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  1. 1. Testemunhos sobre a Igreja Perseguida coletados no site da Misso Portas Abertas www.portasabertas.org.br Testemunhos postados no site em 2007. Para ler mais testemunhos e obter maiores informaes, acesse o site. Amados, informem-se, orem e contribuam para ajudar a Igreja Perseguida. A sua ajuda fundamental para os que sofrem. Ana Graa: dedicao ao trabalho do Senhor Ana Graa (em p) ajuda outras sudanesas com o Projeto de Mulheres SUDO (20)* - Sob o escaldante sol africano, Ana Graa atravessou correndo o ptio da casa de ch. Os convidados estavam chegando, e ela precisava providenciar para que tudo estivesse em ordem. Enquanto ajeitava algumas pinturas e painis, seus olhos pousaram em um pedao de cermica negra. Em grandes letras brancas, ela leu: Pela graa de Deus, sou o que sou. Ana Graa, melhor que ningum, conhecia a verdade por trs dessas palavras. Elias fora construtor profissional nos primeiros anos do casamento, mas Deus, com seu amor, apossou-se dele, e ele tornou-se pastor no incio dos anos 80. Agora ele era bispo, supervisionando 30 pastores e 27 congregaes na regio. *Nota: O nmero ao lado dos pases indica a sua posio na classificao de pases por perseguio (lista reproduzida ao final deste e-book).
  2. 2. Em pouco tempo, os convidados chegaram. Silenciosamente, ela serviu-lhes o ch, deixando a maior parte da conversao por conta de seu marido. Sua tarefa era informar os visitantes sobre a situao atual no Sudo, o maior pas da frica. Aps umas poucas palavras, uma senhora dirigiu-se a Ana Graa e perguntou-lhe: Voc poderia nos contar a respeito das dificuldades que encontrou em seu ministrio junto s mulheres?. Elegante, em seu vestido de algodo amarelo e marrom, com seus cabelos negros formando tranas que se enrolavam harmoniosamente sobre sua cabea, Ana Graa era o retrato da dignidade africana. At aquele momento, ela nada dissera, mas no precisou pensar muito para responder. Quando observo minha vida em retrospectiva, no vejo nada que tenha vindo com facilidade, disse ela aos visitantes. Tudo o que fiz foi sempre em meio a dificuldades. Infncia em um pas devastado pela guerra A guerra civil no Sudo comeara mais de dez anos antes do nascimento de Ana Graa. Seu pai era professor e conseguiu assegurar o sustento de sua numerosa famlia. Durante a juventude, as sementes da mensagem crist do evangelho lanaram razes em seu corao. Ela comeou a entender o que Jesus havia consumado na cruz do Calvrio e decidiu que, acontecesse o que acontecesse, queria seguir e servir o Senhor. Ento, sobreveio a tragdia. Seu pai beirava os 50 anos, mas caiu doente e teve de deixar seu trabalho. A famlia, impotente, viu-o ficar cada vez mais fraco e, em pouco tempo, completamente acamado. A despeito das oraes de sua famlia e de todos os tipos de tratamento, ele faleceu, aparentemente por colapso cardaco. Um casamento abenoado Aos poucos, o sofrimento de Ana Graa pela morte do pai foi diminuindo. A igreja que sua famlia freqentava na Provncia Central de Equatria era cheia de vida e repleta de jovens. L, ela encontrou o pastor Elias, o amistoso ministro dos jovens. Foi uma agradvel surpresa quando Elias apresentou-se sua me e pediu Ana Graa em casamento. Em virtude da guerra civil e da terrvel situao econmica do Sudo, passaram-se quatro longos anos antes que Elias e Ana Graa pudessem finalmente casar-se. Ana Graa tinha boas razes para estar feliz. Diferentemente de outras mulheres de seu pas, ela sabia que seu marido a amava. Voc ser minha para sempre, disse-lhe Elias enquanto, carinhosamente, levantava-lhe o rosto entre suas mos. Ningum jamais a tirar de mim!. A despeito das palavras otimistas de Elias, ambos, ele e Ana Graa, sabiam que em vrias
  3. 3. reas de seu imenso pas, mulheres e crianas eram seqestradas pelos invasores rabes, ou por homens de tribos africanas, e levadas como escravas. Pregando o evangelho Elias ficava cada vez mais ocupado com seu ministrio e trabalho na comunidade. Ana Graa, sempre que podia, acompanhava-o em viagens, porm, usualmente, ficava sozinha em casa. Agora, muitos de seus irmos j se encontravam casados. Ao observar seus sobrinhos pequenos, era difcil no sentir inveja. Crianas eram um smbolo de prosperidade no Sudo, e Ana Graa perguntava-se por que Deus no respondera a suas oraes e ainda no lhe dera um filho. Por volta de 1990, a guerra civil no Sudo intensificara-se dramaticamente. Certo dia, Elias recebeu uma informao confidencial de que era iminente uma enorme batalha entre o governo e o SPLA. Ele disse a Ana Graa: Rpido, arrume algumas roupas e comida. Precisamos sair da cidade. Por mais que quisesse protestar, Ana Graa sabia que seu marido estava certo. Certamente era muito perigoso ficar. Muitos de seus vizinhos j haviam fugido para a mata, e Ana Graa e Elias, caso no sassem agora, talvez no tivessem nova oportunidade. Eles saram a p, e Ana Graa, corajosamente, tentava acompanhar os passos apressados de seu marido, caminhando por horas em meio aos arbustos espinhosos. Aps horas de caminhada, Elias cortou um pouco do capim que dava no local e arrumou no cho. Naquela noite, essa seria a cama deles. Demasiado cansada para pensar ou lamentar, Ana Graa caiu adormecida. Todavia, quando o sol alaranjado do amanhecer acordou-a no dia seguinte, ela teve de encarar a dura realidade. Agora, Ana Graa e Elias podiam considerar-se parte dos milhes de pessoas desalojadas, os refugiados sem moradia. Aps encontrarem um acampamento de refugiados, eles se deram conta de quantos novos desafios enfrentaram. Eles nunca haviam vivido na mata. Graas a Deus, Ele jamais nos deu um filho, pensava Ana Graa de vez em quando. Ele sabia o que estava fazendo. Ele podia ver o que estava adiante. Chamados a servir Dando-se conta de que poderiam passar-se anos antes que pudessem retornar para casa, eles mudaram-se para um povoado perto da divisa com o Congo, chamado Laso. Certa tarde, os soldados chegaram a Laso. Onde est o Pastor Elias?, perguntou um deles. Quando Elias chegou, eles foram logo ao ponto. Disseram: Precisamos de sua esposa. Ns vamos dar a ela treinamento militar. Ela retornar daqui a 21 dias. Elias no teve alternativa a no ser deixar Ana Graa ir. Vinte e um dias passaram-se, mas Ana Graa no retornou para Elias. Ao contrrio, o exrcito levou-a para a linha de frente, prxima a Juba e Torit, onde ela foi submetida a treinamento militar junto com os homens. Talvez o SPLA imaginasse que precisava proteger as informaes confidenciais que Ana Graa tinha absorvido, mantendo vigilncia
  4. 4. sobre ela 24 horas por dia. Ana Graa estava quase morta, emocional e fisicamente, mas seu esprito estava bem vivo. Seu relacionamento com Deus a mantinha caminhando. Jesus, ajude-me!, pedia ela vrias vezes ao dia, determinada a manter seus olhos no Senhor e no nas circunstncias que a rodeavam. Mesmo quando as tropas chegaram a seu destino, a vida de Ana Graa no foi facilitada. Ana Graa era mida e propensa a doenas, em nada talhada para ser um soldado, mas, ainda assim, aprendeu a lutar junto com os homens. Ela odiava ser treinada para atirar em outras pessoas e ficou agradecida por realmente nunca ter atirado em ningum. Embora diversos homens do exrcito fossem cristos dedicados, a brutalidade de alguns dos outros soldados a deixava horrorizada. Certo dia, ela clamou: Senhor, no posso mais fazer isto! Por favor, tire-me daqui!, No fora certamente a primeira vez que fizera aquela orao. Contudo, aps longa espera, ela estava a ponto de ver a resposta de Deus. Elias sentia terrivelmente a falta de sua esposa. Esperava havia muito ter sua mulher de volta em casa, mas sabia que o SPLA no a deixaria sair facilmente ela sabia demais e era uma fora importante para a causa deles. Ento, teve uma idia. Todos sabiam que os soldados tinham escassez de leo diesel para seus caminhes. Assim, com a ajuda do irmo de Ana Graa e de seu tio, fizeram uma negociao. O tio contatou um dos lderes da SPLA e fez uma oferta. Caso eles libertassem Ana Graa, ele lhes daria 20 barris de leo diesel para seus caminhes. E deu certo. Os lderes do exrcito aceitaram a oferta. O incio de um grande ministrio Aps anos de espera, Elias e Ana Graa finalmente puderam voltar para casa. Em pouco tempo, Elias foi designado bispo para sua regio. Enquanto ele ficava fora, dando aulas ou distribuindo Bblias para congregaes necessitadas, Ana Graa utilizava sua experincia para organizar o ministrio com as mulheres de sua igreja, e, com alegria, recebia as mulheres e crianas que vinham a sua casa em busca de ajuda. Enquanto esteve na mata, ela ouvira histrias de famlias que foram expulsas de suas terras e casas. Ela encontrara mulheres que foram raptadas e estupradas. Esses trgicos depoimentos se repetiam agora, quase que diariamente em sua casa. Um sem-nmero de mulheres eram presas desse ciclo de desespero. Em seu desejo de ajudar, Ana Graa convidou-as para momentos de orao e jejum. Mais tarde, enquanto um grupo de mulheres orava, uma delas teve uma idia. A igreja possua uma propriedade prxima do rio Yei, e o rio continha muita areia, um produto muito necessrio no Sudo. Ana Graa, desse modo, organizou um grupo de trabalho ela denominou-o Projeto das Mulheres. As participantes no contavam com carrinhos de mo nem qualquer outro equipamento, mas elas, com ajuda de latas, pequenas caixas ou qualquer outra coisa que pudessem encontrar, comearam a coletar areia s margens do rio.
  5. 5. Aos poucos, o monte de areia crescia cada vez mais. Um homem que trabalhava para uma organizao no-governamental (ONG) ficou to impressionado com o rduo trabalho das mulheres que se tornou seu primeiro cliente. Aps sua primeira compra de areia, Ana Graa pde pagar as pessoas que trabalhavam para ela. Uma vez que muitas pessoas de fora comeavam a visitar a rea, surgiu uma outra idia para um negcio rentvel para as mulheres. Elas comearam a construir uma hospedaria. Quanto mais hspedes vinham, mais chals puderam ser construdos. O Projeto das Mulheres estava prosperando. A