smbolos mais importantes da proteo da </p><p>natureza. Uma outra criatura que se origina da gua uma verso da lenda conhecida </p><p>pelo Brasil inteiro. o Caboclo d'gua, um tipo pantaneiro do Saci-Perer, que tem suas </p><p>cidades no fundo do rio para onde os pescadores so raptados por ele. O Pantanal tem a </p><p>sua lenda sobre um barco fantasma tambm. Afundou na Baa de Chacoror no sculo </p><p>XIX e at hoje percorre seus rios. Sempre possvel ouvir de longe o barulho que os </p><p>marinheiros mortos fazem. </p><p>O perigo no vem s da gua, mas origina-se tambm na mata que ilustrada na </p><p>maioria das obras como o lugar escuro e imprevisvel, como o lugar onde nascem os </p><p>bichos perigosos e desaparecem as pessoas que no compreenderam as regras da natureza </p><p>e sozinhas entraram nesse ambiente temvel. Uma das figuras mticas do Pantanal que </p><p>ataca inesperadamente da mata afora o P-de-garrafa15. A sua aparncia nos mitos </p><p>14 Observe Mar de Xaras </p><p>15 Anexo Figure 4 </p></li><li><p> 9 </p><p>varia. Uns dizem que parece como um cachorro, outros decrevem-no com a cara do </p><p>cavalo, mas todos concordam que ele tem um nico p que deixa sua pegada parecida </p><p>com uma garrafa. O P-de-garrafa hipnotiza suas vtimas e atrai as a uma caverna na </p><p>mata profunda onde as devora depois. </p><p>A gua e a mata so os lugares pantaneiros mticos onde o homem entra com </p><p>respeito, sabendo o que arrisca. O pasto, por outro lado, considerado o reino criado pelo </p><p>homem, mas l tambm espera o perigo. Muitas histrias descrevem as criaturas mticas </p><p>vivendo e atacando nos pastos. Umas das mais conhecidas e freqentes so sobre o </p><p>Lobishomem, a criatura conhecida em todo mundo que tem a sua forma tambm na </p><p>cultura sul-matogrossense. A pessoa mordida pelo cachorro selvagem torna-se </p><p>Lobishomem. As lendas sobre o Lobishomem so populares tanto no campo como nas </p><p>reas urbanas do Mato Grosso do Sul onde as pessoas muitas vezes juram algum dos </p><p>vizi...</p></li></ul>