#15 o poder da intuição

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JUNHO/JULHO DE 2012 – ANO 2 – N O 15 PRESSENTIMENTO? PALPITE? SEXTO SENTIDO? A CIêNCIA GARANTE QUE ELES EXISTEM E, MELHOR, PODEMOS UTILIZá-LOS PARA IMPULSIONAR NOSSOS NEGóCIOS E CARREIRA O que os heróis do cinema têm a ensinar aos administradores Como o mercado religioso se transformou em um segmento bilionário Saiba como identificar o momento certo para começar a sua Daniel Goleman: use a inteligência emocional para turbinar a carreira R$ 12,50 O PODER DA INTUIÇÃO OS VINGADORES NEGÓCIOS DA FÉ PÓS-GRADUAÇÃO ENTREVISTA WWW.ADMINISTRADORES.COM

Author: revista-administradores

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Pressentimento? Palpite? Sexto sentido? A ciência garante que eles existem e, melhor, podemos utilizá-los para impulsionar nossos negócios e carreira

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  • junho/julho de 2012 ano 2 no 15

    Pressentimento? PalPite? sexto sentido? a cincia garante que

    eles existem e, melhor, Podemos utiliz-los Para imPulsionar nossos

    negcios e carreira

    o que os heris do cinema tm a ensinar aos

    administradores

    como o mercado religioso se transformou em um

    segmento bilionrio

    saiba como identificar o momento certo para

    comear a sua

    daniel goleman: use a inteligncia emocional

    para turbinar a carreira

    R$ 12,50

    O PODER

    DA INTUIO

    OS VINGADORES

    NEGcIOS DA F

    PS-GRADUAO

    ENTREVISTA

    www.administRadoRes.com

  • Participe da Histriado Prmio Belmiro Siqueira

    ESTUDANTESDE ADMINISTRAO 2012

    30milreaisem prmios

    Modalidades: Artigo Acadmico

    Tema para artigo:

    Data para envio do artigo:

    Anlise dos resultados da Pesquisa Nacional

    At o dia 28 de setembro

    Perfil de Trabalho do Administrador 2011

    Represente os Estudantes dos Cursos de Bacharelado em Administrao de seu Estado na edio de 2012 do Prmio Belmiro Siqueira de Administrao.

    Para participar consulte o edital e envie para o CRA do seu estado, at o dia 28 de Setembro de 2012, um artigo com o tema: Anlise dos resultados da Pesquisa Nacional Perfil, Formao, Atuao e Oportunidades

    de Trabalho do Administrador 2011, 5 edio.

    Os resultados da referida pesquisa esto sua disposio no endereo eletrnico pesquisa.cfa.org.br para servirem como subsdio ao desenvolvimento do artigo.

    Faa parte desta histria que j premiou dezenas de estudantes de Administrao.

    Acesse o edital pelo portal: www.cfa.org.brInformaes: [email protected] pelos telefones: (61) 3218-1800 / 3218-1809www.belmirosiqueira.org.br

    www.cfa.org.br

    facebook.com/cfaadm

    twitter.com/cfa_adm

    youtube.com/cfaadm CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAOCONSELHOS REGIONAIS DE ADMINISTRAOCFA/CRAs

    SISTEMA

  • 3administradores.comjunho/julho 2012

    editorial exPediente

    Antes de voc comear a leitura desse edi-torial, gostaria que parasse um minuto para responder duas perguntas aparentemente sim-ples: o que e de onde vem a intuio?

    Fiz esse questionamento para uma dezena de pessoas e, pode acreditar, as respostas foram as mais variadas. Alguns falaram que ela vem de uma espcie de sexto sentido do ser humano, como se algum soprasse em nossos ouvidos o melhor caminho a seguir. Outros, no entanto, acreditam que a intuio criada a partir de nosso prprio conhecimento, mas que est no subconsciente. Houve ainda os que consideraram ser um simples desejo pessoal de fazermos algo nossa maneira.

    Independente da variedade de respostas, em um contexto geral, houve um consenso sobre o seu significado. A maioria das pessoas apon-tou que a intuio um pressentimento que no sai de nossa cabea to facilmente e impulsiona a frase que deu ttulo a esse editorial: alguma coisa me diz para fazermos dessa forma.

    Esse pressentimento, inclusive, apesar de no ser encontrado facilmente nos livros de Adminis-trao (e muitas vezes ser ignorado), na prtica, faz parte da vida de milhares de profissionais. No mundo dos negcios, por exemplo, comum adotarmos uma srie de instrumentos para di-minuir as incertezas na tomada de decises. No entanto, muitas vezes essas anlises apontam direes que, na hora da escolha definitiva, ig-noramos e optamos por seguir outro caminho.

    Nos ltimos anos, a cincia tem dado pas-sos significativos para entender o que , como funciona a intuio e, melhor, como utiliz-la a nosso favor. A reportagem de capa dessa edio exatamente sobre isso. Fomos em busca de desvendar alguns segredos sobre o termo e des-cobrimos que a intuio e a prtica de administrar tm mais coisas em comum do que se imagina.

    A Administradores traz tambm trs outras grandes reportagens to importantes quanto pol-

    micas: o mercado da f (negcios), as virtudes e defeitos do servio pblico (carreira) e a hora de fazer uma ps--graduao (acadmico). Os temas revelam aspectos pouco explorados sobre esses assuntos, mas que podem ampliar a reflexo em novas perspectivas.

    Tambm no poderia deixar de comentar algumas timas notcias envol-vendo o Administradores. A primeira, inclusive, est na pgina 8. Nossa fanpage no Facebook lidera o ranking de sites de negcios na rede social com mais de 190 mil seguidores. A outra boa notcia a conquista da meno honrosa no Prmio SAE Brasil de Jornalismo na categoria Internet com a reportagem Os caminhos do Brasil, pelo Administradores.com

    O portal tambm o finalista nacional do Prmio Sebrae de Jornalismo na cate-goria Mdias Sociais, j sendo considera-da uma das trs melhores coberturas so-bre empreendedorismo nas redes sociais.

    muito bom ver que todo o nosso trabalho em prol da Administrao est trazendo resultado e, ao mesmo tempo, sendo reconhecido. Isso nos fortalece ain-da mais na busca de fazer sempre o me-lhor e seguir em nossa misso de difundir o conhecimento. Essa uma jornada que provavelmente no ter fim, mas que pelo simples fato de estarmos nela todos os dias, nos enche de orgulho e satisfao.

    Espero que goste deste exemplar que, inclusive, cresceu. Ganhou mais oito p-ginas de contedo a partir dessa edio.

    Boa leitura!

    Fbio Bandeira de Mello editor

    AlGUmA cOISA mE DIz PARA FAzERmOS

    DESSA FORmA

    cONTATOS

    o PaPel ultilizado nessa revista Possui certificado internacional fsc - nossa Prova de resPonsabilidade ambiental

    PublisheR leandro vieira [email protected] Redao editoR fbio bandeira de mello [email protected] RePRteRes eber freitas [email protected], fbio bandeira de mello, caro allende, mayara emmily [email protected] e simo mairins [email protected] Reviso allana dilene tRaduo nino xavier colaboRadoRes fernando castor, flavio ferrari, henry mintzberg, Jandiara soares, Juan carlos martinez, Knia carvalho, l. a. costacurta Junqueira, llus g. renart, maury Peiperl, Preston bottger, raniere rodrigues, reinaldo carlos, rodolfo arajo, seth godin e stephen Kanitz. aRte diReo Joo faissal | imaginria design [email protected] design e ilustRao thiago castor [email protected] comeRcial diRetoR comeRcial diogo lins [email protected] atendimento ao leitoR anna valria vita [email protected] imPResso gRfica moura ramos www.mouraramos.com.br

    assinatuRaswww.administradores.com.br/[email protected]+55 (83) 3247 8441 coRResPondnciaav. nossa senhora dos navegantes, 415 / 304 - tamba - Joo Pessoa - ParabaceP 58039-110Redao [email protected]

  • 4 administradores.com junho/julho 2012

    34InFoGRFICo A odisseia do empreendedorismo

    51aRtIGo - Autoatrapalha: a autoajuda como voc nunca viu | Rodolfo Arajo- O marketing e a evoluo das espcies | Por Juan Carlos Martinez- Mala direta, sempre atual | Por Reinaldo Carlos

    ndice

    20CaRReIRa- As perspectivas do serviopblico- Os Vingadores: o que esses super-heris tm a nos ensinar- O funcionrio do ms: at que ponto a bonificao pode interferir no trabalho

    18InsIGhtO lado negro das caixas de e-mail | Henry Mintzberg

    48ambIente InteRnoLogstica, Finanas, TI, Marketing e RH pelo Brasil

    50mente abeRtaFazendo decises srias envolvendo dinheiro | Seth Godin

    14aCaDmICoPs-graduao: como saber se est na hora de comear uma?

    36neGCIosShowbusiness religioso: o espetacular mercado da f

    30ContRapontoExiste um nico perfil de liderana?

    29maRketInGNo existe modelo nico no marketing de relacionamento

    28aDmInIs-tRaoQuem so os adminis-tradores do Brasil?

    32peI, buF!Como definir o pblico-alvo para sua empresa?

    40CapaO poder da intuio: descubra o que a cincia e os prprios executivos - tm a dizer sobre isso

    08ambIente exteRno

    09onlIne

    07aGenDa

    06FeeDbaCk

    10entRevIstaDaniel Goleman e a inteligncia emocional aplicada aos negcios

    54joRnalIsmoGonzoPor trs do sorriso da Mona Lisa

    58aDmInIs-tRaDoRes na hIstRIaO carisma contagiante do Papa Joo Paulo II

    59aDmInIstRaDoRa Do FutuRoA visionria Mrcia Conceio Tomas

    66ponto FInal

    Empresas que pagam bem | Stephen Kanitz

    57o que DRuCkeR FaRIaAs dvidas dos leitores tiradas com os conceitos do pai da Administrao moderna

    60FoRa Do quaDRaDo

    62entRetenI-mento- Curiosidades e humor- Aes para um mundo melhor- Leitura: Ascenso e queda do planeja-mento estratgico- Cinema: A inveno de Hugo Cabret

    56quIzVoc um profissional que faz acontecer?

  • 6 administradores.com junho/julho 2012

    soCIeDaDe Do FutuRoQuero parabenizar mais uma vez a equipe da revista Administradores pela exce-lente edio Abril/Maio. A capa j um chamariz e atia curiosidade para leitura. A matria Sociedade do futuro surpre-endeu e vem nos mostrar uma realidade que h poucos anos atrs ficvamos imagi-nando como seria e hoje vivemos esse futuro que tem mudado nossos hbitos, forma de pensar e o que queremos deixar para as geraes futuras. Ouvimos muito falar de sustentabilidade, mas ser que realmente tem sido colocada em prtica? Fica a pergunta no ar.alIsson alCntaRa

    bRanDInG: alm Da moRte 2Tem coisas que realmente ficam na mente. Os comerciais da Kolinos sempre foram muito legais. impossvel no lembrar do Ayrton Senna e imediatamente lembrar do Nacional. Ser cliente Nacional era ser campeo (pelo menos no pensamento). Quem no se lembra do jingle o tempo passa, o tempo voa, e a poupana Bamerindus continua numa boa... e dos comerciais com aquele Sr. barbudo, super carismtico (que ria de olhos fechados)? Muitas empresas atualmente esto se esforando muito para se distanciar dos consumidores, achando que so bobos, que no tm opinio prpria, que no so sabedores de seus direitos. A verdade que essas empresas antigas eram mais humanas...alex arauJo

    Capa 2Muito bacana a capa... Parabns para a rapaziada da arte!hector thyso

    Capa 3A capa est super bacana. Vocs esto sempre caprichando! Parabns!ligia ignacio

    bRanDInG: alm Da moRte 1Parabns aos construtores dessas marcas. Apesar de tudo, conseguiram faz-las permanecer por longos anos na memria do povo. E ainda assim nos deixar lembranas, exemplificando a Mesbla. Muitas saudades. Jorge Passos

    Capa 1A capa est maravilhosa. Essa revista muito boa. Recomendo. Vale a pena ler!evaldo costa

    exame De suFICInCIa na aDmInIstRao 1Digam o que quiserem, mas a sociedade, ns, brasileiros, precisamos ter um maior controle de qualidade dos profissionais que entram no mercado, que j no consegue se autorregular. Eu apoiaria 100%, no s para administradores, mas para todos os cursos superiores! isabela fernandes Kattar

    exame De suFICInCIa na aDmInIstRao 2Com o fluxo de recm-formados que as universidades despejam pela rua todos os anos, esse tipo de iniciativa no passa de uma tentativa de dificultar a vida dos que chegam agora profisso, por parte do grupo que viveu muito bem sem licena. Criar regrinhas, associaes, sindicatos e tudo o mais com a desculpa de que para organizar e qualificar no passa de um engodo intil, pois a concorrncia est a, avassaladora. laura sil

    ColaboRanDoComo sempre, vocs esto de parabns pelas matrias, artigos, entrevista e tudo que compe a revista. Eu apenas no entendi o porqu da mudana de mensal para bimestral, mas toda mudana feita com um propsito. Quero agradecer por participarem da minha carreira com enri-quecimento de contedo para utilizar no mercado de trabalho e no dia a dia. Espero ansioso pelo prximo exemplar!saulo tarso s.s.

    mande tambm o seu Recado PaRa a administRadoRes atRavs do [email protected]

  • 7administradores.comjunho/julho 2012

    EVENTOS

    XIX cONAmERcOResponsvel: CFA

    Local: Uberlndia MGInfo: adm.to/conamerco

    BPO SummitResponsvel: IQPC

    Local: So Paulo SPInfo: adm.to/

    summit2

    Seminrio HSm Philip Kotler

    Responsvel: HSMLocal: Recife PE

    Info: adm.to/seminario_hsm

    EnANPAD 2012Responsvel: ANPAD

    Local: Rio de Janeiro RJ

    Info: adm.to/enanpad12 XlVII clADEA

    Responsvel: ESANLocal: Lima Peru

    Info: adm.to/cladea2012

    XXII ENBRAResponsvel: CRA/RJ

    Local: Rio de Janeiro RJ

    Info: adm.to/enbra

    XXXVIII Encontro Nacional dos Estudantes

    de AdministraoResponsvel: Fenead/RN e COE

    Local: Natal RNInfo: adm.to/enead12

    Formao e certi-ficao Interna-

    cional Professional & Self CoachingResponsvel: IBC

    CoachingLocal: So Paulo SP

    Info: adm.to/self_coaching

    congresso Nacional sobre

    Gesto de PessoasResponsvel: ABRH

    NacionalLocal: So Paulo SP

    Info: adm.to/conarh12

    HR Shared Services

    Responsvel: IQPCLocal: So Paulo SP

    Info: adm.to/hr_shared

    13 junho 16 junho

    19 junho18 junho

    22 setembRo

    22 outubRo

    5 novembRo

    21 junho

    16 agosto

    10 julho

    thinkstock

  • 8 administradores.com junho/julho 2012

    ambiente externo | RPidas

    NEymAR: Showman DO mARKETING

    lDER ENTRE OS SITES DE NEGcIOS NO FAcEBOOK

    A BOlHA FAcEBOOK E O cASRIO DE zUcKERBERG

    cNcER: qUANDO O AmBIENTE DE TRABAlHO TAmBm DE RIScO

    O jogador Neymar lidera o ranking dos atletas com maior potencial de marketing do mundo. Segundo levantamento realizado pela revista inglesa SportsPro, especializada em negcios do esporte, o atacante est frente do norte-irlands Rory Mcllroy, lder do ranking mundial de golfe, e do argentino Lionel Messi, eleito melhor jogador do planeta pela Fifa nos ltimos trs anos. O velocista jamaicano Usain Bolt, que ocupava o primeiro lugar no ranking de 2011, passou este ano para a quarta posio. Atualmente, Neymar tem contrato de patrocnio com 11 empresas: Ambev (Guaran Antarctica), Banco Santander, Claro, Heliar, Lupo, Nike, Panasonic, Red Bull, Tenys P Baruel, Unilever e Volkswagen.

    A empresa Dito divulgou na primeira quinzena de maio mais um panorama das marcas no Facebook, feito atravs da ferramenta GraphMonitor. No levantamento, a fanpage do Administradores.com apontada como a maior entre os sites de negcios. O ranking, que inclui dados coletados at o incio de maio, apresenta a pgina na primeira posio, frente dos canais Exame.com, PEGN, poca Negcios e Voc S/A, que completam as cinco primeiras posies. No levantamento, o Administradores.com contava com 183.196 fs. Hoje, a fanpage j ultrapassou a marca de 190 mil fs.

    19 tipos de cncer podem ter relao com o ambiente de trabalho. Essa uma das concluses do levantamento Diretrizes de vigilncia do cncer relacionado ao trabalho, do Instituto Nacional do Cncer, que lista mais de 100 substncias cance-rgenas que podem ser encontradas no ambiente profissional, como poeiras de cereal e de madeira. Os dados tambm apontam que, no trabalho, os casos mais comuns da doena so: cncer na bexiga, na laringe, na pleura, no nariz, de pulmo, de pele e leucemia. No entanto, estima-se que cerca de 46% dos casos relacionados ao trabalho no so comunicados, devido falta de informao sobre o assunto.

    Aps meses de expectativa, o Facebook teve uma estreia insossa na Nasdaq, marcada por uma pane geral nos compu-tadores da bolsa que atrasou em meia hora o incio das transaes. No primeiro dia, as aes comearam valendo US$ 42,05, chegaram a US$ 45 e fecharam cotadas a US$ 38,23 o que levou a uma captao de US$ 16 bilhes. Na segunda--feira, primeiro dia til aps o IPO, as aes tiveram uma queda de 11,43%, e muitos investidores que no conseguiram comprar os papis no primeiro dia agra-deceram aos cus e aos computadores defeituosos da Nasdaq. No dia seguinte abertura, o CEO e acionista majoritrio Mark Zuckerberg se casou com a mdica sino-americana Priscilla Chan.

    gostaRia que vocs soubessem que lamento

    PRofundamente que a questo tenha afetado a comPanhia e todos vocs

    ScOTT THOmPSONpresidente-executivo do yahoo!,

    que admitiu ter inventado parte de seu currculo

    uma home-nagem muito

    gRatificante, mas acRedito que o

    dinheiRo PodeRia seR investido em obRas Pblicas

    GUSTTAVO lImA

    cantor sertanejo de 22 anos. vereadores da sua cidade, Presidente olegrio (mg),

    aprovaram a construo de uma esttua dele

    eu imaginei como geoRge bush seRia se estivesse

    incRivelmente chaPado

    JOHNNy DEPP

    ator, explicando como criou sua verso do personagem Willy Wonka do filme a fantstica

    fbrica de chocolate

    o sonho de jobs antes de moRReR eRa desenvolveR

    o icaR

    mIcKEy DREXlER

    membro do conselho administrativo da apple, sobre o plano da marca de lanar um

    carro

    FRASES

    divulgao

  • 9administradores.comjunho/julho 2012

    online | www.administRadoRes.com

    qUAl A ImPORTNcIA DO deSign NA ADmINISTRAO?

    ORAmENTO INTElIGENTE

    SIm, VOc PODE SER Um GNIO NO qUE FAz

    EU FRAcASSEI NO PODE SE TRANS-FORmAR Em EU SOU Um FRAcASSO

    REmOTE PRINT

    qUE TAl FAzER O qUE REAlmENTE GOSTA?

    Rique Nitzsche destaca o valor do design para a existncia dos diferentes tipos de mercado

    Colabora para manter as finanas organizadas. Contm recursos como mltiplas moedas correntes, vrias contas, transaes planejadas e sincronizao em nuvem.

    Ele se conecta ao compu-tador para executar a impresso e imprime documentos distncia atravs da rede WI-FI.

    Fbio Zugman aponta o autoco-nhecimento para descobrirmos o que realmente gostamos de fazer

    O professor Michael Hall explica como o profissional pode acessar seu gnio pessoal

    O consultor Tim Harford fala sobre a importncia do erro no trabalho

    [email protected]

    FAcEBOOKadm.to/

    facebookadm

    ORKUTadm.to/

    orkutadm

    lINKEDINadm.to/

    linkedinadm

    ARTIGOS #FICADICA

    ENTREVISTA

    aPPENQUETE

    mOBIlIDADE: O qUE FAzER PARA AlcAN-lA PlENAmENTE

    7 DIcAS PARA OTImIzAR SEU DIA

    cOmO PREPARAR UmA APRE-SENTAO ENcANTADORA?

    FOI DESTAqUE NA WEB

    Especial do Administradores.com mostra os desafios para a consolidao do modelo de mobilidade ideal no Brasil

    Com o tempo curto e a correria habitual na rotina, o planejamento uma exce-lente soluo para organizar o dia

    Se voc est precisando apresentar algo na universidade ou no seu trabalho, bom ficar atento a algumas dicas

    adm.to/caminhos_do_brasil

    adm.to/design_adm

    adm.to/prazer_no_trab adm.to/tim_harford

    adm.to/michael_hall

    adm.to/apresentar adm.to/dicas_tempo

    thinkstock

    thinkstock

    thinkstock

    90.89% 9.11%sim, pois dessa forma trabalho mais motivado (a)

    no, pois fao meu trabalho de forma

    independente

    A EmPATIA cOm O cHEFE E A EqUIPE Um FATOR DETERmINANTE PARA

    VOc REAlIzAR BEm SEU TRABAlHO?

    thinkstock

  • 10 administradores.com junho/julho 2012

    entrevista | daniel goleman

    Autor do best-seller Inteligncia emocional e de mais de 10 livros sobre psicologia, educao, cincia e liderana, Daniel Goleman fala sobre a

    inteligncia emocional no ambiente de trabalho.

    por eber freitas e jandiara soares | foto divulgao

    A inteligncia emocional

    aplicada aos negcios

  • 11administradores.comjunho/julho 2012

    Voc diria que possvel motivar ou desenvolver empatia a partir de uma motivao puramente interna, ou necessria uma fora externa?

    como podemos desenvolver a nossa inteligncia emocional?

    Na verdade, a melhor motivao para desenvolver fora men-tal e inteligncia emocional interna; voc tem que ter o desejo de melhorar. Por exemplo, a empatia social, sua habilidade de compreender o ponto de vista ou perspectiva de outra pessoa e, assim, sentir o que ela est sentindo. Voc pode receber mensagens sutis do mundo externo dizendo que no to bom nisso quanto precisa, mas ento s depende de voc decidir o quanto se importa e o quanto est disposto a fazer para melho-rar nesse aspecto. Somente motivado voc pode desenvolver intencionalmente a sua fora mental e a inteligncia emocional.

    Existem cinco passos. Primeiro voc tem que se perguntar: Isso realmente importante para mim?. Voc tem que es-tar motivado, tem que visualizar seus objetivos, analisar seus valores e aonde voc quer chegar na vida e na carreira. Se voc responder a essa primeira pergunta, parta para o se-gundo passo: uma anlise de 360 graus, como o ESCI (si-gla em ingls para Inventrio de Competncias Emocionais e Sociais), conseguindo, assim, uma avaliao honesta.

    Quando nos avaliamos, nossa viso pode ser distorcida pelos nossos pontos cegos. Mas em um 360 voc recolhe confidencial-

    mente e anonimamente as opinies de pessoas que voc respei-ta, chegando a uma mdia. O terceiro passo olhar para esses resultados e identificar as suas habilidades de inteligncia emo-cional e autoconscincia: a maneira que voc se administra, como voc empatiza com as pessoas, como voc forma relaes, sua persuaso, cooperao e capacidade de trabalho de equipe.

    Onde quer que seja, identifique a rea na qual voc acredita que vale a pena o seu tempo e esforo para melhorar. A voc estabe-lece um plano de mudana, um contrato consigo mesmo sobre um comportamento especfico que voc tentar mudar, como parar e ouvir atentamente o que est sendo dito, compreender completa-mente o que voc est pensando antes de falar. Em um dilogo, isso melhora bastante a sua empatia. O quinto passo tentar seguir este comportamento em todas as oportunidades que se apresenta-rem. Se voc fizer isso durante trs, seis meses, ver que as pes-soas comearo a reagir e, dessa forma, notar a sua melhora.

    estes de QI sempre foram tomados como

    parmetros de mensurao da intelign-

    cia individual e, por tabela, ainda so um

    meio de um sujeito dizer que mais inteli-

    gente do que os outros sua volta. Mas o que as organizaes,

    governos e a sociedade precisam de lderes sensveis, que

    saibam desenvolver uma empatia social com a sua equipe;

    essa competncia vital no front das crises, seja quais forem

    as suas propores. Aqui entra o psiclogo Daniel Goleman e

    sua teoria da inteligncia emocional.

    A trilha acadmica de Goleman extensa, e o relato de sua

    experincia mais ainda. Comeando pelo meio, ele concluiu os

    seus estudos de doutorado e ps-doutorado em Harvard aps

    vrias viagens pela sia estudando mtodos ancestrais de

    psicologia, como a meditao. O trabalho resultou no livro, A

    mente meditativa, o primeiro de uma dezena. Mas o verdadeiro

    sucesso editorial veio com Inteligncia emocional, concludo

    em 1995: cinco milhes de cpias vendidas, traduzido para

    mais de 40 lnguas. Ele tambm professor, consultor e jor-

    nalista cientfico, com 12 anos de contribuio para o The New

    York Times.

    A teoria da inteligncia emocional um verdadeiro mantra

    da liderana, especialmente para os leitores corporativos. A

    forma como lidamos com as nossas emoes, atitudes e rela-

    cionamentos capaz de dizer mais precisamente como agimos

    diante das situaes profissionais, e isso importa muito mais

    do que testes padronizados. Como exemplo, o psiclogo cita a

    empatia social, a habilidade de compreender o ponto de vista

    ou perspectiva de outra pessoa e, assim, sentir o que ela est

    sentindo. Confira a entrevista que ele concedeu com exclusivi-

    dade administradores.

    T

    Onde quer que seja, identifique a rea na qual voc acredita que vale a pena o seu tempo e esforo para melhorar

    Existe algum tipo de teste usado para medir a inteligncia emocional ou ela s pode ser identificada em situaes prticas?

    Acredito que todos podemos sentir a inteligncia emocional de uma pessoa sempre que interagimos com ela. Temos meio que um radar natural para isso. Com algumas pessoas voc sente essa atrao, uma qumica, uma simpatia. Esse um sinal cla-ro de uma inteligncia emocional desenvolvida; j com outras pessoas voc no consegue estabelecer uma ligao, elas so um pouco diferentes. um sinal de que precisam de ajuda com a

  • 12 administradores.com junho/julho 2012

    entrevista | daniel goleman

    Assim como os arqutipos da morte e do heri esto presentes no inconsciente humano, a imagem do lder tambm figura no nosso imaginrio. Voc diria que essa imagem pode ser considerada um arqutipo?

    Voc mencionou que as pessoas precisam des-cobrir o que querem para continuarem motiva-das. como voc prope que faamos isso?

    Se falarmos na esfera empresarial, no campo dos negcios, h testes assim?

    Um bom lder no apenas bom em delegar fun-es, ele precisa ser capaz de transmitir emo-es. qual a importncia dessa funo?

    Em sua opinio, aqueles que tm uma vida mais saud-vel e feliz, marcadas por vrios relacionamentos e vidas sociais mais intensas, so melhores em seu trabalho?

    Em seu trabalho voc discorre sobre cinco tipos de inteligncia emocional: autoconhecimento emocio-nal, o controle emocional, auto-motivao, o reco-nhecimento de emoes em outras pessoas e a habi-lidade de manter um relacionamento interpessoal. cada um desses tipos serve como requisito para o outro? Para trabalhar essas inteligncias emocio-nais, deve-se trabalhar os estgios anteriores?

    Apesar do conceito de inteligncia emocional ser algo recente, voc acredita que ele j era familiar aos grandes lderes e filsofos da antiguidade?

    Penso que a imagem de um lder o que poderia ser chama-da de um arqutipo fundamental, construdo durante milhes de anos de evoluo na mente inconsciente humana. O lder como um pai em um sentido bastante primitivo: algum em quem ns procuramos segurana em tempos de crise, incer-teza e estresse, assim como uma criana procura um pai.

    Para conhecer os seus prprios valores voc precisa de autoconhecimento. Precisa saber o que importa para voc, e trabalhar um senso prprio do que certo e errado.

    No campo dos negcios existem testes que auxiliam na seleo para contratao e testes que facilitam notar aqueles que mere-cem ser promovidos a posies de liderana. Eu fui co-criador de um processo em 360 graus para desenvolver a inteligncia emocional de lderes chamado ESCI. Ele foi criado para que tanto o indivduo se autoanalise, como tambm para que aque-les que o conhecem bem o avaliem. Ento voc pode decidir em que rea precisa de ajuda para desenvolver-se e pode usar o programa como um motivador para o seu prprio crescimento.

    O trabalho emocional de um lder extremamente impor-tante e consiste em ajudar as pessoas a chegar a um es-tado emocional ideal, em que elas consigam trabalhar melhor, e mant-las nesse estado. Sinceramente, acredi-to que essa a funo mais importante de um lder.

    Diria que as pessoas geralmente mais positivas, extrovertidas e bem conectadas com outras nas suas vidas sociais podem trazer isso para o trabalho, tornando-se bons colaboradores, trabalhadores em equipe e possivelmente timos lderes. Ento sim, com certeza.

    Penso que a parte mais fundamental da inteligncia emo-cional a primeira, o autoconhecimento. A maneira como administramos a ns mesmos a segunda parte. A terceira depende completamente do quanto nos conhecemos, as-sim como a nossa capacidade de estabelecer relacionamen-tos com os outros depende da habilidade de empatizar com eles. Cada uma das partes usa as anteriores como base.

    Acredito que os elementos bsicos da inteligncia emocional sempre formaram lderes excepcionais desde a antiguidade at os tempos modernos. A diferena que hoje ns enten-demos a base cerebral, e temos maneiras de medir isso nas pessoas e de ajud-las a desenvolver esses traos. Essa uma prtica antiga, mas um conhecimento completamente novo.

    sua inteligncia emocional. Ento, por um lado, todos ns temos um senso inato para isso, por outro, existem atualmente vrios testes direcionados inteligncia emocional. Alguns no so muito bons, e outros so muito bons para propsitos especficos.

  • 13administradores.comjunho/julho 2012

    difcil no comparar o conceito de inteligncia emocional com o de inteligncias mltiplas pro-posto por Howard Gardner. Existe alguma simila-ridade ou afinidade entre essas duas teorias?

    E qual a sua relao com Gardner? Vocs j trabalharam juntos?

    Para encerrar, quais os resultados em uma empre-sa que cria esse ambiente harmnico e encoraja o desenvolvimento da inteligncia emocional?

    Em vrias situaes o lder formal no necessariamente o lder emocional de um gru-po e isso pode criar vrios problemas. como re-solver esses conflitos em uma empresa?

    Voc lanou recentemente o livro o crebro e a inteligncia emocional (The brain and emotio-nal intelligence, ainda sem verso em portugus). O que pode nos falar sobre esse trabalho?

    Eu constru o meu prprio modelo. No trabalho de Howard Gardner ele fala de vrios tipos de inteligncia, duas das quais so chama-das intrapessoal e interpessoal. Intrapessoal o autoconhecimento e interpessoal so nossas habilidades de estabelecer e manter relaes pessoais. A inteligncia emocional uma maneira de examinar esse objeto de maneira mais detalhada, especialmente de uma forma que seja til para o ambiente de trabalho e liderana.

    Ns no trabalhamos juntos. Ns nos graduamos na uni-versidade juntos, nos conhecemos h bastante tem-po e eu respeito profundamente o seu trabalho. Somos bons amigos, mas no fazemos pesquisas juntos.

    Melhores resultados financeiros, melhor nvel de satisfao dos empregados, melhor motivao e uma maior reteno de talento, evitando que as pessoas mais importantes deixem a companhia.

    A situao ideal aquela onde aquela pessoa com o ttulo de lder (o chefe, CEO, presidente etc.) tambm a pessoa que desempenha o papel de lder emocional. Essa a situao que voc deseja. Quan-do esses dois papis so ocupados por pessoas diferentes, voc tem dificuldades srias, porque as pessoas tm muita considerao pelo lder emocional, e se o suposto lder no tem o mesmo respeito ou a mesma importncia, ele ser bem menos eficiente do que deveria.

    Bem, quando eu escrevi o livro Inteligncia emocional e vrios outros, tentei sempre me manter o mais atualizado possvel, especialmente no campo da pesquisa cerebral. Mas fazia vrios anos desde a ltima vez que eu tinha escrito algo sobre lide-

    rana ou inteligncia emocional, ento achei que era um bom momento para analisar as descobertas mais recentes sobre o crebro e o que elas significam para a pesquisa de inteligncia emocional. Por isso que eu escrevi O crebro e a inteligncia emocional, e l eu falo sobre criatividade e como um administra-dor pode criar condies que encorajem pensamento inovador. Baseado em pesquisas recentes, pude descrever maneiras pe-las quais os lderes podem criar circunstncias que possibilitem s pessoas trabalharem melhor. Essa rea de anlise de per-formance deve muito a uma compreenso recente do relacio-namento entre as emoes e o resto do crebro. Assim, pude descrever vrias situaes importantes para o ambiente de trabalho e ver como a nova pesquisa cerebral pode nos ajudar.

    O lder como um pai em um sentido bastante primitivo: algum em quem

    ns procuramos segurana em tempos de crise, incerteza e estresse

    Em Inteligncia Emocional, Goleman analisa como as emoes podem atuar em favor da inteligncia do indivduo, engrossando o coro de especialistas que rebatem o QI como teste padro de mensurao da inteligncia

  • 14 administradores.com junho/julho 2012

    acadmico | Ps

    Alguns preferem emendar com o trmino da graduao; outros indicam um pouco mais de experincia profissional. Saiba como identificar o momento certo para comear uma

    ps-graduao lato sensu e as reas mais procuradas na Administrao.

    PS-GRADUAO: como sAber se est nA horA de

    gAlgAr esse degrAu nA cArreIrA?por eber freitas | imagem thinkstock

  • 15administradores.comjunho/julho 2012

    A ps foi um elemento essencial para que eu fosse promovido a gerente na poca, e com certeza foi o que me incentivou a ser um empreendedor, a identificar uma opor-tunidade e iniciar uma empresa do zero, relata o empresrio, scio-fundador da SafeWay Consultoria.

    A histria de Umberto aponta um ca-minho que muitos profissionais e recm--formados esto tomando: continuar os estudos atravs de uma ps-graduao. No entanto, a dvida comum de boa par-te dessas pessoas saber qual o melhor momento para faz-lo.

    Esse timing de quando iniciar uma ps--graduao, segundo especialistas, vai de-pender de inmeros fatores to particulares que apenas o prprio profissional ser capaz de saber precisamente a hora de iniciar. Mas preciso ter critrios e ser cauteloso ao es-colher o momento certo e, acima de tudo, a melhor rea para atuar. A primeira falcia que deve ser evitada a de que qualquer ps-graduao serve e o que importa in-crementar o currculo.

    ATITUDE cERTA, mOTIVAO EqUIVOcADAApesar de concordar com o fato de que a exigncia do mercado um critrio que pesa muito na hora da deciso, o professor Joo Paulo dos Santos acredita que a principal motivao deve ser a busca por conheci-mento. As pessoas precisam se empenhar e estudar continuamente. A essncia da busca de um programa de ps aumentar conheci-mentos para que voc possa ter uma condi-o melhor, diz.

    Esse foi o critrio utilizado pela asses-sora de imprensa Clara Marinho. Formada em Jornalismo h trs anos, ela iniciou re-centemente uma especializao na rea em

    que atua. O motivo: queria algo mais prtico que me ajudasse diretamente no meu atual emprego. O que me foi passado na univer-sidade por muitas vezes se tornava escasso no dia a dia e sentia sempre a necessida-de de ter, em teoria, aquilo que eu vinha colocando em prtica.

    por isso que os planos para uma espe-cializao ou MBA devem estar alinhados com o planejamento de carreira do profis-sional. As qualificaes aleatrias, feitas sem critrio, em vez de monetizar o conhe-cimento e levar a cargos mais altos, podem criar funcionrios insatisfeitos com o atual posicionamento, cheios de teorias acumula-das, porm incapazes de assumir postos es-tratgicos nas empresas. Em outras palavras, operacionais muito inteligentes, mas apenas operacionais.

    SUPRINDO DEFIcINcIAS...De acordo com o ltimo censo do ensino su-perior, realizado em 2010 pelo Ministrio da Educao e Cultura (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacio-nais Ansio Teixeira (Inep), o Brasil conta com 29.507 cursos de graduao em 2.377 instituies de ensino superior pblicas e privadas. Elas atendem a mais de 6,3 mi-lhes de alunos, contando com apenas 345 mil professores.

    Somando-se esse cenrio evidente deficincia estrutural das universidades pblicas e o baixo conceito obtido por di-versas instituies, no difcil inferir que nem sempre um curso superior forma um profissional completo. E para suprir eventu-ais falhas na formao, uma ps-graduao pode ser fundamental.

    A consultora de RH Snia Nakabara tambm acredita que uma boa escolha jus-tifica o investimento de tempo e dinheiro em

    uma ps. Fazer por fazer tambm no d. Apesar de ser uma exigncia, ela tem que agregar alguma coisa. Tem gente que faz uma ps atrs da outra para ficar atualizada no mercado, mas isso tem que ser feito pelo conhecimento, algo pensado para que voc aumente a empregabilidade, sugere.

    E ADqUIRINDO cOmPETNcIASTenho certeza que hoje nenhum profissio-nal consegue se sentir completo apenas com sua graduao, relata a jornalista Clara Marinho. Sempre procurei ficar antenada atravs de artigos, livros, pesquisas na web, mas a falta do debate no meio acadmico uma hora pesa. No procurei uma ps ape-nas pelo ttulo em si. A troca de experincias e o ambiente so bastante vlidos, sem con-tar que vejo a especializao apenas como o segundo batente de uma escada. E pretendo chegar ao final, afirma.

    O consultor de TI, Umberto Rosti, mes-mo formado em Administrao, optou por melhorar suas competncias como tecnlo-go alinhando-as sua capacidade de gestor. Agora pretende voltar s origens. Estou bem inclinado a fazer uma ps na rea de negcios para complementar minhas ne-cessidades, disse. Gostaria de fazer outra fora do Brasil, o que para o mercado seria um bom diferencial, mas temos aqui alguns bons cursos. Estou buscando tempo para en-trar nessa jornada.

    Formada em Psicologia, Nakabara pre-tendia seguir a carreira clnica quando resol-veu optar pela rea organizacional e fez uma especializao voltada para marketing de servios. Acabei focando minha carreira na rea de ps-venda, de relacionamento com o cliente. Eu precisava entender mais essa par-te do marketing da empresa, e a fui buscar essa especializao, relata.

    O leque de possibilidades de ps-gradu-ao atualmente enorme. Administrao, inclusive, um curso privilegiado nesse aspecto. Por conta de sua multidisciplinari-dade, possui dezenas de especializaes e MBAs que podem ajudar profissionais de di-ferentes reas do conhecimento. Basta ape-nas analisar as oportunidades disponveis, escolher a do seu interesse e... bons estudos.

    uatro anos aps a concluso do curso universitrio

    em Administrao, Umberto Rosti, que j trabalhava

    com auditoria e consultoria em Tecnologia da Infor-

    mao, decidiu partir para um MBA em Gesto de TI.

    A bvia motivao para ascender ao nvel gerencial

    da empresa onde trabalhava e a necessidade de adquirir conhecimentos

    e habilidades na rea foram os fatores que mais influenciaram Umberto,

    que hoje tem o seu prprio negcio.

    Q

  • acadmico | Ps

    Tanto a especializao quanto o Master of Business Administration (MBA mestre em Administrao de Empresas), no Brasil, correspondem ao nvel de ps-graduao lato sensu.

    Ao optar por um curso lato sensu, importante verificar se a instituio cumpre a carga horria mnima exigida pelo MEC, que de 360 horas. Ao final do curso, o aluno recebe um certificado, e no um diploma. O Ministrio disponibiliza uma ferramenta on-line com a relao de todas as instituies credenciadas (emec.mec.gov.br). J o nvel stricto sensu refere-se aos cursos de mestrado profissional, mestrado acadmico e doutorado.

    Com o avano das tecnologias, surge naturalmente a demanda por servios ligados a esse mercado. As indstrias de apli-cativos e cloud computing, por exemplo, so reas bem pro-missoras que esto rendendo timos cases em empreendedo-rismo digital, dada a facilidade em emplacar novas solues.

    O Brasil um pas continental e sempre vai ser (a no ser que um conflito imperialista ou sepa-ratista fragmente o nosso terri-trio). Com isso, h uma deman-da constante por servios que vo desde transportes de carga at administrao de estoques. O crescimento da economia e de setores como a construo civil representa oportunidades promissoras para essa rea.

    As ferramentas de comunicao on-line esto se tornando cada vez mais diversificadas, e isso cria um campo vasto de traba-lho para profissionais que sai-bam encontrar os clientes certos utilizando os meios apropriados. O especialista em Marketing Digital tambm trabalha para elaborar estratgias de acesso a websites e blogs, bem como a articulao nas redes sociais.

    Elaborar preos, estimar custos e criar novas estratgias de lu-cro so algumas das atribuies do especialista em Administra-o Financeira. Como todas as organizaes precisam de es-tratgias de aumento da receita e dos lucros, o profissional com essa competncia sempre ter uma oportunidade disposio, inclusive em pequenas empre-sas. Bancrios e contadores tambm constituem o pblico--alvo dessa especializao.

    PS-GRADUAO, ESPEcIAlIzAO

    OU mBA?

    ESPEcIAlIzAES Em AlTA

    ti logstica e tRansPoRtes

    maRketing digital

    administRao financeiRa

    16 administradores.com junho/julho 2012

  • A reconfigurao dos mercados globais, o surgimento de novos competidores, como a China, e o declnio das economias outrora desenvolvidas criam o panorama perfeito para a atua-o de especialistas nesta rea. O profissional de Comrcio Exterior trabalha para buscar novas parcerias, fornecedores e mercados, o que exige um conhecimento profundo em outros idiomas e legislaes aduaneiras. Estar antenado com a economia, movimentao dos mercados e atualidades tambm so requisitos importantes.

    Pessoas fazem as organiza-es, no importa qual o ramo de atuao. Um quadro de pessoal bem administrado o que faz a produtividade e, consequentemente, a lucrati-vidade da empresa aumenta-rem de forma sustentada. O gestor de RH tambm orienta o corpo de colaboradores de acordo com os objetivos, a misso, a viso e os valores da companhia. Alm disso, ele pode atuar ou administrar consultorias terceirizadas.

    Atualmente, todas as empresas querem ser, ou parecer, susten-tveis. Essa exigncia vem de todos os agentes, desde clientes at acionistas. Como o Brasil foi, pela segunda vez, o centro mun-dial dos debates sobre o meio ambiente e crescimento econ-mico sustentvel, o segmento corporativo no vai ficar alheio s discusses e objetivos traa-dos na Rio+20. Com isso, espe-cialistas em reas relacionadas sero visados e valorizados.

    Alm de destino turstico, o Brasil tambm ser sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo: a Copa em 2014 e as Olimpadas em 2016. Os hotis esto longe de equilibrar a oferta de quartos para o volume esperado de turistas a cidade do Rio de Janeiro dispe de apenas 45,4 mil leitos, incluindo albergues e motis, segundo dados do IBGE. Esse nmero no pde suprir as necessidades nem para a Rio+20; foi neces-srio encorajar a populao a ofertar quartos para aluguel. Com esse dficit, h muito trabalho para especialistas em Gesto Hoteleira.

    os planos para uma especializao ou mba devem estar alinhados com o planejamento de carreira do profissional

    ESPEcIAlIzAES Em AlTA

    comRcio exteRioR

    RecuRsos humanos

    sustentabilidade e meio ambiente

    hotelaRia

    17administradores.comjunho/julho 2012

  • 18 administradores.com junho/julho 2012

    gesto no uma cincia nem uma pro-fisso. Voc no aprende

    a administrar em uma sala de aula da mesma forma que co-mea a aprender medicina e engenharia. E ningum precisa de um certificado para exercer a gesto. Jack Welch, Andy Gro-ve, Bill Gates e Warren Buffet nunca fizeram uma universidade de Administrao (diferente de George W. Bush).

    A gesto uma prtica de-pendente de experincia. Ela deve ser aprendida no trabalho, embora possa ser aprimorada atravs da troca de vivncias em uma sala de aula, como fazemos em alguns de nossos programas (como o impm.org, mcgill.ca/imhl e CoachingOurselves.com).

    A administrao um tra-balho sutil e cheio de nuances, dependente de gestos, tons de voz e comportamentos, no so-mente palavras. Alm disso, as prprias palavras carregam muito mais significado quando partilhadas ao vivo, de maneira interativa. Na nossa experincia, uma conversao de e-mails ou um texto longo no produzem insights de uma maneira to efi-ciente quanto discutirmos junta-mente ou refletirmos sobre um problema. Quantas ideias criati-vas voc teve respondendo seus e-mails ontem?

    Isso quer dizer que a estru-

    insight

    PRODUTIVIDADEo lAdo negro dAs cAIxAs de e-mAIl

    Acar claro que as redes no so comunidades verdadeiras (tente chamar os seus amigos do Facebook para ajudar na mudana).

    O lADO NEGRO DA TI: PERDENDO O cONTROlEExiste outro problema com as novas formas de Tecnologia da Informao, possivelmente ainda mais perigoso. Elas podem se encaixar bem com o ritmo rpido, variedade e distra-o to prevalecentes no trabalho adminis-trativo, mas podem tambm agravar esses fatores, levando a administrao a um nvel ainda mais frentico de atividade.

    Considere as mensagens de texto e Twitter, com seus 140 caracteres, impondo deliberadamente mais fragmentao. Esses meios acabam dando mais importncia a ga-nhar seguidores do que realizar a verdadeira gesto. Se forem gerenciados de maneira inadequada, isso pode levar a prtica ao exagero, fazendo o gestor perder o controle sobre o seu trabalho e o seu propsito. Isso tambm cria expectativas de uma conexo completa e uma reao exageradamente r-pida, geralmente impensada.

    Os administradores costumavam ficar conectados apenas quando estavam no tra-balho, ou quando prximos de um telefone que precisava de uma linha fsica de alcan-ce limitado. Ento vieram os celulares, e depois o Blackberry, e agora o iPhone e iPad. Que alegria estar sempre conectado! E que terror!

    O quo rpida, o quo frentica, o quo interrompida e fragmentada pode tornar-se a gesto antes que o administrador se per-ca? Quando uma reunio marcada em uma mensagem de texto s 22:30h do domingo para ocorrer s 8:30h da segunda-feira no ser um sinal de que o administrador est co-nectado demais? Quando o seu chefe envia

    tura formal da Tecnologia da In-formao contempornea in-til? Com certeza no. Mas quer dizer que depender muito dela ao invs da interao ao vivo pode ser perigoso. Por exemplo, administradores que acreditem ser capazes de comunicar-se exclusivamente por e-mail, sem pegar um avio ou mesmo sim-plesmente sair de suas salas, podem ter um grande problema: conhecer os fatos, mas perder o significado. Onde esto aqueles gestos, tons de voz e presena nessas salas? Como voc faz uma leitura de uma pessoa?

    Administradores que s mantm contato com o seu tecla-do esto fora de sintonia com o vasto mundo alm de uma tela de LCD desse mecanismo. Como o Facebook e todas as suas ami-zades, redes estendidas podem vir custa dos relacionamentos slidos, to importantes para a administrao efetiva. Deve fi-

    www.coachingourselves.comwww.impm.org

    Quantas ideias criativas voc teve respondendo seus e-mails ontem?

    henry mintzberg um dos autores mais produtivos da Administrao na atualidade com 16 livros publicados (quase todos considerados referncias na rea). Ele professor na McGill University, co-fundador do International Masters Program in Practicing Management, usado por institutos de ensino em Administrao no Canad, Inglaterra, ndia, China e Brasil, e da empresa de desenvolvimento de gesto CoachingOurselves.

    Peter todd professor de Informtica, Cincia Cognitiva e Psicologia na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. pesquisador em tecnologia e desenvolveu modelos de redes neurais da evoluo da aprendizagem.

    por henry mintzberg e peter todd | imagem thinkstock

  • 19administradores.comjunho/julho 2012

    Em outras palavras, quanto mais voc checa suas mensagens, mais sente a necessidade de chec-las, sensao familiar a usurios de Blackberry ou iPho-ne. De acordo com Winifred Gallager no seu livro Rapt, de 2009, para realmente apren-der algo e lembrar-se disso, voc deve manter ateno total no seu objeto.

    DO TIl DISTRAOExistem muitos conselhos pr-ticos sobre como gerenciar o envio e o recebimento de pro-cessos, como lidar com o exces-

    diatamente a responsabilidade de ns para a outra pessoa. Isso pode tornar-se um ato reflexivo, manifestando-se como um hbi-to sensvel ou um vcio perigoso se no for bem administrado.

    qUEm EST NO cOmANDOQuantas provas existem de ad-ministradores perdendo o con-trole? Sem uma pesquisa cau-telosa, difcil precisar. Mas as consequncias podem j ser enormes, e possivelmente at catastrficas. Por exemplo, ser que a recente crise financeira dos Estados Unidos pode ser na verdade uma crise de gesto causada pela falta de ligao dos vrios gestores das companhias de bancos e seguros com as suas operaes? Ser que eles sabiam fatos demais, mas pouco sobre o significado desses dados? Em outras palavras, ser que eles tinham muita informao slida, mas poucas necessrias?

    Seria fcil saber quanto di-nheiro era gerado por hipote-cas em cada trimestre, mas e a informao sobre quem estava adquirindo essas hipotecas? De que serve conhecer os fragmen-tos de informao quando voc desconhece o todo integrado?

    A jaz o perigo dessas novas tecnologias: fornecendo ao ad-ministrador a iluso da compre-enso e do controle, elas podem acabar retirando dele essas mes-mas capacidades. Para quantos a administrao j no se tornou por demais frentica, desconec-tada e superficial, afastando-os daquilo necessrio para a boa prtica da gesto? Como Andrea Batista Schlesinger apontou em A morte do porqu: Eu temo que a cultura da internet v contra o desenvolvimento da sabedoria, pois o rudo muito constante, o ritmo muito rpido, as escolhas imensamente intimidadoras.

    so de informaes etc. O que pouco considerado a compul-so de checar mensagens. Ande pela rua e veja vrias pessoas lado a lado lendo mensagens de texto, um sujeito com as mos embaixo da mesa no meio da reunio ou os vrios outros sa-cando seus celulares na sada desse mesmo encontro. Quando foi a ltima vez que voc verifi-cou suas mensagens?

    Essa compulso, ou vcio, afeta seriamente o modo do trabalho administrativo, aumen-tando a sua brevidade, fragmen-tao e variedade, reforando a propenso natural do admi-nistrador de distrair-se. O que explicaria esta inclinao de focar-se nas mensagens recebi-das, frequentemente de pouca utilidade, ao invs da tarefa nossa frente? Algumas das ex-plicaes para este problema podem ter uma grande impor-tncia no design das tecnologias de comunicao.

    Uma viso cognitiva: checar mensagens requer pouco es-foro e pode ser instintivo. Isso pode nos dar um alvio de tare-fas que exigem mais esforos cognitivos ou emocionais. Alm disso, esse ato pode nos dar a sensao que estamos alcanan-do algo e prover o sentimento de gratificao imediata que acom-panha o finalizar de uma tarefa, mesmo que seja simples.

    Uma viso social: responder a mensagens assim que elas so recebidas indica aos outros que ns somos atentos a suas ne-cessidades e estamos sempre trabalhando duro. Esperamos receber recompensas por esse bom comportamento.

    Uma viso de sade mental: es-perar uma resposta pode induzir ansiedade e estresse. Responder a uma mensagem transfere ime-

    uma mensagem s 6:30 da ma-nh e reclama porque voc ain-da no respondeu s 7:30, no devemos questionar o proble-ma? Considere essa descoberta razoavelmente comum descrita por Joe Robinson no artigo Ali-vie o ataque de interrupo por e-mails (em Entrepreneur.com, maro de 2010).

    Enquanto a capacidade de concentrao dos funcionrios chicoteada por interrupes, algo perturbador acontece no crebro: as interrupes des-gastam uma rea chamada de controle consciente e a sua ca-pacidade de regular ateno.

  • Conhea as possiblidades do administrador neste campo de atuao e as consequncias positivas e negativas que o servio pblico causa.

    as PeRsPectivas do seRvio Pblico

    o nus da cultuRa

    do funcionalismo

    Pblico

    12

    3

    o diRio de

    um gestoR PblicoPg. 22

    Pg. 23

    admin

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    colet

    ividad

    e

    Pg. 21

    carreira | funcionRio Pblico

    20 administradores.com junho/julho 2012

  • arreira pblica. Muitas vezes so

    essas duas palavras que vm

    primeiro na cabea de muita gente

    quando se pensa em estabilida-

    de nos aspectos financeiro e profissional. E como a

    principal porta para o servio pblico se abre por meio

    de concursos, aumenta cada vez mais a concorrncia

    nessas selees. Exemplos disso so os recentes pro-

    cessos seletivos realizados pelo INSS (921.136 inscri-

    tos), Banco do Brasil (com mais de 700 mil candidatos)

    e Caixa Econmica Federal (1.086.513 candidatos).

    Cem questes sociais, da comunidade e negcios sustentveis. O ad-ministrador pblico tem que possuir uma viso muito complexa do planejamento social e estar alinhado com a causa em questo, afir-ma Marcus Ignatti, coordenador dos cursos de graduao em Admi-nistrao e Cincias Contbeis da ALFA/FADISP.

    PERSPEcTIVASA carreira pblica j se configura como uma tendncia no campo profissional dos administradores. Esse fato j foi constatado pela recente Pesquisa nacional sobre o perfil, formao, atuao e opor-tunidades de trabalho do administrador 2011, realizada pelo Conse-lho Federal de Administrao com mais de 21 mil pessoas ligadas rea. Segundo o levantamento, nos prximos cinco anos, um dos setores mais promissores para a contratao de profissionais ser o de Administrao Pblica direta e indireta.

    Os resultados so uma prova do crescimento da importncia das questes pblicas na sociedade, bem como das possibilidades de trabalho desse setor, que precisa de profissionais com viso eco-nmica e social mais apurada, afirma o professor Edson Sadao, co-ordenador do ncleo de empreendedorismo da Fundao Escola de Comrcio lvares Penteado (FECAP).

    De acordo com o acadmico Abrucio, a demanda por adminis-tradores pblicos vai aumentar tambm devido ao envelhecimento da fora de trabalho no servio pblico. No governo federal , por exemplo, at 2020 haver quase 50 mil contrataes, completa. Alm disso, outro fator que torna a rea pblica atraente para os pro-fissionais so os salrios, que podem chegar a 11 mil reais.

    Toda essa vertente, de acordo com o professor de Gesto Pbli-ca da Unicamp Carlos Etulain, deve reforar o verdadeiro sentido do gestor, principalmente para quem est ingressando nessa carreira. Compreender criticamente as situaes do mundo contemporneo princpio bsico da formao desse profissional, pois a viso de mundo integrada ao conhecimento permite encontrar solues aos desafios sociais e econmicos de interesse pblico, afirma. Bom para o profissional, melhor ainda para a sociedade.

    Quem est vivenciando essa situao Anna Paula Santos, que atua na iniciativa privada. Ela j fez pelo menos cinco concursos p-blicos e acredita que essa a melhor opo de carreira. Para mim, uma oportunidade de realizao profissional e financeira, alm de uma maior segurana no futuro, explica.

    E no contexto atual de valorizao crescente do servio pbli-co, muito importante conhecer e entender o funcionamento dessa esfera. Nesse sentido, uma carreira que se destaca por possuir um foco especfico em assuntos desse ramo - seja governamental ou de outras instituies - a de administrador pblico (ou gestor pblico).

    Basicamente, o campo de trabalho uma das caractersticas que diferenciam um administrador pblico de um administrador de empresas. A atuao da Administrao Pblica o que chamamos de espao pblico ampliado, envolvendo governo, terceiro setor, ONGs, interseco entre o pblico e o privado, entre outros, expli-ca Fernando Luiz Abrucio, coordenador do curso de Administrao Pblica da FGV.

    Alm disso, por ter um foco mais voltado ao sistema pblico, o profissional que opta pela carreira deve possuir um interesse maior

    Seu campo de trabalho a esfera pblica, que inclui instituies gover-namentais, ONGs, alm de outras organizaes.

    Dependendo da rea e do organismo onde atua, seu salrio pode atingir aproximada-mente 11 mil reais

    A formao do administrador pblico engloba conhecimentos interdisciplinares de reas mais ligadas sociedade. Exemplos: Administrao, Cincias Sociais, Direito, Economia, entre outras.

    quem e o que faz

    /administRadoR PblicoRemuneRaoReas de

    conhecimento

    Confira os vrios caminhos que a carreira pblica oferece ao profissional de administrao.

    ADmINISTRADOR PBlIcO: mltIplos conhecImentos em prol dA coletIvIdAde

    por mayara emmily imagens thinkstock

    21administradores.comjunho/julho 2012

  • 22 administradores.com junho/julho 2012

    o dIrIo de um

    gestor pblIcoCarreira pblica na

    perspectiva de uma servidora.

    preciso que se estimule outra forma de pensar o servio pblico, sua cultura, a conscincia, a velha lgica penetrada de comodismo. Ou seja,

    mais do que uma estrutura fsica (que tam-bm precisa de ateno), faz-se necessrio um intenso trabalho na formao do servidor pblico, dando a ele noo da importncia da prestao de seus servios sociedade. Ou seja, resignificar seu trabalho, valorizar.

    Como valorizar? Alm da formao terica, moral e cvica mesmo, deveria se encorajar um sistema de promoo mais di-nmico, por meritocracia e no apenas pelo tempo de servio prestado instituio. In-centivar, por exemplo, os servidores que ino-vam, que transgridem expectativas, que so inspirados, colaborativos e tm ideias signi-ficativas que afetem, de fato e positivamente, o modus operandi da empresa.

    Porm, essa uma realidade distante da que percebo hoje, apesar de desejvel. Coloco-me frequentemente a seguinte ques-to enquanto gestora: a quem recorrer para promover mudanas inevitveis?

    No h lideranas. As chefias so os dis-tantes senhores presidentes dessas enormes instituies a quem s temos acesso se per-corrermos aquele longo corredor que enfilei-ra as fotografias amareladas e emolduradas, a fim de revelar o quo resistente ao tempo, incorruptvel, confivel e indispensvel a sua empresa.

    Apresentar um projeto de gesto? De es-tratgia? De inovao tecnolgica? Isso tudo incrivelmente burocrtico e desencoraja-dor. Beira a impossibilidade de execuo.

    Um dos problemas o questionamento do conformismo. Para que otimizar, racio-

    nalizar processos, frequentar cursos de for-mao, economizar material e implementar ideias inovadoras se o salrio est garanti-do no final de cada ms? Para que atender bem quem procura o servio pblico se no h concorrentes? Ou seja, sempre haver a clientela mantida. No h porque conquist--la com publicidade cara, planejamentos mi-rabolantes e estratagemas fantsticos. Alis, melhor no ter clientes satisfeitos. H me-nos trabalho quando eles desistem, vencidos pelo descontentamento. O servio pblico no uma boa pizzaria onde posso escolher entre outras timas e no mesmo quarteiro,

    julgando-as pelos tipos de atendimento que me entendo merecedor.

    A lgica pblica inversa da privada. No trabalho para me manter empregada, apenas mantenho-me empregada, com ou sem trabalho. O que motiva um colaborador na esfera privada a sobrevivncia ao mer-cado, o ideal de vencer na vida, so os de-safios do crescimento profissional e pessoal. No setor pblico a motivao (se que isso motiva) o plano de carreira. Ou seja, es-pere o tempo passar. Essa sua promoo: envelhea conosco! Misso patritica!

    O servidor deveria ser submetido a algu-ma instabilidade constante (e no estabilida-de eterna) que o incitasse na busca contnua do reequilbrio. A meritocracia, por exem-plo, geraria essa instabilidade e competiti-vidade se fosse empregada sem corporati-vismo e com responsabilidade. Algum que ala voos ao seu lado lhe imprime o mesmo desejo. E desejo uma angstia, uma instabi-lidade saudvel. Motiva, movimenta.

    Diferente da empresa privada, que conta com a competitividade como varivel im-portante - porque exige dos colaboradores planejamento estratgico, lucratividade e resultados para continuar a existir no merca-do - a empresa pblica definitivamente no persegue essa coerncia. Se a realidade h uma dcada atrs era de morosidade e ine-ficincia por carncia de estrutura fsica, na atualidade este problema persiste e ainda sublinhado por outro fator a ser observado: a escassez de mo de obra interessada em outra realidade que no essa da comodidade e do deixa como est.

    *isabela couto35 anos - Gestora pblica em Minas Gerais

    por isabela couto*

    carreira | funcionRio Pblico

  • 23administradores.comjunho/julho 2012

    artigo

    PONTODE VISTA

    o nus dA culturA do funcIonAlIsmo pblIco

    leandro vieira publisher da revista Administradores e escreveu esse texto ainda em 2007, sendo o mesmo replicado intensamente por diversos veculos de comunicao de todo o Brasil.

    por leandro vieira

    arece realmente tentador: salrio vita-lcio, benefcios garantidos pelo Esta-do, estabilidade, carga horria conve-niente... Quem nunca desejou passar em um concurso pblico para dar fim

    s aflies motivadas pelas incertezas do conturbado ce-nrio econmico-social atual?

    De fato, milhes de pessoas em todo o Brasil tm se dedicado exaustiva maratona preparatria para os diversos concursos oferecidos pelo setor pblico, em todas as suas esferas. Alguns dedicam anos de estudo, investindo no apenas tempo, mas tambm, dinheiro, muito dinheiro.

    Tudo bem, cada um sabe onde aperta o sapato e o que melhor para a sua vida. A grande questo que o sonho do concurso pblico tem gerado um prejuzo enor-me para o nosso pas. A lgica simples: temos uma boa parcela de nossos talentos buscando vagas em trabalhos que no acrescentam nada ao avano da nao. A maior parte dos cargos pblicos volta-se operacionalizao e manuteno da mquina estatal e nada mais que isso. No estou menosprezando a grande importncia do ser-vio pblico em nosso pas, e tampouco me refiro aos professores e pesquisadores das nossas instituies pblicas, longe disso. A questo que apenas manter a mquina no gera crescimento econmico. algo como uma locomotiva funcionando sem sair do lugar.

    Enquanto se preparam para os concursos, os candi-datos deixam de desenvolver as competncias e habili-dades extremamente necessrias na iniciativa privada. No acumulam experincia, no fazem contatos, e colo-cam em seu currculo apenas os cursinhos preparatrios para concursos. Parecem nunca ter o pensamento e se eu no passar?.

    Um dos principais vetores do desenvolvimento eco-nmico e social de um pas a sua capacidade de produ-zir cincia, tecnologia e inovao. Nesse cenrio, surge o empreendedor como uma fora positiva no crescimento econmico, fazendo a ponte entre a inovao e o merca-do. Vou mais alm: o empreendedor a figura principal desse processo. Apenas pesquisa e desenvolvimento e investimentos em capital fsico e humano no causam o crescimento. Essas atividades tomam lugar em resposta

    P s oportunidades de crescimento, e tais oportunidades so criadas pelos empreendedores. Lembrando Schumpeter, os empreendedores so os impulsionadores do desenvolvimento econmico, os responsveis pelas mudanas econmicas em qualquer sociedade. O seu papel envolve muito mais do que ape-nas o aumento de produo e da renda per capita. Trata--se de iniciar e constituir mudanas na estrutura de seus negcios e da prpria sociedade. Essas mudanas so acompanhadas pelo crescimento e por maior produo, o que possibilita que mais riqueza seja dividida pelos di-versos atores sociais.

    Entretanto, em nosso pas a cultura empreendedora cede lugar, cada vez mais, cultura do funcionalismo p-blico. Por aqui, empreender apenas a sada para os me-nos inteligentes, para os mais necessitados, para aqueles que no tm condies de arrumar um emprego decente ou de passar em um concurso pblico. Est tudo errado.

    A carreira acadmica no atrai os jovens em virtude dos baixos soldos e falta de reconhecimento profissio-nal. O empreendedorismo no os atrai em virtude dos elevados riscos e das enormes dificuldades para se fazer negcios no Brasil. O resultado dessa equao trgico: empaca-se o avano da cincia e dos negcios, a oferta de empregos diminui, a economia estagna e mais e mais pessoas passam a almejar um posto nas instituies p-blicas, alimentando esse crculo vicioso.

    fundamental revertermos essa tendncia e tra-balharmos no sentido de fomentar a cultura empre-endedora em nosso pas. Quando coloco os verbos reverter e trabalhar na primeira pessoa do plural, quero puxar a responsabilidade para as nossas mos, cidados comuns.

    No podemos esperar que o poder pblico faa a sua parte, pois o Estado faz justamente o contrrio: inibe a atividade empreendedora ao elevar a carga tributria e criar empecilhos burocrticos absurdos, buscando sem-pre financiar os altos gastos do setor pblico com mais tributos e endividamento. A impresso que passa de que o Estado um inimigo da sociedade. J que no po-demos venc-lo, devemos resistir fortemente tentao de nos juntarmos a ele.

  • 24 administradores.com junho/julho 2012

    carreira | tRabalho em equiPe

    Talentosos, mas com personalidades completamente diferentes. Os super-heris da Marvel enfrentam dilemas que podem ser muito bem encontrados em empresas de todo o mundo.

    OS VINGADORES: o que eles tm A nos ensInAr?

    por knia carvalho* | imagem divulgao

  • 25administradores.comjunho/julho 2012

    *kenia carvalho graduada em Administrao e atualmente trabalha no ramo do comrcio no setor financeiro/fiscal em Sete Lagoas - MG.

    ualquer um que tenha acompanhado

    minimamente o grande sucesso de Os

    Vingadores (The Avengers) percebe

    claramente a formao de uma equipe

    que tem todas as qualidades para

    obter sucesso, mas que, como grande parte das equi-

    pes, caminha em direo contrria a ele. Isso porque

    normalmente e at naturalmente, quando temos um

    grupo de pessoas com caractersticas variadas, temos

    tambm um grupo com objetivos diferentes e que se

    motivam de maneiras diferentes.

    Qralmente concedida a ele e reconhecida pelos demais. Eles confiam na estratgia do Capito Amrica, pois sabem que ele foi treinado para isso e o capito corresponde transmitindo segurana nos mo-mentos de maior turbulncia.

    Ele pode no ter o maior conhecimento e algumas vezes pode parecer antiquado, mas o tempo todo ele mantm o otimismo e a con-fiana em sua equipe e assim consegue extrair o melhor de cada um. E ser lder nada mais que isso: fazer sua equipe acreditar.

    E assim, quando cada um reconhece a qualidade do outro, auto-maticamente percebe que a equipe s poder funcionar se as indivi-dualidades forem deixadas em segundo plano. Mesmo que a moti-vao seja - e sempre ser - diferente para cada um, o objetivo deve ser comum.

    Alguns viles, a exemplo de Loki, podem ser mais difceis de ser derrotados, pois eles perturbam nosso emocional e nos levam ao extremo de nossas possibilidades. Mas se houver sinergia entre o grupo, dificilmente haver metas inatingveis e as caractersticas individuais, que a princpio parecem elementos que no combinam, se tornam peas chave de uma equipe completa e de sucesso.

    No grupo em questo temos pessoas com excelentes nveis de instruo, treinamento e al-gumas que vo bem alm disso - com super poderes de preciso sobre-humana. Como essa dis-cusso se baseia em uma fico, pensemos apenas no que pode-mos absorver de real de cada personagem.

    Inicialmente temos no Ga-vio Arqueiro e na Viva Negra a face mais humana desta equi-pe extraordinria. Mesmo sem nenhum super poder eles fazem de suas habilidades grandes ar-mas. Temos neles, entre outros, a persuaso, a sagacidade, a preciso e a eficincia que, por serem competncias humanas, so possveis de serem apren-didas e melhoradas. Essa a prova de que todo indivduo deve e pode se fazer importante, buscando compensar suas fragi-lidades com o aperfeioamento de seus talentos.

    O Hulk, por incrvel que pa-rea, a representao de algo muito comum. Indivduos que aparentemente so de difcil convivncia ou de natureza ar-redia, com a motivao certa, podem se revelar a grande fora de resultado. Bem orientados, eles trazem para dentro do pro-jeto todo seu conhecimento e disposio e tornam palpveis

    o cumprimento de vrias etapas do trabalho.

    O Homem de Ferro a motivao. aquele que faz as coisas andarem. Claro que o planejamento necessrio, mas s vezes gastamos tanto tempo no projeto que quando vamos implant-lo, ele j est ultrapassado. Um pouco de im-petuosidade d energia e ela se faz necessria para que a equi-pe no se acovarde diante do novo. Isso tambm exercita o raciocnio e faz com que o gru-po tenha respostas mais rpi-das diante dos desafios. Como nas maratonas, algum precisa determinar o ritmo.

    Thor, o semideus, em suas prprias palavras se declara intocvel. comum encontrar-mos algum assim nos grupos. Porm, destoando do habitual, Thor no deslumbrado. Ele sabe de seu poder e exatamen-te por isso sabe que no precisa subjugar os mais frgeis. Sen-do o intocvel, ele demons-tra humildade, pois sabe ouvir, sabe lutar ao lado dos demais e sabe compartilhar.

    E enfim o Capito Amrica. O lder nato. Uma grande repre-sentao de liderana. Mesmo em uma equipe repleta de pode-rosos e gnios, a liderana que poderia ser disputada, foi natu-

    No apenas o perfil dos super--heris que est remetido ao mundo empresarial. A prpria estratgia de divulgao dos Vingadores e de fortalecimento da marca uma verdadeira aula de marketing. Muitos brindes e produtos licenciados como camisas, bons, brinquedos, pendrives, equipamentos ele-trnicos, entre outros, esto fa-zendo a cabea (e o bolso) dos fs do mundo inteiro pirarem. Com uma elaborada campanha na internet e fora dela, incen-tivando a divulgao boca-a--boca, o faturamento da Marvel j alcanou cifras bilionrias, sendo um dos blockbusters mais bem sucedidos da histria.

    A primeira apario dos Vingadores foi nos quadri-nhos em setembro de 1963. A equipe que rene os heris mais poderosos da Terra foi criada pela Marvel como uma resposta Liga da Justia, cuja revista traz os principais heris da DC Comics (Superman, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde). A disputa entre as duas editoras america-nas de histria em quadrinhos continua at hoje, expandindo--se para as telas do cinema e tambm para os jogos.

    um gRande negcio

    voc sabia?

  • 26 administradores.com junho/julho 2012

    carreira | bonificao

    asta voc ir a

    qualquer rede

    fast food ou

    em um grande

    supermercado que a foto

    de um funcionrio sorri-

    dente estar estampada na

    parede do local. Os dizeres

    escritos em letras garrafais

    no deixam dvida: ele foi

    eleito o funcionrio do ms.

    B

    realizada pela Catho Online com mais de 46 mil trabalhadores que ocupam cargos de mdio a alto comando, os fatores que mais motivam os profissionais em suas carreiras so o bom relacionamento com as pessoas do trabalho, reconhecimento como bom profissional e atuar na rea que gosta. O item enriquecer acmulos de dinheiro e bens ficou apenas

    A estratgia de eleger e pre-miar um modelo a ser seguido pelo restante da empresa o exemplo inspirador uma ao frequente. Se no em for-mato de retrato, muitos utilizam comisses de vendas, pagam cursos completos de aperfei-oamento, viagens no final do ano, premiam com eletroele-trnicos e at onde a criativi-dade dos gestores permitir.

    O objetivo, inclusive, bastante claro para todos: motivar e estimular os cola-boradores dentro da empresa. Essas so aes que demons-tram o reconhecimento no trabalho, afirma Enio Klein, gerente geral das operaes de vendas da SalesWays no Brasil e professor de vendas da Business School So Paulo.

    E quem est acostumado a ganhar bonificaes no tem o que reclamar. Eduardo Leite, que trabalha no setor de vendas em uma grande concessionria, o famoso papa prmio da empresa. Para mim timo. J ganhei uma boa quantia financeira, conheci diversos lugares do Brasil e at fiz uma viagem internacional com as bonificaes obtidas atravs de resultados alcanados. Acredito que isso me motiva ainda mais

    na 12 posio da lista. Para Celso Bazzola, diretor

    da Bazz Estratgia e Operao de RH, a motivao est cada vez mais conectada aos anseios, desejos, sonhos e objetivos do profissional. Motivar est diretamente interligado ao conjunto de fatores que levam o funcionrio a se sentir parte do grupo, como o ambiente de trabalho, formas de liderana, pacotes de benefcios, desenvolvimento profissional e remunerao varivel, afirma. Por isso, para o especialista, quando se trata de bonificao, ela precisa estar atrelada s conquistas ou resultados, e no simplesmente ao prmio.

    Uma estratgia que est sendo usada em diversas empresas antes de dar qualquer bonificao conhecer melhor seu funcionrio e saber suas ambies. A partir da, tentar alinhar os anseios dos empregados estratgia e necessidade da empresa.

    Quem comeou um programa de bonificao assim foi a Vault, especializada em sistemas de segurana. H um ano os funcionrios que mais se destacam ganham bolsa parcial de estudos em faculdades, curso de idiomas ou bnus em dinheiro, de acordo com os seus interesses. Houve um aumento considervel no nvel de satisfao e, consequentemente, de produtividade, destaca o satisfeito diretor Cristiano Vargas.

    qUANDO A BONIFIcAO VIRA Um TIRO NO PA empresa tem a responsabilidade direta no processo motivacional de seus colaboradores, principalmente ao lanar iniciativas e planos

    a manter o trabalho em alto nvel, afirma o vendedor.

    A qUESTO NO O DINHEIRO Claro que ganhar um extra no final do ms no nada mal. Mas o retorno financeiro, h tempos, no o fator que mais influencia na motivao de um profissional. De acordo com a Pesquisa dos executivos,

    Descubra at que ponto ter um retrato pregado na parede ou receber algum tipo de bonificao da empresa pode ajudar ou

    atrapalhar os profissionais no trabalho.

    por fbio bandeira de mello | foto thinkstock

    funCionrio do mS

  • 27administradores.comjunho/julho 2012

    de bonificao. Isso porque a criao de um status funcionrio do ms pode gerar uma concorrncia acerbada entre os empregados e, em alguns casos, atrapalhar a organizao.

    Se este status for apresentado sem critrios claros, inevitavelmente haver disputas internas, o que atrapalhar os resultados finais, afirma Celso Bazzola. Para o gestor, o grande cuidado que as empresas devem tomar na definio clara de todas as condies necessrias para se alcanar este xito. A incluso de indicadores de avaliao podero ajudar nesse gerenciamento.

    Pode at acontecer de causar insatisfao e inveja dentro da empresa. Fernanda, que preferiu que no fosse divulgado seu sobrenome, diz que j foi perseguida pelo seu bom desempenho no local em que trabalhava. J notei algumas pessoas olhando de cara feia para mim e at escutei nos bastidores cochichos como essa a queridinha do chefe, ele d

    todas as premiaes para ela, conta a gerente de marketing. Para ela, no so todos, mas infelizmente h alguns que no sabem reconhecer a dedicao e o empenho de um colega de trabalho.

    mISSO ImPOSSVElOutro efeito colateral que pode estar relacionado bonificao o de atingir metas e resultados agressivos

    demais. Algumas empresas colocam um patamar to alto que desenvolve efeitos inversos na motivao dos profissionais.

    O problema que encontramos em muitas empresas, principalmente nas reas de vendas, a presso exagerada por crescimento, levando a metas que, ao

    contrrio de motivar, criam desconfiana e desconforto. Muitas vezes acabam por gerar trapaas, ressalta Enio Klein.

    E h casos extremos desse efeito. Um dos mais emblemticos do mundo corporativo foi na empresa Enron. A companhia de energia estadunidense que empregava 21 mil funcionrios e atingia faturamento de $101 bilhes de dlares por ano

    estimulava a competio ao extremo. Isso resultou em fraudes e falsificao de resultados, o que ocasionou sua falncia no ano de 2001.

    Para evitar consequncias desse porte, Enio ressalta que no h tanto mistrio: o desafio estabelecer mtricas factveis. Somente metas

    possveis de serem atingidas motivam. Aquelas agressivas a ponto de serem questionveis causam efeito contrrio, desmotivam e frustram profundamente, destaca o gerente geral da SalesWays e professor da Business School.

    A frmula de transformar a bonificao em vilo ou heri est muito alinhada s diretrizes da empresa, mas conta diretamente com a interferncia dos funcionrios. Afinal, estimulada de forma correta, pode ser uma das principais ferramentas das organizaes e dos profissionais atingirem bons resultados.

    Que todos desejam seguir o caminho positivo e da prosperidade ningum duvida, resta saber se a sua empresa ou aquela em que atua est realmente nesse rumo da motivao e de reconhecer o bom desempenho ou, simplesmente, adotou uma estratgia to agressiva para conseguir mais lucros que as consequncias se tornaram imprevisveis.

    o retorno financeiro, h tempos, no o fator que mais influencia na motivao

    FATORES qUE mAIS mOTIVAm NA cARREIRA

    1 2 3 4 5

    76 8 9 10

    Ser reconhecido com um bom profissional

    Ter um bom relacionamento com as pessoas com quem trabalha

    Fazer o que gosta Trabalhar com pessoas que

    admira e respeita

    Ter desafios constantes

    Ter voz ativa junto ao chefe

    Ter liberdade/autonomia de ao

    Possibilidade de crescimento na

    empresa

    Ter flexibilidade no horrio

    Possibilidade de coordenar/

    gerenciar pessoas

    Fonte: Catho online

  • 28 administradores.com junho/julho 2012

    administrao | PeRfil

    Estudo realizado pelo CFA mostra perfil dos profissionais de Administrao no Brasil.

    quem so os AdmInIstrAdores do brAsIl?

    por simo mairins | imagens thinkstock

    mulheRes

    oPoRtunidades

    a Pesquisa

    conselho

    Os homens ainda so maioria entre os administradores, mas as mulheres vm conquistando cada vez mais espao. No primeiro levantamento, em 1998, elas eram apenas 21%. Em 2011, j passaram a responder por 35% do total.

    A pesquisa ouviu tambm empresrios e quis saber deles as reas mais promissoras para administradores. Segundo o estudo, nos prximos cinco anos, sero os ramos de servios, administrao pblica direta e indireta e indstria. Na fase da pesquisa qualitativa ficou claro, ainda, que existem oportunidades de trabalho para o administrador como consultor nas micro e pequenas empresas, destaca Sebastio Luiz de Mello, presidente do CFA.

    Foram ouvidas, ao todo, 21.110 pessoas em todo o pas. Responderam administradores, professores, coordenadores de cursos de Administrao e empresrios.

    O sistema CFA/CRAs anunciou que, com os resultados em mos, vai traar metas de curto, mdio e longo prazo, com o intuito de promover melhorias para a carreira de administrador. nossa misso propor iniciativas coerentes com a realidade, mas antecipando o futuro, j que a expanso dos mercados mundiais um desafio e, para estar preparado para as mudanas, precisamos pensar em diretrizes de desenvolvimento destinadas aos profissionais de Administrao, diz Sebastio Mello, ressaltando que a pesquisa tambm servir de guia para gestores pblicos e privados, professores e profissionais de Administrao que desejarem fazer a diferena.

    35%

    58%

    atuam em grandes comPanhias Privadas

    Porcentagemfeminina entre osadministradores

    Conselho Federal de Administrao

    (CFA) divulgou em maio os

    resultados da Pesquisa nacional

    sobre o perfil, formao, atuao

    e oportunidades de trabalho do administrador

    2011. O levantamento traa um panorama

    geral da profisso no Brasil e revela dados

    importantes sobre assuntos como formao,

    gnero e remunerao.

    De acordo com o estudo, a maioria dos

    administradores brasileiros formada por

    homens (65%), com salrios entre 3 a 10

    mnimos (43,37%) e empregados em grandes

    companhias privadas (58%). A pesquisa revela

    ainda que a maior parte concluiu a graduao

    em instituies de ensino particulares (84,18%).

    Cerca de 85% dos profissionais entrevistados

    atuam nas reas de servios em geral, indstria,

    comrcio varejista, consultoria empresarial,

    instituies financeiras e servios hospitalares

    e de sade. Assim, como no levantamento

    anterior, o setor de servios continua sendo o

    maior empregador, seguido da indstria. 11%

    dos graduados esto fora do mercado.

    A regio que paga melhor a Sudeste, onde h

    o maior nmero de profissionais com salrios

    acima de 30 mnimos (7% do total na regio). No

    lado oposto, o Nordeste tem o maior percentual

    de administradores ganhando menos que trs

    (29% do total na regio).

    O

  • llus g. Renart professor assistente de marketing da escola de negcios iese business school, eleita uma entre as dez melhores esco-las de negcios do mundo. www.ieseinsight.com

    29administradores.comjunho/julho 2012

    marKeting | Relao

    A satisfao e a fidelidade do cliente passam por uma gama de fatores que devem ser continuamente trabalhados e intensificados.

    NO EXISTE mODElO NIcO NO mARKETING DE RElAcIONAmENTOpor llus g. renart cava | imagem thinkstock

    os ltimos anos, o foco do marketing vem mudando do transacional para o de relacionamento. De acordo com esta

    nova abordagem, a meta do marketing estabelecer, manter e melhorar rela-cionamentos lucrativos com clientes e outros associados, de forma a alcanar os objetivos de todas as partes envolvidas.

    Apesar de o marketing de rela-cionamento parecer interessante e atraente, quando se trata de coloc-lo em prtica muitas empresas encontram dificuldades e at mesmo o fracasso. Tratei do assunto de forma mais ampla em um artigo recente, Marketing relacional: caf para todos?, no qual discuti se o conceito e a prtica do marketing de relacionamento so apro-priados a todos os tipos de negcios.

    Existem princpios que orientam o marketing de relacionamento com o cliente: reunir informaes, investir nos melhores associados, personalizar a comunicao, interagir sistematicamente, integr-lo envol-vendo-o em todo o processo de criao de valor do produto e tentar criar um relacio-namento nico com cada um dos clientes.

    As empresas devem, em primeiro lugar, considerar a complexidade de colocar em prtica cada passo, a fim de decidir se o lanamento do processo do marketing de relacionamento interessante para elas. O processo dividido em oito etapas:

    N1

    5

    3

    7

    2

    6

    4

    8

    Identificar o universo de clientes que

    podem ser alvo da estratgia do marketing de

    relacionamento

    Satisfazer a necessidade ou ultrapassar as expectativas do comprador com relao ao

    produto ou servio adquirido

    Vender, pois um cliente

    em potencial identificado e informado se

    transforma em um cliente real

    Desenvolver o relacionamento com o cliente

    leal e conseguir um aumento na frequncia das compras e no volume dos

    produtos/servios adquiridos, seja na aquisio de outros produtos/

    servios da empresa, de produtos com

    margens maiores ou maior valor agregado ou na obteno

    de prazos mais curtos para a

    substituio (no caso de produtos de investimento ou bens durveis)

    Informar e atrair, transmitindo dados sobre a empresa e seus produtos/servios avaliando o grau de atratividade

    Criar a lealdade, transformando

    clientes satisfeitos em clientes fiis

    Servir o cliente

    Abrir oportunidades

    para a criao de uma comunidade

    de usurios. Algumas empresas obtm sucesso na criao de clubes

    de usurios, membros ou fs, o que constri fortes relacionamentos entre o cliente, a empresa e seus

    produtos/servios. As comunidades

    de usurios trazem para a empresa os benefcios da maior lealdade do cliente e de

    menores custos de comunicao.

  • 30 administradores.com junho/julho 2012

    dr. Preston bottger professor de liderana no imd, onde leciona nos programas executive development e orchestrating Winning Performance.

    contraPonto | tRoca de ideias

    Dois profissionais da mesma instituio e duas teses diferentes sobre o mesmo tema. Confira o que dois professores do IMD acham sobre o perfil ou os perfis dos profissionais lderes.

    DEBATEexIste um

    nIco perfIl de lIderAnA?

    por dr. preston bottger e dr. maury peiperl

    m seu livro O prncipe, o italiano Niccol Machiavelli identifi-cou trs tipos de inteligncia: quando algum entende as coisas por conta prpria o que excelente; quando al-

    gum entende aquilo que os outros lhe expli-cam o que bom; e quando algum no en-tende nem por si s, nem atravs dos outros o que intil para a liderana.

    Com o passar de sculos de educao pblica, penso que essa categorizao no mudou! Os verdadeiros lderes comparti-lham de uma fome pela responsabilidade. So capazes de atrair, organizar e empolgar as pessoas para cumprir sua misso prim-ria, a criao de riqueza.

    Eles tm o flego e a resistncia para lidar com duras crticas e enxergam o poten-cial de crescimento e os riscos de uma situ-ao. So assertivos e sensveis a diferentes pontos de vista. Podem pensar analiticamen-te, assim como de forma criativa, poltica, pragmtica ou idealista, enquanto outras pessoas conseguem pensar apenas por uma via. Por fim, so pessoas dispostas a inves-tir tempo e esforos e, por vezes, sacrificam algo uma paixo, por exemplo para atin-girem seu objetivo.

    Isso algo inerente ou aprendido? Os dois, claro mas acredito que algumas pes-soas so melhores nisso do que outras. A psicologia infantil identificou caractersticas diferentes em bebs. Uma delas a energia fsica pura. Outra a capacidade de acalm--los quando esto nervosos. As pesquisas indicam que provvel que um beb com energia fsica elevada se torne um adulto com a mesma energia, e um beb que f-cil de pacificar provavelmente se tornar um

    adulto mais calmo. E isso exatamente o que um lder precisa!

    Em minhas aulas, vejo grandes diferen-as entre os participantes em suas capaci-dades para diagnosticar o que est ao seu alcance. Alguns so muito mais flexveis, ou-tros muito mais rgidos. Um verdadeiro lder capaz de olhar para uma situao a partir de ngulos diferentes e gerar novas perspec-tivas. Ele pode se desprender de uma influ-ncia passada, o que significa suspender seu julgamento entre o que acha bom ou ruim, certo ou errado, adequado ou inadequado; e uma vez que tenha entendido a situao, ele assume uma posio forte.

    Um verdadeiro lder tambm tem de ser muito bom em identificar as preocupa-es dos outros, e falar de modo que pas-se a impresso de que ele tem as respos-tas que procuram. Carisma ajuda, claro verbalmente atraente, chama a ateno das pessoas.

    Mas a liderana nem sempre se trata de cooperao, e sim, vamos admitir, de com-petio. Muitos no conseguem realmente assumir um alto grau de responsabilidade, pois sempre buscam afeto. Querem que o mundo e que os outros sejam perfeitos e se tornam amargos diante da realidade, porque ela no perfeita. Essa amargura impede a ascenso de muitas pessoas talentosas, que pensam: a vida muito dura. Vou s beber cerveja e assistir TV.

    Agora, os verdadeiros lderes arregaam as mangas, assumem a responsabilidade e fazem o possvel para espalhar o entusiasmo, ao mesmo tempo em que mantm os ps no cho. Eu lhes chamo de guerreiros felizes, e acredito que precisamos de mais deles em nosso mundo conturbado.

    sim

    eles podem alternar de uma forma de pensar analtica

    para uma criativa, poltica, pragmtica ou idealista, enquanto os demais ficam presos a

    um s modo.

    E

  • 31administradores.comjunho/julho 2012

    exIste um nIco perfIl de lIderAnA?

    ve essas tendncias naturais. E, primor-dialmente, como voc se comporta em situaes especficas. Atravs de pesquisas, sabemos que as pessoas prestam muita ateno s caractersticas dos indivduos e no s situaes em que se encontram, tendendo a culpar uma determinada pessoa quando outra, na mesma situao, provavel-mente se comportaria da mesma maneira. Isso chamado na psicologia social de o erro fundamental de atribuio.

    Por exemplo, foi o CEO da BP a causa do vazamento de petrleo do Deepwater Horizon? De forma imediata, ele no era culpado. As pessoas criticaram muito seu estilo gerencial, mas apenas uma mino-ria relacionou o problema cultura da empresa (que existia muito antes de sua nomeao ao cargo), regulao frouxa, aos empreiteiros irresponsveis, ou mesmo ao azar (no que o resultado fosse perdo-vel!). No aproveitamos a oportunidade de entender a liderana contextualmente quando focamos apenas nos indivduos.

    Alguns dos melhores lderes so as pessoas que se encontram no meio da estrutura e que ajudam os outros a ob-ter sucesso. Elas no necessariamente almejam atingir o topo (para mim, isso no liderana, apenas competio). Em vez disso, visam formar outros lderes. Isso tem muito pouco a ver com carisma muito pelo contrrio, na verdade. Com carisma, as pessoas podem admir-lo mais, mas o que podem no entender que sua lide-rana tem mais a ver com o que realizam, e no com o quanto gostam de voc.

    Como se pode trabalhar para se tornar um lder melhor? Praticar a empatia um caminho. s vezes, fazemos exerccios no IMD onde juntamos duas pessoas que mal

    se conhecem. Cada um tem que descobrir o que motiva o outro, e a resposta rara-mente a mesma para ambos. Ter algum como modelo tambm importante, no somente por seu status (geralmente alto), mas porque nos apresentam um atalho: em vez de ter que aprender tudo sozinho, voc pode imitar os outros bem sucedidos e assim evita cometer os mesmos erros.

    Ainda assim, uma boa maneira de melhorar realmente fracassar, para apren-der e para tentar novamente. Se voc for humilde e flexvel o suficiente, encontrar o caminho definitivo para o sucesso.

    m bom lder algum que possibilita aos outros o bom desempenho e a aprendizagem. Por-tanto, rejeito o conceito

    de que h um nico perfil de liderana. H muitos perfis possveis para um bom lder, assim como existem muitos perfis possveis para um mau lder. Depende dos objetivos que se deseja realizar e, especialmente, da situao. Por exemplo, um lder de fbrica, um gerente financei-ro e